Avicultura
Bacilos em aves de postura: qual a relação com o bem-estar?
A suplementação com probióticos a base de bacilos durante a fase de postura de aves é uma ferramenta capaz de melhorar a saúde intestinal das mesmas, promovendo melhorias na produtividade e qualidade de ovos, além de impactar positivamente nos indicadores de bem-estar. Entretanto, é importante ressaltar que para se tenha sucesso no programa probiótico implementado nas granjas de postura é importante a escolha da cepa correta.

Conceitualmente os probióticos são “microrganismos vivos capazes de promover saúde ao hospedeiro, quando administrados em quantidade adequada”. O fato é que, os probióticos, quando adicionados à dieta das aves de postura promovem melhoras significativas na produção de ovos, resposta imune e redução de mortalidade. Assim, podemos considerá-los – “Melhoradores de Desempenho”.
Mas de que forma os probióticos podem ser considerados melhoradores de bem-estar animal? Vários mecanismos de ação foram propostos para os probióticos à base de bacillus spp, dentre eles, a manutenção da microbiota equilibrada e consequentemente melhor saúde e integridade intestinal. A combinação de boa microbiota e saúde intestinal facilita a síntese e secreção de neurotransmissores como a serotonina, “O Hormônio da Felicidade”.
Em estudo realizado na Unesp – Botucatu, foi avaliado o efeito de um probiótico a base de Bacillus subtilis e Bacillus licheniformis em aves de postura brancas e vermelhas. As aves estavam com 71 semanas de idade e foram suplementadas com probiótico durante oito semanas e os resultados foram comparados com grupo de aves controle, que não recebeu probiótico. Indicadores de produtividade, qualidade de ovos e bem-estar das aves foram mensurados.
Ao final do período de experimento, o percentual de ovos produzidos foi significativamente maior para grupo que recebeu o probiótico, conforme demostrado no gráfico 1.

Gráfico 1: Resultados de produtividade de ovos (%) de aves de postura vermelhas e brancas suplementadas com Probiótico (Bacillus subtilis e Bacillus licheniformis) vs Controle, sem probiótico.
Também houve redução de percentual de ovos sujos. As aves suplementadas com probiótico apresentaram redução de 4,1% de ovos sujos para aves brancas e 3,1% para aves vermelhas, conforme gráfico 2.

Gráfico 2: Qualidade de ovos (% de ovos sujos) de aves de postura vermelhas e brancas suplementadas com Probiótico (Bacillus subtilis e Bacillus licheniformis) vs Controle, sem probiótico.
As poedeiras brancas suplementadas com probiótico apresentaram 4,5% a menos de ovos trincados quando comparadas ao grupo controle. Em poedeiras vermelhas a diferença foi de 4,9% para o grupo suplementado com probiótico, conforme gráfico 3.

Gráfico 3: Resultados de qualidade de ovos (% de ovos trincados) de aves de postura vermelhas e brancas suplementadas com Probiótico (Bacillus subtilis e Bacillus licheniformis) vs Controle, sem probiótico.
Com relação aos indicadores de bem-estar, houve melhoria significativa com a redução do comportamento agonístico (comportamento relacionado ao estresse da ave), representada por diminuição de 83% de brigas entre aves vermelhas, e redução de 50% nos casos de arranque de penas em aves brancas e ainda, melhoria no indicador de mortalidade com redução significativa estatisticamente em ambas as categorias de aves, conforme descritos na tabela 1.

Tabela 1: Parâmetros de bem-estar animal de aves de postura vermelhas e brancas suplementadas com Probiótico (Bacillus subtilis e Bacillus licheniformis) vs Controle, sem probiótico.
De modo geral, as aves suplementadas com 02 composto por Bacillus subtilis e Bacillus licheniformis apresentaram melhores indicadores zootécnicos e de bem-estar. O efeito positivo na produtividade de ovos pode ser atribuído ao equilíbrio da microbiota, melhora na digestão e absorção de nutrientes.
A redução de ovos trincados está relacionada a melhora do ambiente intestinal que permite melhor solubilidade e absorção do cálcio suplementado na dieta.
A redução do comportamento agonístico conforme dados da tabela 1 está relacionada a produção de serotonina, haja visto que 90% de sua produção ocorre no intestino. A redução de brigas também pode influenciar na redução de ovos trincados.
Suplementação com probióticos
A suplementação com probióticos a base de bacilos durante a fase de postura de aves é uma ferramenta capaz de melhorar a saúde intestinal das mesmas, promovendo melhorias na produtividade e qualidade de ovos, além de impactar positivamente nos indicadores de bem-estar.
Entretanto, é importante ressaltar que para se tenha sucesso no programa probiótico implementado nas granjas de postura é importante a escolha da cepa correta.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: brrofr@chr-hansen.com.
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Avicultura
Produção brasileira de ovos para consumo desacelera no terceiro trimestre
Levantamento do IBGE e Cepea indica leve queda trimestral na oferta porém aponta recorde histórico no acumulado de 2025 com impacto direto nos preços pagos ao produtor.

Dados do IBGE analisados pelo Cepea mostram que, entre julho e setembro, foram produzidas 1,02 bilhão de dúzias de ovos para consumo, queda de 1,4% frente ao trimestre anterior, mas alta de 2,5% na comparação com igual intervalo de 2024.
No acumulado do ano, a produção nacional soma 3,04 bilhões de dúzias, volume recorde para o período de toda a série histórica do Instituto, iniciada em 2012. Assim, pesquisadores do Cepea explicam que, mesmo com a leve retração na quantidade produzida, os valores dos ovos seguiram enfraquecidos ao longo do terceiro trimestre.
De acordo com levantamentos do Centro de Pesquisas, entre julho e setembro, a média dos ovos brancos tipo extra, a retirar (FOB) em Bastos (SP), foi de R$ 149,15/caixa com 30 dúzias, queda de 14% em termos reais (dados deflacionados pelo IGP-DI de nov/25), em relação ao trimestre anterior.
Para os ovos vermelhos, houve desvalorização real de 16% em igual comparativo, à média de R$ 164,45/cx na região paulista.
Avicultura Do surto ao recall
Lições que a agroindústria não pode ignorar
Especialistas alertam que o avanço de contaminações no Brasil e no exterior exige vigilância contínua, tecnologia de ponta e gestão rigorosa para evitar crises sanitárias e prejuízos às empresas.

A segurança alimentar voltou ao centro das atenções diante da escalada de surtos e contaminações que desafiam a indústria de alimentos no Brasil e no mundo. A mensagem foi reforçada pela bióloga Marina Gumiere, doutora em Microbiologia Agrícola, durante o 11º Encontro Avícola Empresarial Unifrango, realizado em julho na cidade de Maringá (PR).
Segundo a especialista, só um monitoramento contínuo e políticas rígidas de controle de qualidade conseguem prevenir riscos e proteger tanto a saúde pública quanto a reputação das marcas. “Os riscos invisíveis da indústria alimentícia exigem mais que protocolos básicos, pedem vigilância constante, ferramentas modernas e uma cultura de prevenção. Prevenir surtos é sempre mais eficiente, e menos custoso, do que lidar com as consequências de uma crise sanitária”, frisou.
Entre 2013 e 2022, o Brasil registrou uma média anual de 6,6 mil surtos alimentares. Casos recentes de enterovírus e contaminações por E. coli e Salmonella em praias de São Paulo evidenciam a persistência do problema. Em 2024, episódios semelhantes atingiram Estados Unidos, Vietnã, Rússia e Arábia Saudita, com foco em carnes, saladas prontas e alimentos processados, um alerta de que a vulnerabilidade é mundial. “As consequências de um recall são amplas. Além de altos custos financeiros, que envolvem recolhimento, processos judiciais e investimentos em recuperação, as empresas sofrem desgaste da reputação, com perda da confiança do consumidor e questionamentos de investidores. Há ainda a pressão legal, com disputas e ações judiciais que prolongam os impactos da crise”, enumerou Marina.
Casos que marcaram a indústria

Bióloga Marina Gumiere, doutora em Microbiologia Agrícola: O Plano de Monitoramento Ambiental (PMA) é fundamental para identificar fontes de contaminação, mapear áreas críticas e apontar falhas de higiene nas plantas industriais” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Marina lembrou de episódios que se tornaram referência em segurança alimentar e que servem de alerta para toda a cadeia produtiva. Em 2010, nos Estados Unidos, mais de 500 milhões de ovos foram recolhidos após 2,5 mil casos de salmonelose, com custos superiores a US$ 100 milhões. Em 2007, a contaminação de manteiga de amendoim gerou impacto estimado em US$ 1 bilhão, atingindo não apenas o produtor, mas também a extensa cadeia de produtos que utilizava o ingrediente.
A rede de hambúrgueres que enfrentou surtos de E. coli em 2004 e novamente em 2024 sofreu queda de 10% no valor de suas ações, perda de vendas e precisou investir mais de US$ 100 milhões em medidas corretivas e marketing para tentar recuperar a imagem.
Ferramentas para prevenir
Para reduzir riscos, Marina defende o uso de estratégias que envolvem diferentes frentes de controle. “O Plano de Monitoramento Ambiental (PMA) é fundamental para identificar fontes de contaminação, mapear áreas críticas e apontar falhas de higiene nas plantas industriais”, destacou.
Ela ressaltou ainda a importância do zoneamento de risco, que classifica os ambientes da fábrica em quatro níveis, permitindo direcionar o monitoramento para microrganismos adequados a cada área. “Sem um bom zoneamento, se perde eficiência no controle, porque não se mede o que realmente importa em cada ponto da planta”, afirmou.
Outro ponto crítico são os biofilmes, estruturas resistentes formadas por comunidades microbianas que podem abrigar agentes como Listeria e Salmonella. “Eles criam uma barreira protetora que dificulta a ação dos sanitizantes e, muitas vezes, só podem ser eliminados com ação mecânica”, alertou a especialista.
Soluções avançadas de investigação
A evolução tecnológica também oferece novas ferramentas para que a indústria alimentícia enfrente riscos invisíveis com mais precisão. Marina destacou o papel do sequenciamento de nova geração (NGS) e do sequenciamento completo do genoma (WGS), técnicas que permitem identificar microrganismos que não crescem em meios tradicionais e rastrear a origem de surtos. “O WGS consegue diferenciar sorotipos e apontar se a mesma cepa está presente em diferentes pontos da planta. É uma ferramenta poderosa de rastreamento e prevenção”, afirmou, destacando que essas técnicas também permitem identificar genes de resistência a sanitizantes e antibióticos, além de relacionar características das cepas com as condições sanitárias da planta e avaliar a evolução da resistência microbiana ao longo do tempo.
Outra solução é a metagenômica, capaz de extrair o DNA diretamente da matéria-prima, da água ou de superfícies, sem necessidade de cultivo. “A metagenômica mostra toda a comunidade microbiana presente, sua diversidade, abundância e potenciais riscos. É como acender a luz em um ambiente que antes estava no escuro”, comparou Marina.
A avaliação da eficácia dos desinfetantes utilizados na fábrica também é indispensável, especialmente contra as cepas isoladas da própria planta, e não apenas contra microrganismos indicadores padrão. “É importante testar a eficácia das soluções ao longo do tempo de armazenamento, já que alguns ativos, como o hipoclorito, perdem potência rapidamente”, reforçou.
No campo da gestão, a especialista reforçou a importância de ferramentas modernas de monitoramento, que superam as limitações das planilhas tradicionais. “O Excel ajuda, mas não oferece a visão estratégica. Hoje existem sistemas capazes de mapear zonas de risco, indicar pontos positivos de contaminação, monitorar ativos e desencadear planos de mitigação de forma integrada”, pontuou.
A versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.
Avicultura
Frango congelado mantém estabilidade e mercado segue com pouca volatilidade
Cotações recuaram e avançaram de forma moderada ao longo da semana e acumulam leve valorização de 0,25% no mês, segundo dados do Cepea.

Os preços do frango congelado no Estado de São Paulo seguiram estáveis nesta quarta-feira (10), segundo dados do Cepea/Esalq. A cotação ficou em R$ 8,13/kg, repetindo o valor do dia anterior, sem variação diária (0,00%).
Apesar da pausa no movimento de alta, o produto acumula valorização de 0,25% em dezembro.
Na terça-feira (09), o frango congelado havia avançado 0,49%, saindo de R$ 8,09/kg (08/12) para R$ 8,13/kg. Antes disso, as oscilações foram moderadas: -0,12% em 8 de dezembro e -0,12% no dia 5.
Já no dia 04 de dezembro, o indicador registrou estabilidade em R$ 8,11/kg.
Os números mostram que, mesmo com variações pontuais, o mercado paulista de frango congelado opera com baixa volatilidade neste início de mês.



