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AVISULAT: Setores de aves, suínos e leite apostam na união para sustentar produção e crescimento em 2016

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Representantes dos setores de aves, suínos e leite se reuniram na quinta-feira,10 de dezembro, em Porto Alegre, para fazer um balanço do ano, traçar os desafios para 2016 e apresentar os preparativos para o V AVISULAT – Congresso e Feira Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Laticínios, que reunirá toda a cadeia produtiva, de 22 a 24 de novembro de 2016, no Centro de Eventos Fiergs, em Porto Alegre, para debater questões da agropecuária nacional e fortalecer os três setores. 
 

Com cenário de recessão previsto pela Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS, o economista Oscar Frank Junior, detalhou o impacto da crise politica e econômica na indústria nacional, que deve fechar o ano com uma queda no PIB de 3,5% em relação a 2014 e para 2016, a previsão é de queda de 2,5%. “Em termos de Rio Grande do Sul, a perspectiva também é de recessão, porém abaixo da nacional devido ao bom desempenho da agropecuária”, destacou. 

 

O Secretário Estadual da Agricultura, Ernani Polo, prestigiou o evento e parabenizou os setores pela união de esforços, organização do AVISULAT e falou dos objetivos da pasta para 2016. “Queremos potencializar ações em defesa da sanidade animal, pois ela garante qualidade e abre novos mercados. Vamos trabalhar especialmente na cadeia do leite, com o Programa Leite Saudável, do Ministério da Agricultura”, disse. O Secretário também afirmou que pretende potencializar a produção de milho no estado, dentro do programa de preservação do solo, atendendo a uma demanda dos setores de aves e suínos, que tem no milho sua base alimentar.

 

O evento também contou com a presença do Presidente da Fiergs, Heitor José Müller; o Superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do RS, Roberto Schroder; o Chefe de Gabinete da Secretaria de Ciência e Tecnologia Dr.Gilberto Pinho, Coordenador Técnico e Gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Kurt Ziegler, representantes do Banco do Brasil e Sicredi, entre outras autoridades dos setores. 

 

Cenários e perspectivas dos três setores para 2016 

 

Leite/Laticínios – Alexandre Guerra, Presidente do Sindilat, destacou o crescimento da produção de leite no estado, que foi de 98% nos últimos dez anos e a representatividade de 13% da produção nacional de leite. Segundo ele, dos 13 milhões de litros/dia produzidos, 40% ficam no RS e 60% é comercializado com outros estados ou mercado externo. “Apesar de ainda sermos um país importador, ano a ano nossa produção vem crescendo. Estamos crescendo uma media de 4% na produção e nosso consumo per capita estava em 2%. Precisamos sim fortalecer o mercado interno para estamos mais fortes para a exportação”, afirmou. Além de fomentar o mercado externo, ele falou do trabalho do Sindicato para a sanidade animal, em especial o controle da tuberculose e brucelose. Para este ano, a expectativa é de que a produção no campo fique 1% negativa e para 2016, o dirigente acredita em uma recuperação no segundo semestre. 

 

Suinocultura – “O Brasil é um país exportador e tem que usar isso para regular a oferta, para abrir novos mercados ou exportar mais para regular a oferta interna”, disse José Roberto Goulart, Presidente do SIPS. Ele apresentou a evolução do mercado que teve um 2014 excelente, com demanda grande dos importadores; um 2015 considerado bom, com a  compensação por parte do cambio e a entrada de novos mercado para exportação e para 2016, a expectativa é de um ano razoável.  “O cambio será o que vai suportar o ano que vem. Outro diferencial deverá ser o mercado chinês, maior produtor mundial, que terá que reduzir a produção por questões regulamentadoras internas, e isso vai abrir espaço para importação. É nesse cenário que vamos entrar para 2016. O desafio será adequar os custos para o mercado doméstico, que é cerca de 80% da produção”, alertou. 

 

Avicultura – No setor de frango, o presidente da Asgav, Nestor Freiberger, projetou um crescimento de 1,5% a 2% para este ano, o que, na sua avaliação, é positivo para um ano de economia retraída. As exportações avícolas do RS também devem registrar crescimento de até  2%, aproximadamente 730 mil toneladas, o abate de aves cresceu 2,5%, e deve fechar o ano de 2105 em torno de 830 milhões de aves abatidas. O RS exporta hoje 48% da produção de frango. Para ele, o único caminho é a união de forças. “Para 2016 estamos apostando em um crescimento vegetativo de 1% ou 2% também”, projetou. Sobre a questão cambial, o presidente ponderou: “Se por um lado aquece os preços para exportação, por outro o mercado interno é penalizado no custo de produção. Precisamos estar atentos e espero que a safra de milho e soja, que representa 65% do nosso custo de produção, seja boa. Precisamos plantar milho no estado. Trazemos de fora cerca de 2 milhões de toneladas/ano para suprir as deficiência que aqui existem em função das exportações”. 

Freiberger apresentou também dados do mercado de ovos, que deve manter o ritmo de crescimento e fechar 2015 em 3 bilhões de unidades ovos/ano no RS, um crescimento entre 2 a 3 %. Houve também crescimento médio de 50% nas exportações de ovos comprado com 2014. “O consumo de ovos no RS deve ficar em 227 ovos habitantes/ano, acima da media nacional de 191. E acho que ainda tem muito espaço para crescer”, avaliou. Em termos nacionais, o Brasil deve produzir 39 Bilhões de ovos em 2015, um crescimento de 6%. Para 2016, a previsão é de crescimento de apenas 2% devido à crise. 

 

Preparativos para o AVISULAT 2016 

 
O potencial do AVISULAT como espaço de debate e vitrine dos setores de aves, suínos e leite foi destacado na apresentação de José Eduardo dos Santos, Coordenador Geral AVISULAT 2016. O evento já está todo estruturado e formatado, com planejamento comercial, divulgação e prospecção. Para Eduardo, o evento é um compromisso dos setores para 2016 devido ao anos de crise que tivemos.  “Acreditamos que 2016 pode ser um ano de retomada. Precisamos nos mobilizar e fazer um evento que movimente as cadeias produtivas. O AVISULAT é uma vitrine para o mercado interno e externo, um momento e espaço de mostrar a qualidade dos nossos produtos”, disse. Ele destacou atividades do evento como a feira de negócios, com exposição de empresas e máquinas; o congresso internacional, que vai debater as principais questões de cada setor; os painéis científicos e o Encontro Internacional de Negócios, que na ultima edição gerou US$ 18 milhões em expectativa de negócios, com compradores de 7 países. A parceria com a Associação Brasileira de Proteína Animal-ABPA, também foi mencionada pelo coordenador que repassou mensagem do Presidente Turra de que a entidade será novamente uma forte parceira do AVISULAT.
 
Parceira do AVISULAT, a Fiergs também aposta na agropecuária para a recuperação da economia do Brasil e do RS. “Apostamos muito no crescimento da economia através desses três setores. Estamos com um engajamento e sinergia muito forte para o evento dar certo. Nosso papel enquanto Sistema Fiergs e apoiar na operacioanalização e todos entendem e corroboram dessa opinião. Apostamos na capacidade de organização para ter um evento de sucesso”, avaliou Maurício Durval Macedo, Gerente do Centro de Eventos FIERGS.
 
O AVISULAT é promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura – Asgav; Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado do RS – SIPS e Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do RS – Sindilat, em parceria com a FIERGS.

Fonte: Ass. Imprensa

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Notícias Cooperativismo

Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível

Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

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A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.

Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.

A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.

Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Notícias

Quando o clima ajuda a conter a alta dos grãos

Análise da Consultoria Agro do Itaú BBA indica que o El Niño tende a redistribuir a produção entre regiões e reduzir a volatilidade dos preços, ao contrário da La Niña, que concentra perdas e pressiona o mercado global.

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Foto: Gilson Abreu

O impacto dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña sobre o mercado global de soja e milho não segue um padrão simples de alta ou baixa de preços. De acordo com análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os efeitos são assimétricos, dependem da distribuição geográfica das chuvas e, sobretudo, da intensidade de cada evento.

Foto: Divulgação

No caso do fenômeno El Niño, o efeito global tende a ser mais de redistribuição do risco do que de perda generalizada de produção. Enquanto algumas regiões enfrentam restrições climáticas, como partes da Ásia e da África, grandes produtores como Estados Unidos, Brasil e Argentina podem registrar condições mais favoráveis.

Segundo a análise, esse “balanceamento geográfico” faz com que a produção global de soja, em muitos episódios, apresente até ganhos médios de 2% a 5%. No milho, o comportamento é mais neutro a levemente negativo, com perdas estimadas em até cerca de 4%, concentradas em áreas tropicais.

Esse desenho ajuda a explicar por que eventos de El Niño, especialmente os moderados, podem resultar em menor volatilidade nos preços internacionais de grãos. Com a oferta global relativamente preservada, o mercado tende a operar com estoques mais confortáveis, o que reduz a intensidade de movimentos altistas.

Em eventos mais fortes, como os registrados em 1997/98 e 2015/16, não houve, segundo a consultoria, rupturas relevantes no balanço global de oferta e demanda de soja e milho, e as cotações internacionais exibiram comportamento menos volátil do que em anos neutros ou sob influência de La Niña.

O quadro muda de forma mais consistente sob influência da La Niña. Nesse cenário, o padrão climático tende a ser mais sincronizado entre grandes regiões

Foto: Divulgação

produtoras, ampliando a probabilidade de perdas simultâneas de produtividade.

A América do Sul, responsável por cerca de 65% das exportações globais de soja e fatia relevante do milho, aparece como uma das áreas mais vulneráveis a períodos prolongados de estiagem associados ao fenômeno. Episódios recentes de La Niña entre 2020 e 2022 coincidiram com secas severas no Sul da África e perdas expressivas no Cone Sul, contribuindo para forte alta nos preços internacionais em 2021 e 2022.

Nesse período, o milho chegou a superar US$ 6,50 por bushel em Chicago, enquanto a soja atingiu US$ 17 por bushel, refletindo um aperto global de oferta.

Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, essa mudança também reflete uma transformação estrutural no mercado global de grãos. Com o aumento da participação do Hemisfério Sul no comércio internacional, choques climáticos negativos passaram a ter impacto mais direto sobre a formação de preços, especialmente em anos de La Niña.

Nesse contexto, enquanto o El Niño atua mais como um fator de redistribuição regional de produção, a La Niña segue associada a maior risco de desequilíbrio global entre oferta e demanda, com efeitos mais intensos sobre as cotações de soja e milho.

Fonte: O Presente Rural
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El Niño 2026/27 pode reordenar oferta global de grãos com impactos opostos entre hemisférios, aponta Itaú BBA

Fenômeno altera padrões de chuva e temperatura no planeta, com efeitos assimétricos sobre EUA, Brasil, Argentina, Ásia e Oceania e maior risco de volatilidade agrícola.

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Foto: Shutterstock

O El Niño é um fenômeno climático de escala global associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele integra o ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que alterna entre três fases: a quente (El Niño), a fria (La Niña) e a neutra.

A fase de El Niño se caracteriza quando as temperaturas do Pacífico permanecem pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos, acompanhadas por alterações relevantes na circulação atmosférica.

Foto: José Fernando Ogura

Esse processo está ligado ao enfraquecimento ou até à inversão dos ventos alísios, o que favorece o deslocamento de águas mais quentes em direção ao leste do Pacífico e reduz a ressurgência de águas frias na costa da América do Sul. “Por cobrir cerca de um terço do planeta, o Pacífico exerce forte influência sobre a circulação atmosférica global, reorganizando padrões de chuva e temperatura em escala planetária”, afirma a Consultoria Agro Itaú BBA.

Na fase oposta do sistema, a La Niña, observa-se o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial, acompanhado pela intensificação dos ventos alísios e por efeitos climáticos em geral contrários aos do El Niño em diversas regiões do mundo.

Ao modificar a interação entre oceano e atmosfera, o ENOS altera a circulação global de umidade e, consequentemente, os regimes de precipitação em diferentes continentes.

O El Niño tende a elevar temporariamente a temperatura média global, enquanto a La Niña promove um leve resfriamento de curta duração. Em ambos os casos, há uma reorganização dos riscos climáticos em escala planetária.

Foto: Gilson Abreu

Esses eventos ocorrem, em média, a cada dois a sete anos e costumam durar entre nove e 12 meses, com impactos relativamente consistentes sobre grandes regiões agrícolas, ainda que com variações de intensidade entre episódios.

Estados Unidos: efeitos mais fortes no inverno e impacto indireto no verão

 

Nos Estados Unidos, os efeitos do El Niño são mais bem definidos no outono, inverno e início da primavera, quando o fenômeno altera de forma mais consistente os padrões de temperatura e precipitação.

Em termos gerais, o evento está associado a invernos mais amenos e úmidos no Centro-Norte do país e a condições mais secas no Sul, com destaque para o Texas.

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, há registros históricos de safras elevadas no Corn Belt em episódios de El Niño de intensidade moderada, como em 2009, 2015 e 2023, quando a combinação de umidade e temperaturas mais equilibradas favoreceu o desenvolvimento das lavouras.

Ainda assim, a influência do fenômeno sobre o verão, fase crítica para o desenvolvimento de milho e soja, é menos estável e apresenta maior variabilidade, com casos pontuais em que excesso de precipitação ou ondas de calor tardias impactaram negativamente a produtividade.

Na direção oposta, a fase de La Niña tende a aumentar o risco de secas e ondas de calor no Sul dos EUA e em parte do cinturão agrícola, elevando o estresse hídrico

Foto: Divulgação

sobre as lavouras e ampliando a variabilidade produtiva.

Brasil: assimetria regional e alto grau de variabilidade produtiva

No Brasil, o El Niño acentua a heterogeneidade climática entre as regiões, provocando padrões de chuva distintos e, muitas vezes, opostos no território nacional.

No Sul, há tendência de precipitações acima da média durante a primavera e o verão, o que pode favorecer o desenvolvimento de culturas como soja e milho. Contudo, esse cenário também eleva o risco de encharcamento do solo, proliferação de doenças fúngicas e ocorrência de eventos extremos.

No Sudeste, o regime de chuvas tende a se tornar mais irregular, com alternância entre períodos mais úmidos e episódios de calor intenso, o que pode afetar o desempenho de culturas como soja, milho e cana-de-açúcar justamente em fases críticas do ciclo produtivo.

No Centro-Oeste, o principal risco está associado ao atraso do início das chuvas de primavera, o que pode reduzir a janela ideal de plantio da soja e, por consequência, comprometer o calendário da segunda safra de milho. Além disso, a maior frequência de veranicos e episódios de déficit hídrico durante o verão aumenta a vulnerabilidade das lavouras. “Em cenários de maior intensidade do fenômeno, a combinação entre atraso de plantio e irregularidade das chuvas eleva de forma relevante o risco para o milho 2ª safra no Centro-Oeste”, destaca a Consultoria Agro Itaú BBA.

Foto: Divulgação/Freepik

Nas regiões Norte e Nordeste, o impacto tende a ser mais negativo, com redução mais acentuada das chuvas, o que amplia o risco de secas severas e afeta diretamente o Matopiba e áreas de agricultura de subsistência.

Mapa de risco climático no Brasil

A projeção da Consultoria Agro Itaú BBA indica que o El Niño amplia a assimetria climática no país:

  • Sul (RS, SC, PR): risco alto de excesso de chuva e inundações, com impacto também sobre qualidade sanitária das lavouras
  • Norte/Amazônia e Matopiba: risco alto de seca, queimadas e déficit hídrico
  • Centro-Oeste Norte (MT): risco de veranicos e irregularidade no plantio
  • Centro-Oeste Sul (MS e GO): risco médio-alto associado a calor excessivo
  • Sudeste: risco médio-alto de ondas de calor e chuvas irregulares

“O comportamento não é homogêneo, e o desafio central é a simultaneidade de riscos distintos dentro de um mesmo país produtor”, aponta a consultoria.

Argentina: padrão mais favorável ao El Niño

Na Argentina, o El Niño historicamente favorece a produção de soja e milho, sobretudo pelo aumento das chuvas durante a primavera-verão, período crítico para o

Foto: Divulgação

desenvolvimento das lavouras no cinturão agrícola do país.

Em anos recentes de El Niño, como 2014/15 e 2016/17, o país registrou produtividades acima da média, em contraste com os episódios de La Niña, marcados por forte restrição hídrica e perdas expressivas.

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, a seca prolongada de 2020–22, associada à La Niña, levou a produção de soja argentina a cerca de 25 milhões de toneladas em 2022/23, enquanto a reversão para um El Niño forte em 2023/24 permitiu recuperação relevante da oferta, com colheita próxima de 50 milhões de toneladas. “Os extremos do ENOS têm efeito direto e imediato sobre a variabilidade produtiva da Argentina, com forte sensibilidade da soja às condições de chuva no ciclo de primavera-verão”, destaca a consultoria.

Ásia e Oceania

 

Na Ásia e na Oceania, o El Niño está frequentemente associado ao enfraquecimento das monções (ventos sazonais) e à redução das chuvas, o que provoca alterações relevantes no regime hídrico de algumas das principais regiões agrícolas do mundo.

Na Índia e no Sudeste Asiático, esse padrão climático afeta diretamente culturas estratégicas como arroz, milho e cana-de-açúcar, além de impactar a produção de óleo de palma na Indonésia e na Malásia, com repercussões importantes sobre a oferta global de óleos vegetais.

Foto: Gilson Abreu

Na Austrália, o fenômeno costuma estar ligado a episódios de seca e ondas de calor, comprometendo de forma significativa a produção de trigo, como observado em eventos recentes, incluindo 2015 e 2023. “A forte dependência das monções faz com que a região responda de forma particularmente sensível às variações de temperatura do Pacífico”, observa a Consultoria Agro Itaú BBA.

Sistema climático integrado e risco de oferta global

O conjunto de evidências reforça que o El Niño não se trata de um evento isolado, mas de um componente de um sistema climático integrado, com efeitos simultâneos e interconectados em diferentes continentes.

Na leitura da Consultoria Agro Itaú BBA, o principal ponto de atenção para o ciclo 2026/27 não está apenas na intensidade do fenômeno, mas na sua capacidade de redistribuir riscos climáticos entre hemisférios, com potencial de alterar o equilíbrio global de oferta de grãos e aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas.

Fonte: O Presente Rural
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