Avicultura
Avicultura perde 4,5% com mortes e condenações
Processo de rejeições e condenações pretende transferir do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para a indústria responsabilidade sobre condenações não patológicas
A avicultura brasileira produz 13,14 milhões de toneladas de carne de frango, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), mas esse número poderia ser 4,5% maior se o setor não contabilizasse mortes e condenações de carcaças durante o processo produtivo. Nas granjas, dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) sugerem que 2,5% dos animais, em um galpão com 25 mil aves, morrem por causas diversas, sobretudo enfermidades. Nesse lote, são 700 quilos de animais que deixam de chegar à indústria. Outros 2% não chegam à mesa do consumidor por conta das condenações, que podem ter origem patológicas e não patológicas.
Para reduzir a mortalidade durante o período em que o animal está no aviário, profissionais de zootecnia, medicina veterinária, nutricionistas e outros afins, de centros de pesquisa e da indústria química, trabalham com pesquisa de alternativas, aplicação de boas práticas e uso racional de insumos. A matéria gira especialmente em torno da biossegurança, que evita ou reduz o contato das aves com organismos que possam provocar a morte dos animais.
O que vem chamando a atenção do setor, porém são as condenações por causas não patológicas, como contamizações, contusões e fraturas, causados por fatores como manejo inadequado no pré-abate e uso incorreto das tecnologias. Essas condenações acontecem já no frigorífico, conforme critérios de inspeção post mortem adotados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Uma proposta da ABPA e do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) quer, agora, repassar essa responsabilidade para a própria indústria, deixando s órgãos federais fiscalizadores concentrados nos aspectos sanitários.
As informações são do vice-presidente técnico da ABPA, Rui Eduardo Saldanha Vargas, que falou sobre o tema em palestra que integrou a programação científica do Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) 20177, que aconteceu de 04 a 06 de abril, em Chapecó, SC. Vargas entende que essa divisão de poderes, do SIF concentrado nas questões de saúde pública e animal, e da indústria, nos critérios de qualidade, pode facilitar os trabalhos e contribuir para reduzir esse expressivo número de condenações. “O Brasil produz 33 bilhões de cabeças de frango, mas hoje a avicultura perde cerca de 2% do que produz. É um impacto enorme sob o ponto de vista econômico”, revela o vice-presidente.
“O que estamos fazendo é uma reavaliação de todos os sistemas de inspeção anti mortem e post mortem, pois queremos um enfoque diferenciado. O governo (SIF) vai trabalhar mais focado no aspecto sanitário, de saúde pública e saúde animal. Na atual avicultura brasileira, os problemas sanitários são pequenos, estão bem controlados, até por conta dos sistemas integrados de produção, que nos permitem ter um acompanhamento muito forte sob o ponto de vista sanitário dos animais”, destaca Vargas, que aprofunda o assunto durante sua palestra para profissionais ligados à produção e industrialização da cadeia de aves do Brasil e de países vizinhos. “Com isso, a gente pode diminuir a ação governamental na área de tecnopatias, passando essa responsabilidade de qualidade para a empresa”, avalia.
Para Vargas, a quantidade de rejeições de carcaças ou partes de aves precisa de uma observação com mais esmero. “O que nos chama atenção no atual sistema, pelos grandes índices que apresenta, são as condenações por tecnopatias, que são afecções que aparecem nas carcaças, geradas pelo inadequado uso da tecnologia ou algum defeito tecnológico observado”, explica. Um exemplo pode ser observado na hora da apanha das aves, que podem sofrer lesões e fraturas por descuido ou falta de qualificação dos envolvidos. “As tecnopatias não têm envolvimento com saúde pública, nem com saúde animal. Isso vai ficar a cargo dos controles de qualidade das empresas. A indústria vai assumir o que hoje é feito pelo Ministério (Mapa)”, orienta. “Queremos compartilhar responsabilidades principalmente para tentar reduzir a rejeição e descarte de carcaças”, justifica Vargas.
Indústria já Trabalha
Na opinião de Vargas, repassar essa responsabilidade para a indústria é natural, pois o setor tem conhecimento e já emprega práticas para a redução das rejeições e condenações. “A indústria já trabalha fortemente nesse sentido, incentivando e fomentando o bem estar animal, o manejo pré-abate, o transporte, a preparação do animal”, aponta. “Queremos diminuir o impacto econômico que essas perdas por tecnopatias representam para a avicultura brasileira”, argumenta.
Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres
Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.
O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.
O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.
O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango
Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.
O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.
A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.
Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves
O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.
Petróleo e frete como vetores de transmissão
A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias
Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.
Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.
No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.
Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.
Avicultura
Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.
