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Avicultura mineira debate Influenza Aviária

Entidades do agronegócio avícola mineiro realizaram o evento

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O Workshop sobre Influenza Aviária, promovido pela Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig) em 16 de fevereiro, correspondeu às expectativas dos organizadores. Realizado no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), localizado em Pedro Leopoldo, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o evento reuniu produtores, responsáveis técnicos pelas empresas avícolas e autoridades de Minas Gerais, que tiveram a oportunidade de assistir a palestras proferidas por dirigentes de entidades do agronegócio avícola, professores universitários, técnicos e representantes de órgãos dos governos federal e estadual vinculados à questão sanitária. antes das palestras no auditório Alysson Paulinelli, houve visita às instalações do laboratório.

O objetivo do workshop foi enfatizar a necessidade da permanente atenção para o perigo de ocorrência da Influenza Aviária e, caso o problema ocorra, criar barreiras e ações capazes de oferecer um rápido diagnóstico.

Na abertura da jornada, o presidente da Avimig, Antônio Carlos Vasconcelos Costa, observou que “o custo da prevenção é menor que o da correção dos problemas que possam ser ocasionados pela Influenza Aviária”. Ele informou que foram identificados aspectos que precisam ser fortalecidos para atender à prevenção da doença nos criatórios de aves durante encontro realizado na parte da manhã com o diretor-geral do Instituto Mineiro de Agropecuária, Marcílio de Souza Magalhães e o coordenador do Lanagro, Ricardo Aurélio Pinto Nascimento. Participaram também representantes de empresas de genética de Minas Gerais.

Uma das propostas é o fortalecimento do IMA, órgão vinculado às Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), com o objetivo de atender à sanidade animal e vegetal do Estado. Além disso, os representantes do Lanagro, bem como os dirigentes das empresas de genética, consideram urgente o fortalecimento dos laboratórios de análises nas esferas federal e estadual, bem como a garantia de suporte aos laboratórios do setor privado. Segundo os representantes do Lanagro, atualmente esse laboratório de referência, vinculado ao Ministério da Agricultura, tem de atender a rotinas que poderiam ser transferidas ao laboratório do IMA, o que, no entanto, exigiria inclusive uma estrutura física maior para o órgão estadual. Outro impasse é a existência de investimentos federais já autorizados e não liberados para a atuação dos laboratórios da esfera do Ministério da Agricultura.

Já no âmbito da iniciativa privada, o presidente da Avimig, Antônio Carlos Vasconcelos Costa, considera, entre outros fatores, a necessidade de fortalecimento do Fundo Privado de Emergência Sanitária para a Avicultura do Estado de Minas Gerais (Funamig). Outra proposta com o objetivo de fortalecer e agilizar a identificação da Influenza Aviária é a união das empresas privadas da agricultura para garantirem recursos que darão condições para o IMA atuar com o Lanagro nas análises de emergência.

Antônio Carlos enfatiza que o cenário atual da sanidade avícola mostra a necessidade de fortalecimento da estrutura dos laboratórios oficiais do Mapa, que dão suporte às exportações, bem como das unidades estaduais e particulares, neste caso até para os trabalhos de rotina.

Palestras apresentadas

Impacto econômico da Influenza Aviária sobre a avicultura brasileira: Ariel Mendes – presidente do Grupo Estratégico de Prevenção da Influenza Aviária (GEPIA) e diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

De acordo com o palestrista, o Brasil avançou muito no diagnóstico desde o período, a partir de 2002, em que a Influenza Aviária foi identificada em diversos países até a ocorrência no Chile. “Atualmente, nenhum país está livre do risco, principalmente pela troca de visitas de estrangeiros”, disse. “É difícil diagnosticar e atacar os focos. Nos Estados Unidos (2015/15) houve mais de duzentos focos, que, no entanto, foram controlados, mas outros países não conseguiram”. Já entre fatores de riscos atuais, Ariel citou o grande fluxo de caminhões do Brasil para o Chile, principalmente levando frutas e que depois retornam”.

Um dos impactos mais previsíveis com a identificação da Influenza Aviária é a queda de consumo imediato da carne e, como consequência, a redução da produção de aves pelos integrados, demissão de funcionários e retração de atividades relacionadas com a carne de frango.

Foram apresentados também os seguintes temas: Encaminhamento de Amostras e Diagnóstico Laboratorial para Influenza Aviária: Ana Cristina Rocha – Auditora Fiscal Federal Agropecuária da CGAL; Epidemiologia da I.A: Professora Helena Lage Ferreira (FZEA USP) – Pirassununga/SP; Ações do IMA frente a ocorrência da I.A: Izabella Gomes Hergot – Fiscal Agropecuária do IMA; Fundo de Emergência Sanitária: Altino Rodrigues Neto (Faemg) e Jairo Gomes da Fonseca Júnior (Funamig); Obrigações e atuação do Mapa frente a uma ocorrência de I.A: Bruno Rebelo Pessamilio – Coordenador do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA/Mapa).

Participaram do evento: médicos veterinários, técnicos dos setores avícolas de postura, corte, reprodução e de empresas que trabalham no sistema de integração avícola em Minas Gerais. Também registraram presença os seguintes órgãos e entidades: Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA); Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); Universidade de São Paulo (USP); Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), vinculado à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa); Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MG); Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). 

Fonte: Assessoria

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Conflito no Oriente Médio já encarece produção e ameaça exportações do agro brasileiro

Alta de mais de 30% na ureia pressiona custos em plena formação da safra 2026/27, enquanto tensão no Estreito de Ormuz eleva frete, risco logístico e ameaça embarques de proteína animal. Dependência de fertilizantes expõe produtores, sobretudo em Mato Grosso.

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Foto: Shutterstock

Quem acha que a guerra no Oriente Médio é um problema distante está olhando errado. O conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel já começou a bater na porta do agronegócio brasileiro e o impacto tende a ser forte, principalmente em Mato Grosso. Não é uma possibilidade. É uma realidade em curso.

Foto: Shutterstock

O primeiro sinal veio pelos fertilizantes. A alta de mais de 30% no preço da ureia no mercado internacional não é um detalhe técnico, é um alerta direto para o produtor. Isso acontece exatamente no momento em que o Brasil começa a formar a safra 2026/27.

Mato Grosso, que lidera a produção nacional, entra nesse ciclo com baixa contratação de insumos. Ou seja: o produtor está exposto, comprando mais caro e assumindo risco maior. No milho, por exemplo, esse aumento já pode consumir parte relevante da margem.

Na soja, o problema é outro e ainda mais grave: dependência externa. O Brasil importa grande parte dos fertilizantes fosfatados de regiões que estão diretamente impactadas pelo conflito. Isso significa risco real de falta, atraso e encarecimento. Traduzindo: o custo sobe antes mesmo de plantar.

Mas o efeito não para no campo. Ele avança para a indústria e chega ao consumidor.
Com o diesel mais caro, o frete já disparou. Embalagens, que dependem do petróleo, também estão subindo. E isso pressiona toda a cadeia de alimentos.

Como empresário do setor de proteína animal posso afirmar com clareza: o problema não é só o custo, mas também logística e mercado.

O Estreito de Ormuz virou um gargalo mundial. Navios parados, frete mais caro, seguro elevado e até cobrança de “taxa de guerra”. Isso encarece o produto brasileiro e coloca em risco contratos importantes. Estamos falando de mercados estratégicos. O Brasil é líder na exportação de carne halal. Trata-se de um tipo de abate específico para o mercado muçulmano, atendendo preceitos da lei islâmica.

Foto: Divulgação

Na agroindústria avícola, setor onde atuo, observamos um cenário de atenção e desafios logísticos devido ao acirramento de conflitos no Oriente Médio.  Nosso país embarca por mês cerca de 100 mil toneladas de frango halal para esta região – principalmente para os Emirados Árabes Unidos, Oman e Iêmen.

Parte dessas exportações está ameaçada por instabilidade que foge completamente do nosso controle. O risco é claro: perder competitividade, reduzir volume e, em alguns casos, até segurar produção por falta de segurança logística.

No fim da cadeia, quem paga a conta é o consumidor. Frango, ovos, carne suína, todos esses produtos tendem a subir de preço, não por aumento de demanda, mas por pressão de custo. É inflação importada, causada por uma guerra que não é nossa, mas que já impacta diretamente o nosso dia a dia.

O que essa crise escancara é algo que o setor produtivo já sabe há muito tempo: o Brasil ainda depende demais de insumos externos e de rotas logísticas vulneráveis. Temos produção, temos tecnologia, temos escala. Mas seguimos expostos.

Para continuarmos sendo protagonistas no agro global, precisamos avançar em autonomia, principalmente de fertilizantes e fortalecer nossa logística, diminuindo nossas vulnerabilidades. E neste cenário Mato Grosso está no centro do debate. O que acontece aqui impacta o Brasil inteiro.

A guerra pode estar longe no mapa. Mas, na prática, ela já chegou ao campo, à indústria e ao prato do brasileiro e ignorar isso agora é um erro que vai custar caro lá na frente.

Fonte: Artigo escrito pelo Cidinho Santos, ex-senador por Mato Grosso e empresário do agronegócio. 
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Agro avalia impacto da jornada de 40 ou 36 horas em sistemas produtivos que não podem parar

Avicultura, suinocultura, grãos e laticínios dependem de mão de obra ininterrupta e avaliam risco de aumento de custos, informalidade e perda de competitividade sem ganho prévio de produtividade.

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Foto: Geraldo Bubniak

As discussões em torno da redução da jornada de trabalho no Brasil, especialmente no modelo 6×1 com diminuição da carga semanal de 44 para 40 ou para 36 horas, têm gerado apreensão em todos os setores produtivos. No campo, essa preocupação é ainda mais sensível, dadas as particularidades das atividades agropecuárias, que não se adaptam facilmente a mudanças abruptas dessa natureza.

Não se trata de um debate restrito ao agronegócio. Toda a economia nacional identifica possíveis desdobramentos negativos, como elevação de custos, pressão inflacionária, redução de empregos formais e precarização das relações de trabalho. Reduzir a jornada sem enfrentar entraves históricos (como a infraestrutura logística deficitária, a elevada carga tributária, a complexidade regulatória e a baixa qualificação média da força de trabalho) tende a aumentar o custo por hora produzida e comprometer a competitividade do país.

Foto: Divulgação/BRF

Os números confirmam esse cenário. O Brasil ocupa atualmente a 94ª posição no ranking de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), com crescimento médio anual de apenas 0,9% entre 1990 e 2024. Trata-se de um indicativo claro do atraso estrutural frente a outras economias. Nesse contexto, reduzir a jornada sem ganhos de produtividade significa ampliar ainda mais essa defasagem.

No meio rural, os impactos são ainda mais evidentes. Cadeias produtivas como a avicultura e a suinocultura operam com manejo contínuo e plantas industriais em regime ininterrupto. Na produção de grãos, períodos de safra exigem funcionamento praticamente integral para evitar perdas. Já no setor de laticínios, a perecibilidade impõe coleta diária e processamento imediato. São atividades que demandam mão de obra contínua e não comportam interrupções sem prejuízos significativos.

Em Santa Catarina, onde predominam as pequenas propriedades rurais, a  adoção de uma jornada reduzida, nessas condições, tende a elevar custos operacionais, estimular a automação e ampliar a informalidade. Há ainda o risco de aumento indireto da carga de trabalho, caso trabalhadores busquem atividades complementares para recompor renda diante da elevação do custo de vida.

Outro fator que agrava esse cenário é a simultaneidade com a implementação da reforma tributária, que já impõe uma profunda reestruturação no ambiente de negócios. A sobreposição de mudanças amplia a insegurança jurídica, dificulta o planejamento empresarial e afasta investimentos, tudo isso em um movimento especialmente preocupante em um momento de disputas políticas.

Reduzir a jornada pode produzir efeitos positivos no curto prazo, mas tende a deixar um rastro de dificuldades no médio e longo prazos. O impacto será sentido não apenas pelas empresas, mas também pelos trabalhadores e, sobretudo, pelos consumidores, com aumento de preços nas prateleiras e perda de poder de compra.

É fundamental que esse debate seja conduzido com responsabilidade, baseado em dados técnicos e com a participação efetiva do setor produtivo. Medidas dessa magnitude não podem ser tratadas como iniciativas de cunho eleitoreiro. O Brasil precisa, antes de tudo, enfrentar seus gargalos estruturais para então discutir avanços sustentáveis nas relações de trabalho.

No campo, os reflexos de uma decisão precipitada serão severos e inevitavelmente se estenderão à sociedade como um todo.

Fonte: O Presente Rural
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Custo do trigo dispara com crise no Irã e pressiona indústria no Brasil

Alta do petróleo, fretes e insumos, somada a mudanças no PIS/Cofins, reduz capacidade de absorção da indústria e amplia risco de repasse ao preço da farinha.

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Foto: Divulgação/Freepik

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) aponta deterioração acelerada das condições econômicas para o setor de moagem no Brasil, em meio aos desdobramentos do conflito no Irã. Segundo a entidade, a combinação entre alta do petróleo, encarecimento do diesel e dos fretes, internos e internacionais, além da valorização do trigo no mercado doméstico e externo, tem elevado de forma significativa os custos operacionais da indústria.

Presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa: “Nosso compromisso é garantir a estabilidade do abastecimento de farinha de trigo, produto essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de forte instabilidade global” – Foto: Divulgação/Abitirgo

O movimento é reforçado pelo aumento de preços de insumos, embalagens e seguros internacionais, ampliando a pressão sobre a cadeia e elevando o risco de repasses ao preço da farinha e de derivados.

No ambiente interno, a entidade destaca o impacto de mudanças tributárias recentes. A incidência de PIS/Cofins sobre o trigo importado e a redução de benefícios fiscais aumentaram a carga sobre itens básicos. Na avaliação da Abitrigo, a medida limita a capacidade de absorção de custos pela indústria e amplia a probabilidade de repasses ao longo da cadeia produtiva.

Mesmo com a pressão, os moinhos vêm adotando estratégias para reduzir impactos. Entre as medidas estão a otimização de estoques, diversificação de origens de trigo e fornecedores, revisão de rotas logísticas e busca por eficiência operacional, além do uso de instrumentos de gestão de risco de preços.

A entidade também mantém interlocução com o poder público, com foco em medidas que preservem a competitividade do setor e garantam o abastecimento. “Nosso compromisso é garantir a estabilidade do abastecimento de farinha de trigo, produto essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de forte instabilidade global”, afirma o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

Fonte: Assessoria Abitrigo
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