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Avicultura gaúcha intensifica combate à gripe Aviária com foco na sanidade do setor

Ação prioriza a comunicação voltada para o público alvo e também para cientificar a sociedade.

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Foto: Divulgação/Asgav

O setor avícola gaúcho é uma das principais forças econômicas do Rio Grande do Sul. O Estado é o terceiro maior produtor e exportador de carne de frango e está se destacando no mercado de ovos. Para manter essas posições, a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Estado do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) lideram uma ação dinâmica de comunicação com intuito de fortalecer o “RS no combate à Influenza aviária”, que será lançada no dia 25 de fevereiro.

O objetivo é reiterar junto às granjas gaúchas a necessidade de implementar práticas sanitárias que oferecem ampla proteção à disseminação da Influenza aviária nos criatórios comerciais, que seguem livre da doença graças à intensificação das atividades de vigilância e controle para manter a gripe aviária longe das aves destinadas à comercialização para consumo humano.

Foto: Divulgação/Mapa

Esta ação prioriza comunicação voltada para o público alvo e também para cientificar a sociedade. Proibir a entrada de pessoas estranhas e veículos não autorizados nas granjas, manter a higiene e o cercamento do local, telamento de galpões e fiscalizar diariamente a manutenção das condições do criatório são algumas das medidas que fazem parte do escopo de proteção das aves comerciais e que serão parte do material de divulgação.

O presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, esclarece que o plantel comercial gaúcho já é referência internacional pela adoção de métodos de criação estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), no entanto, avalia que a informação com credibilidade precisa ser sempre divulgada.

Foto: Dimas Gianuc

“A nossa finalidade é valorizar e proteger o trabalho responsável executado por grande parte dos avicultores, da mesma forma, entregar uma informação clara para todos os envolvidos, inclusive para produtores de aves de fundo de quintal, de sítios e fazendas que também precisam cuidar de suas aves”, disse.

O presidente do Fundesa-RS, Rogério Kerber, afirma que o Rio Grande do Sul tem sido referência em sanidade animal para o Brasil e até mesmo para outros países, e a participação do setor da avicultura é fundamental para a excelência dos trabalhos desenvolvidos. Entretanto, mesmo com uma condição invejável em sanidade animal, os cuidados com a biosseguridade precisam ser mantidos em alto nível, para evitar que problemas sejam constatados em granjas comerciais. “É um dever do setor produtivo tomar conta da sanidade”, pontua Rogério Kerber.

A ação será divulgada em aproximadamente 300 rádios de diversas regiões do estado e também comunicação em redes sociais, e tem previsão de duração de três meses.

Fonte: Assessoria Asgav

Avicultura

Informação técnica ainda é o ativo mais valioso da avicultura

Em um cenário de alta complexidade, acesso a conteúdo técnico confiável define eficiência e reduz riscos na produção.

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Foto: Shutterstock

Em um setor que opera com margens ajustadas e variáveis cada vez mais sensíveis, como sanidade, custo de ração, ambiência e mão de obra, a diferença entre resultado consistente e desempenho irregular passa, com frequência, por um fator menos visível: o nível de informação que sustenta as decisões.

Eventos como o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), realizado em Chapecó (SC), cumprem justamente esse papel. Não são vitrines. São pontos de atualização técnica, onde se discutem dados, se confrontam práticas e se ajustam rotas. Em um ambiente em que as mudanças são incrementais – e muitas vezes imperceptíveis no curto prazo -, a atualização contínua deixa de ser diferencial e passa a ser requisito.

Ao longo das 25 edições anteriores, o SBSA consolidou um perfil claro: conteúdo técnico aplicado, com foco em problemas reais de campo. Não se trata apenas de apresentar novas tecnologias, mas de compreender como elas se comportam dentro dos sistemas produtivos existentes. Essa diferença é decisiva. Informação, quando não é contextualizada, não vira decisão, vira acúmulo.

O desafio, no entanto, não está apenas em acessar informação. Está em separar o que é relevante do que é apenas ruído. A quantidade de conteúdo disponível hoje é incomparavelmente maior do que há uma década. Mas volume não é sinônimo de qualidade. Em um cenário de excesso de dados, a edição se torna tão importante quanto a informação em si. É nesse ponto que o setor precisa fazer uma escolha simples, mas determinante: onde buscar conhecimento.

Atualizar-se não é apenas estar presente em eventos. É construir repertório técnico a partir de fontes confiáveis, com critério editorial, base científica e relação íntima com a realidade produtiva. A decisão de onde se informar impacta diretamente a qualidade das decisões tomadas dentro da granja, da integração e da indústria.

A avicultura brasileira avançou apoiada em pilares claros: genética, nutrição, sanidade e gestão. Hoje, todos eles dependem, de forma transversal, de informação qualificada. Não há ajuste fino sem entendimento técnico. Não há consistência sem leitura correta do cenário.

O SBSA, ao reunir profissionais, pesquisadores e indústria em torno de temas críticos, reforça esse movimento. Mais do que acompanhar tendências, o setor precisa compreendê-las – e isso exige tempo, método e acesso às fontes certas.

No fim, a informação continua sendo um dos poucos ativos capazes de gerar ganho real sem aumentar custo direto de produção. Mas, como qualquer insumo estratégico, ela precisa ser de qualidade.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Gestão, tecnologia e escala: os novos pilares da competitividade na produção de proteínas

Cenário de custos elevados, exigência por eficiência e mudanças na cadeia produtiva reforçam a necessidade de profissionalização, inovação e qualificação de mão de obra no setor.

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Artigo escrito por Thiago Bernardino de Carvalho, professor embaixador no MBA em Agronegócios da USP/Esalq, pesquisador Cepea

A produção de proteínas animais no Brasil, especialmente nas cadeias de bovinos de corte, suínos e frango experimenta uma reformulação estrutural abrangente. Embora fatores tradicionais como clima e disponibilidade de terras ainda sejam relevantes, o verdadeiro diferencial competitivo do setor, estará cada vez mais concentrado em três pilares: gestão, tecnologia e capital humano.

Nos últimos anos, o produtor rural passou a operar em um ambiente de custos elevados e alta volatilidade. A dependência de insumos dolarizados, como fertilizantes, medicamentos, fosfatos e adubos faz com que o câmbio exerça influência direta sobre a rentabilidade da atividade. Nesse contexto, produzir bem já não é suficiente. É preciso produzir com eficiência, escala e estratégia.

O mercado também mudou. A crescente concentração de processadores e varejistas redesenhou a dinâmica de poder dentro da cadeia produtiva. Como consequência, o produtor que não acompanha esse movimento, profissionalizando sua gestão e adotando tecnologias capazes de elevar produtividade e previsibilidade, tende a perder competitividade. Comprar bem, vender melhor e entender quais investimentos realmente geram retorno deixou de ser diferencial, tornou-se requisito básico de sobrevivência.

Esse processo de mudança não é novo, mas vem se intensificando. A avicultura foi pioneira ao adotar a verticalização da produção. A suinocultura seguiu caminho semelhante, ainda que preservando alguma independência produtiva. Já a bovinocultura de corte caminha para um modelo distinto, marcado pelo aumento de escala e pela consolidação de grandes players. O avanço de contratos, parcerias e modelos mais formais de comercialização vem alterando profundamente a forma como o setor negocia, forma preços e organiza sua governança.

Nesse novo cenário, gestão não se limita às finanças. Envolve pessoas, meio ambiente, uso eficiente de recursos e estratégias de proteção de preços. O produtor que não domina esses aspectos corre o risco de ser excluído da atividade. Por outro lado, aqueles que investem em processos produtivos mais eficientes, tecnologia adequada e melhoria contínua da gestão ampliam sua capacidade de negociação e constroem uma base econômica mais sólida e sustentável.

O desafio, porém, vai além da porteira. O Brasil enfrenta um apagão de mão de obra qualificada, tanto no campo quanto nos elos industriais da cadeia. Investir em capital humano, da fazenda ao frigorífico, dos operadores aos tomadores de decisão é tão estratégico quanto investir em genética ou inovação tecnológica. A transformação digital já é uma realidade e impacta todas as etapas da produção, exigindo profissionais cada vez mais preparados.

No horizonte macroeconômico, a demanda global por alimentos mais saudáveis, o avanço da biotecnologia e o papel do Brasil como exportador não apenas de carne, mas também de genética, colocam o país em posição estratégica. Aproveitar essa oportunidade dependerá menos de expansão territorial e mais de eficiência, inteligência produtiva e capacidade de adaptação.

O futuro da produção de proteínas no Brasil será definido por quem compreender que escala sem gestão não sustenta resultados, tecnologia sem estratégia não gera valor e crescimento sem pessoas qualificadas não se mantém. O setor está mudando, e quem não acompanhar essa transformação corre o risco de ficar pelo caminho.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Mesmo em baixa concentração, micotoxinas comprometem intestino das aves e dificultam diagnóstico nas granjas

Exposição contínua, mesmo em níveis baixos, reduz desempenho produtivo, altera a microbiota e gera sinais sutis que dificultam a identificação precoce nas granjas.

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As micotoxinas seguem entre os principais entraves sanitários da produção avícola, com impacto direto sobre desempenho zootécnico, saúde intestinal e resposta imunológica das aves. Mesmo em níveis considerados baixos, a exposição contínua a essas toxinas pode comprometer funções fisiológicas essenciais, reduzindo a eficiência produtiva de forma silenciosa e dificultando o diagnóstico no campo.

De acordo com o médico-veterinário, mestre e doutor em Sanidade Avícola, Ricardo Hummes Rauber, o efeito cumulativo dessas substâncias interfere diretamente na integridade da mucosa intestinal e no equilíbrio da microbiota, com reflexos progressivos sobre a produtividade. “O problema é que, mesmo em baixos níveis, quando a exposição é crônica, as micotoxinas podem comprometer de forma importante a saúde intestinal. Elas reduzem a altura e a integridade das vilosidades, aumentam a profundidade das criptas, o que reduz a capacidade absortiva do intestino”, afirma.

Ele acrescenta que há impacto direto sobre as proteínas das tight junctions, estruturas responsáveis pela vedação entre as células epiteliais, cuja alteração aumenta a permeabilidade intestinal. Esse conjunto de alterações favorece um ambiente inflamatório persistente. “Ao mesmo tempo, há alteração da microbiota, com redução de bactérias benéficas, como alguns Lactobacillus spp., abrindo espaço para microrganismos oportunistas. O resultado é um intestino sob inflamação constante, menos eficiente e mais vulnerável, mesmo sem sinais clínicos clássicos de micotoxicose”, explica.

A discussão sobre esses efeitos será aprofundada durante o Bloco Sanidade no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, programado para ocorrer entre os dias 07 e 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), ocasião em que o especialista abordará mecanismos fisiológicos, além de estratégias de monitoramento, prevenção e controle.

Sinais iniciais passam despercebidos no campo

Na rotina das granjas, os impactos das micotoxinas nem sempre são identificados de forma direta. Antes de perdas expressivas de desempenho, os primeiros sinais tendem a ser difusos e frequentemente atribuídos a outros desafios sanitários. “Os primeiros sinais costumam ser discretos. Em geral, o que aparece antes é perda de uniformidade do lote, piora leve da conversão alimentar, maior variação de consumo, fezes mais úmidas e um intestino menos estável diante de desafios rotineiros”, detalha Rauber.

Segundo ele, a dificuldade de diagnóstico está justamente na sobreposição desses sinais com outras afecções entéricas. “Muitas vezes, antes da queda evidente no desempenho, o que se observa é perda de resiliência intestinal. Esses sinais são comuns a diferentes problemas entéricos, o que leva a equipe de campo a considerar outras causas como primárias”, pontua.

Coocorrência de micotoxinas amplia os danos

Outro fator que amplia o impacto sanitário é a presença simultânea de diferentes micotoxinas na dieta, fenômeno conhecido como efeito coquetel. Na prática, a contaminação múltipla é mais regra do que exceção. “Esse é um ponto crítico, porque as micotoxinas raramente ocorrem isoladas. É comum encontrar aflatoxinas, fumonisinas, DON, NIV e toxina T-2 ao mesmo tempo na dieta”, detalha o especialista.

Mesmo quando matérias-primas apresentam contaminação individual, a formulação da ração tende a reunir diferentes perfis de micotoxinas, resultando em exposição combinada das aves. “Cada micotoxina age por mecanismos distintos. Isso leva, no mínimo, a um efeito aditivo. No entanto, o que ocorre na maioria dos casos é a potencialização dos impactos, caracterizando efeito sinérgico”, expõe, enfatizando que essa interação intensifica os danos à mucosa intestinal, agrava o desequilíbrio da microbiota e amplia a vulnerabilidade das aves a infecções secundárias, com reflexos diretos sobre desempenho e eficiência produtiva.

Causas que ampliam impacto sanitário

médico-veterinário, mestre e doutor em Sanidade Avícola, Ricardo Hummes Rauber: “Sem monitoramento das dietas, se perde a capacidade de relacionar histórico de contaminação com desempenho dos lotes e ajustar decisões nos ciclos seguintes”

A desorganização da barreira intestinal também tem efeito direto sobre a incidência de doenças entéricas. “Essa relação é bastante consistente. Quando as micotoxinas aumentam a permeabilidade intestinal, desorganizam a microbiota e mantêm um quadro de inflamação persistente, o intestino perde eficiência como barreira física e imunológica”, salienta Rauber.

Segundo ele, esse cenário favorece a translocação bacteriana, amplia a exposição a endotoxinas e compromete a resposta imune local. “Esse ambiente torna as aves mais suscetíveis a enterites bacterianas e a outros desafios entéricos, incluindo a coccidiose. É preciso entender que as micotoxinas podem atuar tanto como causas primárias quanto como fatores predisponentes”, diz.

Apesar da relevância do problema, as estratégias de controle ainda apresentam limitações quando aplicadas de forma isolada. O uso de adsorventes de micotoxinas na ração, prática difundida no setor, não resolve o problema de forma completa. “A principal limitação está na abordagem como solução única. Nenhum produto ou tecnologia será 100% efetivo, porque o desafio muda ao longo do tempo, tanto em intensidade quanto no perfil de micotoxinas presentes”, enaltece.

Ele destaca que o controle exige integração entre diferentes frentes. “O uso de aditivos anti-micotoxinas deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de saúde intestinal, envolvendo anticoccidianos, promotores de crescimento, eubióticos, biosseguridade e manejo. Essa discussão precisa ser feita de forma conjunta entre sanitaristas e nutricionistas”, evidencia.

Fatores que limitam resposta nas granjas

Na gestão da granja e da fábrica de ração, ainda há pontos críticos subestimados na prevenção da contaminação. Entre eles, o especialista destaca a baixa percepção sobre os efeitos de exposições crônicas em níveis reduzidos. “Ainda se subestima muito o efeito dos baixos níveis crônicos, que não provocam sinais clínicos evidentes, mas comprometem a saúde intestinal e a previsibilidade do lote”, aponta Rauber.

Além disso, fatores operacionais seguem influenciando diretamente o risco de contaminação. “Também se subestima a coocorrência de micotoxinas, a importância do armazenamento adequado e a necessidade de monitoramento sistemático das matérias-primas. Umidade, tempo de estocagem, pontos quentes e heterogeneidade nos silos seguem sendo fatores críticos”, menciona.

Outro entrave está na forma como os dados são utilizados. “O erro mais comum é olhar apenas o resultado analítico isolado, sem integrar essa informação com sinais de campo, saúde intestinal e desempenho”, salienta.

Ele chama atenção ainda para a baixa utilização de análises em rações prontas. “Muitas vezes se argumenta que, quando o resultado chega, a ração já foi consumida. Isso é verdadeiro, mas ignora a importância da previsibilidade. Sem monitoramento das dietas, se perde a capacidade de relacionar histórico de contaminação com desempenho dos lotes e ajustar decisões nos ciclos seguintes”, destaca.

Maior precisão na gestão do risco

Com o avanço das ferramentas de diagnóstico, nutrição e manejo, a tendência é de maior precisão na gestão do risco associado às micotoxinas. “O caminho é avançar para programas mais integrados e mais precisos”, reforça Rauber.

Entre as frentes prioritárias, ele cita o monitoramento analítico mais robusto de matérias-primas e dietas, a melhor avaliação do risco associado à coocorrência de micotoxinas e estratégias nutricionais voltadas à preservação da barreira intestinal. “Também devem ganhar espaço abordagens que combinem mitigação das toxinas com suporte à mucosa, modulação da microbiota e reforço da resposta imune”, relata.

Segundo o especialista, a eficiência no controle das micotoxinas dependerá menos de soluções isoladas e mais da capacidade de integrar informação, nutrição e manejo dentro de um mesmo sistema produtivo.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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