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Avicultura e suinocultura encerram 2024 com recordes e projeções otimistas para 2025

Cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos.

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Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Com os preços da carne bovina em alta, a avicultura e a suinocultura brasileiras devem fechar 2024 com novos recordes de produção, consumo e exportação. O cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos. Esse movimento deve garantir ao setor um novo ciclo de crescimento em 2025. “O quadro econômico deve sustentar os níveis de consumo no mercado interno em 2025, apoiados pela manutenção da competitividade dos setores de proteína animal”, prevê o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

No caso da carne de frango, a estimativa é fechar 2024 com uma produção total de até 15 milhões de toneladas, número cerca de 1,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que encerrou com 14,833 milhões de toneladas. Deste total, 9,7 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado interno, volume quase equivalente ao total referente a 2023, com 9,694 milhões de toneladas. O consumo  per capita deverá ficar em 45,6 quilos, índice 1,1% acima do registrado no ano anterior, com 45,1 quilos.

Já no mercado internacional, as exportações de carne de frango devem encerrar o ano totalizando 5,3 milhões de toneladas, número 3,1% superior ao volume embarcado em 2023, com 5,139 milhões de toneladas. Nos últimos 20 anos, a carne de frango brasileira ampliou sua participação no mercado global e hoje representa 14,3% da proteína produzida no mundo. Do total produzido no País, 65,35% é destinado ao mercado interno e 34,65% são enviadas ao mercado externo.

Entre janeiro e novembro de 2024 em comparação ao mesmo período de 2023, o volume exportado subiu 3,7%, passando de 4,67 milhões de toneladas no ano anterior para 4,846 milhões no ano passado. Em receita, o avanço foi de 1%, atingindo US$ 9.071 bilhões frente a US$ 8.978 bilhões do ano anterior.

A China se manteve como  principal destino, absorvendo 11% do total exportado em 2024. Apesar disso, as remessas ao país caíram 19,5%, passando de 632 mil toneladas para 508 mil toneladas. Os Emirados Árabes, segundo maior destino, registaram um crescimento de 7,2%, com 424 mil toneladas. O Japão apresentou avanço de 9,1%, enquanto a Arábia Saudita manteve estabilidade com 1,1% de crescimento. Destaque também para o México e o Iraque, que registaram aumento de 18,8% e 20,9%, respectivamente. Em contrapartida, a Coreia do Sul teve uma queda de 23,9%, com o volume exportado recuando de 184 mil toneladas para 140 mil toneladas.

Para este ano, o setor avícola projeta produzir até 15,3 milhões de toneladas, crescimento de 2,7%; com disponibilidade de cerca de 9,9 milhões de toneladas, representando um aumento de 2,1%; com consumo per capita de 46,6 quilos, incremento de 2,2%; além do avanço de 1,9% nas exportações, podendo atingir até 5,4 milhões de toneladas embarcadas. “No cenário externo são esperadas novas aberturas de mercados na América Central e em países da África, além do reforço dos embarques para outras nações da América Latina e da Ásia, o que deve ampliar a diversificação de destinos para os nossos produtos”, afirma Santin.

Mercado mundial de carne de frango

O Brasil segue como protagonista no mercado global de carne de frango, consolidando sua posição de liderança, mas enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada de grandes players, como Estados Unidos(EUA) e União Europeia (UE).

Foto: Shutterstock

Apesar do bom desempenho brasileiro, os Estados Unidos seguem liderando o ranking dos maiores produtores globais de carne de frango, respondendo por 20,3% da produção mundial. A produção norte-americana deve fechar 2024 com um crescimento de 1,4%, atingindo 21,384 milhões de toneladas, e um avanço de 1,6% em 2025, podendo chegar a 21,726 milhões de toneladas.

A China, que detém 14,3% da produção mundial, mesma participação de mercado que o Brasil, registrou um aumento de 1,1% na produção em 2024 e projeta um crescimento de 2,7% em 2025. A União Europeia, por sua vez, avançou 2,7%, produzindo 11,385 milhões de toneladas, com estimativas de crescer 1,3% em 2025, podendo produzir até 11,530 milhões de toneladas. Já a Rússia manteve a produção estável, em 4,8 milhões de toneladas, mas espera uma expansão de 1% em 2025.

Com liderança consolidada nas exportações, o Brasil detém 39% do mercado global. Já, os EUA, segundo maior exportador mundial, responsável por 24,4%, enfrentou queda de 7,4% nas vendas externas em 2024. Para 2025, a expectativa é de recuperação, com um crescimento estimado de 1,3%. Em contrapartida, a UE, terceira colocada no ranking, registrou um aumento de 7,9% nas exportações, totalizando 1,780 milhão de toneladas. Para este ano, o bloco projeta um avanço de 1,7%, podendo atingir 1.810 milhão de toneladas.

A Tailândia, responsável por 8,1% das exportações globais, registrou um crescimento de 4,7% em 2024 e espera expandir 3,5% ao longo deste ano. A China, por outro lado, apresentou um crescimento de 22,7% no ano passado, com previsão de estabilidade para 2025. “Quando comparamos as exportações dos EUA e da UE juntas, elas não atingem o que o Brasil detém. Isso reflete a nossa solidez e a competitividade da carne de frango brasileira no mercado mundial, que continua conquistando cada vez mais novos mercados”, frisou Santin.

Cresce participação global da carne suína brasileira

Fotos: Divulgação/AEN

A produção da carne suína deverá terminar o ano em 5,35 milhões de toneladas, número 3,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, com 5,156 milhões de toneladas. A disponibilidade interna da proteína pode totalizar cerca de quatro milhões de toneladas, 1,9% maior que a disponibilidade registrada em 2023, quando atingiu 3,926 milhões de toneladas. O consumo per capita do setor crescerá até 3,8%, podendo alcançar 19 quilos per capita.

Já as exportações da carne suína deverão fechar o ano com 1,35 milhão de toneladas embarcadas, saldo 9,8% superior ao registrado em 2023, com 1,23 milhão de toneladas.

Nas últimas duas décadas, a carne suína brasileira consolidou sua posição no mercado global, ampliando sua participação de 4% para 12% das exportações mundiais. Do total produzido no Brasil, 76,15% é destinado ao mercado interno, enquanto 23,85% segue para o mercado externo.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras em 2024, as Filipinas assumiram a liderança, sendo responsáveis por 19% dos embarques. De janeiro a novembro, o país filipino importou 234,8 mil toneladas, um aumento de 107,6% em relação ao mesmo período de 2023, quando adquiriu 113,1 mil toneladas. A China, que tradicionalmente liderava o ranking, caiu para o segundo lugar, com uma redução de 38,9% nas compras. O volume importado pela gigante asiática caiu de 362,1 mil toneladas em 2023 para 221,1 mil toneladas no ano passado, representando 18% das exportações brasileiras. Enquanto que o Chile ampliou em 35% suas aquisições de carne suína do Brasil, representando agora 8% dos embarques nacionais. Já o Japão registou o maior crescimento percentual entre os principais compradores, com um aumento de 140,5%, passando de 35,3 mil toneladas em 2023 para 85,1 mil toneladas em 2024.

Apesar dos resultados expressivos, alguns mercados reduziram suas compras, como Hong Kong e Uruguai. No entanto, a lista dos dez principais destinos da carne suína brasileira se manteve robusta, com a presença de Singapura, Vietnã, México e Estados Unidos, demonstrando a diversificação dos mercados e o fortalecimento do setor no cenário internacional.

Para 2025, o setor suinícola projeta uma produção de até 5,45 milhões de toneladas, crescimento de 2%; com disponibilidade interna de quatro milhões de toneladas, consumo per capita de 19 quilos e exportações podendo alcançar até 1,45 milhão de toneladas, incremento de 7,4%. “No mercado externo, existe expectativa de melhora do fluxo para a China, além da habilitação de novas plantas para destinos da América Latina, que se somarão à continuidade da demanda de mercados em pré-listing, como Filipinas e Chile. O consumo interno de carne suína deverá ser influenciado positivamente pela boa competitividade do produto entre as carnes, também influenciado pelos custos de produção em patamares equilibrados”, menciona Santin.

Mercado mundial de carne suína

O mercado global de carne suína apresenta movimentos distintos em produção e exportação. A China, principal produtora, segue com queda contínua e deve fechar 2024 com produção 2,1% menor que o ano anterior e com previsão de baixar mais 2,2% em 2025, diminuindo sua produção para 55,5 milhões de toneladas.

Já a União Europeia (UE) mostra recuperação tímida, com alta de 2% em 2024, podendo chegar a 21,250 milhões de toneladas  produzidas; contudo em 2025 estão previstas redução de 1,6%, com isso deve alcançar até 20,9 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos (EUA), a produção cresce consistentemente, devendo atingir 2,4% em 2024, chegando a 12,680 milhões de toneladas; e 2% em 2025, quando estão previstas até 12,9 milhões de toneladas produzidas de carne suína norte-americana. O Brasil também mantém trajetória de alta, com projeções de até 3,8% em 2024 e 2% em 2025. E a Rússia deve registrar crescimento de até 3,5% em 2024, com estimativa de manter a estabilidade na produção neste ano, podendo chegar a um aumento de 3,4%.

Na exportação, os EUA lideraram as vendas, com aumento de 4,8% em 2024 e deve crescer 3,4% em 2025, podendo alcançar 3,35 milhões de toneladas. A UE, por sua vez, enfrenta desafios, com queda de 4% no último ano e 1,7% em 2025.

O Canadá avançou com 8,5% em 2024, mas em 2025 deve apresentar crescimento tímido de 0,7%, enquanto o Brasil deve fechar 2024 com crescimento de até 9,8% e 7,4% em 2025, com previsão de atingir 1,45 milhão de toneladas embarcadas. “Esses números reforçam a resiliência e a competitividade do Brasil no cenário global, destacando sua contribuição tanto na produção quanto nas exportações de carne suína”, ressaltou Santin.

Produção e exportação de ovos em alta

Foto: Divulgação/ABPA

E para o setor de ovos, a produção de 2024 deverá alcançar 57,6 bilhões de unidades, número 9,8% maior em relação ao ano anterior, com 52,448 bilhões de unidades. O consumo per capita chegará a 269 unidades, 11,2% maior em relação ao registrado no ano anterior, com 242 unidades.

As exportações do setor devem alcançar 18 mil toneladas, volume 29,5% menor em relação ao ano anterior, com 25,404 mil toneladas. Entre os principais destinos dos ovos brasileiros, destaque para o Chile, que liderou as compras ao aumentar suas importações em 158%, respondendo por 41% das vendas nacionais entre janeiro e novembro. Em segundo lugar, os Estados Unidos ampliaram as aquisições em 84%, enquanto os Emirados Árabes registraram altas de 123,5%. Por outro lado, mercados tradicionais como Japão, Panamá e União Europeia reduziram os embarques no período. Completam o ranking dos principais destinos Catar, Uruguai, México e, em especial, Cuba, que teve o maior crescimento percentual, elevando as compras em 667,2%, ao passar de 60 toneladas em 2023 para 460 toneladas nos primeiros 11 meses do ano passado.

Para 2025, o setor de postura projeta produção de 59 bilhões de unidades, aumento de 2,4%; incremento de 1,1% no consumo per capita, podendo alcançar até 272 unidades, e embarques de 21 mil toneladas, crescimento de 16,7%. “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país”, salienta Santin, enfatizando: “No mercado internacional, esperamos a abertura do mercado do bloco europeu e do Reino Unido para o produto já em 2025, o que deverá mudar o fluxo de exportações para níveis positivos”.

Desafios e oportunidades em 2025

Os conflitos no Oriente Médio e na Eurásia continuam a impactar as cadeias globais de suprimentos, com destaque para o aumento dos custos do frete marítimo e a busca por rotas alternativas de exportação. Além disso, a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos traz à tona a possibilidade de políticas protecionistas, especialmente contra a China. “Caso os EUA adotem restrições comerciais, o Brasil poderá ganhar ainda mais espaço como parceiro comercial da China, especialmente no fornecimento de carne suína e de aves”, afirma Santin, enfatizando que a investigação antidumping que a China realiza sobre as importações de carne suína da União Europeia também representa uma oportunidade para o Brasil.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A saúde animal segue como um dos focos principais do setor. Apesar da redução no número de casos de Influenza aviária no mundo em comparação a 2023, a enfermidade ainda exige atenção, especialmente no Hemisfério Norte durante o inverno. No Brasil, os esforços para impedir a entrada do vírus continuam sendo prioridade.

Outro ponto de alerta é a Doença de Newcastle, que registrou um caso no Rio Grande do Sul em 2024, após 18 anos sem notificação no Brasil. “Respondemos de forma rápida, mas é preciso reforçar os procedimentos de biosseguridade para evitar novos casos”, salienta Santin.

Embora o Brasil esteja livre da Peste Suína Africana (PSA) desde a década de 80, o presidente da ABPA expõe que a persistência de casos em países da Europa e do Sudeste Asiático exige vigilância constante para proteger os rebanhos nacionais e garantir a segurança sanitária das exportações .

Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, têm se tornado cada vez mais frequentes e representam um desafio crescente para a produção de grãos no Brasil e em outras regiões produtoras do mundo. “Como consequência, pode haver aumento nos custos da ração animal, pressionando a rentabilidade do setor”, aponta Santin.

Apesar dos desafios, Santin afirma que o Brasil está bem posicionado para atender à crescente demanda global por alimentos de alta qualidade, especialmente em um contexto de possíveis mudanças nos mercados internacionais.

Fonte: O Presente Rural

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Brasil alcança 1.803 plantas de biogás e produção anual perto de 5 bilhões de Nm³

Geração elétrica ainda lidera uso do biogás, mas biometano já responde por 34% do volume e ganha espaço como rota para transporte e novos combustíveis.

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Fotos: Hidalgo Gomes/Divulgação FSBBB

O Brasil atingiu a marca de 1.803 plantas de biogás cadastradas e produção próxima a 5 bilhões de Nm³/ano em 2025, consolidando um ciclo consistente de crescimento do setor. Os dados fazem parte do Panorama do Biogás no Brasil 2025, lançado no dia 15 de abril, durante o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR). Elaborado pelo  Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás), o documento aponta o avanço tanto no número de unidades quanto no volume produzido, entre outras análises de amplo interesse do mercado.

Durante a apresentação, o diretor-presidente do CIBiogás, Felipe Souza Marques, destacou o crescimento do setor e a evolução do perfil das plantas no país. “O Brasil alcançou 1.803 plantas de biogás, com crescimento de 5% no número de unidades e aumento de 6% no volume produzido em relação ao ano anterior. Esse avanço mostra não apenas expansão, mas também ganho de escala e eficiência das plantas”, afirmou.

“A geração de energia elétrica concentrar cerca de 62% do volume, enquanto o biometano por 34%”, Felipe Souza Marques, diretor-presidente do CIBiogás

Segundo ele, o amadurecimento do mercado também se reflete na mudança de perfil dos empreendimentos. “Estamos observando uma transformação importante: menos plantas entrando por ano, mas com maior capacidade produtiva. Isso indica evolução tecnológica e novos modelos de negócio mais robustos”, completou.

Marques ressalta que a diversificação do uso energético do biogás reforça a maturidade do setor. Atualmente, a geração de energia elétrica segue como principal destino, concentrando cerca de 62% do volume, enquanto o biometano já responde por aproximadamente 34%, mesmo representando uma parcela menor de plantas. “Esse movimento evidencia uma transição gradual no setor. O biometano ganha espaço como rota estratégica, especialmente pela sua inserção nos mercados de gás e transporte, operando em plantas de maior escala”, destaca o diretor.

Complementando os dados apresentados por Felipe, a diretora técnica do CIBiogás, Daiana Gotardo Martinez, destaca que o avanço do setor também amplia o papel do biogás para além das aplicações energéticas tradicionais.

“Quando observamos esse crescimento, com o Brasil atingindo quase 5 bilhões de Nm³ de biogás por ano e expansão média de dois dígitos na última década, estamos falando de uma base que permite ao biogás evoluir para novas rotas tecnológicas. O Panorama evidencia que o setor começa a se posicionar como fornecedor de moléculas renováveis, com potencial para produção de biometano, hidrogênio e outros combustíveis de baixo carbono”, afirma.

Segundo ela, esse movimento conecta o Brasil a tendências globais de descarbonização e abre espaço para aplicações estratégicas, como os combustíveis avançados. “Hoje, cerca de 37% do biogás já é destinado à produção de biometano, o que mostra um avanço importante na cadeia de valor. A partir dessa base, o documento aponta o desenvolvimento de rotas como gás de síntese, metanol renovável, combustíveis sintéticos e o combustível sustentável de aviação, o SAF. Isso amplia significativamente o papel do biogás, que deixa de ser apenas uma solução para gestão de resíduos ou geração de energia e passa a integrar cadeias mais complexas, como a aviação e a indústria química”.

Corrida entre os estados para produção de biogás

Daiana Gotardo Martinez, diretora técnica do CIBiogás destaca uso de biogás como fornecedor de moléculas renováveis.

O Panorama do Biogás 2025 também detalha a distribuição da produção no país e evidencia a concentração do volume em poucos estados. São Paulo lidera com ampla vantagem, atingindo cerca de 4,9 milhões de Nm³/dia, seguido pelo Rio de Janeiro, com aproximadamente 1,8 milhão de Nm³/dia. Na sequência aparecem Paraná e Minas Gerais, ambos com volumes próximos a 1,5 e 1,2 milhão de Nm³/dia, respectivamente, consolidando-se como pólos relevantes na produção nacional. Pernambuco e Santa Catarina completam o grupo intermediário, enquanto estados como Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Ceará e Espírito Santo integram o ranking dos dez maiores produtores, refletindo a diversificação gradual da atividade no território brasileiro.

Além da liderança consolidada, o levantamento aponta uma dinâmica interessante de crescimento regional. Estados como Paraná e Minas Gerais vêm registrando taxas de expansão superiores à média nacional nos últimos anos, o que pode alterar o ranking no médio prazo. Ao mesmo tempo, o estudo evidencia o potencial ainda pouco explorado das regiões Norte e Nordeste, onde a produção permanece incipiente. Essa concentração geográfica reforça a importância de políticas públicas e investimentos direcionados para ampliar a capilaridade do setor e aproveitar o potencial de geração de biogás em novas fronteiras, especialmente em áreas com forte disponibilidade de resíduos agroindustriais e urbanos.

Biometano em ascensão histórica

UD Itaipu atua como uma plataforma integrada de desenvolvimento tecnológico

Este é o maior salto histórico, no que tange o crescimento e a projeção do biometano. Aline Scarpetta, diretora de Estratégias de Mercado e Inovação do CIBiogás, explica que em 2025 o setor observou a maior taxa de crescimento já registrado, no entanto, o ano de 2026 apresenta uma ascensão semelhante quando observado os pedidos de ampliação e em autorização à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sinalizando uma expectativa de novo recorde de crescimento.

“Por ser um biocombustível regulado pela ANP, apresenta maior vocação para comercialização, com destaque para o setor de transportes, especialmente o uso veicular”, afirma.

A tendência de crescimento do biometano ganha ainda mais força com a evolução do ambiente regulatório, a exemplo das duas resoluções publicadas pelo Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, criados pela lei Combustível do Futuro (14.993/2024), estabelecendo emissão e comercialização do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB).

“As novas demandas energéticas, o avanço regulatório e a integração com mercados de combustíveis renováveis, também são fatores que vem impulsionando o biometano brasileiro. Em especial a definição da meta pelo CNPE no início de abril”, conclui.

Na avaliação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o avanço do setor depende diretamente da qualidade das informações disponíveis. Para o coordenador-geral de Tecnologias Setoriais, Rafael Menezes, o mapeamento do setor é fundamental para subsidiar políticas públicas mais assertivas. “Quanto mais dados qualificados tivermos, maior será a capacidade de direcionar investimentos e fortalecer o desenvolvimento do biogás e do biometano no país”.

A unidade explora rotas diversificadas do biogás: da geração de energia elétrica aos combustíveis avançados

O MCTI articula uma nova fase de expansão do setor, com foco nas regiões Norte e Nordeste, onde ainda há baixa concentração de plantas. A iniciativa envolve parceria com instituições como o CIBiogás, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Senai Cimatec, além de articulação com os ministérios dos Transportes e das Cidades para o desenvolvimento da bioeconomia regional e descarbonização do setor de transporte.

O diretor executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), Tiago Santovito, reforça que o Panorama se consolidou como ferramenta essencial para o setor e para a redução da assimetria de informações. “O Panorama é hoje a principal base de dados do setor. Ele organiza informações que antes estavam dispersas e permite que empresas, governo e investidores tomem decisões mais qualificadas”, afirma .

Segundo Santovito, a parceria entre ABiogás e CIBiogás tem avançado na estruturação de novas soluções para o mercado, incluindo o desenvolvimento de uma plataforma digital que permitirá acompanhar, em tempo real, dados de produção, capacidade instalada e impactos de descarbonização. “A construção de uma ferramenta robusta, que integre dados de produção atual e projetos futuros, será fundamental para apoiar a definição de metas nacionais e dar mais transparência ao mercado”.

Novidades do Panorama

“O Panorama se consolidou como ferramenta essencial para o setor”, afirma Tiago Santovito

O Panorama do Biogás no Brasil 2025 chega a sua oitava edição com avanços relevantes também no formato e na construção do conteúdo. O documento foi disponibilizado, pela primeira vez, em edição especial na versão impressa, além da tradicional versão digital, ampliando seu alcance e consolidando-se como um registro permanente da evolução do setor.

A publicação contou com o apoio de 51 empresas no mapeamento dos dados, reforçando o caráter colaborativo do levantamento, e reúne análises e comentários de especialistas de instituições estratégicas como o MCTI, ABiogás, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Itaipu Binacional e Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR), fortalecendo seu papel como principal referência nacional em dados, tendências e inteligência de mercado sobre biogás e biometano. Com acesso gratuito, o documento pode ser baixado diretamente pelo link, acesse clicando aqui.

Unidade de Demonstração de Biocombustíveis

Como parte da agenda de lançamentos do setor, a semana também foi marcada pela reinauguração, no dia 13 de abril, da Unidade de Demonstração de Biocombustíveis da Itaipu (UD Itaipu), em Foz do Iguaçu (PR), fruto da parceria entre Itaipu Binacional e CIBiogás.

O espaço passou por modernização, ampliou sua infraestrutura e agora conta com circuito de visitação, reforçando seu papel como vitrine tecnológica e ambiente de difusão de conhecimento. A unidade já processou mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos, desde a sua inauguração em 2017, gerando biometano suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros.

Mais do que uma planta operacional, a UD Itaipu atua como uma plataforma integrada de desenvolvimento tecnológico, reunindo diferentes rotas de aproveitamento do biogás, sendo o volume majoritário destinado a  produção de biometano para uso veicular e outra parte destinada ,  a produção de hidrocarbonetos renováveis, o biosyncrude, também conhecido por petróleo sintético que pode dar origem a vários outros combustíveis entre eles o combustível sustentável de aviação (SAF).

O espaço também viabiliza testes, capacitações e conexões entre empresas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, ampliando o alcance das soluções desenvolvidas e contribuindo para a descarbonização, a segurança energética e a valorização de resíduos no país.

Fonte: Assessoria Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás)
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Preços ao produtor rural caem 9,79% no 1º trimestre

Queda foi puxada por grãos, leite, ovos e suínos, enquanto a arroba bovina registrou valorização no período.

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Foto: Shutterstock

Os preços pagos aos produtores agropecuários registraram queda no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo foi de 9,79%, segundo o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA), calculado pelo Cepea/Esalq-USP.

A retração só não foi mais intensa devido à valorização da arroba bovina, que apresentou média superior à registrada no primeiro trimestre de 2025.

O movimento acompanha um cenário de recuo mais amplo nos preços, inclusive no mercado internacional. No mesmo período, o índice global de alimentos do FMI caiu 14,29% em reais. Já os preços industriais recuaram 2,55%, enquanto o real se valorizou 10,12% frente ao dólar.

Segundo o Cepea, a queda mais moderada dos preços no mercado interno, em relação ao cenário externo, indica maior resiliência doméstica. A valorização do câmbio também contribuiu para reduzir custos de insumos importados, enquanto a queda nos preços industriais ajudou a conter despesas de produção.

A retração do IPPA foi puxada principalmente pelos grupos de grãos, cana e café, hortifrutícolas e pecuária. O índice de grãos recuou 9,85%, o de cana e café caiu 16,61%, hortifrutícolas tiveram baixa de 14% e a pecuária registrou queda de 5,73%.

Entre os grãos, houve desvalorização generalizada no período. O arroz liderou as quedas, com recuo de 39,83%, seguido por trigo (-18,24%), milho (-15,35%), algodão (-14,59%) e soja (-4,15%).

Na pecuária, os preços também caíram para a maioria dos produtos, com destaque para leite (-22,97%), ovos (-22,2%), suíno (-13,10%) e frango (-10,68%). A exceção foi a arroba bovina, que apresentou alta de 5,9% no período.

Fonte: O Presente Rural
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C.Vale assume unidade estratégica de grãos e insumos no Oeste do Paraná

Operação em Guaíra reforça estrutura de armazenagem e atendimento aos produtores da região.

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Foto: Divulgação

A cooperativa C.Vale assumiu as operações da cerealista I.Riedi no município de Guaíra. O anúncio foi feito pelas duas empresas no dia 22 de abril.

Com o acordo, a C.Vale passa a operar o escritório localizado na entrada da cidade e a unidade de grãos e insumos na localidade de Maracaju dos Gaúchos, ambas às margens da BR-163. A mudança amplia a presença da cooperativa no município, onde já possui uma unidade na região de Bela Vista, e permitirá o recebimento de grãos e fornecimento de insumos aos produtores.

A estrutura da unidade adquirida conta com capacidade de armazenagem de 21.296 toneladas de grãos, além de secador com capacidade de 120 toneladas por hora, duas máquinas de limpeza, dois tombadores e duas balanças.

Em nota conjunta, as empresas informaram que a operação está alinhada às estratégias de crescimento e fortalecimento no agronegócio, com foco na ampliação da atuação e na geração de valor para clientes, cooperados e parceiros.

A transferência das operações passa a valer de forma imediata após o anúncio.

Fonte: Assessoria C.Vale
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