Conectado com

Notícias

Avicultura e suinocultura encerram 2024 com recordes e projeções otimistas para 2025

Cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Com os preços da carne bovina em alta, a avicultura e a suinocultura brasileiras devem fechar 2024 com novos recordes de produção, consumo e exportação. O cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos. Esse movimento deve garantir ao setor um novo ciclo de crescimento em 2025. “O quadro econômico deve sustentar os níveis de consumo no mercado interno em 2025, apoiados pela manutenção da competitividade dos setores de proteína animal”, prevê o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

No caso da carne de frango, a estimativa é fechar 2024 com uma produção total de até 15 milhões de toneladas, número cerca de 1,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que encerrou com 14,833 milhões de toneladas. Deste total, 9,7 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado interno, volume quase equivalente ao total referente a 2023, com 9,694 milhões de toneladas. O consumo  per capita deverá ficar em 45,6 quilos, índice 1,1% acima do registrado no ano anterior, com 45,1 quilos.

Já no mercado internacional, as exportações de carne de frango devem encerrar o ano totalizando 5,3 milhões de toneladas, número 3,1% superior ao volume embarcado em 2023, com 5,139 milhões de toneladas. Nos últimos 20 anos, a carne de frango brasileira ampliou sua participação no mercado global e hoje representa 14,3% da proteína produzida no mundo. Do total produzido no País, 65,35% é destinado ao mercado interno e 34,65% são enviadas ao mercado externo.

Entre janeiro e novembro de 2024 em comparação ao mesmo período de 2023, o volume exportado subiu 3,7%, passando de 4,67 milhões de toneladas no ano anterior para 4,846 milhões no ano passado. Em receita, o avanço foi de 1%, atingindo US$ 9.071 bilhões frente a US$ 8.978 bilhões do ano anterior.

A China se manteve como  principal destino, absorvendo 11% do total exportado em 2024. Apesar disso, as remessas ao país caíram 19,5%, passando de 632 mil toneladas para 508 mil toneladas. Os Emirados Árabes, segundo maior destino, registaram um crescimento de 7,2%, com 424 mil toneladas. O Japão apresentou avanço de 9,1%, enquanto a Arábia Saudita manteve estabilidade com 1,1% de crescimento. Destaque também para o México e o Iraque, que registaram aumento de 18,8% e 20,9%, respectivamente. Em contrapartida, a Coreia do Sul teve uma queda de 23,9%, com o volume exportado recuando de 184 mil toneladas para 140 mil toneladas.

Para este ano, o setor avícola projeta produzir até 15,3 milhões de toneladas, crescimento de 2,7%; com disponibilidade de cerca de 9,9 milhões de toneladas, representando um aumento de 2,1%; com consumo per capita de 46,6 quilos, incremento de 2,2%; além do avanço de 1,9% nas exportações, podendo atingir até 5,4 milhões de toneladas embarcadas. “No cenário externo são esperadas novas aberturas de mercados na América Central e em países da África, além do reforço dos embarques para outras nações da América Latina e da Ásia, o que deve ampliar a diversificação de destinos para os nossos produtos”, afirma Santin.

Mercado mundial de carne de frango

O Brasil segue como protagonista no mercado global de carne de frango, consolidando sua posição de liderança, mas enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada de grandes players, como Estados Unidos(EUA) e União Europeia (UE).

Foto: Shutterstock

Apesar do bom desempenho brasileiro, os Estados Unidos seguem liderando o ranking dos maiores produtores globais de carne de frango, respondendo por 20,3% da produção mundial. A produção norte-americana deve fechar 2024 com um crescimento de 1,4%, atingindo 21,384 milhões de toneladas, e um avanço de 1,6% em 2025, podendo chegar a 21,726 milhões de toneladas.

A China, que detém 14,3% da produção mundial, mesma participação de mercado que o Brasil, registrou um aumento de 1,1% na produção em 2024 e projeta um crescimento de 2,7% em 2025. A União Europeia, por sua vez, avançou 2,7%, produzindo 11,385 milhões de toneladas, com estimativas de crescer 1,3% em 2025, podendo produzir até 11,530 milhões de toneladas. Já a Rússia manteve a produção estável, em 4,8 milhões de toneladas, mas espera uma expansão de 1% em 2025.

Com liderança consolidada nas exportações, o Brasil detém 39% do mercado global. Já, os EUA, segundo maior exportador mundial, responsável por 24,4%, enfrentou queda de 7,4% nas vendas externas em 2024. Para 2025, a expectativa é de recuperação, com um crescimento estimado de 1,3%. Em contrapartida, a UE, terceira colocada no ranking, registrou um aumento de 7,9% nas exportações, totalizando 1,780 milhão de toneladas. Para este ano, o bloco projeta um avanço de 1,7%, podendo atingir 1.810 milhão de toneladas.

A Tailândia, responsável por 8,1% das exportações globais, registrou um crescimento de 4,7% em 2024 e espera expandir 3,5% ao longo deste ano. A China, por outro lado, apresentou um crescimento de 22,7% no ano passado, com previsão de estabilidade para 2025. “Quando comparamos as exportações dos EUA e da UE juntas, elas não atingem o que o Brasil detém. Isso reflete a nossa solidez e a competitividade da carne de frango brasileira no mercado mundial, que continua conquistando cada vez mais novos mercados”, frisou Santin.

Cresce participação global da carne suína brasileira

Fotos: Divulgação/AEN

A produção da carne suína deverá terminar o ano em 5,35 milhões de toneladas, número 3,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, com 5,156 milhões de toneladas. A disponibilidade interna da proteína pode totalizar cerca de quatro milhões de toneladas, 1,9% maior que a disponibilidade registrada em 2023, quando atingiu 3,926 milhões de toneladas. O consumo per capita do setor crescerá até 3,8%, podendo alcançar 19 quilos per capita.

Já as exportações da carne suína deverão fechar o ano com 1,35 milhão de toneladas embarcadas, saldo 9,8% superior ao registrado em 2023, com 1,23 milhão de toneladas.

Nas últimas duas décadas, a carne suína brasileira consolidou sua posição no mercado global, ampliando sua participação de 4% para 12% das exportações mundiais. Do total produzido no Brasil, 76,15% é destinado ao mercado interno, enquanto 23,85% segue para o mercado externo.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras em 2024, as Filipinas assumiram a liderança, sendo responsáveis por 19% dos embarques. De janeiro a novembro, o país filipino importou 234,8 mil toneladas, um aumento de 107,6% em relação ao mesmo período de 2023, quando adquiriu 113,1 mil toneladas. A China, que tradicionalmente liderava o ranking, caiu para o segundo lugar, com uma redução de 38,9% nas compras. O volume importado pela gigante asiática caiu de 362,1 mil toneladas em 2023 para 221,1 mil toneladas no ano passado, representando 18% das exportações brasileiras. Enquanto que o Chile ampliou em 35% suas aquisições de carne suína do Brasil, representando agora 8% dos embarques nacionais. Já o Japão registou o maior crescimento percentual entre os principais compradores, com um aumento de 140,5%, passando de 35,3 mil toneladas em 2023 para 85,1 mil toneladas em 2024.

Apesar dos resultados expressivos, alguns mercados reduziram suas compras, como Hong Kong e Uruguai. No entanto, a lista dos dez principais destinos da carne suína brasileira se manteve robusta, com a presença de Singapura, Vietnã, México e Estados Unidos, demonstrando a diversificação dos mercados e o fortalecimento do setor no cenário internacional.

Para 2025, o setor suinícola projeta uma produção de até 5,45 milhões de toneladas, crescimento de 2%; com disponibilidade interna de quatro milhões de toneladas, consumo per capita de 19 quilos e exportações podendo alcançar até 1,45 milhão de toneladas, incremento de 7,4%. “No mercado externo, existe expectativa de melhora do fluxo para a China, além da habilitação de novas plantas para destinos da América Latina, que se somarão à continuidade da demanda de mercados em pré-listing, como Filipinas e Chile. O consumo interno de carne suína deverá ser influenciado positivamente pela boa competitividade do produto entre as carnes, também influenciado pelos custos de produção em patamares equilibrados”, menciona Santin.

Mercado mundial de carne suína

O mercado global de carne suína apresenta movimentos distintos em produção e exportação. A China, principal produtora, segue com queda contínua e deve fechar 2024 com produção 2,1% menor que o ano anterior e com previsão de baixar mais 2,2% em 2025, diminuindo sua produção para 55,5 milhões de toneladas.

Já a União Europeia (UE) mostra recuperação tímida, com alta de 2% em 2024, podendo chegar a 21,250 milhões de toneladas  produzidas; contudo em 2025 estão previstas redução de 1,6%, com isso deve alcançar até 20,9 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos (EUA), a produção cresce consistentemente, devendo atingir 2,4% em 2024, chegando a 12,680 milhões de toneladas; e 2% em 2025, quando estão previstas até 12,9 milhões de toneladas produzidas de carne suína norte-americana. O Brasil também mantém trajetória de alta, com projeções de até 3,8% em 2024 e 2% em 2025. E a Rússia deve registrar crescimento de até 3,5% em 2024, com estimativa de manter a estabilidade na produção neste ano, podendo chegar a um aumento de 3,4%.

Na exportação, os EUA lideraram as vendas, com aumento de 4,8% em 2024 e deve crescer 3,4% em 2025, podendo alcançar 3,35 milhões de toneladas. A UE, por sua vez, enfrenta desafios, com queda de 4% no último ano e 1,7% em 2025.

O Canadá avançou com 8,5% em 2024, mas em 2025 deve apresentar crescimento tímido de 0,7%, enquanto o Brasil deve fechar 2024 com crescimento de até 9,8% e 7,4% em 2025, com previsão de atingir 1,45 milhão de toneladas embarcadas. “Esses números reforçam a resiliência e a competitividade do Brasil no cenário global, destacando sua contribuição tanto na produção quanto nas exportações de carne suína”, ressaltou Santin.

Produção e exportação de ovos em alta

Foto: Divulgação/ABPA

E para o setor de ovos, a produção de 2024 deverá alcançar 57,6 bilhões de unidades, número 9,8% maior em relação ao ano anterior, com 52,448 bilhões de unidades. O consumo per capita chegará a 269 unidades, 11,2% maior em relação ao registrado no ano anterior, com 242 unidades.

As exportações do setor devem alcançar 18 mil toneladas, volume 29,5% menor em relação ao ano anterior, com 25,404 mil toneladas. Entre os principais destinos dos ovos brasileiros, destaque para o Chile, que liderou as compras ao aumentar suas importações em 158%, respondendo por 41% das vendas nacionais entre janeiro e novembro. Em segundo lugar, os Estados Unidos ampliaram as aquisições em 84%, enquanto os Emirados Árabes registraram altas de 123,5%. Por outro lado, mercados tradicionais como Japão, Panamá e União Europeia reduziram os embarques no período. Completam o ranking dos principais destinos Catar, Uruguai, México e, em especial, Cuba, que teve o maior crescimento percentual, elevando as compras em 667,2%, ao passar de 60 toneladas em 2023 para 460 toneladas nos primeiros 11 meses do ano passado.

Para 2025, o setor de postura projeta produção de 59 bilhões de unidades, aumento de 2,4%; incremento de 1,1% no consumo per capita, podendo alcançar até 272 unidades, e embarques de 21 mil toneladas, crescimento de 16,7%. “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país”, salienta Santin, enfatizando: “No mercado internacional, esperamos a abertura do mercado do bloco europeu e do Reino Unido para o produto já em 2025, o que deverá mudar o fluxo de exportações para níveis positivos”.

Desafios e oportunidades em 2025

Os conflitos no Oriente Médio e na Eurásia continuam a impactar as cadeias globais de suprimentos, com destaque para o aumento dos custos do frete marítimo e a busca por rotas alternativas de exportação. Além disso, a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos traz à tona a possibilidade de políticas protecionistas, especialmente contra a China. “Caso os EUA adotem restrições comerciais, o Brasil poderá ganhar ainda mais espaço como parceiro comercial da China, especialmente no fornecimento de carne suína e de aves”, afirma Santin, enfatizando que a investigação antidumping que a China realiza sobre as importações de carne suína da União Europeia também representa uma oportunidade para o Brasil.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A saúde animal segue como um dos focos principais do setor. Apesar da redução no número de casos de Influenza aviária no mundo em comparação a 2023, a enfermidade ainda exige atenção, especialmente no Hemisfério Norte durante o inverno. No Brasil, os esforços para impedir a entrada do vírus continuam sendo prioridade.

Outro ponto de alerta é a Doença de Newcastle, que registrou um caso no Rio Grande do Sul em 2024, após 18 anos sem notificação no Brasil. “Respondemos de forma rápida, mas é preciso reforçar os procedimentos de biosseguridade para evitar novos casos”, salienta Santin.

Embora o Brasil esteja livre da Peste Suína Africana (PSA) desde a década de 80, o presidente da ABPA expõe que a persistência de casos em países da Europa e do Sudeste Asiático exige vigilância constante para proteger os rebanhos nacionais e garantir a segurança sanitária das exportações .

Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, têm se tornado cada vez mais frequentes e representam um desafio crescente para a produção de grãos no Brasil e em outras regiões produtoras do mundo. “Como consequência, pode haver aumento nos custos da ração animal, pressionando a rentabilidade do setor”, aponta Santin.

Apesar dos desafios, Santin afirma que o Brasil está bem posicionado para atender à crescente demanda global por alimentos de alta qualidade, especialmente em um contexto de possíveis mudanças nos mercados internacionais.

Fonte: O Presente Rural

Notícias

Brasil anuncia US$ 100 milhões anuais para fundo do Mercosul

Recursos são destinados a projetos de infraestrutura, energia, saneamento e desenvolvimento regional, com Paraguai e Uruguai entre os principais beneficiários.

Publicado em

em

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Brasil anunciou que vai destinar US$ 100 milhões por ano ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), mecanismo criado para reduzir as desigualdades entre os países do bloco sul-americano.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, nesta segunda-feira (29), durante reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), em Assunção, no Paraguai.

A proposta será formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (30) durante a Cúpula do Mercosul, reunião com chefes de Estado do bloco econômico na capital paraguaia.

O novo compromisso ocorre durante as negociações para renovação do fundo, criado em 2004 para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento regional.

Como funciona
O Focem é um fundo destinado a apoiar países e regiões com menor desenvolvimento econômico dentro do Mercosul. Os recursos são usados em projetos como rodovias, ferrovias, energia, saneamento, habitação, escolas e laboratórios.

A ideia é diminuir diferenças entre os integrantes do bloco e fortalecer a integração, principalmente em áreas de fronteira.

Foto: Valter Campanato/Agencia Brasil

Atualmente, o Focem tem a meta de receber até US$ 100 milhões por ano de todos os países do Mercosul. Brasil e Argentina são os maiores financiadores do mecanismo.

Pelas regras atuais, o Brasil responde por cerca de 70% das contribuições, com a participação da Argentina em torno de 27%.

Principais números

  • US$ 100 milhões: valor anual que o Brasil pretende aportar;
  • 70%: participação brasileira nas contribuições atuais;
  • 48%: parcela dos recursos recebida pelo Paraguai;
  • 32%: parcela destinada ao Uruguai.

Pressão por adesão
Ao anunciar o aumento da contribuição brasileira, Mauro Vieira afirmou que a renovação do fundo não deve depender apenas do Brasil. O governo espera que a Argentina também amplie sua participação financeira.

Segundo o ministro, os demais países do bloco precisam acompanhar o esforço, principalmente os que são os principais beneficiários dos recursos.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Brasil

A nova estratégia representa uma mudança em relação à proposta apresentada anteriormente pelo governo brasileiro, que previa reduzir o tamanho do fundo para cerca de US$ 30 milhões anuais. A ideia enfrentou resistência de Paraguai e Uruguai.

Obras financiadas
Desde sua criação, o Focem já apoiou projetos de infraestrutura e desenvolvimento em diferentes países do Mercosul.

Entre as iniciativas estão obras de transporte, sistemas de energia, saneamento básico, melhorias urbanas e ações voltadas a comunidades de regiões fronteiriças.

O fundo também financia projetos ligados à cidadania indígena, desenvolvimento tecnológico e integração entre cidades próximas às fronteiras.

Próximos passos
A renovação do Focem ainda depende de acordo entre os países do Mercosul e da aprovação dos respectivos Legislativos nacionais.

Além do fundo, a Cúpula do Mercosul deve discutir novos acordos comerciais e medidas para ampliar a integração econômica do bloco.

Fonte: Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

Mulheres comandam uma em cada cinco propriedades rurais no Brasil

Estudo mostra que produtoras administram 30 milhões de hectares no Brasil, com forte presença na agricultura familiar, mas ainda enfrentam desigualdade de renda e barreiras para ocupar cargos de liderança.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

As mulheres comandam a produção agropecuária em duas de cada dez propriedades rurais do Brasil, o equivalente a 19% dos estabelecimentos do país. Juntas, elas administram cerca de 30 milhões de hectares, área que representa 8,5% da superfície rural explorada, com presença mais expressiva em pequenas propriedades de até 20 hectares e na agricultura familiar.

Foto: Shutterstock

Os dados foram compilados pelo estudo Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro, publicado pela Fundação IDH e elaborado a partir de revisão bibliográfica sobre a representatividade feminina no comando de atividades rurais no Brasil no Século 21.

Como acontece em outras atividades econômicas no país, o trabalho feminino nas fazendas é menos valorizado do que o dos homens. “Somente 17,4% das mulheres do setor recebem mais de três salários mínimos, ante 29,8% dos homens”, compara a divulgação do estudo.

O levantamento se dedica a analisar o papel feminino em seis cadeias produtivas do agronegócio: pecuária, cacau, citros, soja, café e cana-de-açúcar.

Resultado por cadeia produtiva
A pecuária é o subsetor de atividade no campo com maior participação feminina: em 33% das propriedades com produção pecuária, há mulheres liderando a

Foto: Divulgação

produção.

No caso do cacau, as mulheres gerem 22% das propriedades, especialmente aquelas pertencentes às suas famílias e localizadas na Bahia e no Pará.

Nas culturas de laranja, limão, tangerina, lima ácida e toranja, as mulheres lideram 18% da produção.

Na cultura da soja, a que tem maior peso na economia brasileira, o estudo concluiu que “o acesso à gestão ainda enfrenta barreiras culturais severas, incluindo pressão doméstica para o abandono de cargos de liderança”. Elas representam 17% da força de trabalho na produção primária.

Foto: Divulgação/Pixabay

Em uma das culturas mais tradicionais do país, a do café, a gestão feminina só é verificada em 13,2% dos estabelecimentos. Nas propriedades que elas administram, a participação feminina na mão-de-obra chega a 43%, bem acima do que acontece sob o comando masculino (24%).

Na cana-de-açúcar, a participação feminina é ainda menor: apenas 8,8% delas compõem a força de trabalho e 5,4% estão em cargos de liderança.

De acordo com a Fundação IDH, as mulheres dedicadas à atividades rurais são consideradas “campeãs de inovação”, pois dão prioridade á responsabilidade social e técnicas avançadas de conservação do solo.

O IDH que dá nome à fundação é a sigla em holandês para Iniciativa de Comércio Sustentável. A fundação tem sede em Utrecht, nos Países Baixos. No Brasil, a Fundação IDH atua em cadeias produtivas rurais nos estados de Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Fonte: Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

Até R$ 53,4 milhões ficam pelo caminho quando a colheitadeira não está bem regulada

Concurso com 173 máquinas no Paraná mostra que operadores treinados reduziram as perdas na colheita de soja em cerca de 75%, revelando o impacto econômico de um ajuste muitas vezes negligenciado no campo.

Publicado em

em

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Os nomes dos melhores operadores de colhedoras da safra de soja na região de Maringá (PR) foram divulgados na última quinta-feira (25). As avaliações, realizadas durante o 21º Concurso Regional de Qualidade na colheita da Soja-safra 2024/2025 demonstraram resultados expressivos. Enquanto a perda média regional chegou a 1,75 saca por hectare, os participantes registraram apenas 0,43 saca por hectare, apresentando perdas aproximadamente quatro vezes menores que a média da região.

Foto: Divulgação/IDR-Paraná

Além de reconhecer os melhores operadores de colhedoras da safra, o concurso reafirmou a importância da assistência técnica, da capacitação profissional e da adoção de boas práticas de colheita como estratégias capazes de gerar ganhos econômicos para os produtores e para toda a economia regional.

O Sistema Seagri, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná-Iapar-Emater (IDR-Paraná), revelou os vencedores do concurso em cerimônia realizada no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro, em Maringá.

O concurso avaliou 173 colheitadeiras em 16 municípios, consolidando-se como uma das mais tradicionais ações de extensão rural desenvolvidas na região de Maringá. Ao longo de mais de duas décadas, a iniciativa tem contribuído para a difusão de tecnologias, aperfeiçoamento técnico dos operadores e redução das perdas na colheita da soja.

O assessor Regional de Lavouras do IDR-Paraná de Maringá, José Sérgio Righetti, destaca que o concurso tem a função não só de premiar os melhores, mas de

Foto: Divulgação/IDR-Paraná

motivar esses operadores e sensibilizá-los sobre a importância da eficiência deles. “É uma oportunidade que o técnico da Extensão Rural tem de abordar o produtor para mostrar as boas práticas de produção, pensando na sustentabilidade. Todo mundo ganha mais com a redução de perdas. O produtor ganha porque tem mais produto para ser vendido. O meio ambiente ganha mais porque teremos menos soja guaxa, ou menos problemas ambientais”, explica ele.

O primeiro colocado foi Rodrigo Aguiar Mori, de Ivatuba, com uma perda de 7,30 kg/ha. Em seguida, ficaram Luiz Carlos Teixeira Lampagnani, de Lobato, com 7,62 kg/ha; Kleber Henrique dos Santos, de Itambé, com 8,18 kg/ha, Aldemir Flauzino Figueredo, de Ângulo, 8,57 kg/há, e Maurício Ponzio, de Ângulo com uma perda de 8,62 kg/ha.

Foto: Divulgação

Conhecimento gera resultados

Os números evidenciam que grande parte das perdas pode ser evitada por meio da correta regulagem das colhedoras, da manutenção preventiva dos equipamentos e da qualificação dos operadores, demonstrando que conhecimento técnico e boas práticas de manejo geram resultados concretos no campo.

Os resultados do concurso também permitem dimensionar o impacto econômico da redução das perdas. Considerando os aproximadamente 300 mil hectares cultivados com soja na região de Maringá, a diferença observada entre a média regional e a média alcançada pelos participantes representa um potencial de preservação de 396 mil sacas de soja, equivalentes a cerca de 23,8 mil toneladas, ou aproximadamente R$ 53,46 milhões circulando na economia.

Embora esse valor represente uma estimativa potencial, ele demonstra que pequenas melhorias operacionais podem gerar impactos econômicos significativos para os produtores, cooperativas, empresas prestadoras de serviços, comércio local e municípios da região.

Parte desses recursos é reinvestida nas próprias propriedades rurais, por meio da aquisição de insumos, manutenção de máquinas, contratação de serviços e novos

Foto: Divulgação

investimentos. Ao mesmo tempo, fortalece cooperativas, revendas agropecuárias, oficinas mecânicas, cerealistas, transportadores, armazéns e diversos outros segmentos ligados à cadeia produtiva da soja.

Os benefícios alcançam também o comércio, os prestadores de serviços e os municípios, ampliando a arrecadação tributária e contribuindo para investimentos públicos em educação, saúde, infraestrutura e qualidade de vida.

Outro destaque do concurso é o reconhecimento dos operadores de colhedoras. Esses profissionais exercem papel fundamental na eficiência da colheita, sendo diretamente responsáveis pela correta regulagem das máquinas e pela qualidade da operação.

A premiação valoriza sua qualificação, dedicação e compromisso com a excelência, incentivando o aperfeiçoamento contínuo e a adoção das melhores práticas de campo.

Foto: Dhiony Costa

Agricultura mais eficiente e sustentável

Além dos ganhos econômicos, a redução das perdas contribui para uma agricultura mais sustentável. O melhor aproveitamento da produção significa maior eficiência no uso da terra, da água, da energia, dos insumos e do trabalho empregado ao longo do ciclo produtivo, permitindo produzir mais sem ampliar a utilização de recursos naturais.

Para os extensionistas, concursos são reconhecidos como importantes instrumentos de ensino, motivação e difusão tecnológica. Por meio dessa iniciativa, o IDR-Paraná estimula a adoção de boas práticas, promove a aprendizagem prática entre produtores e operadores, reduz desperdícios, aumenta a eficiência produtiva e fortalece o desenvolvimento rural sustentável.

O 21º Concurso Regional de Qualidade na Colheita da Soja foi realizado pelo Sistema Seagri, por meio do IDR-Paraná, com apoio da Embrapa Soja, Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Cocari, Cooperativa Integrada, Sociedade Rural de Maringá, Sindicato Rural de Maringá, Sicredi, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Unicesumar e Uningá.

Conheça os vencedores do 21º Concurso Regional de Qualidade na Colheita da Soja: 

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.