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Avicultura e suinocultura encerram 2024 com recordes e projeções otimistas para 2025
Cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos.

Com os preços da carne bovina em alta, a avicultura e a suinocultura brasileiras devem fechar 2024 com novos recordes de produção, consumo e exportação. O cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos. Esse movimento deve garantir ao setor um novo ciclo de crescimento em 2025. “O quadro econômico deve sustentar os níveis de consumo no mercado interno em 2025, apoiados pela manutenção da competitividade dos setores de proteína animal”, prevê o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
No caso da carne de frango, a estimativa é fechar 2024 com uma produção total de até 15 milhões de toneladas, número cerca de 1,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que encerrou com 14,833 milhões de toneladas. Deste total, 9,7 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado interno, volume quase equivalente ao total referente a 2023, com 9,694 milhões de toneladas. O consumo per capita deverá ficar em 45,6 quilos, índice 1,1% acima do registrado no ano anterior, com 45,1 quilos.
Já no mercado internacional, as exportações de carne de frango devem encerrar o ano totalizando 5,3 milhões de toneladas, número 3,1% superior ao volume embarcado em 2023, com 5,139 milhões de toneladas. Nos últimos 20 anos, a carne de frango brasileira ampliou sua participação no mercado global e hoje representa 14,3% da proteína produzida no mundo. Do total produzido no País, 65,35% é destinado ao mercado interno e 34,65% são enviadas ao mercado externo.
Entre janeiro e novembro de 2024 em comparação ao mesmo período de 2023, o volume exportado subiu 3,7%, passando de 4,67 milhões de toneladas no ano anterior para 4,846 milhões no ano passado. Em receita, o avanço foi de 1%, atingindo US$ 9.071 bilhões frente a US$ 8.978 bilhões do ano anterior.
A China se manteve como principal destino, absorvendo 11% do total exportado em 2024. Apesar disso, as remessas ao país caíram 19,5%, passando de 632 mil toneladas para 508 mil toneladas. Os Emirados Árabes, segundo maior destino, registaram um crescimento de 7,2%, com 424 mil toneladas. O Japão apresentou avanço de 9,1%, enquanto a Arábia Saudita manteve estabilidade com 1,1% de crescimento. Destaque também para o México e o Iraque, que registaram aumento de 18,8% e 20,9%, respectivamente. Em contrapartida, a Coreia do Sul teve uma queda de 23,9%, com o volume exportado recuando de 184 mil toneladas para 140 mil toneladas.
Para este ano, o setor avícola projeta produzir até 15,3 milhões de toneladas, crescimento de 2,7%; com disponibilidade de cerca de 9,9 milhões de toneladas, representando um aumento de 2,1%; com consumo per capita de 46,6 quilos, incremento de 2,2%; além do avanço de 1,9% nas exportações, podendo atingir até 5,4 milhões de toneladas embarcadas. “No cenário externo são esperadas novas aberturas de mercados na América Central e em países da África, além do reforço dos embarques para outras nações da América Latina e da Ásia, o que deve ampliar a diversificação de destinos para os nossos produtos”, afirma Santin.
Mercado mundial de carne de frango
O Brasil segue como protagonista no mercado global de carne de frango, consolidando sua posição de liderança, mas enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada de grandes players, como Estados Unidos(EUA) e União Europeia (UE).

Foto: Shutterstock
Apesar do bom desempenho brasileiro, os Estados Unidos seguem liderando o ranking dos maiores produtores globais de carne de frango, respondendo por 20,3% da produção mundial. A produção norte-americana deve fechar 2024 com um crescimento de 1,4%, atingindo 21,384 milhões de toneladas, e um avanço de 1,6% em 2025, podendo chegar a 21,726 milhões de toneladas.
A China, que detém 14,3% da produção mundial, mesma participação de mercado que o Brasil, registrou um aumento de 1,1% na produção em 2024 e projeta um crescimento de 2,7% em 2025. A União Europeia, por sua vez, avançou 2,7%, produzindo 11,385 milhões de toneladas, com estimativas de crescer 1,3% em 2025, podendo produzir até 11,530 milhões de toneladas. Já a Rússia manteve a produção estável, em 4,8 milhões de toneladas, mas espera uma expansão de 1% em 2025.
Com liderança consolidada nas exportações, o Brasil detém 39% do mercado global. Já, os EUA, segundo maior exportador mundial, responsável por 24,4%, enfrentou queda de 7,4% nas vendas externas em 2024. Para 2025, a expectativa é de recuperação, com um crescimento estimado de 1,3%. Em contrapartida, a UE, terceira colocada no ranking, registrou um aumento de 7,9% nas exportações, totalizando 1,780 milhão de toneladas. Para este ano, o bloco projeta um avanço de 1,7%, podendo atingir 1.810 milhão de toneladas.
A Tailândia, responsável por 8,1% das exportações globais, registrou um crescimento de 4,7% em 2024 e espera expandir 3,5% ao longo deste ano. A China, por outro lado, apresentou um crescimento de 22,7% no ano passado, com previsão de estabilidade para 2025. “Quando comparamos as exportações dos EUA e da UE juntas, elas não atingem o que o Brasil detém. Isso reflete a nossa solidez e a competitividade da carne de frango brasileira no mercado mundial, que continua conquistando cada vez mais novos mercados”, frisou Santin.
Cresce participação global da carne suína brasileira

Fotos: Divulgação/AEN
A produção da carne suína deverá terminar o ano em 5,35 milhões de toneladas, número 3,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, com 5,156 milhões de toneladas. A disponibilidade interna da proteína pode totalizar cerca de quatro milhões de toneladas, 1,9% maior que a disponibilidade registrada em 2023, quando atingiu 3,926 milhões de toneladas. O consumo per capita do setor crescerá até 3,8%, podendo alcançar 19 quilos per capita.
Já as exportações da carne suína deverão fechar o ano com 1,35 milhão de toneladas embarcadas, saldo 9,8% superior ao registrado em 2023, com 1,23 milhão de toneladas.
Nas últimas duas décadas, a carne suína brasileira consolidou sua posição no mercado global, ampliando sua participação de 4% para 12% das exportações mundiais. Do total produzido no Brasil, 76,15% é destinado ao mercado interno, enquanto 23,85% segue para o mercado externo.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras em 2024, as Filipinas assumiram a liderança, sendo responsáveis por 19% dos embarques. De janeiro a novembro, o país filipino importou 234,8 mil toneladas, um aumento de 107,6% em relação ao mesmo período de 2023, quando adquiriu 113,1 mil toneladas. A China, que tradicionalmente liderava o ranking, caiu para o segundo lugar, com uma redução de 38,9% nas compras. O volume importado pela gigante asiática caiu de 362,1 mil toneladas em 2023 para 221,1 mil toneladas no ano passado, representando 18% das exportações brasileiras. Enquanto que o Chile ampliou em 35% suas aquisições de carne suína do Brasil, representando agora 8% dos embarques nacionais. Já o Japão registou o maior crescimento percentual entre os principais compradores, com um aumento de 140,5%, passando de 35,3 mil toneladas em 2023 para 85,1 mil toneladas em 2024.
Apesar dos resultados expressivos, alguns mercados reduziram suas compras, como Hong Kong e Uruguai. No entanto, a lista dos dez principais destinos da carne suína brasileira se manteve robusta, com a presença de Singapura, Vietnã, México e Estados Unidos, demonstrando a diversificação dos mercados e o fortalecimento do setor no cenário internacional.
Para 2025, o setor suinícola projeta uma produção de até 5,45 milhões de toneladas, crescimento de 2%; com disponibilidade interna de quatro milhões de toneladas, consumo per capita de 19 quilos e exportações podendo alcançar até 1,45 milhão de toneladas, incremento de 7,4%. “No mercado externo, existe expectativa de melhora do fluxo para a China, além da habilitação de novas plantas para destinos da América Latina, que se somarão à continuidade da demanda de mercados em pré-listing, como Filipinas e Chile. O consumo interno de carne suína deverá ser influenciado positivamente pela boa competitividade do produto entre as carnes, também influenciado pelos custos de produção em patamares equilibrados”, menciona Santin.
Mercado mundial de carne suína
O mercado global de carne suína apresenta movimentos distintos em produção e exportação. A China, principal produtora, segue com queda contínua e deve fechar 2024 com produção 2,1% menor que o ano anterior e com previsão de baixar mais 2,2% em 2025, diminuindo sua produção para 55,5 milhões de toneladas.
Já a União Europeia (UE) mostra recuperação tímida, com alta de 2% em 2024, podendo chegar a 21,250 milhões de toneladas produzidas; contudo em 2025 estão previstas redução de 1,6%, com isso deve alcançar até 20,9 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos (EUA), a produção cresce consistentemente, devendo atingir 2,4% em 2024, chegando a 12,680 milhões de toneladas; e 2% em 2025, quando estão previstas até 12,9 milhões de toneladas produzidas de carne suína norte-americana. O Brasil também mantém trajetória de alta, com projeções de até 3,8% em 2024 e 2% em 2025. E a Rússia deve registrar crescimento de até 3,5% em 2024, com estimativa de manter a estabilidade na produção neste ano, podendo chegar a um aumento de 3,4%.
Na exportação, os EUA lideraram as vendas, com aumento de 4,8% em 2024 e deve crescer 3,4% em 2025, podendo alcançar 3,35 milhões de toneladas. A UE, por sua vez, enfrenta desafios, com queda de 4% no último ano e 1,7% em 2025.
O Canadá avançou com 8,5% em 2024, mas em 2025 deve apresentar crescimento tímido de 0,7%, enquanto o Brasil deve fechar 2024 com crescimento de até 9,8% e 7,4% em 2025, com previsão de atingir 1,45 milhão de toneladas embarcadas. “Esses números reforçam a resiliência e a competitividade do Brasil no cenário global, destacando sua contribuição tanto na produção quanto nas exportações de carne suína”, ressaltou Santin.
Produção e exportação de ovos em alta

Foto: Divulgação/ABPA
E para o setor de ovos, a produção de 2024 deverá alcançar 57,6 bilhões de unidades, número 9,8% maior em relação ao ano anterior, com 52,448 bilhões de unidades. O consumo per capita chegará a 269 unidades, 11,2% maior em relação ao registrado no ano anterior, com 242 unidades.
As exportações do setor devem alcançar 18 mil toneladas, volume 29,5% menor em relação ao ano anterior, com 25,404 mil toneladas. Entre os principais destinos dos ovos brasileiros, destaque para o Chile, que liderou as compras ao aumentar suas importações em 158%, respondendo por 41% das vendas nacionais entre janeiro e novembro. Em segundo lugar, os Estados Unidos ampliaram as aquisições em 84%, enquanto os Emirados Árabes registraram altas de 123,5%. Por outro lado, mercados tradicionais como Japão, Panamá e União Europeia reduziram os embarques no período. Completam o ranking dos principais destinos Catar, Uruguai, México e, em especial, Cuba, que teve o maior crescimento percentual, elevando as compras em 667,2%, ao passar de 60 toneladas em 2023 para 460 toneladas nos primeiros 11 meses do ano passado.
Para 2025, o setor de postura projeta produção de 59 bilhões de unidades, aumento de 2,4%; incremento de 1,1% no consumo per capita, podendo alcançar até 272 unidades, e embarques de 21 mil toneladas, crescimento de 16,7%. “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país”, salienta Santin, enfatizando: “No mercado internacional, esperamos a abertura do mercado do bloco europeu e do Reino Unido para o produto já em 2025, o que deverá mudar o fluxo de exportações para níveis positivos”.
Desafios e oportunidades em 2025
Os conflitos no Oriente Médio e na Eurásia continuam a impactar as cadeias globais de suprimentos, com destaque para o aumento dos custos do frete marítimo e a busca por rotas alternativas de exportação. Além disso, a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos traz à tona a possibilidade de políticas protecionistas, especialmente contra a China. “Caso os EUA adotem restrições comerciais, o Brasil poderá ganhar ainda mais espaço como parceiro comercial da China, especialmente no fornecimento de carne suína e de aves”, afirma Santin, enfatizando que a investigação antidumping que a China realiza sobre as importações de carne suína da União Europeia também representa uma oportunidade para o Brasil.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A saúde animal segue como um dos focos principais do setor. Apesar da redução no número de casos de Influenza aviária no mundo em comparação a 2023, a enfermidade ainda exige atenção, especialmente no Hemisfério Norte durante o inverno. No Brasil, os esforços para impedir a entrada do vírus continuam sendo prioridade.
Outro ponto de alerta é a Doença de Newcastle, que registrou um caso no Rio Grande do Sul em 2024, após 18 anos sem notificação no Brasil. “Respondemos de forma rápida, mas é preciso reforçar os procedimentos de biosseguridade para evitar novos casos”, salienta Santin.
Embora o Brasil esteja livre da Peste Suína Africana (PSA) desde a década de 80, o presidente da ABPA expõe que a persistência de casos em países da Europa e do Sudeste Asiático exige vigilância constante para proteger os rebanhos nacionais e garantir a segurança sanitária das exportações .
Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, têm se tornado cada vez mais frequentes e representam um desafio crescente para a produção de grãos no Brasil e em outras regiões produtoras do mundo. “Como consequência, pode haver aumento nos custos da ração animal, pressionando a rentabilidade do setor”, aponta Santin.
Apesar dos desafios, Santin afirma que o Brasil está bem posicionado para atender à crescente demanda global por alimentos de alta qualidade, especialmente em um contexto de possíveis mudanças nos mercados internacionais.

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Alunos de curso técnico aprendem mais sobre força do cooperativismo
Grupo, formado por 33 alunos e dois professores do Colégio Coopermundi, de Dois Vizinhos, foi recebido pelo presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, e pelo coordenador do hub de inovação do agro (iniciativa conduzida pela Coopavel em parceria com o Itaipu Parquetec), Kleberson Angelossi.

Estudantes do Sudoeste do Paraná vivenciaram, recentemente, uma imersão prática no cooperativismo e na agroindústria durante visita técnica ao Espaço Impulso, estrutura instalada no parque onde anualmente é realizado o Show Rural Coopavel, um dos maiores eventos técnicos de difusão de inovações para o agronegócio no mundo.
O grupo, formado por 33 alunos e dois professores do Colégio Coopermundi, de Dois Vizinhos, foi recebido pelo presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, e pelo coordenador do hub de inovação do agro (iniciativa conduzida pela Coopavel em parceria com o Itaipu Parquetec), Kleberson Angelossi. Os visitantes são estudantes do curso Técnico em Cooperativismo e tiveram a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre o modelo que sustenta grande parte do desenvolvimento econômico regional.
Durante a recepção, Dilvo Grolli apresentou um panorama do cooperativismo, destacando sua relevância no Oeste do Paraná e no Brasil, além de compartilhar orientações e conselhos aos jovens, com idades entre 15 e 17 anos. Segundo Dilvo, a região Oeste concentra cinco das 20 maiores cooperativas agropecuárias do País. Juntas, essas organizações são responsáveis por cerca de cem mil empregos diretos e reúnem mais de 85 mil produtores rurais associados.
Visita técnica
A programação incluiu ainda visita à unidade industrial do moinho de trigo da cooperativa. No local, os alunos foram recebidos pelo gerente Cláudio Medes e puderam acompanhar de perto o funcionamento de uma agroindústria, observando desde processos produtivos até os rigorosos protocolos de segurança alimentar, como o uso obrigatório de equipamentos de proteção individual e o controle de acesso às áreas industriais.
A experiência também reforçou a conexão entre teoria e prática, permitindo aos estudantes compreenderem a complexidade e a responsabilidade envolvidas na produção de alimentos. “Todos apreciamos muito a visita e os conhecimentos compartilhados”, disse um dos professores que acompanhou a comitiva de Dois Vizinhos durante a visita técnica a Cascavel.
Referência
O Colégio Coopermundi, instituição onde os alunos estudam, tem trajetória marcada pela inovação no ensino e pelo cooperativismo. A instituição teve origem em 1982, quando as irmãs da Congregação de Nossa Senhora Imaculada Conceição iniciaram um trabalho educacional em Dois Vizinhos, com a fundação do Colégio Regina Mundi, sob coordenação da irmã Mectilde Maria Bonatti.
Ao longo dos anos, a escola passou por transformações importantes. Em 1992, a gestão foi assumida pelo Centro Pastoral, Educacional e Assistencial Dom Carlos (C.P.E.A.), de Palmas. Já em 1997, pais, professores e funcionários assumiram a condução da instituição, dando origem à Coopermundi (Cooperativa de Educação e Cultura Regina Mundi).
Atualmente, o Coopermundi é referência em educação na região Sudoeste do Paraná, atendendo alunos desde o pré-maternal até o pré-vestibular, com utilização do Sistema Positivo de Ensino. Em 2025, a instituição celebra 43 anos de história, 28 deles dedicados ao cooperativismo educacional, consolidando-se como uma das três cooperativas de ensino do Estado.
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Paraná define calendário do vazio sanitário da soja para a safra 2026/2027
Medida estabelece três períodos regionais e busca conter a ferrugem asiática nas lavouras do estado.

Os períodos do vazio sanitário da Soja no Paraná foram definidos, de acordo com a Portaria nº 1.579/2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária, que estabelece o calendário nacional para a safra 2026/2027. Durante o vazio sanitário, é obrigatória a ausência total de plantas vivas de soja nas lavouras, incluindo plantas voluntárias (tigueras). A medida tem como principal objetivo interromper o ciclo do fungo causador da ferrugem asiática, considerada uma das doenças mais severas da cultura, capaz de provocar perdas significativas na produção.
O Paraná possui três janelas distintas de vazio sanitário, conforme a regionalização agrícola, divididas em três macrorregiões. A Região 1 engloba os municípios do Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral paranaense, com vazio programado entre 21 de junho a 19 de setembro de 2026, ficando autorizada a semeadura entre 20 de setembro de 2026 e 20 de janeiro de 2027.

Foto: Gilson Abreu
A Região 2 engloba os municípios localizados no Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste, com período de vazio de 2 de junho a 31 de agosto, enquanto o plantio pode ser realizado de 1º de setembro a 31 de dezembro. A medida na Região 3, representada pelo Sudoeste paranaense, acontece entre 12 de junho e 10 de setembro deste ano e o período de semeadura permitida entre 11 de setembro de 2026 até 10 de janeiro de 2027.
O chefe do Departamento de Sanidade Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) reforça que o cumprimento dos prazos é essencial para garantir a sanidade das lavouras e evitar a disseminação da doença entre as regiões produtoras. “A prática do vazio sanitário da soja beneficia o agricultor, que terá maior controle da doença, utilizando menos aplicações de fungicidas”, afirma. “Além disso, a prática contribui na manutenção da eficácia desses produtos para o controle da ferrugem”, afirma o engenheiro agrônomo.

Foto: Camila Roberta Javorski Ueno/Adapar
A fiscalização é realizada em todo o Estado, e o descumprimento das normas pode acarretar em diversos sanções aos produtores. Além disso, o respeito ao calendário de semeadura contribui para o melhor planejamento da safra, favorecendo o manejo fitossanitário e a eficiência produtiva. A colaboração dos produtores é indispensável para o sucesso das estratégias de defesa agropecuária.
Para maiores informações, os produtores podem entrar em contato com escritórios locais da agência ou pelos canais oficiais da instituição.
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Produção de grãos atinge maior nível da série histórica do IBGE em 2026
Soja lidera crescimento e reforça tendência de recorde na safra nacional.

A estimativa de março de 2026 para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu 348,4 milhões de toneladas, 0,7% maior que a obtida em 2025 quando atingiu 346,1 milhões de toneladas, um crescimento de 2,3 milhões de toneladas. Em relação ao mês anterior, houve aumento de 4,3 milhões de toneladas (1,2%). Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado na última teça-feira (14) pelo IBGE.
O arroz, o milho e a soja, que são os três principais produtos deste grupo, representaram 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,6% da área a ser colhida. Em relação ao ano anterior, houve crescimentos de 1,0% na área a ser colhida da soja; de 3,3% na do milho; e de 7,0% na do sorgo, ocorrendo declínios de 6,9% na do algodão herbáceo (em caroço); de 10,1% na do arroz em casca; e de 3,3% na do feijão.

Foto: Shutterstock
Já na área a ser colhida, ocorreu o aumento de 1,6 milhão de hectares frente a área colhida em 2025, crescimento anual de 2,0%, correspondendo a 83,2 milhões de hectares. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou aumento de 265 837 hectares (0,3%). A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas de março de 2026 é recorde da série histórica do IBGE.
“A estimativa de março é recorde da série histórica do IBGE. Com o aumento mensal de produção em todos os estados da região Centro-Oeste. Porém, chama atenção a queda na safra do Rio Grande do Sul, que sofreu com falta de chuvas e altas temperaturas nos meses de janeiro e fevereiro. Apesar da queda, comparado com 2025, a safra gaúcha é 34,6% superior”, Carlos Barradas, apontou o gerente do LSPA.
Mato Grosso mantém liderança na produção de grãos
A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para as Regiões Sul (7,1%) e a Nordeste (5,6%); e negativas para a Centro-Oeste (-2,3%), a Sudeste (-1,9%) e a Norte (-3,2%). Quanto à variação mensal, apresentaram crescimentos na produção: a Norte (0,3%), a Centro-Oeste (3,9%) e a Nordeste (1,3%). Na Sudeste houve estabilidade (0,0%), enquanto a Sul apresentou declínio (-2,9%).
Na distribuição da produção pelas Unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 31,0%, seguido pelo Paraná (13,7%), Rio Grande do Sul (10,8%), Goiás (10,7%), Mato Grosso do Sul (8,2%) e Minas Gerais (5,4%), que, somados, representaram 79,8% do total.
Soja tem previsão de novo recorde na série histórica em 2026

Foto: Divulgação/Aprosoja MT
A estimativa da produção de soja alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 173,7 milhões de toneladas, aumento de 0,3% em relação ao mês anterior e de 4,6% maior em comparação à quantidade obtida no ano anterior. A área cultivada deve crescer 1,0% e alcançar 48,3 milhões de hectares, enquanto o rendimento médio, de 3 603 kg/ha, deve crescer 3,6% em relação ao ano anterior.
“As projeções indicam uma safra histórica, impulsionada por condições climáticas favoráveis na maior parte das Unidades da Federação produtoras e pela recuperação parcial da safra gaúcha”, destaca o gerente do LSPA, Carlos Barradas.
O Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, estimou uma produção de 50,5 milhões de toneladas, aumentos de 4,1% em relação ao estimado em fevereiro e de 0,7% em relação ao volume colhido no ano anterior. O Mato Grosso do Sul aguarda uma produção de 15,6 milhões de toneladas, crescimentos de 4,5% em relação a fevereiro. O Paraná, com uma produção de 22,1 milhões de toneladas, deve ter o segundo maior volume colhido do País, com declínio de 0,9% em relação ao mês anterior. O Rio Grande do Sul estimou uma produção de 18,4 milhões de toneladas, declínio de 11,5% em relação ao mês anterior. Em Santa Catarina, a produção deve alcançar 3,1 milhões de toneladas, aumento de 1,0% em relação ao mês anterior.



