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Avicultura e suinocultura encerram 2024 com recordes e projeções otimistas para 2025
Cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos.

Com os preços da carne bovina em alta, a avicultura e a suinocultura brasileiras devem fechar 2024 com novos recordes de produção, consumo e exportação. O cenário econômico, marcado por incertezas e pelo peso da inflação no bolso do consumidor, tem levado a uma busca por proteínas mais acessíveis, como aves, ovos e suínos. Esse movimento deve garantir ao setor um novo ciclo de crescimento em 2025. “O quadro econômico deve sustentar os níveis de consumo no mercado interno em 2025, apoiados pela manutenção da competitividade dos setores de proteína animal”, prevê o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
No caso da carne de frango, a estimativa é fechar 2024 com uma produção total de até 15 milhões de toneladas, número cerca de 1,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, que encerrou com 14,833 milhões de toneladas. Deste total, 9,7 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado interno, volume quase equivalente ao total referente a 2023, com 9,694 milhões de toneladas. O consumo per capita deverá ficar em 45,6 quilos, índice 1,1% acima do registrado no ano anterior, com 45,1 quilos.
Já no mercado internacional, as exportações de carne de frango devem encerrar o ano totalizando 5,3 milhões de toneladas, número 3,1% superior ao volume embarcado em 2023, com 5,139 milhões de toneladas. Nos últimos 20 anos, a carne de frango brasileira ampliou sua participação no mercado global e hoje representa 14,3% da proteína produzida no mundo. Do total produzido no País, 65,35% é destinado ao mercado interno e 34,65% são enviadas ao mercado externo.
Entre janeiro e novembro de 2024 em comparação ao mesmo período de 2023, o volume exportado subiu 3,7%, passando de 4,67 milhões de toneladas no ano anterior para 4,846 milhões no ano passado. Em receita, o avanço foi de 1%, atingindo US$ 9.071 bilhões frente a US$ 8.978 bilhões do ano anterior.
A China se manteve como principal destino, absorvendo 11% do total exportado em 2024. Apesar disso, as remessas ao país caíram 19,5%, passando de 632 mil toneladas para 508 mil toneladas. Os Emirados Árabes, segundo maior destino, registaram um crescimento de 7,2%, com 424 mil toneladas. O Japão apresentou avanço de 9,1%, enquanto a Arábia Saudita manteve estabilidade com 1,1% de crescimento. Destaque também para o México e o Iraque, que registaram aumento de 18,8% e 20,9%, respectivamente. Em contrapartida, a Coreia do Sul teve uma queda de 23,9%, com o volume exportado recuando de 184 mil toneladas para 140 mil toneladas.
Para este ano, o setor avícola projeta produzir até 15,3 milhões de toneladas, crescimento de 2,7%; com disponibilidade de cerca de 9,9 milhões de toneladas, representando um aumento de 2,1%; com consumo per capita de 46,6 quilos, incremento de 2,2%; além do avanço de 1,9% nas exportações, podendo atingir até 5,4 milhões de toneladas embarcadas. “No cenário externo são esperadas novas aberturas de mercados na América Central e em países da África, além do reforço dos embarques para outras nações da América Latina e da Ásia, o que deve ampliar a diversificação de destinos para os nossos produtos”, afirma Santin.
Mercado mundial de carne de frango
O Brasil segue como protagonista no mercado global de carne de frango, consolidando sua posição de liderança, mas enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada de grandes players, como Estados Unidos(EUA) e União Europeia (UE).

Foto: Shutterstock
Apesar do bom desempenho brasileiro, os Estados Unidos seguem liderando o ranking dos maiores produtores globais de carne de frango, respondendo por 20,3% da produção mundial. A produção norte-americana deve fechar 2024 com um crescimento de 1,4%, atingindo 21,384 milhões de toneladas, e um avanço de 1,6% em 2025, podendo chegar a 21,726 milhões de toneladas.
A China, que detém 14,3% da produção mundial, mesma participação de mercado que o Brasil, registrou um aumento de 1,1% na produção em 2024 e projeta um crescimento de 2,7% em 2025. A União Europeia, por sua vez, avançou 2,7%, produzindo 11,385 milhões de toneladas, com estimativas de crescer 1,3% em 2025, podendo produzir até 11,530 milhões de toneladas. Já a Rússia manteve a produção estável, em 4,8 milhões de toneladas, mas espera uma expansão de 1% em 2025.
Com liderança consolidada nas exportações, o Brasil detém 39% do mercado global. Já, os EUA, segundo maior exportador mundial, responsável por 24,4%, enfrentou queda de 7,4% nas vendas externas em 2024. Para 2025, a expectativa é de recuperação, com um crescimento estimado de 1,3%. Em contrapartida, a UE, terceira colocada no ranking, registrou um aumento de 7,9% nas exportações, totalizando 1,780 milhão de toneladas. Para este ano, o bloco projeta um avanço de 1,7%, podendo atingir 1.810 milhão de toneladas.
A Tailândia, responsável por 8,1% das exportações globais, registrou um crescimento de 4,7% em 2024 e espera expandir 3,5% ao longo deste ano. A China, por outro lado, apresentou um crescimento de 22,7% no ano passado, com previsão de estabilidade para 2025. “Quando comparamos as exportações dos EUA e da UE juntas, elas não atingem o que o Brasil detém. Isso reflete a nossa solidez e a competitividade da carne de frango brasileira no mercado mundial, que continua conquistando cada vez mais novos mercados”, frisou Santin.
Cresce participação global da carne suína brasileira

Fotos: Divulgação/AEN
A produção da carne suína deverá terminar o ano em 5,35 milhões de toneladas, número 3,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, com 5,156 milhões de toneladas. A disponibilidade interna da proteína pode totalizar cerca de quatro milhões de toneladas, 1,9% maior que a disponibilidade registrada em 2023, quando atingiu 3,926 milhões de toneladas. O consumo per capita do setor crescerá até 3,8%, podendo alcançar 19 quilos per capita.
Já as exportações da carne suína deverão fechar o ano com 1,35 milhão de toneladas embarcadas, saldo 9,8% superior ao registrado em 2023, com 1,23 milhão de toneladas.
Nas últimas duas décadas, a carne suína brasileira consolidou sua posição no mercado global, ampliando sua participação de 4% para 12% das exportações mundiais. Do total produzido no Brasil, 76,15% é destinado ao mercado interno, enquanto 23,85% segue para o mercado externo.
Entre os principais destinos das exportações brasileiras em 2024, as Filipinas assumiram a liderança, sendo responsáveis por 19% dos embarques. De janeiro a novembro, o país filipino importou 234,8 mil toneladas, um aumento de 107,6% em relação ao mesmo período de 2023, quando adquiriu 113,1 mil toneladas. A China, que tradicionalmente liderava o ranking, caiu para o segundo lugar, com uma redução de 38,9% nas compras. O volume importado pela gigante asiática caiu de 362,1 mil toneladas em 2023 para 221,1 mil toneladas no ano passado, representando 18% das exportações brasileiras. Enquanto que o Chile ampliou em 35% suas aquisições de carne suína do Brasil, representando agora 8% dos embarques nacionais. Já o Japão registou o maior crescimento percentual entre os principais compradores, com um aumento de 140,5%, passando de 35,3 mil toneladas em 2023 para 85,1 mil toneladas em 2024.
Apesar dos resultados expressivos, alguns mercados reduziram suas compras, como Hong Kong e Uruguai. No entanto, a lista dos dez principais destinos da carne suína brasileira se manteve robusta, com a presença de Singapura, Vietnã, México e Estados Unidos, demonstrando a diversificação dos mercados e o fortalecimento do setor no cenário internacional.
Para 2025, o setor suinícola projeta uma produção de até 5,45 milhões de toneladas, crescimento de 2%; com disponibilidade interna de quatro milhões de toneladas, consumo per capita de 19 quilos e exportações podendo alcançar até 1,45 milhão de toneladas, incremento de 7,4%. “No mercado externo, existe expectativa de melhora do fluxo para a China, além da habilitação de novas plantas para destinos da América Latina, que se somarão à continuidade da demanda de mercados em pré-listing, como Filipinas e Chile. O consumo interno de carne suína deverá ser influenciado positivamente pela boa competitividade do produto entre as carnes, também influenciado pelos custos de produção em patamares equilibrados”, menciona Santin.
Mercado mundial de carne suína
O mercado global de carne suína apresenta movimentos distintos em produção e exportação. A China, principal produtora, segue com queda contínua e deve fechar 2024 com produção 2,1% menor que o ano anterior e com previsão de baixar mais 2,2% em 2025, diminuindo sua produção para 55,5 milhões de toneladas.
Já a União Europeia (UE) mostra recuperação tímida, com alta de 2% em 2024, podendo chegar a 21,250 milhões de toneladas produzidas; contudo em 2025 estão previstas redução de 1,6%, com isso deve alcançar até 20,9 milhões de toneladas.
Nos Estados Unidos (EUA), a produção cresce consistentemente, devendo atingir 2,4% em 2024, chegando a 12,680 milhões de toneladas; e 2% em 2025, quando estão previstas até 12,9 milhões de toneladas produzidas de carne suína norte-americana. O Brasil também mantém trajetória de alta, com projeções de até 3,8% em 2024 e 2% em 2025. E a Rússia deve registrar crescimento de até 3,5% em 2024, com estimativa de manter a estabilidade na produção neste ano, podendo chegar a um aumento de 3,4%.
Na exportação, os EUA lideraram as vendas, com aumento de 4,8% em 2024 e deve crescer 3,4% em 2025, podendo alcançar 3,35 milhões de toneladas. A UE, por sua vez, enfrenta desafios, com queda de 4% no último ano e 1,7% em 2025.
O Canadá avançou com 8,5% em 2024, mas em 2025 deve apresentar crescimento tímido de 0,7%, enquanto o Brasil deve fechar 2024 com crescimento de até 9,8% e 7,4% em 2025, com previsão de atingir 1,45 milhão de toneladas embarcadas. “Esses números reforçam a resiliência e a competitividade do Brasil no cenário global, destacando sua contribuição tanto na produção quanto nas exportações de carne suína”, ressaltou Santin.
Produção e exportação de ovos em alta

Foto: Divulgação/ABPA
E para o setor de ovos, a produção de 2024 deverá alcançar 57,6 bilhões de unidades, número 9,8% maior em relação ao ano anterior, com 52,448 bilhões de unidades. O consumo per capita chegará a 269 unidades, 11,2% maior em relação ao registrado no ano anterior, com 242 unidades.
As exportações do setor devem alcançar 18 mil toneladas, volume 29,5% menor em relação ao ano anterior, com 25,404 mil toneladas. Entre os principais destinos dos ovos brasileiros, destaque para o Chile, que liderou as compras ao aumentar suas importações em 158%, respondendo por 41% das vendas nacionais entre janeiro e novembro. Em segundo lugar, os Estados Unidos ampliaram as aquisições em 84%, enquanto os Emirados Árabes registraram altas de 123,5%. Por outro lado, mercados tradicionais como Japão, Panamá e União Europeia reduziram os embarques no período. Completam o ranking dos principais destinos Catar, Uruguai, México e, em especial, Cuba, que teve o maior crescimento percentual, elevando as compras em 667,2%, ao passar de 60 toneladas em 2023 para 460 toneladas nos primeiros 11 meses do ano passado.
Para 2025, o setor de postura projeta produção de 59 bilhões de unidades, aumento de 2,4%; incremento de 1,1% no consumo per capita, podendo alcançar até 272 unidades, e embarques de 21 mil toneladas, crescimento de 16,7%. “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país”, salienta Santin, enfatizando: “No mercado internacional, esperamos a abertura do mercado do bloco europeu e do Reino Unido para o produto já em 2025, o que deverá mudar o fluxo de exportações para níveis positivos”.
Desafios e oportunidades em 2025
Os conflitos no Oriente Médio e na Eurásia continuam a impactar as cadeias globais de suprimentos, com destaque para o aumento dos custos do frete marítimo e a busca por rotas alternativas de exportação. Além disso, a vitória de Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos traz à tona a possibilidade de políticas protecionistas, especialmente contra a China. “Caso os EUA adotem restrições comerciais, o Brasil poderá ganhar ainda mais espaço como parceiro comercial da China, especialmente no fornecimento de carne suína e de aves”, afirma Santin, enfatizando que a investigação antidumping que a China realiza sobre as importações de carne suína da União Europeia também representa uma oportunidade para o Brasil.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Há expectativas otimistas sobre o incremento dos níveis de consumo de ovos no Brasil, alcançando patamares nunca antes experimentados, o que reforça a consolidação da proteína como item básico de consumo no país” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A saúde animal segue como um dos focos principais do setor. Apesar da redução no número de casos de Influenza aviária no mundo em comparação a 2023, a enfermidade ainda exige atenção, especialmente no Hemisfério Norte durante o inverno. No Brasil, os esforços para impedir a entrada do vírus continuam sendo prioridade.
Outro ponto de alerta é a Doença de Newcastle, que registrou um caso no Rio Grande do Sul em 2024, após 18 anos sem notificação no Brasil. “Respondemos de forma rápida, mas é preciso reforçar os procedimentos de biosseguridade para evitar novos casos”, salienta Santin.
Embora o Brasil esteja livre da Peste Suína Africana (PSA) desde a década de 80, o presidente da ABPA expõe que a persistência de casos em países da Europa e do Sudeste Asiático exige vigilância constante para proteger os rebanhos nacionais e garantir a segurança sanitária das exportações .
Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, têm se tornado cada vez mais frequentes e representam um desafio crescente para a produção de grãos no Brasil e em outras regiões produtoras do mundo. “Como consequência, pode haver aumento nos custos da ração animal, pressionando a rentabilidade do setor”, aponta Santin.
Apesar dos desafios, Santin afirma que o Brasil está bem posicionado para atender à crescente demanda global por alimentos de alta qualidade, especialmente em um contexto de possíveis mudanças nos mercados internacionais.

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



