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Avicultura do Paraná sofre com desequilíbrio entre custos e remuneração

Levantamento do Sistema Faep mostra que, mesmo com a liderança nacional em abates, a maioria dos produtores opera abaixo dos custos, acumulando prejuízos e enfrentando dificuldades para manter e modernizar os aviários.

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O Paraná é uma superpotência nacional na produção de frangos de corte. Os números falam por si: o Estado responde por um terço dos abates do país, produzindo quase 2,3 bilhões de cabeças em 2024, movimentando cifras da ordem de R$ 31 bilhões. Toda essa pujança do setor, no entanto, não tem chegado aos produtores rurais. As receitas dos avicultores mal cobrem os custos diretos, o que representa um risco para a atividade em médio e longo prazos.

Confira todas as planilhas do levantamento de custos de produção da avicultura

É o que aponta o levantamento de custos de produção elaborado pelo Sistema Faep. O estudo é elaborado seguindo a metodologia própria e embasado por dados fornecidos por avicultores de todas as regiões do Estado. Os produtores foram ouvidos em painéis realizados em cada uma das 14 Comissão de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs) do Paraná, abrangendo os polos produtivos do Estado. Os resultados representam as médias por tamanhos de modais e classificação do frango, pesado ou griller, conforme o cenário das integrações.

Segundo os técnicos Caroline da Costa e Fábio Mezzadri, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, os dados “revelam um cenário preocupante para a sustentabilidade da atividade”. Segundo o relatório, em praticamente todas as integrações, ALERTA as receitas obtidas pelos avicultores com a entrega das aves e com a venda de cama de aviário cobriram apenas os custos variáveis – ou seja, os desembolsos para produzir o lote de frangos.

O levantamento revelou que os produtores rurais ficaram no vermelho no que diz respeito ao custo fixo (que leva em conta as depreciações de máquinas, equipamentos e instalações) e o custo total (que se consolida como um índice de longo prazo para a atividade). Isso implica em saldos negativos anuais para cada produtor, que variam entre R$ 89 mil e R$ 217 mil, o que compromete a depreciação de instalações e a capacidade de investimento. “Ano após ano, as condições dos produtores estão se complicando, com a atividade ficando mais no vermelho”, diz o presidente da Comissão Técnica de Avicultura do Sistema Faep, Diener Santana. “Os reajustes que os produtores estão recebendo não acompanham os custos de produção, que têm aumentado acima. Isso agrava o vermelho”, acrescenta.

Ainda, o DTE do Sistema Faep estabelece uma comparação com os resultados de 2024. Segundo os técnicos, ao longo de um ano, houve um aumento nos custos variáveis, que oscilou entre 5% e 15%, conforme a região. O que mais pesou foram os valores da mão de obra, dos custos de manutenção e da energia elétrica. “Esses fatores [de aumento] são influenciados pela inflação, demandas regulatórias e exigências de bem-estar animal”, destaca Caroline, do DTE. “Esta realidade ameaça a viabilidade da cadeia produtiva paranaense, um dos pilares do agronegócio brasileiro, com potencial impacto em empregos rurais, suprimento de insumos e exportações”, complementa Mezzadri.

O presidente da CT de Avicultura ressalta uma distinção dentro da atividade. Os aviários mais novos, em regra, recebem adicionais. Os galpões mais antigos, no entanto, não ganham qualquer complementação. “Os modais novos têm incentivo para que o produtor se viabilize. Os mais antigos não têm. É só a remuneração seca”, aponta Santana.

Há oito anos na atividade, o avicultor Luís Guilherme Geraldo mantém quatro galpões, alojando 160 mil aves, em Jaguapitã, no Norte do Paraná. Além dele, o pai e dois colaboradores atuam diretamente na produção de frangos de corte, na propriedade. “Realmente, a avicultura está em bom momento, principalmente no mercado de exposições. Mas o lucro fica todo na integração”, ressalta.

Ao longo do ano, por meio de negociações na Cadec, os produtores conseguiram reajustes de 7,5%, que minimizaram os prejuízos acumulados em anos anteriores. Geraldo pretende ampliar a produção para diluir os custos, mas sabe dos riscos implicados na operação. “Apesar dos cenários econômico e político desafiadores, o produtor continua investindo. Esperamos que a avicultura siga em alta. O frango brasileiro é bem-visto no mercado internacional por nossas boas práticas sanitárias. Continuamos realizando diversos estudos para auxiliar nossos produtores rurais”, afirma o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nosso papel é dar esse suporte aos avicultores nas negociações de preços e custos junto às empresas integradoras em reuniões das Cadecs”, complementa.

Empresas cobram investimentos de produtores, mas remuneração é insuficiente

Um agravante à condição dos avicultores integrados envolve as exigências das empresas em relação a investimentos constantes nos aviários. Segundo os produtores rurais ouvidos pela reportagem do Boletim Informativo, as integradoras têm demandado atualizações constantes nos aviários, principalmente no que diz respeito a automação dos galpões e a aspectos sanitários. O valor pago aos produtores, no entanto, inviabiliza tais investimentos, pressionando cada vez mais os avicultores. “Há uma pressão enorme por investimentos e melhorias nos aviários justamente para proporcionar lucros à integradora e manter a excelência do padrão sanitário na criação das aves”, diz o produtor Maurício Gonçalves Pereira. “Temos que investir somas significativas para manter a ótima qualidade dos frangos, o que proporciona um primor sanitário e a conquista do produto em países que bem remuneram a carne de frango, mas não somos remunerados na mesma medida”, acrescenta.

Os aviários na propriedade de Pereira têm 11 anos, em São Tomé, município vizinho a Cianorte, Noroeste do Paraná. Apesar de ter feito inúmeras melhorias, ainda há uma série de investimentos que precisa ser feita. “Em um dos fornos, preciso substituir o sistema de aquecimento e nos outros é necessária a substituição das cortinas para a melhoria na circulação. Fora isso, constantes são os gastos com a manutenção da estrutura dos aviários”, aponta o avicultor. “Dada a necessidade incessante de investimentos, esta manutenção tem sido um problema sério para o produtor, visto que a remuneração não tem sido suficiente para que façamos todos os desembolsos necessários e exigidos pela integradora”, aponta.

Avicultor há 12 anos, Pereira mantém dois aviários com capacidade global de alojar 65 mil aves. Ele detalha que a renda dos produtores está diretamente relacionada à questão estrutural e às exigências das integradoras. Ele está prestes a fazer novos investimentos. “Preciso investir mais no aumento da capacidade de geração de energia fotovoltaica, já que a produção atual está sendo insuficiente. O valor da energia elétrica oscila e isto impacta diretamente no custo de produção”, diz.

Outro produtor, Eliandro Vegian Carneiro, também aponta que as instalações são determinantes para a equalização da atividade. Ele administra uma propriedade localizada em Éneas Marques, no Sudoeste do Paraná, em que mantém um aviário com capacidade para alojar 27 mil aves. Ele avalia os riscos que os elevados custos e necessidades constantes de investimentos implicam ao setor. “Tem que buscar por tecnologia e formas de reduzir os custos entre os lotes para poder se manter na atividade. É ‘bruto’ investir aproximadamente R$ 1,5 milhão em um barracão e saber que terá essa dívida por longos dez anos ou mais”, aponta Carneiro. “Em aviários mais novos, com mais tecnologia ou onde se tem mais de um aviário, consegue equilibrar, mas os custos de manutenção subiram muito”, diz.

De acordo com Luiz Guilherme Geraldo, quem tem estrutura mais defasada passa a ser pressionado a modernizar os galpões, mesmo que a remuneração não permita novos investimentos. “Os donos de aviários mais novos recebem um incentivo para estar sempre melhorando os galpões. Mas quando se trata de um aviário mais antigo, o produtor é cobrado a investir um dinheiro que não tem. Só se fizer essa modernização é que vai receber algum incentivo”, afirma. “Desejamos a melhoria das condições de remuneração para que possamos nos manter vivos e ativos na produção”, diz Pereira. “O próximo ano é uma incógnita. Com os juros altos em ano de eleição, não vejo uma melhora a curto prazo”, conclui Carneiro.

Fonte: Assessoria Sistema Faep

Avicultura

Ceará amplia protagonismo na avicultura com produção em mais de 60 municípios

Segundo maior produtor de frangos e ovos do Nordeste, estado combina expansão da atividade, geração de empregos e ganhos logísticos com a aproximação da fronteira agrícola do Matopiba.

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Fotos: Divulgação/Aceav

A avicultura cearense figura como uma das principais cadeias de proteína animal do Nordeste e vem ampliando sua relevância apoiada em um parque produtivo distribuído por mais de 60 municípios, forte produção de ovos e frangos e investimentos em genética avícola. O setor gera cerca de 15 mil empregos diretos e outros 60 mil indiretos, ocupando a segunda posição regional tanto na produção de ovos quanto de carne de frango e entre os dez maiores produtores do país nos dois segmentos.

Em 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Ceará respondeu por 4,62% do alojamento de pintainhos do Brasil, desempenho que contribuiu para que o Nordeste representasse 15,95% do total nacional. O estado também registrou participação nas exportações brasileiras de material genético avícola, com 257 toneladas embarcadas, equivalentes a 1,42% do volume exportado pelo país.

Na produção comercial, o setor mantém cerca de 13,2 milhões de aves alojadas para postura, responsáveis por aproximadamente 8,2 milhões de ovos por dia. Na avicultura de corte, são outros 14,5 milhões de aves alojadas e uma produção semanal de 6,25 milhões de quilos de carne. Além disso, o Ceará possui cerca de 800 mil matrizes voltadas à produção de material genético avícola.

Para o presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav), João Jorge Reis, o desempenho reflete uma combinação de experiência produtiva e busca permanente por eficiência. “Temos uma vontade muito grande de crescer, de aperfeiçoar os processos e de melhorar a nossa produção”, afirma.

Dependência de grãos

Apesar dos indicadores positivos, a disponibilidade de insumos sempre figurou entre os principais desafios para a atividade. O consumo mensal da avicultura cearense alcança cerca de 62 mil toneladas de milho e 28 mil toneladas de soja, entre grão e farelo, volumes superiores à capacidade de produção agrícola local.

De acordo com Reis, esse cenário começou a mudar com a expansão do Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que ampliou de forma expressiva a oferta regional de grãos. “O Matopiba vem crescendo muito na produção dos grãos, que são os insumos mais importantes para a avicultura, reduzindo uma limitação histórica da cadeia”, enfatiza, destacando: “Os grãos já foram um grande gargalo que a gente tinha que trazer inclusive até de outros países, como a Argentina, e buscava em outros estados como Goiás e Mato Grosso”.

Ele acrescenta que a proximidade da nova fronteira agrícola modificou a logística de abastecimento. “Hoje estamos sendo bem abastecidos, com a expansão da fronteira agrícola temos acesso facilitado e mais próximo de grãos”, observa.

Segundo Reis, essa mudança também reduziu as distâncias percorridas pelos carregamentos de grãos. “Quando você precisa trazer os insumos de muito longe, o custo aumenta. Há alguns anos os grãos estavam a cerca de 2,5 mil quilômetros; hoje estão a aproximadamente mil quilômetros”, explica.

Ainda assim, ele avalia que a dependência externa deve permanecer no longo prazo. “Não vejo, em um horizonte curto, o Ceará produzir grãos em grande escala por conta da escassez hídrica. Vamos continuar dependendo da produção dos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins”, salienta.

Mesmo com a aproximação das áreas produtoras do Matopiba, a logística continua exercendo influência significativa sobre os custos da produção animal. Segundo o presidente da Aceav, despesas com frete e transporte elevam em aproximadamente 25% o custo dos grãos utilizados na formulação das rações. Como milho e farelo representam apenas parte da estrutura de custos, esse impacto corresponde a um aumento estimado de cerca de 10% no custo final de produção de aves e suínos.

Ele ressalta que essa diferença varia conforme a localização de cada polo produtivo e sua proximidade das regiões fornecedoras de insumos.

Produção diversificada e tradição no setor

Médico-veterinário há 50 anos, Reis atua na avicultura desde o início da carreira e há mais de três décadas conduz seus próprios empreendimentos no município de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Em sua granja são produzidos cerca de 300 mil ovos por dia. Paralelamente, mantém uma operação de suinocultura com 700 matrizes, realizando todas as etapas do ciclo produtivo até a comercialização dos animais para abate.

Para ele, o desenvolvimento da avicultura acompanha um movimento mais amplo observado no estado. “O Ceará tem um dinamismo na produção de proteína animal, com uma avicultura bem desenvolvida e com crescimento nas cadeias de suínos e bovinos”, relata.

Entraves sanitários e estrutura industrial limitam expansão

Médico-veterinário e presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav), João Jorge Reis: “O espírito empreendedor e a resiliência do empresário cearense foram fundamentais para construir uma avicultura competitiva mesmo convivendo com tantos gargalos”

Embora o cenário para a avicultura cearense tenha melhorado nos últimos anos, o setor ainda convive com obstáculos relacionados à infraestrutura e ao ambiente regulatório. Um dos avanços recentes ocorreu em agosto de 2025, quando o Ministério da Agricultura e Pecuária autorizou a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) a ampliar sua atuação no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), passando também a certificar carnes e derivados destinados ao comércio interestadual.

A medida representa um passo importante para a indústria local, já que o Sisbi-POA harmoniza os procedimentos de inspeção sanitária e permite que produtos certificados atendam aos mesmos padrões exigidos em todo o território nacional.

Na avaliação do presidente da Aceav, outras limitações históricas também vêm sendo gradualmente superadas. A disponibilidade de água, por exemplo, deixou de representar o entrave que já foi no passado. Apesar disso, a estrutura de processamento ainda é considerada insuficiente. Segundo Reis, o número reduzido de abatedouros no estado restringe o potencial de crescimento da cadeia produtiva, principalmente em razão do elevado custo para implantação de novas plantas industriais. “A construção de novos abatedouros é muito cara, então é preciso que haja mais investimentos nesse sentido”, menciona.

Mesmo diante desses desafios, o dirigente avalia que o Ceará reúne características capazes de atrair novos empreendimentos para a avicultura. O estado combina um mercado consumidor expressivo com um setor produtivo estabilizado, o que, em sua visão, exige decisões de investimento pautadas por planejamento e sustentabilidade econômica. “O setor está muito equilibrado em termos de produção e consumo, então é preciso ter os pés no chão para investir. Mas tenha certeza de que empresas grandes já estão de olho na região, visto que o Ceará é um grande centro de consumo”, afirma.

Outro fator apontado pelo dirigente como limitador ao desenvolvimento agropecuário regional é a permanência do Ceará na zona não livre de Peste Suína Clássica (PSC). O estado segue sob monitoramento sanitário e executa ações de controle e erradicação da enfermidade para buscar o reconhecimento como área livre.

Na avaliação de Reis, os reflexos ultrapassam a cadeia suinícola e afetam a percepção sobre o ambiente de investimentos em proteínas animais. “Por ser um estado que ainda não é livre da PSC, o registro dessa enfermidade nos suínos impede muito o crescimento de todas as outras proteínas”, avalia.

Por outro lado, o Ceará conquistou em 2025 um importante reconhecimento sanitário ao ser certificado internacionalmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação, resultado considerado estratégico para fortalecer a imagem do estado perante investidores e mercados. “Logicamente, quando se investe em um setor pensamos no mercado externo. Esses gargalos vêm sendo superados para que a gente possa crescer”, destaca.

Núcleo genético coloca Ceará em posição estratégica

Além dos indicadores de produção, o Ceará desempenha um papel singular na cadeia avícola brasileira ao sediar a única granja de avós e bisavós das regiões Norte e Nordeste. O núcleo genético abriga aves que dão origem às matrizes utilizadas na produção comercial e funciona como um importante elo do sistema nacional de melhoramento genético.

Segundo Reis, a localização isolada da unidade reforça sua importância para a segurança da cadeia produtiva. “Ela não é estratégica apenas para nossa região. Quem trabalha com genética precisa oferecer segurança ao mercado. Se houver algum problema em polos produtores como Minas Gerais ou São Paulo, o Ceará pode fornecer matrizes avós porque possui uma granja isolada. Isso faz dela um componente importante para a segurança da cadeia avícola nacional”, enaltece.

O dirigente afirma que o setor continua buscando oportunidades de expansão, sempre condicionado à evolução da demanda e à viabilidade econômica dos investimentos.

Cinco décadas de transformação tecnológica

Ao completar 50 anos de atuação como médico-veterinário e mais de três décadas como empresário do setor, João acompanhou uma profunda mudança na forma de produzir aves no estado. Segundo ele, a atividade deixou para trás um modelo predominantemente rudimentar para incorporar automação, melhorias de ambiência, aperfeiçoamento do manejo, ferramentas de prevenção de doenças e práticas voltadas ao bem-estar animal. “Hoje acredito que a avicultura cearense produz em nível equivalente ao de qualquer grande polo do país”, afirma.

Esse processo também foi acompanhado pelo fortalecimento das medidas de biosseguridade. Conforme o presidente da Aceav, as granjas adotam protocolos destinados a reduzir riscos sanitários e impedir a introdução de agentes patogênicos nos plantéis.

Escassez de trabalhadores estimula adoção de tecnologia

A dificuldade para contratar mão de obra aparece entre as principais preocupações dos produtores. De acordo com o médico-veterinário, empresas do setor enfrentam obstáculos para preencher vagas mesmo oferecendo remuneração competitiva. “Existe atualmente uma escassez imensa de mão de obra. As empresas procuram, oferecem bons salários, mas há um déficit muito grande de trabalhadores. Esse é um problema em diversas atividades econômicas”, expõe.

Na avaliação do dirigente, diferentes fatores contribuem para esse cenário. Entre eles, Reis cita mudanças no mercado de trabalho e faz críticas às políticas de assistência social do governo federal, sustentando que parte dos beneficiários evita empregos formais para preservar o acesso aos programas sociais. Diante desse quadro, a adoção de tecnologias e de processos automatizados vem sendo utilizada como alternativa para reduzir a dependência de mão de obra.

Consumo interno impulsiona novos investimentos

O crescimento do consumo de proteínas avícolas também sustenta as perspectivas do setor. Reis destaca que o ovo ganhou espaço na alimentação dos brasileiros por reunir qualidade nutricional, preço competitivo e versatilidade. “O ovo é um produto saudável, uma proteína de boa qualidade, nutritiva e acessível. Isso alavancou o consumo e acredito que ainda existe espaço para crescer”, reforça.

Na carne de frango, ele relaciona a demanda ao interesse crescente dos consumidores por proteínas magras e de menor custo. Com consumo superior a 46 quilos por habitante ao ano no Brasil, o segmento desperta atenção de empresas interessadas em ampliar sua participação no mercado nordestino.

Energia e logística acompanham necessidades atuais

O presidente da Aceav considera que o fornecimento de energia elétrica atende às demandas atuais da cadeia produtiva, embora ressalte que a expansão deve ocorrer de forma planejada. No Ceará, a matriz elétrica é predominantemente baseada em fontes renováveis, especialmente energia eólica e solar.

Na área logística, o dirigente acredita que a conclusão da Ferrovia Transnordestina poderá reduzir a dependência do transporte rodoviário e aumentar a eficiência no deslocamento de cargas. Ele observa, contudo, que investimentos contínuos na malha viária permanecem necessários para acompanhar o crescimento da atividade.

Resiliência empresarial

Na visão do dirigente, três fatores explicam a evolução da avicultura cearense nas últimas décadas. O primeiro é a capacidade de adaptação dos empresários locais diante dos desafios estruturais enfrentados pelo estado. “O espírito empreendedor e a resiliência do empresário cearense foram fundamentais para construir uma avicultura competitiva mesmo convivendo com tantos gargalos”, evidencia.

O segundo elemento é o tamanho do mercado consumidor regional, que garante demanda para a produção local. Já o terceiro está relacionado à posição geográfica do estado, considerada estratégica para futuras operações de comércio exterior em razão da proximidade com mercados internacionais.

Atuação da Aceav

Nesse contexto, a Aceav mantém atuação concentrada em temas considerados essenciais para a cadeia produtiva, como defesa sanitária, orientação técnica aos produtores, acompanhamento das mudanças no perfil de consumo, relações trabalhistas e segurança no abastecimento de grãos.

A entidade também incentiva a ampliação da produção de frangos processados em frigoríficos, acompanhando uma tendência de substituição gradual do abate artesanal por sistemas industriais.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Avicultura nordestina ganha escala com expansão em frangos, ovos e genética

Investimentos ampliam a capacidade produtiva da região, enquanto Bahia e Ceará se destacam no avanço da cadeia avícola nacional.

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A avicultura do Nordeste vive um novo ciclo de crescimento impulsionado pela expansão da produção de frangos de corte e pelo aumento da produção de ovos. Embora a região ainda tenha participação modesta no abate nacional de frangos, os investimentos em alojamento de aves indicam uma capacidade produtiva crescente, com destaque para a Bahia, que se consolida como um dos principais polos de desenvolvimento da atividade.

Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que a Bahia alojou 150 milhões de pintinhos de corte em 2025. No mesmo período, a produção estadual de ovos aumentou 16,3%, desempenho que coloca o estado entre os mercados de maior crescimento do país.

Para 2026, a expectativa do setor é de continuidade desse movimento, sustentado pela ampliação dos plantéis, investimentos em integração, modernização das granjas e fortalecimento da cadeia produtiva.

A expansão baiana ocorre em um momento em que a avicultura nordestina amplia sua relevância dentro da produção nacional. Em 2025, a região respondeu por 15,95% de todo o alojamento de pintainhos de corte realizado no Brasil, percentual significativamente superior à sua participação no abate, o que sinaliza aumento da capacidade produtiva instalada.

Pernambuco lidera o alojamento regional, com 7,63% do total nacional, seguido por Ceará, com 4,62%; Bahia, com 1,86%; e Paraíba, com 1,84%.

Abate ainda concentrado no Sul

Apesar da expansão dos investimentos, o abate de frangos permanece concentrado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Em 2025, o Brasil abateu 5,706 bilhões de frangos sob inspeção federal. Desse total, o Nordeste respondeu por 118,4 milhões de aves, equivalentes a 2,08% da produção nacional.

Pernambuco lidera o abate de frangos no Nordeste, com 62,1 milhões de cabeças em 2025, o equivalente a 1,09% da produção brasileira. A Bahia vem na sequência, com 34,8 milhões de aves e participação de 0,61%, enquanto a Paraíba registra 21,5 milhões de cabeças abatidas, respondendo por 0,38% do total nacional. A diferença entre a participação regional no alojamento e no abate evidencia um mercado em fase de expansão, no qual parte dos investimentos recentes ainda está sendo incorporada ao sistema produtivo.

Produção de ovos ganha força

Na postura comercial, a Bahia apresenta um ritmo de crescimento superior à média observada em diversos estados brasileiros. O aumento de 16,3% na produção de ovos em 2025 reflete a expansão do consumo interno, a ampliação das granjas e o fortalecimento da produção destinada ao abastecimento regional.

A evolução da atividade acompanha a diversificação da avicultura nordestina, tradicionalmente mais concentrada na produção de carne de frango.

Ceará se destaca em genética avícola

Além da produção de carne e ovos, o Nordeste também participa da cadeia de genética avícola. Em 2025, o Ceará respondeu sozinho pelas exportações regionais de material genético, embarcando 257 toneladas, volume equivalente a 1,42% das exportações brasileiras desse segmento.

Embora represente uma parcela reduzida do total nacional, o resultado demonstra a presença do estado em uma etapa de maior valor agregado da cadeia avícola, voltada ao fornecimento de material genético para mercados internacionais.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Editorial

A granja adoece antes de parecer doente

Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta.

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Na avicultura, o prejuízo raramente começa no dia em que o problema fica evidente. Antes da mortalidade subir, da conversão alimentar piorar, da produção de ovos cair ou do frigorífico registrar mais condenações, a granja costuma emitir sinais menores. Às vezes estão no consumo de água, na resposta vacinal, na cama, na ambiência, no comportamento das aves, na uniformidade do lote ou em alterações discretas de desempenho. Quem espera o problema aparecer por completo, normalmente já chegou tarde.

Essa lógica é especialmente verdadeira quando se fala em sanidade. Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta. A avicultura intensiva trabalha com alta densidade, ciclos curtos, margens pressionadas e forte dependência de regularidade. Nesse sistema, prevenir não é discurso técnico: é condição econômica.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

A laringotraqueíte infecciosa é um exemplo claro de como a granja pode adoecer antes de parecer doente. A circulação do agente, a movimentação de pessoas, falhas nos protocolos de acesso, risco de disseminação entre propriedades e demora na resposta sanitária podem transformar um problema localizado em ameaça regional. Quando os sinais clínicos ficam evidentes, o vírus pode já ter encontrado caminhos para avançar.

Por isso, biosseguridade não pode ser tratada como checklist de auditoria. Ela precisa ser rotina de produção. Controle de acesso, vazio sanitário, limpeza, desinfecção, qualidade da água, manejo de cama, vacinação, diagnóstico laboratorial, rastreabilidade e treinamento das equipes são partes de uma mesma engrenagem. Nenhum desses pontos funciona isoladamente quando o restante da operação falha.

A avicultura brasileira construiu competitividade porque aprendeu a produzir com método. Mas o método precisa ser atualizado todos os dias, dentro da granja, antes que a planilha mostre a perda. O futuro sanitário da atividade dependerá menos da capacidade de apagar incêndios e mais da disciplina para identificar riscos quando eles ainda parecem pequenos.

A granja avisa. A questão é se a cadeia está preparada para ouvir antes que o problema vire prejuízo.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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