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Avicultura de postura opera com protocolos de biosseguridade defasados, alerta especialista

Modelos adotados há cerca de 20 anos já não acompanham a pressão epidemiológica nem a nova dinâmica da influenza aviária.

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Foto: Shutterstock

A avicultura de postura brasileira enfrenta atualmente um risco sanitário maior do que o previsto quando foram definidos os protocolos de biosseguridade ainda usados na maior parte das granjas. A avaliação é do médico-veterinário, doutor em Epidemiologia de Doenças Infecciosas e auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcelo Motta. Segundo ele, parte relevante das medidas ainda em uso foi estruturada há cerca de duas décadas, em um cenário epidemiológico distinto, com menor pressão de agentes infecciosos e dinâmica mais previsível de circulação de doenças.

O diagnóstico ocorre em um momento de expansão contínua da produção. Em 2025, o Brasil atingiu recorde de 4,95 bilhões de dúzias de ovos, cerca de 59,4 bilhões de unidades, com crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior, segundo o IBGE. Foi o 28º ano consecutivo de alta. Para 2026, a projeção é chegar a 65 bilhões de unidades. O país já figura entre os cinco maiores produtores globais e, pela primeira vez, superou a marca de 1% da produção destinada à exportação, com 40,8 mil toneladas embarcadas.

Médico-veterinário, doutor em Epidemiologia de Doenças Infecciosas e auditor fiscal federal agropecuário do Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcelo Motta: “Parte dos investimentos recentes se concentra em ambiência e bem-estar, com melhorias estruturais dentro dos galpões, sem avanço proporcional nos mecanismos de controle sanitário” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Esse descompasso se torna mais evidente diante das mudanças recentes no comportamento da Influenza aviária, que passou a reunir impacto produtivo, risco à saúde pública e consequências econômicas imediatas. “Os modelos adotados no passado não são mais suficientes para responder ao cenário atual. A biosseguridade deixou de ser um conjunto de medidas internas à propriedade e passou a exigir abordagem sistêmica, com integração entre os elos da cadeia e atenção ao ambiente no entorno das granjas”, ressaltou o especialista.

Nos segmentos de reprodução e corte, a incorporação de protocolos mais robustos ocorreu de forma mais rápida, impulsionada por exigências operacionais e ciclos produtivos mais curtos. Na postura, porém, salienta Motta, a evolução foi mais lenta. “Parte dos investimentos recentes se concentra em ambiência e bem-estar, com melhorias estruturais dentro dos galpões, sem avanço proporcional nos mecanismos de controle sanitário. O resultado é um sistema mais exposto em um momento de aumento da pressão epidemiológica”, reforça.

Simulações conduzidas com participação do Serviço Veterinário Oficial (SVO) e de profissionais do setor reforçaram esse diagnóstico. De acordo com o especialista, os exercícios evidenciaram fragilidades tanto na prevenção quanto na resposta a emergências, com destaque para a facilidade de entrada de agentes infecciosos e a dificuldade de execução de medidas em tempo adequado. “Observamos limitações na implementação das ações e na recuperação da normalidade produtiva em curto prazo”, afirma Motta.

Impacto além das granjas

Até 24 de março, o Brasil havia registrado 188 focos de influenza aviária, sendo um em produção comercial, 14 em aves não comerciais e 173 em aves silvestres. O único caso em granja comercial, registrado em 2025, resultou em embargos temporários de mais de 30 mercados importadores, com impacto direto sobre as exportações de carne de frango.

Foto: Gilson Abreu/AEN

Conforme Motta, a doença tem funcionado como um teste de estresse para o sistema sanitário. “Quando da ocorrência em produção comercial, mais de 30 mercados, entre eles China e União Europeia, suspenderam importações, o que amplia o impacto para além da granja afetada. Para mitigar esses efeitos, o Brasil avançou na aplicação de estratégias de regionalização sanitária, restringindo embargos a áreas delimitadas conforme o risco”, pontua.

Em situações recentes, essas delimitações variaram de bloqueios estaduais a recortes mais específicos, como municípios ou zonas de até 20 quilômetros ao redor do foco. Esse modelo, no entanto, depende de alto nível de coordenação entre setor produtivo e Serviço Veterinário Oficial, além de protocolos consistentes dentro das propriedades. Quando esses elementos não estão alinhados, a capacidade de contenção diminui e o impacto econômico tende a se ampliar.

Comportamento epidemiológico do vírus

Paralelamente, o comportamento epidemiológico da Influenza aviária mudou. A doença deixou de estar associada predominantemente às rotas de aves migratórias e passou a apresentar maior capilaridade territorial. Casos recentes indicam participação crescente de espécies da fauna local e até de aves domésticas na dinâmica de transmissão. “Antes, a circulação estava muito ligada às aves migratórias. Agora, observamos também a participação de outras espécies, o que amplia de forma significativa o risco”, ressalta Motta.

No início de 2026, o cenário se agravou na América do Sul, com novos focos confirmados em países vizinhos, como Argentina e Uruguai. Organizações internacionais como a OMS e a FAO também registraram aumento da circulação do vírus em outras regiões, incluindo Ásia, com ocorrências em países como Japão, Coreia do Sul e Índia.

Essa mudança altera a lógica de prevenção. O risco deixa de ser sazonal e geograficamente concentrado e passa a ter caráter mais difuso, com maior probabilidade de alcançar granjas comerciais. Segundo Motta, a interiorização da circulação viral é um dos pontos de maior preocupação, ao indicar que o agente já não depende exclusivamente de fluxos migratórios para se disseminar.

Falhas operacionais

Nesse contexto, o especialista reforça que falhas operacionais ganham peso. O trânsito de pessoas, o transporte de ração, o compartilhamento de equipamentos e a atuação de equipes técnicas entre propriedades passam a funcionar como vetores indiretos. “O vírus não entra apenas pelas vias tradicionais. Ele explora falhas no manejo diário”, evidencia, enfatizando que, em sistemas com alta conectividade entre unidades produtivas, essas falhas se propagam com maior rapidez.

A ausência de uma vacina eficaz em escala produtiva reforça a centralidade da biosseguridade. A variabilidade genética do vírus dificulta o desenvolvimento de imunizantes com cobertura ampla e aplicação segura no campo. “Não existe hoje uma vacina com garantia de proteção efetiva nas condições de produção. Com isso, a prevenção permanece como principal estratégia disponível”, frisa.

Produção heterogênea

Outro fator estrutural que dificulta o controle sanitário é a heterogeneidade da produção. O Brasil reúne sistemas com diferentes níveis tecnológicos e padrões de manejo, muitas vezes sem critérios consolidados de distanciamento entre granjas ou definição de núcleos epidemiológicos. O compartilhamento de recursos, como equipamentos e assistência técnica, amplia a conectividade entre propriedades e reduz a capacidade de isolamento em caso de foco.

Essa interdependência faz com que as unidades produtivas funcionem, na prática, como uma comunidade epidemiológica. A proximidade geográfica e a circulação de insumos e serviços criam um ambiente em que o status sanitário de uma propriedade influencia diretamente o das demais. “O que acontece em uma granja pode impactar outra, porque elas compartilham território e fluxos operacionais”, menciona Motta.

Ambiente externo

Ao mesmo tempo, o ambiente externo passou a desempenhar papel mais relevante na equação sanitária. Áreas com presença de água superficial, como açudes e reservatórios, favorecem a aproximação de aves silvestres, aumentando o risco de contato indireto com agentes infecciosos. A interação entre produção e meio ambiente, antes tratada como fator secundário, passa a ser componente central da biosseguridade.

Eventos climáticos extremos reforçam essa mudança. Episódios recentes no Rio Grande do Sul, com enchentes e alterações no território, demonstraram como fatores ambientais podem desestruturar sistemas produtivos e facilitar a entrada de patógenos, inclusive em propriedades com protocolos estabelecidos.

Apesar desse cenário, parte das medidas de biosseguridade necessárias já são conhecidas e aplicadas pelo setor. Ajustes estruturais, controle de fluxos e organização territorial são temas recorrentes há décadas, mas ainda não foram adotados de forma homogênea. “São medidas simples do ponto de vista técnico, mas que ainda enfrentam dificuldades de implementação”, afirma Motta, ressaltando para a urgência da adequação destas medidas ao novo nível de risco. “A expansão da Influenza aviária na região reduz a margem para respostas reativas e aumenta a necessidade de ação coordenada. Neste cenário, a biosseguridade deixa de ser apenas operacional e passa a ocupar posição estratégica na sustentabilidade da produção. Por isso, a resposta precisa ser conjunta e consistente, uma vez que o nível de risco mudou e o sistema precisa acompanhar essa mudança”.

Á edição também está disponível na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura

Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

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A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

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A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock

A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.

A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.

Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock

que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.

Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura No Noroeste do Estado

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência

Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

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Foto: Divulgação/Ilustração

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação

A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.

De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.

A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.

Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi

A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.

A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

São Paulo confirma caso de gripe aviária em ave silvestre

Diagnóstico foi feito em ave resgatada em área urbana de Guaíra. Defesa Agropecuária iniciou investigação epidemiológica e reforçou medidas sanitárias.

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Pato irerê - Imagem criada por Emili Schneider/ChatGPT/OP Rural

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) de 2026. A confirmação foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP) após análise de amostras coletadas de uma irerê (Dendrocygna viduata), ave silvestre resgatada em uma área urbana e encaminhada ao zoológico de Guaíra, no Departamento Regional de Barretos.

O material foi coletado pela Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), no dia 8 de julho. A IAAP é uma forma grave da gripe aviária, que pode provocar elevada mortalidade entre as aves.

Após a confirmação do diagnóstico, a Defesa Agropecuária adotou uma série de medidas sanitárias. O trânsito de animais no zoológico de Guaíra foi interditado, e teve início uma investigação epidemiológica para avaliar possíveis riscos de disseminação do vírus.

A vigilância também foi intensificada em três granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco. Segundo a Secretaria da Agricultura, duas dessas propriedades estão em período de vazio sanitário e não possuem aves alojadas. Além do monitoramento, equipes técnicas prestaram orientações aos responsáveis pelas granjas.

As autoridades reforçam que o consumo de carne de aves e ovos não transmite a gripe aviária. A recomendação é que a população não manipule aves doentes ou encontradas mortas e comunique imediatamente qualquer suspeita à Defesa Agropecuária. Caso seja necessário o contato com esses animais, o procedimento deve ser realizado apenas com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que acompanha o caso em conjunto com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A pasta também monitora as pessoas envolvidas na ocorrência.

De acordo com a SES, São Paulo não registrou casos de gripe aviária em humanos até o momento. A secretaria destaca que a infecção em pessoas ocorre, principalmente, por meio do contato direto com aves infectadas.

Para orientar a resposta a esse tipo de ocorrência, o estado mantém um Plano de Contingência para Influenza Aviária em Humanos, elaborado em 2023 e atualizado em 2025 pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).

Fonte: O Presente Rural
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