Avicultura
Avicultura brasileira mantém crescimento mesmo em cenário de juros altos e desafios fiscais
Produtividade, tecnologia e demanda crescente sustentam o avanço da avicultura brasileira, que mantém crescimento sólido apesar de juros altos e desafios fiscais.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tem mostrado um desempenho acima das expectativas do mercado nos últimos anos, surpreendendo analistas e investidores. Entre 2018 e 2023, o crescimento efetivo do PIB superou sistematicamente as projeções iniciais do Boletim Focus, evidenciando uma economia mais resiliente do que se imaginava, especialmente diante de um cenário político e fiscal desafiador.
Segundo o doutor em Economia Bruno Martins, fatores estruturais como a reforma trabalhista, a agenda de concessões e privatizações, a independência do Banco Central e os ganhos de produtividade no setor agropecuário contribuíram para sustentar o crescimento. “A digitalização também tem sido um motor importante, aumentando eficiência e reduzindo custos em diversos segmentos da economia”, afirmou durante sua participação no Avicultor Mais 2025 – Frangos, Ovos & Peixes, realizado em meados de junho, em Belo Horizonte (MG).
Além das bases estruturais, fatores conjunturais, como a expansão fiscal, a resiliência do crédito e o efeito de retenção, ajudaram a impulsionar o crescimento recente. No entanto, o aperto monetário já é sentido, principalmente nos setores mais cíclicos da economia, como varejo e serviços, que sofrem maior sensibilidade às taxas de juros.
Enquanto os setores cíclicos devem crescer 1,4% em 2025, com expectativa de desaceleração para 0,7% em 2026, os setores não-cíclicos, incluindo agropecuária, tecnologia, extrativa e serviços financeiros, mantêm crescimento robusto e estável, com projeções de 2,6% para 2025 e 2,7% para 2026. “Mesmo com a desaceleração em segmentos mais vulneráveis, a economia brasileira conta com pilares sólidos que sustentam seu desempenho”, observou Bruno.
Avicultura apresenta crescimento consistente

Doutor em Economia, Bruno Martins: “A avicultura é um dos segmentos que mais contribuem para a estabilidade econômica do país, oferecendo empregos e gerando receita, mesmo em um cenário de juros elevados e ajustes fiscais” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Essa resiliência se reflete diretamente na avicultura, setor não-cíclico da agropecuária que mantém trajetória consistente de crescimento, impulsionado tanto pela demanda interna quanto pelas exportações.
A produção de ovos deve alcançar 62 bilhões de unidades em 2025, alta de 7,5% em relação a 2024, com nova expansão prevista para 65 bilhões em 2026. As exportações acompanham esse avanço, devendo atingir 40 mil toneladas em 2025, alta de 116,6%, e chegar a 45 mil toneladas em 2026. No mercado doméstico, o consumo segue em ascensão e deve colocar o Brasil, pela primeira vez, entre os dez maiores consumidores mundiais, com 288 ovos per capita em 2025 e 306 em 2026, consolidando o produto como uma das principais fontes de proteína na mesa do brasileiro.
Na carne de frango, a produção nacional deve atingir 15,4 milhões de toneladas este ano, aumento de 3%, e 15,7 milhões em 2026, avançando 2%. O mercado interno vai continuar aquecido, com disponibilidade de 10,2 milhões de toneladas em 2025, sustentando um consumo per capita de 47,8 kg. “A avicultura é um dos segmentos que mais contribuem para a estabilidade econômica do país, oferecendo empregos e gerando receita, mesmo em um cenário de juros elevados e ajustes fiscais”, destacou Martins, ressaltando que a produtividade do setor e a adoção de tecnologia são fundamentais para manter essa trajetória ascendente.
Riscos fiscais
O economista também alertou para riscos fiscais que pressionam o cenário macroeconômico. “O aumento da dívida pública, aliado à desancoragem das expectativas sobre investimentos no país, mantém as taxas de juros em patamar muito elevado. O Banco Central precisará manter uma política monetária restritiva por bastante tempo”, avaliou.
Segundo Martins, o déficit nominal deve se aprofundar, atingindo -8,9% do PIB em 2025 e -8,6% em 2026, impulsionado pelo custo do serviço da dívida e pelo resultado fiscal menos favorável. “O aumento das despesas públicas e a dificuldade em alcançar superávits consistentes têm elevado a trajetória da dívida, que poderá atingir 83% do PIB até 2026. A situação se agrava com a expectativa de novos estímulos fiscais, como liberação de recursos do FGTS e expansão de programas sociais, que podem pressionar ainda mais as contas públicas”, relatou.
Mercado de trabalho
Apesar disso, o mercado de trabalho tem demonstrado resiliência, mantendo a criação de empregos e o crescimento da massa salarial. Reformas estruturais, transferências sociais e a expansão do comércio eletrônico ajudaram a reduzir o desemprego e fortalecer o consumo. “O emprego continua sendo um pilar importante para sustentar a economia, mesmo diante da desaceleração de alguns setores”, destacou Martins.
Eleições
O contexto político e as eleições futuras também influenciam o mercado. A queda na popularidade do governo tem motivado medidas de estímulo, como o programa Gás para Todos e isenção de IPI, antecipando os impactos da dinâmica política sobre a economia.
Cenário externo
No cenário externo, o Brasil se beneficia de um ambiente global favorável, com inflação mais baixa nos Estados Unidos e início de cortes nas taxas de juros, favorecendo o fluxo de capitais para mercados emergentes. “Esse contexto internacional mais positivo oferece oportunidades para que o Brasil se beneficie do aumento dos investimentos estrangeiros e fortaleça sua posição no cenário mundial”, exalta Martins, reforçando que o setor avícola continua sendo um pilar de estabilidade, capaz de amortecer os efeitos de flutuações econômicas mais amplas e de contribuir para a balança comercial do país.
A versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura
Produção brasileira de ovos para consumo desacelera no terceiro trimestre
Levantamento do IBGE e Cepea indica leve queda trimestral na oferta porém aponta recorde histórico no acumulado de 2025 com impacto direto nos preços pagos ao produtor.

Dados do IBGE analisados pelo Cepea mostram que, entre julho e setembro, foram produzidas 1,02 bilhão de dúzias de ovos para consumo, queda de 1,4% frente ao trimestre anterior, mas alta de 2,5% na comparação com igual intervalo de 2024.
No acumulado do ano, a produção nacional soma 3,04 bilhões de dúzias, volume recorde para o período de toda a série histórica do Instituto, iniciada em 2012. Assim, pesquisadores do Cepea explicam que, mesmo com a leve retração na quantidade produzida, os valores dos ovos seguiram enfraquecidos ao longo do terceiro trimestre.
De acordo com levantamentos do Centro de Pesquisas, entre julho e setembro, a média dos ovos brancos tipo extra, a retirar (FOB) em Bastos (SP), foi de R$ 149,15/caixa com 30 dúzias, queda de 14% em termos reais (dados deflacionados pelo IGP-DI de nov/25), em relação ao trimestre anterior.
Para os ovos vermelhos, houve desvalorização real de 16% em igual comparativo, à média de R$ 164,45/cx na região paulista.
Avicultura Do surto ao recall
Lições que a agroindústria não pode ignorar
Especialistas alertam que o avanço de contaminações no Brasil e no exterior exige vigilância contínua, tecnologia de ponta e gestão rigorosa para evitar crises sanitárias e prejuízos às empresas.

A segurança alimentar voltou ao centro das atenções diante da escalada de surtos e contaminações que desafiam a indústria de alimentos no Brasil e no mundo. A mensagem foi reforçada pela bióloga Marina Gumiere, doutora em Microbiologia Agrícola, durante o 11º Encontro Avícola Empresarial Unifrango, realizado em julho na cidade de Maringá (PR).
Segundo a especialista, só um monitoramento contínuo e políticas rígidas de controle de qualidade conseguem prevenir riscos e proteger tanto a saúde pública quanto a reputação das marcas. “Os riscos invisíveis da indústria alimentícia exigem mais que protocolos básicos, pedem vigilância constante, ferramentas modernas e uma cultura de prevenção. Prevenir surtos é sempre mais eficiente, e menos custoso, do que lidar com as consequências de uma crise sanitária”, frisou.
Entre 2013 e 2022, o Brasil registrou uma média anual de 6,6 mil surtos alimentares. Casos recentes de enterovírus e contaminações por E. coli e Salmonella em praias de São Paulo evidenciam a persistência do problema. Em 2024, episódios semelhantes atingiram Estados Unidos, Vietnã, Rússia e Arábia Saudita, com foco em carnes, saladas prontas e alimentos processados, um alerta de que a vulnerabilidade é mundial. “As consequências de um recall são amplas. Além de altos custos financeiros, que envolvem recolhimento, processos judiciais e investimentos em recuperação, as empresas sofrem desgaste da reputação, com perda da confiança do consumidor e questionamentos de investidores. Há ainda a pressão legal, com disputas e ações judiciais que prolongam os impactos da crise”, enumerou Marina.
Casos que marcaram a indústria

Bióloga Marina Gumiere, doutora em Microbiologia Agrícola: O Plano de Monitoramento Ambiental (PMA) é fundamental para identificar fontes de contaminação, mapear áreas críticas e apontar falhas de higiene nas plantas industriais” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Marina lembrou de episódios que se tornaram referência em segurança alimentar e que servem de alerta para toda a cadeia produtiva. Em 2010, nos Estados Unidos, mais de 500 milhões de ovos foram recolhidos após 2,5 mil casos de salmonelose, com custos superiores a US$ 100 milhões. Em 2007, a contaminação de manteiga de amendoim gerou impacto estimado em US$ 1 bilhão, atingindo não apenas o produtor, mas também a extensa cadeia de produtos que utilizava o ingrediente.
A rede de hambúrgueres que enfrentou surtos de E. coli em 2004 e novamente em 2024 sofreu queda de 10% no valor de suas ações, perda de vendas e precisou investir mais de US$ 100 milhões em medidas corretivas e marketing para tentar recuperar a imagem.
Ferramentas para prevenir
Para reduzir riscos, Marina defende o uso de estratégias que envolvem diferentes frentes de controle. “O Plano de Monitoramento Ambiental (PMA) é fundamental para identificar fontes de contaminação, mapear áreas críticas e apontar falhas de higiene nas plantas industriais”, destacou.
Ela ressaltou ainda a importância do zoneamento de risco, que classifica os ambientes da fábrica em quatro níveis, permitindo direcionar o monitoramento para microrganismos adequados a cada área. “Sem um bom zoneamento, se perde eficiência no controle, porque não se mede o que realmente importa em cada ponto da planta”, afirmou.
Outro ponto crítico são os biofilmes, estruturas resistentes formadas por comunidades microbianas que podem abrigar agentes como Listeria e Salmonella. “Eles criam uma barreira protetora que dificulta a ação dos sanitizantes e, muitas vezes, só podem ser eliminados com ação mecânica”, alertou a especialista.
Soluções avançadas de investigação
A evolução tecnológica também oferece novas ferramentas para que a indústria alimentícia enfrente riscos invisíveis com mais precisão. Marina destacou o papel do sequenciamento de nova geração (NGS) e do sequenciamento completo do genoma (WGS), técnicas que permitem identificar microrganismos que não crescem em meios tradicionais e rastrear a origem de surtos. “O WGS consegue diferenciar sorotipos e apontar se a mesma cepa está presente em diferentes pontos da planta. É uma ferramenta poderosa de rastreamento e prevenção”, afirmou, destacando que essas técnicas também permitem identificar genes de resistência a sanitizantes e antibióticos, além de relacionar características das cepas com as condições sanitárias da planta e avaliar a evolução da resistência microbiana ao longo do tempo.
Outra solução é a metagenômica, capaz de extrair o DNA diretamente da matéria-prima, da água ou de superfícies, sem necessidade de cultivo. “A metagenômica mostra toda a comunidade microbiana presente, sua diversidade, abundância e potenciais riscos. É como acender a luz em um ambiente que antes estava no escuro”, comparou Marina.
A avaliação da eficácia dos desinfetantes utilizados na fábrica também é indispensável, especialmente contra as cepas isoladas da própria planta, e não apenas contra microrganismos indicadores padrão. “É importante testar a eficácia das soluções ao longo do tempo de armazenamento, já que alguns ativos, como o hipoclorito, perdem potência rapidamente”, reforçou.
No campo da gestão, a especialista reforçou a importância de ferramentas modernas de monitoramento, que superam as limitações das planilhas tradicionais. “O Excel ajuda, mas não oferece a visão estratégica. Hoje existem sistemas capazes de mapear zonas de risco, indicar pontos positivos de contaminação, monitorar ativos e desencadear planos de mitigação de forma integrada”, pontuou.
A versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.
Avicultura
Frango congelado mantém estabilidade e mercado segue com pouca volatilidade
Cotações recuaram e avançaram de forma moderada ao longo da semana e acumulam leve valorização de 0,25% no mês, segundo dados do Cepea.

Os preços do frango congelado no Estado de São Paulo seguiram estáveis nesta quarta-feira (10), segundo dados do Cepea/Esalq. A cotação ficou em R$ 8,13/kg, repetindo o valor do dia anterior, sem variação diária (0,00%).
Apesar da pausa no movimento de alta, o produto acumula valorização de 0,25% em dezembro.
Na terça-feira (09), o frango congelado havia avançado 0,49%, saindo de R$ 8,09/kg (08/12) para R$ 8,13/kg. Antes disso, as oscilações foram moderadas: -0,12% em 8 de dezembro e -0,12% no dia 5.
Já no dia 04 de dezembro, o indicador registrou estabilidade em R$ 8,11/kg.
Os números mostram que, mesmo com variações pontuais, o mercado paulista de frango congelado opera com baixa volatilidade neste início de mês.



