Avicultura
Avicultor ainda peca aos 45 do segundo tempo
Pré abate representa 0,8% do tempo total de produção das aves (45 dias), mais ainda é um importante cenário para perdas registradas pela indústria
O avicultor faz tudo certo. Recebe os pintinhos, faz a nutrição adequada, cuida os doentes, retira os mortos, mantém a temperatura, coloca botinhas descartáveis para acessar a granja, mas a indústria avícola ainda tem perdas significativas por erros cometidos no manejo pré jejum, etapa final do processo, que corresponde a menos de 1% do tempo de produção. Para alertar sobre esse risco o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), realizado em Chapecó (SC) no início de abril, organizou a palestra “Manejo pré jejum: perdas e qualidade de carcaças”, com o engenheiro agrônomo Hirá Azevedo Gomes, mestrado em Produção e Nutrição Animal.
De acordo com Gomes, o pré abate representa 0,8% do tempo total de produção das aves (45 dias), mais ainda é um importante cenário para perdas registradas pela indústria, com aves que apresentam hematomas, perda de peso ou contamindas com agentes infecciosos, por exemplo. “Estou há 16 anos focado na gestão avícola. As pessoas precisam compreender a importância da etapa final do processo para atender o cliente com produtos dentro das especificações de qualidade física, química e microbiológica”, frisou.
Para ele, a programação bem azeitada entre produtor e indústria é o ponto inicial de um correto manejo antes do abate. “O manejo de jejum requer uma série de etapas que precisam ser cumpridas. A primeira delas é a programação de abate, que inclui a retirada do alimento, a retirada da água, o carregamento, o transporte e o período de espera no frigorífico”, destacou. “São só algumas horas. O produtor faz tudo certo, mas nas últimas horas pode comprometer todo o processo anterior”, ratificou.
Menos Peso
Conforme Gomes, o pré jejum é resumido em quatro etapas – jejum em galpão, apanha, transporte e espera. Para ele, o tempo de todo esse processo depende de variáveis que precisam ser calculadas de região para região, dependendo de questões como geografia, temperatura, entre outros fatores, mas não pode oscilar muito acima das seis horas. “O período total é indefinido, pois depende de variáveis, mas fato é que depois da sexta hora de jejum inicia o período de estabilidade na redução do conteúdo gastrointestinal. Se espera muito mais que isso, a ave começa a tirar energia de outras reservas e, assim, começa a perder peso de carcaça”, frisa. Ainda segundo o especialista, as perdas podem chegar a quase 1,5% do peso total.
O palestrante defendeu que o período de jejum, a apanha e o transporte geram estresse nas aves, mas a indústria precisa eliminar riscos nessa etapa. “O grande desafio dessa etapa é manter a zona de conforto do animal. O animal responde, por exemplo, muito rápido à variação de temperatura. Muitos podem começar a perder peso, mas também morrer, tanto no calor quanto no frio. No frio, além disso, o frango fica com a carne escura”, destaca.
Qualidade Microbiológica
A qualidade microbiológica é um dos pontos destacados por Hirã como essenciais para a indústria. “Não pode ter fezes nas carcaças em qualquer etapa do abate. Tudo que não é transformado em carne pode contaminar o frango. De seis a oito horas acontece a estabilidade de contaminação. Menos ou mais tempo que isso incrementa a contaminação”, reforça.
Esperando por mais tempo, segundo Gomes, o frango tem incrementado o volume dos cecos, contaminação por bílis, ingesta de cama e proliferação de bactérias no papo e redução de resistência do intestino. “Além disso, o jejum prolongado altera o pH do papo, o que proporciona o crescimento de bactérias, como a salmonella”, alertou.
Qualidade X Pessoas
“É preciso entender que a pessoa (consumidor) que julga todo o processo não compreende o processo. Tem que ter qualidade visual. A ave não pode ter abscessos, arranhões, contusões, fraturas, celulites. Muitos problemas podem ocorrer na apanha, por exemplo. Nesse caso, a gestão de pessoas é ponto-chave. “Temos que reduzir o esforço das pessoas, deixar trabalhar com tranquilidade, mas com técnica. Se deixar o polegar nas costas do frango e empregar a força (natural do polegar), o trabalhador pode provocar lesão na apanha e na pendura da ave quando são colocados para abate. Eu me arrisco a dizer que 90% dos problemas de qualidade visual acontecem no pré-abate”, citou. “É um tema complexo, mas ao mesmo tempo simples e prático”, emendou Gomes.
Mais informações você pode conferir na edição impressa de Aves de junho/julho de 2016 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura
SBSA debate como transformar conhecimento técnico em resultados na avicultura
Especialistas discutem gestão, eficiência e aplicação prática durante evento em Chapecó.

A conexão entre conhecimento técnico, gestão e resultados práticos na produção avícola será discutida durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). O tema Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura será apresentado pelos especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, na quarta-feira, 08 de abril, às 16h30, durante o Bloco Conexões que Sustentam o Futuro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio. Com mais de 18 anos de atuação na avicultura industrial brasileira, construiu sua trajetória profissional em empresas como BRF e Seara Alimentos, onde atuou como extensionista, supervisor, especialista agropecuário e gerente agropecuário.

Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Ao longo de sua carreira, prestou consultoria técnica a mais de 30 plantas industriais, desenvolvendo atividades relacionadas à gestão agropecuária, ambiência, manejo de frangos de corte, elaboração de padrões técnicos, condução de testes zootécnicos e formação de equipes técnicas em extensão rural. Atualmente é empreendedor e sócio-proprietário da Granjas Pampeano, no Rio Grande do Sul, onde atua no desenvolvimento de projetos avícolas voltados à eficiência produtiva, sustentabilidade e excelência operacional.
Kali Simioni é engenheira agrônoma e mestre pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atua há 22 anos no setor agroindustrial, com experiência nas áreas de extensão rural, gestão e performance agroindustrial na produção de frangos, suínos, perus, postura comercial, matrizes e avós.
Atualmente dedica-se ao aperfeiçoamento dos sistemas de produção, com foco no desenvolvimento das pessoas que atuam na cadeia produtiva, buscando alavancar ganhos em eficiência, produtividade, qualidade, bem-estar animal, competitividade e sustentabilidade agropecuária, além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais do agronegócio.
A palestra abordará os desafios de transformar informações técnicas e orientações produtivas em resultados concretos no campo, considerando fatores como gestão de equipes, eficiência operacional, aplicação de tecnologias e aprimoramento contínuo dos sistemas de produção. O tema destaca a importância de alinhar conhecimento científico, experiência prática e capacitação de profissionais para garantir competitividade e sustentabilidade na avicultura moderna.

João Nelson Tolfo é médico-veterinário, mestre em Produção Animal e possui MBA Executivo em Liderança e Gestão do Agronegócio
De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o Simpósio busca promover discussões que conectem ciência e prática. “O SBSA tem como proposta reunir especialistas que compartilhem experiências aplicáveis à realidade da produção. Discutir como transformar conhecimento em resultados é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva e apoiar profissionais que atuam diretamente no campo”, destaca.
A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o bloco Conexões que Sustentam o Futuro foi estruturado para ampliar a visão estratégica do setor. “A produção avícola evolui rapidamente e exige cada vez mais integração entre conhecimento técnico, gestão e desenvolvimento de pessoas. Trazer especialistas com experiência prática na indústria contribui para que os participantes compreendam como aplicar as orientações técnicas de forma eficiente e sustentável”, afirma.
O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.
Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.
Programação geral
26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 07/04 – Terça-feira
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 08/04 – Quarta-feira
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Roselina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
Dia 09/04 – Quinta-feira
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Frango cai 5,2% em março e atinge menor preço desde julho de 2023
Cotação média de R$ 6,73/kg no atacado paulista reflete demanda interna fraca e incertezas no mercado externo. Recuo amplia vantagem frente às carnes suína e bovina.

Os preços da carne de frango seguem em queda nas principais praças acompanhadas pelo Cepea, pressionados pela demanda doméstica enfraquecida e por incertezas no mercado externo. O cenário internacional, marcado por tensões no Oriente Médio, importante destino das exportações brasileiras, tem gerado cautela entre agentes do setor e influenciado as negociações.

Foto: Shutterstock
No atacado da Grande São Paulo, o frango resfriado é negociado à média de R$ 6,73 por quilo na parcial de março, até o dia 18, recuo de 5,2% em relação a fevereiro. Em termos reais, considerando deflação pelo IPCA de fevereiro de 2026, trata-se do menor patamar desde julho de 2023.
Com a queda mais acentuada nos preços, a carne de frango amplia sua competitividade frente às demais proteínas. No caso da suína, embora também haja desvalorização, o ritmo de recuo do frango é mais intenso. Já em relação à carne bovina, o diferencial é ainda maior, uma vez que os preços da carcaça casada seguem em alta, ampliando a atratividade do frango para o consumidor.
Avicultura
Diferença de preço entre ovos brancos e vermelhos supera 40% em março
Menor oferta de ovos vermelhos e demanda da Quaresma ampliam descolamento de preços. Granjas operam com produção ajustada.

A diferença entre os preços dos ovos brancos e vermelhos se ampliou ao longo de março nas principais regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea. Em Santa Maria de Jetibá (ES), maior polo de produção do país, o diferencial já supera 40% na parcial até o dia 18, acima do observado em fevereiro.

Foto: Divulgação/Asgav
De acordo com o Cepea, o movimento é puxado principalmente pela menor disponibilidade de ovos vermelhos no mercado interno. A oferta mais restrita dessa categoria tem sustentado reajustes mais intensos em comparação aos ovos brancos, ampliando o descolamento entre os preços.
A demanda sazonal também contribui para esse cenário. Durante a Quaresma, há aumento no consumo de ovos, o que pressiona ainda mais as cotações, especialmente dos vermelhos, tradicionalmente mais valorizados em períodos de maior procura.
Com a produção mais enxuta, agentes do setor relatam que parte das

Foto: Divulgação
granjas tem operado com entregas previamente programadas, limitando negociações no mercado spot. Esse ajuste entre oferta e demanda resultou em elevação dos preços médios dos ovos nos últimos dias, com maior intensidade para a variedade vermelha.
