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Avicultura Protagonismo

Avícola Pato Branco: uma empresa conduzida por mulheres

Atualmente Odilete e a irmã Olivete administram a empresa da família, como diretora Agropecuária e diretora Executiva, respectivamente

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No início da década de 1970 o casal Oliden Rotava e Odete Alberti decidiram sair de Santa Catarina para morar na cidade de Pato Branco, sudoeste do Paraná. De lá não vieram sozinhos, trouxeram junto as quatro filhas – Olidete, Olivete, Elizabeth e Odilete. Já no Paraná começaram a investir na avicultura. Foi assim que em setembro do mesmo ano fundaram a Avícola Pato Branco, iniciando com um aviário de 100 frangos que eram vendidos vivos na cidade. Com a compra de um pequeno frigorífico local começaram a abater e vender estes animais em Pato Branco e nas cidades vizinhas. Ainda na década de 1970 a família decidiu montar um incubatório e produzir seus próprios pintinhos de um dia, iniciando assim com uma incubadora de madeira para 500 ovos e, ao lado do incubatório, construíram mais dois aviários com galinhas para produzir ovos férteis.

Foi assim que iniciou a história da família Rotava na avicultura. Porém, em 1989 o patriarca da família, Oliden, faleceu. Isso fez com que a segunda geração começasse a assumir a gestão da empresa junto com a mãe. Dessa forma, três das filhas do casal passaram a administrar a Avícola Pato Branco.

Para se inteirar melhor de como tudo funcionava na empresa, cada uma das irmãs adequou a sua formação para uma função da Avícola. Odilete é formada em agronomia e tem pós-graduação em Administração Rural e Gestão em Vitivinicultura. Ela está na empresa desde 1992 e atualmente ocupa o cargo de diretora Agropecuária. Já Olivete é nutricionista com MBA em Gestão Empresarial e atua como diretora Executiva. Elizabeth é psicóloga e pós-graduada em Psicologia Organizacional e atuou na área de Recursos Humanos da empresa entre 1990 e 2011.

“Quando ingressamos na empresa, para auxiliar nossa mãe na condução dos negócios, tivemos que buscar conhecimentos específicos da área, pois não havíamos sido preparadas para isto. Foi a perda de nosso pai que nos levou a participar da gestão. Nosso ingresso na empresa trouxe novos modelos e ferramentas de gestão, buscando profissionalização, tecnologias e processos adaptados à nova realidade”, conta Odilete.

Gestão, inovação e mulheres no poder

Na década de 1990, quando as irmãs assumiram junto com a mãe a gestão da Avícola, a empresa tinha uma capacidade de produção de 500 mil pintinhos por mês e contava com 52 colaboradores. Com a ajuda das filhas e a expertise de cada uma em sua área de atuação a empresa cresceu e se desenvolveu muito. Hoje a Avícola possui 430 colaboradores, três granjas de recria, oito granjas de produção, um incubatório de estágio único e uma nova fábrica de rações. “Produzimos em torno de 84 milhões de ovos férteis/ano, sendo 5,5 milhões de pintos por mês. Agregado ao negócio avícola, temos ainda investimentos em bovinos de corte e reflorestamento”, diz.

Segundo Odilete, a Avícola Pato Branco atende hoje diversas agroindústrias e cooperativas no Sul do país e São Paulo. Além disso, também já exportaram para África, Oriente Médio e Mercosul.

De acordo com a diretora Agropecuária, logo que ela e as irmãs assumiram seus cargos na empresa da família, os desafios eram em aprimorar os conhecimentos na área específica da avicultura, implementar novos modelos de processos e incorporar a cultura de treinamentos nas áreas de biossegurança e gestão de informação. Além disso, uma grande preocupação também sempre foi com os colaboradores. Por isso, em 1997, percebendo a dificuldade de muitos funcionários, de não terem tido a oportunidade de estudar, a empresa criou a Escola APB e conseguiu, com o apoio do município, formar um total de 168 colaboradores-alunos, que fizeram a formação de 1ª a 4ª série, 5ª a 8ª série e segundo grau. “Muitas vezes liderar significa atender a necessidade do que o seu colega/colaborador precisa para desenvolver o trabalho, e com minhas irmãs fomos encontrando estes caminhos”, afirma.

A administração da Avícola Pato Branco feita somente por mulheres é notória. Mas elas não são as únicas que estão à frente de cargos importantes nas empresas espalhadas pelo Brasil. “Percebo com muita alegria que as mulheres estão buscando seu espaço e demonstrando sua capacidade como líderes. No agronegócio este fato também tem sido muito perceptível, e na política temos o exemplo de liderança de nossa Ministra da Agricultura”, comenta Odilete.

Mesmo assumindo cargos importantes, às vezes ainda existe certa resistência. Mas, para Odilete, o preconceito à liderança por parte de mulheres é algo que tem sido superado ao longo dos anos. “Atualmente percebo que nós temos sido respeitadas. No entanto cabe a cada mulher, através de suas atitudes, mostrar sua capacidade de liderar e impor os limites de relacionamento como profissional e como ser humano”, diz.

Exemplo

E estar em um cargo à frente de uma empresa tão importante para o mercado avícola nacional acaba se tornando um incentivo para outras mulheres que buscam o mesmo. “Espero ser um exemplo para minha filha, sobrinhas, amigas e colegas de trabalho, de que através de nossas ações somos capazes de buscar o melhor para cada uma e para os que nos cercam, pois esta é a maior característica das mulheres líderes – pensar em todos”, afirma. Além disso, segundo Odilete, outro grande exemplo de inspiração é a mãe. “Assim como muitas outras mulheres que deixaram suas marcas importantes no mundo, considero minha mãe um exemplo de resiliência e liderança, e minhas irmãs exemplo de que mesmo com algumas diferenças somos sempre mais fortes juntas”, comenta.

Para Odilete, as mulheres são líderes natas dentro de suas casas, pois articulam as relações pais-filhos ou entre irmãos, participam da gestão das tarefas cotidianas e precisam gerir todos os recursos envolvidos. “Estas características intrínsecas possibilitam também as mulheres do agronegócio a terem uma visão mais holística sobre o que produzem, de que maneira produzem e como comercializam seus produtos. As agricultoras deste Brasil, em conjunto com seus parceiros (homens, filhos, sócios), são a base da sustentabilidade de nosso país”, finaliza.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Ionóforos ajudam a modular o microbioma intestinal de frangos de corte, mas sua principal função é anticoccidiana

Investir em bons programas de controle é uma excelente forma de manter o bem-estar animal e a lucratividade na avicultura

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Artigo escrito por Patrícia Tironi Rocha, mestre em Sanidade Animal e gerente técnica de avicultura da Phibro Saúde Animal

O problema é sério. Em termos globais, são registrados prejuízos de até US$ 13 bilhões devido à temível e prevalente coccidiose aviária, doença intestinal causada por parasitas do gênero Eimeria, que causam uma série de danos à digestão, absorção e aproveitamento dos alimentos, além de predispor as aves a outras doenças igualmente desafiadoras.

Além de provocar grande impacto em desempenho zootécnico, a coccidiose pode levar as aves à morte. Um dos problemas desencadeados, especialmente pela Eimeria maxima, é a predisposição a infecções pelo Clostridium perfringens (CP), que, ao produzir toxinas necrotizantes, causa a enterite necrótica, outra importante enfermidade de frangos de corte.

A ciência descobriu anticoccidianos químicos e ionóforos poliéteres eficazes para controlar a coccidiose. Os ionóforos (termo que significa “transportador de íons”) são produzidos por processo fermentativo e são amplamente utilizados – e com sucesso – em dietas de frangos de corte. Atualmente, seis moléculas com essa função são utilizadas pela indústria avícola. Entre elas, está a semduramicina, usada com segurança e eficácia há mais de duas décadas. Já as moléculas produzidas por síntese química podem ser representadas pela nicarbazina, introduzida no mercado em 1955 e ainda utilizada com sucesso.

Ao contrário da eficácia anticoccidiana dos ionóforos, amplamente reconhecida, a eficácia antimicrobiana dos mesmos em nível intestinal é bem menos estudada e avaliada e, possivelmente, tem sido supervalorizada. Um exemplo é a crescente produção de frangos de corte sem antibióticos melhoradores de desempenho. Nesse modelo de produção, para as empresas que ainda fazem o uso de anticoccidianos ionóforos e químicos as questões entéricas incluindo enterite necrótica têm sido frequentemente reportadas, o que evidencia que não se pode creditar apenas aos ionóforos o efeito antimicrobiano e o controle da enterite necrótica.

Ao analisar os valores de concentração inibitória mínima (CIM) dos ionóforos frente a cepas de Clostridium perfringens (in vitro) e compará-los com as doses dos ionóforos na ração, como anticoccidianos, constatamos que as concentrações indicadas para uso nas rações estão acima dos valores de CIM. Como exemplo, a CIM de semduramicina é de 10 partes por milhão (ppm) para inibição de CP. As doses de semduramicina registradas no Brasil na ração são de 20 a 25 ppm, ou de 15 a 18 ppm quando em associação com nicarbazina. Como o CP faz parte da microbiota intestinal normal de frangos (população heterogênea com várias cepas), pode-se inferir que os valores de CIM (in vitro) possuem relação direta com o potencial de inibição deste microrganismo no lúmen intestinal.

Um ponto importante a ser verificado em pesquisas sobre a concentração inibitória mínima de ionóforos é em relação às cepas de Clostridium perfringens utilizadas. Alguns estudos e relatos não especificam se as cepas utilizadas eram de aves saudáveis ou provenientes de surtos de enterite necrótica. Isso faz muita diferença. Em intestinos de aves saudáveis, a população de Clostridium perfringens é variada e composta por múltiplas cepas. Já em intestinos de aves afetadas pela enterite necrótica há a predominância de um clone único desta bactéria – Clostridium perfringens virulentos e que expressam fatores de virulência.

Estudos

Trabalho publicado em 2003, com inoculação de frangos de corte com cepa de Clostridium perfringens isolada de surto de enterite necrótica, avaliou bacitracina metileno dissalicilato (BMD), narasina e também associação dos dois recursos em relação a um grupo sem tratamento. Verificou-se que os escores de lesão para enterite necrótica e mortalidade por essa causa foram reduzidos apenas nos grupos que receberam o antibiótico melhorador de desempenho (BMD) e no grupo com a associação de BMD e narasina.  Esses dados sugerem ação limitada do ionóforo (neste estudo, a narasina) no controle da enterite necrótica.

A hipótese mais aceita atualmente pela academia é que os anticoccidianos ionóforos auxiliam na redução de bactérias intestinais gram-positivas, incluindo Clostridium perfringens, mas não as eliminam. A contribuição antimicrobiana dos ionóforos parece ser por modulação populacional e não por eliminação. Contudo, é preciso salientar que os efeitos antimicrobianos dos ionóforos que auxiliam no controle de lesões de enterite necrótica aparentemente podem se perder quando a dose utilizada na ração é reduzida.

Pesquisa publicada em 2010 relata que em frangos de corte sob condições de desafio as lesões de enterite necrótica diminuíram significativamente em cada grupo experimental que recebeu ionóforos simples via ração (70 ppm de narasina, 75 ppm de lasalocida, 70 ppm de salinomicina e 5 ppm maduramicina). No mesmo experimento, o produto combinado narasina-nicarbazina, a 50 ppm de cada princípio ativo, não diminuiu significativamente o número de aves com lesões de enterite necrótica quando comparado com o grupo controle desafiado, indicando que a dose reduzida da narasina (50 ppm) possivelmente está abaixo do limiar de eficácia microbiológica.

Em síntese, a simples observação dos valores das Concentrações Inibitórias Mínimas – CIM (in vitro) dos ionóforos frente a Clostridium perfringens mostra que todos ionóforos, nas doses em que são usados como anticoccidianos, já atingem concentrações suficientes para inibição desta bactéria no lúmen intestinal. Porém, estudos sugerem efeito limitado dos ionóforos no controle da enterite necrótica e inibição do Clostridium perfringens em estudos in vivo.

A contribuição dos ionóforos na redução de enterite necrótica e na translocação bacteriana do Clostridium perfringens a partir do intestino tem como base principal a preservação da barreira epitelial entérica. Isso se deve, em primeiro lugar, à sua eficácia como anticoccidiano – até mesmo porque, a partir da visão epidemiológica, a coccidiose é o mais frequente e importante fator predisponente à enterite necrótica e, secundariamente, à modulação da microbiota.

Investir em bons programas de controle é uma excelente forma de manter o bem-estar animal e a lucratividade na avicultura.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mulheres do Agro

Do sonho de criança a presidente da Epagri Santa Catarina

Edilene Steinwandter é a primeira mulher a assumir a presidência da Epagri, além disso, ainda foi a primeira a assumir diversos outros cargos de liderança dentro da empresa

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Muitas vezes uma mulher precisa dar o primeiro passo para mostrar para as outras que aquilo que parecia inalcançável é possível. Edilene Steinwandter foi uma destas mulheres que alçou voos para mostrar que o impossível para uma mulher determinada e competente não existe. Pioneira em diversos sentidos, é a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora-presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Mais que isso, realizou um sonho de infância de trabalhar na empresa.

Vinda de uma família de agricultores, Edilene praticamente cresceu no meio rural. Os pais moravam na cidade de Treze Tílias, onde cuidavam de um moinho de farinha. “Meus pais são filhos de agricultores, mas assim que se casaram, mudaram para a cidade. Então eu nasci e me criei na cidade. Mas sempre tive um vínculo muito forte com o meio rural porque todos os meus tios trabalhavam no campo”, conta. Por essa forte ligação que existia, assim que estava terminando o ensino médio Edilene já sabia qual faculdade faria: Agronomia. Ela se formou na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), na cidade de Lages.

Após terminar a faculdade, Edilene foi trabalhar em uma escola agrícola, onde foi professora durante um ano. Depois, passou a trabalhar na Prefeitura de Ponte Serrada, região Oeste de Santa Catarina, como engenheira agrônoma. “Nesse período que eu trabalhava lá prestei o concurso para a Epagri e passei. Assim, continuei trabalhando no mesmo município. Foi bem importante porque foi a continuidade de um trabalho que já tinha sido iniciado”, conta.

E trabalhar na Epagri foi uma realização para Edilene. “O meu sonho era trabalhar na empresa, porque a sede deles na cidade que a gente morava ficava bem na frente da casa dos meus pais. Então a gente vivenciava aquela rotina, estava sempre brincando na rua e vendo o que acontecia e eu admirava muito o trabalho que era feito”, recorda.

Edilene entrou na Epagri em 2002 e após algum tempo na empresa foi convidada para compor a equipe da gerência regional em Xanxerê. “Eu fiquei lá na gerência e nesse período eu consegui também fazer o meu mestrado, que foi quando me dediquei à área de bovinocultura de leite”, comenta. Em 2011 a engenheira agrônoma foi convidada para assumir a gerência regional. “Que foi quando eu saí um pouco da área técnica para ir para uma área mais de gestão. Lá eu coordenava o trabalho de 14 municípios da região. Eu fui a primeira mulher na Epagri a assumir uma gerência regional de extensão rural, porque até então nunca uma mulher tinha assumido uma gerência de área técnica”, diz.

Pelo trabalho que desenvolveu na gerência de Xanxerê, no final de 2011 Edilene foi convidada para ir até Florianópolis compor a equipe estadual de extensão rural. “Trabalhei na equipe e em 2015 assumi a gerência estadual de extensão rural. Também até o momento nunca uma mulher tinha assumido uma gerência estadual da área técnica”, lembra.

Já em 2019 Edilene foi convidada a assumir a presidência da Epagri. “Para mim foi um desafio bastante grande, mas ao mesmo tempo muito gratificante. Primeiro porque ser funcionária e ser presidente traz para os outros funcionários aquela visão e esperança de que existem oportunidades de crescimento dentro da empresa. Porque até então, os outros presidentes não eram funcionários”, comenta. Para Edilene, o fato de ser mulher e receber o convite de assumir a presidência também foi uma gratificação. “É recompensador estar à frente de uma empresa que historicamente sempre foi gerida por homens”, menciona.

Atualmente a Epagri conta com aproximadamente 1,7 mil funcionários, sendo que destes 592 são mulheres – aproximadamente 35% do total. Destas, 28 são pesquisadoras, 207 extensionistas (sendo de diferentes formações como agronomia, nutrição, assistência social e pedagogia), 357 são da área meio – considerada um apoio entre a pesquisa e a extensão – e 43 são dirigentes (que estão divididas entre gerentes estadual e regional ou das estações de pesquisa, além do centro de treinamento). “Mesmo o número 43 sendo interessante, na área técnica eu ainda considero uma baixa participação”, comenta Edilene.

A mulher no agro

Mesmo sendo a primeira mulher em diversos cargos dentro da Epagri, Edilene comenta que nunca notou, explicitamente, preconceito ou resistência em ela assumir os cargos de liderança dentro da empresa. “Porque talvez eu também não procurei enxergar. Eu sempre me coloquei em um papel de igual, nunca numa condição de inferior, de vitimização ou de não competência”, afirma. Além disso, de acordo com ela, algo que pode ter facilitado a “aceitação” dela nos cargos que ocupou é a trajetória que construiu na empresa. “Eu já conhecia praticamente todos os funcionários, já me relacionava tanto com a pesquisa quanto com a extensão rural. Então as pessoas já me conhecem e acredito que isso e toda a minha trajetória na Epagri facilitou os processos”, conta.

Edilene comenta que, mesmo não de uma forma tão rápido quanto se gostaria, é possível ver a ascensão da mulher nos cargos de liderança dentro das empresas, cooperativas e instituições. “Tem um estudo da Epagri que foi publicado há pouco tempo que mostra que 25% das agroindústrias de Santa Catarina são coordenadas, administradas ou de propriedade de mulheres. E essas agroindústrias são diversas, mas se concentram principalmente na área de produção e industrialização vegetal, como conservas, geleias e panificados. Ao mesmo tempo observamos o baixo índice de mulheres que administram as propriedades rurais, porque ainda o trabalho da mulher é muito visto como de uma ajudante e daí traz a invisibilidade tanto social quanto econômica da mulher no meio rural, porque ela é responsável basicamente por toda a produção do auto abastecimento da família, mas isso raras vezes é considerado como renda ou trabalho”, explica.

O trabalho constrói

Além disso, Edilene comenta que mesmo com todos estes desafios que a mulher diariamente enfrenta, ela se considera um exemplo para aquelas que sonham alto como ela. “Porque todas as funções que eu fui assumindo ao longo da minha vida foi consequência do meu trabalho. Hoje eu estou em uma função que é um cargo de confiança do Governo do Estado, mas eu tenho clareza que o convite para eu assumir foi pela minha trajetória e pelo meu trabalho. Por isso eu acho que é um exemplo no sentindo de que vale a pena sonhar, trabalhar, expor suas opiniões e se colocar. Independente da atividade ou função que a gente exerce é preciso mostrar competência sim e que nós temos capacidade”, comenta.

Para Edilene, a mulher tem mostrado o seu papel e a sua importância dentro do agronegócio. “Nada se faz sozinho. É muito importante a presença do masculino e do feminino, que as suas diferenças, potencialidades e fortalezas são coisas que se complementam”, avalia. Porém, a mulher traz uma diferenciação especial. “Eu vejo que a mulher traz muito esse olhar do cuidado, da cooperação, da participação e da inovação. Traz um olhar mais amplo e holístico das situações em que trabalha”, sustenta a criança que um dia sonhava e se tornou a presidente da Epagri.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Controlando a Salmonella: um importante parâmetro de segurança alimentar

Para um efetivo controle do agente, as empresas do setor devem investir em biosseguridade, na qualidade das matérias primas das rações, na qualidade dos ovos e pintinhos

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Artigo escrito por Ricardo Scherer Simões, médico veterinário, mestre em Ciência Animal e coordenador Técnico Avicultura-Farmabase Saúde Animal; e Giovani Marco Stingelin, médico veterinário, mestre em Clínica Médica de Animais de Produção, doutorando em Clínica Médica de Suínos e gerente Técnico de Aves e Suínos da Farmabase Saúde Animal

A Salmonella spp. é um tema de extrema relevância na atual conjuntura da avicultura e acaba sendo destaque nas discussões técnicas espalhadas pelo mundo, o que não é por acaso, baseado no impacto do agente no contexto de saúde pública, sendo considerado um dos principais causadores de toxinfecções alimentares através da ingestão de alimentos contaminados. Outro ponto relevante é a questão das exportações dos produtos e abertura de novos mercados, que acabam sendo afetados diretamente através de exigências tanto dos consumidores, quanto dos órgãos nacionais reguladores e fiscalizadores.

Dentre as diversas características das salmonelas, o grupo das paratíficas, o qual engloba um grande número de sorovares distintos de Salmonella, são as mais prevalentes na agroindústria de aves e possuem ampla adaptabilidade tanto no organismo dos animais, quanto no ambiente das granjas e indústrias, o que de fato dificulta o controle em todo ciclo de produção.

Para um efetivo controle do agente, as empresas do setor devem investir em biosseguridade, na qualidade das matérias primas das rações, na qualidade dos ovos e pintinhos. Além disso, também podem incluir aditivos via ração que reduzam a excreção e positividade do patógeno na cadeia avícola e precisam investir em educação continuada e capacitação dos colaboradores e produtores envolvidos em todos os elos da cadeia produtiva.

Muitos aditivos nutricionais foram desenvolvidos com a finalidade de reduzir a contaminação e excreção da Salmonella spp. pelas aves. Há muitos produtos no mercado que prometem milagres sem fundamentação científica. Por outro lado, há tecnologias eubióticas disponíveis capazes de reduzir a excreção da Salmonella spp. pelas aves e a recontaminação desses animais na granja. Dentre as associações de moléculas com mais embasamento técnico e científico, está a combinação de ácido sórbico com óleos essenciais como o timol e o carvacrol.

Os óleos essenciais são uma mistura de compostos complexos que podem variar em suas composições e concentrações químicas. Por exemplo, os componentes predominantes Timol e o Carvacrol encontrados no Tomilho, podem variar de 3 a 60% do total de óleos essenciais dessa planta, pois dependem da região, clima, solo, das condições de cultivo e da parte da planta que foi coletada. Por esse motivo, é importante que os ensaios in vitro e in vivo utilizem ativos como o Timol e o Carvacrol sintetizados em laboratório de forma pura, isto é, o que chamamos de compostos naturais idênticos (CNI). Somente dessa forma é possível saber a concentração exata do ativo que está sendo usada. O uso da planta ou seu óleo essecial é impreciso, pois não se sabe a concentração exata de timol e carvacrol encontrada.

Outro fator determinante é proteger esses ativos através do microencapsulamento, de forma que sejam liberados de forma uniforme e gradativa durante todo o intestino das aves, para que atinjam altas concentrações no ceco e cólon. É importante lembrar que a Salmonella spp. é uma  bactéria que coloniza e se multiplica na porção final do intestino, principalmente no ceco.

Associação sinérgica e efetiva para o controle de Salmonella spp.

Pesquisadores da Universidade de Bologna na Itália desenvolveram um aditivo com tecnologia única de microencapsulamento por uma camada de triglicerídeos hidrolisados de origem vegetal, chamada de microesfera, permitindo que os ativos sejam liberados gradativamente até o ceco das aves.

Além disso, associaram à formulação o Ácido Sórbico, um ácido orgânico de alto peso molecular e pKa com alto poder antimicrobiano e menor concentração inibitória mínima (MIC) quando comparados aos demais ácidos.

Na figura 1, podemos observar a maior eficácia do ácido sórbico na redução do crescimento de Salmonella Typhimurium se compararmos aos demais ácidos.

E como podemos observar na figura 2, o timol e o carvacrol possuem maior capacidade de redução de crescimento de Salmonella Typhimurium in vitro se compararmos com os demais óleos essenciais.

Mecanismo de Ação:

Conforme figura 3, o timol e o carvacrol sensibilizam as paredes celulares bacterianas, causam danos significativos à membrana e levam ao colapso da integridade citoplasmática bacteriana, facilitando a entrada e ação do Ácido Sórbico que, por sua vez, age reduzindo o pH intrabacteriano, provocando consequente lise e morte da bactéria. O extravazamento bacteriano acontece através de danos à parede celular, danos à membrana citoplasmática, coagulação do citoplasma e destruição da proteína da membrana (Conner e Beuchat, 1984; Cox et al., 1998; Helander et al., 1998; Ultee et al., 2002), bem como redução da força motriz de prótons (Nazzaro et al., 2013).

Eficácia contra Salmonella

Muitos trabalhos tem demonstrado a eficácia dos compostos naturais idênticos e do ácido sórbico na redução da contagem de Salmonella no ceco das aves. Dentre eles podemos destacar alguns estudos recentes feitos pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Jaboticabal – SP), que revelam a eficiência contra os sorovares mais prevalentes e importantes na avicultura.

Pelos resultados expressos na figura 4, podemos verificar redução significativa na contagem de Salmonella Typhimurium, Salmonella Minnesota e Salmonella Heidelberg no ceco dos grupos tratados com compostos naturais idênticos associados ao ácido sórbico.

Na figura 5, temos o resultado de um estudo realizado com aves tratadas com esse aditivo até os 42 dias de vida (idade de abate), onde ocorreu um aumento no percentual de suabes cloacais negativos no grupo tratado, com relação ao controle não tratado.

Na figura 6, evidencia-se o crescimento de Salmonella Typhimurium no grupo controle, em contrapartida no grupo tratado não há crescimento.

Na figura 7 observa-se que no grupo tratado não houve aparecimento de lesões hepáticas por Salmonella Typhimurium em aves com 14 dias.

Na figura 8 podemos destacar o efeito do timol, carvacrol e ácido sórbico na redução da contagem de Salmonella Enteritidis no ceco aos 21 dias pós infecção com a inclusão de 1, 2 e 5 kg/tonelada de ração desse aditivo eubiótico.

Em resumo

A combinação dos ativos Timol, Carvacrol e Ácido Sórbico é sinérgica na redução da pressão de infecção e excreção nas fezes de enteropatógenos como a Salmonella spp., e pode ser usada tanto em matrizes pesadas quanto em frangos de corte. Nesse novo aditivo citado, a concentração de Timol (9,5%), Carvacrol (2,5%) e de Ácido Sórbico (25%) não tinha sido utilizada em nenhum aditivo ou tecnologia para aves até então.

A utilização dos compostos naturais idênticos e do ácido sórbico é uma ferramenta inovadora importante que auxilia consideravelmente na redução da positividade de Salmonella spp. na cadeia avícola, principalmente quando associado a medidas de melhoria na biosseguridade, maior controle de qualidade nas matérias primas das rações e melhoria da qualidade dos pintinhos.

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Fonte: O Presente Rural
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