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AveSui EuroTier começa na próxima semana

Com crescimento de 40% na área de exposição, inclusão de três novos painéis e trazendo várias inovações, feira se consolida no Oeste Paranaense

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Todo o cenário da maior feira de proteína animal da América Latina está sendo preparado, este ano o evento ocupará uma área 40% maior que a edição anterior e irá abrigar mais de 150 empresas nacionais e internacionais, além de granja modelo, espaço digital farming, auditório de inovações, fábrica de peixes, espaço cooperativas e arena Gourmet.

Avesui EuroTier South America abre suas portas na próxima terça-feira (23) a partir das 10h e vai até o dia 25 com  visitação para produtores, técnicos e funcionários de cooperativas e agroindústrias e demais pessoas ligadas a produção de proteína animal.

Palco de apresentação de inovações e debates sobre temas de relevância para os setores de proteína animal, a AveSui EuroTier South America recebe em seus três dias de feira caravanas de visitantes do Brasil e de diversos lugares do mundo. Já foram confirmados 30 grupos vindos de todas as regiões brasileiras e também de países da America Latina como Peru, Argentina, Paraguai e México.  A expectativa de público esse ano é superior a 13 mil pessoas.

Anualmente, produtores do Brasil e de outros países se reúnem em grupos com destino a AveSui, em busca das oportunidades de negócios e parcerias que a feira oferece, já que a feira tem como ponto forte a grande presença internacional, não só de expositores, mas também de compradores.

Abertura e Prêmio Quem é Quem

A cerimônia de abertura do evento, que ocorre  no dia 23 às 18h, tem como marca a entrega do III Prêmio Quem é Quem – Maiores e Melhores Cooperativas os vencedores escolhidos pela empresa de consultoria Markestrat e ainda pela votação popular. Presidentes, gerentes e técnicos das cooperativas ligadas às cadeias de aves, suínos e peixes confirmaram presença.

Criado pelas revistas Avicultura Industrial e Suinocultura Industrial, publicações da Gessulli Agribusiness, o prêmio uma nova categoria este ano, a de biomassa & bioenergia, uma área que cresce dentro das produções intensivas de suínos e aves, gerando soluções para a destinação dos dejetos, assim como alternativas viáveis à geração energética.

As outras dez categorias são: Desempenho Econômico-Financeiro, Responsabilidade Ambiental, Responsabilidade Social, Desenvolvimento Sustentável, Melhor Cooperado (Aves e Suínos), Melhor Técnico/Assistência Técnica, Inovação, Gestão Operacional, Mulher Cooperada e Varejo.

Um grande número de cooperados e familiares também estará presente no dia 23 de julho para a premiação dos vencedores da edição 2019 do Quem é Quem. Com seu início marcado para as 18 horas, a premiação terá acesso livre a todos os visitantes e expositores da AveSui EuroTier South America.

Programação Técnico Científica

Não foi somente o espaço físico da AveSui que foi ampliado. A programação técnica que compreende o IV Congresso Brasileiro de Zootecnia de Precisão e o VXIII Seminário Técnico Científico de aves e Suínos também ganharam novos painéis, no total serão mais de 40 palestras para os profissionais do setor se atualizarem e otimizarem a produção nacional. Até o momento, mais de 500 pessoas se inscreveram para participar destas atividades.

O seminário conta com temas como Biosseguridade, Mercado, Eutanásia, Fábrica de Rações, Inseminação Artificial, Bem-Estar Animal, Processamento de Carnes, Piscicultura, Biomassa & Bioenergia até o Congresso de Zootecnia de Precisão. Além do seminário, pesquisadores e estudantes poderão enviar seus trabalhos científicos para premiação do Instituto Oswaldo Gessulli.

Os painéis contam com profissionais de renome do setor como a Dra. Fabiana Ribeiro Caldara – Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias da UFGD;  Dra Viviane Maria Oliveira dos Santos Nieto, Professora  da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul ; Dra. Fabiana Villa Alves, Pesquisadora da Embrapa Gado de Corte; Dr. Rony Antonio Ferreira, Professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA);  Prof. Dr. Iran José Oliveira da Silva Professor da Esalq / USP; Dr. Luizinho Caron, Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves; Dra. Juliana Ribas, Médica Veterinária pela  UNESP de  Jaboticabal; Dr. Thiago Bernardino de Carvalho, Pesquisador do Cepea; Dr. Rubem Groff, Gerente de Vendas Feed da Bühler; Dr. Heitor Daguer, Auditor Fiscal Federal do Mapa; Dra. Mariana Groke Marques, Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves;  Dra. Carmen Josefina Contreras Castillo – Professora do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq/ USP; Dr. Paulo Abreu – Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Sr. Alessandro Gardemann, Presidente da Abiogas;  Dr. Eric Arthur Bastos Routledge e muitos outros.

A programação técnico científica completa pode ser consultada pelo site do evento.

Auditório de Inovações – palestras gratuitas

A AveSui EuroTier South America oferece mais uma vez o Auditório de Inovações com palestras gratuitas aos visitantes para que conheçam as tendências e lançamentos do setor produtivo mundial. O auditório busca promover a interação entre público, expositores, visitantes e empresas nacionais e internacionais trazendo novidades e inovações de expositores nacionais e internacionais.

Este ano serão debatidos  temas como ambiência, financiamentos rurais, novas tecnologias, energias renováveis telamento e construção civil. Também no auditório de inovações haverá a apresentação das startups que fazem parte do Espaço Digital farming.

As palestras do Auditório de inovação acontecem nos dias 23 e 24 de julho das 11h as 16h e a programação completa pode ser encontrada no site do evento.

Forum DLG

O Stand da DLG oferecerá palestras gratuitas para os visitantes da feira durante os três dias de evento . Confira a programação completa no site do evento.

Kemin Innovation Truck

Durante os três dias da AveSui EuroTier South America, os visitantes terão acesso ao Kemin Innovation Truck para conhecer sua infraestrutura, além de se atualizar nas duas edições diárias do Snack Learning às 10h30 e 16h. Confira a programação no site do evento.

Espaço Digital Farming

A revolução silenciosa da agropecuária 4.0 será destaque na AveSui Eurotier South America 2019. O Espaço Digital Farming, uma das atrações mais esperadas do evento e conta com dez startups do setor. O espaço é uma iniciativa do Instituto Oswaldo Gessulli, com apoio da Embrapa Suinos e Aves com coordenação do Dr. George Hiraiwa e da Dra. Renata Abreu.

Num ambiente tecnológico as startups poderão exibir suas pesquisas e encontrar investidores quer apostem em suas ideias. No dia 23 haverá apresentação das dez startups no auditório de inovações às 15h. A visitação é aberta ao público que poderá conhecer mais a fundo cada tecnologia desenvolvida

As startups confirmadas são a Granter com um sistema digital de integração entre granjas; a CEPR1 que apresenta o primeiro projeto desenvolvido pelo Sistema Ecoperativa; a  FOHAT com softwares para a digitalização e gestão da comercialização de energia, a TransPORK com sistema de monitoramento instalado de transporte; a Mais Caipira focada na avicultura alternativa; Agrotatil com a plataforma Tatilfish; a Bley energias com a microrefinaria; A Agrisolus com sensores e softwares para gerenciamento; e a Kemia, ganhadora do InovaPork com solução para o tratamento de águas residuais.

Espaço Cooperativas

A AveSui também irá contar com espaço dedicado as caravanas das cooperativas que vem de diversas partes do país, algumas delas viajarão doze horas para chegar a feira. O Espaço Cooperativas é um espaço de hospitalidade, uma estrutura construída  para receber os cooperados e conta com estrutura para descanso e interação.

As próprias cooperativas reservam o espaço para receber seus cooperados e algumas delas estão preparando atividades exclusivas para recebe-los. As cooperativas que ainda não reservaram o espaço, podem entrar em contrato pelo e-mail [email protected].

Granja Modelo

E como já é tradição da maior feira de proteína animal da américa latina, um espaço interativo para demonstrar os principais equipamentos e infraestrutura para montar uma granja moderna, eficiente, sustentável e rentável ao produtor será montado dentro da maior feira de aves, suínos e peixes da América Latina. A Granja Modelo é um show room, dentro do evento, para que os visitantes possam ver, idealizar e planejar  sua próxima compra. Para quem participa é um cartão de visitas que garante a oportunidade da troca de contatos e expandir as relações comerciais.

Neste ano, a estrutura será feita pela empresa AJJ que atua na produção e comercialização de estruturas pré-moldadas, para as mais diversas atividades comerciais e industriais. A cobertura fica por conta da Saimor, a Kingspan Isoeste, líder em construtivos isotérmicos na América do Sul, realizará a cobertura da granja, apresentando telhas térmicas para avicultura e suinocultura, além de painéis térmicos e soluções voltadas ao Agronegócio como construtivos para câmara de sementes, dark house e frigóríficos.

O show room contará também com produtos e equipamentos de empresas nacionais e internacionais como  Astral Ambiental, Huesker, Solpack, Multinova, Brasilit, Conceito, J A Ambiental, Karsher, Germek, Maxicaixas, Arautherm, Nooyen, FDA, Fengrum, Matriagro, Bono Fotovoltaica, Agrobona e Bley Energias.

Feira de Negócios

Pioneira na realização de parcerias, joint ventures e novos negócios, a AveSui chega a sua 19ª edição consolidada como ponto de encontro do setor de aves, suínos e peixes da América Latina oferecendo aos seus visitantes oportunidades de contato direto com  novas empresas, tecnologias e soluções para produção do mundo todo.

Os visitantes terão acesso a empresas nacionais e internacionais, muitas delas expondo pela primeira vez no Brasil. A feira será realizada nos dias 23, 24 e 25 de julho no Lar Centro de Eventos na cidade de Medianeira, na região Oeste do Paraná, dentro do maior centro produtivo de proteína animal do mundo.

A cidade é localizada a 60km de Foz do Iguaçu, terceira cidade brasileira que mais recebe turistas internacionais e tem suas extremidades conectadas por grandes rodovias, proporcionando conforto, praticidade de locomoção aos expositores e visitantes da AveSui EuroTier South America até o Centro de Convenções da Lar.

Fonte: Assessoria

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Soja brasileira registra alta de demanda internacional em julho

Valorização do dólar e maior interesse externo fortalecem a competitividade do grão, segundo o Cepea.

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Foto: Shutterstock

O mercado brasileiro da soja iniciou julho com forte ritmo de comercialização, impulsionado pelo aumento da demanda internacional e pela valorização do dólar frente ao real. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o câmbio mais favorável tornou a soja brasileira mais competitiva no mercado externo, elevando os prêmios de exportação e incentivando produtores e tradings a anteciparem novos negócios.

Mesmo com a limitação de cotas disponíveis nos portos para embarques imediatos, os preços da soja em grão seguem em alta no mercado interno, refletindo o interesse crescente dos compradores estrangeiros.

Outro indicativo do aquecimento do setor é a antecipação das negociações para exportação. Segundo o Cepea, importadores já estão fechando contratos para embarques previstos para novembro, movimento considerado incomum para esta época do ano.

Na safra anterior, as vendas para esse período começaram somente em agosto e já eram vistas como antecipadas. Neste ano, porém, a comercialização avança em ritmo ainda mais acelerado, reforçando a expectativa de um mercado externo aquecido para a soja brasileira.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Energia solar já corta 90% da conta de luz e pode dobrar de tamanho no Brasil até 2027

Com 19 GW de potência instalada, a fonte solar já é a terceira maior da matriz elétrica brasileira. Queda no custo dos equipamentos, alta da tarifa de energia e expansão da geração distribuída impulsionam o setor, que já atraiu R$ 10 bilhões em investimentos e criou 640 mil empregos.

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A possibilidade de reduzir em até 90% os gastos com energia elétrica tem acelerado a adoção de sistemas de geração solar no Brasil. A estimativa é da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que atribui o avanço do setor ao aumento das tarifas de eletricidade e à queda no custo de instalação dos painéis fotovoltaicos.

Os resultados colocaram a energia solar em um novo patamar na matriz elétrica brasileira. Hoje, a fonte ocupa a terceira posição entre as maiores geradoras de energia do país, atrás apenas das hidrelétricas e da energia eólica.

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O Brasil já ultrapassou 19 gigawatts (GW) de potência instalada em energia solar fotovoltaica. Desse total, 13 GW correspondem à chamada geração distribuída, sistemas instalados em telhados, fachadas de imóveis e pequenos terrenos, enquanto os outros 6 GW são provenientes de usinas solares de grande porte.

O volume é considerado histórico pelo setor e reforça as perspectivas de expansão da fonte no país. Segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a capacidade instalada de energia solar poderá dobrar até o início de 2027.

Conta de luz mais cara amplia procura

Para o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, dois fatores explicam o ritmo de crescimento da energia solar no Brasil: o aumento sucessivo das tarifas de energia elétrica e a redução dos custos dos equipamentos fotovoltaicos.

Segundo ele, embora o investimento inicial ainda seja elevado, a economia mensal obtida pelo consumidor torna o sistema financeiramente atrativo. A instalação de um sistema residencial custa, em média, R$ 25 mil. Para indústrias, o investimento pode chegar a R$ 200 mil.

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Sauaia afirma, entretanto, que os preços tendem a continuar caindo nos próximos anos. Com a redução de até 90% na conta de energia, o investimento costuma ser recuperado em poucos anos.

Fonte limpa evita emissão de 28 milhões de toneladas de CO₂

Além do impacto econômico, a energia solar também vem sendo apontada como uma alternativa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Por não utilizar combustíveis fósseis nem gerar resíduos durante a produção de eletricidade, a fonte é considerada uma das mais limpas da matriz energética.

Segundo a Absolar, a geração de energia solar já evitou a emissão de quase 28 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.

Setor movimenta bilhões 

O avanço da energia solar também tem reflexos na economia. Dados da Absolar mostram que, desde 2012, o setor movimentou aproximadamente R$ 10 bilhões em novos investimentos no país.

Nesse período, a expansão da atividade resultou na criação de cerca de 640 mil empregos ao longo da cadeia produtiva e contribuiu para uma arrecadação de quase R$ 40 bilhões aos cofres públicos.

Com a expectativa de continuidade da queda nos custos dos equipamentos e da expansão da geração distribuída, o setor projeta manter o ritmo de crescimento nos próximos anos, ampliando sua participação na matriz energética brasileira.

Fonte: O Presente Rural
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O Cerrado entre o desenvolvimento e a destruição

Maior fronteira agrícola do país, o bioma concentra parte da expansão da produção de grãos, enquanto especialistas, produtores e comunidades divergem sobre os impactos econômicos, ambientais e sociais desse modelo de desenvolvimento.

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O agronegócio do Brasil é apontado como motor do crescimento econômico do país. Por outro lado, é criticado pelo potencial de concentração de terras e renda, além dos danos ambientais em larga escala. Entre os problemas está o desmatamento da savana brasileira, o Cerrado, tido como berço das águas por sediar as nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas do país. Para pesquisadores, ambientalistas e ativistas, o avanço do desmatamento no bioma coloca em risco a segurança hídrica do país ao agravar a redução das vazões dos rios.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Tribunal Permanente dos Povos (TPP), que reúne 56 movimentos sociais, acusa estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior de ecocídio do Cerrado, que é o crime de destruição do bioma. E chamam de genocídio o que ocorre com povos tradicionais expulsos dos seus territórios. “O veredito do júri foi unânime na condenação e reconhecimento da responsabilidade objetiva e compartilhada entre Estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior, pela destruição e perda do ecossistema do Cerrado como um todo”, diz o documento de 2022.

A savana mais biodiversa do planeta já teve sua vegetação nativa suprimida em 47,9% ao longo da história, segundo dados do Mapbiomas. As atividades agropecuárias são as que mais pressionam o Cerrado, ocupando 24% do bioma após expandir sua área de atuação em 74% entre 1985 e 2024.

Do Cerrado ainda em pé, quase metade (47,8%) está na região do Matopiba – região que abarca Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde se concentram as maiores taxas de desmatamento do bioma e onde segue ativa a expansão da fronteira agrícola brasileira.

O que é agronegócio?
Antes de delimitar a contribuição econômica dessa atividade, existe uma disputa em torno do que pode ser considerado agronegócio. O professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e

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economista Danilo Araújo Fernandes alertou que há setores do agro que tentam incluir toda produção agrícola dentro do conceito, mas que é preciso diferenciar o agronegócio da chamada agricultura familiar. “Agronegócio é um termo meio fantasia que é muito genérico. Eu classifico de agro essa agricultura patronal, ou seja, onde você tem a massa da mão de obra assalariada, em grande parte mecanizada, mas não necessariamente”, explicou.

Para o professor de economia política da Universidade Federal do Pará (UFPA) Gilberto de Souza Marques, o termo agronegócio deve ser restrito aos grandes conglomerados econômicos controlados por complexos financeiros de larga escala, que financiam, junto com o Estado, toda essa atividade. “O agro, na realidade, é a grande produção, as grandes propriedades, os grandes conglomerados e os grandes complexos financeiros”, classificou.

Peso econômico
Ao mesmo tempo em que acumula danos ambientais, o agronegócio brasileiro é tido pelos governos e especialistas como fundamental para economia do país, ao criar superávits na balança comercial que ajudam a estabilizar a moeda, além de gerar renda e empregos e impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

O setor primário – que reúne agricultura e pecuária, mas também mineração – foi diretamente responsável por 6,2% do PIB em 2024. Porém, pesquisas apontam que o peso do agro pode chegar a até 25% do PIB quando considerado o efeito cascata dessa produção nos setores de transporte, insumos e da agroindústria, conforme calcula a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP).

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No primeiro trimestre de 2025, o governo federal comemorou o crescimento do PIB puxado pelo agronegócio. O setor cresceu 2,9% se comparado ao primeiro trimestre de 2024. Em relação ao trimestre anterior, o crescimento foi de 12,2%. “O agro foi o grande responsável por esse crescimento. É a força da economia brasileira puxada pela agropecuária”, destacou, à época, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Muito além do PIB
Para o economista da UFPA Danilo Fernandes, que estuda o desenvolvimento econômico sustentável, não podemos limitar a avaliação do papel do setor ao PIB, sendo necessário incluir na equação a área total que a atividade usa para gerar essa riqueza. “Não é só o PIB. Quanto você imobiliza o território nacional para produzir aquele PIB? O quanto você destrói de outras possibilidades, de desmatamento, de impacto sobre a biodiversidade? Ou seja, naquele momento você gera uma riqueza que usa bastante terra, desmata a floresta, destrói a biodiversidade e pode diminuir o nível da chuva”, ponderou.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Apesar de reconhecer a importância econômica do agronegócio empresarial para a economia nacional, o professor Danilo Fernandes defende que é preciso barrar a expansão desse modelo para novas áreas. “O agro é importante, portanto, a gente não pode eliminar o agronegócio. Esses empresários têm um papel muito grande na economia, na política e na influência cultural. Mas a gente precisa, de alguma forma, conter essa expansão”, afirmou.

Negócio financiado pelo Estado
Os economistas destacaram que o agronegócio brasileiro se tornou um dos mais competitivos do mundo graças ao apoio do Estado ao longo das últimas décadas. Atualmente, o Brasil lidera a produção do principal grão do mercado mundial, a soja, com 169 milhões de toneladas na safra 2024/2025, o que representa 40% de toda produção mundial.

Em seguida, vêm os Estados Unidos (EUA), com 118 milhões de toneladas, e, em terceiro, a Argentina, com aproximadamente 51 milhões de toneladas, volume semelhante ao que é produzido apenas no Mato Grosso (MT).

Segundo os pesquisadores, fatores que contribuíram para a competitividade do agro brasileiro foram terras abundantes e baratas, em alguns casos fruto da grilagem; e o apoio estatal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estatal que desenvolveu tecnologias que permitiram a expansão das culturas para regiões mais áridas, como o Cerrado.

Os especialistas também destacam os incentivos fiscais, em especial por meio da Lei Kandir, de 1996, que isenta do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtos primários ou semielaborados usados na exportação.

Ao criticar iniciativas de mudanças na Lei Kandir no Congresso Nacional, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, reconheceu o

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

papel fundamental da medida. “A Lei Kandir permitiu que os produtos agropecuários brasileiros se inserissem no mercado internacional de maneira competitiva, chegando a tornar-se um dos setores mais dinâmicos da economia nacional e um dos principais fornecedores de alimentos para o mundo”, enfatiza.

Além disso, o setor é beneficiado com centenas de bilhões de reais anuais em empréstimos com juros subsidiados por meio do Plano Safra do governo federal. Em 2025, o valor bateu o recorde de R$ 516,2 bilhões. Já para a agricultura familiar, o total destinado foi de R$ 89 bilhões no ano agrícola 2025/2026.

Para o professor de economia política da UFPA, Gilberto de Souza Marques, a capacidade de geração direta de empregos do agronegócio empresarial é limitada diante do montante de capital envolvido. “E, principalmente, diante do montante de isenção fiscal que o Estado dá para esses setores e de crédito subsidiário que o Estado concede, além de outros favores”, menciona.

Dados do Censo de 2022 apontam que 7,5% da população total ocupada no Brasil está na agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e aquicultura. O dado não diferencia agricultura familiar da empresarial.

Como foi o Estado que direcionou a economia brasileira para o agro de exportação, por meio de décadas de investimentos, o economista Danilo Araújo Fernandes avalia que deve ser o Estado a projetar outro tipo de expansão econômica que seja social e ambientalmente mais sustentável. “Se não quero a expansão do agro, que tipo de expansão econômica queremos? Aí entra outra discussão. Quais as alternativas que você tem para o desenvolvimento de regiões como o Matopiba ou Amazônia?”, questiona.

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Mercado interno de alimentos
E se os incentivos fiscais do governo dão competitividade aos produtos nacionais no mercado mundial, o economista Danilo Fernandes, por sua vez, destacou que o apoio ao agronegócio de exportação, ao longo das décadas, contrasta com o apoio à agricultura voltada para o mercado interno, o que teria criado distorções que prejudicaram o abastecimento nacional, pressionando o preço dos alimentos aqui no Brasil. “Esse apoio do Estado foi sendo direcionado aos poucos, com muito investimento, para o mercado externo. Ao mesmo tempo, o mercado interno ficou dependendo da agricultura familiar que, por sua vez, recebeu muito menos apoio. Durante o regime militar, por exemplo, é absurda a diferença”, disse.

Com a redemocratização do país, na década de 1980, Fernandes disse que o Estado voltou elaborar políticas focadas na agricultura familiar, em especial por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), criado em 1995. O atual governo afirma que aumentou em 47,5% o valor do Pronaf em relação à gestão anterior.

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Domínio internacional
Enquanto o Brasil participa como um dos maiores produtores mundiais de alimentos, esse mercado é controlado, em sua maior parte, por quatro grandes conglomerados multinacionais. “Elas controlam entre 50% e 80% do mercado mundial de grãos do planeta, dependendo da estimativa. De toda forma, isso é um absurdo em relação à concentração de mercado”, afirmou o economista Gilberto Marques.

Devido a essa estrutura de oligopólio, o especialista argumenta que essas multinacionais exercem amplo controle do mercado, incluindo dos preços, e financiam boa parte dos produtores brasileiros por meio de compras futuras. “Eles não são, em geral, produtores. São controladores do mercado. E hoje, em grande medida, são financiadores também. Eles já fazem contratos com preços fixados para as safras seguintes. E muitas vezes, nesses contratos, eles já adiantam parte do pagamento. Nesse sentido, o produtor direto, o chamado agro brasileiro, fica ali preso a eles”, explicou.

Por conta dessa dinâmica, o empresário brasileiro só tem ganhos em uma economia de escala, ou seja, de grandes proporções. “Esse preço tem uma margem pequena de lucro, mas, quando você produz em enorme quantidade, isso se transforma numa massa de lucro grande. E essa economia de escala, por outro lado, impõe que essa produção seja uma produção cada vez mais mecanizada, o que repercute em um baixo nível de emprego”, acrescentou

Fonte: Agência Brasil
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