Avicultura Nutrição
Avaliação prévia do cereal é decisiva contra micotoxinas nas rações
Cuidados envolvendo boas práticas na produção dos cereais desde o plantio até a colheita, assim como os métodos de controle de produção das rações e de qualidade de ingredientes são fundamentais para que se gerencie os riscos com micotoxinas

Para se evitar a contaminação das rações, a prevenção ainda é a maneira mais eficiente. Os cuidados envolvendo
boas práticas na produção dos cereais desde o plantio até a colheita, assim como os métodos de controle de produção das rações e de qualidade de ingredientes são fundamentais para que se gerencie os riscos com micotoxinas nas rações de aves. A nutricionista Renata Soares Marangoni explica um pouco como acontece o processo de produção para evitar contaminações e garantir a maior segurança alimentar das aves. Confira!
O Presente Rural (OP Rural) – Quais os impactos das micotoxinas na produção avícola?
Renata Soares Marangoni (RSM) – As micotoxinas afetam a saúde das aves de uma forma ampla, comprometendo diversos fatores, como a imunidade, os processos digestivos, a performance zootécnica e, consequentemente, a lucratividade da atividade avícola. Dentre diversos efeitos deletérios das micotoxinas podemos citar alguns como: maior suscetibilidade aos desafios sanitários; redução no consumo de ração; problemas na qualidade entérica; redução na taxa de ganho de peso; redução na produção de ovos; redução na fertilidade e eclosão em matrizes.
OP Rural – Este é um problema percebido nas rações de aves. Como fazer para evitar a contaminação?
RSM – É bastante complexo e difícil o controle prático de se evitar a contaminação das rações, principalmente devido a variabilidade que encontramos na qualidade dos cereais utilizados na produção das rações. Ingredientes como o milho, soja, trigo e seus derivados, entre outros, necessitam ser avaliados e qualificados de acordo com as suas contaminações para que se possa fazer uma utilização mais criteriosa dos grãos e com isso se tenha uma redução na possibilidade de contaminação das rações produzidas, e assim se evite ou reduza a contaminação das aves no campo pelas diversas micotoxinas conhecidas.
Os cuidados envolvendo boas práticas na produção dos cereais desde o plantio até a colheita são fundamentais para se controlar o desenvolvimento fúngico nas lavouras e com isso se evitar que estes produzam micotoxinas que contaminam os grãos. Cuidados no transporte, no processamento e na armazenagem dos grãos também são fundamentais para que se evite o desenvolvimento de fungos e consequentemente se reduza a possibilidade de contaminações com micotoxinas.
Para se evitar a contaminação das rações, a prevenção ainda é a mais eficiente, para isso se faz necessário o uso de ingredientes não contaminados e portanto práticas de gerenciamento de riscos de contaminação, através de medidas como a análise prévia das micotoxinas presente nos grãos, a fim de se conhecer quais micotoxinas estão presentes e também o grau de contaminação destas matérias-primas, são fundamentais.
Através de análises constantes de diferentes lotes de grãos recebidos ao longo do ano, pode-se criar um histórico de resultados de contaminação de micotoxinas, possibilitando a classificação de diferentes fornecedores, regiões produtoras e épocas do ano.
De posse destas informações o técnico poderá tomar a melhor decisão de uso em relação as possibilidades de problemas que a utilização de grãos contaminados poderia causar às aves.
OP Rural – Como garantir a segurança e qualidade das rações de aves?
RSM – Garantir a segurança e qualidade das rações, em relação as contaminações por micotoxinas, é um trabalho difícil e envolve diversas etapas no processo de produção. É necessário, entre outras medidas, que se controle a qualidade dos grãos. Para isso medidas como a análise de micotoxinas, já no recebimento grãos, a fim de se conhecer o risco da matéria prima que se está recebendo antes de se colocá-la na fábrica, é muito importante. Pois isso ajudará na tomada de decisão, se devemos ou não aceitar determinadas cargas de grãos que sejam provenientes de lotes contaminados.
É de fundamental importância que cada empresa crie seu padrão de qualidade para recebimento e monitoramento de matérias-primas. Este padrão deve ser sempre discutido com os fornecedores e utilizado para a qualificação e classificação deles.
A segregação de grãos, em diferentes silos, de acordo com a qualidade e em relação a níveis de contaminação presentes também pode ser realizada e isso facilitará a ação dos técnicos na decisão da melhor utilização de grãos com maior probabilidade de contaminação em categorias animais de menor risco, buscando assim reduzir os efeitos prejudiciais na performance das aves.
A utilização de processos fabris, como a realização da avaliação na qualidade físico-química dos grãos no recebimento, a realização da pré-limpeza do milho, antes de sua utilização também são práticas que podem ajudar a melhorar a qualidade do ingrediente utilizado em relação a problema com contaminação de micotoxinas.
A utilização da mesa densimétrica, para qualificação de milho, também é outro processo que pode ajudar a reduzir a contaminação por micotoxinas no milho que se utiliza nas rações.
OP Rural – Aditivos ajudam a reduzir os riscos?
RSM – A utilização de aditivos anti micotoxinas, nas rações, tem sido prática comum na atividade avícola e isso tem ajudado a controlar os efeitos nocivos das micotoxinas nas aves. Estes aditivos não controlam a contaminação dos grãos e da ração, mas ajudam na redução da absorção das micotoxinas no trato digestório das aves, e com isso diminui-se a probabilidade de que as diversas micotoxinas afetem a saúde das aves e manifestem seus efeitos deletérios nos animais.
OP Rural – Fazer a ração exclusivamente para aves, não havendo mistura, os riscos de contaminação são menores?
RSM – De modo geral não, como falamos, os maiores riscos de contaminação estão nas matérias primas, nos cerais e não se relacionam com a espécie animal para qual a ração está sendo produzida. Por exemplo: o milho contaminado com micotoxinas vai contaminar todas as rações produzidas com ele, independente da espécie a qual está destina.
OP Rural – As micotoxinas causam perdas no valor nutricional da ração?
RSM – As micotoxinas são metabólitos tóxicos produzidos pelos fungos, em algumas situações, como, por exemplo, mecanismo de defesa em determinadas situações de desafios, e são mais associadas aos seus efeitos prejudiciais diretamente aos animais. Normalmente as perdas nutricionais nos grãos se relacionam com o desenvolvimento dos fungos, já que estes se utilizam de nutrientes presentes nos grãos para se desenvolverem, e com isso afetam a qualidade nutricional dos grãos.
OP Rural – É possível haver contaminação após a ração estar pronta?
RSM – Normalmente as contaminações são oriundas das matérias-primas e estas sim contaminam as rações finais produzidas. Porém, pode haver alguns casos, com o tempo longo de armazenamento das rações, um aumento na quantidade de determinados tipos de micotoxinas presentes, devido a presença de fungos específicos que podem se desenvolver com o tempo.
Portanto, o controle microbiológico da ração durante e após a sua produção, assim como a qualidade de seu armazenamento, são de grande importância para se evitar a contaminação por fungos e consequentemente reduzir o risco de contaminação por micotoxinas.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2019 ou online.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




