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Peixes Maré alta de inovação

Automação está oxigenando a aquicultura brasileira; saiba o que vem por aí

Há poucos anos era vista como um luxo acessível apenas a grandes operações, começa a se consolidar como uma ferramenta indispensável para produtores que buscam aumentar a eficiência, reduzir custos e operar de maneira mais sustentável.

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Foto: Shutterstock

A aquicultura, um dos setores mais promissores do agronegócio brasileiro, está passando por uma transformação silenciosa, mas impactante. A automação, que há poucos anos era vista como um luxo acessível apenas a grandes operações, começa a se consolidar como uma ferramenta indispensável para produtores que buscam aumentar a eficiência, reduzir custos e operar de maneira mais sustentável. Em meio a esse cenário de mudanças rápidas, João Bordignon, engenheiro de aquicultura, pós-graduado em Engenharia de Controle e Automação Industrial e mestre em Engenharia e Tecnologia Ambiental, traz uma perspectiva valiosa sobre o futuro da automação na aquicultura.

Atuando como com equipamentos agroindustriais em uma grande empresa do setor desde 2019, Bordignon compartilha nesta entrevista uma visão abrangente do panorama atual da automação no setor aquícola brasileiro. Ele destaca as tecnologias que já estão em uso, como os alimentadores automáticos, e explora as inovações emergentes que prometem liderar o processo de automação nos próximos anos. Além disso, Bordignon aborda os desafios e as oportunidades que essa transformação digital traz para os produtores, enfatizando a importância da sustentabilidade ambiental e da capacitação dos profissionais.

Nesta entrevista, ele oferece um panorama completo sobre o que já está em prática, o que está por vir e como esses avanços tecnológicos podem ajudar a criar uma aquicultura mais eficiente e sustentável no Brasil.

O Presente Rural – Como você avalia o estágio atual da automação da aquicultura brasileira?

João Bordignon – A automação na aquicultura brasileira está avançando, entretanto, é fato que ainda temos um longo caminho para percorrer e com ele diversos desafios, como a redução dos custos de implantação, adaptação para as condições locais de algumas propriedades/espécies e a própria aceitação dessas novas tecnologias por alguns produtores.

O Presente Rural – Quais são as principais tecnologias que já estão em uso e como elas têm impactado a produtividade dos produtores?

João Bordignon – Atualmente o principal equipamento automatizado nas propriedades aquícolas brasileiras são os alimentadores automáticos. A automação nativa desses equipamentos é extremamente simples, sendo responsável pelo acionamento/desacionamento do alimentador de forma automática em horários programados. Embora seja uma automação simples, os alimentadores automáticos garantem diversas vantagens como:

·         Precisão na alimentação: Devido a grande precisão na alimentação esses equipamentos evitam tanto excessos quanto déficits nutricionais, garantindo a saúde dos animais, auxílio na manutenção de parâmetros adequados de qualidade de água além, da redução de custos relacionados a desperdícios.

·         Eficiência operacional: A automação da alimentação reduz a necessidade do trabalho manual dentro da propriedade, economizando tempo e, portanto, podendo reduzir custos relacionados a mão de obra. Além disso, a alimentação torna-se totalmente independente de fatores externos ou da presença de operadores, garantindo que os animais tenham uma consistência na alimentação.

·         Melhoria na saúde e crescimento dos peixes: A alimentação regular, consistente e com ampla distribuição no tanque, garante uma menor competição pelo alimento, reduzindo os níveis de estresse nos animais, o que se reflete em animais mais saudáveis.

De modo geral, a utilização de alimentadores automáticos em pisciculturas tende a gerar uma operação mais eficiente, econômica e sustentável, trazendo benefícios tanto para os produtores quanto para a saúde e crescimento dos animais.

Alimentador automático

Alimentador automático – Foto: Divulgação

O Presente Rural – Quais são as tecnologias emergentes que você acredita que liderarão o processo de automação na aquicultura nos próximos anos?

 

João Bordignon – Sem sombra de dúvidas as principais tecnologias do setor aquícola para os próximos anos serão as relacionadas com a qualidade de água e gestão das propriedades, embora sejam tecnologias recentes, esses tipos de sistema já são uma realidade em uma pequena parte das propriedades.

Poderíamos dar exemplos específicos e explicar como essas inovações podem transformar o setor?

João Bordignon – Os sistemas de automação relacionados aos parâmetros de qualidade de água são sistemas mais avançados tendo em vista que vão muito além de acionar equipamentos em horários programados. Esses sistemas são projetados para monitorar os parâmetros de qualidade de água durante todo o dia por meio de sensores, esses sensores coletam as informações dos viveiros em tempo real e as enviam (sinal de rádio) para uma central de monitoramento, que compara os dados coletados com os valores pré-estabelecidos pelo operador e a partir daí toma a decisão sobre o que fazer com os equipamentos da propriedade (aeradores, alimentadores, exaustores, luzes, etc.), o que permite o ajustar e/ou manter os parâmetros de qualidade de água de forma automática e precisa.

No caso dos aeradores, esse tipo de sistema aciona somente os equipamentos necessários para manter os níveis de oxigênio dissolvido/temperatura adequados naquele momento. No caso dos alimentadores, é possível acionar ou não o alimentador de acordo com os níveis de oxigênio e/ou temperatura, além de ajustar os percentuais de trato com base nesses e outros valores, garantindo maior assertividade na operação, além de facilitar ajustes diários de trato, de acordo com o aumento de biomassa, por exemplo.

Central de monitoramento

Central de monitoramento – Foto: Divulgação

O Presente Rural – O uso de automação e inteligência artificial tem sido amplamente discutido em diversas áreas do agronegócio. Como essas tecnologias podem ser aplicadas na aquicultura e quais benefícios práticos elas podem trazer para o produtor?

João Bordignon – A automação e a inteligência artificial têm o potencial de transformar a aquicultura de maneira significativa, trazendo uma série de benefícios práticos para os produtores. Isso se torna muito evidente quando unimos os dados coletados pelo sistema de automação, com os dados inseridos em  plataformas de gestão, pois, a partir daí, com o auxílio de inteligência artificial conseguimos cruzar as informações em tempo real a fim de identificar situações inadequadas de qualidade de água, por exemplo, podendo intervir imediatamente para corrigir o problema (acionando uma bomba para renovação de água ou acionando aeradores para auxiliar na desestratificação, dentre outros) ou gerando insights de possíveis soluções para o produtor por exemplo.

O Presente Rural – A sustentabilidade é uma preocupação crescente na aquicultura. Como as novas tecnologias de automação podem contribuir para práticas mais sustentáveis, especialmente em termos de gestão de recursos hídricos e controle de resíduos?

João Bordignon – De fato, a sustentabilidade é uma questão crucial na aquicultura e as novas tecnologias têm um papel importante no aprimoramento das técnicas utilizadas, a fim de as tornar cada vez mais sustentáveis.

Propriedades automatizadas e com um bom sistema de gestão resultam em uma análise de dados mais simples e assertiva, permitindo ao produtor gerenciar eficientemente os recursos da propriedade, como ração, energia e água.

Quando os sistemas de alimentação automatizados são instalados em uma propriedade, esses podem ajustar a quantidade e o tempo de alimentação dos organismos aquáticos utilizando por vezes algoritmos que passam a considerar a biomassa e as necessidades nutricionais dos animais, com isso evitamos situações de superalimentação, por exemplo, o que por sua vez reduz a quantidade de resíduos gerados e melhora os parâmetros de qualidade de água.

Podemos citar novamente os sistemas de automação para controle dos parâmetros de qualidade de água, que além de reduzirem a necessidade de trocas frequentes de água, economizando recursos e minimizando o impacto ambiental, também garantem que os animais vivam em um ambiente saudável, o que possibilita um melhor aproveitamento da ração fornecida.

Também podemos citar os sistemas de recirculação de água (RAS), que por vezes usam equipamentos e sistemas automatizados para tratar e recircular a água. Esses sistemas reduzem o consumo de água e minimizam o descarte de efluentes, promovendo uma gestão mais sustentável dos recursos hídricos.

O Presente Rural – A automação é frequentemente vista como um meio de aumentar a rentabilidade ao reduzir custos operacionais. Quais são as áreas da aquicultura onde a automação pode ter o maior impacto na redução de custos e aumento da eficiência?

João Bordignon – De acordo com diversos estudos, os principais custos operacionais dentro de uma propriedade aquícola são os relacionados com energia e alimentação, podendo ser responsáveis por cerca de 80% do custo total da operação e, portanto, essas são as principais áreas onde observamos reduções significativas de custos.

Propriedades com sistemas automatizados de qualidade de água têm a garantia de que a energia utilizada na operação é somente a necessária (nada a mais, nada a menos) ou seja, a propriedade tem a máxima eficiência energética possível de acordo com os equipamentos e infraestrutura da propriedade.

Já com relação à alimentação, observamos resultados significativos de melhora na conversão alimentar, pois, como é de saber notório, animais que vivem em um ambiente saudável (com níveis adequados de oxigênio) têm retornos de conversão alimentar superiores.

O Presente Rural – Quais são os principais desafios que os produtores enfrentam ao adotar novas tecnologias?

João Bordignon – A adoção de novas tecnologias na piscicultura, assim como em outras áreas, pode trazer muitos benefícios, mas também pode apresentar alguns desafios.

·         Custo Inicial: O custo inicial para adquirir e implementar alguns tipos de tecnologias pode ser significativo.

·         Adaptação: Novas tecnologias podem exigir habilidades e conhecimentos específicos. Além de alterar alguns hábitos existentes no dia a dia dos piscicultores.

·         Manutenção e suporte técnico: O suporte técnico acessível e rápido é fundamental para resolver possíveis problemas e manter essas tecnologias funcionando.

·         Incerteza sobre retorno de investimento: A incerteza sobre o retorno de investimento pode desencorajar a adoção de novas tecnologias. Os produtores podem hesitar em adotar tecnologias até que possam comprovar seus benefícios financeiros e operacionais.

·         Impactos na gestão e cultura organizacional: A introdução de novas tecnologias pode exigir mudanças na estrutura de gestão e na cultura organizacional da propriedade. A resistência à mudança por parte dos funcionários e a necessidade de novas abordagens de gestão podem ser desafios significativos. É importante ressaltar que a aceitação e adaptação dos funcionários às novas tecnologias são cruciais, pois, a resistência à mudança ou falta de habilidades podem afetar a eficácia da implementação.

O Presente Rural – Como a assistência técnica tem abordado esses desafios para facilitar a transição para tecnologias mais avançadas?

João Bordignon – Acredito que o principal papel dos técnicos em relação a simplificação do processo de transição para novas tecnologias é no que se refere a transferência de conhecimento, cabe aos técnicos realizar esse papel, nós, enquanto técnicos temos a obrigação de nos mantermos atualizados a respeito das novas tecnologias, pesquisas e experimentos realizados dentro das empresas/universidades e repassar esse conhecimento para os produtores, tornando-os cada vez mais técnicos dentro da atividade, fazendo com que entendam de fato os reais benefícios das mudanças sugeridas.

É de suma importância que cada vez mais as empresas e instituições públicas forneçam apoio ao aprendizado dos produtores, por meio de eventos, vídeos, palestras, dias de campo, workshops etc., a fim de fomentar e demonstrar a simplicidade e os benefícios da utilização dessas novas tecnologias.

O Presente Rural – Existe algum exemplo internacional de automação na aquicultura que possa servir como referência para o Brasil?

João Bordignon – Sim, a aquicultura brasileira embora esteja crescendo ano após ano, ainda está muito atrás em nível tecnológico de outros mercados como o da indústria salmonera de países como Noruega e Chile, por exemplo. Uma tecnologia muito interessante utilizada nesse mercado parte do uso da inteligência artificial aliada a sistemas de visão, onde câmeras monitoram 24h por dia os animais, a fim de identificar padrões de comportamento, e através disso, saber se os animais estão ou não com fome e a partir daí acionar automaticamente alimentadores (variando até mesmo a taxa/quantidade de arraçoamento ao longo do dia). Além disso, esse tipo de sistema pode realizar diversas outras funções, como identificar lesões e doenças nos animais, realizar biometrias, gerar relatórios, controlar sistemas de aeração, prevenir escapes e muito mais, tudo de modo automático.

O Presente Rural – Como essas experiências podem ser adaptadas à realidade brasileira?

João Bordignon – Ainda existe uma dificuldade de implantação desse tipo de tecnologia nos sistemas brasileiros, devido ao alto custo de implantação, tendo em vista que as espécies de produção brasileira têm uma margem de lucro menor quando comparada à produção de salmão. Além disso, o tipo de produção brasileira, que é predominantemente composta por produção em tanques escavados, e isso dificulta o uso desse tipo de tecnologia, pois a água possui uma turbidez maior quando comparada à produção de salmão, que é predominantemente realizada em sistemas de tanque rede em alto mar, essa turbidez prejudica muito a qualidade das imagens, dificultando a inserção desse tipo de tecnologia.

O Presente Rural – Como você vê a evolução da automação na aquicultura impactando o mercado brasileiro nos

Engenheiro de aquicultura, João Bordignon – Foto: Divulgação

próximos cinco anos? Podemos esperar um aumento significativo na competitividade e na produção nacional?

João Bordignon – Nos próximos cinco anos, a automação na aquicultura brasileira deverá transformar o mercado de maneira significativa. A adoção de tecnologias avançadas promete aumentar a produtividade e a eficiência das propriedades, reduzindo custos operacionais e melhorando a qualidade e consistência dos produtos. Isso permitirá que os produtores se tornem mais competitivos tanto no mercado nacional quanto internacional. Além disso, a automação ajudará a promover práticas mais sustentáveis, minimizando o impacto ambiental e atendendo às regulamentações mais rigorosas.

No entanto, como mencionado anteriormente, temos desafios que incluem o alto custo inicial e a necessidade de adaptação às novas tecnologias. Nesse sentido, a automação também poderá gerar novas oportunidades de emprego e estimular a inovação no setor. O sucesso dessa transição dependerá de políticas públicas favoráveis e do apoio à formação e capacitação da mão de obra necessárias para operar as tecnologias emergentes.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de Aquicultura acesse a versão digital, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Peixes

Embrapa conquista quatro prêmios na Aquishow com projetos que vão da merenda escolar à redução de custos na tilapicultura

Pesquisas premiadas incluem livro sobre consumo de pescado nas escolas, documentário sobre piscicultura familiar e tecnologia capaz de reduzir em até 7% os custos de produção de tilápia.

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Representantes da Embrapa Pesca e Aquicultura durante a cerimônia de premiação da Aquishow Brasil 2026, ao lado do ministro da Pesca e Aquicultura - Foto: Divulgação

A Embrapa Pesca e Aquicultura teve quatro trabalhos premiados no Prêmio Inovação Aquícola 2026, durante a abertura da Aquishow Brasil 2026, realizada na última terça-feira (09), em Uberlândia (MG). O Centro de Pesquisa teve projetos reconhecidos nas três categorias da premiação: Sustentabilidade, Academia e Produção, com destaque para o primeiro lugar obtido pelo livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar.

O Prêmio Inovação Aquícola reconhece projetos e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento da cadeia produtiva da aquicultura no Brasil. Os três primeiros colocados de cada categoria receberam troféu, certificado e ajuda de custo para participação no evento.

Além dos resultados no Prêmio Inovação Aquícola, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas do Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, entregue na mesma solenidade. A Aquishow Brasil segue até 11 de junho.

Para Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, o reconhecimento obtido na Aquishow Brasil 2026 demonstra que a pesquisa desenvolvida pela Unidade está conectada às necessidades da aquicultura brasileira. “Os prêmios mostram que estamos no caminho correto, atendendo às demandas que o setor precisa. São anos de desenvolvimento dessas inovações e de dedicação dos pesquisadores que resultam em reconhecimentos como esse”, destaca.

Livro sobre alimentação escolar vence categoria Sustentabilidade

O livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar foi o vencedor da categoria Sustentabilidade. A obra é resultado de uma parceria entre a Embrapa Pesca e Aquicultura e o curso de Nutrição da Universidade Federal do Tocantins (UFT), voltada à promoção da inserção do pescado na alimentação escolar por meio de ações de educação alimentar e nutricional.

A publicação reúne receitas à base de pescado desenvolvidas para o ambiente escolar com o uso da Carne Mecanicamente Separada (CMS), tecnologia que elimina o risco de consumo de espinhas e amplia as possibilidades de preparo para o cardápio das escolas.

O livro é um dos produtos do projeto Integração do pescado da piscicultura familiar nas políticas agroalimentares: estratégias de transferência de tecnologia para os atores envolvidos na alimentação escolar, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), por meio da Rede de Desenvolvimento Regional do Tocantins (Rede Deser).

São autores da publicação Hellen Christina de Almeida Kato, Diego Neves de Sousa e Jefferson Cristiano Christofoletti, da Embrapa Pesca e Aquicultura, além de Caroline Roberta Freitas Pires e Rebeca Gomes Bruschi, da UFT. “O Prêmio Inovação Aquícola demonstra que os esforços desenvolvidos em pesquisa, transferência de tecnologia e articulação institucional têm gerado resultados concretos para a valorização da cadeia do pescado, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento regional”, afirma Sousa.

Projeto de governança territorial conquista terceiro lugar

Também na categoria Sustentabilidade, o projeto Inovação em governança territorial para uma aquicultura de política de Estado alcançou o terceiro lugar. Desenvolvido em parceria com a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins (Sepea) e coordenado pela pesquisadora Hellen Christina de Almeida Kato, o projeto apoia a elaboração de planos municipais de desenvolvimento da pesca e da aquicultura por meio de uma metodologia construída a partir das realidades locais.

Como parte da iniciativa, foram realizadas oficinas presenciais com representantes municipais, técnicos e lideranças comunitárias para identificar prioridades e definir estratégias de desenvolvimento adequadas a cada território.

Entre os resultados alcançados está a promulgação da Lei Estadual nº 4.508/2024, que instituiu o Programa Trilha da Pesca e Aquicultura no Tocantins. “Participamos da construção de um modelo que pode ser replicado para outros estados. Sistematizar essa experiência pode contribuir para o fortalecimento da governança da aquicultura para além dos limites do Tocantins”, afirma Hellen.

Documentário sobre piscicultura familiar

O documentário Entre Redes e Desafios foi reconhecido com o segundo lugar na categoria Academia. A produção é de autoria de Elizângela de França Carneiro Carvalho, Hellen Christina de Almeida Kato e Diego Neves de Sousa, da Embrapa Pesca e Aquicultura, e dos professores Carlos Franco e Keile Aparecida Beraldo, da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

A produção foi realizada pela Embrapa, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas (Gespol/UFT) e pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR/UFT), com apoio da Associação Bom Peixe, da Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura do Tocantins (Sepea) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/TO).

A obra retrata os desafios enfrentados por piscicultores familiares no acesso às políticas públicas, acompanhando a realidade da Associação Bom Peixe, localizada no Parque Aquícola de Sucupira, em Palmas (TO). “Receber esse prêmio na Aquishow, que é um evento de grande relevância para a aquicultura nacional, é muito significativo. O documentário Entre Redes e Desafios retrata a realidade da grande maioria dos piscicultores do Brasil. Estima-se que 99% deles são pequenos produtores e enfrentam dificuldades no acesso a políticas públicas”, pontua Elizângela.

Para a autora, a visibilidade proporcionada pela premiação pode contribuir para o avanço de ações conjuntas voltadas à implementação de políticas públicas capazes de atender às diferentes realidades dos piscicultores do país.

Soluções para redução de custos

O trabalho Eficiência produtiva da tilapicultura: soluções inovadoras para redução de custos e aumento do desempenho da produção de tilápia em tanques-rede no Tocantins obteve o segundo lugar na categoria Produção. O projeto foi conduzido pelos pesquisadores Ana Paula Oeda Rodrigues, Flávia Tavares de Matos, Giovanni Vitti Moro, Leandro Kanamaru Franco de Lima, Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos e Manoel Xavier Pedroza Filho, da Embrapa Pesca e Aquicultura, com participação de Luiz Eduardo Lima de Freitas, da Embrapa Cerrados.

A pesquisa resultou em uma nova tabela de alimentação para tilápia em tanques-rede, com fornecimento de ração 10% inferior ao recomendado pela referência anterior. Como a ração responde por cerca de 70% dos custos da atividade, a nova tabela, associada a boas práticas de manejo, tem potencial para reduzir as despesas em até 7%.

Na prática, isso representa uma redução de R$ 7,00 para R$ 6,51 por quilo de peixe produzido. Os resultados foram obtidos em uma piscicultura comercial no reservatório de Lajeado, no Tocantins. “Esse prêmio é muito importante porque mostra que as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa estão voltadas para a solução de problemas reais do produtor. O reconhecimento em um evento como a Aquishow demonstra que estamos no caminho certo para desenvolver tecnologias de aplicação prática. A adoção dessa tabela de alimentação pode gerar uma redução significativa nos custos de produção, aumentando a rentabilidade da tilapicultura no Tocantins”, destaca Moro.

Indicação ao Prêmio Personalidades

A Aquishow Brasil 2026 promoveu ainda a entrega do Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino – Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, homenagem anual a um homem e uma mulher que se destacaram no desenvolvimento da aquicultura brasileira. O pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas da categoria masculina, reconhecimento que reflete a relevância de sua atuação para o setor.

Entre as contribuições que embasaram a indicação estão a criação e manutenção do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAQUI), plataforma online que reúne dados econômicos e estratégicos do setor; a publicação do Informe Trimestral de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) desde 2019; e a realização de estudos de mercado e de cadeia de valor da aquicultura nos âmbitos nacional e internacional.

Também integra esse conjunto de contribuições sua atuação na implementação de um mecanismo federal de desoneração tributária para as exportações de tilápia, implantado em 2020. A medida reduziu a carga tributária incidente sobre os insumos utilizados na produção destinada ao mercado externo, ampliando a competitividade do produto brasileiro no cenário internacional.

Para Pedroza Filho, a indicação reforça a relevância de iniciativas desenvolvidas em apoio ao setor aquícola brasileiro. “Esse reconhecimento mostra a importância dos nossos trabalhos e serve como um indicador do impacto dessas ações. O CIAQUI e as iniciativas de apoio às exportações de tilápia estão entre os trabalhos reconhecidos, o que nos motiva a continuar dedicando esforços ao desenvolvimento da aquicultura no Brasil”, ressalta.

Fonte: Assessoria Embrapa Pesca e Aquicultura
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Peixes

Aquicultura brasileira busca lições em crise sanitária que transformou a produção de salmão no Chile

Especialistas de Brasil, Chile e Colômbia discutem durante Aquishow Brasil 2026 estratégias de biossegurança, uso responsável de antibióticos e gestão de doenças que impactaram algumas das principais cadeias aquícolas da América Latina.

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Foto: Divulgação

Os riscos sanitários que desafiam a produção mundial de peixes estão no centro das discussões da Aquishow Brasil 2026. Considerado um dos principais eventos da aquicultura nacional, o encontro promoveu um seminário internacional voltado à prevenção de doenças, biossegurança e gestão de crises sanitárias que já provocaram impactos significativos em importantes polos produtores da América Latina.

Com o tema “Crises Sanitárias na Aquicultura: Lições do Salmão no Chile e da Tilapicultura Colombiana para o Brasil”, o seminário foi realizado na quarta-feira (10), em Uberlândia (MG), reunindo especialistas do Chile, Colômbia e Brasil.

O objetivo foi analisar experiências internacionais e discutir como elas podem contribuir para fortalecer a sanidade, a competitividade e a sustentabilidade da aquicultura brasileira.

O que a crise do vírus ISA ensinou ao mundo

Um dos destaques da programação foi a análise da crise provocada pelo vírus da Anemia Infecciosa do Salmão (ISA), considerada um dos episódios sanitários mais marcantes da história da salmonicultura mundial.

Foto: Divulgação/Aquishow

A doença atingiu fortemente a produção chilena e levou o setor a revisar práticas produtivas, protocolos de biossegurança e mecanismos de controle sanitário.

Durante o seminário, o médico-veterinário e diretor técnico do Laboratório Pathovet, Miguel Fernandez, apresentou os impactos da crise e as mudanças implementadas posteriormente pelo setor chileno, incluindo medidas relacionadas à regulação da atividade, monitoramento sanitário e bem-estar animal, bem como fez uma contextualização sobre o cenário sanitário da aquicultura brasileira e os desafios enfrentados historicamente por Chile e Colômbia.

Uso de antibióticos e novas tecnologias

Outro tema que ganhou espaço nas discussões foi o uso responsável de antibióticos na produção aquícola, assunto que vem recebendo atenção crescente de mercados consumidores, autoridades sanitárias e organismos internacionais.

A programação também abordou tecnologias naturais e alternativas não farmacológicas para prevenção e controle de doenças em peixes, estratégias que têm sido cada vez mais estudadas como forma de reduzir riscos sanitários e ampliar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Experiência colombiana com a tilápia

Foto: Pixabay

A experiência da Colômbia na gestão de riscos sanitários da tilapicultura foi apresentada pela patologista veterinária Paola Barato, especialista internacional em saúde de peixes e consultora global em aquicultura.

A proposta foi compartilhar experiências práticas relacionadas à prevenção de enfermidades, monitoramento sanitário e resposta a situações de emergência, temas que ganham importância à medida que a produção aquícola cresce em diferentes regiões do mundo.

Desafios para a aquicultura brasileira

O encerramento do seminário contou com um painel envolvendo representantes da cadeia produtiva brasileira, que discutirão os principais desafios sanitários enfrentados atualmente pelo setor.

Entre os temas debatidos estavam biossegurança, prevenção de doenças, sustentabilidade produtiva e os mecanismos necessários para fortalecer a competitividade da aquicultura nacional.

Segundo a diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), Marilsa Patrício, o debate ganha relevância diante do crescimento da atividade e da necessidade de antecipar riscos que já impactaram outros países. “O seminário internacional reforça o posicionamento da Aquishow Brasil como espaço estratégico para troca de conhecimento, atualização técnica e discussão de temas prioritários para o desenvolvimento sustentável da aquicultura brasileira”, afirma.

A Aquishow Brasil 2026 segue com programação até esta quinta-feira (11), em Uberlândia, reunindo produtores, empresas, pesquisadores, técnicos e representantes da cadeia aquícola de diferentes regiões do país.

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil
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Peixes

Piscicultura de Minas Gerais cresce acima da média nacional e ganha destaque em feira do setor

Aquishow reúne mais de 120 empresas e espera movimentar R$ 130 milhões em negócios.

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Foto: Gustavo Meca

A piscicultura de Minas Gerais vem consolidando sua posição entre os principais polos produtores do país. Com produção anual superior a 77 mil toneladas, o Estado ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking nacional e registra crescimento acima da média brasileira, impulsionado pelas condições favoráveis ao cultivo e pela expansão da cadeia produtiva.

O potencial do setor está em evidência durante a Aquishow Brasil 2026, considerada a principal feira da aquicultura nacional, realizada em Uberlândia entre os dias 09 e 11 de junho. O evento reúne mais de 120 empresas ligadas aos diferentes segmentos da produção de peixes cultivados, com destaque para a tilapicultura, e deve atrair cerca de 7 mil visitantes do Brasil e do exterior.

A expectativa dos organizadores é movimentar mais de R$ 130 milhões em negócios ao longo da feira, fortalecendo oportunidades de investimento, comercialização e parcerias para o desenvolvimento da atividade.

Segundo a presidente da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício, Minas Gerais reúne características que favorecem a expansão da piscicultura e ainda possui regiões com potencial para ampliar a produção. De acordo com ela, o evento tem o papel de conectar os diferentes elos da cadeia produtiva, estimular investimentos e promover ações voltadas ao crescimento sustentável do setor.

Além da área de exposição comercial, a programação contempla uma série de palestras técnicas direcionadas aos produtores. Os temas abordam aspectos considerados estratégicos para a atividade, como sanidade aquícola, nutrição, manejo e gestão das propriedades.

A organização destaca que a disseminação de conhecimento é uma das principais funções da feira, especialmente diante dos desafios enfrentados pela cadeia produtiva, entre eles a prevenção e o controle de enfermidades que podem comprometer a produção.

A programação também inclui homenagens a profissionais que contribuem para o desenvolvimento da aquicultura brasileira. Entre os destaques está o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino. Na edição deste ano, os reconhecimentos foram concedidos a Mayara Fernandes Olsen, da Dourada Piscicultura e Engenharia, e ao professor Ricardo Ribeiro, da Universidade Estadual de Maringá.

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil
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