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Automação e benefícios dos processos produtivos em granjas de matrizes de frango de corte

Tomadas de decisões e/ou investimentos se tornam muito importante para a viabilidade e sustentabilidade do negócio

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Divulgação/Agroceres Multimix

 Artigo escrito por Eduardo Andre Fronza, consultor técnico comercial de Aves na Agroceres Multimix

Em 50 anos, a população mundial exigirá 100% mais alimentos, e 70% desses alimentos deverão vir da adoção de tecnologias. O uso da tecnologia na avicultura é um caminho sem volta. A indústria avícola busca, continuadamente, vantagens competitivas em relação aos concorrentes, pois a perenidade da empresa não está mais, exclusivamente, na operação “produção X venda”, e, sim, nas melhorias contínuas nos indicadores de desempenho da atividade, buscando qualidade e segurança nos produtos. Estes serão fatores decisivos para a sobrevivência e perenidade da empresa.

Até pouco tempo atrás, creditava-se que o baixo custo de produção estava ligado, principalmente, ao baixo custo de mão de obra e reduzido nível tecnológico das granjas (que era “compensado” pela disponibilidade de mão de obra) até então empregadas no Brasil.

É fato – e de conhecimento geral – que as casas genéticas sempre se utilizam dos mais modernos meios e tecnologias disponíveis no mercado em suas pesquisas de desenvolvimento, o que nos direciona a crer que: para usufruirmos do potencial genético destas aves, teremos de implantar essas tecnologias e automações em nossas granjas criatórias.

Evidencia-se também a evolução dos indicadores de desempenho na área de reprodução dessas aves, em um maior número de ovos e melhor eclosão e, consequentemente maior número de pintos em cada ciclo de produção dessas casas genéticas presentes atualmente na atividade e, que é claro, continuará a acontecer devido à crescente demanda por alimentos no mundo. Em contrapartida, as instalações brasileiras encontram-se num nível intermediário abaixo, o que nos leva a questionar: teremos condições de usufruir e nos beneficiar de todo o potencial que estas aves possuem em sua genética? Nos manteremos competitivos?

Assim, as tomadas de decisões e/ou investimentos se tornam muito importante para a viabilidade e sustentabilidade do negócio, que apresenta um ciclo longo (em torno de ano e meio); risco sanitário da atividade; mão de obra e retorno do capital investido.

Desafios de custos de produção, resultados zootécnicos, disponibilidade e qualidade da mão de obra, bem como a biosseguridade nos direcionam à necessidade de emprego tecnológico.

A tendência aponta para complexos produtivos maiores, os quais farão uso de maior tecnologia, menor mão de obra e entrega de um produto acabado de maior qualidade a um custo baixo de produção. Essa mudança está acontecendo à medida em que os processos automatizados comprovam um melhor resultado, diante da maior padronização do produto acabado. É necessário também que os produtores se profissionalizem e busquem uma gestão mais apurada do negócio, através de maior controle de custos de produtividade, acompanhem as tecnologias e investimentos, o que lhes garantirá competitividade. Dessa forma, quem produz mais e melhor terá c mais chances de se posicionar no mercado cada vez mais competitivo.

O uso da tecnologia e automação na criação de reprodutoras nos aponta o quanto essa evolução vem sendo importante para a busca de melhores padrões sanitários, além da melhoria dos indicadores zootécnicos, como: uniformidade, viabilidade, produtividade e aproveitamento, bem como dos indicadores econômicos de redução de custos, mão de obra e lucratividade.

Alguns exemplos atuais do uso da tecnologia na criação de matrizes reprodutoras, em que buscamos o melhor padrão sanitário, melhoria dos indicadores zootécnicos (viabilidade, uniformidade, produção e aproveitamento) e econômicos (redução de custos, mão de obra e lucratividade).

A automação reduz, substancialmente, a mão de obra na granja, mas em algumas situações perde-se em produtividade, até que ocorra o conhecimento sobre o manejo correto da automação, principalmente em ninhos comunitários e climatização.

Nas granjas de matrizes pesadas, existem algumas áreas principais em maior desenvolvimento e implantação da automação, como a área de alimentação, ninhos mecânicos, climatização e a balança seletora de aves.

Alimentação das aves

A alimentação das aves – a exemplo da Europa – segue a utilização por calha corrente como método preferido, mas agora, há a possibilidade de se elevar a linha de calha, que como benefícios em dietas com raçoes peletizadas e trituradas, podemos citar:

  • A uniformidade do consumo de ração, pois como o abastecimento do sistema de comedouro se dá com o equipamento suspenso, o acesso à alimentação de todas as aves ocorre ao mesmo tempo, quando se baixa o comedouro. O maior benefício é a uniformidade das aves e boa produção de ovos;
  • Um ambiente com maior liberdade, livre de obstáculos, para que a ave se locomova por todos os pontos do aviário, sem precisar ficar pulando pelas calhas, principalmente na hora de se deslocar para o ninho e bebedouros;
  • Maior fertilidade do lote devido à liberdade de locomoção, o que melhora a demarcação territorial por parte dos machos, aumentando assim o número de cópulas ao longo do dia;
  • Melhoria da qualidade de cama, que com a suspensão de calhas permite o uso de revolvedores de cama em toda a área útil, o que agiliza o processo e melhora sua eficiência e;
  • Redução de ovos de cama em até 2%, com a melhoria da qualidade dos ovos férteis devido ao livre caminho da ave até o ninho.

Ninhos mecânicos

A coleta dos ovos sempre foi responsável pela maior parcela da mão de obra necessária dentro de uma granja, com a implantação do ninho mecânico, se permitiu a redução entre 30 a 40% desse efetivo.

Atualmente, pouco mais de 50% das granjas possuem essa automação que reduz entre 60 a 70% o tempo de coleta em relação ao ninho manual, permitindo assim que o funcionário dedique mais tempo ao manejo com as aves, com a qualidade de cama, a classificação e manejo dos ovos férteis, resultando em aproveitamento e eclosões melhores.

Em contrapartida, a instalação de ninhos mecânicos nas granjas requer um elevado investimento inicial quando comparado com os ninhos manuais, entretanto esse maior investimento é rapidamente compensado pelo avicultor, em função, principalmente, da redução de mão de obra. Um ponto muito vantajoso é que o ninho mecânico permite realizar várias coletas de ovos ao dia, melhorando assim a qualidade microbiológica d e reduzindo o número de ovos trincados. O ninho comunitário tem ganho a preferência na automação, em nível mundial, porque permite aumentar a densidade de fêmeas por metro quadrado.

Um ponto a ser citado como desvantagem para o ninho mecânico é a possibilidade de obtenção de maior percentual de ovos de cama ou de slats.

Climatização de aviários

Os aviários climatizados surgiram no mundo em 1990, de uma forma mais industrial. No Brasil, a climatização de galpões começou nos anos 2000.  Atualmente, cerca de 30% dos galpões são desse modelo.

Tendo o Brasil o clima temperado, onde a amplitude térmica em muitos momentos escapa da zona de conforto térmico das aves, essa tecnologia consegue minimizar os efeitos nocivos da variação climática que enfrentamos, especialmente em algumas regiões onde ocorre o extremo frio ou calor, permitindo que se mantenha uma faixa de temperatura mais estável e perto da temperatura de conforto ideal das aves. Essa melhor ambiência influencia diretamente a produção, eclosão e até mesmo a viabilidade dos lotes de matrizes. Ainda, outro ponto de importância a citar é o ganho em biosseguridade, pois devido ao aviário climatizado ser mais bem vedado, possui maior segurança, evitando a entrada de pássaros, roedores e até mesmo patógenos transportados pelo ar, diminuindo assim consideravelmente os riscos de doenças as aves alojadas.

O sistema de ventilação atual é baseado na criação de uma pressão negativa, sendo de suma importância que os galpões estejam bem vedados.

As vantagens da utilização do sistema de ventilação são enormes e nos permitem também ter uma maior densidade de aves por metro quadrado, o que auxilia na viabilização dos altos custos de investimento.

O sistema de climatização de aviários trouxe grandes benefícios para a avicultura brasileira, mas ainda apresenta custo alto e payback elevado.

Muitas vezes, os sistemas de ventilação modernos não nos trazem uma melhoria imediata dos resultados técnicos, quando comparado com o sistema anterior de galpão aberto.

A razão, geralmente, é a falta de experiência no manejo dos controles eletrônicos, induzindo a um esfriamento ou aquecimento das aves.

Balança seletora de aves

Com a balança seletora de aves, permite-se classificar as aves de acordo com a categoria de peso, obtendo uma maior precisão, no momento que realizamos a seleção de 100% dos lotes de matrizes. Além da eficiência, conseguimos reduzir significativamente a mão de obra entre 20 e 30%, de acordo com as condições de alojamento e estrutura da granja.

Outro benefício da máquina é a obtenção automática ao final do processo de indicadores, como: PM, uniformidade e coeficiente de variação, números estes que precisaríamos calcular manualmente ao final da tarefa.

O uso da balança seletora automática de aves nos permite reduzir as falhas da ação humana, nos proporcionando lotes com maior uniformidade, melhor viabilidade e lotes com maior potencial de expressar sua aptidão genética, além de ser um investimento com payback relativamente curto. Estima-se o retorno do investimento em menos de 2 anos.

Conclusões

Com a atual demanda de carne de frango, e as previsões futuras do crescimento ainda maior na produção desta proteína, certamente  nos depararemos  com a dificuldade de obtenção de mão de obra especializada que, em conjunto com a maior competitividade e aumento dos padrões de exigência do consumidor, nos direcionam para o caminho da produção com o uso de maior tecnologia e entrega de um produto acabado de maior qualidade a um custo baixo de produção, à medida em que os processos automatizados comprovam um melhor resultado, diante da maior padronização do produto acabado, refletindo na perenidade do negócio.

A utilização de automações ainda sofre com a onerosidade de implantação, mas acredita-se ainda que, com a difusão do uso dos mesmos, a fabricação em maior escala desses equipamentos e ainda, aliado à concorrência gerada entre os próprios fabricantes, venham a se tornar, financeiramente, mais viáveis e com um retorno mais rápido do investimento.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Segurança alimentar na avicultura será tema de palestra internacional no SBSA 2026

Pesquisadora da Universidade de Auburn, Dianna Bourassa apresenta comparativo microbiológico entre países durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, em Chapecó.

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Foto: Shutterstock

Garantir a segurança dos alimentos e compreender os desafios microbiológicos da cadeia produtiva são pontos centrais para a sustentabilidade da avicultura moderna. O tema estará em debate durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) com a palestra Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar, apresentada pela pesquisadora Dianna V. Bourassa, no dia 08 de abril, às 9 horas, durante o Bloco Abatedouro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Dianna é professora associada do Departamento de Avicultura da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos. Possui graduação e mestrado em Avicultura pela Universidade da Geórgia e doutorado em Bioquímica e Biologia Molecular, também pela Universidade da Geórgia. Seu programa de pesquisa aplicada concentra-se em duas áreas principais: intervenções voltadas à melhoria da segurança alimentar ao longo de toda a cadeia produtiva, da criação de frangos de corte ao processamento de produtos crus, e o estudo da aplicação e do impacto de métodos de atordoamento na fisiologia das aves e na qualidade da carne.

Palestra Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar, apresentada pela pesquisadora Dianna V. Bourassa, no dia 08 de abril, às 9 horas, durante o Bloco Abatedouro

A especialista abordará as particularidades e os desafios enfrentados por diferentes países no controle microbiológico da cadeia produtiva, destacando práticas, padrões sanitários e estratégias utilizadas para garantir a segurança dos alimentos. A discussão contribui para ampliar a compreensão sobre como a ciência e a tecnologia têm sido aplicadas para reduzir riscos microbiológicos e fortalecer a qualidade dos produtos avícolas.

De acordo com a presidente do Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), Aletéia Britto da Silveira Balestrin, trazer especialistas internacionais para o evento amplia o intercâmbio de conhecimento e fortalece a atualização técnica dos profissionais do setor. “O Simpósio tem como propósito reunir pesquisadores e especialistas que possam compartilhar experiências e diferentes perspectivas sobre os desafios da avicultura. A troca de informações entre países contribui para o avanço das práticas sanitárias e para o aprimoramento dos sistemas de produção e processamento”, destaca.

A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que o tema é estratégico para o setor. “A segurança alimentar é um dos pilares da produção de proteína animal. Discutir métodos de controle microbiológico e comparar realidades internacionais contribui para ampliar o conhecimento técnico e fortalecer as estratégias adotadas pela cadeia produtiva”, afirma.

O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura é promovido Nucleovet e será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026, considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.

Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100. As inscrições podem ser realizadas no site, acesse clicando aqui.

Programação geral

26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
17ª Brasil Sul Poultry Fair

DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA

13h30 – Abertura da Programação

13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Tema: Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura
Palestrantes: Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski, Vilto Meurer
Coordenadora da mesa redonda: Luciana Dalmagro

15h40 – Intervalo

16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)

17h – Solenidade de Abertura Oficial

17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC

19h15 – Coquetel de abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair

DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA

Bloco Abatedouro

  • 8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate
    Palestrante: Darwen de Araujo Rosa (15 minutos de debate)

  • 9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar
    Palestrante: Dianna V. Bourassa (15 minutos de debate)

  • 10h – Intervalo

Bloco Nutrição

  • 10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo
    Palestrante: Wilmer Pacheco (15 minutos de debate)

  • 11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte
    Palestrante: Rosalina Angel (15 minutos de debate)

  • 12h30 – Intervalo almoço

Eventos Paralelos – Painel Manejo

  • 14h – Manejo do Frango de Corte Moderno
    Palestrantes: Lucas Schneider, Rodrigo Tedesco Guimarães

  • 16h – Intervalo

Bloco Conexões que Sustentam o Futuro

  • 16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura
    Palestrantes: Kali Simioni e João Nelson Tolfo (15 minutos de debate)

  • 17h30 – Por que bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
    Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme (15 minutos de debate)

  • 18h30 – Eventos Paralelos

  • 19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair

DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA

Bloco Sanidade

  • 8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosa: métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
    Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande (15 minutos de debate)

  • 9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves
    Palestrante: Dr. Ricardo Rauber (15 minutos de debate)

  • 10h – Intervalo

  • 10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença
    Palestrante: Gonzalo Tomás (15 minutos de debate)

  • 11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real
    Palestrante: Taís Barnasque (15 minutos de debate)

Sorteios de brindes

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Avicultura

Quando vencer vira método

Disciplina, rotina e decisões diárias por trás de uma trajetória pentacampeã na avicultura brasileira.

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Fotos: C.Vale

Ainda é cedo quando os aviários começam a ganhar vida. O funcionamento contínuo dos ventiladores, o controle preciso da ambiência e a observação atenta do lote fazem parte de uma rotina que se repete todos os dias, independentemente do clima ou do mercado. Na avicultura integrada, não há espaço para improviso: uma decisão fora do tempo ou um detalhe negligenciado pode custar desempenho, padronização, sanidade e, no limite, a tranquilidade de um ciclo inteiro.

É nesse território da repetição consciente que a excelência se constrói. Não como um evento isolado, mas como prática diária. Vencer uma vez pode ser resultado de um bom lote, uma combinação favorável de fatores e uma semana particularmente bem conduzida. Repetir desempenho exige outra coisa: método.

Essa lógica sustenta a trajetória de Anaí Bacci Naves, produtora integrada da C.Vale em Assis Chateaubriand (PR), vencedora por cinco vezes consecutivas da principal premiação avícola da cooperativa na categoria Promob. A conquista, porém, não se explica por um troféu, mas pelo processo que o antecede, conduzido no dia a dia por Anaí e pelo marido, Afonso Bacci, que juntos tocam a atividade. Anaí aparece como símbolo e âncora de uma forma de produzir. Afonso traduz em decisões, tecnologia e manejo o que, no papel, parece simples, mas no aviário exige atenção contínua.

Quando o resultado deixa de ser acaso

Para Anaí, a virada de chave aconteceu quando o trabalho deixou de ser apenas esforço e passou a ser guiado por método. “Percebemos que o resultado não era acaso, mas fruto de uma rotina bem-feita a partir do momento que entendemos como utilizar o Diário de Bordo, onde estão todas as informações necessárias para a boa condução do lote”, afirma.

O Diário de Bordo, no vocabulário da integração, não é um caderno simbólico. É um guia de orientação com padrões e rotinas que o produtor deve seguir dia a dia. Para cada momento do ciclo, com frangos alojados ou no vazio sanitário, há um rol de atividades a cumprir. O documento define o que precisa ser executado em cada data, com a lógica de que o aviário é um sistema vivo: o desempenho final nasce do acúmulo de ações pequenas, feitas no momento certo.

Na prática, isso significa que o trabalho não começa no alojamento. Começa antes. Há tarefas orientadas “três dias antes”, “dois dias após”, “sete dias após”, “no primeiro dia do vazio sanitário” e assim sucessivamente. É um roteiro que organiza o tempo, reduz o improviso e aumenta a previsibilidade – porque, quando se trata de produção animal em escala, previsibilidade é um tipo de segurança.

Esse nível de organização exige postura. “O que, na nossa propriedade, não pode falhar em hipótese nenhuma é ter disposição, capricho e determinação para executar o trabalho de maneira comprometida”, destaca Anaí. “É preciso estar atento a todos os detalhes”, reforça.

Um sistema que nasceu com tecnologia no DNA

Gerente de Produção da Avicultura da C.Vale, Maykon Buttini: “O Promob, na verdade, é um checklist que envolve premissas do 5S, premissas de boas práticas de produção e premissas de legislação”

Para entender o peso de uma trajetória pentacampeã dentro de um programa de biosseguridade, é preciso olhar para o ambiente em que ela se desenvolveu. O uso de tecnologia na avicultura da C.Vale tem uma marca histórica. Em 1997, a cooperativa deu início à criação comercial de frangos em ambiente climatizado, tornando-se a primeira empresa brasileira a adotar esse método. Até então, os sistemas de integração utilizavam predominantemente ventilação convencional, sem resfriamento do ar no interior dos aviários.

O controle de temperatura trouxe uma nova perspectiva para a atividade, com reflexos diretos na conversão alimentar, na uniformidade, no bem-estar das aves e na previsibilidade dos resultados. Em avicultura, ambiência não é apenas conforto, é gestão de risco. Controlar o ambiente é reduzir estresse, estabilizar consumo, proteger desempenho e diminuir variações que aparecem no fim do ciclo.

A dimensão atual do sistema ajuda a entender o nível de exigência: em 2025, a C.Vale abateu 160 milhões de frangos. Em um volume dessa magnitude, padronização deixa de ser meta e vira requisito. O produtor integrado não é um elo isolado: ele é parte de uma engrenagem em que sanidade, regularidade e cumprimento de protocolos sustentam o conjunto.

A entrada na integração e a construção da base

Foi em 2012 que Anaí e Afonso passaram a integrar o sistema avícola da C.Vale. Na comunidade de São Francisco, interior de Assis Chateaubriand, a propriedade foi estruturada com dois aviários climatizados, capazes de alojar aproximadamente 60 mil frangos por lote.

A tecnologia abre caminho, mas não garante resultado. O que sustenta a rotina é a forma como se opera a tecnologia, se observa o lote e se executa o manejo no tempo correto. Anaí explica o que, para ela, faz diferença: “Estar atento a todos os detalhes, seja de manejo, equipamentos ou dimensionamento”. A organização entra como hábito. “Temos uma rotina diária baseada no Diário de Bordo, onde fazemos com disciplina os detalhes.”

Esse “fazer com disciplina” é uma expressão que parece leve no papel, mas é dura na prática. Significa repetir procedimentos, manter padrões, cuidar de estrutura, respeitar fluxo de trabalho, manter higienização, registrar rotinas, garantir que o aviário esteja preparado para cada fase do ciclo. É uma administração do cotidiano.

O Promob: processo, organização e biosseguridade

Criado pela C.Vale, o Promob (Programa de Monitoramento e Organização de Biosseguridade) foi desenvolvido para avaliar processos. Não é uma premiação que enxerga só o resultado do fim do lote. A lógica é outra: premiar quem constrói consistência ao longo do tempo, com base em organização, biosseguridade e boas práticas. Ele é um guia de orientação de padrões que o produtor deve seguir, dia a dia. Para cada fase do ciclo – com frangos alojados ou no vazio sanitário – existe um rol de atividades que precisam ser cumpridas. O Diário de Bordo define o que fazer em cada dia: por exemplo, tarefas três dias antes do alojamento, dois dias após o alojamento e assim sucessivamente, ao longo de toda a produção. Na prática, ele organiza o tempo, reduz improviso e transforma rotina em método.

“O Promob é uma ferramenta que envolve vários pilares, entre eles produzir usando os conceitos do programa 5S nas propriedades. O programa também estabelece relação com aspectos técnicos do processo de produção do frango, bem como exigências legais”, explica o gerente de Produção da Avicultura da C.Vale, Maykon Buttini. “O Promob, na verdade, é um checklist que envolve premissas do 5S, premissas de boas práticas de produção e premissas de legislação”, destaca.

O programa, segundo ele, não é estático. “Ele sofre ajustes conforme as necessidades e as mudanças que acontecem na própria legislação ou dos conceitos de boas práticas, inclusive as melhorias que acontecem na propriedade ao longo dos anos.” No campo, isso se traduz em atualizações de rotinas, adequações e correções. “O programa também contribui e ajuda o produtor a identificar itens que ele precisa melhorar para que, corrigindo, ele possa ter uma propriedade mais organizada, com melhor desempenho, além de manter uma conservação de estrutura que possa se perpetuar ao longo dos anos.” Anaí traduz isso com simplicidade: “O Promob veio para direcionar e dar parâmetros para melhor executarmos a organização e a produção.”

O que é 5S e por que ele aparece na avicultura

O 5S é uma metodologia japonesa de gestão focada na melhoria contínua do ambiente de trabalho, baseada em cinco palavras: seiri (utilização), seiton (organização), seiso (limpeza), seiketsu (saúde/padronização) e shitsuke (disciplina). Em programas como o Promob, esses conceitos ajudam a estruturar rotina, padronização e organização da propriedade – fundamentos diretamente ligados à biosseguridade e à condução do lote.

Biosseguridade é cultura, não obrigação

Fotos: Shutterstock

Biosseguridade não é obrigação, é cultura. Na prática, define Anaí, “biosseguridade é estar sempre comprometido com os protocolos de segurança, reduzindo riscos sanitários às aves. Sempre somos rigorosos para manter todos os requisitos de biosseguridade.” Esse tipo de atitude revela uma postura típica de quem trabalha com repetição de desempenho: não há “dia em que dá para afrouxar”.

Maykon Buttini, da C.Vale, reforça essa ligação entre organização constante e resultado: “A gente tem certeza que a relação de nível de organização de biosseguridade e cuidado estão diretamente relacionados ao resultado final. Com uma propriedade organizada e bem cuidada o resultado vem”, define.

E acrescenta um ponto que amplia a leitura: organização não impede que problemas aconteçam, mas muda a capacidade de responder a eles. “Em algum momento podem acontecer problemas que são alheios, mas uma propriedade com essa organização como a da Anaí e do Afonso sempre estará mais preparada para encarar e resolver qualquer desafio.”

Tecnologia, ambiência e decisões no chão do aviário

Quando se fala em “aviários climatizados”, há um risco de imaginar uma solução automática. Afonso faz questão de desfazer essa fantasia. Para ele, tecnologia é ferramenta, mas depende de programação, ajuste e observação diária.

Ele lista o pacote tecnológico utilizado nas granjas: “Painel de controle, pressão negativa e estática, inlet, túnel door, equipamentos dimensionados corretamente, aquecimento a gás, lâmpadas dimerizáveis e aplicativo do painel de controle. Todas essas tecnologias que temos nos aviários nos auxiliam para desempenharmos um bom manejo”, menciona.

A palavra-chave é “auxiliam”. Tecnologia não substitui o ser humano. “Fazemos um bom uso das tecnologias sem deixar de lado a observação dos pequenos detalhes do dia a dia. A tecnologia ajuda e muito na automatização dos equipamentos. Mas ela não resolve nada sozinha se não estiver corretamente programada.” Ou seja: na propriedade dos pentacampeões, a diferença entre ter tecnologia e extrair resultado dela está na rotina, nos ajustes, no olhar e no método.

Quando fala de evolução, Afonso aponta mudanças que, na prática, traduzem gestão de ambiência: “Ao longo dos anos investir na qualidade do ar, melhorando a ventilação e também em aquecimento e resfriamento.”

Quando o método aparece nos números

O Promob está ligado a organização e biosseguridade, mas os reflexos aparecem nos indicadores zootécnicos. Processos bem conduzidos tendem a gerar estabilidade; estabilidade tende a aparecer em conversão, viabilidade, uniformidade e ganho de peso, entre outros.

Buttini coloca isso de forma clara. “A propriedade da Anaí e do Afonso, além dessas cinco premiações, desponta em itens de desempenho. Eles possuem resultados muito acima da média da integração da C.Vale, seja em conversão alimentar, mortalidade e assim por diante.” E reforça a tese: “Conseguem esse desempenho justamente por atribuir cuidados de qualidade no dia a dia.”

Para Afonso, a confirmação de que o caminho adotado foi o correto aparece de forma objetiva nos resultados da granja. “Nossos resultados obtidos com a qualidade dos frangos entregues, o ganho de peso e o resultado financeiro mostram que as decisões tomadas ao longo do tempo fizeram sentido”, afirma.

A pressão de manter o padrão

Vencer uma vez pode virar história de ocasião. Vencer cinco vezes consecutivas, dentro de um programa de monitoramento e organização, é outra coisa: é repetição com responsabilidade. Anaí traduz o sentimento com duas camadas: a primeira é a meta; a segunda, a descoberta de capacidade. “Ganhar uma vez foi resultado de dedicação e metas estipuladas.” E completa: “Ganhar cinco vezes seguidas, mais do que gerar pressão, nos mostrou que somos capazes de superar nossas próprias metas.”

A cobrança, segundo Anaí, não vem de fora. Ela nasce dentro da própria rotina. “A maior cobrança por manter o nível com certeza vem de nós mesmos. Temos a filosofia e os princípios de sempre fazer o melhor”, afirma. E, quando um novo lote entra no aviário, essa lógica se impõe de forma natural. “A ideia é sempre superar o nosso melhor resultado”.

Resultado econômico e visão de longo prazo

A rentabilidade de 52% sobre o faturamento do lote conquistado na última das cinco conquistas, em 2025, aparece como um dado objetivo, mas não como ponto de chegada isolado. Para Afonso, ela é consequência direta de escolhas feitas ao longo do tempo também no que diz respeito à atualização e à modernização da estrutura produtiva. “Atualização, modernização e implantação das novas tecnologias disponíveis no mercado”, resume.

Esse resultado aparece no fim de uma cadeia construída no dia a dia com organização, controle, previsibilidade e desempenho, sem promessas fáceis ou fórmulas prontas. É a tradução econômica de um método aplicado com constância, sustentado por decisões técnicas e pela disciplina da rotina.

O papel do sistema cooperativo

Em um sistema com escala industrial, resultados consistentes dependem de uma engrenagem alinhada. Buttini aponta dois fatores para explicar regularidade: “São dois fatores muito importantes. O primeiro é a C.Vale, pela sua seriedade, pela forma de conduta e apoio ao produtor através muitas vezes dos extensionistas. O segundo é a gestão do produtor.”

Para Buttini, a virada de chave ocorre quando o produtor entende que parceria e execução diária caminham juntas. “A regularidade de desempenho não é algo raro. Ela aparece a partir do momento em que o produtor percebe o valor da parceria com o extensionista e com a C.Vale, soma isso à sua atuação no dia a dia, mantém foco nos detalhes, na produção e passa a receber e aplicar as orientações técnicas. É nesse ponto que o cenário muda. O case da Anaí e do Afonso é de sucesso fantástico. Para mim, como funcionário da cooperativa, é motivo de orgulho.” E completa: “Eles tratam a atividade com um amor enorme, com muito cuidado, capricho e zelo. Eles são um exemplo a ser seguido por todos.”

O reconhecimento institucional

O reconhecimento mais recente veio durante o Dia de Campo da C.Vale, realizado em dezembro de 2025, quando a cooperativa premiou os destaques do sistema de integração avícola. Dentro desse contexto, a repetição da vitória da Anaí no Promob ganha leitura de consistência: não é um retrato, é um filme.

Buttini amarra o conceito: “Quando temos casos assim como da Anaí e do Afonso é porque o produtor entendeu qual é a fundamentação, qual é o princípio do programa.” Ele descreve o que o programa faz no cotidiano: “Ele entende que o programa vem para ajudar, oferecendo informações sobre onde ele tem oportunidades.”

O gerente de Produção da Avicultura da C.Vale resume essa lógica de forma direta: “É a dedicação no dia a dia da granja que permite melhorar os indicadores avaliados pelo Promob. Quando o produtor corrige esses pontos e mantém foco na atividade, a performance aparece”.

Quando vencer vira método

Repetição não nasce de acaso. Ela nasce de rotina, disciplina e de um método. “Faça sempre tudo com dedicação, determinação e foco. Observe, busque conhecimento técnico em fonte confiável e tenha sempre o Diário de Bordo a mão.” Na avicultura, não há atalhos. Há método. E quando vencer vira método, o resultado deixa de ser exceção e passa a ser padrão.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Rio Grande do Sul intensifica vigilância após caso de gripe aviária em aves silvestres

Capacitação de agentes e intensificação de educação sanitária fortalecem prevenção na região do foco registrado no fim de fevereiro.

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Foto: Fernando Dias

Após a confirmação de um foco de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) em aves silvestres na Reserva do Taim, no município de Santa Vitória do Palmar, no Sul do Rio Grande do Sul, o governo estadual intensificou as ações de vigilância sanitária na região. O caso foi registrado em 28 de fevereiro e mobilizou equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi).

Na segunda-feira (09), a Secretaria promoveu a capacitação de 51 agentes de endemias, saúde e controle epidemiológico de Santa Vitória do Palmar. A agenda também incluiu uma reunião com representantes da prefeitura de Chuí. O objetivo foi atualizar informações sobre a situação sanitária e alinhar estratégias de prevenção e controle do foco da doença.

Segundo a fiscal agropecuária do DDA/Seapi, Rosane Collares, a articulação com os municípios e a qualificação de profissionais que atuam diretamente nas comunidades são fundamentais para fortalecer o sistema de vigilância. “Na última sexta-feira (06) realizamos reunião com a prefeitura de Santa Vitória do Palmar. Hoje estivemos em Chuí para alinhar informações com as autoridades da região”, afirma.

O treinamento reuniu agentes de endemias, profissionais da saúde e integrantes da Estratégia Saúde da Família. “Esses profissionais atuam diretamente nas residências e serão importantes multiplicadores de informação, devido à sua ampla presença nas comunidades”, acrescenta Rosane.

Educação sanitária

O médico-veterinário Felipe Campos, coordenador de Educação Sanitária da Seapi, explica que as ações educativas são realizadas de forma contínua e estão integradas às atividades de vigilância em campo.

Segundo ele, o trabalho inclui contato direto com a comunidade e reuniões com gestores das áreas de educação, saúde, meio ambiente, agricultura e defesa civil, realizadas tanto presencialmente quanto de forma on-line. “A atuação seguirá nas comunidades por meio de orientações técnicas voltadas a esclarecer a população e reforçar a importância de utilizar nossos canais oficiais de comunicação. Paralelamente, estamos estruturando um cronograma de atividades educativas nas escolas da região”, afirma.

A educação sanitária é considerada um componente essencial da defesa agropecuária, tanto para a prevenção quanto para o enfrentamento de doenças. Em situações de foco, essa estratégia ganha ainda mais relevância, ao conscientizar a população sobre seu papel e contribuir para a eficácia das ações de resposta e controle sanitário.

Atuação integrada

O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) atua de forma integrada com equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no monitoramento da Lagoa da Mangueira, área onde foi identificado o foco da doença em aves silvestres da espécie Coscoroba, conhecida como cisne-coscoroba.

Até o momento, foram registrados 20 cisnes-coscoroba e uma garça-moura infectados. Entre as ações em andamento estão vistorias em campo, monitoramento de aves com embarcações e o uso de drones para supervisionar a lagoa e a área onde ocorreu o foco.

As amostras coletadas são encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), responsável pela confirmação da presença do vírus.

Casos suspeitos

A Secretaria da Agricultura orienta que qualquer suspeita da doença, caracterizada por sinais respiratórios ou neurológicos, além de mortalidade súbita e elevada em aves, seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias.

As notificações podem ser feitas nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, pelo sistema e-Sisbravet ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

Fonte: O Presente Rural com Seapi
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