Bovinos / Grãos / Máquinas
Automação da produção de leite devolve tempo e qualidade de vida à família Macari
Com ordenha robotizada, família do Sudoeste do Paraná alia tradição e tecnologia para ampliar a produção e transformar a rotina no campo.

Produzir leite já foi sinônimo de uma das rotinas mais exigentes e exaustivas do campo. Por décadas, o dia do produtor começava ainda de madrugada, muito antes do sol nascer. Em propriedades rurais por todo o Brasil, era preciso reunir o rebanho, conduzir as vacas, uma a uma, até o espaço de ordenha, muitas vezes improvisado e com condições precárias, amarar as patas, puxar o banquinho e então tirar o leite manualmente de cada animal. Uma tarefa que demandava não apenas força física, mas uma dedicação incessante, sem folgas ou feriados, sob sol ou chuva, calor ou frio.
Com o avanço da tecnologia, a ordenha mecânica trouxe um primeiro alívio, substituindo parte do esforço físico braçal. Equipamentos auxiliavam na extração do leite, mas ainda assim, o processo continuava exigindo uma intervenção humana constante. Era preciso colocar e retirar as teteiras, higienizar os tetos com cuidado e acompanhar de perto cada animal para garantir a saúde e a qualidade da produção. O tempo dedicado a essa atividade variava conforme o tamanho do rebanho e o número de pessoas envolvidas, podendo se estender por horas a fio. E, quando a ordenha enfim terminava, mal havia tempo para descanso: era preciso limpar os equipamentos, alimentar os animais, cuidar da propriedade e, em poucas horas, reiniciar todo o ciclo, numa jornada quase sem fim que exauria o corpo e a mente.

Irmãos produtores de leite em Chopinzinho (PR), Maicow e Nicolly: “Antes da ordenha robotizada, o custo diário da vaca por litro de leite produzido podia chegar até R$ 1,50. Com a automação, reduzimos em R$ 0,40 o custo de alimentação por litro de leite”
Hoje, o uso de tecnologias está mudando completamente essa atividade. Na vanguarda dessa transformação, a Leitaria Macari, localizada em Linha São Luiz, no interior de Chopinzinho, na região Sudoeste do Paraná, é um exemplo dessa mudança. Com a adoção da ordenha robotizada, as vacas passaram a ser ordenhadas de forma voluntária, sem a necessidade de intervenção humana. Essa inovação, além de melhorar o bem-estar dos animais, tem devolvido aos produtores algo que sempre foi escasso: tempo.
É esse tempo recuperado, somado ao cuidado com os animais e ao olhar estratégico dos irmãos Maikow e Nicolly Macari para a gestão da propriedade que tem redesenhado a atividade, entrelaçando tradição familiar, inovação tecnológica e bem-estar para criar um modelo produtivo que beneficia tanto os animais quanto os humanos que dedicam suas vidas à produção de leite.
Implantação
Com 75 hectares de área total, sendo 20 dedicados à produção leiteira, a propriedade pertence à família há 30 anos. Desde o início, o leite foi a principal fonte de renda e, há cerca de uma década, os Macari decidiram apostar em melhorias e na profissionalização da atividade para elevar a eficiência da produção. “Foi quando começamos a intensificar a atividade leiteira. Buscamos mais qualidade e tecnologia para conseguir crescer”, conta Maikow, que é engenheiro agrônomo, e divide a lida diária da propriedade com a irmã Nicolly, estudante do oitavo período de Medicina Veterinária.
A decisão de implantar a ordenha robotizada na Leitaria Macari foi motivada por um fator cada vez mais recorrente e desafiador no meio rural brasileiro: a dificuldade de encontrar e, principalmente, reter mão-de-obra qualificada. “Chegamos num ponto em que comprávamos a ordenha robotizada ou teríamos que contratar funcionários. Só que mão-de-obra em todas as áreas está difícil, e na produção de leite é ainda mais complicado, porque é um trabalho que exige muita dedicação e é oneroso”, explica Maikow, detalhando o dilema enfrentado por tantos produtores rurais Brasil afora.
Essa alternativa tecnológica surgiu como a forma mais viável de permitir o crescimento sustentável do negócio sem sobrecarregar a estrutura familiar já existente. “O pai e a mãe queriam descansar um pouco mais, e eu, minha irmã e minha esposa não conseguiríamos continuar crescendo da forma que a gente trabalhava. Com a ordenha robotizada, conseguimos alcançar outros objetivos pensando em melhorias para a produção leiteira, porque agora temos tempo para gerir a propriedade de forma mais estratégica e não apenas para apagar incêndios”, pontua os irmãos.
A sucessão familiar, muitas vezes apontada como um dos maiores desafios do campo, se desenha com naturalidade na Leitaria Macari. “Nossos pais nos ajudam muito ainda. Trabalhamos juntos e todas as decisões são tomadas sempre em conjunto”, afirma Maikow, contando que a mãe Adriana e o pai Antônio seguem ativos na propriedade, compartilhando com eles a experiência de uma vida dedicada à produção leiteira.
Sem funcionários contratados, é a família quem conduz todas as tarefas. Além dos irmãos e dos pais, a esposa de Maikow, Fernanda Roncalho Macari, também participa da rotina. “Um dos principais fatores pra gente continuar aqui é o amor pela atividade e a boa relação entre todos nós. Temos um bom convívio familiar e isso é fundamental para seguir na produção de leite”, reforçam os irmãos, com a cumplicidade de quem constrói o futuro lado a lado.
Qualidade de vida

Maikow ao lado da esposa Fernanda, com o primeiro filho do casal: “A adoção do robô foi decisiva pra isso acontecer. Se ainda tivéssemos a ordenha manual, seria muito mais difícil. Hoje conseguimos aproveitar a família e continuar produzindo leite”
A ordenha robotizada permite que as vacas sejam ordenhadas de forma voluntária, quantas vezes quiserem ao dia, sem precisar ser conduzidas ou manipuladas. O robô reconhece cada animal individualmente, realiza a higienização dos tetos com precisão, acopla as teteiras, coleta o leite e ainda fornece os dados sobre a produção e a saúde de cada vaca. “É um sistema que facilita muito a nossa vida”, resume Nicolly.
Mas o impacto da robotização vai muito além da produção. Com a automatização da ordenha, os Macari passaram a ter mais tempo livre para cuidar de outras tarefas da propriedade, para fazer uma gestão mais eficiente, planejar melhorias estratégicas e, principalmente, para viver com mais qualidade. “Hoje conseguimos tomar café da manhã todos juntos, tomar um chimarrão com calma, até acordar um pouco mais tarde. Antes isso era impossível. A gente começava o dia por volta das 04h30 da manhã, agora, iniciamos nosso dia de um outro jeito, muito mais tranquilos”, relata Maikow, destacando que essa mudança no estilo de vida também permitiu, por exemplo, que a família possa passar um período mais longo fora da propriedade, algo impensável no tempo da ordenha manual.
Acompanhamento remoto
Os irmãos contam que a implantação do sistema, feita há cerca de um ano e meio, provocou diversas mudanças na rotina e nos resultados da Leitaria. “A maior mudança foi a flexibilização de horários. A gente consegue acompanhar tudo o que acontece sem estar perto do animal. Eu posso estar na lavoura, a Nicolly pode estar na faculdade, e conseguimos monitorar a saúde das vacas, se estão no cio, se precisam de tratamento”, detalha Maikow.
Essa conectividade trouxe agilidade também para as decisões. “Se eu cadastro um tratamento pela manhã antes de sair, o Maikow abre o sistema e já vê quais vacas devem ser inseminadas ou medicadas. A gente consegue orientar quem está em casa mesmo à distância”, exemplifica Nicolly.
3ª geração graças ao robô?
Além de melhorar a gestão, a tecnologia teve impacto direto na vida pessoal da família. “A adoção dessa ferramenta foi decisiva para eu e minha esposa termos filhos. Se ainda tivéssemos a ordenha manual, seria muito mais difícil. Hoje conseguimos aproveitar a família e continuar produzindo leite”, afirma Maikow, entre risos, ao dizer que o filho recém-nascido é “um dos frutos do robô”.
Rotina flexível
Para Nicolly, o ganho foi ainda na possibilidade de equilibrar os estudos com o trabalho. “Hoje, chego da faculdade por volta das 14 horas, almoço e, se preciso sair um pouco mais cedo à tarde, consigo adiantar as tarefas, verificar como está o robô e se há alguma vaca que precisa de atenção. A tecnologia trouxe essa flexibilidade na rotina. E todo esse avanço que conseguimos implementar foi pensando em melhorar o bem-estar das vacas e o nosso. Esse, para mim, é o maior ganho da tecnologia na propriedade”, menciona.
Ganho também em litros

A modernização da Leitaria Macari também se reflete no manejo e na estrutura da produção. Com um rebanho formado por 56 vacas em lactação e outras oito vacas secas, os animais são mantidos em sistema free stall, com ambiente controlado, conforto térmico e alimentação balanceada. Essa combinação contribui para manter uma média de produção diária entre 35 e 36 litros por vaca, um ganho de mais de dez litros por vaca em relação ao sistema antigo. Essa produtividade reflete não apenas o potencial genético do rebanho, mas também a eficiência dos processos adotados na propriedade.
Grande parte da alimentação dos animais é produzida na própria fazenda, uma estratégia que otimiza custos e garante qualidade. “A parte dos volumosos, como silagem, feno e parte do grão úmido, somos nós que produzimos. Já os concentrados, como farelo de soja, DDG e parte do pré-secado, são adquiridos fora”, expõe Maikow, ressaltando que os investimentos em nutrição e no bem-estar refletiram diretamente na produtividade.
Antes da ordenha robotizada, no sistema compost barn com ordenha manual, a produção média era de 23 a 24 litros por vaca. “Na época da transição, com a mudança para o free stall e a ordenha mecânica, chegamos a uma média de 26 litros. Mas as vacas estavam no barracão e a ordenha era apertada, não estava bom”, recorda Nicolly. Com a instalação do robô, a média saltou para 36 litros por animal/dia, um aumento de 38,5% em relação ao sistema anterior. “E ainda estamos crescendo. Temos metas a superar. A ordenha robotizada trouxe mais eficiência, mais sanidade, mais bem-estar animal e muito mais tranquilidade para nós”, frisa Maikow, resumindo os múltiplos benefícios.
Usina supre energia
Outra grande aliada desta nova fase da Leitaria Macari é a usina solar instalada na propriedade, que gera de 6 a 7 mil kWh por mês, energia suficiente para abastecer todas as operações da leitaria. A sustentabilidade energética complementa o ciclo de inovação e autonomia buscado pela família, tornando o negócio ainda mais robusto e ecologicamente responsável.
Colares da saúde
Na parte sanitária e reprodutiva, a tecnologia também trouxe ganhos significativos. “O sistema da ordenha é interligado com os colares das vacas, o que nos permite monitorar ruminação, atividade, detectar cio e identificar sinais de doenças precocemente. Antes, era tudo feito no olho. Hoje temos muito mais precisão, o que nos permite agir rapidamente e prevenir problemas maiores”, pontua Nicolly, ressaltando a inteligência embarcada que protege o rebanho.
A gestão da Leitaria Macari é conduzida com atenção aos detalhes e foco em eficiência. A implantação de todas essas tecnologias trouxe não apenas melhorias no processo produtivo e mais tempo livre, mas também um novo olhar sobre os dados gerados. “A equipe que nos atendeu sempre disse que, além do aumento na produção, o maior ganho viria quando a gente conseguisse traduzir os números. O robô gera mais de 60 tipos de relatórios e conseguimos, junto aos técnicos responsáveis pela nutrição, reprodução e sanidade, analisar com precisão o desempenho individual dos animais. Isso nos ajuda, por exemplo, a decidir com base técnica quais vacas devem sair do plantel ou quais precisam de um cuidado específico”, explica Maikow.
O papel ainda tem espaço
Apesar do avanço na coleta e análise de dados zootécnicos, a parte financeira ainda é feita de forma manual. “Tudo o que o robô não entrega, como controle de estoque e financeiro, a gente faz no papel. Mas isso é algo que quero melhorar no futuro. Ter um sistema que nos ajude com o controle de estoque de comida, medicamentos e na gestão financeira”, projeta Maikow, destacando que as decisões são sempre tomadas em conjunto com a família.
Custo R$ 0,40 menor por litro

Foto: Shutterstock
Com o olhar voltado para a viabilidade do negócio, a família mantém controle rigoroso dos custos de produção. “Levantamos quanto gastamos com alimentação por litro de leite e quanto conseguimos produzir com cada real investido em comida”, comenta Maikow, explicando que atualmente o custo alimentar gira em torno de R$ 1,10 por litro de leite, um valor considerado positivo e competitivo. “Conseguimos boas safras de silagem e produzimos boa parte do que os animais consomem. Isso inclui o grão úmido, que é bem mais barato do que comprar milho seco. Nosso objetivo é produzir o máximo possível dentro da propriedade”, afirma.
Contudo, antes da automação, os custos eram mais altos. “A vaca custava praticamente o mesmo por dia, só que produzia menos. O custo por litro podia chegar a R$ 1,50. Hoje, com a ordenha robotizada, ganhamos em eficiência e reduzimos em cerca de R$ 0,40 o custo de alimentação por litro produzido”, detalha Maikow.
Passando o bastão
Embora ainda dividam as decisões com os pais, os irmãos Maikow e Nicolly já assumem boa parte da condução da propriedade, com um protagonismo crescente. “Não dá pra dizer que estamos totalmente à frente, mas meu pai sempre diz que todas as melhorias que estamos implementando hoje são porque eu e minha irmã estamos mais envolvidos nas decisões”, conta Maikow, frisando que isso vem acontecendo de forma mais efetiva nos últimos três anos, com ideias voltadas à melhoria dos processos e à busca constante por eficiência e inovação.
Mais do que garantir a permanência da família no campo, essa sucessão bem-sucedida representa o reconhecimento do esforço de quem construiu tudo com as próprias mãos. “Vi o quanto meus pais sofreram para conquistar cada centímetro desse chão. Nada foi herdado. Cada palanque, cada metro da propriedade, foi fruto do trabalho deles. Hoje, a gente consegue oferecer uma renda que permite a eles aproveitarem melhor a vida. Isso é muito gratificante”, enfatiza Maikow.
Melhorias constantes

Foto: Shutterstock
O planejamento para o futuro da Leitaria Macari segue em ritmo firme e constante. “Quem visita a propriedade hoje e a conheceu há cinco anos se surpreende com a transformação. Não que sejamos grandes produtores, mas pelo quanto investimos, pela busca de melhoria contínua. E ainda temos planos. Para este ano queremos melhorar o conforto das novilhas e das vacas secas. Para o ano que vem, nosso objetivo é adquirir mais um robô e dobrar o número de animais, expandindo a nossa capacidade de produção”, adianta Maikow. “O crescimento é construído aos poucos, dando um passo de cada vez, com calma e responsabilidade”, complementa Nicolly.
O que sustenta o trabalho diário no campo
Com a bagagem acumulada nos últimos anos à frente da propriedade, os irmãos Macari compartilham uma mensagem inspiradora aos jovens que desejam permanecer no campo ou assumir os negócios da família. Para eles, mais do que o acesso à tecnologia e à informação, hoje amplamente disponíveis, o que realmente faz a diferença é o relacionamento entre as pessoas. “O diálogo entre pai e filho, entre irmãos, é o mais importante”, exalta Maikow, ressaltando: “Muitas coisas que fazemos hoje talvez não façam sentido para nossos pais, que vêm de outra geração. Mas eles sempre nos apoiaram, mesmo quando não viam necessidade”. “Além disso, é preciso ter paciência e, acima de tudo, amor pelo que se faz”, reforça Nicolly.

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



