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Automação da produção de leite devolve tempo e qualidade de vida à família Macari

Com ordenha robotizada, família do Sudoeste do Paraná alia tradição e tecnologia para ampliar a produção e transformar a rotina no campo.

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Fotos: Arquivo pessoal

Produzir leite já foi sinônimo de uma das rotinas mais exigentes e exaustivas do campo. Por décadas, o dia do produtor começava ainda de madrugada, muito antes do sol nascer. Em propriedades rurais por todo o Brasil, era preciso reunir o rebanho, conduzir as vacas, uma a uma, até o espaço de ordenha, muitas vezes improvisado e com condições precárias, amarar as patas, puxar o banquinho e então tirar o leite manualmente de cada animal. Uma tarefa que demandava não apenas força física, mas uma dedicação incessante, sem folgas ou feriados, sob sol ou chuva, calor ou frio.

Com o avanço da tecnologia, a ordenha mecânica trouxe um primeiro alívio, substituindo parte do esforço físico braçal. Equipamentos auxiliavam na extração do leite, mas ainda assim, o processo continuava exigindo uma intervenção humana constante. Era preciso colocar e retirar as teteiras, higienizar os tetos com cuidado e acompanhar de perto cada animal para garantir a saúde e a qualidade da produção. O tempo dedicado a essa atividade variava conforme o tamanho do rebanho e o número de pessoas envolvidas, podendo se estender por horas a fio. E, quando a ordenha enfim terminava, mal havia tempo para descanso: era preciso limpar os equipamentos, alimentar os animais, cuidar da propriedade e, em poucas horas, reiniciar todo o ciclo, numa jornada quase sem fim que exauria o corpo e a mente.

Irmãos produtores de leite em Chopinzinho (PR), Maicow e Nicolly: “Antes da ordenha robotizada, o custo diário da vaca por litro de leite produzido podia chegar até R$ 1,50. Com a automação, reduzimos em R$ 0,40 o custo de alimentação por litro de leite”

Hoje, o uso de tecnologias está mudando completamente essa atividade. Na vanguarda dessa transformação, a Leitaria Macari, localizada em Linha São Luiz, no interior de Chopinzinho, na região Sudoeste do Paraná, é um exemplo dessa mudança. Com a adoção da ordenha robotizada, as vacas passaram a ser ordenhadas de forma voluntária, sem a necessidade de intervenção humana. Essa inovação, além de melhorar o bem-estar dos animais, tem devolvido aos produtores algo que sempre foi escasso: tempo.

É esse tempo recuperado, somado ao cuidado com os animais e ao olhar estratégico dos irmãos Maikow e Nicolly Macari para a gestão da propriedade que tem redesenhado a atividade, entrelaçando tradição familiar, inovação tecnológica e bem-estar para criar um modelo produtivo que beneficia tanto os animais quanto os humanos que dedicam suas vidas à produção de leite.

Implantação

Com 75 hectares de área total, sendo 20 dedicados à produção leiteira, a propriedade pertence à família há 30 anos. Desde o início, o leite foi a principal fonte de renda e, há cerca de uma década, os Macari decidiram apostar em melhorias e na profissionalização da atividade para elevar a eficiência da produção. “Foi quando começamos a intensificar a atividade leiteira. Buscamos mais qualidade e tecnologia para conseguir crescer”, conta Maikow, que é engenheiro agrônomo, e divide a lida diária da propriedade com a irmã Nicolly, estudante do oitavo período de Medicina Veterinária.

A decisão de implantar a ordenha robotizada na Leitaria Macari foi motivada por um fator cada vez mais recorrente e desafiador no meio rural brasileiro: a dificuldade de encontrar e, principalmente, reter mão-de-obra qualificada. “Chegamos num ponto em que comprávamos a ordenha robotizada ou teríamos que contratar funcionários. Só que mão-de-obra em todas as áreas está difícil, e na produção de leite é ainda mais complicado, porque é um trabalho que exige muita dedicação e é oneroso”, explica Maikow, detalhando o dilema enfrentado por tantos produtores rurais Brasil afora.

Essa alternativa tecnológica surgiu como a forma mais viável de permitir o crescimento sustentável do negócio sem sobrecarregar a estrutura familiar já existente. “O pai e a mãe queriam descansar um pouco mais, e eu, minha irmã e minha esposa não conseguiríamos continuar crescendo da forma que a gente trabalhava. Com a ordenha robotizada, conseguimos alcançar outros objetivos pensando em melhorias para a produção leiteira, porque agora temos tempo para gerir a propriedade de forma mais estratégica e não apenas para apagar incêndios”, pontua os irmãos.

A sucessão familiar, muitas vezes apontada como um dos maiores desafios do campo, se desenha com naturalidade na Leitaria Macari. “Nossos pais nos ajudam muito ainda. Trabalhamos juntos e todas as decisões são tomadas sempre em conjunto”, afirma Maikow, contando que a mãe Adriana e o pai Antônio seguem ativos na propriedade, compartilhando com eles a experiência de uma vida dedicada à produção leiteira.

Sem funcionários contratados, é a família quem conduz todas as tarefas. Além dos irmãos e dos pais, a esposa de Maikow, Fernanda Roncalho Macari, também participa da rotina. “Um dos principais fatores pra gente continuar aqui é o amor pela atividade e a boa relação entre todos nós. Temos um bom convívio familiar e isso é fundamental para seguir na produção de leite”, reforçam os irmãos, com a cumplicidade de quem constrói o futuro lado a lado.

Qualidade de vida

Maikow ao lado da esposa Fernanda, com o primeiro filho do casal: “A adoção do robô foi decisiva pra isso acontecer. Se ainda tivéssemos a ordenha manual, seria muito mais difícil. Hoje conseguimos aproveitar a família e continuar produzindo leite”

A ordenha robotizada permite que as vacas sejam ordenhadas de forma voluntária, quantas vezes quiserem ao dia, sem precisar ser conduzidas ou manipuladas. O robô reconhece cada animal individualmente, realiza a higienização dos tetos com precisão, acopla as teteiras, coleta o leite e ainda fornece os dados sobre a produção e a saúde de cada vaca. “É um sistema que facilita muito a nossa vida”, resume Nicolly.

Mas o impacto da robotização vai muito além da produção. Com a automatização da ordenha, os Macari passaram a ter mais tempo livre para cuidar de outras tarefas da propriedade, para fazer uma gestão mais eficiente, planejar melhorias estratégicas e, principalmente, para viver com mais qualidade. “Hoje conseguimos tomar café da manhã todos juntos, tomar um chimarrão com calma, até acordar um pouco mais tarde. Antes isso era impossível. A gente começava o dia por volta das 04h30 da manhã, agora, iniciamos nosso dia de um outro jeito, muito mais tranquilos”, relata Maikow, destacando que essa mudança no estilo de vida também permitiu, por exemplo, que a família possa passar um período mais longo fora da propriedade, algo impensável no tempo da ordenha manual.

Acompanhamento remoto

Os irmãos contam que a implantação do sistema, feita há cerca de um ano e meio, provocou diversas mudanças na rotina e nos resultados da Leitaria. “A maior mudança foi a flexibilização de horários. A gente consegue acompanhar tudo o que acontece sem estar perto do animal. Eu posso estar na lavoura, a Nicolly pode estar na faculdade, e conseguimos monitorar a saúde das vacas, se estão no cio, se precisam de tratamento”, detalha Maikow.

Essa conectividade trouxe agilidade também para as decisões. “Se eu cadastro um tratamento pela manhã antes de sair, o Maikow abre o sistema e já vê quais vacas devem ser inseminadas ou medicadas. A gente consegue orientar quem está em casa mesmo à distância”, exemplifica Nicolly.

3ª geração graças ao robô?

Além de melhorar a gestão, a tecnologia teve impacto direto na vida pessoal da família. “A adoção dessa ferramenta foi decisiva para eu e minha esposa termos filhos. Se ainda tivéssemos a ordenha manual, seria muito mais difícil. Hoje conseguimos aproveitar a família e continuar produzindo leite”, afirma Maikow, entre risos, ao dizer que o filho recém-nascido é “um dos frutos do robô”.

Rotina flexível

Para Nicolly, o ganho foi ainda na possibilidade de equilibrar os estudos com o trabalho. “Hoje, chego da faculdade por volta das 14 horas, almoço e, se preciso sair um pouco mais cedo à tarde, consigo adiantar as tarefas, verificar como está o robô e se há alguma vaca que precisa de atenção. A tecnologia trouxe essa flexibilidade na rotina. E todo esse avanço que conseguimos implementar foi pensando em melhorar o bem-estar das vacas e o nosso. Esse, para mim, é o maior ganho da tecnologia na propriedade”, menciona.

Ganho também em litros

A modernização da Leitaria Macari também se reflete no manejo e na estrutura da produção. Com um rebanho formado por 56 vacas em lactação e outras oito vacas secas, os animais são mantidos em sistema free stall, com ambiente controlado, conforto térmico e alimentação balanceada. Essa combinação contribui para manter uma média de produção diária entre 35 e 36 litros por vaca, um ganho de mais de dez litros por vaca em relação ao sistema antigo. Essa produtividade reflete não apenas o potencial genético do rebanho, mas também a eficiência dos processos adotados na propriedade.

Grande parte da alimentação dos animais é produzida na própria fazenda, uma estratégia que otimiza custos e garante qualidade. “A parte dos volumosos, como silagem, feno e parte do grão úmido, somos nós que produzimos. Já os concentrados, como farelo de soja, DDG e parte do pré-secado, são adquiridos fora”, expõe Maikow, ressaltando que os investimentos em nutrição e no bem-estar refletiram diretamente na produtividade.

Antes da ordenha robotizada, no sistema compost barn com ordenha manual, a produção média era de 23 a 24 litros por vaca. “Na época da transição, com a mudança para o free stall e a ordenha mecânica, chegamos a uma média de 26 litros. Mas as vacas estavam no barracão e a ordenha era apertada, não estava bom”, recorda Nicolly. Com a instalação do robô, a média saltou para 36 litros por animal/dia, um aumento de 38,5% em relação ao sistema anterior. “E ainda estamos crescendo. Temos metas a superar. A ordenha robotizada trouxe mais eficiência, mais sanidade, mais bem-estar animal e muito mais tranquilidade para nós”, frisa Maikow, resumindo os múltiplos benefícios.

Usina supre energia

Outra grande aliada desta nova fase da Leitaria Macari é a usina solar instalada na propriedade, que gera de 6 a 7 mil kWh por mês, energia suficiente para abastecer todas as operações da leitaria. A sustentabilidade energética complementa o ciclo de inovação e autonomia buscado pela família, tornando o negócio ainda mais robusto e ecologicamente responsável.

Colares da saúde

Na parte sanitária e reprodutiva, a tecnologia também trouxe ganhos significativos. “O sistema da ordenha é interligado com os colares das vacas, o que nos permite monitorar ruminação, atividade, detectar cio e identificar sinais de doenças precocemente. Antes, era tudo feito no olho. Hoje temos muito mais precisão, o que nos permite agir rapidamente e prevenir problemas maiores”, pontua Nicolly, ressaltando a inteligência embarcada que protege o rebanho.

A gestão da Leitaria Macari é conduzida com atenção aos detalhes e foco em eficiência. A implantação de todas essas tecnologias trouxe não apenas melhorias no processo produtivo e mais tempo livre, mas também um novo olhar sobre os dados gerados. “A equipe que nos atendeu sempre disse que, além do aumento na produção, o maior ganho viria quando a gente conseguisse traduzir os números. O robô gera mais de 60 tipos de relatórios e conseguimos, junto aos técnicos responsáveis pela nutrição, reprodução e sanidade, analisar com precisão o desempenho individual dos animais. Isso nos ajuda, por exemplo, a decidir com base técnica quais vacas devem sair do plantel ou quais precisam de um cuidado específico”, explica Maikow.

O papel ainda tem espaço

Apesar do avanço na coleta e análise de dados zootécnicos, a parte financeira ainda é feita de forma manual. “Tudo o que o robô não entrega, como controle de estoque e financeiro, a gente faz no papel. Mas isso é algo que quero melhorar no futuro. Ter um sistema que nos ajude com o controle de estoque de comida, medicamentos e na gestão financeira”, projeta Maikow, destacando que as decisões são sempre tomadas em conjunto com a família.

Custo R$ 0,40 menor por litro

Foto: Shutterstock

Com o olhar voltado para a viabilidade do negócio, a família mantém controle rigoroso dos custos de produção. “Levantamos quanto gastamos com alimentação por litro de leite e quanto conseguimos produzir com cada real investido em comida”, comenta Maikow, explicando que atualmente o custo alimentar gira em torno de R$ 1,10 por litro de leite, um valor considerado positivo e competitivo. “Conseguimos boas safras de silagem e produzimos boa parte do que os animais consomem. Isso inclui o grão úmido, que é bem mais barato do que comprar milho seco. Nosso objetivo é produzir o máximo possível dentro da propriedade”, afirma.

Contudo, antes da automação, os custos eram mais altos. “A vaca custava praticamente o mesmo por dia, só que produzia menos. O custo por litro podia chegar a R$ 1,50. Hoje, com a ordenha robotizada, ganhamos em eficiência e reduzimos em cerca de R$ 0,40 o custo de alimentação por litro produzido”, detalha Maikow.

Passando o bastão

Embora ainda dividam as decisões com os pais, os irmãos Maikow e Nicolly já assumem boa parte da condução da propriedade, com um protagonismo crescente. “Não dá pra dizer que estamos totalmente à frente, mas meu pai sempre diz que todas as melhorias que estamos implementando hoje são porque eu e minha irmã estamos mais envolvidos nas decisões”, conta Maikow, frisando que isso vem acontecendo de forma mais efetiva nos últimos três anos, com ideias voltadas à melhoria dos processos e à busca constante por eficiência e inovação.

Mais do que garantir a permanência da família no campo, essa sucessão bem-sucedida representa o reconhecimento do esforço de quem construiu tudo com as próprias mãos. “Vi o quanto meus pais sofreram para conquistar cada centímetro desse chão. Nada foi herdado. Cada palanque, cada metro da propriedade, foi fruto do trabalho deles. Hoje, a gente consegue oferecer uma renda que permite a eles aproveitarem melhor a vida. Isso é muito gratificante”, enfatiza Maikow.

Melhorias constantes

Foto: Shutterstock

O planejamento para o futuro da Leitaria Macari segue em ritmo firme e constante. “Quem visita a propriedade hoje e a conheceu há cinco anos se surpreende com a transformação. Não que sejamos grandes produtores, mas pelo quanto investimos, pela busca de melhoria contínua. E ainda temos planos. Para este ano queremos melhorar o conforto das novilhas e das vacas secas. Para o ano que vem, nosso objetivo é adquirir mais um robô e dobrar o número de animais, expandindo a nossa capacidade de produção”, adianta Maikow. “O crescimento é construído aos poucos, dando um passo de cada vez, com calma e responsabilidade”, complementa Nicolly.

O que sustenta o trabalho diário no campo

Com a bagagem acumulada nos últimos anos à frente da propriedade, os irmãos Macari compartilham uma mensagem inspiradora aos jovens que desejam permanecer no campo ou assumir os negócios da família. Para eles, mais do que o acesso à tecnologia e à informação, hoje amplamente disponíveis, o que realmente faz a diferença é o relacionamento entre as pessoas. “O diálogo entre pai e filho, entre irmãos, é o mais importante”, exalta Maikow, ressaltando: “Muitas coisas que fazemos hoje talvez não façam sentido para nossos pais, que vêm de outra geração. Mas eles sempre nos apoiaram, mesmo quando não viam necessidade”. “Além disso, é preciso ter paciência e, acima de tudo, amor pelo que se faz”, reforça Nicolly.

Fonte: O Presente Rural

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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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Foto: Shutterstock

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Fundesa-RS adia início da cobrança de taxas sobre rebanhos por instabilidade em sistema

Emissão de boletos foi suspensa após identificação de problemas técnicos. Nova data para o início da arrecadação ainda não foi definida.

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Foto: Adapar/Paraná

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) adiou o início da arrecadação das taxas incidentes sobre a existência de animais declarados na Declaração Anual de Rebanho. A cobrança estava prevista para começar na quarta-feira (15), mas foi suspensa devido a instabilidades técnicas no novo sistema de emissão de boletos.

Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

Segundo o Fundesa-RS, os problemas identificados impedem, neste momento, a operacionalização do processo de arrecadação junto aos produtores rurais.

Em nota, o fundo informou que a equipe técnica e os responsáveis pelo processamento das informações fornecidas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) trabalham em caráter prioritário para corrigir as inconsistências do sistema.

Nova data ainda não foi definida

De acordo com o Fundesa-RS, o objetivo é restabelecer o funcionamento da plataforma de forma que a arrecadação ocorra com transparência, agilidade e segurança jurídica para os contribuintes.

Até o momento, não foi divulgada uma nova data para o início da cobrança. O fundo informou que o cronograma atualizado será comunicado pelos canais oficiais da instituição e também pelas entidades que integram o Fundesa-RS, assim que o sistema estiver plenamente operacional.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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