Conectado com

Avicultura

Autoembargo e sanções de parceiros comerciais após gripe aviária preocupam setor

Em parceiros comerciais estratégicos, País busca acordo de regionalização para conter prejuízos e preservar credibilidade sanitária.

Publicado em

em

Foto: Claudio Neves

Com a confirmação do primeiro caso de gripe aviária em sistema comercial no Brasil, o país passou a enfrentar restrições cada vez mais amplas nas exportações de produtos avícolas. A doença, que já havia sido registrada em aves silvestres desde 2023, atingiu no dia 16 de maio uma granja de matrizes localizada em Montenegro, no Rio Grande do Sul, exigindo resposta imediata das autoridades sanitárias e comerciais.

Foto: Ari Dias

Ao todo, 167 focos foram registrados no Brasil até maio, sendo 160 em aves migratórias ou silvestres, três em criações de subsistência e quatro em leões-marinhos.

Seguindo protocolos sanitários internacionais, o Brasil decretou autoembargo por 60 dias às exportações de produtos avícolas para China, União Europeia, Canadá e África do Sul, seus principais parceiros. A medida tem como objetivo manter a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e buscar rápida recuperação do status sanitário junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Além dos mercados que seguem protocolos sanitários previamente acordados, outras nações adotaram medidas próprias de restrição às importações de carne de frango brasileira. Segundo o Ministério da Agricultura, Chile, Argentina, Uruguai, México e Coreia do Sul também anunciaram suspensões temporárias. A tendência, segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, é que mais países venham a adotar ações semelhantes nas próximas semanas.

Foto: Jonathan Campos

O impacto direto dessas suspensões ainda está sendo avaliado, mas o risco à balança comercial do setor é concreto. Com cerca de 30% da produção de carne de frango destinada ao mercado externo, o Brasil pode enfrentar dificuldades logísticas e comerciais, sobretudo no curto prazo.

Apesar disso, há fatores que podem ajudar a reduzir os danos. O país possui acordos de regionalização com parceiros estratégicos como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Japão, o que significa que a suspensão não precisa se aplicar a todo o território nacional, mas apenas à região afetada, neste caso, o município de Montenegro.

A expectativa do setor é que esses acordos funcionem como uma válvula de escape para evitar um bloqueio mais amplo. “O padrão sanitário brasileiro é reconhecidamente rígido, e a rápida adoção do autoembargo demonstra compromisso com a contenção da doença”, avalia a consultoria.

Agora, o Brasil entra em um período de monitoramento intensivo. Caso não haja novos focos da doença nas próximas semanas, será possível retomar gradualmente as exportações e solicitar à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o restabelecimento do status sanitário do país.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA

Avicultura

Paraná inicia novo ciclo de vigilância para Influenza Aviária e Doença de Newcastle

Monitoramento deve abranger 482 propriedades comerciais e de subsistência, com coletas previstas até junho de 2026.

Publicado em

em

Fotos: Adapar

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) iniciou o novo ciclo de Vigilância Ativa de Influenza Aviária e Doença de Newcastle (DNC). A iniciativa engloba a coleta de amostras biológicas, como soro sanguíneo e suabes de cloaca e traqueia, em aves de diferentes sistemas de criação. Ao todo, serão monitoradas 346 propriedades comerciais, incluindo estabelecimentos de corte, postura e reprodução, além de 136 propriedades de subsistência. A previsão é que os trabalhos continuem até junho de 2026.

Segundo a chefe da Divisão de Sanidade Avícola da Adapar, Pauline Sperka de Souza, a vigilância ativa é fundamental para a manutenção do status sanitário do Paraná. “As atividades de vigilância ativa têm o objetivo de comprovar a ausência destas enfermidades na avicultura industrial e de subsistência e, além disso, evidenciam a robustez do sistema de defesa sanitária, a capacidade de detecção precoce de casos suspeitos e a transparência do status sanitário do Paraná e do Brasil”, afirma a médica veterinária.

A presença das equipes técnicas nas propriedades também fortalece a orientação aos produtores quanto às boas práticas de biosseguridade, promovendo a prevenção de doenças, incentivando a participação ativa da comunidade e consolidando uma cultura de responsabilidade sanitária.

A Influenza Aviária é uma doença viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres, podendo gerar sérios impactos sanitários, econômicos e ambientais. A forma de alta patogenicidade caracteriza-se por elevada mortalidade, associada a sinais clínicos respiratórios, digestivos e nervosos, como dificuldade respiratória, diarreia, torcicolo e incoordenação motora.

Economia

A avicultura paranaense possui papel estratégico na econômica do Estado, sendo uma das principais cadeias produtivas do agronegócio estadual e nacional. O Paraná é destaque entre os maiores produtores e exportadores de carne de frango do Brasil. Até o terceiro trimestre de 2025, o Estado liderou frequentemente o ranking nacional de abates e exportações, sendo responsável por 34% da produção nacional.

A atividade apresenta forte capilaridade territorial, presente em grande parte dos municípios paranaenses, especialmente nas regiões Oeste, Sudoeste e Norte do Estado.

Histórico

Como parte do fortalecimento das ações de prevenção e resposta a emergências zoossanitárias, a Adapar realizou, em outubro e novembro de 2025, capacitação específica voltada à vigilância e ao atendimento de emergências avícolas. O treinamento contou com a participação de 261 servidores da Agência.

Atualmente, o Paraná mantém o status sanitário de livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e de Doença de Newcastle, condição estratégica para a proteção da cadeia produtiva, do abastecimento interno e do comércio internacional.

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

Avicultura

Perspectivas positivas para carnes e ovos pautam discussões do Kick-Off FACTA 2026

Setor avalia avanço do consumo, ambiente favorável para grãos e necessidade de ampliar industrialização para exportações.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Arquivo OP Rural

Lideranças do setor agropecuário, especialistas e representantes da cadeia produtiva participaram, na manhã da última quarta-feira (04), em São Paulo (SP), da segunda edição do Kick-Off da Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA). O encontro discutiu o cenário político e as perspectivas de mercado para o setor ao longo de 2026.

A abertura do evento contou com a presença do secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho; do presidente da FACTA, Ariel Mendes; do presidente do Conselho Curador da FACTA e presidente da Aviagen América Latina, Ivan Pupo Lauandos; do presidente do Sindirações, Roberto Betancourt; da diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves; e do diretor técnico do Sebrae-SP, Marco Vinholo.

Durante a abertura, Melo Filho destacou a importância do setor para a economia paulista e reforçou o compromisso do governo estadual com o diálogo com a cadeia produtiva. Segundo ele, quatro das principais cadeias produtivas do Estado estão ligadas à proteína animal, o que evidencia a relevância estratégica do segmento.

Na sequência, Ariel Mendes apresentou ao secretário uma demanda da Associação Paulista de Avicultura (APA) e da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) relacionada ao déficit de galpões no Estado. Conforme o dirigente, o crescimento da avicultura e da suinocultura enfrenta limitações estruturais, como o alto custo de produção e a expansão dos frigoríficos. Ele informou que o déficit atual é estimado em cerca de 320 galpões e pode chegar a 700 até 2028. Mendes também destacou que a taxa Selic elevada dificulta o acesso ao crédito, limitando investimentos e podendo deslocar a produção para outros estados. Como alternativa, sugeriu a criação de um mecanismo de juros subsidiados com recursos estaduais, semelhante ao modelo adotado no Paraná.

O secretário acolheu as demandas e afirmou que o governo avaliará mecanismos de apoio ao setor, destacando o papel da ciência e da tecnologia no desenvolvimento do agronegócio.

O primeiro painel técnico abordou o cenário político e econômico global para 2026. Participaram a diretora-executiva da Valya Agro, Larissa Wachholz, e o diretor-executivo da Lohbauer Consultoria Internacional, Christian Lohbauer. Larissa apresentou uma análise do ambiente internacional e ressaltou a necessidade de atuação estratégica do Brasil diante das tensões entre Estados Unidos e China. Ela defendeu a ampliação da diversificação comercial, com atenção a mercados asiáticos além da China, e a manutenção de postura neutra em disputas geopolíticas.

Christian Lohbauer avaliou os desafios econômicos e institucionais enfrentados pelo país e afirmou que o atual contexto global é marcado pela formação de áreas de influência e pelo fortalecimento das relações entre países não ocidentais. O especialista também alertou para pressões fiscais e aumento de recuperações judiciais, inclusive no agronegócio, mas destacou que o Brasil mantém elevada capacidade produtiva.

O segundo painel tratou das perspectivas para o mercado de carnes e ovos. O executivo da Pluma Agroavícola, Jairo Arenázio, analisou o desempenho dos segmentos e apontou ambiente favorável para os grãos. Segundo ele, a avicultura brasileira está consolidada, enquanto a suinocultura apresenta crescimento gradual. Arenázio também destacou a expansão do consumo de ovos e a necessidade de investimentos em industrialização para ampliar o acesso ao mercado externo.

Já o presidente do Sindirações e vice-presidente da Federação Internacional da Indústria de Alimentação Animal (IFIF), Roberto Betancourt, ressaltou que o cenário global favorece a produção brasileira de proteína animal. Ele citou a competitividade da ração nacional, a disponibilidade de matérias-primas e a credibilidade sanitária do país como fatores que fortalecem o setor.

Encerrando o painel, a diretora técnica da ABPA, Sula Alves, reforçou a importância de manter a competitividade internacional, especialmente diante do avanço de outros grandes produtores. Segundo ela, o momento é positivo, mas exige coordenação entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

Ao final do evento, Ivan Pupo Lauandos avaliou que o Kick-Off FACTA 2026 apresentou resultados positivos, com análises conjunturais, debates sobre o setor e palestras técnicas. Ele destacou que o encontro se consolida como espaço de troca de conhecimento e articulação entre os integrantes da cadeia de proteína animal.

Fonte: Assessoria FACTA
Continue Lendo

Avicultura

Ovo ganha protagonismo e consumo no Brasil deve superar 300 unidades/per capita em 2026

Avanço é impulsionado por preço acessível, valor nutricional e aumento da produção nacional.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

O ovo deixou de ocupar um papel secundário na mesa do brasileiro para assumir protagonismo. Impulsionado pela combinação entre preço acessível, praticidade e reconhecimento crescente do valor nutricional, o consumo avança em ritmo contínuo e reposiciona o Brasil no cenário global da avicultura de postura. Em 2025, o consumo per capita atingiu 287 ovos por habitante, marca que colocou o País, pela primeira vez, entre os 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Em menos de uma década, o brasileiro aumentou em 61% a ingestão per capita de ovos, saindo de cerca de 190 unidades em 2017 para patamares que devem atingir em torno de 307 unidades ao longo de 2026, conforme projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o que deve ampliar ainda mais a presença do Brasil no ranking mundial de consumidores.

Esse desempenho reflete a capacidade do setor produtivo de responder ao aumento da demanda. A produção nacional alcançou cerca de 62,250 bilhões de ovos no último ano, com perspectiva de crescimento para 66,5 bilhões neste ano, sustentada por investimentos em modernização de aviários, mecanização e automação, que vêm elevando a eficiência e a produtividade em diversas regiões do Brasil.

Mais do que um efeito de substituição de outras proteínas, o crescimento do consumo indica uma combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do ovo. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, avalia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert.

Segundo ele, a maior presença do alimento nas refeições também está relacionada à evolução do conhecimento científico e ao esforço de comunicação do setor. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre os ovos. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, ressaltando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”,

Preço competitivo sustenta consumo

O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.

Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo” – Foto: Arquivo O Presente  Rural

Embora ainda representem uma parcela pequena da produção nacional, as exportações de ovos já sinalizam um novo vetor de crescimento para a avicultura de postura brasileira. Em 2025, os embarques somaram 40.894 toneladas, considerando ovos in natura e produtos processados. O volume estabelece um recorde histórico e representa um salto de 121,4% em relação ao ano anterior, quando foram exportadas 18.469 toneladas.

O desempenho também se reflete na receita. O faturamento alcançou US$ 97,240 milhões, resultado 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, quando somou US$ 39,282 milhões. Para 2026, a expectativa é de novo avanço, com o volume exportado podendo alcançar 45 mil toneladas, o que representaria um crescimento de 12,5% em relação à projeção para este ano.

Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas, alta de 826,7% em relação ao total de 2024, seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas, aumento de 229,1%; Chile, com 4.124 toneladas, crescimento de 40%; México, com 3.195 toneladas, aumento de 495,6%; e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas, alta de 31,5%. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.

Custos seguem incertos

O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.

A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.

Avanço em programas sociais e políticas públicas

O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.

Combate à desinformação

A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.

Um setor mais organizado e unido

Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.

versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo