Notícias
Aurora Alimentos cresce no mercado mundial de carnes, apesar dos desafios
O negócio aves respondeu por 66% do total com um montante de R$ 1,24 bilhão, o negócio suíno participou com 33% do total com faturamento de R$ 612 milhões
A Cooperativa Central Aurora Alimentos – terceiro maior grupo agroindustrial do País – obteve nas exportações de carnes 24% de sua receita operacional bruta, em 2015. No ano passado, a receita total fechou em R$ 7,7 bilhões de reais, dos quais, R$ 1,85 bilhão de reais foram vendas externas. O crescimento no comércio mundial foi da ordem de 35%.
“Melhoramos em todas as áreas o nosso desempenho internacional”, enfatizam o presidente Mário Lanznaster e o gerente geral de exportação Dilvo Casagranda. Com os resultados obtidos em 2015, a Aurora consolidou-se como a terceira maior exportadora de carnes de aves e de suíno do Brasil.
O negócio aves respondeu por 66% do total com um montante de R$ 1,24 bilhão, o negócio suíno participou com 33% do total com faturamento de R$ 612 milhões. Em volumes, foram embarcadas 290.402 toneladas (18,4% de crescimento) e, desse total, o negócio aves respondeu por 74% e o negócio suíno por 26%. Os volumes cresceram em face da entrada nas exportações do frigorífico de Mandaguari, em maio 2015, e na otimização da produção dentro das unidades da Aurora.
O volume de carne suína da Aurora exportado em 2015 cresceu 33% em relação a 2014, pautado na venda de pernil, paleta, lombo, carré, barriga, cartilagem e costela. Os principais mercados alcançados foram Hong Kong, Rússia, Angola, Américas, Cingapura, Eurásia, China e Estados Unidos.
As vendas externas de carne de frango cresceram 15% em relação ao ano anterior. Os principais produtos exportados foram perna inteira desossada, meio peito, asa, pés, coxa, moela, pele e cartilagem. Os principais mercados compradores foram Japão, China, Hong Kong, África do Sul, Rússia, Chile, Europa, Cingapura e Oriente Médio.
PROJEÇÕES
O presidente Mário Lanznaster destaca que a desvalorização do real, num primeiro momento, foi benéfica para os exportadores, pois, ajustou o câmbio, mas, em seguida veio o impacto nos custos: grande parte dos insumos da cadeia produtiva de carnes tem cotação mundial, como é o caso do milho e da soja (base da alimentação dos suínos e aves) com maior fatia na composição do custo de produção ou itens importados (minerais, vitaminas, máquinas e equipamentos).
Os países asiáticos constituem o mercado mais promissor para a Aurora, sendo os principais parceiros comerciais na importação de carnes de aves, com crescimento em carne suína. Por outro lado, há preocupação com o Acordo Transpacífico, do qual o Brasil ficou de fora, o que pode atrapalhar o desempenho do País no comércio mundial: os países exportadores que fazem parte do acordo serão privilegiados em alguns aspectos, seja no transporte, nas tarifas etc.
O Governo precisa fazer a sua parte auxiliando a indústria da carne na abertura de novos mercados, negociando acordos bilaterais que, efetivamente, são mais eficazes e impactam em diferenciais de valores significativos para a entrada em alguns mercados.
“O ano será desafiador”, na avaliação dos dirigentes da Aurora, em face da instabilidade econômica interna associada ao comportamento do dólar. Outro condicionante será a “possível retomada” de consumo no mercado doméstico, que absorve em torno de 70% da produção de aves do País e 84% da produção de suínos.
No plano internacional, a avicultura brasileira continuará forte na disputa pelo mercado na condição de segundo produtor mundial de carne de aves e o maior fornecedor para o mundo. O mercado, contudo, mostra possibilidades de melhoras mesmo com a grande a competição entre os exportadores. Por outro lado, a suinocultura persistirá na busca por novos mercados importadores e consolidação de maiores volumes para mercados já conquistados como Japão, China, USA e Coreia do Sul.
“Todos os envolvidos na cadeia produtiva, desde o produtor até a ponta final das negociações terão que trabalhar com muita eficiência para buscar e manter resultados positivos para o setor”, pontuam Lanznaster e Casagranda.
Fonte: Ass. Imprensa

Notícias
Após investir R$ 650 milhões, Porto de Paranaguá cobra avanço das ferrovias para evitar perda de competitividade
Presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, afirma que terminal está preparado para crescer, mas alerta que infraestrutura terrestre ainda limita a eficiência logística.

O modelo de gestão adotado pelo Porto de Paranaguá e os desafios da logística do agronegócio estiveram no centro dos debates do lançamento do Movimento Agroportos, realizado na quinta-feira (25), em Curitiba. Durante o evento, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, apresentou medidas implementadas nos últimos anos para ampliar a eficiência operacional do terminal e defendeu investimentos em infraestrutura como caminho para reduzir o chamado “Custo Brasil”.

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “Somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Garcia, que também preside a Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), participou do painel “Regulação, Segurança Jurídica e Eficiência Portuária nos Portos do Sul”, mediado pelo diretor-presidente do IBI, Mário Povia. Ele expôs medidas exitosas adotadas nos portos paranaenses ao longo dos últimos anos, que podem servir de exemplo para outros portos em todo o Brasil. O Porto de Paranaguá é o primeiro do país a ter 100% de suas áreas portuárias arrendadas, garantindo segurança jurídica aos operadores. “Com nossas concessões, somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão. São mais de R$ 650 milhões em investimentos, em uma obra que está 95% concluída”, disse Garcia.
As regularizações das áreas arrendáveis promovidas pela Portos do Paraná a partir de 2019 trazem justamente a segurança jurídica discutida no painel. A partir de leilões públicos realizados na Bolsa de Valores do Brasil (B3), as empresas têm a garantia de que poderão investir, pois estão resguardadas por contratos robustos que protegem tanto o arrendante quanto a arrendatária.
Preparado
Ao mencionar a sustentabilidade, Luiz Fernando lembrou que o Porto de Paranaguá se tornou o primeiro porto público brasileiro a conquistar o selo internacional EcoPorts, a mais importante certificação mundial que reconhece as boas práticas de gestão ambiental portuária.
Com as obras mencionadas, o diretor-presidente assegura que o Porto de Paranaguá estará preparado para esse aumento de capacidade e produção no futuro. “O

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Paraná fez as concessões rodoviárias e R$ 90 bilhões serão aplicados nos contratos vigentes. E o vencimento da concessão da Malha Sul, em 2027, é a oportunidade que temos para discutir com o setor ferroviário, importantíssimo para que o Moegão funcione com sua capacidade plena”, completou.
Indagado sobre os problemas observados para uma discussão mais ampla por parte do Movimento Agroportos, Garcia destacou o custo logístico das cargas até o porto. Para ele, é preciso enfrentar essas deficiências para ganhar mais eficiência. “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos”, disse.
Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e presidente do Conselho de Administração da Portos do Paraná (Consad), também foi um dos painelistas. Ele ressaltou a gestão da Portos do Paraná, destacando a requalificação de áreas e os leilões, que geraram maior capacidade de investimento no Porto de Paranaguá. “A Região Sul ainda tem protagonismo no escoamento de cereais, até porque conta com portos extremamente preparados e especializados para essa atividade. Então, buscamos uma sinergia e harmonização, que já deram muito certo aqui no Sul e servem de bom exemplo para desenvolvermos projetos de crescimento nas regiões Norte e Nordeste do país”, disse Ávila.
Notícias Cooperativismo
Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível
Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.
Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.
A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.
Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Notícias
Quando o clima ajuda a conter a alta dos grãos
Análise da Consultoria Agro do Itaú BBA indica que o El Niño tende a redistribuir a produção entre regiões e reduzir a volatilidade dos preços, ao contrário da La Niña, que concentra perdas e pressiona o mercado global.

O impacto dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña sobre o mercado global de soja e milho não segue um padrão simples de alta ou baixa de preços. De acordo com análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os efeitos são assimétricos, dependem da distribuição geográfica das chuvas e, sobretudo, da intensidade de cada evento.

Foto: Divulgação
No caso do fenômeno El Niño, o efeito global tende a ser mais de redistribuição do risco do que de perda generalizada de produção. Enquanto algumas regiões enfrentam restrições climáticas, como partes da Ásia e da África, grandes produtores como Estados Unidos, Brasil e Argentina podem registrar condições mais favoráveis.
Segundo a análise, esse “balanceamento geográfico” faz com que a produção global de soja, em muitos episódios, apresente até ganhos médios de 2% a 5%. No milho, o comportamento é mais neutro a levemente negativo, com perdas estimadas em até cerca de 4%, concentradas em áreas tropicais.
Esse desenho ajuda a explicar por que eventos de El Niño, especialmente os moderados, podem resultar em menor volatilidade nos preços internacionais de grãos. Com a oferta global relativamente preservada, o mercado tende a operar com estoques mais confortáveis, o que reduz a intensidade de movimentos altistas.
Em eventos mais fortes, como os registrados em 1997/98 e 2015/16, não houve, segundo a consultoria, rupturas relevantes no balanço global de oferta e demanda de soja e milho, e as cotações internacionais exibiram comportamento menos volátil do que em anos neutros ou sob influência de La Niña.
O quadro muda de forma mais consistente sob influência da La Niña. Nesse cenário, o padrão climático tende a ser mais sincronizado entre grandes regiões

Foto: Divulgação
produtoras, ampliando a probabilidade de perdas simultâneas de produtividade.
A América do Sul, responsável por cerca de 65% das exportações globais de soja e fatia relevante do milho, aparece como uma das áreas mais vulneráveis a períodos prolongados de estiagem associados ao fenômeno. Episódios recentes de La Niña entre 2020 e 2022 coincidiram com secas severas no Sul da África e perdas expressivas no Cone Sul, contribuindo para forte alta nos preços internacionais em 2021 e 2022.
Nesse período, o milho chegou a superar US$ 6,50 por bushel em Chicago, enquanto a soja atingiu US$ 17 por bushel, refletindo um aperto global de oferta.
Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, essa mudança também reflete uma transformação estrutural no mercado global de grãos. Com o aumento da participação do Hemisfério Sul no comércio internacional, choques climáticos negativos passaram a ter impacto mais direto sobre a formação de preços, especialmente em anos de La Niña.
Nesse contexto, enquanto o El Niño atua mais como um fator de redistribuição regional de produção, a La Niña segue associada a maior risco de desequilíbrio global entre oferta e demanda, com efeitos mais intensos sobre as cotações de soja e milho.
