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Aurora Alimentos certifica técnicos em gestão na produção de suínos
Capacitação Pensamento+1 foi desenvolvida durante seis meses pela Agriness com técnicos das cooperativas filiadas
Com o objetivo de formar e certificar profissionais de excelência em gestão na produção de suínos, capazes de mudar a cultura e a produtividade da granja, a Cooperativa Central Aurora Alimentos promoveu pela primeira fez o programa de Capacitação Pensamento+1 da Agriness com técnicos das cooperativas filiadas. Após seis meses de trabalho, 15 técnicos receberam o certificado de formação na terça-feira (16) durante cerimônia de formatura. A solenidade ocorreu no auditório da Aurora Matriz, em Chapecó, e contou com a presença dos presidentes das cooperativas filiadas à Aurora.
De acordo com o gerente de suinocultura da Aurora Alimentos, Valdir Schumacher, a Capacitação Pensamento+1 integra a metodologia do programa Leitão Ideal desenvolvido pela Aurora. “O Leitão Ideal é um processo de melhoria contínua e está sempre voltado para as demandas de mercado, buscando inovações tecnológicas que agreguem valor a cadeia produtiva. Isso é possível por meio da implantação de padrões de manejo e de assistência técnica e o P+1 veio para agregar ainda mais resultado a um trabalho que já está em andamento”, esclareceu.
O coordenador do programa Leitão Ideal e assessor de suinocultura da Aurora Alimentos, Sandro Luiz Treméa, reforçou que a iniciativa trabalha o planejamento da produção de suínos em lotes com vazio sanitário, gestão da produção de suínos, item no qual entra o Pensamento+1, e procedimentos operacionais padrão a serem implementados pelos produtores e pela assistência técnica.
Os formandos receberam a certificação do diretor de agropecuária Marcos Antônio Zordan e dos presidentes das cooperativas filiadas. O técnico Fernando Rocha, médico veterinário da Copérdia, foi um dos concluintes do curso. “Tivemos ganhos acima do esperado com a aplicação do P+1. Atingimos um acréscimo de 30% em melhorias, isso ao fim do ano representa ganhos acima de R$ 100 mil reais para uma granja de 600 matrizes”, salientou. Para ele, a gestão das propriedades, bastante explorada durante o programa, é fundamental para o alcance desses resultados. “É importante ter tempo para desenvolver a gestão da empresa rural. A partir disso, os produtores têm melhores resultados na produtividade e também na rentabilidade”, concluiu.
Eduarda Basso é médica veterinária na Cotrel e desenvolveu o P+1 em uma granja localizada em Getúlio Vargas. “Melhorou muito a parte de gestão da propriedade. Hoje os produtores enxergam onde está o problema dentro da granja e conseguem estipular novas metas para alcançar os resultados esperados. Com a aplicação da metodologia do programa tivemos uma evolução de dois leitões a mais por porca o que gera uma renda muito maior”, avaliou.
Para o diretor de agropecuária da Aurora Alimentos, Marcos Antônio Zordan, a capacitação é um complemento para a produção de carne suína com cada vez mais qualidade. “O mercado consumidor, principalmente o internacional, é exigente. Estabelecem padrões desejados e para atendê-los com eficiência reforçando a qualidade dos produtos da Aurora Alimentos, precisamos atingir bons desempenhos zootécnicos e com baixos custos de produção. O P+1 só veio para somar e contribuir neste processo”, observou.
Metodologia
A capacitação foi criada em 2014 pela Agriness com a proposta de promover a excelência produtiva e a melhoria da gestão por meio das pessoas que trabalham na granja. Vai além de uma metodologia de gestão. Faz a correlação entre a produção e as pessoas dentro das unidades produtivas. O curso oferece aos concluintes, depois da defesa do trabalho ?nal, a Certi?cação P1, que expressa o desenvolvimento de competências gerenciais baseadas nos métodos e conceitos chancelados pela Agriness.
De acordo com o diretor da Agriness, Everton Gubert, no período de execução do programa nas granjas da Aurora Alimentos houve uma melhoria média de 1,41 em leitões desmamados por fêmea (DFA) por ano. “Esse resultado se torna mais interessante ainda porque foram granjas, técnicos e plantéis diferentes, comprovando a eficácia da metodologia”, salienta.
A iniciativa possibilita identificar e expor os índices de produtividade a serem monitorados, a interpretar índices de produtividade da granja e relacionar processos produtivos com os resultados. Os técnicos também são capacitados para trabalhar com pessoas no processo de gestão tornando-a um hábito.
O curso tem inicialmente 16 horas de imersão com repasse de conhecimentos e técnicas sobre pessoas+informação, pensamento+1 e ferramentas do programa. O segundo passo consiste na aplicação prática durante seis meses em que ocorrem a implantação do programa em uma granja com o apoio consultivo do tutor P1 da Agriness. “Após os três primeiros meses, os técnicos passam por uma avaliação teórica que serve como base para ajustes de conduta e reforços conceituais”.
Ao fim dos seis meses, são apresentados os trabalhos práticos de conclusão em um workshop com a presença dos tutores e colegas de curso, seguido de certificação do P1 como agente de transformação. “É uma metodologia de gestão que utiliza princípios, conceitos fundamentais, técnicas e ferramentas para impulsionar pessoas e unidades produtivas ao nível de excelência de resultados na produção de suínos”, complementou Gubert.
O vice-presidente da Aurora Alimentos, Neivor Canton, destacou a qualidade e a credibilidade que a Aurora e suas cooperativas filiadas têm diante do mercado consumidor. “Acreditamos no cooperativismo e é com base em ações de melhorias e trabalhando em união que continuamos em busca de oferecer sempre o melhor ao nosso consumidor”, finalizou.
A programação contou, ainda, com a palestra “Mercado de Suínos” proferida pelo gerente geral internacional da Aurora Alimentos, Dilvo Casagranda, que explicou como funciona a exportação de carne suína.
Fonte: Assessoria

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Brasil abre mercado para feno na Jordânia e sementes forrageiras na Etiópia
Autorizações incluem ainda frutas na Arábia Saudita, maçã em El Salvador e uva no Azerbaijão; exportações agropecuárias brasileiras a esses destinos superaram US$ 3,4 bilhões em 2025.

O Brasil obteve autorização para exportar feno à Jordânia, mercado que importou mais de US$ 499 milhões em produtos agropecuários brasileiros no ano passado. A abertura cria uma nova frente para um insumo estratégico na alimentação animal em regiões áridas, com potencial de demanda regular por volumosos conservados.

Foto: Divulgação
Na Etiópia, foi autorizada a exportação de sementes de forrageiras das espécies Brachiaria spp., Panicum spp. e Setaria spp.. A medida amplia a pauta brasileira no país africano e reforça a presença nacional no segmento de genética forrageira, com foco na formação e recuperação de pastagens.
No Oriente Médio, a Arábia Saudita aprovou a entrada de nove produtos da fruticultura brasileira: abacate, atemoia, goiaba, carambola, citros, gengibre, mamão, maracujá e melancia. Um dos principais destinos do agro brasileiro na região, o país importou mais de US$ 2,8 bilhões em produtos agropecuários do Brasil em 2025.
Na América Central e no Cáucaso, novas autorizações contemplaram frutas de clima temperado. El Salvador aprovou a importação de

Foto: Divulgação
maçã, enquanto o Azerbaijão liberou a entrada de uvas brasileiras. Em 2025, as exportações agropecuárias do Brasil para esses dois países somaram US$ 103 milhões e US$ 24 milhões, respectivamente.
Com os anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 591 aberturas de mercado desde o início de 2023, com diversificação de destinos e de categorias de produtos, incluindo insumos pecuários e itens de maior valor agregado na fruticultura.
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Unidades da Embrapa passam a usar IA para gerar recomendações técnicas no campo
Projetos como o SORaIA e o Semear Digital integram dados de solo, clima e genética para gerar recomendações técnicas, simulações produtivas e ferramentas digitais voltadas à decisão no campo e à inclusão da agricultura familiar.

Quatorze unidades de pesquisa da Embrapa ampliam o uso de inteligência artificial (IA) generativa a fim de desenvolver e validar soluções tecnológicas para os sistemas agroalimentares e florestais no Brasil. Estratégica para apoiar a tomada de decisão, a tecnologia se incorpora à construção de modelos integrados nas bases de conhecimento da Empresa, com potencial de escalabilidade, replicação e geração de recomendações prescritivas adaptadas às demandas do setor agropecuário.
Com aplicações que vão da organização e análise de grandes volumes de dados à simulação de cenários produtivos, a tecnologia contribui para agilizar a pesquisa, orientar decisões, qualificar recomendações no campo, impulsionar a inovação em sistemas agropecuários e ampliar o acesso ao conhecimento, em integração com ferramentas da agricultura digital.

Fotos: Shutterstock
O uso de IA na pesquisa agropecuária é uma evolução do que já é feito há décadas na Embrapa na análise de dados históricos para reduzir incertezas sobre a atividade agropecuária pela via da agricultura digital e de precisão.
Segundo Kleber Sampaio, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP), o domínio desse conhecimento é também um avanço em relação à IA preditiva, já utilizada no contexto científico da Empresa. “Enquanto a primeira antecipa cenários a partir de dados históricos, a generativa utiliza esses mesmos dados para produzir conteúdos, simulações e recomendações inéditas. É uma inovação no uso de informações geradas pela pesquisa agropecuária”, diz.
Exemplos do uso da IA generativa na agropecuária incluem a aceleração da pesquisa científica ao gerar relatórios técnicos e apoiar a revisão de literatura, além da organização de grandes volumes de dados experimentais. A tecnologia também contribui para a tomada de decisão no campo, por meio da simulação de cenários de clima, produtividade e manejo, da geração de recomendações personalizadas e da integração de dados de solo, clima e genética.
Outros destaques são o desenvolvimento de soluções inovadoras, como a simulação do crescimento de culturas, o apoio ao melhoramento genético e a criação de novos modelos preditivos. E, ainda, a pesquisa que desenvolveu método que usa laser e inteligência artificial para estimar, em uma única análise, a densidade do solo e o teor de carbono.
Inovação nas ferramentas digitais
O pesquisador Kleber Sampaio, que é o líder do projeto Soluções recomendativas e generativas baseadas em IA para aumento da eficiência, qualidade e resiliência produtiva (SORaIA), vê na IA uma aliada cada vez mais estratégica no apoio a decisões.
O projeto prevê o estímulo à produção de artigos científicos e a consolidação de acervos de dados estruturados para treinamento de modelos e reuso. O desenvolvimento de ferramentas digitais acessíveis, associado à qualificação de equipes técnicas e institucionais no uso dessas tecnologias, também é alvo da iniciativa.
“É improvável que alcancemos a fronteira do conhecimento utilizando um instrumental metodológico ou técnico já superado”, avalia Inamasu. Segundo ele, é importante que tanto as ferramentas de softwares e de hardwares quanto os especialistas estejam constantemente atualizados.
Vale destacar que as pesquisas nessa área na Embrapa asseguram que os algoritmos sigam padrões éticos em âmbito nacional e internacional em questões como a privacidade de dados sensíveis, prevista na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Patrimônio intelectual
A expansão planejada por meio de iniciativas como os projetos SORaIA e Semear Digital encontra respaldo nas análises do grupo de trabalho que apresentou recomendações para o avanço da IA generativa na instituição, como pontua Viviane Cavalcanti, que liderou o grupo de trabalho no âmbito da GCI.
De acordo com Cavalcanti, aliar inovação tecnológica à segurança jurídico-institucional, implantar governança permanente, além de investir em um processo dinâmico de curadoria e validação de dados também foram recomendados. “Essa visão estratégica inclui a proposta de um marketplace de contexto para proteger o patrimônio intelectual da Embrapa de forma soberana.”, argumenta.
O digital na agricultura familiar
Explorar a transformação digital em seu potencial de reduzir assimetrias de mercado é o propósito do projeto de inclusão socioprodutiva e digital da Embrapa e parceiros, o Semear Digital, criado em 2023 e idealizado pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá. A iniciativa apoia a chegada de tecnologias emergentes a dez municípios brasileiros, denominados Distritos Agrotecnológicos (DATs).
O projeto é coordenado pela Embrapa Agricultura Digital com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). As equipes são constituídas por especialistas de 13 centros de pesquisa da Embrapa e de sete instituições fundadoras, além de 24 parceiros, somando 90 pesquisadores, incluindo 43 bolsistas. O trabalho já resultou em 160 publicações técnico-científicas que envolvem 15 cadeias produtivas.
Arte: Alexandre Adas
Entre os eixos de atuação estão: conectividade; IA e sensoriamento remoto; automação e agricultura de precisão; rastreabilidade e certificação digital. Também inclui parcerias e comunicação para constituir o ecossistema local necessário para a continuidade das ações.
O robô SEEmear (foto), baseado em imageamento georreferenciado para a contagem automatizada de frutos em pomares, é um exemplo. A automação de etapas da colheita é a expectativa de pequenos produtores de maçã em Vacaria (RS), para reduzir os impactos da escassez da mão de obra e da penosidade da atividade. “As pessoas têm a percepção de que os produtores são muito refratários. Isso não é verdade. Se a tecnologia, de fato, trouxer benefícios, eles ficarão muito felizes por adotá-la,” avalia Barbedo. O pesquisador instalou experimento com antenas de monitoramento climático para detectar doenças do trigo no DAT de São Miguel Arcanjo.
Em 2025, a metodologia de atuação do Semear Digital começou a ser replicada na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai em iniciativa com duração de três anos, no âmbito do Programa de Cooperação Internacional para a Agricultura do Cone Sul (Procisur).
A agricultura digital também apoiará a retomada econômica da área rural na bacia do Rio Doce, junto a comunidades rurais atingidas pelo rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 2015 em Mariana (MG). A ação compõe o Rio Doce Semear Digital, um dos braços do principal projeto. Nesse caso, a atuação da Embrapa está vinculada à Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), que executa quatro eixos do Novo Acordo do Rio Doce.
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Moatrigo 2026 reúne 450 participantes e aprofunda debate sobre desafios da cadeia do trigo
Workshop destacou tendências globais, retração produtiva no Brasil e impactos diretos para a indústria moageira.

O Moatrigo 2026 reuniu cerca de 450 participantes da cadeia moageira em um encontro dedicado a debates estratégicos, análises de mercado e conteúdo técnico. O workshop foi realizado na segunda-feira (13), pelo Sinditrigo-PR, em Curitiba, e reforçou a posição do evento entre os principais fóruns do setor do trigo no Brasil, com aumento de participação e densidade técnica a cada edição.
Na avaliação dos especialistas que compartilharam suas análises no Moatrigo, há consenso sobre o momento desafiador vivido pelos moinhos, com um cenário internacional atual de oferta elevada, redução expressiva da área plantada no Brasil e desafios de qualidade na safra argentina. No curto prazo, os contratos futuros já indicam alta, sustentados por uma safra mundial menor, pela redução histórica da área plantada nos Estados Unidos e pelo aquecimento dos preços na Argentina.
No Brasil, o quadro é mais sensível. A temporada 25/26 deve fechar com cerca de 7,1 milhões de toneladas importadas, e a estimativa é que a nova safra 2026/27 deve produzir apenas 6,5 milhões, volume muito inferior ao potencial já demonstrado pelo país. O Paraná, perdendo área para milho safrinha e cevada, também deve precisar importar em 2026/27, algo em torno de 1,8 milhão de toneladas. No ciclo 2026/27, a projeção da necessidade nacional de importação pode chegar a 8,2 milhões de toneladas.
A Argentina permanece como principal origem, mas sua safra, embora volumosa, apresentou proteína média de 11,2% e glúten úmido de 20,9%, exigindo complementar blends com trigos de outras origens, mais caros. Como país estruturalmente importador, o Brasil não forma preço e convive com custos elevados mesmo quando há oferta global confortável. Os debatedores destacaram ainda uma projeção de dois anos pela frente de aumento estrutural de custos, agravado pelo risco climático, pela baixa atratividade ao produtor e pela limitação de investimentos.
Espaço necessário para debate e atualização
“A cada edição, percebemos o quanto o Moatrigo se fortalece como um espaço necessário. O que torna o evento especial é a combinação entre público técnico, discussões estratégicas e a troca qualificada de experiências. Reunir quase 450 profissionais neste ano confirma que o setor está empenhado em buscar caminhos consistentes, atualizados e colaborativos para enfrentar um cenário cada vez mais complexo”, afirmou Paloma Venturelli, presidente do Sinditrigo-PR.
O encontro também evidenciou a importância do networking qualificado, um dos pontos mais valorizados pelos participantes. Profissionais de diferentes regiões aproveitaram o ambiente para trocar percepções, aprofundar relações institucionais e ampliar conexões que fortalecem toda a cadeia. “No Moatrigo, essas interações não acontecem à margem da programação: elas fazem parte do valor do evento e contribuem diretamente para a construção de soluções e parcerias em um momento em que a indústria demanda cooperação e leitura conjunta de cenário”, ressaltou Paloma, que já confirmou a realização da edição 2027 do evento, provavelmente em março do ano que vem.

