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Aumentar a produção de carne bovina: um compromisso do produtor rural catarinense

Ano a ano, Santa Catarina aumentará sua produção de carne bovina e, no futuro, estaremos em condições de exportar para o Brasil e o Mundo mais um produto com o padrão catarina de qualidade.

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Santa Catarina é uma terra admirável em muitos aspectos e sua capacidade de produção econômica é extraordinária, inversamente proporcional ao seu diminuto território. Nesse contexto de magnitudes, a agricultura e o agronegócio constituem um universo onde a técnica e o talento dos catarinenses se manifestam plenamente.

Paralelamente às expressões grandiloquentes da avicultura, da suinocultura, da produção de grãos e de leite, a produção de carne bovina é um dos únicos setores onde não foi possível, ainda, obter-se a autossuficiência e a produção de excedentes exportáveis. Esse fato decorre de um determinismo geográfico: é que a estrutura fundiária das propriedades rurais (em sua maioria minifúndios) e a topográfica acidentada que predomina no território favoreceram a produção intensiva de pequenos animais, como aves e suínos, e não motivaram a criação de gado de corte.

Santa Catarina exporta carnes de aves e suínos para 160 países, mas produz apenas a metade da carne bovina que consome. Para reduzir essa dependência de fontes externas e buscar, paulatinamente, a autonomia, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Santa Catarina (Senar/SC) desenvolvem o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), com foco na pecuária de corte.

A clientela desse programa é formada por produtores rurais de pequeno e médio portes com vocação e estrutura para a atividade de pecuária.  O objetivo é promover a inovação na gestão de propriedades rurais e, desde que foi criada em 2016, a ATeG atendeu mais de 2.700 produtores em 184 municípios catarinenses.  A capacidade potencial da ATeG robustecer a cadeia produtiva – através da capacitação dos criadores, produtores e empresários rurais –  é imensa. De acordo com a Cidasc, os bovinos estão presentes em todos os 295 municípios catarinenses. Assim, não há dúvidas que qualificar os pecuaristas e ampliar a produção de carne representará desenvolvimento para todas as regiões do território barriga-verde.

Treinar e capacitar representam uma das estratégias fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva do setor. Nesses cinco anos foram prestadas 244.248 horas de consultorias técnicas e gerenciais com suporte em gestão, genética, manejo, melhoria da alimentação e das instalações dos estabelecimentos rurais – atividades gratuitamente sustentadas em um período de 24 meses – beneficiando 2.771 estabelecimentos rurais em 184 municípios.

A busca da eficiência produtiva é a linha central: cada técnico atende o produtor com foco na transmissão de conhecimentos relacionados à gestão da empresa rural e técnicas de manejo voltadas às atividades de cada propriedade. As visitas técnicas e gerenciais contemplam aplicação de metodologias sobre custos de produção, análise de dados e indicadores baseados no planejamento estratégico de cada propriedade.

O Senar/SC iniciou o ATeG no Estado em 2016 com o objetivo de promover a inovação na gestão de propriedades rurais catarinenses em diferentes cadeias produtivas. A cadeia de gado de corte revelou-se uma das mais promissoras. Relatos dos egressos comprovam resultados surpreendentes em relação ao crescimento das propriedades. O programa representa um avanço na capacitação dos produtores rurais, preparando-os para a condução das atividades com uma visão empresarial e o emprego de avançadas técnicas de gestão e controle.  Muito mais do que quantidade, destacam-se os resultados com altos índices de produtividade e uma gestão paradigmática para quem quer inovar.

Inquestionavelmente, é notória a evolução (vertical e horizontal) da cadeia produtiva de carne bovina em Santa Catarina. Os serviços de inspeção (SIF, SIE e SIM) se modernizaram. Os produtores incorporaram genética de alta qualidade com as melhores práticas de produção em manejo, nutrição e sanidade. Os frigoríficos empregam modernas tecnologias em abate e processamento adotados pela indústria mundial da proteína animal. Bem-estar animal é política presente e a sustentabilidade impregna as fases do processo, do início ao fim.

A ciência e a tecnologia desconstruíram as estultices que néscios e insensatos falsamente criaram (fake news) sobre a moderna bovinocultura, as quais o mercado ignorou e os consumidores desprezaram.  Ano a ano, Santa Catarina aumentará sua produção de carne bovina e, no futuro, estaremos em condições de exportar para o Brasil e o Mundo mais um produto com o padrão catarina de qualidade.

Fonte: Por José Zeferino Pedrozo, presidente do Sistema Faesc/Senar-SC
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A fome grita no país dos privilégios

Falta de comida à mesa mata hoje e compromete o amanhã, porque cria uma geração de subnutridos, com reflexos na saúde e na educação. Seus efeitos são devastadores e se prolongam no tempo.

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O líder sul-africano Nelson Mandela (1918-2013) disse, certa vez, que “democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia”.

Pois o Brasil, que ainda não erradicou o analfabetismo nem é capaz de garantir o acesso universal de sua população à saúde pública de qualidade, agora convive dramaticamente com a fome. Os números são estarrecedores.

Cerca de 33,1 milhões de brasileiros passam fome, segundo dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

Em comparação com 2020, praticamente dobrou o número de pessoas no País que não têm o que comer diariamente: são 14 milhões de cidadãos a mais nessa situação, em números absolutos.

O levantamento ainda mostrou que 125,2 milhões de brasileiros – o correspondente a mais da metade (58,7%) da população nacional – vivem com algum grau de insegurança alimentar. Problema gravíssimo que, em outras palavras, afeta seis em cada 10 habitantes de nosso país. Aumento de 60% em relação a 2018 e de 7,2% se comparado com 2020. O quadro é dramático.

A pesquisa desnudou a face mais cruel do empobrecimento dos brasileiros ao longo das últimas décadas. O que se vê, atualmente, é uma significativa parcela da população passando da pobreza para a miséria, sem renda suficiente para garantir pelo menos o alimento do dia a dia, absolutamente distanciada do mínimo de dignidade.

Por opções erradas de seus governantes, o País transformou-se numa imensa fábrica de pobreza. Uma das principais causas dessa situação é o verdadeiro manicômio tributário instalado no Brasil, com elevadíssima carga de tributos incidindo sobre produtos de consumo, em especial gêneros alimentícios, vestuário, limpeza e higiene pessoal. Enquanto as nações desenvolvidas optam por tributar a renda, o Brasil faz incidir mais tributos sobre o consumo. Basta dizer que do total da arrecadação tributária nacional, entre 41 e 44% advêm dessa política. Nos países de Primeiro Mundo, essa proporção fica entre 17 e 21%. Isto é: o Brasil está penalizando fortemente a população mais pobre.

O excesso de encargos sociais e previdenciários também tem papel relevante nesse cenário. Ajuda a compor o mapa da penúria. Para entender tal situação, mais um exemplo: em 2020, o total de impostos pagos pelo trabalhador brasileiro – aquele que tem a sorte de ainda estar empregado – correspondia à sua remuneração por 151 dias de trabalho.

Não se pode creditar à pandemia tal situação embora, de fato, a Covid-19 tenha contribuído para o atual estágio brasileiro. Esse imenso buraco no qual se meteu involuntariamente a população vem sendo cavado há muito tempo. É uma obra em permanente construção, fruto da irresponsabilidade dos governos que, em vez de atacar as causas da pobreza, vêm investindo em medidas meramente paliativas, socorros temporários quando o povo merece dignidade vitalícia.

Políticas públicas efetivas voltadas à erradicação da miséria deram lugar ao assistencialismo por meio de programas como Auxílio Brasil, Vale-Gás, Vale-Caminhoneiro e tantos outros, geralmente implantados em anos eleitorais, com potencial para render votos, mas muito longe da solução definitiva de um dos mais sérios problemas nacionais. Outro exemplo é a distribuição gratuita – porém temporária – de absorventes, produto que poderia ser mais acessível à população de baixa renda se sobre ele não incidissem 34,48% de tributos.

Quem tem fome tem pressa, alertava o sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho. Entretanto, exatos 25 anos após a sua morte, esse grito de alerta ainda não foi ouvido pelas autoridades. Nossos governantes são incapazes de enxergar os caminhos para mudar o rumo do País. Insistem em continuar gerando déficit público primário apesar de a arrecadação tributária corresponder a 33% do Produto Interno Bruto (PIB). Resistem à inadiável redução drástica da carga tributária sobre consumo dos gêneros essenciais. E insistem na manutenção dos elevados gastos tributários, muitos concedidos sem nenhum critério, que somam 4,2% do PIB.

Da mesma forma, os governos se sucedem sem qualquer disposição de diminuir os privilégios – o foro por prerrogativa de função é o maior exemplo, com cerca de 55.000 beneficiados -, e, menos ainda, de promover o efetivo combate à corrupção, sorvedouro de recursos públicos, alimentando a sensação de impunidade que permeia a sociedade e serve de estímulo à improbidade administrativa.

A falta de comida à mesa mata hoje e compromete o amanhã, porque cria uma geração de subnutridos, com reflexos na saúde e na educação. Seus efeitos são devastadores e se prolongam no tempo.

A democracia brasileira está muito próxima de ser uma concha vazia, à qual se referia Mandela. Democracia de verdade pressupõe garantia de dignidade à população. E não existe liberdade política sem liberdade econômica. Vivemos, então, uma fase de ilusionismo.

Se os governantes não se sensibilizam com a fome de seu povo, nada mais será capaz de fazê-lo.

Fonte: Por Samuel Hanan, engenheiro com especialização nas áreas de Macroeconomia, Administração e Finanças.
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ESG: como essa tendência está ganhando destaque no atual modelo de governança das empresas?

Modelo de gestão intrínseco na prática do ESG permite e assegura a execução de melhores práticas de gerenciamento, permeando entre os conceitos de responsabilidade social, ambiental e governança.

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Head de ESG da Seidor Brasil, Fabiano Sant Ana - Foto: Divulgação/Seidor Brasil

Nos últimos dois anos, fomos impactados com situações totalmente inimagináveis no nosso cotidiano. Vimos os reflexos da pandemia de Covid-19, as alterações climáticas, bem como os avanços da guerra protagonizada por Rússia e Ucrânia. Tais fatos despertaram na sociedade em geral a reflexão acerca do que o futuro nos reserva. E, tratando-se do meio corporativo, os recentes acontecimentos reforçaram a necessidade de repensar as estratégias e modelos de gestão utilizados, bem como sua eficácia mediante períodos de instabilidade como o que vivemos.

Neste aspecto, o ESG, que é a sigla para abreviação do termo em inglês “ambiental, social e governança”, ganha relevância, já que deixa em destaque a importância de as empresas assumirem um verdadeiro compromisso com as causas socioambientais na definição de estratégias. Afinal, essa cultura, quando bem implantada, proporciona benefícios diversos para a sociedade, empresas e nações, especialmente no contexto da globalização.

Desta forma, o ESG ganhou ainda mais protagonismo. O conceito de sustentabilidade cresceu 292% no ranking e é uma prioridade para CEOs globais e brasileiros. Até porque, o seu conceito faz jus à valorização de incorporar os três itens carregados em suas siglas nas práticas de gestão, que servem como parâmetros para avaliação e fortalecimento das relações de negócios.

Não à toa, o tema está sendo amplamente discutido, em bate-papos com especialistas mostra o porquê do tema sustentabilidade é hoje um dos principais desafios dos dirigentes de empresas e discussão da importância das práticas socioambientais, pois, segundo projeção do Fórum Econômico Mundial, estima-se que até 2050, as alterações climáticas devem reduzir o PIB mundial em até 18%. Frente a isso, acende um alerta das empresas repensarem em suas estratégias, até porque, se antes desenvolver ações sustentáveis era considerado algo opcional, atualmente, já não se trata mais de algo facultativo.

Presenciamos constantemente o aumento da procura das organizações em aderir práticas em prol da sustentabilidade, visto que esse é um movimento que cresce cada vez mais em um efeito cascata. Temos exemplos claros do mercado internacional que já adere as medidas de forma interiorizada, onde só comercializam produtos com nações que também têm ávido o compromisso com a causa ambiental.

E o Brasil? Nosso país também marca presença nesse cenário com a criação de projetos e medidas, como a Lei do Carbono, onde prevê que até 2050 seja completamente zerada a emissão de gás carbono que contribui para o efeito estufa. Desta forma, todos esses aspectos e elementos citados corroboram com o papel de destaque do ESG para o cumprimento e realização de tais objetivos.

O modelo de gestão intrínseco na prática do ESG permite e assegura a execução de melhores práticas de gerenciamento, permeando entre os conceitos de responsabilidade social, ambiental e governança. Além disso, fomenta a integração de recursos e tecnologias para o cumprimento das obrigatoriedades de forma benéfica para todos os envolvidos. Entretanto, mesmo em meio à popularidade, é necessário ter atenção com informações equivocadas que podem surgir no meio do caminho, transmitindo uma mensagem errônea de como implementar o ESG nas empresas.

Por isso, sim, todo cuidado é pouco. Para as empresas que buscam aderir e instaurar a cultura do ESG na sua gestão, é necessário dar início ao processo com a sua equipe, o que implica em investir na preparação e treinamento ao longo dessa jornada, que acarretará benefícios de longo prazo.

Nesse processo, o apoio de consultorias especializadas nesse segmento se configura como uma excelente alternativa para ajudar na implementação de medidas e acesso a abordagens eficazes. A partir de um diagnóstico empresarial é possível posicionar a empresa mediante as oportunidades de mercado e orientação para definição de estratégias e tomadas de decisão embarcadas no ESG.

Em suma, essas práticas permitem uma série de benefícios, desde que a organização comprove suas ações positivas. Contudo, existe um trabalho árduo no processo de conscientização e cultura. Até porque, a organização, quando implementa esse novo modelo de gestão baseado em melhores práticas, atinge uma posição de destaque no mercado. Por isso, o quanto antes começar, melhor. Afinal, o futuro não espera.

Fonte: Por Fabiano Sant Ana, head de ESG da Seidor Brasil.
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Intercooperação: qual sua importância no pós-pandemia?

Iniciativa permite melhorar a qualidade dos produtos e aumentar a rentabilidade para os cooperados, além de impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

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Foto: Divulgação/Unium

Nos últimos dois anos, o mundo enfrentou a maior crise sanitária dos últimos 100 anos. Refletindo em todos os setores, a pandemia trouxe muitas incertezas e desafios jamais vividos. Com isso, pensar em novas soluções e maneiras para “sair da caixa” se fez necessário. Em meio a tantas dúvidas e sequelas, a intercooperação obteve resultados positivos. O modelo é baseado em pessoas e na ajuda mútua, trabalhando sempre em torno dos interesses em comum.

Há séculos, sabemos que essa união era o caminho para o sucesso. A iniciativa permite melhorar a qualidade dos produtos e aumentar a rentabilidade para os cooperados, além de impulsionar o desenvolvimento econômico da região. Na prática, o modelo faz a diferença para o dia a dia dos produtores, pois o pequeno produtor não tem como concorrer com grandes nomes do mercado. Como cooperativa, é formada uma grande organização e toda a produção é vendida diretamente para a indústria. Sendo assim, há possibilidade de um produtor individual competir com os maiores players do mercado.

Comprar os insumos necessários na própria cooperativa e poder negociar sua produção localmente, sem perder no faturamento são mais alguns dos diferenciais. Com isso, o produto final sempre sai ganhando, principalmente na questão da qualidade. O estímulo à troca de informações técnicas e de mercado, o aprendizado proveniente da interação com os parceiros de negócio, os investimentos e a evolução nos modelos de gestão das cooperativas, são processos internos da intercooperação que impactam o resultado final. Além de conceitos como colaboração, crescimento sustentável e economia compartilhada serem reforçados no formato.

Hoje, é notória a importância desse modelo tanto para os produtores como para o faturamento de cada cooperativa. Mesmo independentes, os resultados foram expressivos após a intercooperação ter sido adotada. Durante a pandemia, o setor se fez presente e cresceu consideravelmente para o momento de crise que o mundo todo enfrentava, mostrando ser uma decisão acertada. É importante ressaltar que não se trata de uma fusão ou nova cooperativa, mas sim de uma marca “guarda-chuva”, que tem abaixo de si as marcas de produtos das cooperativas, que deixam de utilizar suas marcas de fabricantes. Incluindo também um complexo modelo de gestão de negócios, produção e logística.

Nosso objetivo é apresentar esse modelo ao mercado, já que somos um exemplo e podemos fazê-lo crescer cada vez mais. As cooperativas fazem a “lição de casa” ao oferecer insumos, serviços e lojas agropecuárias para os associados. Já, a parte industrial é realizada em conjunto, sem que a identidade de cada cooperativa seja perdida ao longo do processo. O investimento em novas tecnologias, a preservação da qualidade e a produtividade também são fatores relevantes e vantajosos para a intercooperação, fazendo com que a qualidade, já reconhecida dos produtos, seja mantida.

Nas cooperativas, temos um grande número de pessoas comprometidas com o que acreditam. Apesar de desafiadora, a pandemia nos mostrou que a cooperação é importante para superar os obstáculos, identificamos a importância da cooperação para o bem-estar da população e do desenvolvimento em conjunto, valores que já faziam parte da rotina de instituições cooperativas há tempos e que, a partir de agora, devem manter-se na rotina de cada uma. Sendo assim, essencial no pós- pandemia, pois, dessa maneira, é possível transformar o trabalho realizado e a vida de cada cooperado, além de inovar e alcançar resultados significativos. Como dizem, a união faz a força, e, também, a diferença.

Fonte: Por Auke Dijkstra Neto, Gestor de Estratégia e Inovação da Unium.
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