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Auditores federais agropecuários reforçam combate ao desvio de cetamina em todo o país
Profissionais atuam na identificação de irregularidades e no suporte técnico às investigações e alertam para desafios estruturais no controle de substâncias veterinárias.

O trabalho de auditores fiscais federais agropecuários (Affas) tem sido central no enfrentamento ao desvio de cetamina veterinária para uso ilícito, tema que motivou operações conjuntas com polícias civis em diferentes estados. A substância, utilizada como anestésico na medicina veterinária, vem sendo alvo de investigações devido à sua aquisição em volumes incompatíveis com a rotina clínica, um dos principais sinais de alerta identificados pelos auditores.
O médico veterinário e delegado sindical do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) em Rondônia, João Aranha, explica que a participação dos Auditores ocorre a partir de solicitações formais das polícias para suporte técnico durante mandados judiciais. “A polícia nos acionou para dar suporte técnico durante os cumprimentos de busca e apreensão. Atuamos na identificação de produtos veterinários ilegais, de desvios da legislação e na fiscalização de estabelecimentos que poderiam estar comercializando a cetamina de forma irregular”, afirma. Ele destaca que, mesmo onde há registro regular, o trabalho é essencial para reforçar investigações em andamento. “Buscamos informações que ajudem a esclarecer a movimentação dos produtos e a participação de infratores já identificados pela polícia”, completa.

Foto: Anffa Sindical
De acordo com o Anffa Sindical, a atuação da carreira nessas operações envolve equipes especializadas em inteligência e auditores que realizam as fiscalizações em campo. Essa integração ocorre dentro da estrutura do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e é um dos pilares do programa Vigifronteiras, voltado à fiscalização em áreas de fronteira em cooperação com órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e polícias estaduais.
O médico-veterinário e diretor de Política Profissional do Anffa Sindical, Henrique Pedro Dias, que integra a Coordenação-Geral de Operações Especializadas, reforça esse caráter integrado. “No Vigifronteiras, atuamos de maneira integrada com todos os serviços da Secretaria de Defesa Agropecuária e com outros órgãos. Costumamos fazer essas ações em conjunto, desde a fase de inteligência até a execução das operações”, explica. Ele lembra que os Auditores participaram da fase investigativa da operação Feeling the Gap, que resultou em prisões e apreensões de substâncias ilícitas. “Conseguimos levantar os alvos de maior risco, o que justificou as prisões, buscas e apreensões realizadas pelas polícias”, afirma.
A legislação brasileira exige controle rigoroso sobre a cetamina. A prescrição é restrita a médicos veterinários cadastrados no sistema Cadastro de Prescritores Autorizados – CPA, e todas as aquisições devem ser registradas e assinadas pelo profissional e pelo responsável técnico do estabelecimento vendedor. Distribuidoras, fabricantes e comerciantes também precisam ser registrados para atuar dentro das normas.
Aranha explica que volumes incompatíveis com a rotina veterinária chamam a atenção da fiscalização. “Há profissionais que notificam aquisições mensais de mil a dois mil frascos de cetamina, um volume muito acima do uso esperado em qualquer clínica veterinária. Isso indica que o produto não está sendo utilizado da forma prevista na legislação”, afirma. Segundo ele, também há casos em que empresas adquirem grandes quantidades do anestésico sem apresentar saídas compatíveis. “Nesses casos, conseguimos verificar no CPA toda a movimentação do produto e identificar inconsistências”, acrescenta.
Henrique Pedro Dias observa que o sistema de notificação é essencial, mas ainda precisa de avanços. “Existe um sistema de notificação de compra desses produtos, porém, precisaríamos de maior controle, porque é um medicamento utilizado em volumes pequenos e muitos veterinários acabam adquirindo muito mais do que o necessário”, afirma. Para o diretor, a baixa quantidade de Affas dedicados à área também é um ponto crítico. “Hoje temos pouquíssimos Auditores que atuam diretamente nessa área. Precisamos de reforço do nosso quantitativo e de treinamento mais direcionado para que as equipes possam atuar em conjunto com outros órgãos com ainda mais eficiência”, explica.

Foto: Mapa
Dias destaca ainda que as operações de campo impõem riscos adicionais. “É sempre um desafio participar dessas ações, porque muitas vezes estamos em ambientes hostis. Quando a operação é com a polícia, a segurança aumenta, mas nas operações próprias do Mapa, a segurança é um ponto crítico. A prerrogativa do porte de arma, que outras carreiras de auditoria já possuem, é importante para a nossa proteção”, defende, reforçando que o tema está em discussão no Congresso e envolve diretamente a segurança da categoria.
Para o Anffa Sindical, a atuação da carreira demonstra a relevância do trabalho técnico dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários na proteção da sociedade e no apoio às investigações. “Atuamos na coerção do tráfico de drogas, que é uma questão grave de saúde pública, muito além da saúde animal”, expõe Dias.
Já Aranha reforça a importância do controle. “O trabalho dos Auditores é essencial para impedir que substâncias controladas sejam desviadas para atividades criminosas”, salienta.

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Fim da escala 6×1 pode gerar impacto bilionário no agro
Ministério do Trabalho estima que setores como proteína suína e avícola podem ter aumento de custos de até R$ 9 bilhões para manter níveis de produção, enquanto deputados e entidades pedem debate técnico e detalhado.

A proposta para pôr fim à escala 6×1, com redução da jornada semanal de trabalho, deve gerar impactos distintos entre os setores da economia. No caso da agropecuária, os efeitos podem ser superiores à média nacional. De acordo com estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, setores como a agropecuária, a construção e o comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%.

Deputado federal Maurício Marcon: “Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”
Os dados foram apresentados na terça-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, durante audiência pública que debateu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019, que trata do tema. A sessão contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que ressaltou que é preciso enfrentar o debate do impacto de custo, embora defenda que esses efeitos não sejam “proibitivos” para a implementação das mudanças.
De acordo com o chefe da pasta, esse estudo do Ministério ainda está sendo elaborado e os setores poderão participar desta mensuração dos impactos. “Nós estamos abertos para sentar com a bancada de empregadores de todos os setores da economia, inclusive, para aprofundar cada setor qual o tamanho do impacto que deve ter”, destacou.
O levantamento foi apresentado pela subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner. Segundo ela, o custo médio da redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas na economia geral é de 4,7% sobre a massa de rendimentos do país. Porém, alguns setores terão impactos distintos:
- Setores de transporte aquaviário e da indústria de alimentos – cerca de 10,5%;
- Setores da agropecuária, da construção e do comércio – custo entre 7,8% e 8,6%;
- Setor de serviços – custo de 1,6%.

Deputada federal Julia Zanatta: O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”
Ela lembrou que esses dados não levam em conta os gastos com a contratação de novos empregados para manter o nível de produção das empresas. O entendimento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é de que o debate deve ocorrer com uma base técnica mais robusta. Um dos pontos que precisa de mais atenção são as diferentes realidades trabalhistas setoriais e regionais.
No setor de produção de etanol, por exemplo, uma redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas deve gerar um incremento de custo entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, devido a necessidade de novas contratações para compensar a produtividade. Para o setor de proteína suína e avícola, o impacto pode chegar a R$ 9 bilhões. Nas cooperativas agroindustriais, os gastos a mais com essas novas contratações devem ser de R$ 2,5 bilhões.
Bancada questiona ministro sobre pontos sem definição
A sessão com o ministro também serviu para que deputados da FPA apresentassem dúvidas sobre a forma como o governo pretende implementar a proposta, caso ela seja aprovada. O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) questionou, por exemplo, o risco de demissões.
“Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”, indagou o parlamentar ao indicar que jornada de trabalho diminuirá a produtividade das empresas e isso deve restringir a manutenção dos empregos.

Deputado federal Luiz Gastão: “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”
A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) classificou como “contrassenso” a posição do governo sobre o tema. Segundo ela, o governo tem elevado impostos para bancar o aumento dos gastos públicos, ao mesmo tempo em que defende a redução da jornada de trabalho. “O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”, afirmou.
Ainda sobre o aspecto tributário, o deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) destacou que os custos estimados pelos setores são superiores aos apresentados pelo governo e alertou para o risco maior sobre empresas de menor porte. “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”, disse.
Quem também cobrou uma resposta do governo foi a deputada federal Gisela Simona (União-MT). O questionamento foi sobre a intenção do Executivo de inserir as alterações sobre jornada e escala na Constituição Federal. “Eu gostaria de entender, de forma bem objetiva, a posição do governo com relação àquilo que efetivamente se quer colocar nesse texto constitucional”, perguntou.

Deputada federal Gisela Simona: “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”
Nas respostas, o ministro disse que há estudos que apresentam ganho de produtividade com menos horas de trabalho. “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”, ponderou.
Além disso, Marinho afirmou que a ideia do governo não é enviar um projeto de lei para tratar do tema, mas avançar com PEC ou com outros projetos de lei que também abordam o assunto. Ainda conforme o ministro, essa articulação está sendo feita junto ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).
Novas discussões
A audiência de terça-feira foi a primeira de um ciclo de audiências aprovadas para serem realizadas na CCJC. O requerimento para as audiências foi feito pelo relator da matéria na comissão, deputado federal Paulo Azi (União – BA).
Ao todo serão quatro audiências públicas. As seguintes devem ser:
- com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad;
- com representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
- com representantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Relembre
O tema da redução da jornada de trabalho e modificação da escala 6×1 tomou corpo neste ano. Em movimento liderado pela FPA junto com a Coalizão de Frente Produtivas, parlamentares têm pedido que a discussão ocorra sem precipitação e com a participação dos diferentes setores.
Na semana passada, mais de 100 entidades representativas da economia brasileira emitiram um manifesto no qual defendem o debate da modernização da jornada de trabalho, com diretrizes consideradas essenciais para a discussão.
Uma delas seria a preservação do emprego formal, além de uma atuação com políticas e estratégias para mitigar a informalidade. Outro aspecto trazido pelas entidades é a adoção de medidas para aumentar a produtividade. Além disso, o reconhecimento da heterogeneidade setorial e dos ajustes por meio de negociações coletivas também são apontados como pontos centrais para o debate.
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Regras para proteger consumidores do Mercosul são aprovadas no Senado
Novas normas devem tornar contratos internacionais mais previsíveis e ampliar participação do país nas cadeias de consumo.

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) aprovou por unanimidade, na terça-feira (10), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 170/2022), que moderniza e harmoniza o ambiente regulatório do Mercosul, com foco na circulação de bens, serviços e informações entre os países do bloco.
Segundo a vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), a proposta estabelece normas comuns para contratos internacionais de consumo e deve tornar o mercado regional mais integrado, previsível e seguro.

Vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS): “Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo” – Foto: Divulgação/FPA
A aprovação ocorre poucos dias depois do Senado Federal dar aval ao acordo Mercosul-União Europeia, após 26 anos de negociações. O acordo provisório prevê a redução de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela União Europeia.
Tereza Cristina destacou que a iniciativa começou ainda em 2010, no contexto da construção de um marco ampliado de direitos para os cidadãos do Mercosul, que culminou no Estatuto da Cidadania do Mercosul, adotado em 2021.
A senadora explicou que, especificamente na proteção do consumidor, o projeto cria um Sistema de Defesa do Consumidor do Mercosul, com regras claras para o tratamento jurídico de contratos internacionais de consumo. “Foi nesse contexto que se chegou ao instrumento de proteção ao consumidor do Mercosul que discutimos e conseguimos aprovar. Trata-se de uma construção voltada a um mercado mais integrado, previsível e seguro, criando condições para o fortalecimento do comércio eletrônico, do turismo intrarregional e das novas modalidades de serviços digitais. Para o nosso país, a consolidação desse marco representa um passo essencial para ampliar sua participação nas cadeias regionais de consumo”, afirmou.
O projeto agora segue para análise do Plenário do Senado.
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Workshop de Bioinsumos reúne mercado e inteligência de dados em São Paulo
Pela primeira vez aberto ao público, evento será realizado nos dias 17 e 18 de março, com foco em análises estratégicas, dados inéditos e projeções sobre o mercado brasileiro e internacional.

A Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio) está com as inscrições abertas para a 3ª edição do Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, que será realizado nos dias 17 e 18 de março, em Campinas (SP).
Em um momento marcado pelos desdobramentos regulatórios da Lei dos Bioinsumos (nº 15.070) e pela forte expansão do setor no país, o evento se propõe a ser um espaço estratégico de análise e interpretação desse novo ambiente de mercado, reunindo representantes da indústria, especialistas e profissionais do setor, além de demais agentes da cadeia de bioinsumos, para discutir tendências, desafios e oportunidades, com base em dados e projeções sobre o cenário brasileiro e internacional.
Consolidado como um espaço qualificado de acesso a dados exclusivos e discussões de alto nível, esta edição contará com um número maior e mais diversificado de apresentações, tendo como foco a inteligência de mercado.
A programação, que será combinada a momentos de debate e networking entre os participantes, trará análises sobre o panorama global dos bioinsumos, incluindo projeções e tendências para os próximos anos, o cenário das commodities agrícolas e seus impactos sobre o setor, os desafios de adoção das tecnologias biológicas no campo, além de um retrato atualizado do mercado brasileiro, com detalhamento de segmentos como inoculantes e biodefensivos.
A participação é aberta aos associados da ANPII Bio e, pela primeira vez, profissionais não associados também poderão participar, mediante inscrição prévia. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas por meio de formulário online.



