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Audiências no RS reúnem três mil produtores em defesa da produção de tabaco
As reivindicações e preocupações de mais de três mil produtores gaúchos de tabaco foram ouvidas por representantes do governo federal na última sexta-feira, 9, em audiências públicas da Câmara dos Deputados no Rio Grande do Sul, em Canguçu, pela manhã, e Rio Pardo, pela tarde.
Uma carta aberta em defesa do setor foi entregue ao vice-governador Beto Grill, ao secretário estadual da Agricultura, Cláudio Fioreze, e a membros dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário.
Os encontros foram propostos pelo deputado federal Alceu Moreira (PMDB/RS) a fim de debater a posição do Brasil na 6ª Conferência das Partes, da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (COP 6), que ocorre em outubro, na Rússia, além das medidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação ao setor, como a proibição do uso de aditivos e as restrições para a propaganda nos pontos de venda de cigarros. Embora fosse parte integrante da pauta, a agência não enviou representante para as audiências.
"Não queremos ser surpreendidos durante o debate em Moscou, por isso é importante ter uma pauta pré-definida e também a presença de representantes dos fumicultores durante a COP 6", justificou Alceu Moreira, que ainda criticou a criminalização do setor por parte do governo e a ausência de representação da Anvisa nas audiências.
De acordo com Moreira, estudos apontam que o consumo de cigarro é maior nos países ricos, com bom poder aquisitivo, logo não há relação entre o consumo e a produção como muitos alegam. Combater o fumo e seus malefícios são questões de saúde pública, mas não é por isso que vamos liquidar com a única fonte de renda de milhares de pequenos produtores. O Brasil é o segundo produtor e o maior exportador mundial de tabaco. Reduzir as áreas plantadas seria uma calamidade social e econômica", reiterou o deputado.
A Convenção Quadro é um tratado internacional sobre saúde pública proposto pela Organização Mundial da Saúde em 1999. O documento é assinado por 194 países que se comprometem em adotar medidas para restringir a produção de tabaco e, consequentemente, o consumo de cigarros.
Na região Sul, 640 municípios cultivam o tabaco, sendo esse segmento o principal responsável pelas economias locais. O setor gera no país R$ 5,6 bilhões em receita para os produtores e R$ 10,8 bilhões em impostos arrecadados. No ranking mundial de produção, o Brasil fica atrás apenas da China. Enquanto no ranking de exportações é líder há muitos anos. O tabaco ainda representa 9,3% das exportações gaúchas.
Os presidentes do Sinditabaco, Iro Schünke, da Câmara Setorial do Tabaco, Romeu Schneider, e da Afubra, Benicio Werner, foram unanimes ao defender a iniciativa das audiências. Esperamos que o governo olhe para os produtores e não se posicione contra a produção de tabaco, visto que o segmento envolve 800 mil pessoas no meio rural e 30 mil na indústria, explicou Werner. Sobre a produção de cigarro, Schneider ainda completou que hoje um terço do que é consumido no Brasil é fruto de contrabando, ou seja, sem tributo e sem fiscalização sanitária adequada.
Em nome do Ministério da Agricultura, Sávio Pereira se comprometeu em encaminhar a carta aberta durante os debates da COP 6. Pereira, inclusive, representou a pasta na última COP 5. O delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário no RS, Marcos Regelin, explicou que não há a intenção do governo em reduzir a plantação de tabaco, o que foi ratificado pelo vice-governador Grill e pelo secretário Fioreze. "O governo gaúcho é favorável para que o setor continue se desenvolvendo e também à criação de uma câmara setorial estadual", assinalou Grill.
Também participaram dos encontros os deputados federais Vilson Covatti, Luiz Carlos Heinze e Afonso Hamm, e estaduais Edson Brum, Nelson Härter, Pedro Pereira, Ernani Polo, Catarina Paladini, Marcelo Moraes, Heitor Schuch e Luiz Fernando Mainardi, os prefeitos de Rio Pardo, Fernando Schwanke, e de Canguçu, Gerson Nunes, além de representantes da Farsul, Fetag e Abifumo.
Fonte: Ass. Imprensa do Dep. Alceu Moreira

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ABPA abre inscrições para prêmio de pesquisa aplicada durante o SIAVS 2026
Reconhecimento valoriza estudos com impacto prático na avicultura e suinocultura e prevê experiência internacional aos vencedores.

Estão abertas as inscrições para o Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável, reconhecimento científico que a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) promoverá durante o SIAVS 2026 – Salão Internacional de Proteína Animal, maior evento da avicultura e da suinocultura do Brasil, que será realizado entre os dias 04 e 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
A iniciativa contempla duas distinções, voltadas à valorização de pesquisas com efetiva aplicabilidade prática para a cadeia produtiva da proteína animal:
- Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – Grandes Áreas, destinado a trabalhos científicos com impacto nas áreas de produção, manejo e ambiência; nutrição; tecnologia e processos; sanidade; sustentabilidade; e saúde pública.
- Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – RAM (Resistência aos Antimicrobianos), voltado exclusivamente a estudos que abordem estratégias, ferramentas, indicadores e práticas relacionadas ao uso responsável de antimicrobianos e ao enfrentamento da resistência microbiana na produção animal, tema estratégico para o setor e alinhado aos princípios internacionais de One Health – no âmbito da campanha “Uso Consciente, Futuro Responsável”, mantida pela ABPA.
O objetivo do Mérito é estimular pesquisas que extrapolem o ambiente acadêmico e apresentem aplicabilidade concreta, contribuindo para ganhos de eficiência, segurança sanitária, sustentabilidade e competitividade internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras.
Os trabalhos inscritos serão avaliados por comissão julgadora composta por especialistas com reconhecida atuação técnica e acadêmica. Entre os critérios considerados estão:
- Relevância estratégica para o setor
- Grau de inovação
- Consistência metodológica
- Aplicabilidade prática
- Potencial de impacto na cadeia produtiva
Após a etapa de avaliação, os trabalhos selecionados serão apresentados durante a programação oficial do SIAVS, ampliando sua visibilidade junto a empresários, pesquisadores, autoridades sanitárias e representantes nacionais e internacionais.
Como forma de reconhecimento, o primeiro autor do trabalho vencedor em cada uma das duas distinções participará, com apoio da organização, de uma experiência internacional em uma das principais feiras globais de alimentos, podendo escolher entre a SIAL Paris 2026, em Paris, ou a Gulfood 2027, em Dubai. A iniciativa proporciona imersão no ambiente internacional de negócios e inovação, fortalecendo a formação estratégica dos pesquisadores.
As inscrições devem ser realizadas conforme as orientações disponíveis no site oficial do evento, onde também constam regulamento completo, prazos, formato de submissão e demais informações, acesse clicando aqui.
Colunistas
Abertura de 525 mercados para o agro gera oportunidade histórica ou risco de expansão sem margem?
Diversificação de destinos pode gerar até US$ 375 bilhões em exportações, mas exige gestão de custos e precificação para garantir rentabilidade.

A abertura de 525 novos mercados internacionais para o agronegócio brasileiro, com potencial estimado de até US$ 375 bilhões por ano em exportações, consolida o país como um dos principais fornecedores globais de alimentos e reforça sua relevância estratégica no comércio internacional. Do ponto de vista institucional e geopolítico, trata-se de um avanço inegável. Do ponto de vista empresarial, no entanto, o aumento do acesso não pode ser confundido com geração automática de valor econômico.

A experiência mostra que expansão de mercado, quando não acompanhada por gestão rigorosa de custos e precificação adequada, tende a pressionar margens e aumentar a exposição financeira das empresas.
Exportar implica estruturas logísticas mais complexas, exigências sanitárias específicas, custos regulatórios adicionais, riscos cambiais, prazos de recebimento mais longos e maior dependência de capital de giro. Esses fatores alteram substancialmente o custo total da operação e não podem ser tratados como extensões do mercado doméstico.
Um dos erros mais recorrentes nas estratégias de internacionalização do agro é a ausência de segregação clara entre custos locais e custos de exportação. Quando a empresa utiliza uma estrutura de custos média para formar preços em diferentes mercados, acaba diluindo despesas específicas de cada canal e comprometendo a leitura real da rentabilidade por contrato, por produto e por país. O resultado é a celebração de volumes crescentes de vendas acompanhada por deterioração gradual das margens operacionais, muitas vezes percebida apenas quando o caixa

Foto: Divulgação
começa a ficar mais pressionado.
Outro ponto crítico é a formação de preços em ambientes de maior volatilidade. Oscilações cambiais, variações nos custos de frete internacional, alterações em tarifas e mudanças nos prazos de pagamento impactam diretamente a margem final, especialmente em contratos de médio e longo prazo. Sem mecanismos de proteção financeira e sem modelos de precificação que incorporem cenários de risco, a empresa transfere parte significativa da incerteza para dentro do próprio resultado.
Também é preciso considerar o efeito financeiro do crescimento acelerado. A ampliação das exportações exige maior investimento em estoques, transporte, certificações e estrutura comercial, elevando a necessidade de capital de giro. Em um ambiente de juros estruturalmente mais altos, esse custo financeiro passa a ser componente relevante da margem e precisa ser tratado como parte integrante da estratégia de preço, não como despesa posterior absorvida pelo resultado.

Nesse contexto, cresce a importância da análise de margem real, e não apenas do faturamento ou da participação em novos mercados. Empresas que operam com foco exclusivo em volume tendem a mascarar ineficiências operacionais e decisões comerciais mal calibradas, sustentadas temporariamente por crescimento de receita, mas estruturalmente frágeis do ponto de vista financeiro. Crescer sem margem é, na prática, uma forma de destruição de valor em escala ampliada.
Para que a abertura de mercados se traduza em resultado sustentável, é indispensável avançar em três frentes: modelos de custeio mais precisos, que permitam identificar com clareza a rentabilidade por mercado e por canal; políticas de precificação que considerem riscos financeiros, fiscais e logísticos específicos de cada operação; e integração efetiva entre áreas comercial, financeira e operacional na tomada de decisão. Sem essa visão sistêmica, a empresa passa a competir apenas por preço, abrindo mão de margem para ganhar contratos que não se sustentam no médio prazo.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
O ano de 2026 tende a ser decisivo nesse processo. A ampliação do acesso a mercados cria oportunidades relevantes, mas também eleva o grau de exigência na gestão. Empresas que dominarem seus custos, entenderem sua estrutura de margem e tomarem decisões baseadas em dados terão condições de transformar expansão em rentabilidade. As demais correm o risco de crescer em complexidade, exposição financeira e dependência de crédito, sem a correspondente geração de valor econômico.
A abertura de 525 mercados é, sem dúvida, uma conquista estratégica para o país. Para as empresas do agro, porém, o verdadeiro diferencial competitivo não estará apenas na capacidade de vender mais, mas na competência de vender com margem, previsibilidade e sustentabilidade financeira. Em um cenário global cada vez mais competitivo, não será o tamanho da operação que definirá a perenidade dos negócios, mas a qualidade das decisões econômicas que sustentam essa expansão.
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Exportações agropecuárias ganham alternativa para evitar gargalos no Golfo Pérsico
Exigência sanitária turca levou à criação de certificado específico para cargas em trânsito, permitindo passagem e armazenagem temporária de produtos de origem animal sem interrupção do fluxo ao Oriente Médio e à Ásia Central, mesmo com as restrições no Estreito de Ormuz.

O Brasil garantiu a continuidade de uma rota alternativa via Turquia para o envio de exportações agropecuárias, diante das restrições no Estreito de Ormuz. A solução foi negociada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com isso, a estrutura portuária turca segue como opção importante para cargas brasileiras com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central, permitindo que as mercadorias sigam viagem sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR
Essa rota já era utilizada por exportadores brasileiros. No entanto, a Turquia passou a exigir novas regras sanitárias para produtos sujeitos ao controle veterinário oficial, como os de origem animal. Para evitar prejuízos ao fluxo das exportações, foi negociado o Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário com Destino à Expedição para outro País/Navio.
Na prática, o documento permite que mercadorias brasileiras, especialmente produtos de origem animal, atravessem o território turco ou fiquem armazenadas temporariamente no país antes de seguirem para o destino final.
A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento.
