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Atualização de rebanhos passa a ser exigida em São Paulo a partir de 11 de maio

Produtores antecipam declarações no GEDAVE, enquanto contribuição por animal entra em vigor em 2026.

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A atualização cadastral dos rebanhos no sistema GEDAVE, ferramenta de gestão da Defesa Agropecuária vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), estará oficialmente aberta a partir de 11 de maio. Mesmo antes do início formal da campanha, mais de 1,2 mil produtores já anteciparam o envio das informações, evitando possíveis restrições na movimentação dos animais.

Com a abertura oficial, a regularização passa a ser condição obrigatória para o trânsito dos rebanhos. A exigência abrange diferentes espécies, incluindo bovinos, bubalinos, equinos, asininos, muares, suínos, ovinos, caprinos, aves, peixes, outros animais aquáticos, além de colmeias de abelhas e criações de bicho-da-seda.

A partir deste ano, produtores de bovinos e búfalos também passam a contribuir com o Fundo de Defesa da Sanidade Animal para a Pecuária (Fundesa-Pec). O valor estabelecido para 2026 é de R$ 1,06 por animal. A quitação da taxa será obrigatória para emissão de autorização de trânsito, sendo realizada por meio do Documento de Arrecadação de Receitas Estaduais (DARE), gerado no momento da declaração.

De acordo com a Defesa Agropecuária, mais de mil produtores já concluíram tanto a atualização quanto o pagamento da contribuição.

O procedimento pode ser feito de forma online, pelo sistema GEDAVE, ou presencialmente nas unidades da Defesa Agropecuária distribuídas pelo estado. A recomendação é que os produtores realizem a atualização dentro do prazo para evitar bloqueios e manter a regularidade das atividades pecuárias.

Fonte: O Presente Rural com informações Governo de São Paulo

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Agroleite libera inscrições para a Rota do Leite 2026

Participantes poderão conhecer fazendas cooperadas da Castrolanda com produção diária entre 6 mil e 64 mil litros de leite.

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Estão abertas as inscrições para a Rota do Leite do Agroleite 2026, que acontecerá entre os dias 03 e 07 de agosto. A organização liberou no site oficial do evento na tarde desta quarta-feira, 15 de julho, os links para inscrições dos interessados em participar da atividade que leva os visitantes até propriedades leiteiras de cooperados da Cooperativa Castrolanda, localizadas em Castro (PR), a Capital Nacional do Leite.

As vagas são limitadas a 43 visitantes por fazenda e as inscrições encerram quando todas forem preenchidas. A atividade é organizada pela área de negócios Pecuária da Castrolanda e neste ano contará com visitas a 10 propriedades, sendo três (3) na terça-feira, dia 04/08, duas (2) na quarta-feira, dia 05/08, quatro (4) na quinta-feira, dia 06/08, e uma (1) na sexta-feira, dia 07/08.

As propriedades variam em tamanho e sistemas de confinamento, com produções diárias de leite que variam entre 6 mil e 64 mil litros de leite, sendo todas de alto desempenho dentro de suas condições. O supervisor de Assistência Técnica da Castrolanda, Maiquel Wagner, destaca que as visitas são uma oportunidade para que os visitantes do Agroleite tenham contato direto com propriedades que possuem gestão eficiente.

“As visitas da Rota do Leite contam com propriedades de diferentes realidades, algumas mais focadas em automação e alta tecnologia, outras que se destacam pelo padrão genético e qualidade do leite.  E o mais interessante é que todas as tecnologias que os visitantes conhecerem nas propriedades, eles encontram no Agroleite”, relata Maiquel.

Inscrição

A inscrição deve ser feita pelo site do Agroleite, acesse clicando aqui, no menu ‘Rota do Leite’, abaixo da foto principal. Do site do Agroleite o interessado será encaminhado para a plataforma Sympla para fazer a inscrição, cujo custo simbólico será de R$ 15,00 por inscrição e inclui o transporte até a propriedade escolhida.

Conforme política da plataforma Sympla, os cancelamentos de pedidos pagos serão aceitos até sete dias após a compra, desde que a solicitação seja enviada até 48 horas antes do início do evento. O Sympla ainda permite editar o participante de um ingresso uma única vez, essa opção fica disponível até 24 horas antes do início do evento.

Recomendações

Recomenda-se que os participantes observem a previsão do tempo e em caso de previsão de chuva levem guarda-chuva e/ou capa de chuva e botas. Os inscritos devem comparecer ao local de embarque, indicado no mapa do evento com 15 minutos de antecedência. Caso os inscritos não compareçam, será possível que outros interessados integrem o grupo na hora do embarque fazendo o pagamento via PIX.

Agroleite 2026

O Agroleite 2026, vitrine da tecnologia da cadeia do leite da América Latina, será realizado entre os dias 03 a 07 de agosto em Castro-PR, a Capital Nacional do Leite, no Parque Tecnológico Agroleite e Parque Dario Macedo. Todas as informações da programação são divulgadas no site, acesse clicando aqui, no aplicativo Meu Agroleite e nas redes sociais @agroleitecastrolanda. O evento é promovido pela Cooperativa Castrolanda, aberto ao público e gratuito.

Parceria e patrocinadores Diamante

O evento é realizado em parceria com o Governo do Estado do Paraná e Prefeitura Municipal de Castro. Na cota diamante o Agroleite 2026 recebe a assinatura de Alta Genetics, Biofarm, Boehringer Ingelheim, CBC Seguros, Ceva, Cogent Iamax, Coonagro, De Heus, Grupo Calpar, Grupo Barigui, Hércules- Estruturas e Construtora, Inpasa, JA Saúde Animal, Lactalis, Lely, Menarim Agro, MSD Saúde Animal, Nobre Nutrição Animal, Nutrição Castrolanda, Nutrivital, Nutron, Ourofino Saúde Animal, Seal Plus, Select Sires, Sicredi, ST Genetics, Tortuga, UCB Vet Saúde Animal e Vaccinar.

Confira abaixo o cronograma completo de visitas:

Sempre Verde

Proprietário: Douwe Jantinus Groenwold

Localidade: Castrolanda

Perfil da fazenda: a propriedade conta com animais da raça holandesa confinadas em sistemas Compost Barn em cross ventilation. Propriedade caracterizada pelo elevado padrão genético e excelência na gestão de dados.

Produção de leite diária: 52.000 litros

Data da visita: 04 de agosto

Saída do parque: 8h30

Previsão de chegada na propriedade: 9h

Previsão de retorno no parque: 11h30

Chácara Drentina

Proprietário: Eduardo Groenwold

Localidade: Castrolanda

Perfil da fazenda: a propriedade é composta por animais da raça holandesa, confinadas em Free-Stall e Compost Barn. A propriedade apresenta excelentes resultados produtivos e animais com alto padrão genético.

Produção de leite diária: 6.000 litros

Data da visita: 04 de agosto

Saída do parque: 13h30

Previsão de chegada na propriedade: 14h

Previsão de retorno ao parque: 16h30

Agropecuária Conde

Proprietário: Marco Noordegraaf

Localidade: Estrada da Ilha

Perfil da fazenda: a propriedade possui animais da raça holandesa, em sistema de confinamento Free Stall, com ordenha realizada em Carrossel. A propriedade apresenta excelentes resultados produtivos e animais com alto padrão genético.

Produção de leite diária: 24.000 litros

Data da visita: 04 de agosto

Saída do parque: 13h30

Previsão de chegada na propriedade: 14h

Previsão de retorno ao parque: 16h30

Genética ARM

Proprietário: Armando Rabbers

Localidade: Castrolanda

Perfil da fazenda: a propriedade é composta por vacas da raça holandesa confinadas em sistema Free Stall. Propriedade foi a primeira da América Latina a utilizar o sistema de ordenha robotizada.

Produção de leite diária: 6.000 litros.

Data da visita: 05 de agosto

Saída do parque: 8h30

Previsão de chegada na propriedade: 9h

Previsão de retorno no parque: 11h30

Centro de Treinamento para Pecuaristas (CTP)

Localidade: Maracanã

Perfil da fazenda: a propriedade é caracterizada por ser uma instituição de formação profissional, focada em oferecer treinamentos, cursos e aulas para produtores rurais e demais públicos da área. A propriedade é dividida em grande unidade (com vacas holandesas confinadas, produzindo 13.000 litros de leite por dia) e, pequena unidade (com vacas da raça jersey semiconfinadas e com produção diária de 1.600 litros de leite).

Data da visita: 05 de agosto

Saída do parque: 13h30

Previsão de chegada na propriedade: 14:00h

Previsão de chegada no parque: 16h30

Agropecuária Harm

Proprietário: Lucas Rabbers

Localidade: Maracanã

Perfil da fazenda: a propriedade possui vacas confinadas da raça holandesa, apresenta ordenha convencional e ordenha robotizada. A propriedade apresenta excelentes resultados produtivos e animais com alto padrão genético.

Produção de leite diária: 38.000 litros

Data da visita: 06 de agosto

Saída do parque: 8h30

Previsão de chegada na propriedade: 9h

Previsão de retorno no parque: 11h30

Chácara Ressaca

Proprietário: Vitalino Wacherski

Localidade: Maracanã

Perfil da fazenda: a propriedade é composta por vacas da raça holandesa, confinadas em Free Stall, caracterizada pela excelência nos resultados produtivos, baseada na sucessão familiar.

Produção de leite diária: 6.000 litros

Data da visita: 06 de agosto

Saída do parque: 8h30

Previsão de chegada na propriedade: 9h

Previsão de retorno no parque: 11h30

Agropecuária FINI

Proprietário: Hans Jan Groenwold

Localidade: Castrolanda

Perfil da fazenda: a propriedade possui vacas da raça holandesa, confinadas em sistema Free Stall. Caracterizada por ser referência em genética.

Produção de leite diária: 43.000 litros.

Data da visita: 06 de agosto

Saída do parque: 13h30

Previsão de chegada na propriedade: 14h

Previsão de retorno no parque: 16h30

Agropecuária ARKAFLA

Proprietário: Armando Carvalho

Localidade: Socavão

Perfil da fazenda: propriedade caracterizada como referência em produção e tecnologia. Os animais da raça holandesa são confinados em sistema Free Stall e a ordenha é realizada em Carrossel.

Produção de leite diária: 64.000 litros.

Data da visita:06 de agosto

Saída do parque: 13h

Previsão de chegada na propriedade: 14h15

Previsão de retorno no parque: 17h30

Chácara Bonança

Proprietário: Henk Boele Kassies

Localidade: Castrolanda

Perfil da fazenda: a propriedade é composta por animais da raça holandesa. O sistema é o semiconfinado e os resultados produtivos são excelentes.

Produção de leite diária: 6.000 litros.

Data da visita: 07 de agosto

Saída do parque: 8h30

Previsão de chegada na propriedade: 9h

Previsão de retorno no parque: 11h30

Fonte: Assessoria Castrolanda
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Exportação de 189 novilhas Girolando abre mercado de Botswana para genética leiteira brasileira

Primeiro embarque para o país africano integra programa que prevê a importação de mil animais e expansão da pecuária leiteira local para um rebanho de três mil cabeças.

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Foto: Girolando

Quase 200 animais da raça Girolando foram exportados neste mês de julho para a África. A Fazenda Floresta, localizada em Lins/SP e associada da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, realizou o envio de 189 novilhas prenhes para Lobatse, no sudeste de Botswana.

Os bovinos seguiram de avião para o continente africano no dia 11 de julho e já estão na Fazenda Milk Valley, de propriedade da Botswana Development Corporation (BDC), agência do Governo para o desenvolvimento comercial e industrial do país. Segundo a instituição, a opção pela raça Girolando foi por conta de sua excepcional produção de leite, resiliência e adaptabilidade a ambientes tropicais e semiáridos, o que a torna muito adequada às condições climáticas de Botswana e às ambições da produção leiteira do governo local.

Este é o primeiro de uma série de lotes de animais da raça que serão importados pela BDC, marcando o início de um programa de importação que introduzirá mil vacas leiteiras de alto rendimento na Fazenda Milk Valley. O diretor-geral da BDC, Oteng Keabetswe, afirmou que a introdução da genética brasileira em seu país representa um ponto de virada importante na construção de uma indústria leiteira moderna e sustentável para Botswana. “Este investimento fortalecerá a produção nacional de leite, criará empregos, desenvolverá habilidades locais e contribuirá significativamente para os objetivos de segurança alimentar e diversificação econômica de Botswana. É um investimento estratégico da BDC para fortalecer a indústria de laticínios do Botswana, aumentar a segurança alimentar nacional, reduzir a dependência de produtos lácteos importados e contribuir para a agenda de diversificação econômica do país”, assegura Keabetswe.

Para a criadora Roberta Bertin, trata-se de um momento histórico. “É a primeira exportação de material genético bovino do Brasil para Botswana, abrindo uma nova fronteira para a genética leiteira brasileira no continente africano. Foram enviados animais de alto mérito genético, reconhecidos por sua produtividade, adaptação e eficiência, o que contribuirá para o desenvolvimento da produção de leite no país, levando. A raça Girolando brasileiro reafirma, mais uma vez, sua posição como referência mundial em genética e produção de leite em clima tropical.”, diz Roberta.

As negociações para abertura do mercado tiveram início em maio de 2025 e foram concluídas em março de 2026. O Brazilian Girolando, projeto de exportação da Associação de Girolando, contribuiu com o processo, enviando dados técnicos dos animais. “Todos os exemplares selecionados para exportação contam com o registro genealógico emitido pela Associação, certificando que todos têm genealogia comprovada na raça Girolando. Essa garantia de origem é essencial para um projeto como o do governo de Botswana, que pretende utilizar essa genética como base para multiplicar o rebanho leiteiro da Milk Valley”, informa Marcello Cembranelli, gestor do Brazilian Girolando, que vem atuando em vários países para a promoção da genética brasileira.

O Governo de Botswana adotou uma estratégia de importação planejada, visando a sustentabilidade a longo prazo do projeto e no desenvolvimento do programa de reprodução e de produção a longo prazo da Fazenda Milk Valley. O lote inicial de novilhas prenhes permitirá que os animais se aclimatem ao novo ambiente, ao mesmo tempo que possibilita à fazenda monitorar de perto a saúde, o bem-estar e a produtividade animal. A abordagem gradual também apoiará a integração progressiva do rebanho, a implementação da infraestrutura de apoio e o aprimoramento contínuo das práticas operacionais antes da chegada dos lotes subsequentes.

Após a conclusão do programa de expansão do rebanho, espera-se que a fazenda cresça em direção à meta de longo prazo de aproximadamente 3.000 cabeças de gado leiteiro, aumentando significativamente a capacidade de produção de leite de Botswana.

Segundo a BDC, a expectativa é de que o projeto estimule novas empresas, fortaleça as cadeias de suprimentos locais e contribua para uma economia agrícola mais competitiva, alcançando desde a produção de forragem, serviços veterinários, criação de animais, transporte e logística, suporte de engenharia e manutenção de equipamentos, até o processamento de leite, embalagem, logística da cadeia de frio, distribuição e varejo.

Fonte: Assessoria
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Nova cota da China pode transformar o ciclo da pecuária brasileira

Mudança nas regras de importação deve influenciar o ritmo das exportações, a oferta de animais para abate e o comportamento da arroba.

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A introdução de limites às importações chinesas de carne bovina representa uma mudança estrutural para a pecuária brasileira. Mais do que uma restrição comercial, a medida altera o funcionamento do mercado, interfere na formação do preço do boi gordo e pode modificar a intensidade e a duração das fases do ciclo pecuário nacional.

A partir de 2026, a China passou a adotar cotas específicas para seus principais fornecedores de carne bovina. Para o Brasil, o volume estabelecido foi de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas em 2026, com elevação gradual para 1,128 milhão em 2027 e 1,151 milhão de toneladas em 2028. As importações que ultrapassarem esses limites ficam sujeitas a uma tarifa adicional de 55%, reduzindo significativamente a competitividade do produto que exceder a cota.

Artigo escrito por Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea.

O impacto é relevante porque a China se consolidou como o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, aproximadamente 48% das exportações brasileiras do produto foram destinadas ao mercado chinês. No mesmo ano, os embarques brasileiros de carne bovina fresca para aquele país alcançaram cerca de 1,648 milhão de toneladas, bem acima da atual cota.

A diferença entre o volume historicamente exportado e a nova limitação comercial cria um desafio que vai além dos frigoríficos exportadores. Seus efeitos tendem a percorrer toda a cadeia, atingindo a indústria, o mercado de reposição, os sistemas de recria e engorda e, finalmente, as decisões de retenção ou descarte de matrizes.

Durante muitos anos, a formação do preço do boi gordo brasileiro esteve associada principalmente à oferta doméstica de animais terminados no primeiro e segundo semestres – caracterizando a safra e entressafra de bovinos –, ao consumo interno, ao nível dos estoques da indústria e às diferentes fases do ciclo pecuário.

Esses fatores continuam importantes. Entretanto, o crescimento de animais terminados no confinamento, mas, principalmente, o avanço das exportações e a crescente participação chinesa introduziram um componente adicional: a demanda externa passou a exercer influência direta sobre o valor da matéria-prima no Brasil.

A China tornou-se, em muitos momentos, a compradora marginal da carne bovina brasileira. Em outras palavras, passou a absorver volumes adicionais de produção e a influenciar o preço necessário para equilibrar oferta e demanda no mercado interno.

Quando as compras chinesas estão aquecidas, frigoríficos habilitados para exportar aumentam sua necessidade de matéria-prima. A maior competição por animais aptos ao mercado chinês fortalece as escalas de abate e pode elevar o preço do chamado “boi China”, com reflexos sobre outras categorias de bovinos.

Sazonalidade do preço do boi gordo

Historicamente, o comportamento dos preços do boi gordo no Brasil apresentava uma sazonalidade relativamente bem definida. No primeiro semestre, especialmente entre fevereiro e maio, predominava uma menor oferta de animais terminados, reflexo da entressafra das pastagens. Nesse período, a disputa da indústria por matéria-prima costumava sustentar preços mais elevados da arroba.

Foto: Ana Maio

Com a chegada do período seco, entre junho e setembro, aumentava a disponibilidade de animais provenientes da terminação em pasto e, mais recentemente, do confinamento de primeiro giro. A maior oferta reduzia o poder de negociação dos pecuaristas, pressionando os preços. No último trimestre do ano, a intensificação do confinamento, associada ao aumento do consumo doméstico em função das festas de fim de ano, contribuía para um novo ajuste no mercado, embora esse movimento variasse conforme a intensidade da oferta.

Esse padrão sazonal era determinado sobretudo por fatores produtivos, como a disponibilidade de pastagens, as condições climáticas, o calendário de confinamento e a própria dinâmica do ciclo pecuário.

Entretanto, a implantação da cota chinesa em 2026 até 2028 tende a modificar esse comportamento. Além da sazonalidade biológica da oferta de animais, o mercado passa a incorporar uma sazonalidade comercial relacionada ao ritmo de utilização da cota anual de exportação.

Nos primeiros meses de vigência da cota, a indústria exportadora tende a intensificar os embarques para aproveitar o acesso ao mercado chinês sem incidência da tarifa adicional. Esse movimento aumenta a competição entre frigoríficos por animais aptos à exportação, podendo antecipar valorizações da arroba que anteriormente ocorreriam apenas em momentos de menor oferta.

À medida que a utilização da cota se aproxima do limite anual, entretanto, a demanda dos frigoríficos exportadores tende a perder intensidade. Caso a tarifa adicional inviabilize economicamente novos embarques para a China, parte da carne destinada ao mercado externo poderá ser redirecionada ao mercado doméstico ou a mercados alternativos, reduzindo a capacidade de pagamento da indústria pelo boi gordo.

Foto: Divulgação

Como consequência, a tradicional curva sazonal da arroba pode sofrer alterações importantes. O mercado deixa de responder exclusivamente à disponibilidade física de animais e passa a incorporar expectativas relacionadas ao comércio internacional. Em determinados anos, mesmo diante de uma oferta relativamente ajustada, a proximidade do esgotamento da cota poderá limitar novas altas de preços. Em outros, caso o ritmo de exportação seja inferior ao esperado ou a cota seja ampliada, esse efeito poderá ser atenuado.

Em outras palavras, a sazonalidade do boi gordo deixa de ser explicada apenas pela biologia do rebanho e pelo calendário de produção. A partir da implantação da cota chinesa, a evolução dos preços passa a refletir também o comportamento da demanda internacional, transformando o calendário das exportações em um novo fator determinante da formação da arroba no Brasil.

Os efeitos sobre o ciclo pecuário

O ciclo pecuário tradicional é determinado pelo tempo necessário para ajustar a oferta de bovinos. Quando os preços do boi gordo e do bezerro estão elevados, os produtores tendem a reter mais fêmeas para reprodução. Essa decisão reduz inicialmente a oferta de animais para abate, mas amplia a produção de bezerros nos anos seguintes.

Com a entrada das novas gerações no sistema produtivo, aumenta a oferta de animais para recria, engorda e abate. A maior disponibilidade pressiona os preços, reduz a rentabilidade e estimula o descarte de matrizes. O aumento do abate de fêmeas, por sua vez, diminui novamente a capacidade futura de produção, preparando a fase seguinte de valorização.

A cota chinesa pode interferir nesse mecanismo ao produzir choques adicionais de demanda. Caso os embarques diminuam de forma expressiva após o preenchimento da cota, a indústria poderá enfrentar maior disponibilidade de carne e de animais no mercado doméstico. Isso tende a enfraquecer as escalas de compra e aumentar o poder de negociação dos frigoríficos.

A queda ou a desaceleração dos preços do boi gordo afeta rapidamente o mercado de reposição. O pecuarista de recria e engorda passa a pagar menos pelo bezerro ou pelo boi magro, pois sua receita esperada com a venda do animal terminado diminui.

Na atividade de cria, porém, o ajuste ocorre mais lentamente. Uma redução persistente no preço do bezerro pode estimular o aumento do descarte de vacas e novilhas. No curto prazo, o maior abate de fêmeas amplia a produção de carne e reforça a pressão baixista. No médio prazo, entretanto, reduz a quantidade de matrizes e limita a oferta futura de bezerros.

Dessa forma, a cota pode aprofundar a fase de baixa do ciclo pecuário, especialmente quando coincidir com um período de elevada oferta de animais e aumento do abate de fêmeas.

Por outro lado, seus efeitos não são necessariamente permanentes. Se o Brasil conseguir ampliar as vendas para outros mercados, aumentar o valor médio da carne exportada ou negociar a expansão da cota chinesa, parte da pressão poderá ser absorvida.

Da formação doméstica à paridade de exportação

A formação do preço do boi gordo tornou-se mais complexa. O mercado deixou de responder apenas ao equilíbrio entre oferta de animais e consumo doméstico e passou a incorporar uma espécie de paridade de exportação.

De forma simplificada, a capacidade de pagamento da indústria exportadora depende do valor obtido com a venda da carne no exterior, convertido pela taxa de câmbio, descontados os custos de processamento, logística, tributos e margens operacionais.

Nesse contexto, uma valorização do dólar geralmente aumenta a receita em Reais das exportações e pode ampliar a capacidade de pagamento dos frigoríficos. Da mesma forma, preços internacionais mais elevados tendem a favorecer a arroba.

Entretanto, a cota introduz uma restrição adicional. Mesmo com câmbio favorável e preços externos atrativos, o frigorífico pode não conseguir ampliar indefinidamente as exportações para a China. Depois do preenchimento do limite, a tarifa adicional reduz a paridade de exportação e, consequentemente, a capacidade de pagamento pela matéria-prima.

A fórmula econômica passa a depender não apenas do preço internacional e do câmbio, mas também da disponibilidade de espaço dentro da cota.

Enquanto houver cota disponível, a China pode continuar sustentando a demanda e o preço do boi gordo. Quando o limite estiver próximo de ser atingido, o valor econômico da exportação adicional diminui e o mercado interno volta a ganhar maior importância na determinação dos preços.

A cota chinesa não encerra a relevância da China para a pecuária brasileira. O país asiático continuará sendo um comprador central da carne bovina nacional. Entretanto, a existência de um limite anual altera a dinâmica comercial e cria uma nova variável para a formação do preço do boi gordo.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

O mercado passa a conviver com uma demanda exportadora potencialmente mais concentrada no início do ano, risco de desaceleração após o preenchimento da cota e maior necessidade de redirecionamento da produção.

No ciclo pecuário, a restrição pode intensificar períodos de baixa, estimular o descarte de matrizes e acelerar ajustes na oferta futura de bezerros. Na formação de preços, a disponibilidade da cota passa a atuar ao lado da oferta de animais, do consumo doméstico, do câmbio e dos preços internacionais.

A principal transformação está na perda de linearidade do mercado. Um câmbio favorável ou um preço internacional elevado já não garantem, isoladamente, maior capacidade de pagamento pela arroba. Será necessário considerar também quanto da cota ainda está disponível e qual mercado poderá absorver a carne adicional.

Nesse novo ambiente, informação, diversificação comercial e gestão de risco deixam de ser apenas vantagens competitivas. Tornam-se elementos fundamentais para proteger margens e orientar decisões em todos os elos da pecuária brasileira.

Fonte: Artigo escrito por Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea.
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