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Atividade de confinamento pode retrair até 12% em 2018, mas avança em 2019

Avaliação é do presidente da Comissão de Pecuária de Corte, da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Maurício Velloso

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Arquivo/OP Rural

O presidente da Comissão de Pecuária de Corte, da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Maurício Velloso, afirmou em Goiânia, GO, durante a 11ª Interconf – Conferência Internacional de Pecuaristas -, em setembro, que a atividade de confinamento poderá sofrer uma queda de 12% em 2018, revertendo o cenário de otimismo projetado no início do ano que apontava um incremento entre 9 a 13%. Em 2017, o Brasil confinou três milhões de bovinos.

De acordo com Velloso, o setor de pecuária vem passado por um cenário de complicadas adversidades ao longo do ano, o que reduziu o entusiasmo dos pecuaristas. “A greve dos caminhoneiros e seus desdobramentos vivenciados até hoje elevaram ainda mais os custos da atividade, o que fez com que muitos pecuaristas não adquirissem animais para terminação em confinamento. Há alguns que até compraram bois, mas estão preferindo termina-los no pasto devido aos custos”, avalia.

Velloso elencou alguns dos vários fatores que têm contribuído para tornar a atividade pecuária cada vez mais desafiadora. “Tivemos o fechamento das fábricas de ureia pecuária no Brasil, o que forçou os pecuaristas a ter de importar o produto de outros países com o pagamento de uma taxa de 10% de PIS/Cofins (o que não ocorre com a ureia usada na agricultura). Houve uma alta expressiva do milho e da soja, pela quebra de safra na Argentina e no Brasil e a valorização do dólar favorecendo a exportação. Além disso, ocorreu uma redução do uso de pacotes tecnológicos pelos pecuaristas, fatores estes que acabam comprometendo a produtividade e a rentabilidade”, comenta.

Outro ponto ressaltado por Velloso, que traz dificuldade ao setor, é a incerteza quanto ao cenário político. “A pecuária e todas as demais cadeias dependem da consolidação do cenário político. Precisamos de uma política econômica previsível, pois hoje o investidor carece de uma segurança jurídica. Se não tivermos um cenário mais previsível, aliado à tendência de alta de juros nos Estados Unidos e à perspectiva de queda de 0,5% em sua economia, o mercado global se tornará ainda mais desafiador e o cenário interno será ainda mais sombrio”, entende Velloso.

Para alguns, estabilidade

O gerente executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, destacou na 11ª Interconf que a produção de bovinos através de sistemas de confinamento deve ficar estável em 2018 na comparação com o ano anterior, cujo volume alcançou 3,3 milhões de cabeças. “Esse número leva em conta o universo mapeado de associados da entidade, englobando 1,4 mil unidades produtoras”, detalha.

Andrade afirma que o número de animais confinados no segundo giro tende a ser menor neste ano frente ao anterior por conta dos elevados custos de produção. “Nosso levantamento indicou que houve um incremento de 25% nos custos para terminação dos animais em 2018 frente ao ano anterior”, sustenta.

Em relação ao mercado interno, o executivo aponta que o preço da arroba do boi está estagnado no momento (primeira quinzena de setembro), embora trazendo um cenário de previsibilidade interessante para o pecuarista nos próximos meses. “Na exportação, o cenário atual se mostra interessante”, comenta.

Otimismo para 2019

Para 2019, a Assocon está otimista e espera um crescimento ainda maior dos embarques. “Temos uma China pujante por produtos do Brasil, existe a possibilidade de abertura de novos mercados e de valorização dos produtos, cada vez mais sendo produzidos com qualidade”, analisa Andrade.

No que tange ao consumo interno de carne bovina, a Assocon entende que o cenário tende a ser de uma leve melhora em 2019, haja vista que a economia brasileira se recuperou muito pouco neste ano.

Em termos gerais, Andrade sinaliza que a Assocon espera um horizonte um pouco mais positivo pelo lado da demanda no próximo ano, ainda que pelo lado da oferta o setor tenha sempre uma pressão de custos. “Temos sempre dois elementos que pesam: a aquisição de boi magro para ser colocado no confinamento e a nutrição animal, que sofre diretamente com as oscilações mundiais”, aponta.

Foco na pecuária intensiva

O gerente executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, detalhou ainda na 11ª Interconf como será o modelo de trabalho da entidade a partir da escolha de seu novo Conselho Diretor. Segundo ele, a entidade seguirá atuando com foco na pecuária intensiva, embora com uma união de forças com outras entidades de produtores e, também com a indústria. “Entendemos que, de forma conjunta, será possível conseguir negócios muito mais interessantes para a cadeia da pecuária como um todo”, analisa.

Ele destaca que o novo modelo de trabalho forma um Conselho Diretor com representantes de diferentes estados. “Essa eleição já definiu dois diretores: um pelo estado de Goiás, Maurício Velloso, e um pelo estado de São Paulo, Sergio Przepiorka. Vamos eleger também representantes pelos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, comenta.

De acordo com Andrade, a ideia é descentralizar as ações da Assocon, fornecendo mais treinamentos nos estados e conseguindo trazer demandas para conseguir compor ações constitucionais mais sólidas. “A Assocon hoje já possui grandes parcerias com entidades, como a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o grupo de produtores GPB, esperando um fortalecimento ainda maior”, sinaliza.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

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Eficiência alimentar define os melhores reprodutores Angus e abre espaço para raça Ultrablack

Avaliação da Associação Brasileira de Angus e da Embrapa Pecuária Sul reconhece animais com maior eficiência na conversão alimentar e amplia a participação de novas raças.

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Foto: Lucas Nunes

A Prova de Eficiência Alimentar (PEA), uma das principais ferramentas para avaliação do desempenho genético de bovinos de corte, premiou seus destaques na última quinta-feira (02), durante a Fenagen, em Pelotas (RS).

Foto: Divulgação

Promovida pela Associação Brasileira de Angus em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, a iniciativa auxilia os criadores na seleção de animais mais eficientes na conversão alimentar, contribuindo para o avanço do melhoramento genético dos rebanhos. Nesta edição, a prova registrou um marco com a participação, pela primeira vez, de animais da raça Ultrablack.

Na categoria Grupo de Elite para Eficiência Alimentar, o primeiro lugar foi conquistado por um touro da Fazenda Albardão, de Santa Vitória do Palmar (RS), de propriedade de Claudia Campos. Para a criadora, o resultado reconhece anos de investimento em seleção genética e reforça a importância da eficiência alimentar na pecuária. “Há conquistas que marcam uma trajetória e renovam a certeza de que todo esforço vale a pena. Receber o reconhecimento de ter, pela primeira vez, o touro campeão da Prova de Eficiência Alimentar da raça Angus é um momento de enorme orgulho para todos nós. Ver um animal criado em nosso rebanho se destacar em uma avaliação tão importante e inovadora nos emociona e reforça a convicção de que estamos no caminho certo”, afirmou.

Foto: Divulgação

A segunda colocação ficou com Fernando Gonçalves, da Fazenda Santa Cecília, de Santiago (RS). Para o criador, o desempenho obtido na PEA reforça a estratégia de seleção genética adotada pela propriedade. “Destaco que esse reprodutor, além do resultado na prova, possui uma régua de DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) invejável para características de carcaça, para adaptação e peso ao nascer. Ou seja, é uma máquina de produzir carne Angus de qualidade e certificada”, comemorou.

Estreante na Prova de Eficiência Alimentar, José Floriani, da Fazenda Rincão/Cabanha Flora, de Lages (SC), conquistou o terceiro lugar. Segundo ele, a avaliação oferece informações importantes para orientar a seleção genética e o planejamento do rebanho. “É uma pesquisa bem interessante para avaliação de indivíduos e até da raça. A prova nos dá uma linha de genética para observarmos. Vai trazer bons insumos de decisão para a propriedade”, frisou.

Foto: Shutterstock

A quarta colocação foi para José Paulo Dornelles Cairoli, da Fazenda Reconquista, de Alegrete (RS). Na avaliação do pecuarista, a crescente adesão dos criadores demonstra a relevância da PEA para o aprimoramento da genética da raça. “A Prova de Eficiência Alimentar tem crescido a cada ano, ganhando cada vez mais adesão dos criadores. Esta é uma iniciativa importantíssima para que possamos ver, na prática, como os avanços em genética têm acontecido”, destacou.

Ultrablack estreia na prova

A edição deste ano também marcou a estreia da raça Ultrablack na Prova de Eficiência Alimentar.

Foto: Divulgação

Os dois animais classificados no Grupo de Elite pertencem à Agroottoni, de São Luiz Gonzaga (RS), propriedade de Elio Ottoni.

Para o criador, o resultado confirma o trabalho de seleção desenvolvido na fazenda e reforça o potencial da eficiência alimentar como ferramenta para aumentar a rentabilidade da produção. “Com esse resultado, ficamos mais confiantes de que estamos no caminho certo. Esse trabalho é maravilhoso para saber que temos animais que correspondem ao desempenho esperado. A fazenda toda vibrou com essa confirmação de que estamos fazendo esse tipo de animal que trará mais rentabilidade para a propriedade”, afirmou.

Fonte: Assessoria Associação Brasileira de Angus
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Mercado testa novo cenário para o boi a partir de agosto

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, demanda mais fraca no curto prazo pode ampliar a volatilidade, embora os fundamentos permaneçam favoráveis no longo prazo.

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Foto: Divulgação/SAA

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o mercado do boi pode passar por um período de maior volatilidade e ajustes na demanda caso as compras da China sejam interrompidas a partir de agosto, com o encerramento da cota de importação previsto entre o fim de julho e o início daquele mês.

Crédito: Divulgação/Rede ILPF

A consultoria destaca que a incerteza sobre a capacidade de adaptação do mercado sem seu principal destino das exportações já se reflete nos contratos futuros, que apresentam desconto de R$ 10 por arroba entre os vencimentos de junho e julho.

Mesmo com a chegada do período seco, quando normalmente há menor oferta de animais de pasto, a expectativa é de que a oferta não apresente redução significativa. Isso porque as margens da engorda intensiva devem permanecer favoráveis para os produtores que realizaram operações de hedge, garantindo preços antecipadamente.

Por outro lado, a demanda tende a ficar mais enfraquecida ao longo do terceiro trimestre, pelo menos até outubro, quando o fluxo de compras voltado à cota de importação de 2027 poderá ser retomado.

Foto: Divulgação

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, esse cenário aumenta a incerteza sobre os preços do boi no curto prazo. No entanto, após esse período, o mercado deve voltar a ser influenciado principalmente pelos fundamentos de oferta e demanda, sustentados pela menor disponibilidade global de carne bovina e pela continuidade da retenção de fêmeas no ciclo pecuário brasileiro.

A consultoria avalia ainda que o maior risco recai sobre produtores que ainda não protegeram os preços dos animais que serão comercializados nos próximos meses. Frigoríficos de menor porte com habilitação para exportação também poderão enfrentar dificuldades para ajustar seus custos diante da redução das receitas durante o período sem compras chinesas.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Exportações sustentam mercado da carne bovina

Demanda externa absorve maior oferta de animais, enquanto preços do boi voltam a subir no início de junho.

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Fotos: Shutterstock

As exportações de carne bovina seguiram dando sustentação ao mercado, mesmo com a queda nos preços do boi gordo registrada em maio. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a arroba teve desvalorização de 3,9% em relação ao mês anterior, com média de R$ 349. Já no início de junho, as cotações voltaram a subir, alcançando R$ 354/@ no dia 11.

Foto: Divulgação/Freepik

Apesar da oferta de gado terminado ter sido um pouco maior do que a registrada no ano anterior, a demanda internacional absorveu a produção ao longo do ano. Em maio, os embarques de carne bovina in natura totalizaram 262 mil toneladas, volume 20% superior ao registrado no mesmo mês de 2025 e 16% acima do desempenho anual.

Segundo dados do IBGE, os abates de bovinos cresceram 3,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, a menor participação de fêmeas no abate e o maior peso médio das carcaças elevaram a produção de carne em 5,1%.

Ainda de acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, o mercado também registrou alta de 2% nos preços do bezerro em maio, enquanto a carcaça casada permaneceu estável no atacado.

No mercado externo, a China manteve a liderança entre os destinos da carne bovina brasileira. Entre janeiro e maio de 2026, os embarques para o país asiático cresceram 24% em relação ao mesmo período de 2025, representando 51% do volume total exportado. Além do aumento nas vendas, o preço médio da tonelada exportada para a China subiu de US$ 5.400, em janeiro, para US$ 6.800, em maio.

Com o boi em dólares 3% mais barato no mês e a carne bovina 4,2% mais valorizada, o spread das exportações passou de 0% em abril para 7% em maio. Além disso, a menor participação de fêmeas nos abates e a valorização do bezerro continuam indicando avanço do processo de reconstrução do rebanho bovino.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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