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Bovinos / Grãos / Máquinas Produção

Atividade de confinamento pode retrair até 12% em 2018, mas avança em 2019

Avaliação é do presidente da Comissão de Pecuária de Corte, da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Maurício Velloso

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Arquivo/OP Rural

O presidente da Comissão de Pecuária de Corte, da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Maurício Velloso, afirmou em Goiânia, GO, durante a 11ª Interconf – Conferência Internacional de Pecuaristas -, em setembro, que a atividade de confinamento poderá sofrer uma queda de 12% em 2018, revertendo o cenário de otimismo projetado no início do ano que apontava um incremento entre 9 a 13%. Em 2017, o Brasil confinou três milhões de bovinos.

De acordo com Velloso, o setor de pecuária vem passado por um cenário de complicadas adversidades ao longo do ano, o que reduziu o entusiasmo dos pecuaristas. “A greve dos caminhoneiros e seus desdobramentos vivenciados até hoje elevaram ainda mais os custos da atividade, o que fez com que muitos pecuaristas não adquirissem animais para terminação em confinamento. Há alguns que até compraram bois, mas estão preferindo termina-los no pasto devido aos custos”, avalia.

Velloso elencou alguns dos vários fatores que têm contribuído para tornar a atividade pecuária cada vez mais desafiadora. “Tivemos o fechamento das fábricas de ureia pecuária no Brasil, o que forçou os pecuaristas a ter de importar o produto de outros países com o pagamento de uma taxa de 10% de PIS/Cofins (o que não ocorre com a ureia usada na agricultura). Houve uma alta expressiva do milho e da soja, pela quebra de safra na Argentina e no Brasil e a valorização do dólar favorecendo a exportação. Além disso, ocorreu uma redução do uso de pacotes tecnológicos pelos pecuaristas, fatores estes que acabam comprometendo a produtividade e a rentabilidade”, comenta.

Outro ponto ressaltado por Velloso, que traz dificuldade ao setor, é a incerteza quanto ao cenário político. “A pecuária e todas as demais cadeias dependem da consolidação do cenário político. Precisamos de uma política econômica previsível, pois hoje o investidor carece de uma segurança jurídica. Se não tivermos um cenário mais previsível, aliado à tendência de alta de juros nos Estados Unidos e à perspectiva de queda de 0,5% em sua economia, o mercado global se tornará ainda mais desafiador e o cenário interno será ainda mais sombrio”, entende Velloso.

Para alguns, estabilidade

O gerente executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, destacou na 11ª Interconf que a produção de bovinos através de sistemas de confinamento deve ficar estável em 2018 na comparação com o ano anterior, cujo volume alcançou 3,3 milhões de cabeças. “Esse número leva em conta o universo mapeado de associados da entidade, englobando 1,4 mil unidades produtoras”, detalha.

Andrade afirma que o número de animais confinados no segundo giro tende a ser menor neste ano frente ao anterior por conta dos elevados custos de produção. “Nosso levantamento indicou que houve um incremento de 25% nos custos para terminação dos animais em 2018 frente ao ano anterior”, sustenta.

Em relação ao mercado interno, o executivo aponta que o preço da arroba do boi está estagnado no momento (primeira quinzena de setembro), embora trazendo um cenário de previsibilidade interessante para o pecuarista nos próximos meses. “Na exportação, o cenário atual se mostra interessante”, comenta.

Otimismo para 2019

Para 2019, a Assocon está otimista e espera um crescimento ainda maior dos embarques. “Temos uma China pujante por produtos do Brasil, existe a possibilidade de abertura de novos mercados e de valorização dos produtos, cada vez mais sendo produzidos com qualidade”, analisa Andrade.

No que tange ao consumo interno de carne bovina, a Assocon entende que o cenário tende a ser de uma leve melhora em 2019, haja vista que a economia brasileira se recuperou muito pouco neste ano.

Em termos gerais, Andrade sinaliza que a Assocon espera um horizonte um pouco mais positivo pelo lado da demanda no próximo ano, ainda que pelo lado da oferta o setor tenha sempre uma pressão de custos. “Temos sempre dois elementos que pesam: a aquisição de boi magro para ser colocado no confinamento e a nutrição animal, que sofre diretamente com as oscilações mundiais”, aponta.

Foco na pecuária intensiva

O gerente executivo da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), Bruno de Jesus Andrade, detalhou ainda na 11ª Interconf como será o modelo de trabalho da entidade a partir da escolha de seu novo Conselho Diretor. Segundo ele, a entidade seguirá atuando com foco na pecuária intensiva, embora com uma união de forças com outras entidades de produtores e, também com a indústria. “Entendemos que, de forma conjunta, será possível conseguir negócios muito mais interessantes para a cadeia da pecuária como um todo”, analisa.

Ele destaca que o novo modelo de trabalho forma um Conselho Diretor com representantes de diferentes estados. “Essa eleição já definiu dois diretores: um pelo estado de Goiás, Maurício Velloso, e um pelo estado de São Paulo, Sergio Przepiorka. Vamos eleger também representantes pelos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, comenta.

De acordo com Andrade, a ideia é descentralizar as ações da Assocon, fornecendo mais treinamentos nos estados e conseguindo trazer demandas para conseguir compor ações constitucionais mais sólidas. “A Assocon hoje já possui grandes parcerias com entidades, como a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o grupo de produtores GPB, esperando um fortalecimento ainda maior”, sinaliza.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

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Bovinos / Grãos / Máquinas Algas

Extratos protegem integridade intestinal e modulam sistema imunológico

Algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo

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Arquivo/OP Rural

Extratos de algas marinhas estão cada vez mais presentes na bovinocultura. Seu poder de proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico chama a atenção de pecuaristas em todo o país. Ainda há muito a aprender para extrair delas o máximo potencial, mas, assim como o desempenho zootécnico, os resultados das pesquisas e os produtos oferecidos pelo mercado estão cada vez mais interessantes.

“As algas são recursos naturais e renováveis, tradicionalmente utilizados nas regiões costeiras de todo o mundo há muito tempo. Comparados a muitos outros recursos naturais, elas demonstram baixo risco de toxicidade e eco toxicidade. Além do mais, as algas estão entre as plantas de crescimento mais rápido na natureza. Algumas espécies de algas marinhas podem crescer até 30% de seu peso por dia. Além disso, como elas vivem na água do mar, não competem por terras areáveis nem por recursos de água doce”, destaca Maria Angeles Rodríguez, engenheira agrônoma mestre em Nutrição Animal pela Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), gerente de produtos da Olmix.

“As algas são um grupo funcional que engloba uma grande variedade de organismos, cuja única característica em comum é a fotossíntese e um estilo de vida aquático. Entre esses organismos, encontram-se as macroalgas, que você costuma ver à deriva em praias ou presa às rochas. Elas pertencem aos eucariotas, o que significa que seu DNA é encontrado dentro de um núcleo verdadeiro. A segunda categoria de algas são as microalgas, que na maioria dos casos você precisa de microscópio para observar. Elas também são conhecidas como fitoplâncton e incluem organismos eucarióticos, mas também organismos procarióticos, que estão próximos às bactérias e não possuem um núcleo verdadeiro. Por exemplo, as cianobactérias são algas procarióticas e são mais conhecidas como algas verde-azuladas, como a espirulina”, menciona.

Ela destaca, no entanto, que as algas de interesse da pecuária são apenas as algas eucarióticas, multicelulares, macroscópicas e marinhas.

De acordo com ela, ao contrário das plantas terrestres, as algas não possuem raízes e nem sistema diferenciado de circulação de seiva. Como crescem na água, absorvem água e nutrientes por toda a superfície. Maria Angeles cita ainda que o modo de reprodução também é muito diferente das plantas terrestres, e não produzem flores, sementes ou frutos. “Cada espécie está adaptada a certas condições de luz, corrente, resistência à seca, que definirão sua área de repartição no litoral fixada nas rochas por suas ancoragens. Com base em seus pigmentos fotossintéticos, as algas marinhas podem ser divididas em três grupos: algas vermelhas, verdes e marrons. Esses três grupos são geneticamente diferentes e cada um separado do outro por milhões de anos de evolução”, pontua.

Mas quando as algas começaram a ser usadas na alimentação de ruminantes? “A história do homem e das algas começa há 16 mil anos com as primeiras evidências arqueológicas do consumo humano de algas marinhas na costa chilena.

A primeira evidência escrita de seu uso medicinal vem da China, cerca de 3 mil anos antes de Cristo.

As algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo. Precisamos esperar até o século XVI para a primeira exploração industrial de algas marinhas na indústria de vidro, usando cinzas de algas ricas em carbonato de potássio para diminuir o ponto de fusão do silício. No século XIX, o iodo foi descoberto nessas cinzas e levou à produção industrial de soluções de iodo para o tratamento de feridas. O século XX viu o desenvolvimento da indústria de hidrocoloides. Os hidrocoloides são moléculas capazes de armazenar grande quantidade de água e, portanto, de texturizar os ingredientes com os quais são misturados. Na Europa, os hidrocoloides feitos de algas marinhas são identificados pelos códigos e400 e e407. Você pode encontrá-los em muitos alimentos processados, como laticínios ou refeições prontas industriais, mas também em produtos de higiene pessoal, como pasta de dente, cremes para a pele ou fraldas para bebês. Suas propriedades formadoras de gel também são interessantes para aplicações farmacológicas, como curativos, remédios para refluxo gástrico ou placas de Petri para cultura bacteriana. Finalmente, o século XXI viu o surgimento de um novo campo de aplicações designado para a extração de moléculas ativas para todos os tipos de biotecnologia”.

Maria Angeles destaca que as algas marinhas podem ser ricas em vários compostos nutricionais interessantes como minerais, proteínas e vitaminas específicas. No entanto, os compostos predominantes são os polissacarídeos que podem representar até 70% da matéria seca. Devido à sua estrutura específica e a presença de grupos de sulfato, esses polissacarídeos possuem diversas atividades biológicas interessantes para seu uso em ruminantes.

Atividades biológicas

Os extratos de algas podem ser usados por suas propriedades biológicas ou combinados com argilas por suas características estruturais. A profissional explica que as algas marinhas contêm altos níveis de carboidratos, especialmente polissacarídeos em suas paredes celulares. Além disso, seus níveis são estáveis durante todo o ano, permitindo sua extração constante. “Os polissacarídeos de algas marinhas têm estruturas muito complexas que estão diretamente ligadas às suas atividades. A variedade estrutural que pode ser encontrada nas algas marinhas é enorme, permitindo assim, potencialmente, um elevado número de diferentes atividades biológicas. Além disso, uma de suas características específicas é a sulfatação, que os torna realmente únicos. Na verdade, os polissacarídeos são características do ambiente marinho, onde o sulfato está na forma e quantidade certa para ser incluído nos polissacarídeos do organismo marinho. Essas estruturas não existem nas plantas terrestres ou nas microalgas de água doce que estão nos mercados, e nem nas paredes celulares das leveduras. Elas têm, no entanto, similaridade estrutural com polissacarídeos na matriz extracelular de animais, por exemplo, a conhecida heparina usada em diversas aplicações médicas para humanos devido às suas propriedades biológicas. A sulfatação aumenta o potencial das atividades biológicas. Uma característica adicional é sua extrema estabilidade: são resistentes ao calor até o processo de extrusão e não são digeridas por nenhuma das enzimas digestivas de monogástricos e ruminantes”, elenca.

Existem opções no mercado de duas espécies, uma verde, Ulva, também conhecida como “alface do mar”, e uma vermelha, Solieria. “Elas vêm de campos naturais de algas marinhas, com um ciclo de vida anual. “Ulva forma grandes flores de algas não aderidas, crescendo em baías rasas durante a primavera e o verão. Elas são trazidas para a costa pela maré e correntes, onde podem ser colhidas. Solieria cresce presa até o final de seu ciclo, quando naturalmente se desprende de suas rochas, geralmente durante as tempestades de inverno. Elas são então lançadas na praia, onde são colhidas principalmente do outono à primavera. A colheita dessas duas espécies permite ter matéria prima disponível praticamente o ano todo”.

Além disso, explica a engenheira agrônoma, os lugares onde são coletadas são conhecidos por encalhamento em massa dessas espécies específicas, que garantem alto grau de pureza, com menor quantidade de outras espécies. “E nosso impacto ambiental é muito baixo, pois estamos à espera de que as algas venham até nós, não as arrancamos de suas rochas”. Depois disso, as algas passam por um processo completo de biorrefinaria, desde a colheita até os ingredientes ativos inovadores finais. A biorrefinaria serve para estabilizar rapidamente os extratos de algas, em menos de 48 horas.

“Todos estes extratos são obtidos de forma ecológica, apenas com água, sem a utilização de solventes químicos. Isso preserva as características naturais do extrato e, consequentemente, sua bioatividade nos produtos finais”, cita.

Estresse

Maria Angeles cita que o uso de polissacarídeos marinhos serve para proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico, por isso é recomendado em qualquer período estressante, no período seco para estimular a produção de imunoglobulina para o colostro, nos estágios iniciais ou durante o estresse por calor. “As dosagens giram em torno de 1g/Kg de matéria seca ingerida. Entre os benefícios observados, elenca a profissional, estão a melhora do estado de saúde, maior resistência a patógenos, melhor uso de energia e nutrientes, melhor desempenho e melhor lucratividade.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Safra de inverno

Genética e manejo correto no trigo economizam até R$ 400 por hectare

A economia em sementes por área deve incentivar o uso de sementes certificadas

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Joseani Antunes e Diogo Zanatta

Estudo conduzido pela Embrapa Trigo (RS) e a Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL) no Rio Grande do Sul mostrou que a associação entre genética de qualidade e manejo eficiente da cultura do trigo é capaz de reduzir os custos de produção em aproximadamente R$ 400,00/ha sem prejudicar o potencial produtivo dos grãos. A utilização de cultivares de alto padrão genético oferece ao produtor a possibilidade de ajustar o volume de sementes no plantio, ao mesmo tempo em que otimiza o uso de fungicidas, mantendo a rentabilidade do cultivo.

A pesquisa avaliou duas linhas de manejo no trigo na safra 2020: uma visando à redução da população de plantas, e outra com o uso racional de fungicidas, aproveitando fatores da genética das cultivares como aliados. A economia de R$ 400,00 por hectare é resultado da soma de R$ 140,00/ha em sementes e R$ 275,00/ha em fungicidas. Considerando o preço da saca de trigo comercializado em 2020 (R$ 70,00/sc) e a média CEPEA de 10 anos (R$ 40,00/sc), a redução de custos representa o valor de seis a dez sacas de trigo por hectare.

Se o cálculo for ampliado para os 900 mil hectares de trigo cultivados no RS em 2020, a economia chegaria a R$ 360 milhões com sementes e fungicidas, valor que poderia ser reinvestido em tecnologias capazes de promover o potencial produtivo das lavouras, como o uso de fertilizantes, que além de aumentar a produtividade do trigo também podem ser aproveitados na cultura subsequente, como a soja no verão, melhorando a rentabilidade em todo o sistema de produção

O investimento em sementes e fungicidas tem sido fundamental para garantir a produtividade no trigo. Entretanto, ambos os dispêndios são rentáveis até um limite. Quando em excesso, os supostos benefícios podem se transformar apenas em custos de produção. “Excessos no uso de insumos em determinadas situações levaram a uma falsa imagem de que o trigo não gera renda. Queremos desmistificar essa crença, provando que é possível ganhar dinheiro com o cultivo do trigo, estimulando os produtores a investirem na cultura de modo assertivo”, conta o engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo Giovani Faé.

“Com a pesquisa, mostramos que é possível gerar renda no inverno com a cultura do trigo, fazendo uso de boa genética, manejo eficiente e uso de semente de qualidade”, resume o engenheiro agrônomo da RTC/CCGL Geomar Corassa.

Densidade de plantas não garante maior rendimento de grãos

Para demonstrar que é possível diminuir a quantidade de sementes por hectare sem prejudicar o rendimento final da lavoura, foram instaladas faixas de população de plantas em 20 áreas expositivas, em 17 municípios do Rio Grande do Sul. A cultivar utilizada foi a BRS Belajoia, instalada nas áreas com três densidades de semeadura: 40, 60 e 80 plantas por metro de fileira. Em cada local, a área total chegou a três hectares, destinando um hectare para cada faixa de população.

Para avaliar a resposta do rendimento de grãos à densidade de plantas, as lavouras expositivas foram instaladas em regiões mais quentes, que sofrem mais com os estresses do ambiente, e em regiões de clima mais ameno, que possibilitam maiores produtividades nos cultivos de inverno. Dessa forma, a pesquisa contemplou toda a metade norte do RS, onde está concentrada grande parte da produção de trigo no estado. As semeaduras seguiram o calendário indicado pelo zoneamento agrícola para cada local, com as operações efetuadas entre 25 de maio a 27 de julho, em época considerada ideal para a expressão do potencial produtivo da cultura.

A pesquisa mostrou que o aumento na densidade de plantas não representou ganhos significativos no rendimento final de grãos, mesmo em diferentes ambientes de produção. A média de rendimentos variou de 64 a 67 sacos por hectare, mas os custos quase dobraram, passando de R$ 234,00/ha na densidade de 43 pl/m para R$ 415,00/ha na densidade de 76 pl/m. “Esses resultados demonstram que os custos no aumento do volume de sementes não se reverteram em lucro financeiro”, explica Faé.

Lógica de plantio deve ser por metro linear, como na soja

“Em geral, o produtor tem adotado 150 quilos de sementes de trigo por hectare, mas na soja e no milho o cálculo é efetuado em plantas por metro linear. Queremos mostrar nesse trabalho que a implantação do trigo também deve seguir essa lógica de plantas por metro linear, e não a de quilos por hectare”, esclarece o engenheiro agrônomo da CCGL, explicando que o ajuste considera a variação de PMS (Peso de Mil Sementes) e a germinação nos lotes, que podem impactar no volume de sementes e reduzir custos de produção. “Para que o posicionamento seja assertivo, é importante que o produtor conheça a qualidade da sua semente”, recomenda.

Para o pesquisador da Embrapa Trigo Eduardo Caierão, o produtor precisa conhecer o histórico da área e o potencial genético da cultivar que está usando para definir a densidade de semeadura: “O produtor tende a investir numa densidade maior por segurança, considerando os riscos de um ambiente desfavorável à cultura. A partir do histórico da área, como qualidade do solo, problemas mais recorrentes de pragas e doenças, associados às previsões climáticas, é possível definir o quanto pode arriscar reduzindo a população de plantas, ajustando os custos tanto em cenários de alta produtividade, quanto num cenário de ambiente menos favorável ao trigo”, pontua.

Segundo ele, uma média bastante segura fica na faixa de 250 sementes aptas por metro quadrado. “É preciso destacar que estamos falando de semente de qualidade. Temos visto que o produtor aumenta o volume de sementes porque não garante a qualidade”, complementa Caierão, lembrando que a taxa de uso de semente certificada de trigo no RS ainda é baixa, próximo a 60%.

O custo da semente de trigo no RS foi em média de R$ 2,20/kg na safra 2020. Considerando a população recomendada de 43 pl/m (ou 250 sementes/m², cerca de 86 kg/ha), quando comparado aos 150 kg de sementes/ha tradicionalmente utilizados nas lavouras gaúchas, a redução de custos chega a R$ 140,00/ha. Além de reduzir custos, o ajuste na densidade de sementes também reduz o risco de acamamento em cultivares mais altas, permitindo o aumento das doses de fertilizantes nitrogenados que potencializam o rendimento na lavoura.

A redução no desembolso em insumos pode, num primeiro momento, inquietar empresas e profissionais que historicamente investem na cultura do trigo. Por isso, antes da divulgação da pesquisa, a Embrapa Trigo convidou sementeiros que atuam no mercado de trigo gaúcho para discutir os resultados do trabalho. Para o diretor administrativo da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul), Jean Carlos Cirino, o tema necessita de muito estudo e discussão: “É preciso deixar claro que a recomendação de população de plantas, assim como o completo posicionamento da cultivar, cabe ao obtentor vegetal. São vários os fatores e implicações técnicas para se chegar ao posicionamento de uma cultivar de trigo e seu desenvolvedor é o maior interessado em ser assertivo”.

A expectativa da Embrapa Trigo é que a redução nos custos de produção possa servir de incentivo ao aumento da área com trigo na Região Sul, movimentando também a comercialização de semente certificada.

Manejo fitossanitário

Para validar a tese de que é possível diminuir o número de aplicações de fungicidas sem perder potencial produtivo de grãos, o grupo de pesquisa conduziu um ensaio em cinco locais no Rio Grande do Sul (Passo Fundo, Cruz Alta, Sarandi, Santa Maria e Campo Novo), visando avaliar a resposta genética ao manejo fitossanitário em trigo. Esse estudo foi realizado com aplicação de fungicidas em parcelas subdivididas com três repetições e três tratamentos: sem fungicida, aplicação de fungicida focada na proteção da espiga, e quatro aplicações calendarizadas (perfilhamento à floração). Foram utilizadas oito cultivares de trigo com representatividade em áreas comerciais, apresentando grande variação quanto à resistência genética para as principais doenças.

Manejo na aplicação de fungicidas nos experimentos:

Na avaliação do manejo fitossanitário, foram observadas variações com relação à sanidade genética em algumas cultivares. Por exemplo, em Passo Fundo o melhor desempenho foi da cultivar da Embrapa BRS Belajoia que produziu 71 sc/ha mesmo sem nenhuma aplicação de fungicida. Já em Cruz Alta houve resposta de até oito sc/ha na produtividade quando se fez uso de quatro aplicações de fungicida, especialmente em cultivares mais suscetíveis ao oídio.

Nesse sentido, a fitopatologista da CCGL Caroline Guterres explica que o resultado se deve ao ano mais seco, sob influência de La Nina, quando a doença predominante na safra de inverno 2020 foi o oídio. Para a decisão do número e do momento de realizar as aplicações de fungicidas em trigo, ela destaca três pontos: conhecer a cultivar que está sendo utilizada e sua reação frente às principais doenças; entender quais doenças podem ocorrer em função das condições de ambiente; e monitorar a lavoura a fim de identificar focos precoces de doenças. “Ao aliar esses três fatores, o manejo de doenças fica mais assertivo e, por consequência, mais econômico”, conclui Caroline.

O ensaio que contou com quatro aplicações de fungicidas ao longo da safra representou um dispêndio de R$ 390,00/ha – com base nos preços dos defensivos em 2020, ao custo de R$ 25,00/ha cada aplicação. Com o monitoramento da lavoura, foi possível fazer uma única aplicação de fungicida, visando prevenir a giberela no espigamento, ao custo de R$ 115,00/ha.

Geomar Corassa, da CCGL, chama a atenção quanto aos resultados do ensaio com fungicidas: “É importante considerar que o conhecimento sobre a cultivar é fundamental para permitir esse tipo de prática. Atualmente, para a obtenção de altos tetos produtivos, algumas cultivares exigem pacotes fitossanitários robustos, enquanto outras permitem a economia. Esse resultado foi confirmado no estudo”, explica.

“Temos que considerar que 2020 foi um ano seco, que não favoreceu a incidência de doenças fúngicas. De qualquer forma, o monitoramento da lavoura permite a redução de custos em anos secos ou o controle mais eficiente em anos úmidos”, explica a fitopatologista da Embrapa Trigo Cheila Sbalcheiro.

Percepções do setor produtivo

Para gerar os resultados da pesquisa sobre redução de custos no trigo, a Embrapa Trigo e a RTC/CCGL contaram com o apoio de parceiros desde a instalação das lavouras até a condução dos experimentos e registro de dados. Foram diversas cooperativas, pesquisadores, produtores e assistentes técnicos trabalhando em 20 áreas expositivas de 17 municípios do Rio Grande do Sul. Veja algumas percepções dos participantes:

Em Sarandi, o engenheiro agrônomo Nazaré Piran conduziu a avaliação na área de pesquisa da Cotrisal. “Trabalhamos com produtores há 18 anos e a recomendação no trigo sempre foi 150 kg de sementes por hectares, cerca de 400 plantas por metro quadrado. Mas vemos que a produtividade não está aumentando. Da mesma forma que na soja tivemos que diminuir a população para alcançar um maior potencial produtivo, eu acredito que no trigo esse ajuste também é necessário”, diz Piran, explicando que a redução no número de plantas pode favorecer a fotossíntese, evitando a disputa pela luz. “O ajuste na população pode diminuir custos de produção ou mesmo alocar os recursos na adubação”, orienta o agrônomo.

Na ZT Sementes, de Cruz Alta, o produtor Zeca Scapin busca retomar a rentabilidade econômica do trigo a partir de tecnologias que permitam reduzir os custos de produção e os riscos da cultura: “Investir numa cultivar de alto potencial produtivo, mas de baixa resistência a doenças não vai trazer lucro no trigo, principalmente num ano de primavera com clima severo”, alerta Scapini, lembrando que produtividade e custos de produção não podem subir juntos, senão o rendimento final não se traduz em lucro.

Em Espumoso, o experimento foi conduzido pela Planeja Agrícola e surpreendeu o consultor técnico Jeferson Moras: “Ficamos com receio de reduzir a população porque sempre adensamos mais nos cultivos de inverno para controlar a infestação de azevém nas áreas. Mas aceitamos o desafio e fomos surpreendidos com o resultado. A cultivar de trigo BRS Belajoia permitiu uma economia de 70 kg de sementes por hectare e apresentou o mesmo rendimento da maior população, além de promover um melhor perfilhamento que rapidamente fechou o espaço na lavoura e ajudou a controlar as plantas daninhas”. Ele destaca ainda que o posicionamento das cultivares visando ajustes na população de plantas é indispensável no cenário atual de alta nos custos de produção: “O produtor precisa acertar a quantidade de sementes para uma boa produção dentro da expectativa de cada cultivar. Isso precisa ser avaliado no local, dentro de cada realidade”, conclui.

Fonte: Embrapa Trigo
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bem-estar animal

Estresse por calor ainda é desafio nas fazendas brasileiras

Produtor deve ficar atento quanto ao conforto do animal, uma vez que quantidade e qualidade do leite, além da saúde do rebanho dependem disso

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Arquivo/OP Rural

Um animal confortável e em um ambiente que permite que ele se sinta bem é garantia de dinheiro no bolso do pecuarista. Isso porque vacas nestas condições, além de produzir mais leite também são menos suscetíveis a doenças. E que de forma o produtor pode avaliar na sua propriedade se está oferecendo aos animais todo este conforto? O pós-doutor em Nutrição de Ruminantes e consultor técnico em Bovinos de Leite da Nutron, Alexandre Pedroso, respondeu a esta e outras perguntas durante o Seminário Anual de Produtores de Leite da Cooperativa Copagril, que aconteceu no final de maio de forma online.

Pedroso explica que um animal que não fica doente tem chance de permanecer na fazenda por uma lactação a mais do que animais que adoecem. “A vaca que fica doente faz três lactações em sua vida. Já a que não fica faz quatro. Então, aquela que não fica doente é mais lucrativa para o produtor”, diz. Ele afirma que o que permite a vaca ter mais saúde é o conforto que é oferecido para ela na propriedade. “Vacas eficientes são aquelas que tem saúde. Uma vaca doente produz pouco e não tem bons índices de reprodução”, afirma.

De acordo com ele são quatro principais elementos que promovem uma boa saúde do animal: higiene, manejo sanitário, alimentação e conforto. E foi sobre este último que o profissional deu destaque na sua apresentação. Ele destaca que quando se pensa em conforto para as vacas, alguns dos principais problemas vistos em propriedades de Norte a Sul do país é quanto ao estresse por calor, ventilação e tempo de descanso inadequados. “Quando falamos em tempo para a vaca descansar, dois dos elementos principais e que independem do sistema de produção é a qualidade da cama e a taxa de lotação”, diz.

Pedroso afirma que o impacto do estresse por calor nos animais é amplo. “Em linhas gerais, podemos dizer que o calor em excesso derruba o consumo dos animais, aumenta a demanda por alguns nutrientes, diminui a produção de leite, uma vez que animais comem menos e daí também tem o desafio com a umidade, além de aumentar a incidência de doenças”, conta. Além disso, o profissional destaca que os problemas são ainda piores para vacas que estão no final da gestação. “O calor tem um impacto muito grande, pois prejudica a regeneração da glândula mamária no período seco, além de prejudicar a qualidade do colostro que as vacas vão produzir e ainda elas terão bezerros em piores condições. Os impactos são amplos e temos que olhar com mais atenção essa questão”, comenta.

Segundo o profissional, não há nenhum investimento feito na pecuária de leite que se pague mais rápido do que o resfriamento das vacas. “Notadamente no verão, mas em boa parte do país o ano inteiro é preciso resfriar as vacas, porque isso tem impacto na questão da saúde e desempenho dos animais da fazenda”, diz.

Uma dica dada por Pedroso é que para o pecuarista ter uma ideia se as vacas estão sofrendo com o calor é medir a eficiência respiratória dos animais. “Toda vez que a frequência passa de 60 batimentos respiratórios por minuto, os animais estão em uma situação de estresse”, afirma. De acordo com ele, o pecuarista não pode subestimar o impacto que o estresse térmico pode gerar nos animais. “Um problema que vejo muito, principalmente em sistemas de barracão, é o produtor desligar o ventilador a noite achando que está fresco e que as vacas estão resfriadas. Isso é um erro e os animais passam por estresse se não tiverem uma ventilação adequada”, alerta.

Impactos do calor na produção

O profissional afirma que o impacto do calor na qualidade do colostro é muito grande. “Estudos mostram claramente que vacas que passam pelo período seco sofrendo por calor produzem um volume menor de colostro. São três litros a menos na primeira ordenha e um colostro com menor quantidade de imunoglobulinas. É uma diferença grande que tem um impacto significativo”, comenta.

Outro ponto é que o estresse por calor também pode prejudicar na reprodução dos animais. “Pesquisas nos mostram que animais que são menos resfriados no verão tem uma reprodução menor do que aqueles que são resfriados adequadamente”, diz. E Pedroso alerta que que situações como estes significam um grande prejuízo para a fazenda.

O estresse por calor prejudica ainda o desempenho das bezerras quando elas ainda estão no útero da vaca, especialmente aquelas que sofrem por calor no final da gestação. “As bezerras nascem e quando tem a primeira lactação elas produzem menos leite, assim como nas lactações seguintes. Mesmo o animal tendo uma carga genética boa, o fato dela ter passado dentro do útero por uma situação de estresse calórico faz com que ela se torne um animal pior do ponto de vista do desempenho. É uma diferença de 7 a 8 litros de leite a menos. É possível que até as netas venham a sofrer com problemas”, alerta.

Minimizar e diminuir o estresse por calor é fundamental não somente para a vaca ser reprodutiva, mas para ela produzir um leite de melhor qualidade, ter um colostro melhor e para que as filhas delas sejam bezerras melhores, recomenda Pedroso. “Muita coisa pode ser feita na fazenda para aliviar o estresse calórico sem significar um investimento alto. Alguns exemplos são água de beber de qualidade e em quantidade suficiente, sombra para os animais descansar, reduzir a distância que os animais tem de caminhar durante o dia, minimizar o tempo de espera na sala de ordenha, implementar um sistema de resfriamento na sala de espera, priorizar os lotes de vaca de pré e pós-parto, entre outros”, aconselha. “Mas eu volto a falar, não existe investimento que se pague mais rapidamente do que investir em resfriamento das vacas para promover alívio do estresse calórico”, diz.

Outro ponto destacado por Pedroso foi quando a necessidade do produtor ofertar aos animais água de boa qualidade e em quantidade. “É fundamental para que as vacas possam aliviar o estresse calórico. Os animais precisam se refrescar, é fundamental, porque isso impacta na saúde e produtividade dessas vacas. Realmente não da para ser eficiente sem refrescar os animais. O pecuarista deve olhar isso, seja qual for o sistema de produção”, afirma.

Sistema de descanso também é essencial

Outro ponto essencial que o produtor deve se atentar quando o assunto é conforto dos animais é quanto ao sistema de descanso ofertado, independente do sistema de produção. “Por que é tão importante as vacas descansarem bastante? Porque quando a vaca está deitada, ela manda mais sangue para o úbere e o leite é produzido no úbere a partir de nutrientes que chegam pelo sangue. Então quanto mais sangue chegar mais matéria-prima para produzir leite”, comenta.

Pedroso ainda destaca que quanto mais tempo a vaca passa deitada mais ela produz a somatotropina bovina (bST), um hormônio produzido pelo animal naturalmente. “Quanto mais tempo ela ficar deitada e mais produzir esse hormônio naturalmente vai fazer com que ela coma mais, produza mais leite, além de diminui a chance de ela ter problemas de casco”, diz. Além do mais, um aspecto comprovado pela ciência, explica o especialista, mais tempo estando deitada, mais a vaca come. “Dessa forma, perder tempo de descanso significa sacrificar tempo de alimento. E quanto mais ela descansa, mais a vaca vai comer, quanto mais ela comer mais saúde vai ter, menores são as chances de ficar doente e mais leite e de melhor qualidade ela vai produzir”, afirma. Pedroso destaca que a cada hora a mais que a vaca passa deitada, ela tem um potencial de produzir até 1,5 kg de leite a mais. “É fundamental promover o descanso para que os animais produzam mais leite e de melhor qualidade”, comenta.

O profissional dá uma dica aos pecuaristas de como avaliar se as vacas estão em boas condições de conforto. “Cerca de duas horas após a ordenha, é recomendável ir até o lugar onde as vacas ficam. O ideal é que 80% delas estejam deitadas. Isso vale para qualquer tipo de sistema de produção”, afirma.

Outro ponto crucial para ofertar o melhor descanso é quanto ao espaço ofertado aos animais. “Temos que lembrar que a vaca precisa de espaço, ela é um bicho grande. Quando ela se levanta e se deita, ela se projeta e ocupa espaço”, explica. “As camas também precisam ser de qualidade. Oferecem um ambiente e condições de conforto aos animais, para quando você chegar ao galpão ver grande parte deles deitados”, diz.

Pedroso explica que quem manda na fazenda é a vaca, porque é ela quem paga as contas. Por isso, é importante o pecuarista oferecer para elas as melhores condições. “Elas são a unidade produtora de leite e temos que dar para elas as melhores condições para produzir bem e com boa qualidade. Temos que atender as necessidades das vacas para que as fazendas possam ser eficientes”, conclui.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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