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“Até dezembro nós teremos 7,5 mil cabeças por dia de suínos terminados”, estima presidente da Frimesa
Em entrevista ao Programa Voz do Cooperativismo, Elias José Zydek destaca o andamento dos trabalhos no novo Frigorífico da Frimesa em Assis Chateaubriand (PR) e fala dos planos futuros em curto, médio e longo prazos, das suas ações neste início de gestão e de outros temas relevantes para a cooperativa. Confira!

O programa Voz do Cooperativismo estreou em abril no site e redes sociais do jornal O Presente Rural e trouxe em sua primeira edição a participação do presidente da Frimesa, Elias José Zydek, que assumiu recentemente a presidência da cooperativa paranaense. Zydek conta um pouco de sua história, que está intimamente ligada ao nascimento da Frimesa, e os da cooperativa para os próximos anos. O abate de suínos, por exemplo, deve ser ampliado na nova planta industrial, que deve atingir a meta de 2025 ainda este ano. Confira alguns trechos da entrevista aqui. Para ver o conteúdo completo, acesse opresenterural.com.br.
O Presente Rural – Quem é Elias Zydek?

Presidente da Frimesa, Elias José Zydek, em recente entrevista ao Programa Voz do Cooperativismo – Fotos: O Presente Rural
Elias Zydek – Bom, eu sou engenheiro agrônomo e sou uma pessoa do agronegócio desde formação. Posso dizer desde criação, porque eu vim do Rio Grande do Sul, do meio rural. Estudei agronomia, cheguei no Paraná como extensionista rural no serviço público e logo em seguida fui para o serviço privado, trabalhar em cooperativa. Eu poderia dizer que o cooperativismo está na minha alma. Eu considero o cooperativismo muito além de uma forma de gestão e mais uma forma de organização social. E que é nobre porque ela considera a eficiência do capital, mas considera a essência do social, que é o ser humano, que é o produtor rural, que tanto precisa de organização, de apoio para que ele desenvolva suas atividades. Então, resumidamente, acredito que eu sou rural, sou do agronegócio e sou cooperativista.
O Presente Rural – O senhor participou desde as primeiras ideias da criação da Frimesa e agora, há poucos dias, assume a presidência. Quanto um pouco dessa história e como está sendo esses primeiros dias como presidente?
Elias Zydek – Eu costumo dizer que a minha vida profissional se confunde com a história da Frimesa. Quando eu estava trabalhando em cooperativa, eu sentia a dificuldade. Imagina há 45 anos atrás. Eu sentia a dificuldade que o produtor tinha de viabilizar as suas atividades e tudo o que se estudava mostrava que a necessidade era agregar valor à produção do cooperado, do produtor. Lembro que, para comercializar suínos, saía do Sudoeste com um caminhão para vender em Minas Gerais. Você imagina o esforço de isso tudo e quão pouco sobrava para o produtor.
Então surgiu a ideia de reunir as cooperativas no Sudoeste do Paraná. Conseguimos reunir cinco cooperativas singulares e constituir uma central que se chamou Sudecoop, Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste. E então o Conselho de Administração, formado pelas diretorias das cooperativas, aprovou um plano que era de atuar em duas cadeias produtivas: cadeia do suíno e a cadeia do leite. Eu considero que esse foi uma definição importante, que até hoje permanece como foco. Pode ver que hoje a Frimesa tem foco em duas cadeias produtivas. Ela não fica apostando em várias atividades.
Nós começamos desde a criação do estatuto e dos primeiros projetos, do primeiro planejamento estratégico e foi concebido então que seria construído ou adquirido um frigorífico de suínos, construída uma fábrica de ração e adquirido ou construído laticínios para receber o leite.
Isso evoluiu e logo no segundo ano entraram cinco cooperativas do Oeste do Paraná na Sudecoop, ficando dez cooperativas. Foi adquirido o Frigorífico Medianeira, que era uma massa falida em Medianeira. E essas dez cooperativas administraram o primeiro ano, mas já deu problemas, deu prejuízo.
A gestão não foi muito profissional naquela época e resultou logo no rompimento da sociedade. A central, que tinha dez cooperativas, acabou ficando, no terceiro ano, já com cinco cooperativas, todas do Oeste do Paraná, que são as cinco que hoje fazem parte da Frimesa.
Aí houve uma evolução. Ampliamos os abates. Aqui em Medianeira construímos mais laticínios, principalmente a fábrica de queijos e derivados em Marechal Cândido Rondon, Mais recentemente foi adquirido mais um frigorífico em Rondon. A Frimesa veio crescendo nesse tempo.
Quando ela deu o salto de 1.7 mil cabeças para 6 mil cabeças suíno por dia, que houve também um aperfeiçoamento e uma profissionalização da gestão. Foi criada a função de diretor executivo. Nessa época, o presidente Valter Vanzella assumiu e eu fui convidado a assumir como diretor executivo.

Presidente da Frimesa, Elias José Zydek, em entrevista para o Programa Voz do Cooperativismo com o jornalista e editor-chefe do jornal O Presente Rural, Giuliano De Luca, e Ueslei Schubert Stankovicz, do Departamento de Comunicação e Marketing
Então passaram-se 26 anos dessa minha parceria com o Valter. Nesse período conseguimos, junto com o Conselho de Administração, traçar a visão de futuro dos planejamentos para continuar crescendo. Então é muito gratificante para mim, como um técnico, um profissional participar da criação de um projeto chamado Cooperativa Central e poder chegar hoje na Presidência dessa cooperativa. Isso, de um lado, é uma realização profissional muito grande. De outro lado, é um orgulho em poder participar do cooperativismo e de fazer parte dessa filosofia cooperativista, que é muito forte no Paraná, especialmente no Oeste do Paraná. É motivo de muita satisfação e de realização.
O Presente Rural – Quais são os planos futuros da Frimesa em curto, médio e longo prazos?
Elias Zydek – A Frimesa sempre trabalhou com uma visão de longo prazo. O nosso planejamento estratégico, desde 1.997, tem estabelecido uma visão de dez anos. Em 2015, nós passamos a ter uma visão de 15 anos, quando fizemos um planejamento até 2030. Claro que, conforme o ambiente socioeconômico do país e da região e até do mundo vai evoluindo, você tem que ir atualizando.
Em 2015 fez um grande estudo nas cadeias do leite e do suíno e estabeleceu que ela deveria crescer e que ela deveria chegar entre as três ou quatro maiores empresas de suinocultura do Brasil, porque a gente tinha produtor para produzir, estamos em uma área que produz alimentos, grãos para alimentação de suínos, tecnologia conhecida e o produtor também conhecedor da atividade. O mercado crescente, tanto o mercado interno quanto as exportações. É um produto que a nível mundial é competitivo.
A suinocultura brasileira é competitiva perante os outros países do mundo, continua até hoje. Então ouvimos que tinha a possibilidade de sair de 8.300 cabeças por dia para 23 mil cabeças por dia. Foi aí que se projetou uma unidade nova, de 15 mil cabeças, que é o frigorífico de Assis Chateaubriand, que foi concebido em 2015. Ficamos três anos em projeto e quatro anos em execução. Foi inaugurado em dezembro de 2022. Agora, em 2023, chegou o momento de iniciar as operações. Já após assumir em fevereiro, a gente já fez uma revisão do planejamento estratégico e estabelecemos o Plano Frimesa 2030 deve ocupar 100% da capacidade dos laticínios que nós estamos utilizando hoje, (que está) em torno de 78% da capacidade, além de abate de 23 mil suínos. Isso vai fazer com que o faturamento salte de R$ 5,5 bilhões em 2022 para R$ 12 bilhões em 2030. Para isso, tem que avançar no mercado com projetos específicos de marketing, de comunicação, de distribuição e logística para conseguir colocar isso no mercado.
O Presente Rural – Como é que estão os trabalhos da nova planta frigorífico?
Elias Zydek – O Frigorífico de Assis, conforme planejado, iniciou atividade experimental na metade de março. Começamos fazer os testes e até o fim de março ficou concluída essa parte. Agora em abril nós já estamos abatendo a semana em torno de 1,5 mil suínos por dia e gradativamente vamos aumentando. Até o fim de maio nossa pretensão foi elevar para 4 mil cabeças por dia e também iniciar as operações de cortes de suínos. Então, a partir de maio começamos a fazer os cortes tanto para exportação quanto no mercado interno, dando início assim ao processo de industrialização naquela planta.
Nós teremos até o fim de junho disponível nas cooperativas em torno de 5 mil cabeças por dia. Pretendemos até junho atingir e conseguir absorver essas 5 mil cabeças. Mas até dezembro as cooperativas têm um plano de aumento gradativo, um cronograma de aumento da produção. Têm algumas que estão colocando granjas de produção de leitões desmamados. Tem outras com iniciadores, produtores fazendo isso de forma que até dezembro nós teremos 7,5 mil cabeças por dia de suínos terminados. E é o que a gente pretende absorver nessa primeira etapa. Veja que isso, no planejamento inicial, estava previsto em 2025. Nós estamos antecipando em dois anos o atingimento da primeira fase, que é 50% de capacidade daquela unidade.
O Presente Rural – Este ano a gente teve a entrada de um novo governo federal. Já tivemos o desmembramento do Ministério da Agricultura e Pecuária, sem a Conab, e as invasões de terra começaram a ser um pouco mais intensas no Brasil. Isso traz muita insegurança para a produção. O ministro da Agricultura recentemente atrelou o agro brasileiro à questão do desmatamento. Como isso pode refletir no agronegócio?
Elias Zydek – Você entrou num assunto estratégico, eu diria assim, vital para o agronegócio. Todos esses temas que você levantou são preocupações constantes entre nós do agronegócio. O governo que assumiu a gente sabe que tem uma filosofia um tanto socialista e até que não enxerga como problema o que é problema para quem produz. Isso é preocupante.
Temos que ter um Congresso forte, o trabalho com os deputados, com senadores, para que não haja aumento de tributação. O agronegócio não suporta retirada do que eles chamam de benefícios.
Fala-se no arcabouço fiscal, fala-se em reforma tributária, mas a gente está muito com pé atrás, com receio de que essas reformas sejam no sentido de aumentar a carga tributária. Aí complica para todos.
O Presente Rural – Uma presidência das cooperativas menos homem do campo, vamos dizer assim, e mais executiva. O senhor acha que está surgindo um movimento de um novo modelo de gestão dessas cooperativas?
Elias Zydek – As cooperativas se tornaram e estão se tornando grandes empresas competidoras no mundo, não só no Brasil. E naturalmente isso exige uma gestão cada vez mais apurada, uma gestão cada vez mais profissional. Esse é o desafio do cooperativismo. Se você olhar a história de cooperativas do Brasil todo, e se você olhar as que não deram certo, eu diria que 90% dos casos foi problema de gestão técnica, gestão financeira, gestão econômica e problemas de ordem comercial. Então não tem como não estar preparado para a gestão. Agora, é muito importante que esses gestores tragam em seu sangue o DNA do produtor rural, do meio rural. Acho que esse é o desafio, você conseguir juntar o profissionalismo com o rural. Se você colocar na gestão de uma cooperativa o melhor administrador da indústria de aviões, ele pode conhecer todas as ferramentas de gestão, mas se ele não conhecer a cadeia produtiva, ele não vai conseguir viabilizar. Acho que esse é o grande cuidado que sempre tem que se ter. É de, junto com o profissional, ter o DNA rural.
O Presente Rural – Como o senhor visualiza a economia brasileira nos próximos meses e de que forma isso acaba impactando o agronegócio e as agroindústrias?
Elias Zydek – Eu reuni a minha equipe econômica, financeira e tributária e pedi para eles fazerem um estudo. Qual seria o impacto do plano econômico do novo governo dentro da Frimesa? O grupo se reuniu e devolveu uma pergunta pra mim. Qual é o plano econômico a considerar? E é essa dificuldade de responder. Nós não temos as métricas. Se nós pegarmos a macroeconomia desse novo governo, ele não apresentou ainda como é que vai ser a política cambial, como é que vai ser a política monetária, quais são as taxas de juros e como vai ser a política fiscal, que é a mais importante. Eu tenho muita preocupação com esse novo governo, exatamente com a área econômica.
A entrevista em vídeo você pode conferir na íntegra pelo link opresenterural.com.br/voz-do-cooperativismo-estreia-com-presidente-da-frimesa-elias-zydek.
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Comitê lista ações prioritárias para Programa de Redução de Agrotóxico
Diário Oficial publica responsabilidade de cada instituição.

O Comitê Gestor Interministerial do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) publica na edição desta quarta-feira (4) do Diário Oficial da União iniciativas prioritárias para implementar o plano. 

As medidas tomam por base o Decreto 12.538/2025, que criou o programa, e incluem as ações intersetoriais a serem executadas inicialmente. O plano tem validade para o biênio 2026-2027.
Ao todo, são 31 eixos de atuação, com a participação de mais de dez instituições, como ministérios do Meio Ambiente, da Saúde, Educação; da Agência Nacional de Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Entre os principiais pontos, estão ações para o desenvolvimento de alternativas aos agrotóxicos, formação e qualificação para o uso desses produtos, além de medidas econômicas e fiscais para a redução no uso desses produtos.
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Plataforma com inteligência artificial aprimora diagnóstico da ferrugem asiática da soja
Sistema em nuvem integra dados climáticos, agronômicos e imagens digitais para indicar risco da doença e recomendar manejo técnico.

Cientistas brasileiros desenvolveram uma plataforma para diagnosticar a ferrugem asiática da soja, uma das doenças mais severas que afetam a cultura. A tecnologia integra inteligência artificial (IA) com a análise combinada de dados climáticos, agronômicos e de imagens digitais. O sistema, baseado em nuvem, avalia o risco de ocorrência da doença e gera relatórios com recomendações de manejo técnico, contribuindo para decisões mais precisas no campo.
A ferramenta coleta dados de sensores ambientais, imagens digitais de folhas e parâmetros agronômicos como cultivar, espaçamento e época de semeadura. Os resultados são apresentados em um painel online, que permite aos agricultores acompanhar séries temporais de dados climáticos e imagens de plantas.
O sistema foi desenvolvido como parte do projeto Ferramenta Digital Avançada para Gestão de Riscos Agrícolas , com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ). A iniciativa fez parte do doutorado do cientista da computação Ricardo Alexandre Neves na Universidade Federal de São Carlos ( UFSCar ), com Paulo Cruvinel , pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), como orientador.
O estudo “Um sistema de inteligência baseado em nuvem para análise de risco de ferrugem asiática da soja em culturas de soja” foi publicado em julho de 2025 pela revista AgriEngineering .
A fusão de dados facilita o diagnóstico.
Os cientistas desenvolveram o sistema por meio de pesquisa em fazendas, utilizando um modelo que incorpora variáveis climáticas, dados relacionados a plantas de soja e dados obtidos a partir de imagens digitais de folhas de soja. As variáveis climáticas foram observadas durante o período de monitoramento da área.
“A tecnologia classifica a favorabilidade da doença em três níveis — baixo, médio e alto — dependendo da combinação de variáveis relacionadas ao estágio da infestação. Isso permite diagnósticos e prognósticos para o controle da doença com maior eficácia e precisão”, acrescenta Neves. Segundo ele, o nível de favorabilidade é definido por inferência estatística com base no comportamento do conjunto de variáveis.

Foto: Mateus Dias/Aprosoja MT
Os pesquisadores explicam que o sistema funciona combinando dados. Os principais permitem a análise de fatores essenciais para o desenvolvimento do fungo, como o período de umidade foliar — umidade relativa acima de 90%, na faixa de temperatura entre 15°C e 28°C — ou o ponto de orvalho.
O trabalho utiliza técnicas de processamento avançadas e específicas para extrair informações de imagens digitais de folhas de soja. Padrões de cores, como verde, amarelo e marrom, são associados aos estágios de progressão da doença.
Cruvinel relata que, para integrar os dados, o estudo avaliou dois métodos. Ao final, a escolha para o sistema recaiu sobre o modelo de Cadeias Ocultas de Markov, que proporciona robustez, eficácia e eficiência ao processo de tomada de decisão. Essa metodologia mostrou-se superior à lógica fuzzy, alcançando 100% de precisão na correspondência dos cenários avaliados para o risco de ocorrência da ferrugem asiática em áreas de cultivo de soja.
“O modelo desenvolvido para combinar dados de diferentes variáveis possibilitou estruturar um conjunto completo de regras que considera sistematicamente diferentes situações em que a doença tem probabilidade de ocorrer”, afirma o pesquisador.
Durante o estudo de quatro anos com a cultivar convencional de soja BRS 536 da Embrapa , os pesquisadores utilizaram mais de 2 gigabytes de dados por ciclo de cultivo, considerando informações coletadas em campos reais durante o cultivo, em parcelas georreferenciadas na região de Poxoréu-MT e fotografadas sob índices de luminosidade conhecidos.
Dados disponíveis para agricultores na web
Os relatórios analíticos disponíveis no painel de controle foram compilados com base em vinte anos de dados históricos e permitem a avaliação dos períodos do ciclo de cultivo. O sistema possui uma interface amigável para navegação, pois está organizado com informações básicas de interesse para agricultores e potenciais usuários.
Segundo Cruvinel e Neves, os relatórios visam apoiar a tomada de decisões dos agricultores relativamente à gestão das áreas cultivadas, permitindo avaliar a ocorrência ou ausência da ferrugem asiática e a severidade da doença. Além disso, oferecem recomendações agronómicas baseadas no diagnóstico para o controlo da doença.
Cruvinel acrescenta que os relatórios podem ser encontrados na aba “Recomendações Agrícolas” do painel de controle, onde também há um link para o site AGROFIT , um banco de dados com informações sobre agroquímicos e produtos relacionados que foram registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ) do Brasil , para consulta e seleção de fungicidas recomendados para o controle da ferrugem asiática.
A solução reduz o uso de fungicidas.
Os pesquisadores afirmam que o sistema possibilita monitorar a presença ou ausência da ferrugem asiática da soja, bem como avaliar a dinâmica da ocorrência da doença em diferentes estágios de severidade e risco no processo de produção agrícola.
“O ponto-chave da pesquisa foi criar um método que integre dados heterogêneos para fornecer um diagnóstico mais confiável. Basear-se apenas em imagens ou dados climáticos isolados não é suficiente para uma avaliação precisa, o que pode levar a diagnósticos falso-positivos. Além disso, a solução oferece prevenção e uso racional de fungicidas”, afirma Neves, que atualmente é professor do Instituto Federal de São Paulo ( IFSP ), campus São João da Boa Vista.
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Setor produtivo cobra diálogo sobre jornada de trabalho no Brasil
Entidades empresariais defendem debate técnico e alertam para impactos econômicos e operacionais de mudanças na legislação trabalhista.

A Coalizão de Frentes Produtivas recebeu na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), na terça-feira (03), presidentes e representantes das principais confederações nacionais para discutir a modernização da jornada de trabalho no Brasil. No encontro, parlamentares e lideranças do setor produtivo defenderam que o debate avance com base técnica, diálogo e responsabilidade, diante de riscos como aumento de custos e informalidade.
Ao longo da reunião, deputados e senadores reforçaram que a discussão sobre a modernização da jornada de trabalho é legítima e relevante, mas exige cautela na condução. A avaliação apresentada foi a de que mudanças dessa dimensão precisam considerar diferenças setoriais, impactos econômicos e efeitos sobre o emprego formal.

Presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho: “Precisamos passar que querem que a gente vote uma narrativa eleitoral”
O presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), afirmou que o tema não pode ser tratado apenas sob a lógica da disputa eleitoral, nem ser simplificado diante de sua complexidade. “Precisamos passar que querem que a gente vote uma narrativa eleitoral. O cidadão não vai querer essa proposta quando descobrir que o alimento vai ficar mais caro, o combustível, tudo. Precisamos ser responsáveis com o nosso país e precisamos deixar isso para depois da eleição”, disse.
Já o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), ressaltou a importância de incluir os representantes dos trabalhadores no debate. Segundo ele, sindicatos e empresários compartilham o interesse de proteger os trabalhadores e devem participar da construção de soluções para o tema. “Quero lembrar aos empresários que os sindicatos dos trabalhadores têm o mesmo interesse em proteger os trabalhadores ou deveriam ter assim como os empresários. Eles precisam fazer parte dessa discussão. Se temos a convicção de que determinadas mudanças podem prejudicar os trabalhadores, por que não chamá-los para o debate? Eles precisam estar entre nós”, afirmou.

Deputado Alceu Moreira: “Quero lembrar aos empresários que os sindicatos dos trabalhadores têm o mesmo interesse em proteger os trabalhadores ou deveriam ter assim como os empresários”
O deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, também criticou a polarização em torno do tema e defendeu um debate mais equilibrado. “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população. Temos que debater para que essa armadilha não pegue o povo brasileiro”, afirmou.
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, também destacou a importância da reunião e afirmou que o debate não pode ser conduzido sob a lógica eleitoral. Segundo ele, o foco deve estar no que é melhor para o país.

Deputado Domingos Sávio: “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população”
Durante o encontro, o professor e sociólogo José Pastore fez uma apresentação aos parlamentares e representantes das confederações sobre os possíveis impactos da proposta em discussão. Ele afirmou que a PEC prevê uma redução rápida e impositiva da jornada, sem espaço para negociação, e lembrou que, historicamente, mudanças desse tipo no Brasil ocorreram de forma gradual.
Pastore avaliou que, diante de uma alteração abrupta, setores público e privado tenderiam a buscar mecanismos de ajuste, com efeitos como repasse de custos aos preços, aceleração da automação e redução de postos de trabalho formais, além de aumento da informalidade. “Os trabalhadores mais afetados são os que trabalham 44 horas, que são os mais vulneráveis. Essa nova lei pode, infelizmente, desproteger os trabalhadores”, salientou.
Manifesto

Deputado Júlio Lopes: “Virou proposta de governo nos colocar entre o bem e o mal, como se quem é contra quisesse o mal da população”
O manifesto entregue à Coalizão nesta terça-feira parte da premissa de que o debate sobre a modernização da jornada não deve ser tratado como uma escolha entre qualidade de vida e atividade econômica. Segundo as entidades, os dois objetivos podem avançar juntos, desde que o emprego formal seja preservado como ativo social e que eventuais mudanças sejam construídas com base técnica, previsibilidade e diálogo entre trabalhadores, empregadores e poder público.
O documento também defende que o aprofundamento da discussão ocorra em ambiente institucional propício à construção de consensos duradouros, com análise técnica dos impactos e das alternativas de implementação. Para o setor produtivo, uma agenda dessa dimensão exige tempo político e debate qualificado para acomodar diferenças entre cadeias produtivas, regiões e modelos operacionais.
A presidente-executiva da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA), Tania Zanella, afirmou que o manifesto dá unidade ao posicionamento do setor produtivo e coloca as entidades à disposição para contribuir com a construção de alternativas. “Assinamos e apresentamos hoje esse manifesto para trazer unicidade a essa discussão e estamos juntos para amadurecer e buscar melhores alternativas para essa modernização. O passo é importante, mas a gente precisa de coerência. Esse manifesto coloca o setor à disposição para esse debate”, enfatizou.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, reiterou a necessidade de evitar a redução do tema a narrativas políticas e criticou a condução apressada do debate. “O capital e o trabalho se complementam. Por qual motivo fazer uma discussão tão séria de forma tão açodada? Isso não faz sentido”, ressaltou.
A vice-presidente da Fecomércio, Gisela Lopes, disse que a entidade está alinhada ao manifesto e defendeu mais tempo para discussão, com valorização da negociação coletiva. “Nós temos a negociação coletiva e o assunto em si precisa ser prorrogado para o ano que vem, visto que deve prejudicar muita gente. Estamos de acordo com o movimento por um debate amplo e paciente”, declarou.
Para Cristiane de Oliveira, diretora-presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), o setor financeiro acompanha com preocupação o andamento das discussões no Congresso e considera essencial garantir segurança jurídica nas contratações e negociações. “Se não tivermos equilíbrio no debate, e isso só é possível com diálogo, caso o texto seja aprovado como está e como alguns querem, teremos problema em todos os segmentos”, avaliou.
Na mesma linha, o vice-presidente da Firjan, Antonio Carlos Vilela, afirmou que a indústria vê risco de impactos negativos sobre emprego e preços, caso a proposta avance sem a devida transição. “Nós da indústria estamos alinhados com o setor. O aumento da informalidade e dos preços será absurdo, trazendo inúmeros prejuízos para o país”, disse.
Emprego formal no centro do debate
Segundo o IBGE, em 2025, o Brasil tinha 38,9 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado. Já o Ministério do Trabalho e Emprego registrou estoque de 48,45 milhões de vínculos celetistas em dezembro de 2025, de acordo com o Novo Caged. Embora as bases usem recortes diferentes do mercado de trabalho, ambas apontam para a dimensão do contingente formal que, na avaliação das entidades, deve estar no centro de qualquer mudança na jornada.





