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Avicultura Dia Mundial do Ovo

Associação gaúcha promove uma das maiores campanhas em favor do ovo da história.

Na Semana de Destaque do Dia Mundial do Ovo, lembrado em 12 de outubro, a Asgav promoveu – de 08 a 12 – uma das maiores campanhas já feitas no Brasil em favor dessa proteína.

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Divulgação/ASGAV

O trabalhador dos Correios chega à sede do jornal O Presente Rural, em Marechal Cândido Rondon, PR, na primeira semana de outubro, e faz a entrega de uma encomenda inusitada: uma caixa com 12 ovos. Junto a ela, mini frigideira, livro de receitas e outros mimos. Mas calma, não é uma caixinha qualquer. Os ovos não balançaram no caminhão de encomendas. Na verdade, dentro da caixinha há 12 chaveiros divertidos, que homenageiam profissões e profissionais, e fazem parte de uma abrangente campanha para promover o ovo, lançada a quase 900 quilômetros deste jornal, em Porto Alegre, RS, pela Associação Gaúcha de Avicultura – Asgav/Programa Ovos RS.

Adjetivar a campanha de abrangente não é exagero. Ela não só chega pelos Correios para milhares de instituições e profissionais, como também corre a internet por todo o Brasil e em mais de 60 países. Na Semana de Destaque do Dia Mundial do Ovo, lembrado em 12 de outubro (sempre se comemora na segunda sexta-feira do mês), A Asgav promoveu – de 08 a 12 – uma das maiores campanhas já feitas no Brasil em favor dessa proteína.

Além dos brindes, vídeo institucional em português e inglês, workshops em universidades, degustações em restaurantes e doação de ovos a entidades que cuidam de crianças carentes (estes, sim, de verdade) fizeram parte da campanha conduzida pela Associação. “O feedback foi extraordinário”, aponta o diretor executivo da Asgav e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos.

Uma dúzia de profissões

Para comemorar esta data especial a Asgav/Programa Ovos RS tem como tema principal desta campanha uma homenagem especial a “Uma Dúzia de Profissões Maravilhosas – 1ª Edição”. “Há vários anos a Asgav vinha fazendo ações na semana do dia mundial do ovo, sendo uma das precursoras dessa atividade. Sempre com campanhas mostrando propriedades nutricionais do ovo, tirando mitos do colesterol, fazendo o corpo a corpo com nutricionistas, compartilhando conhecimento com outros estados, como Bahia, Paraná, Goiás, Minas Gerais. entidades que também fazem esse trabalho”, conta Eduardo.

A novidade veio em 2018. “Nossa campanha deste ano foge um pouco do trivial. Muitas instituições estão desenvolvendo um trabalho muito bom na divulgação das propriedades nutricionais e qualidades do ovo. Desta vez, estamos homenageando uma dúzia de profissões maravilhosa, em sua primeira edição. Homenageando profissionais que de alguma forma desenvolvem e executam suas funções e certamente precisam de uma alimentação rica em vitaminas e nutrientes, e certamente o ovo é fonte certa para esta alimentação. O ovo é de fácil acesso, é versátil e de fácil preparo” afirma o diretor executivo.

Filme

O Programa Ovos RS/Asgav promoveu e apoiou uma série de atividades para divulgar um dos alimentos mais ricos em nutrientes e acessível ao bolso de todos os brasileiros. As ações alusivas em comemoração ao Dia Mundial do Ovo, começaram no dia 08, com o lançamento oficial do vídeo da campanha em 3D “Uma Dúzia de Profissões Maravilhosas” nas mídias digitais do Brasil, lançamento simultâneo com dezenas de perfis e páginas das redes sociais dos parceiros, membros e seguidores do Programa Ovos RS. “Fizemos um verdadeiro tsunami virtual nas redes sociais e web com lançamento deste vídeo que valoriza e destaca ovo como um alimento saudável, aliado à nutrição das pessoas e de diversos profissionais” avalia a liderança.

De acordo com ele, as ações desenvolvidas pelo Programa Ovos RS têm conquistado apoio e simpatia de diversos estados do Brasil e a coordenação do programa tem compartilhado experiências e trocado informações com produtores e entidades destes estados. O vídeo, traduzido em inglês, será exibido pelas associações de produtores de 60 países, alcançando feito inédito na propagação da campanha. “A Organização Mundial do Ovo, a qual a Asgav faz parte, vai publicar nosso vídeo nas redes sociais e YouTube em mais de 60 países, além, é claro, da massificação aqui no Brasil. É um alcance fantástico”, avalia o diretor da Asgav. “Valoriza o setor e valoriza o produto, além de valorizar os profissionais que atuam no meio social”, argumenta.

Workshop e degustação

Além deste lançamento, foram realizadas degustações de refeições a base de ovos em simpósios e workshops em cinco grandes universidades do Rio Grande do Sul. Essas atividades começaram pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) passaram para a Universidade de Passo Fundo (UPF), onde mais de 400 acadêmicos participaram.  Em continuidade as comemorações da Semana do Dia Mundial do Ovo, foi realizado ontem (09) o “Evento do Dia do Ovo’’ na Universidade de Passo Fundo (UPF), o qual foi um sucesso e contou com a participação de mais de 400 pessoas entre alunos, funcionários e professores. Cerca de 900 ovos foram consumidos em lanches servidos no egg break, entre fritos, cozidos e omeletes. Em Porto Alegre, em um momento de descontração foi realizado um “egg brunch especial’’ no estabelecimento Eggs Concept, que oferece um cardápio bem variado a base de ovos.

Um programa técnico marcou a programação, com a realização do 1º Workshop Dia Mundial do Ovo, no Centro Universitário Ritter do Reis (Uniritter), replicado na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, RS. No Centro Universitário Metodista IPA em Porto Alegre, o evento teve como tema “Dia Mundial do Ovo – Aspectos Nutricionais do Ovo e Aplicação em Cardápios”. Na Faculdade de Agronomia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aconteceu a ação “Porque o Ovo é um Alimento Muito Especial”. “Atingimos seis universidades espalhadas pelo Rio Grande do Sul”, diz Eduardo.

O programa de ações incluiu ainda almoço especial no Restaurante Ovo Gastronomia, em Porto Alegre, restaurante onde o ovo é destaque no menu oferecido.

Brindes e doações

De 12 à 14 de outubro a Asgav/Programa Ovos RS apoiou com brindes e informações o 4º Festival do Ovo, na cidade de Salvador do Sul, RS. Atividades assistenciais também foram feitas na semana comemorativa, com a doação de centenas de livros de atividades Ovos RS com lápis de colorir, doação de milhares de ovos destinados às crianças e adolescentes atendidos por entidades assistenciais e escolas. “Essa ação atingimos mais de cinco mil crianças”, aponta o diretor executivo.

Os brindes, como aqueles que chegaram pelos Correios na sede de O Presente Rural, incluem mini frigideiras, omeleteiras, chaveiros das 12 profissões homenageadas, réguas, livros de receitas, marcadores de páginas, camisetas e bonés. “Todas as ações promocionais levam mensagens positivas e verdadeiras sobre o ovo como um alimento funcional e rico em vitaminas”, destaca.

RS consome mais que média nacional

As ações que a entidade de classe promove no Rio Grande do Sul, extensivas ao Brasil, parece surtir efeito. Dados apontam que o gaúcho consome mais ovos que a média nacional. São 227 ovos/per capita/ano, contra 212 da média brasileira, segundo José Eduardo dos Santos. Nosso consumo foi atualizado no final de 2016, pela Fiergs (Federação da Indústria do Estado do Rio Grande do Sul) em 227 ovos por habitante ao ano. A média brasileira, divulgada recentemente pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), é de 212 unidades por brasileiro.

“Atribuímos esse consumo maior no Rio Grande do Sul a esse trabalho continuo, desde 2012, de incentivo e promoção ao consumo de ovos. Vamos atualizar nossa média no fim deste ano. Acredito que vamos subir um pouco mais”, destaca o executivo.

O executivo convida, para o ano que vem, lideranças de todo o Brasil, empresas de insumos, equipamentos, produtores, a participar, de 16 a 19 de junho, em Gramado, RS, da 2º Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos. “Será um fórum de debate de lideranças do brasil todo e do exterior. É mais uma ação em favor do ovo”, menciona José Eduardo.

A Asgav/Programa Ovos RS é associada da International Egg Comission (Comissão Internacional do Ovo, na tradução livre) e Organização Mundial da Indústria e Produção de Ovos, com sede em Londres e que congrega mais de 60 países ao redor do mundo.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online. (NO “ONLINE” LINKAR COM http://www.flip3d.com.br/web/pub/opresenterural/?numero=163&edicao=4504)

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Avicultura Opinião

Óleos essenciais se apresentam como opção aos antibióticos promotores de crescimento na alimentação de aves de corte

As plantas medicinais e seus óleos essenciais constituem-se em uma possibilidade de uso na dieta dos animais

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Christiane Fernanda de Queiroz Matias, PhD, MSC, gerente técnico-comercial da Biomin

O Brasil é o maior exportador e o segundo maior produtor mundial de carne de frangos. Em 2018, o país produziu mais de 13 milhões de toneladas e exportou 4,1 milhões/t. Para se manter nesta posição, o país precisa atender às necessidades e demandas dos consumidores e às legislações ou barreiras internacionais que têm se tornado cada vez mais exigentes.

Nesse sentido, está em xeque a utilização de antibióticos promotores de crescimento. já que regulamentações internacionais e nacionais têm proibido ou restringido a utilização desses medicamentos na produção alimentícia. Além disso, cresce a conscientização dos consumidores e aumenta a demanda por produtos mais naturais e que tendem a oferecer menores riscos à saúde humana.

Nesse contexto, as plantas medicinais e seus óleos essenciais constituem-se em uma possibilidade de uso na dieta dos animais.

Os óleos essenciais podem ser utilizados como matérias primas em diversas indústrias, em especial alimentícia, farmacêutica e de perfumaria. Por definição, são substâncias lipossolúveis, voláteis e de baixo peso molecular, que fazem parte do metabolismo secundário das plantas. Eles apresentam diversas propriedades, sendo que a ação depende das espécies de plantas utilizadas, e podem atuar como promotores de crescimento, antibacterianos, anti-inflamatórios, antiparasitários, antioxidantes e imunomoduladores. Além disso, estimulam a secreção de enzimas digestivas e melhoram a motilidade intestinal, aumentando a digestibilidade e a absorção dos nutrientes.

Diversos tipos de óleos essenciais podem ser adicionados em rações de frangos, sendo os principais: óleos de orégano, tomilho e canela. O óleo de orégano possui como principal princípio ativo o composto fenólico carvacrol, enquanto o tomilho e a canela possuem o timol e o cinamaldeído, respectivamente, como principais princípios ativos. Dentre os diversos compostos que podem estar presentes na composição dos óleos essenciais, o timol e o carvacrol destacam-se devido às suas pronunciadas atividades antimicrobianas. Estes compostos possuem várias propriedades biológicas importantes, sendo comumente utilizados como antibacterianos, anti-inflamatórios, antioxidantes, antifúngicos e anticarcinogênicos.

Atividades antibacterianas

O carvacrol e o timol agem sobre a membrana celular bacteriana, impedindo a divisão mitótica e reduzindo a sobrevivência de bactérias patogênicas. Pesquisadores já observaram efeito inibitório frente às bactérias gram-positivas e gram-negativas, especialmente Escherichia coli, quando da utilização do óleo essencial de orégano. A atividade antibacteriana desse óleo está relacionada à melhoria de desempenho produtivo de frangos de corte.

Atividades anti-inflamatórias

O principal mecanismo de ação anti-inflamatória do timol está relacionado à sua capacidade de inibir a produção de determinadas citocinas inflamatórias. Já o carvacrol possui atividade anti-inflamatória associada também à ativação dos receptores proliferadores de peroxissoma.

Melhoria da digestibilidade dos nutrientes

Há diversos relatos de melhoria na função digestiva de frangos com o uso de dieta contendo óleos essenciais. Este efeito pode estar diretamente relacionado ao aumento de produção de enzimas digestivas, ocasionando melhor desempenho zootécnico.

Estudos comprovam que a adição de óleos essenciais à base de orégano, canela, pimenta e tomilho em rações de frangos de corte proporciona melhor digestibilidade da matéria seca e de proteína bruta aos 42 dias de idade, quando comparado com o grupo controle.

Substituição aos promotores de crescimento

Óleos essenciais (capsaicina, carvacrol, timol, eugenol e cinamaldeino) promovem redução de lesões no ceco de frangos tratados, além de controle da população de Clostridium perfringens, reduzindo a contagem em duodeno, jejuno, íleo e ceco. Isso ocorre porque os componentes presentes nos óleos essenciais estimulam a produção de enzimas, provocando melhoria na digestibilidade dos nutrientes, que consequentemente auxilia a estabilização da microbiota intestinal.

A literatura científica tem mostrado os efeitos benéficos dos óleos essencias na melhoria da saúde intestinal e desempenho na produção avícola. Por exemplo, o extrato de orégano foi testado como aditivo substituto ao promotor de crescimento em frangos de corte. Não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos quanto aos resultados de desempenho, qualidade da carcaça, avaliação anátomo-fisiológica do trato digestivo e bactérias encontradas no ceco das aves.

Também foi realizado estudo do efeito da adição do óleo essencial à base do timol em rações de frangos. Os resultados de peso final e conversão alimentar foram semelhantes aos do grupo controle, com adição do antibiótico colistina.

Adicionalmente, avaliou-se o efeito da utilização de óleo essencial de orégano na alimentação de frangos de corte, em combinação ou não com coccidiostático, frente ao uso de bacitracina de zinco como promotor de crescimento. Conclusão: o aditivo fitogênico pode ser utilizado como substituto ao melhorador de desempenho.

O fato é que os óleos essenciais têm se apresentado como uma promissora alternativa ao uso de promotores de crescimento. As características destes compostos, como baixa toxicidade, solubilidade, facilidade de obtenção e resultados benéficos a campo são os principais fatores responsáveis pelo destaque dado a esses aditivos.

O principal mecanismo de ação destes compostos, para atuarem como antimicrobianos, está relacionado aos efeitos prejudiciais à membrana celular dos microrganismos patógenos. Os efeitos benéficos desses compostos também apresentam-se associados à diminuição das inflamações, uma vez que estimulam a liberação de citocinas anti-inflamatórias, que suprimem a ativação dos mediadores inflamatórios das células do sistema imunológico.

Para escolher o óleo essencial ideal, é preciso, primeiramente, definir a finalidade de utilização do produto, tendo como foco o desempenho das aves ou sua saúde intestinal. Desta forma, como critérios de seleção recomenda-se considerar: composição, concentração, atividade biológica dos princípios ativos e resistência a temperaturas de processamento. É importante ter ciência de que um mesmo princípio ativo pode ser encontrado em diversas plantas em concentrações diferentes e uma mesma planta pode conter mais de um princípio ativo. Assim, é de fundamental importância investigar as atividades de misturas de óleos essenciais sobre o metabolismo de frangos de corte.

Fonte: Assessoria
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Avicultura Paraná

Exportação avícola para China em maio é 110% superior ao mesmo mês de 2018

Embarques de carne de frango para o país superaram 28 mil toneladas no período

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Arquivo/OP Rural

A necessidade crescente de importação de proteína animal pela China, devido aos problemas de peste suína que afetaram o país, mas também pela sua grande população, tem tornado os asiáticos um parceiro comercial cada vez mais importante para a indústria avícola paranaense. Só em maio, 28,7 mil toneladas de carne de frango foram embarcadas para a China pelo estado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

O número é aproximadamente 110% superior ao volume exportado no mesmo mês do ano passado, quando 13,5 mil toneladas foram enviadas. Em comparação a abril de 2019, o aumento foi de 40% (20,4 mil toneladas). Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, a tendência é que novas plantas sejam habilitadas para exportar ao país asiático.

“Após a visita da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, à China, a expectativa é de que mais indústrias, incluindo as de frango, sejam habilitadas a embarcar para o país. É uma necessidade que mais empresas possam exportar para eles, isso porque são quase 1,5 bilhão de habitantes que demandam alimentos”, destaca Martins.

Ainda de acordo com o levantamento da Secex, o volume total de exportação de carne de frango no Paraná em maio de 2019 foi de 143 mil toneladas, 21% superior ao mesmo mês do ano passado (127,6 mil toneladas). No acumulado, o estado já embarcou 621,7 mil toneladas este ano, ante 600,1 mil toneladas em 2018, uma elevação de 3,6%.

Segundo Martins, o mercado internacional é instável, apresentando altos e baixos, por isso é importante que o setor avícola paranaense continue sempre atento a todos os seus detalhes e evoluções. “Precisamos ter o cuidado voltado exclusivamente para a produtividade, sanidade e qualidade do que produzimos, assim somos imbatíveis”, complementa o presidente do Sindiavipar.

Produção

No mês de maio, a produção chegou a 161 milhões de cabeças de frango no estado, de acordo com números do Sindiavipar. Com isso, o acumulado no ano é de 773,3 milhões de abates, volume 7,8% superior em relação ao período de janeiro a maio de 2018, quando 717 milhões de cabeças foram produzidas. A expectativa do Sindicato é que neste ano o setor apresente um crescimento em torno de 5% tanto em produção como exportação.

Fonte: Assessoria
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Avicultura Bem-estar animal

Produtor de ovos deve se orientar pelo consumidor, não por ONGs, alerta Santin

Bem-estar animal é importante fator na produção de ovos, e que vem sendo muito discutido. Entidades defendem que a forma de produção deve ser feita para atender ao que o consumidor está exigindo

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Arquivo/OP Rural

A produção de ovos no Brasil vem aumentando anualmente. Segundo dados divulgados em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da pesquisa de Estatística da Produção Pecuária, em 2018 o país produziu 3,6 bilhões de dúzias de ovos de galinha, um aumento de 8,6% em relação a 2017. Para produzir tanto ovo são necessários dois itens importantes: demanda vindo do consumidor e trabalho duro do avicultor. Estes dois itens andam de mão dadas para atender a toda a cadeia produtiva.

Um ponto importante que vem sendo muito cobrado sobre mais informações do consumidor é quanto ao bem-estar animal, como estes ovos são produzidos. Dessa forma, para atender a todos os mercados, diferentes formas de produção vêm acontecendo: tradicional, cage-free, free-range, entre outras. “Nós respeitamos todas as formas de produção. São opções do consumidor, as alternativas e formas como ele quer que seu alimento seja produzido. Nós, como setor, apoiamos todas as formas. Porém, não existe uma que seja melhor que a outra”, opina o diretor executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e presidente do Conselho Diretivo do Instituto Ovos Brasil, Ricardo Santin.

Segundo o diretor, algo que o setor de produção de proteína animal vem enfrentando bastante, principalmente nos últimos anos, é quanto a grande exigência de bem-estar animal na produção da proteína, inclusive de ovos. “Existe uma opinião que às vezes vem do consumidor, às vezes de ONGs, no sentido de novas formas de produção que alguns entendem que são melhores formas de bem-estar. Porém, é importante entender que o bem-estar não se compõe somente de uma galinha estar ou não em determinada forma de criação, ou seja, ser livre ou não de gaiolas”, afirma.

Ele explica que é necessário que todos entendam que o bem-estar animal envolve diversos elementos, e não somente um único ponto. “BEA envolve também não faltar comida, estar em um ambiente com uma temperatura térmica adequada, ter cuidados sanitários, não deixar o animal ficar doente, e se ficar que não sofra. Tem uma série de itens e eles devem ser atendidos todos da mesma forma”, comenta.

Em relação à produção dos ovos, de acordo com Santin, isso varia bastante quanto ao mercado que está sendo atendido, ou seja, ao que o consumidor está buscando no momento da compra da proteína. “Há nichos de mercado em que os consumidores dizem querer ovo somente de galinhas de penas vermelhas, ou seja, o ovo vermelho. É sabido que o ovo vermelho e o branco têm absolutamente as mesmas características organolépticas e nutricionais, mas tem a cor diferente. Um é mais caro que o outro. Mas tem a ver com o que o consumidor quer”, comenta. Ele explica que o que a ABPA e o Instituto Ovos Brasil desejam mostrar é que as entidades respeitam todos os sistemas de produção. Porém, esta produção não pode ser determinada por um pequeno grupo de pessoas. “É o consumidor quem manda. Ele, quando compra e paga, muitas vezes mais pelo produto, é quem decide como vai ser. Então, se o consumidor não quer exercer esse pagamento a mais por conta deste tipo de produção, não é um pequeno grupo que vai determinar como o avicultor vai produzir ou como o consumidor vai consumir”, afirma.

Para Santin, este é o ponto principal que deve ser discutido na cadeia. “É importante frisar que não somos contra o bem-estar animal, bem o contrário disso. Não somos contra os protocolos de bem-estar. Nós buscamos atender ao máximo ao que é exigido. Mas é necessário ter atenção de que primeiro temos que pensar na eficiência disso, além da necessidade que temos em alimentar o Brasil e o mundo”, defende.

Consumidor decide

Ele justifica que atualmente o avicultor está produzindo uma proteína que é acessível a toda a população, essencial para o bom desenvolvimento das crianças e que ajuda na velhice. “E vem um pequeno grupo que exige que a proteína seja produzida de uma determina forma ou outra, fazendo assim com que o produto fique mais caro e as pessoas, principalmente de baixa renda, não consigam mais consumir”, afirma. Segundo ele, é este tipo de exigência que as entidades não irão permitir que sejam impostas sobre o produtor. Santin destaca que atender a determinadas exigências faz com que o custo de produção do avicultor aumente, e assim, consequentemente, também o custo que é repassado ao consumidor.

O diretor reitera que o avicultor está atendendo as normas mínimas de bem-estar animal. “Eu não estou falando que fazer cage-free ou free-range não é bem-estar. Mas temos que ver certos pontos que são importantes”, destaca. Entre os detalhes citados por ele estão, por exemplo, na utilização do free-range o produtor abrir mão da sanidade, uma que vez que ele perde o controle de contato com aves silvestres, doenças ou mesmo com algo que o frango pode vir a comer.

De acordo com Santin, o setor de produção da proteína deve entender que é necessário produzir aquilo que o consumidor quer comprar. “Nessa forma de produção, se vou fazer em gaiolas, cage-free, free-range ou orgânico, o importante é fazer da forma que o cliente irá comprar e da forma que ele está disposto a pagar. O setor como um todo vai produzir o que o consumidor quer, e não o que alguns poucos vão dizer como deve ser feito”, afirma.

O ovo no Brasil

Além do aumento de 8,6% na produção de ovos, o Brasil vem também aumentando anualmente o seu consumo per capita da proteína. “O crescimento do consumo nos últimos 10 anos foi bastante significativo. Há uma década o consumo era de aproximadamente 120 ovos per capita. Hoje esse número aumentou para 212 ovos per capita. Isso, principalmente, porque caiu o mito de que o ovo produz colesterol, de que é uma proteína que faz mal”, comenta. Santin afirma que existe algo chamado qualificação de consumo, e atualmente o consumo de ovo pelo brasileiro é bastante qualificado, já que as pessoas comem ovo porque sabem que faz bem.

O diretor informa que o objetivo é fazer com que o país melhore a exportação de ovo, seja in natura ou processado. “Porque hoje ele é menor que 1%”, diz. Este é um quesito que vem sendo muito trabalhado para acontecer, conta Santin. “O país tem esse potencial. O Brasil, quando se trata de produzir alimentos, sempre tem um potencial bastante impressionante, relevante e positivo. Na exportação de ovo, que ainda não é tão relevante, o país tem potencial de crescer. Vamos investir, buscando que isso aconteça”, finaliza.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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