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Associação de criadores aposta em 2021 como estratégico para expansão das raças Murray Grey e Greyman no Brasil

Há 13 anos no país, gado de corte de origem australiana vem conquistando novos criadores e surpreendendo o mercado consumidor

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De origem australiana, o rebanho de bovinos Murray Grey está em franca expansão no Brasil. A raça foi introduzida no país em 2008, nos pastos da Região das Missões, no Rio Grande do Sul. Hoje, está presente também em cruzamentos nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Mato Grosso e Goiás. São cerca de 50 pecuaristas que apostam nos exemplares de pelagem clara, que têm como principais características rusticidade, precocidade, docilidade, boa conversão alimentar e carne de ótima qualidade.

“2021 é um ano importante, estamos vendo um horizonte amplo para o Murray Grey. Na medida em que vamos trabalhando com a raça, temos resultados melhores. Também é muito gratificante ver a satisfação dos novos criadores, é uma raça que está nos levando a um futuro melhor”, afirma Luiz Carlos Ardenghy Sobrinho, presidente da Associação Brasileira de Murray Grey e Greyman (ABMGG).

O primeiro exemplar Murray Grey foi resultado do cruzamento de touro Aberdeen Angus com vaca White Shorthorn. Tudo começou na Austrália, entre 1903 e 1905, quando ocorreu uma grande seca e os pecuaristas foram para outras ilhas do país, em busca de gado para repor os rebanhos. Em meio aos exemplares, trouxeram uma vaca Shorthorn rosilha que, segundo a lenda, teria tido 14 crias, todas de pelagem branca. A nova raça, que se criou e desenvolveu no Vale do Rio Murray, é hoje um dos carros-chefe da carne australiana.

Foi o próprio Ardenghy, pecuarista em Palmeira das Missões (RS), quem começou o primeiro criatório brasileiro, depois de uma visita à feira de Palermo, na Argentina. “Aqueles animais com mucosa preta chamam a atenção, o biótipo um pouco maior que as outras raças, mas sem deixar de ser perto do chão, fiquei impressionado. Pesquisei, conheci e aprendi com criadores ‘hermanos’ e cada vez gostava mais, até decidir que seria uma grande ferramenta para trazer ao Brasil”, recorda o dirigente. “Eu trouxe animais em pé e sêmen da Argentina, começamos a criação de maneira lenta, bem racional. Depois busquei outros animais em pé, no Uruguai. Podemos dizer que a chegada dos primeiros exemplares ao Brasil foi favorecida pela proximidade, que facilitou também a importação”.

Com o passar do tempo, começaram também os cruzamentos, sempre a campo, com excelentes resultados, como o Greyman (com Brahman), Nelogrey (Nelore), Heregrey (Hereford) e Senepol, que se expandem pelo território nacional. Um bom exemplo ocorre em Cabixi, município de seis mil habitantes em Rondônia, na fronteira com a Bolívia. Através de uma parceria com o pecuarista Luiz Carlos Ardenghy, o criador Carlos Henrique Andrade de Carli, o zootecnista Vinícius Paiva da Silva e o veterinário Wilian Boni, juntos, começaram um criatório de cruzas Greyman. Os produtores comemoram bons resultados com a engorda de animais sintéticos, a precocidade dos animais surpreendeu Carli: “É um gado que emprenha cedo, a bezerrada tem cinco meses e já corre atrás de uma novilha que manifesta o cio. Se deixar, as fêmeas pegam cria muito cedo, achamos melhor cuidar até os 15 meses. Essa raça ainda vai longe”, diz. E adiciona itens como produtividade, tolerância ao calor e excepcional qualidade da carne, com baixo teor de gordura na área subcutânea, à lista de vantagens do Murray e seus cruzamentos.

A carne diferenciada do Murray Grey começa a conquistar, também, o mercado. Especialista no assunto, Leonardo Albuquerque chama a atenção para dois pontos. “A conformação das carcaças apresentam maior volume de posterior e dianteiro, ou seja, mais massa de carne e mais peso. Destaco ainda o acabamento e seu impacto nos cortes, já que as carcaças de Murray têm níveis de gordura 3 e mais peso que outras raças no mesmo padrão. Elas apresentam menos gordura depositada nas costelas, por exemplo. São diferenciais importantes para um açougue, porque o aproveitamento é maior”, explica Albuquerque, sócio-proprietário do Mercado do Bairro, em Porto Alegre (RS). O espaço, que reúne a clássica parrilla e uma casa de carnes de cortes especiais, oferece com exclusividade os cortes nobres para o mercado gaúcho.

A carne do dianteiro, vista com desconfiança por uma parcela dos consumidores, é recomendada pelo empresário. “Surpreendeu pela qualidade e aproveitamento, pois conseguimos explorar todos os cortes australianos consagrados e que fazem a diferença. Isso é bom, tanto para a gente, que gosta de recomendar e difundir novidades, quanto para os clientes que estão ávidos por conhecimento, novos sabores e técnicas. Dianteiro de Murray Grey é um “prato cheio”, afirma.

Albuquerque destaca, ainda, uma exigência que vem aumentando por parte do consumidor. “O marmoreio é grande, mesmo em carcaças de novilhos superprecoces. A satisfação do nosso cliente é total e são eles que estão difundindo a carne, quem prova o Murray aprova e recomenda”, garante.

Fonte: Assessoria

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Agro paulista fecha 2025 com superávit de US$23 bilhões

Setor respondeu por 40,5% das exportações do Estado de São Paulo no ano, mesmo em cenário de instabilidade internacional.

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Foto: Shutterstock

O agronegócio paulista manteve desempenho robusto no comércio exterior em 2025 e registrou superávit de US$ 23,09 bilhões, mesmo diante do impacto do tarifaço norte-americano no segundo semestre do ano. As exportações do setor somaram US$ 28,82 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 5,73 bilhões. Os dados são de levantamento da Diretoria de Pesquisa do Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento de SP.

De janeiro a dezembro de 2025, o agronegócio respondeu por 40,5% do total exportado pelo Estado de São Paulo, reforçando sua relevância para a economia paulista. Já as importações do setor representaram apenas 6,6% do total estadual.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Geraldo Melo Filho, os resultados evidenciam a robustez e a competitividade do agro paulista no cenário internacional. “O desempenho das exportações em 2025 confirma a relevância estratégica do setor para São Paulo. São números que traduzem geração de renda, ampliação de oportunidades e impacto direto no crescimento econômico do estado”, destaca.

Principais produtos exportados

O complexo sucroalcooleiro liderou a pauta exportadora do agro paulista em 2025, com 31% de participação e US$ 8,95 bilhões em vendas. Desse total, 93% correspondem ao açúcar e 7% ao etanol.

Na sequência, o setor de carnes respondeu por 15,4% das exportações, com US$ 4,43 bilhões, tendo a carne bovina como principal item (85%). Os sucos representaram 10,4%, com US$ 2,98 bilhões, praticamente concentrados no suco de laranja (97,9%).

Os produtos florestais somaram US$ 2,97 bilhões (10,3%), com destaque para celulose (55,8%) e papel (35,5%). Já o complexo soja respondeu por 8% das exportações, com US$ 2,32 bilhões, puxado pela soja em grão (77,9%) e pelo farelo de soja (16,7%).

Esses cinco grupos concentraram, juntos, 75,1% das exportações do agronegócio paulista. O café aparece em seguida, com 6,3% de participação e US$ 1,82 bilhão, sendo majoritariamente café verde (77%) e café solúvel (19,3%).

Na comparação com 2024, houve crescimento nas exportações de café (+42,1%), carnes (+24,2%) e complexo soja (+2%). Já os grupos sucroalcooleiro (-28,4%), produtos florestais (-5,2%) e sucos (-0,7%) registraram retração, reflexo das oscilações de preços e volumes exportados.

Principais destinos

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

A China foi o principal destino das exportações do agro paulista em 2025, com 23,9% de participação, seguida pela União Europeia (14,4%) e pelos Estados Unidos (12,1%), este último com crescimento de 0,6% em relação a 2024.

O impacto do tarifaço norte-americano, iniciado em agosto, provocou queda nas exportações para os EUA ao longo do segundo semestre: 14,6% em agosto, 32,7% em setembro, 32,8% em outubro e 54,9% em novembro. Parte dessa redução foi compensada pela ampliação das vendas para mercados como China, México, Canadá, Argentina e União Europeia.

A retirada das tarifas sobre determinados produtos brasileiros foi anunciada em 20 de novembro, com a isenção de itens como café, frutas tropicais, sucos, cacau, banana, laranja, tomate e carne bovina. Para o diretor da APTA, Carlos Nabil, a expectativa é positiva:

“Nos últimos três anos, as exportações para os Estados Unidos apresentaram crescimento consistente, o que reforça a perspectiva de retomada do fluxo comercial”, avalia.

Destaque nacional

No cenário nacional, o agronegócio paulista respondeu por 17% das exportações do setor no Brasil em 2025, ocupando a segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso (17,3%).

Fonte: Assessoria APTA/SAA
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Eventual sanção dos EUA ao Irã não deve afetar o Brasil, avalia governo

Comércio restrito com o Irã e cenário internacional complexo sustentam avaliação de baixo impacto para a economia brasileira.

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Foto: Shutterstock

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que uma eventual sanção dos Estados Unidos ao Irã, conforme anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, não deve trazer impactos relevantes para o Brasil. “Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. Países europeus exportam para o Irã, a maioria dos países tem algum tipo de exportação. No Brasil, nossa relação comercial com o Irã é pequena”, disse.

Foto: Jonathan Campos

Segundo Alckmin, a proposta de uma super tarifação enfrenta obstáculos práticos e políticos. “A questão da super tarifação é difícil de ser aplicada. Você teria que aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus”, afirmou.

O ministro destacou ainda que, até o momento, não houve a edição de uma ordem executiva pelo governo norte-americano que efetivamente imponha sanções ao Irã. “Esperamos que não seja aplicada. Porque imposto de exportação é imposto regulatório, é outra lógica. E isso valeria para o mundo inteiro”, ressalta.

Ao citar o comércio europeu com o país do Oriente Médio, Alckmin reforçou que a relação não é exclusiva de economias emergentes. “A Europa, por exemplo, também exporta para o Irã. A Alemanha, muitos países têm comércio exterior”, explicou, complementando: “Vamos torcer, trabalhar para que isso não ocorra”.

O vice-presidente também ressaltou o posicionamento histórico do Brasil no cenário internacional, afirmando que o país não mantém

Foto: Claudio Neves

litígios e tem tradição diplomática pacífica. “No Brasil, a última guerra tem mais de um século. O Brasil é um país de paz e, sempre que pode, atua promovendo a paz. O que nós queremos é paz. Guerra leva à morte, leva à pobreza. É a falência da boa política”, enfatizou.

Para Alckmin, o atual contexto internacional exige maior protagonismo brasileiro. Ele classificou o momento como delicado para o mundo, mas estratégico para o país. “Vamos promover a paz, fortalecer o multilateralismo, tratar de melhorar a vida do povo através do emprego e da melhora de renda. Esse é o bom caminho e é isso que o Brasil está trilhando”, reforçou.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Drones ganham escala no campo e desafiam a hegemonia dos aviões agrícolas

Equipamentos já entregam o mesmo desempenho, com mais segurança e menor custo operacional.

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Foto: Lucas Fermin/SEED

A evolução tecnológica dos drones profissionais é tão notória que não se questiona mais se os drones substituirão os aviões agrícolas. A questão que se coloca agora é quando isso acontecerá. E a resposta pode ser surpreendente: os drones já são capazes de fazer o mesmo trabalho que os aviões de pulverização e a um custo muito mais baixo e de forma mais segura para as pessoas.

A última fronteira para os drones de pulverização são mesmo os aviões. Isso porque eles se tornaram mais vantajosos do que os métodos tradicionais no campo para aplicação de defensivos agrícolas, fertilizantes e outros insumos, como pulverização costal, equipamento e produtos carregados nas costas pelos trabalhadores, pulverização de arrasto feita por tratores e pulverização de autopropelidos, grandes máquinas agrícolas.

Mais do que a capacidade, que cresceu consideravelmente nos últimos anos, saindo de reservatórios de 20 litros para atuais que superam os 100 litros, o que permite aos drones competir em igualdade com os aviões é o chamado ‘voo em enxame’, que é a operação de mais de um equipamento ao mesmo tempo a partir de uma única estação de pilotagem. Dessa maneira, os drones podem trabalhar sobre uma área maior que antes era alcançada somente por aviões agrícolas. “A possibilidade de vários drones operarem como enxame de forma automática monitoradas por um piloto remoto apenas e dos avanços tecnológicos permitirem a operação em áreas maiores para a aplicação de defensivos vão garantir a supremacia das aeronaves remotamente pilotadas na agricultura”, afirma o engenheiro cartógrafo, Emerson Granemann.

De acordo com um estudo da ResearchAndMarkets, o setor de drones agrícolas vai crescer exponencialmente nos próximos anos. De um mercado de US$ 2,68 bilhões em 2024, vai saltar para US$ 80,94 bilhões em 2034, com um crescimento anual de 40,6% no período entre 2025 e 2034. No Brasil, calcula-se que existam 35 mil drones de pulverização em operação, em 2021 a estimativa era de 3 mil drones.

Fonte: Assessoria MundoGEO
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