Notícias No Rio Grande do Sul
Asgav apresenta balanço inicial da campanha que incentiva consumo de carne de frango
Ação visa estimular a população a comprar o produto de empresas que atuam no Rio Grande do Sul.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) divulga o balanço de dez dias da campanha “Carne de frango: Valorize as marcas do nosso Estado”. A ação tem o objetivo de estimular o consumo de carne de frango produzida por empresas que atuam no Rio Grande do Sul. Para atingir esse fim, foi elaborado um planejamento de ações promocionais nas redes sociais da entidade e nos principais veículos de comunicação do Estado. Iniciada no dia 9, a campanha alcançou 405 mil pessoas com apenas quatro publicações nas redes sociais da entidade, um número que superou a expectativa inicial.
A divulgação contempla as principais rádios de Porto Alegre e do interior do Estado, jornais, sites, outdoors e
frontlights em diversas cidades consideradas estratégicas para incentivar o consumo. Esse conjunto de atividades visa fortalecer a importância da carne de frango oriunda das 18 indústrias associadas à entidade, que produzem aproximadamente 1,7 milhão de toneladas por ano no Estado.
O presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, salienta que o retorno tem sido satisfatório, com o reconhecimento de vários elos da cadeia produtiva e da população em geral. Santos ainda acrescenta que é importante a população entender o quanto é complexo e exigente o processo produtivo de carne de frango no RS até chegar aos pontos de venda e ficar disponível para consumo e destaca também que o produto produzido aqui no estado não percorre grandes distâncias até chegar aos supermercados, minimercados, açougues, restaurantes e outros pontos de distribuição no estado. “É um processo detalhado, cauteloso, que flui por muitas etapas, desde a atividade no campo, o desenvolvimento acompanhado, a alimentação balanceada até as condições sanitárias e de bem-estar animal que precisam ser integradas ao sistema”, ressalta.
O secretário adjunto da receita estadual, Ricardo Neves Pereira, destaca a relevância da campanha ao valorizar produtos oriundos de empresas que atuam no RS, afirmando que a cadeia avícola gera emprego, faz a economia gaúcha girar, aumenta o Produto Interno Bruto (PIB). “Além disso, se reflete numa maior arrecadação do nosso principal tributo, o Imposto sobre Circulação e Serviços (ICMS)”, explica.
A campanha “Carne de frango: Valorize as marcas do nosso Estado” continua nas redes sociais da entidade e em veículos de comunicação. “É uma ação arrojada e de destaque porque mexe com o apetite da população gaúcha que sempre busca um alimento de qualidade e produzido no RS”, relata o dirigente.

Notícias Safra 2025/26
Variações climáticas elevam risco de doenças no final do ciclo da soja
Oscilações de chuva e temperatura ampliam a pressão de manchas foliares e da ferrugem, exigindo monitoramento técnico mais rigoroso no Sul e no Cerrado.

O avanço da safra de soja 2025/26 tem revelado um cenário climático que amplia o risco de Doenças de Final de Ciclo (DFCs). Oscilações de chuva e temperatura, associadas a janelas de semeadura mais longas, têm favorecido o avanço das manchas foliares como septoria e antracnose, além de ampliar a presença de ferrugem asiática no Sul, especialmente em regiões com histórico de pressão. No Cerrado, o alerta maior recai sobre a cercospora e a mancha-alvo, que vêm ocorrendo com mais frequência desde a última safra.
Esses fatores têm levado consultorias e equipes de monitoramento a registrar um avanço expressivo das DFCs conforme a lavoura avança para estádios mais adiantados, indo das fases vegetativas avançadas ao início do reprodutivo, dependendo da região. A alternância entre períodos úmidos e noites quentes, somada à elevada pressão de inóculo das doenças na área, acelera a evolução das manchas, reduzindo a capacidade fotossintética e comprometendo o enchimento de grãos, efeito intensificado quando há episódios curtos de estresse hídrico.

Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi
No Sul, a ocorrência simultânea de ferrugem e cercospora tem tornado o manejo mais complexo. A detecção precoce da ferrugem em algumas regiões, combinada à presença de cercospora, exige atenção redobrada e acompanhamento técnico constante. Nesse cenário, acertar o momento das primeiras aplicações e considerar as condições climáticas é fundamental para preservar o potencial produtivo.
No Cerrado, consultores apontam intensificação de cercospora e mancha-alvo, sobretudo em áreas com irregularidade hídrica inicial e plantios estendidos. A combinação entre temperaturas elevadas durante a noite, umidade alternada e presença de inóculo de doenças de safras anteriores favorece a progressão dessas manchas no final do ciclo. Nessas situações, preservar a sanidade foliar é essencial para manter o bom desempenho das lavouras.
Monitoramento contínuo

Foto: Divulgação/Embrapa
De acordo com o doutor em Agronomia, Marcelo Gimenes, a dinâmica atual reforça a necessidade de leitura cuidadosa das particularidades de cada região. “Nesta safra, não é apenas a presença das DFCs que chama atenção, mas a velocidade com que elas têm avançado ao final do ciclo. A interação entre clima, calendário operacional e histórico da área tornou o comportamento das doenças mais imprevisível. Por isso, monitoramento frequente e decisões técnicas bem embasadas são essenciais”, afirma.
O desafio se acentua quando diferentes doenças convivem na mesma área, situação observada tanto no Sul quanto no Cerrado. “Em ambientes onde múltiplas doenças pressionam simultaneamente, a planta perde capacidade de manter o dossel ativo pelo tempo necessário. Por isso, o manejo não pode ser reativo: é preciso estruturar uma estratégia assertiva com o histórico sanitário e com o potencial produtivo de cada talhão”, explica Gimenes.
Notícias
Legado de pesquisadores que estruturaram a economia agrícola segue como referência no país
Morte de Gabriel Seraphico e Paulo Sendin evidencia a dimensão das contribuições deixadas à estatística do agro, às políticas públicas e ao desenvolvimento rural brasileiro.

Com trajetórias que ajudaram a moldar o pensamento econômico aplicado ao campo no Brasil, Gabriel Luiz Seraphico Peixoto da Silva e Paulo Varela Sendin morreram no intervalo de poucos dias, entre o fim de 2025 e o início de 2026. A ausência dos dois pesquisadores representa um vazio para a ciência brasileira, especialmente nas áreas de estatística aplicada ao agronegócio, formulação de políticas públicas e desenvolvimento rural.
Com atuação destacada no Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), Seraphico construiu uma carreira marcada pela articulação entre pesquisa, gestão pública e produção rural. À frente da direção do Instituto entre 1987 e 1989, contribuiu para consolidar o IEA como referência nacional na análise econômica do setor agropecuário, ampliando o uso de dados estatísticos como base para decisões governamentais e privadas. Sua atuação acadêmica na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA/USP) reforçou esse legado, ao formar profissionais que levaram o rigor analítico da economia agrícola para diferentes segmentos do mercado e do serviço público.

Seraphico também aproximou ciência e campo ao atuar como pecuarista. Na Fazenda Bacuri, em Barretos, foi pioneiro em trabalhos voltados à precocidade sexual do gado nelore, contribuindo para ganhos de eficiência produtiva e para a modernização da pecuária de corte. Essa integração entre pesquisa, prática produtiva e visão econômica tornou sua atuação particularmente relevante para o avanço do agronegócio brasileiro.
Sendin, por sua vez, teve papel fundamental na construção das bases técnicas que sustentam políticas agrícolas e programas de desenvolvimento rural. Pesquisador do IEA entre 1968 e 1974, participou de estudos estruturantes em estatística e economia agrícola, em um período decisivo para a institucionalização da pesquisa econômica no agro. Sua trajetória seguiu no Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), onde aprofundou pesquisas voltadas à agricultura familiar, segmento estratégico para a segurança alimentar, a geração de renda e a ocupação do espaço rural.

Fotos: Shutterstock
O trabalho de Sendin contribuiu para dar visibilidade científica e técnica à agricultura familiar, transformando dados e análises em subsídios concretos para políticas públicas e programas de apoio aos pequenos produtores. Sua produção ajudou a aproximar a pesquisa agropecuária das realidades regionais e sociais do campo brasileiro.
Para Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do IEA, a contribuição de ambos extrapola o ambiente institucional. “Foram pesquisadores de fundamental importância para os estudos em estatística e economia agrícola, cujos resultados se traduziram em políticas públicas mais eficientes e em melhor suporte aos produtores rurais”, afirma.
Fundado em 1942, o Instituto de Economia Agrícola teve papel central na organização do pensamento econômico aplicado à agricultura no Brasil. O legado de Gabriel Seraphico e Paulo Sendin está diretamente ligado a essa construção coletiva da ciência agropecuária nacional, que hoje dispõe de bases mais sólidas de informação, análise e planejamento graças ao trabalho de pesquisadores que transformaram conhecimento em desenvolvimento.
Colunistas
China muda regras, impõe cota à carne bovina e ameaça fluxo comercial do Brasil
Tarifa extra de 55% sobre volumes excedentes pode provocar forte ajuste na produção e nos investimentos da cadeia pecuária.

A China decidiu estabelecer uma cota anual de importação de carne bovina para seus fornecedores internacionais, incluindo o Brasil, como parte de uma política de proteção aos produtores locais. Pelo modelo anunciado, volumes que ultrapassarem o limite definido estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 55%, medida que deverá vigorar por um período inicial de três anos. Trata-se de uma mudança relevante nas regras do comércio internacional de carnes, com impactos diretos sobre os principais exportadores.
Dentro desse novo desenho, o que mais preocupa o setor brasileiro é a forma como a China pretende contabilizar essa cota. As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será apurado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos firmados anteriormente, cargas em trânsito ou produtos já embarcados.

Artigo escrito por Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo).
Se essa interpretação se confirmar sem qualquer revisão, o Brasil terá de descontar da cota aproximadamente 350 mil toneladas que hoje já estão comprometidas, seja em cargas paradas em portos chineses aguardando desembaraço, em navios em trânsito ou em estoques formados nos portos brasileiros. Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026.
Feitas as contas, restariam cerca de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano. Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor.
Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais para a China. A discrepância entre esses números evidencia, por si só, a urgência de uma ação diplomática coordenada, baseada em diálogo direto entre governos, para buscar um entendimento que leve em consideração os fluxos comerciais já estabelecidos.
O impacto dessa restrição é difícil de dimensionar com precisão, mas certamente será profundo. Considerando uma projeção anual próxima de 1,7 milhão de toneladas, a redução potencial, que inicialmente se estimava em torno de 35%, torna-se extraordinariamente preocupante quando aplicadas as novas regras de contabilização.
A pecuária brasileira avançou de forma consistente nos últimos anos, com investimentos expressivos em genética, manejo, processos produtivos e ganhos de eficiência. A indústria, por sua vez, modernizou plantas, ampliou capacidade e se estruturou para atender uma demanda crescente e estável. Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos, tanto no curto quanto no médio prazo.
Não há culpados evidentes nem soluções simples. O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo.
É preciso reconhecer que o governo brasileiro tem feito sua parte na ampliação e diversificação de mercados, com um trabalho consistente conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e pelo ministro Carlos Fávaro. Ainda assim, é fundamental ter clareza: os novos mercados não possuem, ao menos por ora, o mesmo potencial de absorção do mercado chinês e, além disso, já contam com fornecedores consolidados, o que demanda tempo e estratégia para sua efetiva ocupação.
Enquanto isso, a eventual redução de volumes incide sobre o setor com rapidez extrema, como uma guilhotina afiada. Não se trata do fim da atividade, mas de mais um momento em que será necessário acomodar-se, adaptar-se e reinventar-se.
Os volumes excedentes são grandes demais para uma absorção imediata. O desafio está posto e a solução não virá de uma lâmpada mágica esquecida em alguma caverna, mas de negociação, realismo e construção conjunta.



