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Asbram debate ano desafiador para a suplementação mineral animal
Economia brasileira vai bem, mas o mundo prevê um 2023 de sobressaltos e a pecuária brasileira necessita nutrir melhor os rebanhos.

As empresas de suplementos minerais utilizados na nutrição de rebanhos esperam um trimestre mais movimentado para recuperar parte da queda nas vendas verificada em 2022. Nos nove meses deste ano, o segmento comercializou 1,93 milhões de toneladas, um tombo de 6,7%. “O movimento negativo vem ocorrendo nos últimos 13 meses. Só houve um movimento positivo no mês de março. É sinal de contração mesmo”, afirmou Felippe Cauê Serigati, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas, pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV e consultor ligado à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) para análise setorial e conjuntural do mercado de suplementos minerais do Brasil.
A perspectiva foi debatida na reunião mensal da entidade, em São Paulo, realizada na semana passada, quando mais de trinta representantes da indústria mergulharam em questões como o futuro da economia do país, as turbulências internacionais, geopolítica nacional e do exterior, os prognósticos sombrios para inflação, taxa de juros e crise energética nas principais nações do hemisfério Norte.

Professor de Economia e pesquisador da FGV, Felippe Cauê Serigati: “Precisamos estudar melhor todos os números para termos um quadro mais claro” – Fotos: Divulgação/Asbram
Outra preocupação examinada foi o percentual de animais suplementados que emergem das estatísticas da Asbram. Saldo de 76 milhões de cabeças em setembro passado, 3,6% menor do que em setembro de 2021. A diminuição sobre 2021 foi ainda maior se olharmos desde janeiro: 5,2% nos nove meses. “Observando os estados, existem números que ainda não consigo decifrar o que vem se passando. Ainda mais quando fazemos a conta de quanto cada animal é suplementado na média. Insumo comprado dividido pelo rebanho do Estado. Vemos Mato Grosso com 6,4%, 15,3 quilos por animal apenas. Paraná com 14,3% e Mato Grosso do Sul com 35%. Por enquanto, temos apenas pistas. Estamos no ciclo de retenção de fêmeas e o rebanho está crescendo. Mais de 3%. Para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), já são 224,6 milhões de cabeças. O que, aliás, causa muita controvérsia. Precisamos estudar melhor tudo para termos um quadro mais claro”, concluiu Serigati.
O professor tem razão. Tanto que o respeitado Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou recentemente a metodologia de acompanhamento do rebanho brasileiro, reduzindo o total em 70,4 milhões de cabeças, tomando 2021 como referência. Os dados, que estavam sendo divulgados em 264,2 milhões até setembro, foram revistos para 193,8 milhões de cabeças. “Houve uma revisão da metodologia e, consequentemente, toda a série histórica, e não apenas o dado de 2021. Não houve ‘sumiço de gado’, mas sim, uma substituição de toda a base”, detalhou Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária.
A metodologia Athenagro também sugere um dado distinto, de 182,3 milhões de cabeças. A avalanche de dados norteiam os executivos que traçam cenários e vislumbram possibilidades de aumentar os resultados, fornecendo nutrição de qualidade para melhorar a entrega de carcaça e performance de rebanhos. “A gente trabalha bastante no escuro e informação de qualidade é o que mais precisamos”, apontou o presidente da Asbram, Juliano Sabella.
A clareza sobre o que se passa no cenário político e econômico brasileiro e mundial ganhou força na segunda etapa da reunião da Associação. O professor Felippe Cauê Serigati atualizou os dados de mercado da venda de suplementos minerais no país. A ASBRAM reúne 62% das empresas do setor. No mês passado, foram comercializadas 230 mil toneladas, recuo de 6,9% sobre setembro de 2021. No acumulado deste ano, o total alcança 1,93 milhão de toneladas, 6,7% abaixo dos nove meses iniciais do ano passado. “É uma retração que persiste. E que deve marcar posição até encerrar 2022. O que pode mudar é o número, de acordo com a performance da indústria neste último trimestre. No pior cenário, as vendas chegam a 2,43 milhões de toneladas e o tombo fica em 7,5% sobre as 2,55 milhões de toneladas de 2021. No panorama mais otimista, serão comercializadas 2,54 milhões de toneladas. Neste caso, a contração marcará 3,2%. Prefiro arriscar um palpite que fica no meio do caminho: 2,5 milhões de toneladas vendidas e mercado encolhendo 5,4% em relação a 2021”, calculou Felippe.
O professor ainda disse que o Brasil ajustou a economia na frente da maior das potências, elevando a taxa de juros, e conseguiu baixar a inflação. E vamos chegar ao Ano Novo crescendo mais do que a Alemanha e com inflação menor do que os Estados Unidos. “Quem poderia imaginar um número assim? Mas tem muita casca de banana no meio deste caminho. Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), o mundo vai fechar 2022 com crescimento de 3,2% na média, porém, em 2023, a velocidade diminui. Apenas 2,7% na média, sendo que um terço dos países vai registrar recessão técnica em algum momento do período. Sem falar que as economias avançadas estão se comportando como países emergentes. Aumentando gastos enquanto enfrentam uma crise energética seríssima e uma guerra entre Rússia e Ucrânia no front europeu. Logo, não é errado pensar em guerra cambial, inflação galopante, bancos centrais defendendo as moedas em uma trincheira isolada. É atenção máxima com gestão, mercado, custos e números dentro do Agronegócio do Brasil”, concluiu.

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Garantia-Safra libera pagamento para produtores afetados por seca ou excesso de chuva
Benefício atende agricultores familiares com perdas comprovadas na produção de feijão, milho ou mandioca.

O governo federal divulga no dia 15 de abril a lista dos municípios cujos agricultores receberão, neste mês de abril, parcela do programa Garantia-Safra 2024-2025. A norma entra em vigor nesta quinta-feira (16).

Portaria publicada no Diário Oficial da União inclui agricultores familiares dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minhas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Veja aqui a lista completa.
O benefício, de R$ 1,2 mil, ocorrerá em parcela única. O pagamento começa ainda em abril e ocorre na mesma data do calendário do Bolsa Família.
Benefício
O Garantia-Safra é um programa de seguro destinado a pequenos agricultores com renda de até 1,5 salário-mínimo, que cultivam feijão, milho ou mandioca em áreas de 0,6 a 5 hectares e com o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) ativo e atualizado.
O pagamento é feito aos agricultores com perda comprovada de pelo menos 40% a 50% da produção, em razão do fenômeno da estiagem ou do excesso hídrico e que aderiram ao programa.
O benefício pode ser solicitado via aplicativo CAIXA Tem, lotéricas ou agências da Caixa.
Os agricultores com alguma pendência ou imprecisões cadastrais têm até 30 dias para regularizar a situação e, posteriormente, receber o benefício. A consulta pode ser feita no site do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
O Garantia-Safra é vinculado ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com a finalidade de assegurar condições mínimas de sobrevivência aos agricultores familiares cujas produções sejam sistematicamente afetadas por perdas decorrentes de estiagem ou excesso hídrico.
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Fim da escala 6×1 será avaliado em comissão da Câmara dos Deputados
PEC retorna à pauta da CCJ após pedido de vista e tem parecer favorável à admissibilidade.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019 que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1) será analisada, nesta quarta-feira (22), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Além do fim da escala 6×1, a proposta prevê reduzir a jornada das atuais 44 para 36 horas semanais em um prazo de dez anos. A sessão está marcada para começar às 14h30. 

A PEC volta à pauta da CCJ depois que a oposição pediu vista da matéria na semana passada. O relator da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), votou pela admissibilidade da PEC, ou seja, defendeu que a redução da jornada é constitucional.
Se aprovada na CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), promete criar comissão especial para analisar o texto. A comissão tem entre 10 e 40 sessões do plenário da Câmara para aprovar ou rejeitar um parecer sobre a PEC. Em seguida, o texto pode ir para apreciação do plenário.
Como essa tramitação pode se estender por meses, e diante da tentativa da oposição de barrar a PEC, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso, na semana passada, um projeto de lei (PL) com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.
O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário da Câmara.
Motta comentou que é prerrogativa do governo federal enviar um PL com urgência constitucional, mas a Câmara vai seguir com a tramitação da PEC. A Proposta de Emenda à Constituição unificou as propostas do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e da deputada Erika Hilton (PSOL-RJ).
O governo tem defendido que a proposta do Executivo não compete com a PEC em tramitação na Câmara, segundo explicou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
“Se a PEC for aprovada nesse prazo, evidentemente que o PL está prejudicado, não há mais necessidade. Mas o rito da PEC é mais demorado do que o PL. O PL vai avançar e pode ser que entre em vigor a redução de jornada de trabalho e depois se consolide por PEC para impedir eventuais aventureiros do futuro quererem aumentar a jornada como aconteceu na Argentina”, explicou Marinho.
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Calor extremo já ameaça sistemas de produção de alimentos no mundo
Relatório da FAO e da OMM aponta que mais de 1 bilhão de pessoas já são afetadas pelos impactos do aumento das temperaturas.

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que o calor extremo já está colocando os sistemas agroalimentares globais sob forte pressão e ameaçando os meios de subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas.
O estudo foi elaborado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). As agências destacam que as ondas de calor estão se tornando mais frequentes, intensas e duradouras, com impactos diretos sobre a agricultura, a pecuária, a pesca e as florestas.
Segundo o relatório, o cenário indica um futuro de maior incerteza, com o aquecimento global em aceleração. Dados recentes mostram que 2025 está entre os três anos mais quentes já registrados, o que tem intensificado eventos climáticos extremos em diferentes regiões do mundo.

Foto: Pixabay
O documento aponta ainda que o calor extremo atua como um “multiplicador de riscos”, agravando secas, incêndios florestais, surtos de pragas e reduzindo a produtividade das lavouras quando são ultrapassados limites críticos de temperatura. Em geral, há queda na produtividade das principais culturas quando os termômetros passam de cerca de 30°C.
O relatório também cita casos como o do Marrocos, que enfrenta seis anos consecutivos de seca, seguidos por ondas de calor recordes.
Outro ponto de alerta é o aumento das ondas de calor marinhas. Segundo o estudo, esses eventos estão mais frequentes e têm reduzido os níveis de oxigênio nos oceanos, afetando estoques pesqueiros. Em 2024, cerca de 91% dos oceanos do mundo registraram ao menos uma onda de calor marinha.

Foto: Divulgação/IDR
As projeções indicam que os riscos tendem a crescer com o avanço do aquecimento global. O relatório estima que a intensidade dos eventos extremos de calor pode dobrar com 2°C de aquecimento e quadruplicar com 3°C, em comparação ao cenário de 1,5°C.
Também foi destacado que cada aumento de 1°C na temperatura média global pode reduzir em cerca de 6% a produção das quatro principais culturas agrícolas do mundo: milho, arroz, soja e trigo.
Diante desse cenário, FAO e OMM defendem maior coordenação entre países e o fortalecimento de sistemas de alerta climático para apoiar agricultores e pescadores na tomada de decisões. As agências afirmam ainda que ações de adaptação, isoladamente, não são suficientes para conter os impactos, e que será necessária uma resposta mais ampla diante da intensificação do calor extremo.




