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Avicultura Saúde Animal

As principais diferenças entre as fontes de ácido butírico

Para driblar os fatores limitantes e se beneficiar de tais resultados, o ácido butírico é usualmente disponibilizado para os animais em duas diferentes formas

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Rodrigo Slembarski, médico veterinário e gerente de Produtos Aves de corte da Auster; e Cassio Oura, médico veterinário e trainee Aves de Corte São Paulo da Auster

Os ácidos orgânicos são utilizados como melhoradores de desempenho na produção animal, buscando eficiência similar aos antibióticos promotores de crescimento de modo a não provocar resistência microbiana. Sua ação possui como principais características o controle da carga microbiana no trato digestório, inibição do crescimento de bactérias patogênicas e efeito redutor do pH gástrico, resultando em maior proteólise e consequente melhor digestão de proteínas e aminoácidos.

Entretanto, nem todos apresentam atividade antimicrobiana, sendo restrita aos ácidos de cadeia curta (C1 – C7). Como representante desta classe, o ácido butírico (C4H8O2) é derivado da fermentação microbiana de carboidratos. Por ser utilizado pelas células do epitélio intestinal como fonte de energia para diferenciação e multiplicação e se enquadrar nas características citadas, este é amplamente empregado nas criações animais. Porém, em suas primeiras utilizações nas rações foram encontrados fatores limitantes: o mau cheiro e caráter corrosivo, que dificultava sua utilização em fábricas; e a rápida absorção no estomago, que reduzia a quantidade de produto que chegava ao intestino, limitando sua atividade.

Desta forma os benefícios associados à sua utilização; como a influência no crescimento e saúde intestinal, melhor aproveitamento de cálcio e fósforo da dieta e melhor desempenho animal não eram alcançados. Para driblar os fatores limitantes e se beneficiar de tais resultados, o ácido butírico é usualmente disponibilizado para os animais em duas diferentes formas: sais microencapsulados (butirato de sódio e butirato de cálcio) e em forma de ésteres, podendo os últimos serem disponibilizados na conformação de mono-, di- e tributirina.

O butirato de sódio consiste em um produto seco por pulverização, produzido após a neutralização completa do ácido butírico com NaOH, resultando em concentrações muito baixas do ácido butírico livre. O butirato de cálcio é constituído a partir da neutralização do ácido butírico com CaC03 ou Ca (OH) 2. Sendo o processo de neutralização incompleto, resultando em níveis mais altos de ácido butírico livre. As butirinas, (mono-, di- e tributirinas) são produtos da esterificação do ácido butirico com o glicerol, onde o hidrogênio (H) do ácido butírico reage com o grupo hidroxila (OH) do glicerol, formando uma molécula de água e a ligação covalente entre o oxigênio do ácido butírico e o carbono do glicerol. Processo que forma moléculas estáveis, que são dissociados apenas por lipases pancreáticas liberando o butirato e glicerol no lúmen intestinal.

Cheiro

O cheiro é proporcionalmente relacionado com o nível de ácido butírico livre, que é uma molécula extremamente volátil e corrosiva. O butirato de sódio consiste em um produto mais estável e menos odoroso que o ácido butírico, característica importante para o uso do produto em fábricas de pré-mistura de alimentos para animais. O butirato de cálcio possui odor mais típico e característico do ácido, dificultando sua utilização. Já os ésteres não possuem relatos de problemas com o odor do produto.

Peso molecular e efeito antibacteriano

Os ácidos orgânicos com maior peso molecular possuem menor capacidade de difusão, portanto, menor facilidade em atravessar as membranas celulares e exercer efeitos anti-bacterianos. O peso molecular do butirato de sódio é de 111 g/mol, sendo o peso molecular do butirato de cálcio 214,28 g/mol, o que é aproximadamente o dobro. Já os ésteres possuem o peso molecular de 162,18 g/mol (monobutirina), 232, 37 g/mol (dibutirina) e 302,36 g/mol para a tributirina.

Solubilidade

Se o ácido butírico se encontra em forma de sais (butirato de sódio ou cálcio), é necessário que esse produto tenha alta solubilidade para que o butirato se libere do cátion (Na ou Ca) e seja utilizado ou transformado em ácido butírico (dependendo do pH). In vitro, o butirato de sódio se apresenta mais solúvel em água comparado ao butirato de cálcio. Para os ésteres, há relato apenas da solubilidade da monobutirina, citando a possível solubilidade da mesma em água atribuindo o fato ao glicerol. Porém, no caso da monobutirina, para o ácido butirico se dissociar do glicerol é necessário a ação da lipase, ineficiente neste caso, pois normalmente quebra as ligações éster de moléculas com grandes diferenças de polaridade, como triglicerídeos com cadeias de 16 carbonos ou mais, não sendo facilmente reconhecida pela enzima. Não há relatos quanto a solubilidade da dibutirina e tributirina, sendo mínimos os dados de características físico-químicas dos produtos. Porém, como citado anteriormente, as ligações entre as moléculas obtidas durante o processo de esterificação não se desfazem no estomago, sendo estas liberadas apenas com a ação da lipase intestinal. Desse modo não há disponibilização de ácido butírico livre no estomago, comprometendo a redução do pH gástrico e melhor aproveitamento de proteínas e aminoácidos. Pois com a redução do pH há a maior ativação de pepsina (enzima proteolítica) no estômago e menor secreção do suco gástrico, tendo menor diluição do bolo alimentar. Passos cruciais para o controle microbiano, uma vez que, com menos substratos proteicos há menor desenvolvimento de bactérias patogênicas no intestino. Etapa disponível somente para os sais de ácido butírico, resultando em menor velocidade de esvaziamento gástrico e redução da taxa de passagem do alimento, melhorando assim sua digestibilidade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Vigilância e biosseguridade definem a linha de defesa contra a Influenza aviária, aponta FAO

Documento técnico detalha como monitoramento contínuo, resposta rápida e integração entre saúde animal e humana reduzem o risco de disseminação do vírus nas granjas.

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Fotos: Shutterstock

A Influenza aviária segue como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura mundial, com potencial de provocar mortalidade elevada nos plantéis, embargos comerciais e impactos diretos na renda dos produtores. Em documento técnico recente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura sistematiza recomendações práticas para vigilância, prevenção e controle da doença, com foco na detecção precoce e na contenção rápida de focos.

A base da estratégia, segundo a entidade, está na vigilância contínua. Isso inclui monitoramento ativo em granjas comerciais, criações de subsistência e mercados de aves vivas, além da observação de aves silvestres, especialmente migratórias, que podem atuar como reservatórios do vírus. A eficácia desse sistema depende de notificação imediata de sinais clínicos suspeitos e de capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e confiável.

A biosseguridade aparece como o principal filtro para impedir a entrada do vírus nas propriedades. O controle rigoroso de acesso de pessoas, veículos e equipamentos, a separação física entre aves domésticas e silvestres, a desinfecção sistemática de instalações e o manejo correto de resíduos e carcaças são medidas consideradas críticas. A origem da água e da ração também é citada como ponto sensível.

Quando há suspeita ou confirmação da doença, a orientação é agir sem atraso: isolamento imediato da propriedade, abate sanitário das aves infectadas e expostas, desinfecção completa das instalações e restrição de movimentação na área afetada. A comunicação rápida entre produtores e autoridades sanitárias é tratada como componente operacional do controle.

A vacinação é descrita como ferramenta complementar, aplicável conforme o cenário epidemiológico local. A decisão de utilizá-la deve considerar a circulação do vírus, a capacidade de monitorar a eficácia da imunização e os possíveis efeitos sobre o comércio internacional.

O documento também reforça a dimensão transfronteiriça da Influenza aviária. O compartilhamento de dados epidemiológicos e laboratoriais entre países é apontado como condição para respostas regionais mais eficazes. Algumas cepas do vírus podem infectar humanos, o que exige integração entre saúde animal e saúde pública dentro do conceito de Uma Só Saúde.

Para a FAO, sistemas de vigilância bem estruturados, protocolos rígidos de biosseguridade e coordenação entre os diferentes níveis do serviço veterinário oficial são os elementos que determinam a capacidade de um país em reduzir riscos sanitários, econômicos e de saúde pública associados à Influenza aviária.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Monoglicerídeos na avicultura: ação antimicrobiana e integridade intestinal como pilares da eficiência produtiva

Moléculas com mecanismos complementares ganham espaço como estratégia nutricional frente aos desafios entéricos e respiratórios em frangos de corte.

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Foto: Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Mariane Marques, mestre em Nutrição, Coordenadora Técnica da Feedis

A interação entre microbiota e resposta imune é determinante para a manutenção da integridade funcional das aves ao longo do ciclo produtivo. Desafios entéricos associados a Clostridium perfringens e Escherichia coli, assim como agentes respiratórios como o vírus da bronquite infecciosa (IBV), impõem pressão inflamatória constante, redirecionando energia metabólica e comprometendo eficiência produtiva e uniformidade de lote.

Nesse contexto, tecnologias nutricionais baseadas em monoglicerídeos são ferramentas estratégicas no controle do desafio microbiano e na manutenção da eficiência produtiva.

Ação direcionada: o papel da α-MONOLAURINA

A α-monolaurina é um monoglicerídeo derivado do ácido láurico com elevada afinidade por membranas lipídicas, especialmente de bactérias Gram-positivas e vírus envelopados. Sua estrutura anfipática permite a inserção na bicamada celular, promovendo desorganização da membrana e consequente inativação do patógeno.

Em frangos de corte, sua atuação é especialmente relevante frente a Clostridium perfringens, agente frequentemente associado às enterites bacterianas, contribuindo para menor pressão microbiana e maior estabilidade intestinal sob desafio.

Além da atividade antimicrobiana direta, evidências recentes indicam efeito modulador sobre a resposta imune. Pesquisadores demonstraram que aves vacinadas contra bronquite infecciosa e suplementadas com α-monolaurina apresentaram aumento na titulação de anticorpos, melhora de parâmetros de imunidade celular e modulação de mediadores pró-inflamatórios. Esses achados sugerem que a molécula atua não apenas no controle do patógeno, mas também no suporte funcional à imunocompetência em condições de desafio sanitário.

Atuação sobre bactérias gram-negativas: o papel da α-MONOBUTIRINA

A α-monobutirina é um monoglicerídeo com atuação mais eficiente contra bactérias Gram-negativas, cuja estrutura celular apresenta maior complexidade devido à presença de membrana externa rica em lipopolissacarídeos. Sua configuração molecular favorece a interação com a membrana bacteriana e facilita a penetração da molécula, permitindo interferência direta na fisiologia celular.

Uma vez no meio intracelular, sua ação está associada à alteração do equilíbrio do gradiente de prótons e à interferência em processos metabólicos essenciais, comprometendo a produção de energia e a manutenção da viabilidade bacteriana. Esse mecanismo assume papel estratégico frente a microrganismos Gram-negativos associados a desafios entéricos na avicultura.

Em estudo conduzido em 2022 com poedeiras comerciais, a suplementação de α-monobutirina resultou em redução significativa do filo Proteobacteria, grupo que reúne diversas bactérias Gram-negativas potencialmente associadas à disbiose intestinal, incluindo gêneros como Escherichia, Salmonella e Enterobacter.

Em sistemas produtivos sob pressão sanitária contínua, alterações na dinâmica da microbiota intestinal repercutem diretamente sobre conversão alimentar e viabilidade de lote. A redução da carga de bactérias Gram-negativas favorece maior previsibilidade de resultados e menor variabilidade produtiva ao longo do ciclo.

Conclusão

A atuação complementar da α-monolaurina e da α-monobutirina amplia o espectro de controle microbiano, abrangendo bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e vírus envelopados, além de modular a resposta imune do hospedeiro. Enquanto a α-monolaurina exerce ação direcionada sobre membranas lipídicas e contribui para o suporte imunológico, a α-monobutirina interfere na fisiologia de bactérias Gram-negativas e na dinâmica da microbiota intestinal.

Essa abordagem integrada permite reduzir a pressão microbiana e inflamatória sob diferentes cenários de desafio sanitário, favorecendo maior previsibilidade produtiva em sistemas avícolas modernos.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: mariane.marques@feedis.com.br

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Portos do Paraná concentra quase metade das exportações de frango do Brasil

Terminal de Paranaguá embarcou 819 mil toneladas no 1º trimestre de 2026 e respondeu por quase metade das exportações brasileiras do produto.

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Foto: Shutterstock

De cada dois quilos de carne de frango exportados pelo Brasil no primeiro trimestre de 2026, um saiu pelo Porto de Paranaguá, conforme dados do Comex Stat, sistema do governo federal que reúne dados sobre o comércio exterior, e do centro de estatísticas da Portos do Paraná. Ao todo, o terminal paranaense, que é o maior corredor de exportação de carne de frango congelada do mundo, embarcou 819 mil toneladas, o que corresponde a 47,8% das exportações brasileiras do produto no período.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Na comparação com os três primeiros meses de 2025, a movimentação foi 15,4% maior. Somente no mês de março, o volume embarcado superou 215 mil toneladas. Os principais destinos do frango brasileiro são China, África do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos.

A carne bovina também apresentou crescimento nos embarques no primeiro trimestre de 2026. Foram enviadas de janeiro a março deste ano 176.812 toneladas, volume 18% maior que do mesmo período de 2025 (149.462 toneladas). Os embarques pelo porto paranaense representaram mais de 25% das exportações brasileiras realizadas no período.

O terminal atende cargas provenientes de diversas partes do País, incluindo estados da região Norte. “A eficiência nas operações e a estrutura de acondicionamento de contêineres refrigerados tornam o porto altamente competitivo”, destacou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Para atender à crescente demanda, o Terminal de Contêineres de Paranaguá conta com a maior área de recarga para contêineres refrigerados (reefers) da América do Sul, com 5.268 tomadas. É também o único terminal portuário do Sul do Brasil com ramal ferroviário.

No primeiro trimestre, o volume de cargas conteinerizadas no terminal de Paranaguá somou 2,5 milhões de toneladas em 411 mil TEUs, medida comumente usada para contêineres (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, ou seis metros de comprimento). Do total movimentado no terminal de contêineres, 42% são mercadorias refrigeradas.

Fonte: AEN-PR
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