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Luiz Vicente Suzin Opinião

As cooperativas e o desenvolvimento regional

Não há dúvidas de que as cooperativas agropecuárias têm papel fundamental no desempenho da economia, provavelmente muito maior que as empresas mercantis do agronegócio

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

Cresce a cada ano a compreensão da sociedade brasileira sobre a indiscutível importância da agricultura e do agronegócio para o Brasil. Os brasileiros enxergam a cada ano com mais clareza que a produção de riquezas no campo representa desenvolvimento econômico para o conjunto da  sociedade. Essa assertiva resume a importância do setor primário para o País. No ano passado, de acordo com o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil teve queda de -4,1%. A agropecuária foi o único setor que cresceu (+2%), enquanto a indústria caiu -3,5% e os serviços recuaram -4,5%. Em Santa Catarina, um Estado de agricultura pujante, o PIB também encolheu em 2020, mas o recuo foi bem mais tímido  (-0,9%), a agropecuária cresceu +2,6%, a indústria caiu -3,9% e os serviços encolheram -0,4%.

A intensa produção agrícola e pecuária se constituiu em uma riqueza que fomenta de forma extraordinária o desenvolvimento do interior brasileiro e catarinense. A produção de aves, suínos, bovinos, lácteos, grãos (milho, soja, arroz, feijão e trigo), leite, peixes e frutas são insumos para a agroindústria processar que geram um movimento econômico gigantesco. Além de injetar dinheiro diretamente no campo, nas cidades e nas microrregiões, essa atividade tem um forte e positivo impacto na arrecadação tributária do Estado e dos Municípios por meio de vários tributos.

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é a principal renda de dois entes federados (Estados e Municípios) porque a Constituição Federal (artigo 158-inciso IV) determina que 25% do total arrecadado com ICMS nos Estados seja repartido entre os respectivos municípios, da seguinte forma: três quartos (75%), no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços realizadas em seus territórios; e até um quarto (25%), de acordo com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos territórios, lei federal.

Por se tratar de produção primária, 100% do valor da venda dos produtos agrícolas e pecuários entram no levantamento anual do movimento econômico para fins de cálculo do índice de participação dos municípios na distribuição do ICMS. Um aviário, por exemplo, gera um movimento econômico maior que uma microempresa urbana.

É enorme, portanto, a contribuição da agricultura e da pecuária no fortalecimento da economia regional em consequência do dinheiro injetado no campo pela venda dos produtos e do dinheiro injetado nos cofres municipais em face da arrecadação do ICMS.

Em razão dos volumes, das longas cadeias produtivas, do envolvimento de centenas de milhares de produtores rurais e das cotações de mercado, as riquezas agrícolas atingem cifras bilionárias. É possível vislumbrar a dimensão dessa atividade na constatação de que as 46 cooperativas agropecuárias catarinenses – através do esforço de seus 73,5 mil produtores rurais associados – obtiveram R$ 34,4 bilhões de reais em receita operacional bruta no ano passado.

Essas mesmas cooperativas recolheram R$ 2,1 bilhões de reais em impostos (sim, cooperativas também pagam impostos!) e R$ 559,2 milhões de reais em contribuições sobre a folha de pagamento. Esses recursos movimentaram a economia barriga-verde, sustentaram milhares de empregos e estimularam o consumo.

O impacto positivo nos empregos se expressa de duas formas: os empregos diretos do sistema (as cooperativas agropecuárias mantêm 48 mil empregados próprios) e os empregos do imenso encadeamento produtivo formado por milhares de empresas fornecedoras de insumos para o agro, que inclui máquinas, equipamentos, defensivos agrícolas, fertilizantes, sementes, componentes da nutrição animal, genética, vacinas e remédios veterinários etc.

Não há dúvidas de que as cooperativas agropecuárias têm papel fundamental no desempenho da economia, provavelmente muito maior que as empresas mercantis do agronegócio. O modelo de negócio, as características da organização associativa, a distribuição dos ganhos e o compromisso de selecionar, incorporar e difundir tecnologias para o campo são aspectos potencializadores da capacidade de modernizar, desenvolver e elevar a qualidade de vida da população rural e urbana. Isso explica porque nos municípios onde o cooperativismo está presente, o IDH (índice de desenvolvimento humano) é maior.

Como dito ao preâmbulo, a sociedade amplia sua compreensão da importância do agro e, simultaneamente, do protagonismo das cooperativas na redução da pobreza e na segurança alimentar do País.

Fonte: Assessoria
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Luiz Vicente Suzin Opinião

É hora da retomada

Compreender essa realidade é crucial para um movimento que a sociedade brasileira precisa colocar em marcha: a retomada

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

Em quase dois anos de pandemia, a humanidade ainda aprende às duras penas como enfrentar a traiçoeira doença da covid-19 e, ainda, entender a incrível variedade de sequelas e efeitos colaterais que acometem grande parte dos infectados. A ciência e a medicina procuram respostas e as incertezas ainda são muitas. Uma das poucas certezas é que o novo coronavírus e suas variantes vieram para ficar e exigirão campanhas anuais de controle e combate como ocorre, há décadas, por exemplo, com a gripe.

Compreender essa realidade é crucial para um movimento que a sociedade brasileira precisa colocar em marcha: a retomada. É imperativo vencer o imobilismo parcial que a pandemia impôs e retomar plenamente o curso de todas as atividades humanas em todos os setores da economia – sempre adotando o protocolo de prevenção à doença e proteção à saúde, já internalizado na conduta das pessoas.

A retomada tem o apoio e o protagonismo das cooperativas, seja na oferta de bens e serviços, crédito e tecnologia ou nos programas próprios de expansão e investimento. As entidades empresariais e os organismos estatais identificaram – e os empresários e empreendedores confirmaram – a existência de milhares de projetos de investimentos definidos e estruturados para entrarem em execução. E o que é mais importante: esses projetos têm recursos assegurados, próprios ou contratados, para serem concretizados.

Não é necessário esperar melhorar o ambiente de negócios nem esperar fortificar a taxa de confiança para executar esses projetos. A hora é aqui e agora. O empresário brasileiro provavelmente é o mais resiliente do planeta, pois foi temperado com certo grau de incertezas amalgamado pelas crises que ciclicamente surgem no cenário brasileiro.

Os agentes econômicos já perceberam que os mercados estão pedindo novos investimentos no campo e na cidade, na indústria e no comércio, nos serviços e nas tecnologias, na infraestrutura e na planificação de programas de desenvolvimento regional integrados e sustentáveis. Em todas essas áreas há uma cooperativa a fomentar investimentos.

No setor primário são milhares os projetos para expansão da base produtiva em pecuária, grãos, frutas, lácteos etc., envolvendo granjas, lavouras, genética e pequenas agroindústrias. Nas cidades, as indústrias e hospitais sentem a crescente e benéfica pressão da demanda. Escassez de mão de obra e a falta de matéria-prima revelam, em muitas regiões, como foi precipitada e mal planejada a interrupção ou diminuição da produção de insumos (especialmente o aço) e bens de consumo, no início da pandemia, quando sua dimensão e complexidade ainda eram desconhecidas.

O investimento em infraestrutura é outra poderosa ferramenta para dinamizar a economia, combater o desemprego e interiorizar o desenvolvimento. Em face dos desajustes fiscais e da falta de fôlego do governo para investir, as parcerias público-privadas (PPP) surgem como alternativas capazes de colocar capitais privados a serviço da melhoria das condições da logística de transportes, comunicações, portos etc.

Enfim, o Brasil deve retornar aos trilhos em busca do tempo perdido.

Fonte: Assessoria
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Luiz Vicente Suzin Cooperativismo

OCESC: 50 anos de representação

Santa Catarina é um Estado vocacionado para o trabalho, a inovação e o empreendimento

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

As cooperativas, como organizações humanas associativas, e o cooperativismo, como doutrina econômica baseada na atuação conjunta, ganharam expressão máxima em Santa Catarina, onde estão presentes desde o início do século passado.

Santa Catarina é um Estado vocacionado para o trabalho, a inovação e o empreendimento. Essas são características que balizam e estimulam o moderno cooperativismo. Por isso, em todos os ramos da economia catarinense as cooperativas estão presentes, oferecendo produtos e serviços de qualidade e concorrendo de forma ética, em todos os mercados, com as empresas mercantis.

É nesse cenário de protagonismo que completa meio século de fundação e de atuação a entidade de cúpula do sistema cooperativista barriga-verde – a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) – criada para atuar como órgão registro, representação e defesa técnica e política, além de assistência e apoio ao desenvolvimento do setor, e outras inúmeras atribuições.

O elevado grau de sucesso associativista, mercadológico, econômico e institucional das cooperativas catarinenses deve-se, em grande parcela, ao trabalho desenvolvido pela OCESC nessas cinco décadas. Apesar do romântico e inspirador conjunto de princípios e postulados que fundamentam a doutrina cooperativista, para obterem êxito elas precisam mostrar competência gerencial, visão empresarial, arrojo nas iniciativas, capacidade de atualização tecnológica, inteligência comercial e sintonia com as tendências de mercado e os desejos do consumidor.

Não deixa de ser um desafio atender a essas exigências sem ferir as características da governança corporativa que, em razão do seu caráter cooperativista, inclui diversos órgãos colegiados no processo de gestão democrática e, ao mesmo tempo, a permanente busca de sinergia entre cooperados (associados), empregados e dirigentes.

Em diversas áreas as cooperativas anularam deficiências e maximizaram as potencialidades de talentos humanos e capitais financeiros, de recursos naturais e vocações empreendedoras. São notáveis os resultados obtidos nos ramos agropecuário; crédito; transporte; consumo; saúde; infraestrutura; trabalho, produção de bens e serviços, onde as cooperativas uniram forças, viabilizaram empreendimentos, criaram serviços e produtos, estabeleceram próspero encadeamento produtivo e levaram desenvolvimento e bem-estar para amplas faixas da população.

As cooperativas enfrentaram com tenacidade e resiliência todas as crises que vergastaram a economia, revelando, em muitas ocasiões, uma extraordinária capacidade de assistir aos seus cooperados e, ao mesmo tempo, contribuir com as comunidades e com o Poder Público na busca de soluções de interesse social. Nessas ocasiões, o interesse setorial (dos cooperados e das cooperativas) foi subordinado ao interesse coletivo.

O advento da pandemia permitiu demonstrar essa face altruísta que, na verdade, é o exercício de um dos mais caros princípios universais do cooperativismo: o interesse pela comunidade. Foram as cooperativas as primeiras a implementar procedimentos, ações e programas em defesa da saúde de seus associados e colaboradores, bem como do público, seguindo-se amplo e intenso engajamento nas campanhas de saúde pública para combate ao novo coronavírus e contra a disseminação da covid-19.

As cooperativas constituem uma presença ativa e solidária em território catarinense, de expressão social e econômica, reunindo em seus quadros associativos mais de 3 milhões de associados e prestando serviços de qualidade para o Estado, o País e o Mundo. Em Santa Catarina, cooperativismo é sinônimo de trabalho, renda, qualidade de vida, dignidade, solidariedade e futuro. E a OCESC, em seus 50 anos de história, é a catalisadora desse inspirador modelo de fazer negócio.

Fonte: Assessoria
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Luiz Vicente Suzin Opinião

O plano possível

O plano não é perfeito, mas é o possível em face das atuais condições macroeconômicas

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

A agricultura é um setor estratégico, sensível e vulnerável para o País. Além de setor econômico de excelência e protagonista nas exportações, oferece a segurança alimentar sem a qual qualquer nação entra em crise social. Garantir todas as formas de  financiamento à agricultura é um dos maiores imperativos nacionais. Por isso, o anúncio do Plano Safra, a cada ano, reveste-se de importância.

O governo federal, através da diligente ministra Tereza Cristina, tem demonstrado sensibilidade e conhecimento das características do setor primário, como testemunha o recém-anunciado Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2021/2022. O Plano disponibilizará recursos da ordem de R$ 251,2 bilhões, o que representa um aumento de 6,3% em relação ao ano passado. Deste volume, R$ 177,7 bilhões serão destinados para custeio e comercialização. Um grande avanço que merece registro: os recursos para investimentos aumentarão em 29% e serão de R$ 73,4 bilhões. A promessa é de que os financiamentos poderão ser contratados de 1º de julho de 2021 a 30 de junho de 2022.

A oferta de condições para a infraestruturação do campo está expressa nos R$ 4,12 bilhões de recursos do Programa de Construção e Modernização de Armazéns (PCA), volume 84% acima do plano anterior. Com o PCA será possível ampliar a capacidade de armazenagem em cinco milhões de toneladas.

A agricultura familiar ficou amplamente contemplada com os recursos do Pronaf (R$ 39,34 bilhões, alta de 19%), ampliação do limite da renda bruta e enquadramento de R$ 415 mil para R$ 500 mil, incremento de 20,5%.

Foram destinados R$ 34 bilhões para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), elevação de 3% em relação à safra passada, e o aumento do limite de renda bruta para classificação, de R$ 2 milhões para R$ 2,4 milhões, 20% a mais. A expectativa era de elevação do limite da renda bruta anual em 32% tanto para o Pronaf quanto para o Pronamp.

O Plano Safra 21/22 também prevê recursos para o custeio de milho, sorgo e às atividades de avicultura, suinocultura, piscicultura, pecuária leiteira e bovinocultura de corte em regime de confinamento: R$ 1,75 milhão (Pronamp) e R$ 4 milhões para os demais produtores.

O PAP 2021/2022 aumentou o limite de recursos que o produtor pode acessar em subvenção ao prêmio do seguro rural, de R$ 48 mil para R$ 60 mil, para as atividades agrícolas. Para o apoio à comercialização, o volume será de R$ 1,4 bilhão.

A preocupação ambiental é patente, visto que o Programa ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) terá incremento de 101%, totalizando R$ 5,05 bilhões. Na próxima safra, o Programa ABC financiará a construção de unidades de produção de bioinsumos e biofertilizantes, sistemas de geração de energia renovável, além de oferecer um limite de crédito coletivo, até R$ 20 milhões, para a geração de energia elétrica, a partir de biogás e biometano.

O Proirriga, programa destinado ao financiamento da agricultura irrigada, terá R$ 1,35 bilhão, e o Inovagro, voltado para inovações tecnológicas nas propriedades rurais, ficou com R$ 2,6 bilhões.

Ao contrário do que esperavam os produtores rurais, as taxas de juros aumentaram 1,0 ponto percentual em relação à safra anterior mas, apesar da elevação da taxa Selic, representará um custo maior para os produtores rurais. O governo destinou um aporte de R$ 13 bilhões para equalização de juros. As taxas de juros variam de 3% a 8,5%.

Com relação à Assistência Técnica e Extensão Rural Digital (Ater Digital), está previsto repasse de R$ 25 milhões para a execução das ações pelas empresas de assistência técnica e extensão rural, ampliando o acesso dos agricultores a serviços modernos, ágeis e eficientes.

O plano não é perfeito, mas é o possível em face das atuais condições macroeconômicas. As cooperativas, por exemplo, esperavam aumento dos recursos do Prodecoop para R$ 3,5 bilhões, mas manteve-se o montante da safra anterior (R$ 1,65 bilhão) e os recursos para comercialização diminuíram 40,9% de R$ 2,37 bilhões para R$ 1,4 bilhão. Mas não há dúvidas que o Plano Safra deve ser a cada ano aperfeiçoado,  contribuindo para que o agronegócio se mantenha como a locomotiva da economia brasileira.

Fonte: Assessoria
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