Suínos
As contradições do Brasil
O Brasil, que é um dos maiores produtores de alimentos do planeta
*Cesar da Luz
O Brasil, que é um dos maiores produtores de alimentos do planeta, com terras férteis praticamente em todas as suas regiões, onde tudo que se planta dá e por isso mesmo grande exportador de grãos, está importando milho e deve importar soja dos EUA e da Argentina.
Navios saem dos nossos portos com produção nacional e praticamente se chocam com navios de bandeira estrangeira com grãos produzidos em outras terras para suprir a demanda interna do país. Aqui, onde não há produção suficiente de milho, como é o caso de Santa Catarina, o produtor de proteína animal sofre com o alto custo do principal componente da ração de aves e suínos, e se obriga a ir distante em busca do produto, o que acaba elevando ainda mais o custo de produção, já nas alturas em razão do atual preço do grão no mercado interno. E nas terras onde os animais estão confinados a poucos metros das lavouras de milho, quem não produz o grão em consórcio com criação de animais também sofre com a carestia do preço do produto. Enquanto isso, no centro do poder, em Brasília, não há uma política eficiente que garanta o abastecimento e que regule o mercado, protegendo a quem produz, seja grão ou animal.
O que se vê na prática, são alegações de que os estoques reguladores do governo são insuficientes para atender as necessidades da produção animal, e que não há como deslocar o produto para estados onde a produção de milho é excedente, como é o caso do Paraná, que produz bem mais do que consome. Já para onde não há milho, também não se pode deslocar o grão, ficando o estoque do governo no Mato Grosso, onde ocorrem os leilões hipossuficientes às necessidades das granjas.
O que se vê, como resultado dessas contradições, são animais sendo abatidos antes do tempo, redução de matrizes, graves perdas econômicas para o produtor, agravadas pela especulação dos atravessadores, ou animais mortos nos aviários por pura fome, com milhões e até bilhões de reais em prejuízos para quem está no início da cadeia produtiva.
Se hoje ganha aquele que já perdeu bastante com o baixo preço do milho, em detrimento da produção de proteína animal, ninguém de fato lucra regularmente neste país pelo simples fato de não se ter um bom gerenciamento do dinheiro público e honestidade de parte dos governantes. No fim das contas, a tributação erroneamente aplicada sobre a produção primária, somada a todos os demais impostos na cadeia produtiva e de serviços, acaba sendo benéfica ao governo, num quadro que se agrava quando o dinheiro público não tem destinação correta e parece apenas servir para alimentar um antro de corrupção em proporções inimagináveis.
Dizer que devemos parar de chorar e trabalhar é mais uma afronta do que uma motivação para o povo brasileiro que quanto mais produz, menos ganha; quanto mais trabalha, menos lucro tem. Esta é uma leitura simples e objetiva do que está ocorrendo atualmente no Brasil, um país de terras férteis e de povo trabalhador que se encontra à mercê de governantes cada dia mais corruptos.
* Cesar da Luz, jornalista, escritor e palestrante.
Fonte: Cesar da Luz

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.






