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Arrozeiros gaúchos comemoram a terceira safra consecutiva com bons resultados

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Pelo terceiro ano consecutivo, a cadeia orizícola gaúcha tem motivos para comemorar. A abertura oficial da colheita do arroz, sábado (22), em Mostardas, demonstrou que otimismo e política pública não faltam. Além da expectativa de colheita de 8,5 milhões de toneladas nesta safra, a balança comercial – cálculo entre exportação e importação – de 2011 até agora tem sido positiva. Ela não se mantinha nessa condição desde a safra 2008/2009.
O secretário estadual da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, elenca alguns fatores que levaram a essa condição favorável. O primeiro deles, e mais emergencial, foi a ajuda do governo Federal em 2011. Para equalizar a crise daquela safra, produzida pela super oferta e pouca demanda – produção de quase 9 milhões de toneladas -, a União enviou ao Estado R$ 1,2 bilhão para escoamento. Em seguida, em função do endividamento dos produtores, houve aporte federal de mais de R$ 1,5 bilhão para renegociação das dívidas.

Crédito presumido do Estado valorizou produto

Sem competitividade e ainda com resquícios da crise, o arroz gaúcho carecia de medida mais enérgica. Mainardi sustenta que o governo do Estado, ao conceder crédito presumido de 7% de ICMS – antes era 3,5% – à indústria que beneficia no mínimo 90% do produto do Estado o deixou mais competitivo no mercado interno brasileiro.
Mainardi pontuou que o País vive momento histórico de crescimento em que a agricultura tem parcela significativa. A modernidade, segundo ele, está chegando às propriedades, em especial às pequenas. Nunca o crétido foi tão abundante, informou. De R$16 bilhões há doze anos saltou para mais de R$ 160 bilhões para  financiar os agricultores brasileiros, compra de máquinas e implementos.
No arroz, segundo o secretário, a ação articulada do governo do Estado com os setores produtivos e suas representações proporcionou a estabilidade ao setor. “Produzimos de acordo com a necessidade do mercado, mantendo equilíbrio entre oferta e procura, o que impede o aviltamento dos preços, situação que prejudicava especialmente os pequenos e médios”, explicou Mainardi.
Além disso, houve aumento de produção e a concorrência com o Mercosul obrigou a busca de novos mercados.

Apoio à exportação e busca de novos mercados

Para o presidente do Instituto Riograndense do Arroz, Cláudio Pereira (Batata), uma medida de incentivo à exportação foi a criação do projeto setorial de internacionalização do arroz, “Brazilian Rice”, parceria da ApexBrasil e Abiarroz com apoio do Irga.
As 29 empresas participantes já passaram por 12 cursos de capacitação. Segundo Pereira, até março deste ano deverão entregues estudos de mercado dos noves países escolhidos como mercado-alvo.
Desde 2012 missões do governo do Estado e do projeto já marcaram presença em países como França, Nigéria, Cuba, Alemanha, África do Sul, Angola e Dubai. Ainda este ano estão previstas ações para o período de Carnaval, Copa do Mundo, convenção do arroz na Costa Rica, dentre outros.
Outro aspecto positivo à cadeia foram os leilões de estoques públicos. No ano comercial 2013/2014, das 552 mil toneladas disponíveis, 464 mil foram comercializadas, atingindo preço médio de R$ 34,00 a saca. O setor aprovou a estratégia dos leilões. Ajudou a evitar aumento de preços, abasteceu a indústria às exportações e proporcionou o escoamento dos estoques.

Reestruturação do Irga

Pereira destaca que a reestruturação do Irga contribuiu no suporte à pesquisa e de respostas ao setor. Depois de 40 anos, foi feito concurso público. Também aprovaram plano de cargos e salários, valorizando o servidor público.
O instituto adquiriu caminhões, tratores, implementos e equipamentos de laboratório para modernizar a pesquisa e extensão rural. Além disso, busca recursos para a construção do Centro de Difusão de Tecnologias Orizícolas do Irga.
A retomada da pesquisa possibilitou a criação de três novas variedades de arroz e uma de soja, a primeira desenvolvida para plantio na várzea (TEC-Irga6070). A viabilidade econômica na propriedade tem sido uma das marcas defendidas pela Secretaria da Agricultura.
Com esse viés, tem apoiado a rotação de culturas e a integração da lavoura com a pecuária. A intenção é aumentar a renda e servir como uma espécie de seguro ao produtor que não precisa depender de apenas uma atividade.

Fonte: Daniel Cóssio / Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio RS

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ABPA abre inscrições para prêmio de pesquisa aplicada durante o SIAVS 2026

Reconhecimento valoriza estudos com impacto prático na avicultura e suinocultura e prevê experiência internacional aos vencedores.

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Foto: Alf Ribeiro

Estão abertas as inscrições para o Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável, reconhecimento científico que a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) promoverá durante o SIAVS 2026 – Salão Internacional de Proteína Animal, maior evento da avicultura e da suinocultura do Brasil, que será realizado entre os dias 04 e 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).

A iniciativa contempla duas distinções, voltadas à valorização de pesquisas com efetiva aplicabilidade prática para a cadeia produtiva da proteína animal:

  • Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – Grandes Áreas, destinado a trabalhos científicos com impacto nas áreas de produção, manejo e ambiência; nutrição; tecnologia e processos; sanidade; sustentabilidade; e saúde pública.
  • Mérito ABPA de Pesquisa Aplicável – RAM (Resistência aos Antimicrobianos), voltado exclusivamente a estudos que abordem estratégias, ferramentas, indicadores e práticas relacionadas ao uso responsável de antimicrobianos e ao enfrentamento da resistência microbiana na produção animal, tema estratégico para o setor e alinhado aos princípios internacionais de One Health – no âmbito da  campanha “Uso Consciente, Futuro Responsável”, mantida pela ABPA.

O objetivo do Mérito é estimular pesquisas que extrapolem o ambiente acadêmico e apresentem aplicabilidade concreta, contribuindo para ganhos de eficiência, segurança sanitária, sustentabilidade e competitividade internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras.

Os trabalhos inscritos serão avaliados por comissão julgadora composta por especialistas com reconhecida atuação técnica e acadêmica. Entre os critérios considerados estão:

  • Relevância estratégica para o setor
  • Grau de inovação
  • Consistência metodológica
  • Aplicabilidade prática
  • Potencial de impacto na cadeia produtiva

Após a etapa de avaliação, os trabalhos selecionados serão apresentados durante a programação oficial do SIAVS, ampliando sua visibilidade junto a empresários, pesquisadores, autoridades sanitárias e representantes nacionais e internacionais.

Como forma de reconhecimento, o primeiro autor do trabalho vencedor em cada uma das duas distinções participará, com apoio da organização, de uma experiência internacional em uma das principais feiras globais de alimentos, podendo escolher entre a SIAL Paris 2026, em Paris, ou a Gulfood 2027, em Dubai. A iniciativa proporciona imersão no ambiente internacional de negócios e inovação, fortalecendo a formação estratégica dos pesquisadores.

As inscrições devem ser realizadas conforme as orientações disponíveis no site oficial do evento, onde também constam regulamento completo, prazos, formato de submissão e demais informações, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABPA
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Abertura de 525 mercados para o agro gera oportunidade histórica ou risco de expansão sem margem?

Diversificação de destinos pode gerar até US$ 375 bilhões em exportações, mas exige gestão de custos e precificação para garantir rentabilidade.

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Fotos: Claudio Neves

A abertura de 525 novos mercados internacionais para o agronegócio brasileiro, com potencial estimado de até US$ 375 bilhões por ano em exportações, consolida o país como um dos principais fornecedores globais de alimentos e reforça sua relevância estratégica no comércio internacional. Do ponto de vista institucional e geopolítico, trata-se de um avanço inegável. Do ponto de vista empresarial, no entanto, o aumento do acesso não pode ser confundido com geração automática de valor econômico.

A experiência mostra que expansão de mercado, quando não acompanhada por gestão rigorosa de custos e precificação adequada, tende a pressionar margens e aumentar a exposição financeira das empresas.

Exportar implica estruturas logísticas mais complexas, exigências sanitárias específicas, custos regulatórios adicionais, riscos cambiais, prazos de recebimento mais longos e maior dependência de capital de giro. Esses fatores alteram substancialmente o custo total da operação e não podem ser tratados como extensões do mercado doméstico.

Um dos erros mais recorrentes nas estratégias de internacionalização do agro é a ausência de segregação clara entre custos locais e custos de exportação. Quando a empresa utiliza uma estrutura de custos média para formar preços em diferentes mercados, acaba diluindo despesas específicas de cada canal e comprometendo a leitura real da rentabilidade por contrato, por produto e por país. O resultado é a celebração de volumes crescentes de vendas acompanhada por deterioração gradual das margens operacionais, muitas vezes percebida apenas quando o caixa

Foto: Divulgação

começa a ficar mais pressionado.

Outro ponto crítico é a formação de preços em ambientes de maior volatilidade. Oscilações cambiais, variações nos custos de frete internacional, alterações em tarifas e mudanças nos prazos de pagamento impactam diretamente a margem final, especialmente em contratos de médio e longo prazo. Sem mecanismos de proteção financeira e sem modelos de precificação que incorporem cenários de risco, a empresa transfere parte significativa da incerteza para dentro do próprio resultado.

Também é preciso considerar o efeito financeiro do crescimento acelerado. A ampliação das exportações exige maior investimento em estoques, transporte, certificações e estrutura comercial, elevando a necessidade de capital de giro. Em um ambiente de juros estruturalmente mais altos, esse custo financeiro passa a ser componente relevante da margem e precisa ser tratado como parte integrante da estratégia de preço, não como despesa posterior absorvida pelo resultado.

Nesse contexto, cresce a importância da análise de margem real, e não apenas do faturamento ou da participação em novos mercados. Empresas que operam com foco exclusivo em volume tendem a mascarar ineficiências operacionais e decisões comerciais mal calibradas, sustentadas temporariamente por crescimento de receita, mas estruturalmente frágeis do ponto de vista financeiro. Crescer sem margem é, na prática, uma forma de destruição de valor em escala ampliada.

Para que a abertura de mercados se traduza em resultado sustentável, é indispensável avançar em três frentes: modelos de custeio mais precisos, que permitam identificar com clareza a rentabilidade por mercado e por canal; políticas de precificação que considerem riscos financeiros, fiscais e logísticos específicos de cada operação; e integração efetiva entre áreas comercial, financeira e operacional na tomada de decisão. Sem essa visão sistêmica, a empresa passa a competir apenas por preço, abrindo mão de margem para ganhar contratos que não se sustentam no médio prazo.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

O ano de 2026 tende a ser decisivo nesse processo. A ampliação do acesso a mercados cria oportunidades relevantes, mas também eleva o grau de exigência na gestão. Empresas que dominarem seus custos, entenderem sua estrutura de margem e tomarem decisões baseadas em dados terão condições de transformar expansão em rentabilidade. As demais correm o risco de crescer em complexidade, exposição financeira e dependência de crédito, sem a correspondente geração de valor econômico.

A abertura de 525 mercados é, sem dúvida, uma conquista estratégica para o país. Para as empresas do agro, porém, o verdadeiro diferencial competitivo não estará apenas na capacidade de vender mais, mas na competência de vender com margem, previsibilidade e sustentabilidade financeira. Em um cenário global cada vez mais competitivo, não será o tamanho da operação que definirá a perenidade dos negócios, mas a qualidade das decisões econômicas que sustentam essa expansão.

Fonte: Artigo escrito por Fabiano Coelho, PhD em Ciências Contábeis.
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Exportações agropecuárias ganham alternativa para evitar gargalos no Golfo Pérsico

Exigência sanitária turca levou à criação de certificado específico para cargas em trânsito, permitindo passagem e armazenagem temporária de produtos de origem animal sem interrupção do fluxo ao Oriente Médio e à Ásia Central, mesmo com as restrições no Estreito de Ormuz.

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Foto: Claudio Neves

O Brasil garantiu a continuidade de uma rota alternativa via Turquia para o envio de exportações agropecuárias, diante das restrições no Estreito de Ormuz. A solução foi negociada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Com isso, a estrutura portuária turca segue como opção importante para cargas brasileiras com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central, permitindo que as mercadorias sigam viagem sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico.

Foto: Vosmar Rosa/MPOR

Essa rota já era utilizada por exportadores brasileiros. No entanto, a Turquia passou a exigir novas regras sanitárias para produtos sujeitos ao controle veterinário oficial, como os de origem animal. Para evitar prejuízos ao fluxo das exportações, foi negociado o Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário com Destino à Expedição para outro País/Navio.

Na prática, o documento permite que mercadorias brasileiras, especialmente produtos de origem animal, atravessem o território turco ou fiquem armazenadas temporariamente no país antes de seguirem para o destino final.

A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento.

Fonte: Assessoria Mapa
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