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Bovinos / Grãos / Máquinas Menor oferta de animais para abate

Arroba do boi pode passar de R$ 330 em 2022, projeta especialista

Maior exportador de carne bovina do mundo, o Brasil trabalha no mercado com um cenário de menor oferta de animais para abate, acompanhado da elevação dos preços de insumos.

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Arquivo/OP Rural

Maior exportador de carne bovina do mundo, o Brasil trabalha no mercado com um cenário de menor oferta de animais para abate, acompanhado da elevação dos preços de insumos, operando o boi gordo em um movimento de alta de preços nas últimas semanas tanto no mercado físico como no mercado futuro.

Head Pecuária da StoneX Brasil, Caio Toledo: “Todo desafio acaba sendo uma janela de oportunidade e de aprendizado, então aqueles que não tinham nenhuma ferramenta de gerenciamento de risco passaram a utilizar, tirando uma lição de tudo isso” – Foto: Divulgação/StoneX

De acordo com o Head Pecuária da StoneX Brasil, Caio Toledo, esse panorama é resultado de um menor abate de fêmeas no primeiro semestre e da retenção de animais terminados dentro do confinamento no segundo semestre. “Fatores como o custo extremamente alto da produção da pecuária de engorda, com todos os insumos base para a engorda subindo de preço, acompanhando a alta das commodities que nós tivemos no mundo inteiro, foram determinantes para o atual panorama do mercado”, avalia Toledo.

Por outro lado, a suspeita de dois casos atípicos de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EBB), conhecida como a doença da vaca louca, no mês de setembro em frigoríficos de Nova Canaã do Norte (MT) e de Belo Horizonte (MG) impactaram por dois meses as cotações da arroba do boi gordo em todos os Estados, fazendo os preços caírem em média entre R$ 30 e R$ 40, bem como teve grande impacto nas exportações nos dois últimos meses, apresentando uma queda acentuada no volume do ativo enviado para o mercado internacional.

“Neste cenário, aqueles pecuaristas que não possuíam nenhuma ferramenta de gerenciamento de risco atravessaram esse período conturbado com um pouco mais de receio e alguns até com resultado negativo em função do preço baixo pago pelo ativo. Já os pecuaristas que não tinham nenhuma espécie de proteção financeira amargaram um prejuízo grande”, constata o consultor da StoneX, acrescentando: “Todo desafio acaba sendo uma janela de oportunidade e de aprendizado, então aqueles que não tinham nenhuma ferramenta de gerenciamento de risco passaram a utilizar, tirando uma lição de tudo isso”, pontua.

Saldo positivo

Toledo explica que em termos de cotação foi um ano positivo, com alguns Estados apresentando cotações maiores que as observadas no mesmo período do ano passado. Contudo, o mercado doméstico mostrou-se frágil ao longo do ano em função das questões econômicas, porém, de outro lado, presenciamos um mercado externo extremamente confiante, tanto pela questão de necessidade da carne bovina quanto pela relação cambial, o que acabou ajudando na exportação de carne bovina do Brasil para diversos países.

O especialista conta que notou-se ainda no segundo semestre uma menor oferta de animais enviados para o abate, visto que o produtor reteu boa parte do rebanho no pasto, com a expectativa de melhora no preço da arroba, fator que pode resultar em queda no volume abatido em novembro. Do lado do frigorífico, observou-se que a produção de carne bovina foi bem estratégica em 2021, com olhar atento sobre a real demanda interna e externa.

Toledo destaca que o mercado de consumo doméstico se comportou de maneira igual ao do ano passado ao longo de 2021, com uma leve melhora em novembro e deve ter o mês de dezembro com lucro em função das condições climáticas. “O calor acaba ajudando um pouco mais o consumo, assim como a retomada das economias que estavam fechadas, as cidades reabrindo seus comércios e as pessoas voltando a trabalhar na rua são fatores que fortalecem o consumo doméstico”, aponta Toledo.

Preços continuam elevados

Em relação aos insumos, o head da Stonex adianta que os preços para as principais commedities na curva de taxas B3 já estão projetados para 2022. “Os preços continuam elevados. Nota-se hoje o milho B3 saindo na faixa de R$ 80 a R$ 90 ao longo de 2022, mas precisamos um pouco mais de tempo para entender qual vai ser a ascendência do grão, frente a uma safra que deve ser muito interessante, então, talvez esses preços tenham algum recuo no futuro”, pontua.

Os preços do boi gordo evidenciam a alta no mercado brasileiro, principalmente pela retenção de gado para abate por parte dos pecuaristas. Toledo frisa que nem mesmo a autorização em 23 de novembro da entrada na China da carne certificada antes do embargo às exportações, em 04 de setembro, apresentou melhora no mercado, ao contrário, sublinhou nos contratos futuros negociados na B3 tendência de alta dos preços.

Contudo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) avalia essa liberação como um importante passo para o retorno à regularidade dos embarques ao país chinês, apesar de ainda não apresentar nenhuma previsão de retomada das relações comerciais. “Estamos observando o mercado em alta. O mercado financeiro reflete essa alta que nós temos no mercado físico. Hoje a oferta de gado está bem restrita, mas nós temos o suporte da demanda doméstica, que continua fazendo uma carne no valor extremamente alto comparado aos dois últimos meses, tudo isso acaba ajudando tanto o frigorífico a pagar um animal mais caro quanto o pecuarista a vender um animal mais caro”, explica Toledo,

Referência para o contrato futuro na B3, o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para o boi gordo acumula alta de 23,26% até 23 de novembro, quando fechou a R$ 316,90 a arroba, com base nos preços praticados no mercado de São Paulo.

No entanto, o consultor da Stonex diz que as projeções são positivas, voltando a trabalhar com a previsão da arroba para 2022 acima de R$ 330. “As expectativas futuras por enquanto são positivas, porém, nem sempre se confirmam. Essa tem sido a tecla que nós do mercado financeiro temos mais batido, porque nem sempre o céu será azul, então dentro das expectativas a melhor coisa a ser feita é a proteção, tentando sempre comprar o guarda-chuva em dias ensolarados. Talvez esse seja o momento de o pecuarista olhar o mercado financeiro e o mercado futuro com uma visão mais de proteção do que de especulação, torcendo sempre para que o melhor aconteça”, expõe.

Para dezembro, o boi gordo foi cotado a R$ 326,30 a arroba, alta de 3,45%. Porém até abril de 2022, o painel da B3 sinaliza preços mais altos. Os vencimentos de janeiro e fevereiro giram na casa dos R$ 329 por arroba. Março e abril, a R$ 336.

A média mensal é de R$ 290,43 a arroba, quase R$ 30 a mais por arroba em relação à média de outubro (R$ 269,56), mas ainda abaixo dos níveis anteriores à suspensão das exportações para a China. A média mensal do Cepea em agosto tinha sido de R$ 315,63 a arroba. Em setembro, de R$ 302,05.

Fatores que impactam no mercado

Toledo explica que qualquer notícia, previsão ou elemento novo na economia impacta no mercado e interfere nas projeções, apresentando preços futuros variáveis. “Qualquer fator interfere e acaba impactando o mercado. Por exemplo, dia 23 de novembro nós tivemos a liberação de cargas que estavam paradas na China de algumas exportações que foram realizadas de produções anteriores a setembro, essa notícia trouxe um impacto positivo para o mercado, então sempre que tem um fato novo isso acaba gerando um otimismo ou um pessimismo sobre os preços futuros”, justifica.

A economia doméstica foi ainda bastante afetada pela Covid-19 neste ano, pelo fato de ter poucas pessoas circulando nas ruas, o que baixou o consumo Self-Service, impactando a média de consumo interno da carne bovina.

No que tange as exportações, Toledo afirma que o país tem muito espaço para crescer no mundo, mas para ocupar uma fatia maior do mercado é preciso cautela. “Primeiro é necessário entender o posicionamento do mercado asiático e a taxa de câmbio para 2022, porque o câmbio acaba ajudando as exportações, essa será uma variável determinante sobre a exportação. A China continua com o embargo à carne bovina brasileira, sem previsão de retomada das relações comerciais, mas que pode acontecer a qualquer momento”, pontua.

Lição de 2021

As dificuldades e desafios enfrentados na atividade ao longo do ano deixam, segundo Toledo, um grande aprendizado aos pecuaristas quanto a importância do uso de ferramentas de gerenciamento e análise de risco para a tomada rápida de decisão, afim de mitigar possíveis ameaças. “Isso que vivemos colocou para os pecuaristas a necessidade do uso de ferramentas de gerenciamento de risco e outro ponto é a questão do custo da produção. O pecuarista vai ter que olhar muito de perto o seu custo, até para utilizar, através de uma base de custos, projeções de vendas de animais que ele vai confinar durante o ano de 2022”, menciona Toledo.

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Bovinos / Grãos / Máquinas

“É muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global”, afirma especialista

Para o pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta.

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Arquivo/OP Rural

Com capacidade de retenção de calor superior a do dióxido de carbono (CO2), a redução das emissões de metano (CH4) pode ter um impacto significativo e muito rápido no controle do aquecimento global, pois, apesar da sua curta vida na atmosfera – pouco mais de dez anos – é 28 vezes mais potente que o CO2 como gás de efeito estufa em um período de 100 anos. Dessa forma, sua captura poderia contribuir para esfriar o planeta, se contrapondo ao CO2, que permanece na atmosfera por cerca de um milênio.

Chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner: “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos” – Foto: Reprodução

É o que afirmou o chefe do Centro de Conscientização e Pesquisa Ambiental (Clear), pesquisador e professor PhD da Universidade da Califórnia Davis (EUA), Frank Mitloehner, durante o Fórum Metano na Pecuária – o caminho para a neutralidade climática, promovido no mês de maio pela JBS, em parceria com a Silva Team, em São Paulo (SP).

Essa comparação entre os gases feita pelo pesquisador norte-americano ilustra os cálculos do GWP 100 (Potencial Global de Aquecimento), medida adotada mundialmente para mensurar as emissões globais de gases do efeito estufa, no entanto, esse sistema considera apenas o potencial dos gases e não o período de vida útil de cada um. “É importante entendermos que o metano é muito diferente de outros gases”, ressalta, acrescentando: “Esse sistema tem sido usado nos últimos 30 anos, apesar dos cientistas já terem alertado sobre outros fatores que devem ser levados em consideração neste cálculo, porque o metano tem um alcance bem maior em sua vida útil”, pontua Mitloehner.

Para ele, a métrica do GWP* é a metodologia mais adequada para mensurar o metano produzido, pois avalia como a emissão de um gás de efeito estufa de curta duração afeta a temperatura do planeta. “O GWP* é uma nova maneira de caracterizar os gases de efeito estufa de curta duração, ele não é apenas responsável pela curta vida útil do metano, mas também pela sua remoção atmosférica. Ao contrário do GWP 100 que superestima o impacto do aquecimento do metano por um fator quatro vezes maior do que realmente é, ignorando sua capacidade de induzir o resfriamento quando as emissões de CH4 são reduzidas. Por isso, reafirmo, é muito importante que tenhamos métricas que consigam caracterizar melhor o impacto do metano no aquecimento global e o GWP100 não faz isso”, expõe Mitloehner.

Segundo o professor PhD, anualmente mais de 558 milhões de toneladas de metano são produzidas no mundo, emitidas não apenas pelo agronegócio, mas também através da produção de combustíveis fósseis, da energia elétrica, do desmatamento, dos aterros sanitários, das indústrias de carvão e gás natural. Desta quantidade, segundo Mitloehner, cerca de 548 milhões de toneladas são destruídas na atmosfera pela reação com o radical livre hidroxila (OH). “Isso significa que há um processo de remoção atmosférica para o metano, ou seja, não está apenas sendo produzido, mas também está sendo destruído”, pontua.

De acordo com o chefe do Clear, se num horizonte de dez anos as emissões de metano permanecerem constantes no rebanho bovino, a pecuária de corte contribuirá para o aumento da temperatura do planeta somente na primeira década, porque após esse período a quantidade emitida será a mesma que está sendo destruída, ou seja, o CH4 não será adicionado à atmosfera, consequentemente o aquecimento será neutralizado. “Se as emissões de metano forem constantes, do que é produzido e do que é destruído, a pecuária não vai mais adicionar gás metano na atmosfera após dez anos, com isso o metano não mais vai aquecer a terra, no entanto, se aumentar a quantidade de animais na pecuária não será possível conseguir essa neutralização”, expõe.

“O metano é um gás do efeito estufa poderoso e que nós queremos reduzir, mas é importante pensar em todas as suas propriedades para entender que o metano não é apenas um problema, mas também uma oportunidade de buscarmos a solução. O metano é basicamente energia, pode ser queimado, pode virar eletricidade, combustíveis, nós não queremos perder o metano, para isso precisamos mudar a maneira como pensamos neste gás, é essa a mensagem que quero passar para vocês”, salientou.

Neste sentido, o pesquisador destacou que as tecnologias existentes para reduzir as emissões da pecuária, como aditivos alimentares para melhorar a eficiência de digestão dos animais que podem contribuir, inclusive, para resfriar a atmosfera e compensar as emissões de outros gases.

Agropecuária e o metano

Por ano são criados mais de 70 bilhões de animais para consumo humano. Entre as principais fontes de emissão de metano na agropecuária estão o estrume e a fermentação entérica – um processo digestivo natural que acontece em animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras – responsáveis por cerca de 40% das emissões da agropecuária nas últimas duas décadas.

O esterco no pasto libera óxido nitroso, um gás de efeito estufa cuja contribuição, por tonelada, para o aquecimento global é 265 vezes mais potente do que a do dióxido de carbono. Esses dois processos da pecuária correspondem a mais da metade das emissões totais da produção agrícola. O cultivo de arroz e os fertilizantes sintéticos também são fontes emissoras de CH4, cada um representa mais de 10% das emissões do setor.

Nos EUA, em 2021 a produção de carne bovina foi de 12,6 milhões de toneladas e a produção total de leite registrou 102,5 bilhões de quilos, enquanto o Brasil produziu 10,3 milhões de toneladas de carne bovina e mais de 34 bilhões de litros de leite. “De 114 mil cabeças de gado na década de 70, os EUA chegaram próximo de 92 milhões de cabeças no ano passado, mas, apesar deste crescimento, as emissões se mantiveram estáveis”, relata.

Origem das emissões

Mitloehner explica que o sistema de emissões da pecuária começa pelo pasto, que utiliza o gás carbônico (CO2) presente no ar para fazer a fotossíntese. Em seguida, essa pastagem é consumida pelo gado, que transforma o CO2 em metano durante a digestão, liberando-o na atmosfera. “Ou seja, o metano volta a se transformar em gás carbônico, que novamente será utilizado pelas plantas. Dessa forma, concluímos que a origem das emissões de metano por bovinos é decorrente do carbono, que já estava presente na atmosfera”, frisa.

O que acontece quando aumenta, estabiliza ou diminuiu o metano?

Mitloehner nos convida a imaginar três cenários com o CH4 em um horizonte de 30 anos. No primeiro, com aumento da emissão de metano em 35% – isso aconteceu nos países em que a produção de gado está crescendo ano após ano; no segundo, com perspectiva de diminuição em 10% e no terceiro com uma hipótese em que as emissões sejam reduzidas a 35%. “Ao diminuir levemente o metano na pecuária não terá nenhum aquecimento adicional, ou seja, seu resultado será negativo para o aquecimento, e é isso que estamos buscando. Mas, se diminuir fortemente o metano estará tirando muito carbono do ar e terá um aquecimento negativo. Agora, se diminuir o metano constantemente, mesmo que pouco, não teremos nenhum aquecimento e é isso que estamos buscando fazer”, sugere o pesquisador.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Boas práticas de manejo de gado

Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades

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Foto: Assessoria

A pecuária é uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil e do mundo e, cada vez mais, a demanda por alimentos de origem animal aumenta. Nesse contexto, é necessário adotar boas práticas de manejo de gado, seja ele de corte ou leite, em pasto ou em confinamento.

Todas as fases da vida do animal devem ser observadas atentamente, do nascimento ao abate. Entre os benefícios das boas práticas de manejo de gado está a obtenção de maiores ganhos a baixo custo de produção, ou seja, maior eficiência nas propriedades.

Quando se trata de animais de corte, para que o manejo seja o melhor possível se faz necessário contribuir fortemente com o bem-estar animal e, assim, garantir a qualidade de vida dos animais enquanto se produz mais e melhor. No entanto, antes de saber o que fazer exatamente para melhorar os resultados, é preciso identificar o que está errado.

Segundo o coordenador Técnico da Premix, André Pastori D’Aurea, além de estressar o gado, o manejo inadequado dos animais os deixa agitados e dificulta a atividade como um todo. Barulhos causados pelas instalações, como portões, ferrolhos e bretes de contenção podem gerar ruídos que incomodam os animais, assim como gritos e movimentos bruscos podem assustá-los. Da mesma forma, o número de acidentes com os animais e colaboradores tende a aumentar nesse cenário.

“Em propriedades onde o manejo é ineficaz, é comum encontrar animais doentes ou lesionados com fraturas, torções, cortes e hematomas, por exemplo, o que, além de afetar o bem-estar dos bovinos, interfere na qualidade da carne após o abate”, explica D’Aurea.

Em poucas palavras, com manejo inadequado, o pecuarista não produz de maneira lucrativa e apenas arca com os prejuízos da falta de cuidado.

Já o manejo de gado adequado leva em conta a forma como o pecuarista lida com os animais, além da atenção à segurança do trabalho dos profissionais envolvidos no processo. Os cuidados começam desde o nascimento do bezerro, passando pelo transporte dos animais de corte até ao abate, como é exemplificado nas etapas abaixo:

– Recepção e destinação;

– Identificação dos animais;

– Pesagem individual;

– Vermifugação e vacinação do rebanho;

– Monitoração do consumo e do desempenho do gado;

– Leitura de cocho para o ajuste da alimentação;

– Condições adequadas de cocho e de água.

“Os bovinos devem ter acesso a um bom manejo em cada uma dessas etapas. Os animais devem ser conduzidos sempre ao passo, sem correrias e sem gritos e o vaqueiro deve trabalhar sempre à frente do lote que está conduzindo, atuando como ponteiro”, ressalta o coordenador.

 

Bem-estar animal

Como já destacado, um bom manejo de gado passa pela atenção ao bem-estar animal. Por isso, o criador deve cuidar para que os animais tenham comida e água disponíveis, estejam livres de qualquer tipo de desconforto, libertos de dor, doença e injúria, tenham facilidade para expressar seu comportamento natural e não sofram com estresse e medo.

Para cumprir todos os requisitos, é necessário contar com uma equipe treinada e alinhada com os propósitos da fazenda. “É importante capacitar os funcionários sobre as boas práticas de manejo de gado no curral em relação à sanidade, alimentação e outras atividades realizadas diariamente na propriedade. Assim, a equipe vai compreender a importância de tratar bem o rebanho”, orienta D’Aurea.

 

Conforto térmico

Além de tudo o que já foi dito sobre manejo de gado, é importante estar atento ao conforto térmico, já que boa parte do estresse animal pode ocorrer devido ao calor.

Para minimizar a temperatura, podem ser utilizadas sombras naturais provenientes de árvores, por exemplo. O esquema utilizado pela ILPF (Integração Lavoura Pecuária Floresta) possui esse grande benefício, já que os animais usam o sistema arbóreo natural para obter conforto.

Caso a propriedade não disponha de sombra natural, é possível utilizar sombras artificiais para proporcionar maior conforto aos animais em confinamento.

 

Dicas de manejo

Veja algumas dicas práticas para fazer um manejo racional e fornecer condições para o bem-estar dos animais:

– Profilaxia (prevenção) e tratamento de doenças são sempre necessários;

– Forneça quantidade e qualidade adequadas de alimento e água;

– Forneça espaço de cocho correto para o tipo de dieta e categoria animal;

– Avalie os comportamentos individuais da mesma forma que os em rebanho;

– Não utilize materiais pontiagudos na condução dos animais;

– Auxilie o manejo de gado durante as pesagens para que não ocorra pisoteio e lesões;

– Evitar aglomeração de pessoas nos currais durante o manejo;

– Evite gritos. Essa atitude estressa o animal e dificulta o manejo, além de afetar a qualidade da carne.

Para finalizar, é importante ressaltar que todos os manejos, quando bem executados, contribuem para a qualidade de vida e promovem melhor desempenho dos animais.

 

André Pastori D’Aurea – coordenador técnico da Premix

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Imediatismo e falta de coordenação prejudicam setor lácteo brasileiro

Essa análise é do coordenador da Câmera do Leite, Vicente Nogueira Netto, que trouxe ao 1º Dia do Leite O Presente Rural/Frimesa algumas reflexões do setor no país, entre elas o paradoxo que existe entre a atividade leiteira no Brasil e os preços praticados no mercado.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

“O único momento em que conseguimos conversar com as grandes redes é quando há escassez. Quando falta leite tudo vai bem”, a análise crítica é de Vicente Nogueira Netto, coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).

Coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Mapa, Vicente Nogueira Netto: “Quando conseguimos chegar ao consumidor com um preço mais alto, conseguimos distribuir resultados ao longo de toda a cadeia” 

Ele foi um dos palestrantes do 1º Dia do Leite, evento híbrido alusivo ao Dia Internacional do Leite, promovido pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O encontro foi no início de junho em Marechal Cândido Rondon, região Oeste do Paraná, e contou com a presença de produtores e autoridades do setor, além de expectadores pelas redes sociais.

Com a proposta de realizar reflexões do mercado de lácteos, Netto disse haver um paradoxo entre a atividade leiteira no Brasil e os preços praticados no mercado. Ele destaca os atuais preços do leite e derivados nos supermercados e afins. “Por outro lado, quando a gente consegue chegar ao consumidor com um preço mais alto, conseguimos distribuir resultados ao longo de toda a cadeia”, afirma Netto.

Entretanto, ele se diz assustado com o fato do setor ser obtuso quanto a leitura do mercado e quanto as atitudes da cadeia leiteira do Brasil. Tal afirmação segundo ele, serve de reflexão para as cooperativas, mas principalmente para as indústrias. “Desde maio do ano passado a produção e as importações são menores que o consumo”, destaca.

A disponibilidade per capita de litros de leite por habitantes, recuou 13,6% no primeiro quadrimestre e manutenção do patamar de preços na cadeia produtiva.

Conforme Vicente, na primeira semana de maio, período de menor oferta de do produto, houve a tentativa de provocar uma redução do preço pago ao produtor, no momento em que para ele, a produção deveria ter sido estimulada. “Isso não tem cabimento, afinal, se todo mundo estava vendo que faltaria produtos, por que a indústria deu sinal contrário para a oferta”, indaga.

Segundo ele, talvez isso se deva ao imediatismo da indústria láctea brasileira e à falta de coordenação da cadeia produtiva. Em contra ponto, ele cita as cooperativas de leite, e afirma que quando bem geridas atingem resultados positivos e desempenham melhor a relação com o produtor. “O cooperativismo de leite no Brasil passou ou passa por diversas fases, e talvez precise se reinventar”, ressalta.

De acordo com Netto a cadeia produtiva de leite no Brasil conhece pouco o mercado ao qual está inserida. “Precisamos nos conhecer melhor para dar sinais corretos para o mercado”.

Excedente

Outro apontamento feito por Netto se refere ao excedente de produção. Segundo ele, a cadeia de leite não está preparada para trabalhar com esse fator, considerado por ele o principal problema da economia leiteira do país. “Quando sobra 1% por exemplo, as quedas são desproporcionais”, ressalta.

Ele destaca o papel das informações em tempo real que maximizam a rapidez com que o mercado atualiza as informações. “Quando cai o valor do Spot o mercado vem pra cima e na queda de braço a gente perde”, salienta.

Para Netto, para que haja avanços na cadeia produtiva de leite no Brasil é preciso que existam políticas de melhor convivência com o excedente. Quando tem excedente o varejo ganha força contra a indústria, e consequentemente, reflete negativamente no produtor, elo mais frágil da cadeia.  “Talvez por conta disso a produção não saia do lugar nos últimos cinco anos”, conclui.

Oferta global

É natural em momentos de queda na produção interna que o mercado de varejo ou até mesmo a indústria importe leite de outros países, porém, Netto alerta para a desaceleração da produção nas principais regiões exportadoras. Entretanto, conforme dados elaborados pelo Sistema OCB, a produção está negativa desde 2021. “Os principais ofertantes também estão em decrescimento na produção de leite”, afirma.

De acordo com Netto, a escassez de leite no Brasil deve durar um pouco mais de tempo do que nas principais regiões produtoras do mundo. Entre os países da América do Sul junto ao Brasil, Netto cita o Uruguai a Argentina, ambos comprometidos com a exportação. O primeiro também diminuiu a produção, enquanto que a Argentina teve um ligeiro crescimento no último ano. “E mesmo assim a gente deu um sinal contrário. No mês passado a gente fez quem ofertava leite acreditar que tinha que baixar preços”, salienta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Fonte: O Presente Rural
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