Notícias Crescimento
Área de trigo no Brasil Central deverá atingir novo recorde
Expectativa de ultrapassar 130 mil hectares com trigo no Brasil Central

A região central do Brasil responde pelas primeiras semeaduras com o cereal no País, iniciadas ainda no mês de fevereiro com o trigo de sequeiro e com previsão de encerrar no mês de maio com o trigo irrigado. Os cultivos estão concentrados em Minas Gerais e Goiás, onde a alta demanda por sementes surpreendeu os produtores.
Após o crescimento acelerado da triticultura em Minas Gerais, quando passou de 20 mil para 80 mil hectares (de 2012 a 2015), a área de trigo estabilizou nos últimos três anos. Porém, nesta safra, a expectativa é atingir entre 90 a 100 mil hectares (ha), com volume de produção que poderá alcançar 250 mil toneladas. “Apesar da seca que afetou o rendimento na safra passada, a qualidade foi excelente garantindo um bom retorno econômico ao produtor. A temida brusone, também não se manifestou na última safra, o que motivou novos produtores a investirem no trigo. Faltou semente”, avalia o vice-presidente da Associação dos Triticultores do Estado de Minas Gerais (Atriemg), Eduardo Elias Abrahim.
A maior parte dos cultivos em Minas Gerais será com trigo de sequeiro (cerca de 85% da área), com semeaduras concentradas no mês de março. “O arranque inicial das plantas contou com bom volume de chuvas. O início da época seca começa agora em maio, possibilitando o escape da brusone no espigamento, fase que está começando agora nas lavouras instaladas na primeira quinzena de março”, avalia o pesquisador Vanoli Fronza, da Embrapa Trigo.
O aumento da demanda em Goiás também foi percebida pelos pesquisadores que atuam na Embrapa Cerrados que apontam para um significativo aumento da área plantada com trigo sequeiro no Distrito Federal e em municípios do entorno, como Cristalina, Água Fria, São João D’Aliança e Formosa (GO), além de Unaí (MG). A estimativa é de que a área plantada na região alcance 30 mil ha. A safra, que é colhida em junho/julho, representa a primeira oferta de trigo do ano no Brasil, o que possibilita bons negócios para o triticultor.
Já para o trigo irrigado, a perspectiva é de recuperação da área de plantio, que foi reduzida na safra passada na região do DF em virtude da falta de água para irrigação. “Neste ano, de modo geral, as chuvas foram mais abundantes, dentro da média normal, e há uma maior quantidade de água disponível para irrigação das lavouras. É possível que haja aumento da área plantada”, projeta o pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados.
Vantagens do sequeiro
Entre as vantagens do plantio do trigo sequeiro nos sistemas agrícolas da região estão a quebra de ciclos de pragas e doenças de solo, como as provocadas pelos fungos Fusarium spp., o aumento na produtividade da cultura de verão posterior, o fornecimento de palhada para cobertura do solo e a supressão de plantas daninhas, incluindo as resistentes ao herbicida glifosato.
“Com o trigo sequeiro inserido no sistema com a soja, há vários benefícios, como a rotação de culturas, a proteção do solo durante o inverno e uma palhada de qualidade. Além disso, existe a possibilidade de renda para o produtor. No ano passado, a chuva ajudou e a média de produtividade na região ficou em 35 sc/ha, sendo que alguns produtores da região obtiveram 50 sc/ha”, comenta o pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo.
Segundo o pesquisador, o surgimento de cultivares mais tolerantes à seca e à brusone, como a BRS 404, material desenvolvido pela Embrapa para a região, também tem favorecido o aumento da área de trigo sequeiro no Planalto Central. A cultivar, por sinal, tem tido boa aceitação por parte dos moinhos, visto que um dos seus atributos é a boa qualidade de farinha para a panificação. “A procura por sementes da nova cultivar teve um aumento significativo em relação à última safra, tanto que as sementes estão praticamente esgotadas”, aponta Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados.
“No ano passado, os produtores de trigo na safrinha ficaram satisfeitos com a produtividade e a qualidade dos grãos. Este ano, até o momento, as lavouras de trigo estão tendo um bom desenvolvimento das plantas, muito em função da distribuição adequada das chuvas durante o ciclo da cultura”, observa Albrecht. “A janela de plantio do milho safrinha não é a mesma do trigo e os produtores estão buscando novas alternativas de diversificação em vez do plantio tardio do milho safrinha”, completa Jorge Chagas.
“O problema aqui é a cigarrinha do milho, o que limita um pouco o plantio, e a janela de plantio vai até o fim de fevereiro. O sorgo é viável até certo ponto, mas não traz as melhorias que o trigo dá. Além disso, o sorgo concorre com plantas daninhas e não há um herbicida para folha estreita para essa cultura. No caso do trigo, existe produto específico, então temos essa facilidade de manejo”, diz o produtor José Guilherme Brenner, do PAD-DF.
Ele incluiu o trigo sequeiro no sistema da propriedade na safra de 2016, quando plantou 15 ha. Desde então, a área plantada em rotação com feijão em sequeiro tem aumentado a cada safra – neste ano são 180 ha. No ano passado, a produtividade alcançou teto de cerca de 50 sc/ha, quando foram plantados 120 ha, e o trigo foi vendido a um bom preço para um moinho da região.
Mas o principal benefício observado por Brenner não está na cultura isolada, e sim, no sistema de rotação de culturas. “A rotação melhora o ambiente do solo, que fica protegido por uma palhada muito boa. Tivemos aumento da produtividade no feijão que é rotacionado com o trigo. O plantio da cultura de verão no ano seguinte, após o trigo, não só tem um resultado agronômico interessante, como também a operação de plantio sobre a palhada do trigo é muito mais fácil”, observa.
Alto potencial produtivo no irrigado
O pesquisador Júlio Albrecht observa que os produtores estão mais preparados para o controle preventivo da brusone, principal doença que afeta o trigo irrigado no Brasil Central. A janela de plantio do trigo irrigado plantado na região corresponde ao período entre 10 de abril e 31 de maio, sendo que a maioria dos produtores tem realizado o plantio na primeira quinzena de maio. “Eles têm obtido maior produtividade em função das temperaturas mais baixas, que favorecem o desenvolvimento das plantas, principalmente na fase do perfilhamento, além de minimizar a ocorrência da brusone”, observa.
A principal cultivar utilizada na região continua sendo a BRS 264, da Embrapa. Ela está sendo usada nos sistemas irrigado e sequeiro. “A cultivar é a mais plantada das áreas de trigo do Cerrado do Brasil Central por ser mais produtiva, precoce e de excelente qualidade industrial para panificação”, diz Albrecht, acrescentando que a BRS 394, lançada em 2016, vem conquistando espaço nas lavouras gradativamente, em função do alto potencial produtivo e da qualidade dos grãos para a panificação.
No ano passado, a produtividade média do trigo irrigado na região ficou em torno de 100 sc/ha, com produtores alcançando 130 sc/ha, principalmente com o plantio da cultivar BRS 264. As expectativas para 2019 são de uma produtividade ainda maior, principalmente devido à maior quantidade de água disponível para a irrigação. “Os produtores poderão irrigar as lavouras normalmente, sem necessidade de racionamento, como ocorreu na última safra”, aponta Albrecht.
Mercado
Responsável técnico da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (COOPA-DF), Cláudio Malinski informa que os cerca de 30 produtores cooperados que normalmente entregam trigo no moinho da entidade plantaram 8 mil ha de trigo safrinha em 2018, com produtividade média de 35 sc/ha. Neste ano, a área plantada é de 10 mil ha. Já o trigo irrigado foi plantado em 4 mil ha no ano passado pelos cooperados, que obtiveram produtividade média de 105 sc/ha. Para 2019, a expectativa é de aumento dessa área para 4,5 mil ha, que se somará a outros cerca de 8 mil ha cultivados por produtores não cooperados da região.
“No ano passado, como em 2017, a produção excedeu nosso consumo e vendemos o excedente para outras empresas. A tendência é sobrar mais trigo”, diz, comentando sobre o expressivo aumento da área plantada com trigo sequeiro na região. No trigo irrigado, a área plantada também deve aumentar, substituindo parte das áreas antes cultivadas com feijão, em função do elevado custo dessa cultura e da diminuição dos preços nos últimos dias.
Em 2018, os valores da tonelada do trigo negociados pela COOPA-DF ficaram entre R$ 800 e R$ 940. Para este ano, os valores também não devem ficar inferiores a R$ 800 a tonelada. “Por menos que isso, ficaria mais barato que o trigo do Sul do Brasil. E sabemos que o nosso trigo é de alta qualidade”, afirma.
Segundo Malinski, a grande preocupação para a atual safra é quanto ao controle da brusone e de outras doenças de espiga e de folhas. A cooperativa tem feito uma série de recomendações aos produtores, como aplicações preventivas (de fungicida) aos 30 dias para evitar fontes de inóculo e adubação com silício. “Queremos que o produtor invista nas melhores tecnologias para controlar as doenças. Se conseguirmos, o trigo vai estourar na região”, prevê, apostando, em caso de sucesso, em produtividades de 40 sc/ha para o sequeiro e de 105 a 110 sc/ha para o irrigado.
Cuidados com o clima
Segundo o pesquisador Vanoli Fronza, da Embrapa Trigo, a definição da época de semeadura do trigo de sequeiro é um processo complicado: “O produtor precisa plantar cedo para aproveitar o período de chuvas, mas se antecipar muito a semeadura aumenta o risco de brusone”. Ele explica que a Embrapa, além de buscar maior nível de resistência à brusone, tem trabalhado no desenvolvimento de cultivares que apresentem ciclo vegetativo mais longo até o espigamento, mas que o ciclo total da cultivar seja semelhante às cultivares de ciclo médio. Assim, estas cultivares seriam plantadas no final de fevereiro/início de março, aproveitando melhor as chuvas do final da estação chuvosa, e iriam espigar apenas no mês de maio, quando o risco de ocorrência de brusone é bem menor.
O produtor Eduardo Abrahim, que acompanha lavouras em MG e GO, avalia que o período chuvoso em março e abril colaborou com as operações de semeadura e desenvolvimento inicial das plantas, porém aumentou muito as condições favoráveis ao inóculo da brusone: “estamos investindo em aplicações preventivas de fungicida. Para escape da doença, dependemos da chegada do frio na região, no mínimo duas semanas de temperaturas mais amenas para evitar a brusone”.
Além disso, conforme o pesquisador Joaquim Soares Sobrinho, da Embrapa Trigo, as intensas chuvas nos meses de março e abril deste ano, associadas às temperaturas mínimas mais elevadas, causaram alta incidência de manchas foliares, abrindo lesões nas folhas que permitiram também a entrada de bactérias, o que está sendo o motivo da perda de muitas lavouras de trigo em Goiás, nas quais o fungicida não foi aplicado no início do aparecimento dos sintomas.
De acordo com o pesquisador João Leodato Nunes Maciel, da Embrapa Trigo, as bactérias podem ser favorecidas por uma série de condições do ambiente, como clima ou, até mesmo, cultivar. Ele explica que, como cada cultivar responde diferentemente à infecção, não é possível especificar ainda qual o potencial de dano que a bacteriose pode causar no rendimento das lavouras da região. “O importante é o produtor saber que, ao contrário das manchas foliares, os fungicidas não servem para o controle das bactérias, que podem continuar no ambiente mesmo após a aplicação do defensivo. No Brasil, ainda não existem bactericidas indicados para cereais de inverno”, afirma Maciel.
No entanto, lembra o pesquisador, nesta época o produtor deve fazer uma aplicação para controlar fungos e prevenir doenças de espiga: “em algumas lavouras com cultivares suscetíveis a manchas, a infecção por outros patógenos, incluindo bactérias, pode ser favorecida devido à maior debilidade da planta, sendo então necessário continuar o controle para as demais doenças e não superestimar o potencial de dano causado pela bactéria”.

Notícias No Paraná
Porto de Paranaguá se firma como principal corredor de carnes do Brasil
TCP movimenta 11,5 milhões de toneladas em 2025, amplia participação no embarque de bovinos e frango e reforça papel estratégico no comércio exterior.

O Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná, atingiu em 2025 uma movimentação recorde de 11,5 milhões de toneladas de cargas. A soma do volume de exportações e importações, sem considerar o peso de contêineres, representa um crescimento de 7% frente às 10,8 milhões de toneladas registradas em 2024.
O resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações, que chegaram a 8,290 milhões de toneladas de cargas, alta de 7%, enquanto as importações tiveram um aumento de 2%, totalizando um volume de 3,177 milhões de toneladas.
Os segmentos comerciais que mais tiveram destaque nas exportações ao longo do ano foram o de carnes e congelados (3,822 milhões de toneladas), madeira (1,394 milhões de toneladas) papel e celulose (991 mil toneladas), e agronegócio (393 mil toneladas).

Nas importações, a liderança foi do segmento químico e petroquímico (619 mil toneladas), seguido do automotivo (544 mil toneladas), de eletrônicos e maquinários (333 mil toneladas), e de construção e infraestrutura (233 mil toneladas). “Em um cenário global mais complexo, por conta da imposição de cotas de importação e tarifas a produtos brasileiros, o TCP se demonstrou um eixo fundamental para a corrente de comércio do país. Com uma alta concentração de serviços marítimos e maior capacidade de transporte por navio, após a ampliação do calado operacional, encerramos 2025 com uma movimentação recorde, o que reflete a confiança do mercado em operar por Paranaguá”, explica Carolina Merkle Brown, gerente comercial de Armadores e de Inteligência de Mercado do TCP.
Desde 2024, o calado operacional do canal de acesso ao Porto de Paranaguá já passou por três revisões, passando de 12,10 metros para 13,30 metros. O incremento da profundidade em 1,20 metros representa um aumento de capacidade de 960 TEUs cheios por navio.
O número de atracações no Terminal de Contêineres de Paranaguá teve um aumento de 3% em 2025, chegando a 1.019 navios. O TCP é o maior concentrador de linhas marítimas entre os terminais brasileiros, contando com 23 escalas semanais regulares de cobertura global (Ásia, Europa, Américas e África), além da Cabotagem.
Embarques de carne bovina têm nova máxima histórica

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostram que o Brasil exportou, em 2025, 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, uma alta de 20,9% em volume e que gerou uma receita de US$ 18,03 bilhões em receita total, alta de 40,1% em comparação com 2024.
No período, a TCP foi responsável pelo embarque de 1,034 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 53% em volume frente às 675 mil toneladas exportadas em 2024.
O crescimento do volume acima da média nacional representa um avanço do Terminal em participação de mercado, que passou de 23% para 29% entre 2024 e 2025. “O aumento da participação de mercado na exportação de carne bovina está diretamente relacionado ao aumento da confiança do mercado brasileiro na infraestrutura e na qualidade do atendimento oferecido pelo TCP para as indústrias exportadoras de carne. Com a maior área para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, o Terminal de Contêineres de Paranaguá se destaca como o maior corredor de exportação de carnes e congelados do Brasil, convertendo clientes de Norte a Sul”, destaca Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento do TCP.
Parque para armazenagem de contêineres
Em 2024, o TCP inaugurou o maior parque para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, após a conclusão da obra que ampliou o número de tomadas no pátio de operações de 3.624 para 5.268. No ranking nacional, o Terminal de Contêineres de Paranaguá possui um número de tomadas 32% superior ao segundo colocado.
Atualmente, o TCP é o maior corredor de exportação de carnes e congelados do Brasil, detendo uma participação de mercado de 39% no segmento.
Embarques de frango disparam no quarto trimestre

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Entre outubro e dezembro, o TCP embarcou 670 mil toneladas de carne de frango congelada, alta de 9% em comparação às 617 mil toneladas registradas no mesmo período de 2024. O resultado demonstra uma retomada nos embarques de carne de frango após um ano desafiador para as indústrias exportadoras.
Com a identificação de um foco de Influenza aviária em uma granja no município de Montenegro (RS), em maio, diversos compradores suspenderam temporariamente as importações do produto brasileiro, gerando impacto nos embarques. “Com a resolução rápida do caso e o Brasil se declarando livre de gripe aviária em junho, após 28 dias sem registrar novos casos, as restrições aos embarques foram gradativamente removidas. Com isso, o TCP alcançou um volume recorde na exportação de carne de frango no quarto trimestre e teve o melhor mês da série histórica em dezembro” comenta Guidolim.
De acordo com os dados levantados pelas Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), apenas no mês de dezembro, o Brasil exportou 510,8 mil toneladas de frango, o que representou uma alta de 13,9% frente ao desempenho do mesmo mês no ano anterior, gerando uma receita total de US$ 947,7 milhões.
No mesmo mês, o TCP registrou um novo recorde mensal para o embarque de carnes de frango, sendo responsável pela exportação de

Foto: Jonathan Campos
233,9 mil toneladas, alta de 19% em comparação ao desempenho de dezembro de 2024, que havia sido de 197,4 mil toneladas.
A ABPA também informou que, em 2025, o país embarcou 5,324 milhões de toneladas de frango, alta de 0,6% em volume, gerando uma receita total de US$ 9,790 bilhões. Já o TCP, maior corredor de exportação de carne de frango congelada do Brasil, foi responsável pelo embarque de 2,398 milhões de toneladas do produto, representando uma participação de mercado de 45% nas exportações.
O Paraná foi o estado de origem de mais de 70% do volume de frango exportado pelo TCP. Já os principais destinos das cargas foram Emirados Árabes Unidos (9,1%), África do Sul (8%) e Japão (6,7%).
Notícias
Capal reforça estrutura para receber safra de verão 2025/2026
Cooperativa reúne colaboradores para garantir recebimento seguro e preservação da qualidade dos grãos. Com ampliação de silos, capacidade de armazenamento da empresa soma 601 mil toneladas de grãos.

A Capal Cooperativa Agroindustrial reuniu colaboradores em Arapoti (PR), na última semana, para um evento de sensibilização da safra de verão 2025/2026. O encontro marca a preparação para o recebimento da safra verão na matriz e nas unidades, com ênfase para as culturas de soja e milho, e promove um alinhamento entre os diversos setores da Cooperativa que atuam na frente operacional da recepção, beneficiamento e armazenagem dos grãos. Também estiveram presentes representantes das áreas de apoio diretamente relacionadas à recepção da safra.
Para a diretora industrial da Capal, Valquíria Demarchi, o envolvimento de todas as áreas no evento, do operacional ao administrativo, é importante para que a cooperativa possa se planejar para um recebimento assertivo e sem incidentes. “O objetivo é receber a safra com tranquilidade e atender o cooperado para que ele consiga realizar uma boa gestão da safra, colhendo no momento certo e preservando a qualidade dos grãos”, explica.
Os temas abordados na reunião incluem cenário do campo, logística, gestão de pessoas, segurança do trabalho, preservação ambiental, obrigatoriedades fiscais, planejamento no pós-colheita, beneficiamento e armazenagem dos grãos. Com a construção de uma nova bateria de silos em Arapoti, a capacidade de armazenamento da Capal passa a totalizar 601 mil toneladas, somadas todas as Unidades.
O engenheiro agrônomo Eliezer Fatiga Solda, do Departamento de Assistência Técnica – Agrícola da Capal, avalia que a safra atual está dentro das expectativas e que não teve muitas ocorrências em relação a pragas e doenças. “De maneira geral, o desenvolvimento das lavouras está muito bom. O que tem acontecido é uma irregularidade de chuvas, mas, em geral, os campos estão recebendo a quantidade de chuva necessária. O potencial produtivo está dentro do esperado, com exceção de casos específicos de déficit hídrico”, comenta.
Segundo o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado na semana passada, a soja já ocupa uma área de 4,8 milhões de hectares plantados no Paraná. A estimativa inicial é de que sejam colhidas 22 milhões de toneladas no estado.
Notícias
Acordo com a União Europeia pode redesenhar presença do Brasil no comércio global
Presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, afirma que tratado abre mais de 500 frentes imediatas de exportação, fortalece a previsibilidade econômica e mantém ambiente favorável à ratificação apesar da judicialização no Parlamento Europeu.

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, reafirmou o otimismo do governo brasileiro em relação ao futuro do Acordo Mercosul–União Europeia e destacou o potencial transformador do tratado para a inserção internacional das empresas brasileiras. Em entrevista coletiva realizada na quinta-feira (22), na sede da Agência, em Brasília, Viana apresentou dados inéditos que apontam para mais de 500 oportunidades imediatas de exportação assim que o acordo entrar em vigor.

Foto: Claudio Neves
Politicamente concluído em 2024 e assinado em 2025, o acordo é tratado pela ApexBrasil como um marco histórico de abertura econômica. Segundo Viana, mesmo diante da apreensão gerada pela judicialização temporária do texto no Parlamento Europeu, o ambiente segue favorável à ratificação. “O acordo não trata apenas de comércio. Estamos falando da retomada de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de valor e incentivar fluxos de investimento”, afirmou.
O presidente da ApexBrasil avaliou que o envio do texto à instância judicial europeia não altera o entendimento estrutural entre os blocos. “Foi uma manobra política dos que eram contra e isso faz parte do jogo da política”, disse aos jornalistas. Ele ressaltou ainda a relevância da União Europeia como principal investidor estrangeiro no Brasil, com estoque superior a US$ 464 bilhões, o equivalente a cerca de 41% de todo o Investimento Direto Estrangeiro (IED) no país.
Articulação política
Para avançar na aprovação do acordo, Viana informou que a ApexBrasil está intensificando a articulação com o Congresso Nacional e o diálogo diplomático com a Europa. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, Nelsinho Trad, aceitaram integrar uma comitiva brasileira que deverá ir ao Parlamento Europeu para ampliar as conversas sobre o tratado. “A missão agora é também o Congresso Nacional ajudar na interlocução com os outros parlamentos aqui do Mercosul para aprovar o quanto antes o acordo”, afirmou Viana, ao destacar a necessidade de coordenação política entre os países do bloco sul-americano.
Reposicionamento do Brasil na Europa
Paralelamente às articulações institucionais, a ApexBrasil prepara uma estratégia de comunicação voltada ao mercado europeu. O objetivo é melhorar a percepção sobre o Brasil, especialmente junto ao setor privado, por meio de uma campanha de reposicionamento internacional. “Vamos mostrar que o Brasil não é um bicho-papão”, disse Viana, ao citar reuniões, missões empresariais e encontros com parlamentares europeus previstos no planejamento da Agência.
O presidente da ApexBrasil também destacou os resultados positivos do fluxo comercial brasileiro em 2025, avaliando que o desempenho reflete a retomada do protagonismo do país no cenário internacional. “O Brasil voltou a ter um protagonismo que tinha perdido no governo passado”, afirmou.
Mais de 500 oportunidades mapeadas

Presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana: “O acordo não trata apenas de comércio. Estamos falando da retomada de um ambiente de previsibilidade capaz de atrair mais investimentos, melhorar a inserção estratégica do Brasil em cadeias globais de valor e incentivar fluxos de investimento” – Foto: Divulgação/ApexBrasil
Segundo levantamento da área de Inteligência da ApexBrasil, foram identificadas 543 oportunidades de exportação com desgravação tarifária imediata após a entrada em vigor do acordo. Esses produtos correspondem a um mercado potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia. Atualmente, o Brasil exporta apenas US$ 1,1 bilhão desses itens ao bloco.
Para Viana, os números evidenciam um amplo espaço para crescimento. “É um oceano de oportunidades” para empresas brasileiras de todos os portes, abrangendo setores industriais, agropecuários, tecnológicos e de bens de maior valor agregado.
As oportunidades estão distribuídas em 25 dos 27 países da União Europeia, com maior concentração na Europa Ocidental, que reúne 266 possibilidades de expansão. Também há espaço relevante na Europa Meridional, Oriental e Setentrional. Entre os setores com maior potencial estão máquinas e equipamentos de transporte, obras diversas, artigos manufaturados, produtos químicos, materiais em bruto e alimentos, além de segmentos estratégicos como motores, geradores elétricos, aeronaves, autopeças e produtos de base agrícola.
Agro com ganho de competitividade

Foto: Roberto Dziura Jr
Questionado sobre o impacto do acordo no agronegócio, Jorge Viana afirmou que o setor deverá registrar um salto competitivo, com previsão de eliminação tarifária gradual, ampliação de cotas e redução de barreiras. “Será um fluxo complementar e não concorrencial entre os blocos”, destacou.
O presidente da ApexBrasil reforçou ainda que o papel da Agência será preparar as empresas brasileiras para transformar o potencial identificado em negócios concretos. Segundo ele, a atuação seguirá integrada ao governo federal, ao Poder Legislativo, ao setor privado e a parceiros internacionais. “O Brasil está diante de uma das maiores janelas estratégicas para ampliar exportações das últimas décadas e o cenário, embora às vezes turbulento, segue favorável para o avanço das negociações”, enfatizou.



