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Área de trigo no Brasil Central deverá atingir novo recorde
Expectativa de ultrapassar 130 mil hectares com trigo no Brasil Central

A região central do Brasil responde pelas primeiras semeaduras com o cereal no País, iniciadas ainda no mês de fevereiro com o trigo de sequeiro e com previsão de encerrar no mês de maio com o trigo irrigado. Os cultivos estão concentrados em Minas Gerais e Goiás, onde a alta demanda por sementes surpreendeu os produtores.
Após o crescimento acelerado da triticultura em Minas Gerais, quando passou de 20 mil para 80 mil hectares (de 2012 a 2015), a área de trigo estabilizou nos últimos três anos. Porém, nesta safra, a expectativa é atingir entre 90 a 100 mil hectares (ha), com volume de produção que poderá alcançar 250 mil toneladas. “Apesar da seca que afetou o rendimento na safra passada, a qualidade foi excelente garantindo um bom retorno econômico ao produtor. A temida brusone, também não se manifestou na última safra, o que motivou novos produtores a investirem no trigo. Faltou semente”, avalia o vice-presidente da Associação dos Triticultores do Estado de Minas Gerais (Atriemg), Eduardo Elias Abrahim.
A maior parte dos cultivos em Minas Gerais será com trigo de sequeiro (cerca de 85% da área), com semeaduras concentradas no mês de março. “O arranque inicial das plantas contou com bom volume de chuvas. O início da época seca começa agora em maio, possibilitando o escape da brusone no espigamento, fase que está começando agora nas lavouras instaladas na primeira quinzena de março”, avalia o pesquisador Vanoli Fronza, da Embrapa Trigo.
O aumento da demanda em Goiás também foi percebida pelos pesquisadores que atuam na Embrapa Cerrados que apontam para um significativo aumento da área plantada com trigo sequeiro no Distrito Federal e em municípios do entorno, como Cristalina, Água Fria, São João D’Aliança e Formosa (GO), além de Unaí (MG). A estimativa é de que a área plantada na região alcance 30 mil ha. A safra, que é colhida em junho/julho, representa a primeira oferta de trigo do ano no Brasil, o que possibilita bons negócios para o triticultor.
Já para o trigo irrigado, a perspectiva é de recuperação da área de plantio, que foi reduzida na safra passada na região do DF em virtude da falta de água para irrigação. “Neste ano, de modo geral, as chuvas foram mais abundantes, dentro da média normal, e há uma maior quantidade de água disponível para irrigação das lavouras. É possível que haja aumento da área plantada”, projeta o pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados.
Vantagens do sequeiro
Entre as vantagens do plantio do trigo sequeiro nos sistemas agrícolas da região estão a quebra de ciclos de pragas e doenças de solo, como as provocadas pelos fungos Fusarium spp., o aumento na produtividade da cultura de verão posterior, o fornecimento de palhada para cobertura do solo e a supressão de plantas daninhas, incluindo as resistentes ao herbicida glifosato.
“Com o trigo sequeiro inserido no sistema com a soja, há vários benefícios, como a rotação de culturas, a proteção do solo durante o inverno e uma palhada de qualidade. Além disso, existe a possibilidade de renda para o produtor. No ano passado, a chuva ajudou e a média de produtividade na região ficou em 35 sc/ha, sendo que alguns produtores da região obtiveram 50 sc/ha”, comenta o pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo.
Segundo o pesquisador, o surgimento de cultivares mais tolerantes à seca e à brusone, como a BRS 404, material desenvolvido pela Embrapa para a região, também tem favorecido o aumento da área de trigo sequeiro no Planalto Central. A cultivar, por sinal, tem tido boa aceitação por parte dos moinhos, visto que um dos seus atributos é a boa qualidade de farinha para a panificação. “A procura por sementes da nova cultivar teve um aumento significativo em relação à última safra, tanto que as sementes estão praticamente esgotadas”, aponta Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados.
“No ano passado, os produtores de trigo na safrinha ficaram satisfeitos com a produtividade e a qualidade dos grãos. Este ano, até o momento, as lavouras de trigo estão tendo um bom desenvolvimento das plantas, muito em função da distribuição adequada das chuvas durante o ciclo da cultura”, observa Albrecht. “A janela de plantio do milho safrinha não é a mesma do trigo e os produtores estão buscando novas alternativas de diversificação em vez do plantio tardio do milho safrinha”, completa Jorge Chagas.
“O problema aqui é a cigarrinha do milho, o que limita um pouco o plantio, e a janela de plantio vai até o fim de fevereiro. O sorgo é viável até certo ponto, mas não traz as melhorias que o trigo dá. Além disso, o sorgo concorre com plantas daninhas e não há um herbicida para folha estreita para essa cultura. No caso do trigo, existe produto específico, então temos essa facilidade de manejo”, diz o produtor José Guilherme Brenner, do PAD-DF.
Ele incluiu o trigo sequeiro no sistema da propriedade na safra de 2016, quando plantou 15 ha. Desde então, a área plantada em rotação com feijão em sequeiro tem aumentado a cada safra – neste ano são 180 ha. No ano passado, a produtividade alcançou teto de cerca de 50 sc/ha, quando foram plantados 120 ha, e o trigo foi vendido a um bom preço para um moinho da região.
Mas o principal benefício observado por Brenner não está na cultura isolada, e sim, no sistema de rotação de culturas. “A rotação melhora o ambiente do solo, que fica protegido por uma palhada muito boa. Tivemos aumento da produtividade no feijão que é rotacionado com o trigo. O plantio da cultura de verão no ano seguinte, após o trigo, não só tem um resultado agronômico interessante, como também a operação de plantio sobre a palhada do trigo é muito mais fácil”, observa.
Alto potencial produtivo no irrigado
O pesquisador Júlio Albrecht observa que os produtores estão mais preparados para o controle preventivo da brusone, principal doença que afeta o trigo irrigado no Brasil Central. A janela de plantio do trigo irrigado plantado na região corresponde ao período entre 10 de abril e 31 de maio, sendo que a maioria dos produtores tem realizado o plantio na primeira quinzena de maio. “Eles têm obtido maior produtividade em função das temperaturas mais baixas, que favorecem o desenvolvimento das plantas, principalmente na fase do perfilhamento, além de minimizar a ocorrência da brusone”, observa.
A principal cultivar utilizada na região continua sendo a BRS 264, da Embrapa. Ela está sendo usada nos sistemas irrigado e sequeiro. “A cultivar é a mais plantada das áreas de trigo do Cerrado do Brasil Central por ser mais produtiva, precoce e de excelente qualidade industrial para panificação”, diz Albrecht, acrescentando que a BRS 394, lançada em 2016, vem conquistando espaço nas lavouras gradativamente, em função do alto potencial produtivo e da qualidade dos grãos para a panificação.
No ano passado, a produtividade média do trigo irrigado na região ficou em torno de 100 sc/ha, com produtores alcançando 130 sc/ha, principalmente com o plantio da cultivar BRS 264. As expectativas para 2019 são de uma produtividade ainda maior, principalmente devido à maior quantidade de água disponível para a irrigação. “Os produtores poderão irrigar as lavouras normalmente, sem necessidade de racionamento, como ocorreu na última safra”, aponta Albrecht.
Mercado
Responsável técnico da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (COOPA-DF), Cláudio Malinski informa que os cerca de 30 produtores cooperados que normalmente entregam trigo no moinho da entidade plantaram 8 mil ha de trigo safrinha em 2018, com produtividade média de 35 sc/ha. Neste ano, a área plantada é de 10 mil ha. Já o trigo irrigado foi plantado em 4 mil ha no ano passado pelos cooperados, que obtiveram produtividade média de 105 sc/ha. Para 2019, a expectativa é de aumento dessa área para 4,5 mil ha, que se somará a outros cerca de 8 mil ha cultivados por produtores não cooperados da região.
“No ano passado, como em 2017, a produção excedeu nosso consumo e vendemos o excedente para outras empresas. A tendência é sobrar mais trigo”, diz, comentando sobre o expressivo aumento da área plantada com trigo sequeiro na região. No trigo irrigado, a área plantada também deve aumentar, substituindo parte das áreas antes cultivadas com feijão, em função do elevado custo dessa cultura e da diminuição dos preços nos últimos dias.
Em 2018, os valores da tonelada do trigo negociados pela COOPA-DF ficaram entre R$ 800 e R$ 940. Para este ano, os valores também não devem ficar inferiores a R$ 800 a tonelada. “Por menos que isso, ficaria mais barato que o trigo do Sul do Brasil. E sabemos que o nosso trigo é de alta qualidade”, afirma.
Segundo Malinski, a grande preocupação para a atual safra é quanto ao controle da brusone e de outras doenças de espiga e de folhas. A cooperativa tem feito uma série de recomendações aos produtores, como aplicações preventivas (de fungicida) aos 30 dias para evitar fontes de inóculo e adubação com silício. “Queremos que o produtor invista nas melhores tecnologias para controlar as doenças. Se conseguirmos, o trigo vai estourar na região”, prevê, apostando, em caso de sucesso, em produtividades de 40 sc/ha para o sequeiro e de 105 a 110 sc/ha para o irrigado.
Cuidados com o clima
Segundo o pesquisador Vanoli Fronza, da Embrapa Trigo, a definição da época de semeadura do trigo de sequeiro é um processo complicado: “O produtor precisa plantar cedo para aproveitar o período de chuvas, mas se antecipar muito a semeadura aumenta o risco de brusone”. Ele explica que a Embrapa, além de buscar maior nível de resistência à brusone, tem trabalhado no desenvolvimento de cultivares que apresentem ciclo vegetativo mais longo até o espigamento, mas que o ciclo total da cultivar seja semelhante às cultivares de ciclo médio. Assim, estas cultivares seriam plantadas no final de fevereiro/início de março, aproveitando melhor as chuvas do final da estação chuvosa, e iriam espigar apenas no mês de maio, quando o risco de ocorrência de brusone é bem menor.
O produtor Eduardo Abrahim, que acompanha lavouras em MG e GO, avalia que o período chuvoso em março e abril colaborou com as operações de semeadura e desenvolvimento inicial das plantas, porém aumentou muito as condições favoráveis ao inóculo da brusone: “estamos investindo em aplicações preventivas de fungicida. Para escape da doença, dependemos da chegada do frio na região, no mínimo duas semanas de temperaturas mais amenas para evitar a brusone”.
Além disso, conforme o pesquisador Joaquim Soares Sobrinho, da Embrapa Trigo, as intensas chuvas nos meses de março e abril deste ano, associadas às temperaturas mínimas mais elevadas, causaram alta incidência de manchas foliares, abrindo lesões nas folhas que permitiram também a entrada de bactérias, o que está sendo o motivo da perda de muitas lavouras de trigo em Goiás, nas quais o fungicida não foi aplicado no início do aparecimento dos sintomas.
De acordo com o pesquisador João Leodato Nunes Maciel, da Embrapa Trigo, as bactérias podem ser favorecidas por uma série de condições do ambiente, como clima ou, até mesmo, cultivar. Ele explica que, como cada cultivar responde diferentemente à infecção, não é possível especificar ainda qual o potencial de dano que a bacteriose pode causar no rendimento das lavouras da região. “O importante é o produtor saber que, ao contrário das manchas foliares, os fungicidas não servem para o controle das bactérias, que podem continuar no ambiente mesmo após a aplicação do defensivo. No Brasil, ainda não existem bactericidas indicados para cereais de inverno”, afirma Maciel.
No entanto, lembra o pesquisador, nesta época o produtor deve fazer uma aplicação para controlar fungos e prevenir doenças de espiga: “em algumas lavouras com cultivares suscetíveis a manchas, a infecção por outros patógenos, incluindo bactérias, pode ser favorecida devido à maior debilidade da planta, sendo então necessário continuar o controle para as demais doenças e não superestimar o potencial de dano causado pela bactéria”.

Notícias
Curso Técnico em Zootecnia inicia nova turma em Seara e fortalece a formação para o agronegócio
Formação gratuita da Rede e-Tec Brasil, oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos, busca qualificar profissionais para atuar na produção rural.

O Polo de Seara promoveu, no último sábado (07), a aula inaugural do Curso Técnico em Zootecnia, formação gratuita voltada à qualificação de profissionais para atuar com eficiência, inovação e sustentabilidade na produção rural. A iniciativa integra a Rede e-Tec Brasil e é oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos em Santa Catarina.
A proposta do curso é aliar conteúdos teóricos, atividades práticas e experiências de campo, o que é essencial para uma formação alinhada às demandas do setor agropecuário. O presidente do Sindicato Rural de Seara, Valdemar Zanluchi, destacou o sucesso da iniciativa desde a implantação no município. Também ressaltou a qualidade do corpo docente e enfatizou que, ao final dos dois anos, os participantes terão conquistado uma qualificação capaz de ampliar oportunidades profissionais e contribuir para o desenvolvimento das propriedades rurais e das empresas do setor agropecuário.
O superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, enfatizou que a formação técnica proporciona uma base sólida de conhecimento aos alunos. Também frisou que o curso vai além do aprendizado em sala de aula ao possibilitar a construção de vínculos, troca de experiências e contato com profissionais e lideranças do setor, ampliando a visão dos participantes sobre o agronegócio.
O prefeito de Seara, Beto Gonçalves, que participou da abertura acompanhado pelo secretário de Agricultura, Renato Tumelero, enfatizou a importância do Curso Técnico para o município e reforçou o apoio do Poder Público local a ações de qualificação profissional. De acordo com ele, Seara é um município com forte ligação com o agronegócio e iniciativas que incentivam o acesso ao conhecimento são fundamentais, especialmente para jovens que estão assumindo ou pretendem atuar nas propriedades rurais.
Também estiveram presentes o supervisor regional do Senar/SC, Helder Jorge Barbosa, outras lideranças e a equipe do polo de Seara.
Curso em zootecnia
Totalmente gratuito, o curso é oferecido na modalidade presencial híbrida (80% da carga horária acontece presencialmente e 20% acontece a distância). Há certificação intermediária ao longo do percurso formativo e diploma com validade nacional, emitido conforme a legislação educacional.
De acordo com o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a formação tem contribuído para que jovens e adultos do meio rural atuem com excelência na produção, no manejo e na gestão pecuária. Ele ressaltou, ainda, que Santa Catarina conta com 17 polos de formação técnica no Estado e, além do Curso Técnico em Zootecnia, são oferecidas as seguintes formações: Técnico em Agricultura; Técnico em Agronegócio; Técnico em Florestas e Técnico em Fruticultura.
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Produtividade da soja no Rio Grande do Sul fica abaixo da média nacional, aponta especialista
Avaliação foi apresentada durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

A produtividade da soja no Rio Grande do Sul tem ficado abaixo da média registrada em outros estados brasileiros, sobretudo nos últimos cinco anos. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (10) pelo fundador da Veeries e especialista em inteligência de mercado para o agronegócio, Marcos Rubin, durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado no Auditório Central da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). O evento integrou a programação técnica da 26ª edição da Expodireto Cotrijal e reuniu especialistas para discutir competitividade, cenário produtivo e perspectivas para as cadeias da soja e do milho.
Na palestra “2026: O Novo Ciclo da Soja e do Milho: entre safras recordes e mudanças na demanda”, Rubin apresentou números e ferramentas voltados à análise do mercado agrícola. Ele exibiu dados sobre o desempenho da soja nos últimos anos e apontou que a produtividade gaúcha tem ficado abaixo da média observada em outros estados. Segundo Rubin, fatores climáticos têm contribuído para esse cenário. “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”, ressaltou.

Guillermo Dawson Jr: “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras” – Fotos: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective/Divulgação
Durante a apresentação, Rubin também chamou atenção para o potencial da produção de biocombustíveis a partir de grãos como alternativa para ampliar a demanda por soja. “A nova China para o Brasil é a geração de biodiesel. No Brasil, existe um mercado interno considerável para comercialização de biodiesel. A gente tem uma oportunidade gigantesca. Então, se aplicarmos o biocombustível no futuro, ele vai ser o principal responsável pelo crescimento da demanda de soja no Brasil nos próximos anos”, concluiu.
Rubin apresentou ainda gráficos comparativos sobre a evolução da produção de soja no cenário internacional. Segundo ele, o Brasil ampliou significativamente sua produção nos últimos 10 anos na comparação com os Estados Unidos. Sobre as perspectivas futuras, o especialista afirmou que começa a enxergar sinais mais positivos para o segundo semestre, mas destacou fatores de incerteza no cenário internacional. “Eu acho que existem fatores imponderáveis como as consequências da guerra Estados Unidos-Irã. Tem um fator que não é benéfico nessa questão da guerra, que é o fertilizante. A gente não sabe por quanto tempo, mas os preços já subiram”, constatou.
Além da análise de mercado, o fórum também abordou desafios relacionados à infraestrutura e à logística para o agronegócio brasileiro. A programação incluiu a palestra “Da adversidade à vantagem competitiva: o novo ciclo estratégico do TERMASA”, apresentada pelo vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) e dos terminais portuários Termasa-Tergrasa, Guillermo Dawson Jr.

Marcos Rubin: “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”
Durante a apresentação, Dawson Jr. abordou o papel da infraestrutura portuária e da logística integrada na competitividade do agronegócio brasileiro. “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras. Nos cabe dar as melhores condições de infraestrutura logística para que a soja possa ingressar nos mercados”, afirmou.
O dirigente também destacou a trajetória dos terminais Termasa-Tergrasa, localizados no Porto de Rio Grande. Segundo ele, o empreendimento surgiu no final dos anos 1960 a partir de uma iniciativa de cooperativistas que buscavam alternativas para o escoamento da produção de grãos. O terminal tornou-se o primeiro terminal graneleiro do país em 1972. Atualmente, o Termasa passa por reconstrução, com investimento de R$ 600 milhões, após um acidente envolvendo um navio. As obras devem se estender até outubro de 2026.
Na abertura do fórum, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, destacou a importância do evento, que chega à 36ª edição e ocorre pelo 26º ano consecutivo dentro da Expodireto Cotrijal. “Eu acho que a questão mais importante do Fórum da Soja é a interação. Nós temos basicamente representantes de cooperativas, de empresas, do sistema financeiro e é nesse contexto que temos uma seleção muito grande de debates no sentido convergente para solucionar os problemas”, ressaltou.
O 36º Fórum Nacional da Soja é promovido conjuntamente pela FecoAgro/RS, Cotrijal e CCGL, com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS.
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Cooperativismo movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina
Tema foi destaque na primeira reunião de 2026 da Frencoop, que reuniu deputados e dirigentes de cooperativas em Florianópolis.

Na noite de segunda-feira (09), em Florianópolis, a a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) realizou a primeira reunião de 2026, durante o encontro de integração entre entidades e poderes públicos com a Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc).
Santa Catarina é considerado o estado mais cooperativista do Brasil. Cerca de quatro milhões de catarinenses estão associados a pelo menos uma cooperativa, número que representa mais da metade da população.
A importância desse sistema também se reflete na atuação do Parlamento catarinense. A Alesc mantém há mais de três décadas a Frencoop, que atua na defesa e no fortalecimento do setor.
O cooperativismo responde por aproximadamente 12% do PIB catarinense e por cerca de 70% das exportações do estado, movimentando mais de R$ 100 bilhões por ano e gerando milhares de empregos e oportunidades.
Importância econômica do cooperativismo
O coordenador da frente parlamentar, deputado José Milton Scheffer (PP), destacou a relevância econômica e social do setor para Santa Catarina.

Deputado José Milton Scheffer: “O sistema cooperativista catarinense é muito pujante e dinâmico e tem grande importância para o desenvolvimento social e econômico do estado”
Segundo o parlamentar, além da geração de empregos, o modelo cooperativista permite que pequenos produtores se organizem e tenham acesso a mercado e crédito. “As cooperativas movimentam mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina e arrecadam cerca de R$ 8 bilhões em impostos estaduais. Muitas vezes pequenos agricultores só conseguem comercializar seus produtos por meio das cooperativas. O cooperativismo é estruturante para a economia catarinense.”

Deputado Mauro de Nadal: “A frente existe justamente para fortalecer o cooperativismo e fazer essa ligação entre o Parlamento e as cooperativas catarinenses”
Para o deputado Mauro De Nadal (MDB), a Frencoop cumpre um papel fundamental ao aproximar o Parlamento das demandas do setor produtivo.
Integração entre cooperativas e Parlamento
O presidente da Ocesc, Vanir Zanatta, ressaltou que o encontro também tem o objetivo de aproximar dirigentes das cooperativas dos parlamentares. “Mais de 50% da população catarinense está ligada a alguma cooperativa. Aqui reunimos cerca de 130 presidentes de cooperativas para dialogar com os deputados. Essa integração é importante para apresentar demandas e fortalecer essa parceria que já vem trazendo bons resultados para o estado.”
A presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a catarinense Tânia Zanella, destacou que o cooperativismo tem papel central no desenvolvimento regional. “A cada três catarinenses, um é cooperativista. Santa Catarina mostra como o cooperativismo transforma realidades e melhora a vida das pessoas. Essa parceria com o Parlamento é fundamental, porque as cooperativas também dependem de políticas públicas e de um ambiente regulatório adequado para continuar crescendo.”
O secretário de Estado da Agricultura, Admir Dalla Cort, reforçou que o modelo cooperativista garante segurança e estabilidade ao produtor rural. “O cooperativismo é essencial para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina. Ele fortalece o produtor rural, organiza a produção e contribui para que o estado, mesmo sendo pequeno em território, tenha uma produção extremamente forte.”

Deputado Fabiano da Luz: “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola”
Para o deputado Fabiano da Luz (PT), a relação entre cooperativas e poder público é estratégica para garantir competitividade ao setor agrícola. “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola. Ele garante acesso a crédito, assistência técnica e segurança na comercialização da produção. O papel do poder público é justamente dar suporte às demandas desse setor.”
Já o deputado Altair Silva (PP) destacou a origem do movimento cooperativista no meio rural.

Deputado Altair Silva: “O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense”
“O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense. A presença da Assembleia nesse diálogo reforça o compromisso com o desenvolvimento do estado.”
O deputado Napoleão Bernardes (PSD) destacou que a atuação da frente parlamentar vai além do setor produtivo e impacta diretamente o desenvolvimento do estado.
“As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade. O cooperativismo é uma mola propulsora do desenvolvimento de Santa Catarina. É um modelo econômico justo, porque reúne desenvolvimento econômico, social e humano. Por isso, a frente parlamentar em defesa do cooperativismo é também uma frente em defesa do desenvolvimento e da prosperidade de Santa Catarina.”

Deputado Napoleão Bernardes: “As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade”
O deputado Pepê Collaço (PP) ressaltou que o cooperativismo tem papel histórico na formação econômica do estado.
“Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor. O cooperativismo foi fundamental para forjar o nosso estado, formado em grande parte por pequenas e médias cidades e pela agricultura familiar. O sistema cooperativo potencializa a produção e mantém o homem no campo. Ao longo da nossa história, esse setor contribuiu muito para o crescimento e o desenvolvimento de Santa Catarina.”
Crise da cebola

Deputado Pepê Collaço: “Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor”
Entre as preocupações do setor está a situação enfrentada pelos produtores de cebola em Santa Catarina. Oscilações de preços e aumento nos custos de produção têm reduzido a rentabilidade dos agricultores. O tema tem mobilizado cooperativas e parlamentares em busca de medidas que garantam maior equilíbrio de mercado e proteção ao produtor catarinense.
Dificuldades no setor do arroz
A cadeia produtiva do arroz também enfrenta desafios, especialmente relacionados à competitividade e aos custos de produção. Cooperativas e produtores defendem políticas de apoio e mecanismos que garantam condições mais justas de comercialização para manter a atividade viável no estado.
Desafios para a produção de leite
O setor leiteiro vive um cenário de instabilidade causado pela variação de preços e pelo aumento dos custos de produção. Nos últimos anos, produtores têm cobrado medidas de apoio e políticas que garantam maior previsibilidade ao mercado e sustentação para a atividade.
Reforma tributária preocupa cooperativas
Outro tema acompanhado de perto pelo setor é a reforma tributária em discussão no país. Cooperativas e parlamentares avaliam possíveis impactos das mudanças no sistema de arrecadação, especialmente sobre a competitividade do agronegócio e das organizações cooperativistas.



