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Aquishow Brasil divulga programações institucional e empresarial

Mais de 40 palestras, comandadas por entidades expositoras e empresas, movimentam a feira.

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Presidente executiva da PeixeSP e uma das organizadoras do evento, Marilsa Fernandes, explica por que resolveram ampliar a grade de palestras: "Queremos não só gerar novos negócios, movimentando a economia, mas também promover a reciclagem e a atualização dessas empresas com tudo que há de mais inovador no mercado - Foto: Divulgação/Aquishow Brasil

A 12ª Aquishow Brasil divulga as programações institucional e empresarial do evento, a serem realizadas de 23 a 25 de maio, nas Salas 1 e 2 do Pavilhão “Marcelo Berriel”, no Centro Avançado de Pesquisa e Desenvolvimento do Pescado Continental, do Instituto de Pesca, em São José do Rio Preto (SP).

São mais de 40 palestras, ministradas por entidades e empresas presentes em estandes da Aquishow 2023, paralelamente à programação oficial, no auditório principal.

Entre as participações de destaque estão o Instituto de Pesca; a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faesp-Senar/SP); o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV/SP); e a Secretaria Nacional de Aquicultura, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).

Ainda aparecem nessa lista outros órgãos ligados à Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, como o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), o Programa Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos (PESAAq) e a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), além de representantes de outros Estados, como o Governo do Estado do Tocantins, e entidades do terceiro setor, como a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

A presidente executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (PeixeSP) e uma das organizadoras da Aquishow Brasil, Marilsa Fernandes, explica que a proposta de ampliar as atividades técnico-comerciais tem como objetivo proporcionar ainda mais trocas de conhecimentos e experiências entre os expositores e os visitantes, em um formato inédito até então. “A feira, hoje, está muito focada nas empresas do setor da aquicultura e nas pessoas que fazem essas empresas funcionarem. Então, queremos não só gerar novos negócios, movimentando a economia, mas também promover a reciclagem e a atualização dessas empresas com tudo que há de mais inovador no mercado, para qualificarmos e fortalecermos constantemente o setor”, destaca.

Os ingressos para entrada no pavilhão dão acesso à programação oficial, no auditório principal; à programação institucional, na Sala 1; e também à programação empresarial, na Sala 2. Já para participar dos minicursos, do Instituto de Pesca, é cobrado um valor à parte. Para aproveitar os descontos, é importante comprar com antecedência, pelo site oficial do evento.

Realização

A 12ª Aquishow Brasil é realizada pela PeixeSP, em parceria com a Prefeitura de São José do Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento; e o Governo de São Paulo, através do Instituto de Pesca, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

Neste ano, o evento conta com o apoio institucional da Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (Acirp); do Sindicato Rural de São José do Rio Preto; da Faesp-Senar/SP; do CRMV/SP; do Instituto de Inovação Israelense (INNA) e do MPA.

Programação institucional (Sala 1)

Terça-feira (23) – Tarde

Das 14h às 14h40 – Faesp-Senar/SP: Palestra “Regularização ambiental da atividade de piscicultura”, com Estela Megiani, especialista em Gestão Ambiental e Aquicultura

Das 14h50 às 15h30 – Feap: Palestra “Crédito rural para Aquicultura”, com Francisco Martins, zootecnista

Das 15h40 às 16h20 – Governo do Estado do Tocantins: Palestra “Tocantins: Parcerias e oportunidades de negócios na Aquicultura Sustentável”, com Carlos Humberto Duarte, secretário da Indústria, Comércio e Serviços, e Miyuki Hyashida, secretária da Pesca e Aquicultura

Das 16h30 às 17h10 – Comissão de Aquicultura do CRMV/SP: Palestra “Aquicultura e Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo: uma parceria que tem tudo para dar certo”, com Agar Costa Alexandrino Perez, médica veterinária

Das 17h20 às 18h – Mútua – Crea/Confea: Palestra “Como a Mútua pode impulsionar seus negócios com recursos financeiros para auxiliar os profissionais em suas atividades”, com Renato Archanjo, diretor-geral

Quarta-feira (24) – Manhã

Das 09h às 12h – Secretaria Nacional de Aquicultura

  • Workshop “A importância da certificação no desenvolvimento sustentável da Aquicultura”
  • Abertura com Tereza Nelma, secretária Nacional de Aquicultura, e Maurício Pessôa, diretor do departamento de Desenvolvimento e Inovação da Aquicultura, Maurício Pessôa, diretor do departamento de Desenvolvimento e Inovação da Aquicultura; e Helinton Rocha, diretor do departamento da Indústria do Pescado
  • Palestra “Perspectivas e ações da Secretaria Nacional de Aquicultura para práticas mais sustentáveis na Aquicultura”, com Evandro da Silva Sousa, chefe de divisão de Marketing e Comercialização
  • Palestra “Plano Nacional de Desenvolvimento da Aquicultura (PNDA 2022-2023) e suas diretrizes para certificação”, com Carolina Mendes da Costa, chefe de divisão de pesquisa no departamento de Desenvolvimento e Inovação
  • Palestra “Certificação: o que é, importância e como certificar?”, com Fernanda Seles David, supervisora de certificação da Control Union
  • Roda de conversa “Conhecer as limitações, questionamentos, mapear gaps e gerar diagnóstico”

Das 12h às 12h40 – Secretaria Nacional de Aquicultura: Apresentação do Fiagro (Fundo de Investimentos do Agronegócio), com Renato Buranello

Quarta-feira (24) – Tarde

Das 14h às 14h40 – Sebrae: Resultados do ALI Rural

Das 14h50 às 15h30 – Sebrae: Acordo Geral de Cooperação “Juntos pelo Agro”

Das 15h40 às 18h – Embrapa Pesca e Aquicultura:

  • Palestra “Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação em Aquicultura na Embrapa”, com Lícia Maria Lundstedt
  • Palestra “Edição genômica em peixes de Aquicultura”, com Fernanda Loureiro de Almeida O’Sullivan
  • Palestra “SIBRAAR: Sistema Brasileiro de Agro-rastreabilidade”, com Jeferson Dala Riva, da Ferpall Tecnologia
  • Palestra “Tecnologias para conservação e industrialização do pescado”, com Fabíola Helena dos Santos Fogaça
  • Palestra “AquaPLUS da Embrapa: Soluções genéticas para espécies aquícolas”, com Alexandre Rodrigues Caetano
  • Sessão de perguntas

Quinta-feira (25) – Manhã

Das 9h às 11h15 – Instituto de Pesca:

  • Palestra “Núcleo de Pesquisa Pescado para a Saúde”, com Jéssica Levy e Thaís Moron Machado (CAPDPM)
  • Palestra “Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Sanidade na Piscicultura – uma nova experiência direcionada às resoluções de problemas no Estado de São Paulo, com Leonardo Tachibana (CPDA)
  • Palestra “Programa de desenvolvimento ordenado e sustentável da macroalga Kappaphycus alvarezii no Estado de São Paulo, com Valéria Cress Gelli (Instituto de Pesca e ITESP)
  • Palestra “Desenvolvimento de novos produtos de pescado: a importância da inspeção para o pequeno produtor”, com Érika Fabiane Furlan (Instituto de Pesca, CDA e Prefeitura de Rio Preto)

Das 12h às 12h30 – PESAAq/CDA/ SAA/SP: Palestra “Papel da Defesa Agropecuária na sustentabilidade da Aquicultura paulista”, com Ieda Blanco, médica veterinária

Das 12h30 às 13h – CATI/SAA/SP: Palestra “Extensão Rural na Piscicultura”, com Clóvis Inocente Filho, médico veterinário, e Daniel Bruno Beluti, engenheiro agrônomo

Quinta-feira (25) – Tarde

Das 14h às 15h30 – Epagri: Palestra “A receita catarinense de êxito no desenvolvimento da Aquicultura – Experiências de pesquisa e extensão na área de Aquicultura em Santa Catarina”

Programação empresarial (Sala 2)

Terça-feira (23) – Tarde

Das 14h às 14h40 – Nova Áqua: Palestra “Sistema de gestão em Aquicultura”, com João Lorena Campos

Das 14h50 às 15h30 – Multipesca: Palestra “Produção em RAS – desafios e preocupações”, com Irineu Frederico Feiden

Das 15h40 às 16h20 – Dioxide Ind. Química: Palestra “Cultivo Intensivo de Lambari”, com Jomar Delefrate

Das 16h30 às 18h – Associações de produtores: Reunião de encaminhamento e produção da Carta da Aquicultura

Quarta-feira (24) – Manhã

Das 08h às 10h – AgriFutura Pescado: Reunião do Movimento AquaHub & Apresentação dos Pitches das Startups

Das 10h10 às 10h50 – Y3K: Palestra “Diagnósticos de Patógenos por PCR Onfarm”, com Salomão Yen

Das 11h às 11h40 – Prevet: Palestra “Gestão sanitária através da informatização de diagnósticos e dados ambientais”, com José Dias Neto

Das 11h50 às 12h30 – MSD Saúde Animal: Palestra “Lançamento de novas plataformas e soluções digitais”, com Leonardo Cericato

Quarta-feira (24) – Tarde

Das 14h às 14h40 – Canal Amo Criar Tilápia: Palestra “Por que tratar apenas 1x por dia as tilápias?”, com Lucas Luís Kohler

Das 14h50 às 15h30 – Marangoni Aquaculture: Palestra “Manejo fácil – economia com tecnologia”, com Marcelo Campos Silva

Das 15h40 às 16h20 – Aquabusiness Consulting: Palestra “Desempenho Planejado”, com André Litmanowicz e João Manoel Cordeiro Alves

Das 16h30 às 17h10 – Hipra: Palestra “Construindo Imunidade para seus peixes – uma plataforma completa de imunidade para o alevino ao peixe saudável”, com Luís Otávio Del Guerra e Erik Diaz

Das 17h20 às 18h – ProChile: Momento Chile

Quinta-feira (25) – Manhã

Das 09h às 9h40 – Guabi: Palestra “É possível aumentar a imunidade de peixes através da alimentação?”, com Lisandro Bauer

Das 09h50 às 10h30 – Nanobiologic: Palestra “Como construir um biofiltro para sistemas de recirculação RAS e Bio-RAS”, com Oliver Povareskim

Das 10h40 às 11h20 – Marine Equipment & Oxyguard: Palestra “Monitoramento de O² e Automação de Aeradores”, com Bernardo Ramos José

Das 11h30 às 12h10 – Moinhos Vieira: Palestra “Moagem com peneiras cônicas ou paralelas? Aprenda a usá-las corretamente e aumente a performance da sua indústria na fabricação da ração”, com William Lima

Das 12h20 às 13h – Aquiplan Consultoria em Piscicultura: Palestra “A ferramenta que ordena e profissionaliza a Piscicultura nacional – Licenciamento ambiental”, com Paulo Roberto Silveira Filho

Quinta-feira (25) – Tarde

Das 14h às 14h40 – Nutricamp: Palestra “Mecanismos de ação dos fitoativos e suas vantagens frente aos antibióticos”, com Dandara Alfonso Pereira de Carvalho

Das 14h50 às 15h30 – Nuter: Palestra “A auto-alimentação de peixes – O próximo passo para a piscicultura de precisão no Brasil”, com Bruno Olivetti de Mattos

Fonte: Assessoria Aquishow Brasil

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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil

Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

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Foto: Eufran Amaral

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC

Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.

Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.

Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.

Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação

permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.

Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.

O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil

sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.

O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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