Peixes
Aquicultura avança com plano nacional e alinhamento entre MPA e superintendências
Oitiva Final encerrou três dias de debates em Brasília, consolidando propostas de inovação, regularização e desenvolvimento sustentável que vão orientar as políticas aquícolas nos próximos anos.

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) concluiu na quinta-feira (04) uma agenda intensa de três dias de trabalho. O 4º Workshop da “Aquicultura: Inovação, Regularização e Desenvolvimento Sustentável” reuniu a gestão central e os Superintendentes Federais de Pesca e Aquicultura para aprimorar e alinhar sobre a execução das políticas públicas no setor. O ciclo foi finalizado com a Oitiva Final para o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura.
Alinhamento de Brasília com os estados
Os dois primeiros dias do evento (2 e 3) foram dedicados à imersão técnica e ao alinhamento estratégico entre a sede do Ministério e as superintendências da Pesca e Aquicultura, os representantes do MPA nos estados, responsáveis por levar as políticas públicas à ponta.
A diretora de Desenvolvimento e Inovação do MPA, Luciene Minani, reconheceu os desafios da ponta e a necessidade do encontro para fortalecer a agenda aquícola. “A intenção foi trazermos os nossos superintendentes e os técnicos das superintendências federais para que eles também se engajem e se envolvam no nosso plano nacional. Afinal, na hora que o Ministério propõe a política pública, quem vai executar essa política lá na ponta?”, explicou a diretora.
Desenvolvimento sustentável na Ponta

Ministro André de Paula em seu discurso durante o Workshop da Aquicultura: “Eu tenho muita alegria e muita gratidão por ter a solidariedade de vocês”
A oportunidade de reunir os Superintendentes permitiu um “intercâmbio” de experiências regionais, trazendo à tona o potencial de cadeias específicas, como a maricultura no Nordeste. Darlany Benedita Cabral Sá da Rocha, chefe de Divisão da Superintendência Federal de Pesca e Aquicultura – SFPA-PE, destacou o cultivo de ostras como um caminho de baixo custo e alta sustentabilidade que se encaixa perfeitamente no novo Plano Nacional.
“Eu acho uma grande aposta, viu? A gente no Nordeste, especialmente em Água Boa, uma grande aposta, porque não precisa raçoar gente… Não precisa de ração, é barato. Eu só preciso alguém todo dia lá com barquinho Monitoramento e dar uma limpezinha e depois sair para vender. Então assim, é uma aposta do futuro extremamente sustentável”, disse Darlany.
Outros debates abordaram a importância do mapeamento de viveiros por satélite, realizado com a Embrapa Territorial, como ferramenta essencial para dar segurança jurídica e viabilizar o crédito aos produtores que hoje não constam nas estatísticas.
Oitiva final
O terceiro dia marcou a Oitiva Final, um evento de grande porte que encerrou um ciclo de 16 reuniões de escuta com o setor produtivo. A sessão contou com a presença do ministro André de Paula, do secretário-executivo, Edipo Araujo, da secretária Nacional Fernanda de Paula, além de representantes do Sebrae e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O secretário-executivo do MPA, Edipo Araujo, definiu a importância do momento com uma declaração contundente sobre a maturidade da atividade. “Aquicultura não é futuro: aquicultura já é presente há muito tempo. A gente precisa universalizar a palavra aquicultura no nosso país. Sabe por quê? Porque essa é uma cadeia que bota alimento na mesa do nosso consumidor. Porque essa cadeia contribuiu para tirar o país do mapa da fome e da pobreza,” declarou o secretário.

Secretária Fernanda de Paula: “Em cada oitiva a gente entende e descobre um ponto a mais que precisa ser incluído”
O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, destacou a parceria com as superintendências como fundamental para o sucesso da gestão. “Eu tenho muita alegria e muita gratidão por ter a solidariedade de vocês. Nós temos tido muitos desafios aí que têm sido vencidos, mercê dessa parceria,” reforçou o ministro, em reconhecimento ao trabalho dos superintendentes.
A secretária Nacional de Aquicultura, Fernanda de Paula, detalhou que o Plano Nacional materializa as diretrizes do decreto ProAqui e reforçou a persistência necessária para tirar as demandas do papel. “Em cada oitiva a gente entende e descobre um ponto a mais que precisa ser incluído. É uma atualização e a gente precisa ser resiliente e persistente. Acima de tudo, persistente que uma hora a gente vai conseguir, né? Avançar nessas demandas e honrar esse compromisso com o setor, entendendo realmente seus anseios e dores”, afirmou a secretária.
Com a conclusão da Oitiva, as propostas de Inovação, Regularização e Desenvolvimento Sustentável coletadas no Workshop e nas oitivas temáticas seguirão para refinamento e posterior consulta pública, guiando os caminhos da aquicultura brasileira para os próximos anos.

Peixes No Paraná
Startup com gel à base de tilápia entra na incubadora da UEPG
Cicatripep foi selecionada pela Agipi e vai desenvolver produto inovador na área de saúde com apoio da universidade.

A Agência de Inovação e Propriedade Intelectual da UEPG (Agipi) terá novas empresas incubadas em 2026. As startups Cicatripep e Muush passaram por avaliação e vão receber o apoio da Incubadora de Projetos Tecnológicos (Inprotec) em projetos inovadores e no desenvolvimento de seus empreendimentos.
A Agipi oferece às empresas incubadas um conjunto de serviços voltados ao fortalecimento e à consolidação dos negócios, como infraestrutura física e compartilhada, apoio ao planejamento e acompanhamento do desenvolvimento dos negócios, além de capacitações, assessorias e consultorias nas áreas de empreendedorismo, tecnologia, mercado, capital e gestão. Também atua como ponte com instituições de ensino e pesquisa, pesquisadores e especialistas e apoia a elaboração de projetos para captação de recursos junto a agências de fomento e investidores.

Foto: Aline Jasper/UEPG
“Estamos muito felizes por receber duas novas empresas que estão tentando se viabilizar para ir ao mercado de produtos inovadores”, enfatiza o vice-reitor da UEPG e membro da banca de avaliação, professor Ivo Mottin Demiate. “Uma empresa que trabalha com materiais alternativos e ecológicos, biodegradáveis, sustentáveis a partir de fungos, a Muush; e um outro projeto muito interessante na área de saúde animal, em um primeiro momento, mas que também pode ser expandida para a saúde humana, que é um gel cicatrizante à base de subproduto da tilápia, a Cicatripep”.
“O processo de avaliação das potenciais startups significa que a aplicação do planejamento estratégico da Inprotec da Agipi, com vistas a consistir o processo de inovação, empreendedorismo e tecnologia da universidade em relação à comunidade e empresas, está em pleno andamento, pois cada uma, em que pese tenham vieses diferentes em princípio, poderão atuar em parceria, não só entre si, como também com outras áreas”, destaca o chefe da Incubadora de Projetos Tecnológicos, Carlos Ubiratan da Costa Schier.
Em nível avançado no processo de incubação, as empresas avaliadas ampliam a carteira de startups da Agipi e contribuem para a qualificação da Agência para obter certificações Cerne (Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos) nos níveis 2, 3 e 4, além de ampliar sua evidência e importância no ecossistema de inovação e empreendedorismo na cidade, região e mesmo em nível estadual.
“Ambas fazem parte do esforço da equipe da Agipi em tornar a agência uma das referências na parceria da universidade com as políticas públicas do Estado em integração com o mercado na busca dos melhores resultados possíveis, tanto em termos de desenvolvimento econômico-social, quanto em soluções para aplicação efetiva na vida das pessoas e empresas”, complementa Schier.
Além das duas startups que entrarão no rol da Agipi, são cinco empreendimentos incubados atualmente: Blue Rise, Breven Law, Expurgos, Peplus e Virtwell. A agência também presta apoio a modelos de negócios ou projetos e encaminha para pré-incubação no Centro de Educação Empreendedora (CEE).
Cicatripep
O potencial já é reconhecido: o projeto que deu origem à Cicatripep já participou do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), do Governo do Paraná, no qual foi um dos projetos premiados. Agora, o objetivo é partir da pesquisa científica para a aplicação comercial. “Nosso interesse em procurar a Agipi é a gente tirar do balcão do laboratório e ter esse olhar e experiência mais comercial para nos ajudar a alavancar nosso projeto de uma escala mais acadêmica para uma escala mais comercial”, conta o professor Flávio Luís Beltrame.
O sucesso do produto também pode gerar um incentivo maior à pesquisa e incitar novos projetos, melhorias e testagens cada vez mais rápidas, além de potencializar a conquista de bolsas para pesquisadores. “É empolgante ver que um produto de pesquisa, de dentro do laboratório, pode chegar no mercado e, mais do que isso, ajudar pessoas e animais, no nosso caso. Isso é muito enriquecedor e satisfatório. Eu acho que isso é o objetivo principal”, complementa.
Peixes
Justiça autoriza desembarque de tilápia vietnamita em Santa Catarina
Decisão do TJ-SC libera apenas cargas contratadas antes da portaria estadual, mas mantém veto à venda e impõe exigências sanitárias rigorosas para evitar riscos à aquicultura local.
Peixes
Falta de frigoríficos habilitados limita exportações de tilápia em Minas Gerais
Terceiro maior produtor do país, estado ainda não conta com plantas certificadas para o mercado internacional.











