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Suínos Entrevista

Aquicultura atende mais de 50% da demanda mundial por pescado

O Jornal O Presente Rural conversou com o presidente da PeixesBR, Francisco Medeiros, para saber das oportunidades de mercado nos primeiros meses do ano para os peixes de cultivo, das perspectivas do setor ao longo de 2022 no Brasil e no mundo. Confira.

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Presidente executivo da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), Francisco Medeiros: "“Peixes de cultivo devem cada dia mais ter uma participação maior no prato do consumidor brasileiro, principalmente pelo aspecto relacionado à saudabilidade” - Foto: Arquivo pessoal

Os peixes de cultivo estão cada vez mais conquistando espaço na mesa do brasileiro e pedindo espaço para adentrar em território internacional. Prova disso é que em 2021 a piscicultura nacional produziu 841.005 mil toneladas, desempenho que alcançou cerca de R$ 8 bilhões em receita. A atividade gera anualmente mais de três milhões de empregos diretos e indiretos, profissionais que contribuem diariamente para o Brasil avançar a passos largos no setor entre os principais produtores mundiais de peixes de cultivo.

A preferida do consumidor brasileiro é a tilápia, espécie que hoje coloca o país na 4ª posição entre os maiores produtores mundiais e representa 63,5% da produção nacional. Os peixes nativos, liderados pelo tambaqui, participam com 31,2% e outras espécies com 5,3%.

Segundo levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), nos últimos sete anos a produção de peixes saltou 45,4% no país, saindo de 578.800 toneladas produzidas por ano para mais de 841 mil toneladas.

O Jornal O Presente Rural conversou com o presidente da PeixesBR, Francisco Medeiros, para saber das oportunidades de mercado nos primeiros meses do ano para os peixes de cultivo, das perspectivas do setor ao longo de 2022 no Brasil e no mundo. Confira.

O Presente Rural – As estimativas previstas pela Peixes BR para 2022 estão se concretizando ou superando as projeções iniciais?

Francisco Medeiros – No primeiro semestre de 2022 o mercado de proteína de peixe de cultivo esteve mais retraído do que a expectativa, retração essa que aconteceu também para suínos, aves e bovinos, ocasionado principalmente pela perda do poder aquisitivo. Agora no segundo semestre espera-se uma recuperação do setor, que já acumula nas três primeiras semanas de agosto uma recuperação consecutiva de preços pagos ao produtor, tendência que deve permanecer até o fim deste ano. As expectativas são de crescimento, contudo o primeiro semestre de 2023 tende a ser bastante difícil. Esperamos compensar agora no segundo semestre as vendas para que possamos manter a taxa de crescimento e de comercialização dos nossos produtos.

O Presente Rural – Nos primeiros meses as exportações de produtos da piscicultura brasileira cresceram exponencialmente. Quais foram os principais produtos que impulsionaram esse crescimento?

Francisco Medeiros – O ano de 2021 já foi um ano com bastante resultado positivo para as exportações, com um crescimento em 78% (em receita) em relação a 2020, sendo os Estados Unidos o principal cliente do Brasil. No total foram exportadas 9,9 mil toneladas em 2021 contra 6,7 mil toneladas no ano anterior, crescimento de 49%, gerando uma receita de US$ 20,7 milhões diante de US$ 11,7 milhões em 2020. Esse ano os números já são ainda melhores do que foram no ano passado.

No primeiro semestre nós tivemos um crescimento nas exportações de 100% em relação a 2021, ou seja, apesar do mercado ter sido bastante retraído nos primeiros meses do ano a cadeia apresentou crescimento, reflexo da movimentação das empresas que aproveitaram sua disponibilidade de estoque para comercializar no mercado externo.

As exportações da piscicultura brasileira totalizaram no primeiro trimestre de 2022 um montante de US$ 7 milhões, apresentando aumento de 119% quando comparadas ao mesmo período de 2021. Quando analisado em peso, o aumento verificado no primeiro trimestre de 2022 foi de 46%, atingindo 2.509 mil toneladas (Figura 1).

As tilápias inteiras congeladas foram os produtos mais exportados, apresentando um crescimento de 475% nas vendas do primeiro trimestre de 2022, com US$ 3,8 milhões em exportações, e aumento de 1.265% comparado a 2021. Na segunda posição ficaram os filés frescos ou refrigerados, com US$ 1,6 milhão; e a terceira posição foi ocupada pelos filés congelados, atingindo US$ 843 mil.

A tilápia foi a principal espécie com maior volume embarcado no primeiro trimestre de 2022, com US$ 6,8 milhões, respondendo por 97% do total exportado. Esse valor representa um aumento de 166% comparado com o primeiro trimestre de 2021. O tambaqui ocupa o segundo lugar com US$ 153 mil, porém com queda de 24% em comparação com 2021.

Com exceção do filé congelado e dos subprodutos de tilápia impróprios para alimentação humana, todos os itens de exportação de tilápia apresentaram aumento nos seus preços médios. O maior aumento ocorreu na tilápia inteira congelada, que passou de US$ 1,96/kg para US$ 2,63/kg, ou seja, um incremento de 34%.

Entre os principais Estados exportadores de tilápia, o Paraná ocupa a primeira posição com crescimento de 330% comparado com 2021, ao alcançar nos três primeiros meses do ano US$ 3 milhões em exportação. Mato Grosso do Sul e Bahia vieram na sequência.

E os Estados Unidos continua sendo o principal cliente do Brasil, sozinho importou 78%, um aumento de 249% comparado com o primeiro trimestre de 2021. O Canadá foi o segundo principal destino, totalizando US$ 748 mil em importações, aumento de 675%. O Chile foi o terceiro principal destino, com US$ 176 mil, porém com queda de 44% comparado com 2021.

Os maiores volumes exportados foram em janeiro, que totalizaram US$ 2,5 milhões e 895 toneladas. Os dados referentes ao segundo trimestre de 2022 ainda estão sendo quantificados e analisados para posteriormente serem divulgados.

O Presente Rural – Quais outros fatores contribuíram para esse aumento significativo de embarques para o mercado externo?

Francisco Medeiros – Nós temos uma série de fatores que levam ao aumento das exportações, entre eles o dólar alto é um fator competitivo para a exportação da piscicultura brasileira; e o drawback, uma política implantada em 2019 de regime aduaneiro em que desonera de impostos federais os insumos utilizados na produção, o que traz uma vantagem competitiva ao produto brasileiro.

Foto: Arquivo/Jonathan Campos/AEN

Nós tivemos em 2021 uma mudança dos tipos de produtos exportados, antes o nosso carro chefe era o filé fresco, hoje é a tilápia inteira e o filé congelado, são produtos de menor margem, mas se faz mais volume, tanto é que hoje se considerar toda a indústria de pescado, tanto peixe de cultivo quanto a pesca, a tilápia é o produto mais exportado, ou seja, os resultados que nós estamos colhendo hoje são reflexos de decisões tomadas lá atrás, inclusive de participações em feiras internacionais, com apoio da Apex-Brasil, em que os resultados começam agora a serem colhidos.

No entanto, o mais importante é que o produtor e a indústria melhoraram de forma significativa os seus índices de competitividade, esse é um trabalho também de colheita de alguns anos em busca de aperfeiçoar todos os processos em busca de melhores os resultados na cadeia produtiva.

O Presente Rural – A cadeia da produção de peixes cultivados no Brasil cresce ano após ano. Em 2021 apresentou um crescimento de 4,7%, com os Estados do Sul assumindo a dianteira como a maior região produtora do país, esse cenário vem se mantendo em 2022?

Francisco Medeiros – A produção brasileira de peixes de cultivo, em 2021 foi de 841.005 toneladas, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior, com a tilápia liderando esse crescimento. A espécie já representa 65,3% da produção de peixes de cultivo no Brasil, sendo no ano passado produzidas 534.005 toneladas no país, aumento de 9,8% sobre o desempenho de 2020, que havia sido de 486.155 toneladas.

Já a coleta de dados sistemáticos da produção em 2022 é feita durante todo ano e disponibilizada no início do ano seguinte. Essas informações parciais nós já temos, mas ainda não estão disponíveis para serem apresentadas. O que posso dizer é que tivemos um primeiro semestre retraído, no entanto começamos o segundo semestre com um cenário mais promissor, tanto no mercado interno quanto no mercado externo.

Não tivemos uma mudança significativa de Estados produtores, a região Sul continua disparada na frente, com o Paraná sendo o grande responsável hoje pela produção de peixes de cultivo, especificamente a tilápia para o mercado externo. O Estado nos primeiros meses do ano também já assumiu a liderança nas exportações, que até 2021 era do Mato Grosso do Sul.

O Presente Rural – A piscicultura de cultivo está avançando para a região Norte do país, onde predomina a criação de peixes nativos, tendo apresentado em 2021 um crescimento de quase 40%. O Sudeste é outra região que vem crescendo principalmente na produção de tilápia. Qual o modelo de produção que tem impulsionado esse desenvolvimento?

Francisco Medeiros – A piscicultura brasileira cresce a passos largos nos últimos anos e deve continuar crescendo nessa década. Especificamente esse está sendo um ano em que nós vamos terminar sem mudanças significativa dos principais players.

O mais importante é que temos observado a entrada de novas empresas, que tradicionalmente são produtoras de frango, entrando na produção de tilápia e no sistema integrado, aliás, o sistema de integração hoje é o que mais cresce no Brasil, acompanhado do sistema de verticalização.

Já os produtores independentes estão com um crescimento bastante tímido, inclusive apresentando uma redução em alguns Estados em razão da perda de competitividade ocasionada principalmente pelo aumento dos custos de produção e pelo preço do produto, que não acompanhou o mesmo ritmo de elevação do custo de produção, então hoje nós verificamos que está tendo mais investimentos pelas empresas integradoras.

O Presente Rural – Qual o atual cenário da piscicultura mundial?

Francisco Medeiros – A aquicultura e a piscicultura mundial crescem a um volume bem superior à pesca, que hoje está estabilizada, com muitas regiões do planeta reduzindo a atividade pesqueira. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura fez recentemente uma projeção de que quem efetivamente está atendendo mais de 50% da demanda mundial de pescado é a aquicultura, demanda essa que vai continuar sendo atendida cada dia mais pela aquicultura, haja vista que há problemas de estoques pesqueiros no mundo inteiro, com sobrepesca.

As condições climáticas estão impactando diretamente na produção primária dos oceanos, situação que abre portas para a aquicultura, que hoje já é quem mais fornece produtos para o mercado, quando se compara com a pesca, e essa tendência não tem retorno mais, porque não é uma tendência de década, é uma tendência para o futuro, ou seja, cada vez mais o que nós vamos consumir vão ser produtos da aquicultura.

Agora produzir para atender uma demanda cada vez mais crescente é um desafio muito grande, por que diferente da pesca os insumos para a produção de ração para peixes de cultivo são limitados no mundo, uma vez que a piscicultura precisa disputar o mesmo produto com outras cadeias de proteína animal e ainda com os seres humanos, principalmente produtos como soja, milho e trigo.

O Presente Rural – Quais as perspectivas e tendências do setor para os próximos seis meses?

Francisco Medeiros – Já estamos na terceira semana de recuperação de preços da tilápia nos principais mercados brasileiros (entrevista feita no início de agosto) e nós deveremos ter um segundo semestre com melhor preço pago ao produtor. Essa é a tendência até o fim deste ano. Nos primeiros dois meses de 2023 ainda deve continuar essa tendência, com estimativa para esse cenário mudar um pouco a partir de março.

O mercado de peixe de cultivo, como da tilápia e do tambaqui, é promissor, é um setor que deve cada dia mais ter uma participação maior no prato do consumidor brasileiro, seja em função de estarmos ofertando nosso produto em mais pontos de vendas ou pela variedade e diferenciação maior de produtos, mas principalmente pelo aspecto relacionado à saudabilidade, ou seja, o consumidor hoje quer um alimento saudável, além de saciar o seu desejo por um produto saboroso que lhe traga benefícios para a saúde. E é isso que nós, produtores de peixes de cultivo, entregamos ao mercado.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na aquicultura brasileira acesse gratuitamente a versão digital 2ª edição Especial Aquicultura.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

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O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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Suínos

ACCS alerta para insegurança jurídica mesmo com retomada nos preços da suinocultura

Mercado de suínos dá sinais de recuperação com exportações aquecidas, mas a Associação Catarinense de Criadores de Suínos cobra segurança no campo e critica entraves trabalhistas e o chamado custo Brasil.

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O cenário para a suinocultura brasileira desenha-se com otimismo nas granjas, impulsionado pelo reequilíbrio de preços e recordes de exportação previstos para este ano. No entanto, fora da porteira, o setor produtivo acende um forte sinal de alerta para os desafios políticos, trabalhistas e de segurança jurídica no campo. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, que traçou um panorama detalhado sobre as projeções de mercado e os entraves que o agronegócio enfrenta atualmente.

Retomada de preços e exportações em alta

Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi: “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”

O ano começou com a tradicional oscilação de preços, mas a perspectiva de estabilização já é uma realidade. Segundo o presidente da ACCS, a queda registrada na primeira quinzena de janeiro está sendo superada pela reação das bolsas do setor. “Eu acredito que o mercado vai estar voltando à sua normalidade. A partir de agora, nós vemos um mercado mais promissor”, projeta Losivanio.

A expectativa de alta nos valores pagos ao produtor é sustentada por uma combinação de fatores: a menor oferta de suínos no mercado, a manutenção do peso normal de abate e o ritmo acelerado das exportações, que em fevereiro devem ultrapassar a marca de 100 mil toneladas.

Outro elemento que protegeu a margem do suinocultor independente durante a recente baixa foi a queda no preço do milho. Além disso, não houve um crescimento desordenado da produção nos últimos dois anos. O principal freio para novas expansões foi a taxa de juros, já que, segundo o dirigente da ACCS, iniciar um projeto robusto na suinocultura hoje exige um investimento mínimo de R$ 10 milhões, tornando a captação de recursos cara e, muitas vezes, inviável.

O ciclo da carne bovina e a sanidade

O bom momento da carne suína também encontra respaldo no ciclo da pecuária de corte. Com as exportações de carne bovina batendo recordes e o volume de abates superando o de nascimentos de bezerros, a recuperação da oferta de bovinos será lenta — um ciclo que leva cerca de quatro anos. Essa dinâmica mantém a carne suína em um patamar competitivo e altamente atrativo.

Apesar dos ventos comerciais favoráveis, a ACCS reforça que o dever de casa sanitário é inegociável para garantir a estabilidade do setor. “Nós temos que olhar muito a questão da biosseguridade, da sanidade, para que a gente não seja acometido por alguma intempérie de doença, como aconteceu em vários países, e que a gente possa perder esses mercados importantes”, alerta.

Preocupações políticas e a escala 6×1

Se o mercado responde bem, o ambiente regulatório gera apreensão. Losivanio classifica como “populismo” a possibilidade de o governo intervir limitando as exportações de carne bovina para forçar a queda dos preços no mercado interno, especialmente em um ano eleitoral. Para ele, a solução real seria fomentar o poder de compra e a renda da população, e não proibir embarques.

No campo trabalhista, a proposta de alteração da jornada para a escala 6×1, reduzindo de 44 para 36 horas semanais — é vista com grande preocupação. A dinâmica do agronegócio não se adequa a expedientes engessados, e o peso da carga tributária sobre a folha de pagamento já asfixia quem produz. “A gente vê que o vilão não é o empresário, e sim é o sócio que nós temos, que é o governo”, pontua o presidente.

Ele contrasta a situação brasileira com a de países vizinhos: enquanto a Argentina avança no Congresso com propostas de jornadas de até 12 horas diárias e o Paraguai atrai indústrias brasileiras oferecendo redução de impostos, logística eficiente e segurança jurídica, o Brasil onera cada vez mais o empreendedor com mudanças legislativas constantes.

Insegurança jurídica e a defesa do produtor

O alerta final da entidade recai sobre a insegurança no campo. O aumento da criminalidade e as tensões envolvendo áreas indígenas estão impactando diretamente quem produz. Produtores com histórico de gerações em suas terras e documentação legal estão perdendo acesso ao crédito rural e correndo o risco de perderem suas propriedades. “Nós estamos à beira de um caos muito forte”, desabafa.

Para Losivanio, falta ao poder público uma visão estratégica que valorize o agronegócio, setor que levou o Brasil ao posto de maior exportador de proteína animal do mundo, mesmo operando sob as legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Para dar emprego, nós temos que dar segurança para o nosso empreendedor, para que ele possa continuar acreditando e fazendo esse país crescer”, finaliza o presidente, pedindo uma mudança urgente de postura e de entendimento para garantir o futuro da produção nacional.

Fonte: Assessoria ACCS
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Suínos

Demanda interna e exportações reforçam perspectiva de alta para o suíno vivo

Diversificação de mercados e consumo aquecido no pós-férias impulsionam mercado, enquanto produção e custo da ração exigem atenção no médio prazo.

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Com a melhora sazonal da demanda interna e um cenário externo considerado favorável, os preços do suíno vivo devem apresentar reação nas próximas semanas. A expectativa é de recuperação no curto prazo, após o fim do período de férias escolares e do Carnaval.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a diferença de preços entre as proteínas também pode contribuir para esse movimento. A carne bovina segue em patamar mais elevado em relação à suína, o que tende a favorecer o consumo da carne de porco no mercado interno.

No comércio exterior, a diversificação de destinos observada desde o ano passado ajuda a reduzir a dependência de mercados específicos. Apesar disso, chama atenção o aumento da participação das Filipinas entre os principais compradores. Ainda assim, o cenário das exportações é considerado positivo e deve continuar colaborando para o equilíbrio da oferta e da demanda.

Para o médio prazo, dois fatores exigem monitoramento: o ritmo de crescimento da produção e os custos com ração.

No caso da produção, a tendência é de continuidade na expansão do envio de animais para abate, movimento sustentado pelas boas margens registradas na suinocultura nos últimos dois anos e pela demanda externa aquecida. Eventuais problemas no fluxo de embarques, embora não sejam o cenário principal, poderiam pressionar o mercado interno, elevando a oferta doméstica e impactando os preços, já que a produção não pode ser ajustada rapidamente no curto prazo.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável, mas com pontos de atenção. A previsão de clima positivo para o milho safrinha nos próximos dois meses indica potencial para boa produção. No entanto, parte relevante da área ainda precisa ser semeada, e não há definição sobre quanto ficará dentro da janela ideal de plantio, fator decisivo para o desempenho produtivo.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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