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Dia do Leite 2022

Bovinos / Grãos / Máquinas Crise no mercado de fertilizantes

Aprosoja Brasil analisa atual cenário dos grãos e alerta sobre falta de insumos agrícolas para safra 2022/2023

As dificuldades provocadas pela deficiência energética nos principais países produtores e a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados podem comprometer a safra 2022/2023. Atualmente, o país importa em torno de 76% da matéria-prima de seus fertilizantes e agrotóxicos da China, da Rússia e da Índia, nações que enfrentam obstáculos para manter o ritmo de produção.

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Fotos: Arquivo OP Rural

Se nós humanos já sofremos com as altas temperaturas e a secura do ar pela falta de chuva, as plantas no campo são duramente atingidas com esses eventos climáticos adversos, prejudicando seu desenvolvimento, reduzindo sua produtividade e gerando quebra da safra. Isso é o que foi registrado na temporada 2020/2021, em que a soja sofreu com a escassez hídrica, o que atrasou seu plantio e causou a colheita tardia; e com a produção da segunda safra da cultura de milho, severamente afetada, principalmente na região Centro-Sul, onde as precipitações pluviométricas foram abaixo da média e houve ocorrência de geadas.

Apesar dos problemas enfrentados, a produção da oleaginosa foi recorde, estimada em 137,9 milhões de toneladas, aumento de 8,9% em relação à safra 2019/2020, enquanto a do cereal teve uma redução expressiva de produtividade avaliada em 16,4% quando comparada ao ciclo anterior, chegando a meros 85,7 milhões de toneladas. As informações são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

As duas culturas estão entre os produtos com maior contribuição ao Valor Bruto de Produção Agropecuária (VBP), com a soja representando R$ 364,8 bilhões e o milho R$ 124,1 bilhões. Líder nacional na produção de grãos, o Mato Grosso é o principal contribuinte para a formação do índice brasileiro, movimentando R$ 195,2 bilhões no ano passado, sendo responsável por 17,43% do VBP brasileiro. Para 2022, a soja tem faturamento previsto de R$ 356,6 bilhões e o milho de R$ 148,5 bilhões.

Principal produtor de grãos do Brasil, Mato Grosso alcançou 36 milhões de toneladas de soja na safra 2020/2021, um aumento de 1,83% em relação a temporada anterior, atingindo a maior produção da cultura na série histórica. E a produção de milho mato-grossense ficou consolidada em 32,56 milhões de toneladas, queda de 8,14% ante a safra anterior, em virtude da semeadura fora da janela ideal atrelada ao menor volume de chuva.

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antonio Galvan: “Enquanto a soja subiu em torno de 70% em dólar, os valores dos fertilizantes aumentaram mais de 200% em dólar, e alguns itens de defensivos agrícolas como glifosato e diquat chegaram a subir 300% em dólar” – Foto: Divulgação/Aprosoja Brasil

“Quem plantou cedo, principalmente no Paraná, teve perda com a soja, mas quem plantou um pouco mais tarde já conseguiu ter uma boa colheita. A estiagem e a geada que aconteceram danificaram muito o milho na segunda safra, onde faltou chuva e logo depois veio o frio muito intenso, prejudicando muitas lavouras de São Paulo e do Paraná, principalmente por conta da geada. Mas, a estiagem foi geral, com efeito em todas as regiões do país, inclusive no próprio Mato Grosso, Estado que sofreu com a falta de chuva muito cedo na produção de milho, porém não chegou a atingir a produção de soja de forma grave, tanto é que a cultura teve um novo recorde nacional, ultrapassando 137 milhões de toneladas na safra 2020/2021. Contudo, os produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul tiveram um prejuízo bastante grande com a soja, mas a nível de Brasil as perdas foram pontuais”, analisa o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antonio Galvan, em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

Margem de lucro

Por sua vez, Galvan avalia que embora tenha tido desafios, os agricultores que compraram os insumos da lavoura a custo baixo e não fizemos venda futura antecipada conseguiram contabilizar uma boa margem de lucro, mas aqueles que venderam o grão de forma antecipada não conseguiram aproveitar os bons preços da soja na safra passada em relação aos custos de produção, mesmo assim não ficaram no prejuízo. “Em torno de 70% da safra foi vendida antecipadamente, esse produtor teve uma margem de lucro bem menor, mas ainda assim teve lucro, pelo fato de ter fechado o custo da produção, até por isso que o grão foi vendido para garantir o pagamento do custo dessa lavoura, mas quem arriscou e não fez venda futura ou vendeu pouco e deixou para comercializar o grão pós-colheita com certeza auferiu uma margem relativamente boa, podemos dizer que foi um bom ano de um modo geral”, avalia.

Por outro lado, o presidente da Aprosoja pontua que os produtores de milho tiveram um ano bem difícil. “Na segunda safra de milho os produtores do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e até no próprio Mato Grosso amargaram prejuízos enormes, mas para a safra de soja 2020/2021 foi um ano relativamente bom para grande maioria dos produtores brasileiros da safra 2020/2021”, menciona Galvan.

Demanda externa

No acumulado dos 11 primeiros meses do ano passado, o Brasil exportou 83,4 milhões de toneladas de soja em grão, volume que ultrapassa as exportações anuais de toda a série histórica. E no acumulado do ano até fim de novembro, os embarques de milho correspondiam 17,4 milhões de toneladas, ante 33,4 milhões no ano completo de 2020. A projeção de importação manteve-se inalterada em 2,3 milhões de toneladas.

Agricultura intensiva

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja, no entanto, Galvan diz que é possível melhorar a produtividade das lavouras além de fomentar a agricultura intensiva no país, expandindo o cultivo para os espaços aonde estão concentradas as atividades de pecuária. “São áreas que precisam ser corrigidas o solo pelo fato de estarem com pastagens bastante degradadas, então a tendência do Brasil se consolidar como maior produtor de soja do mundo é um fato que dificilmente vai inverter nos próximos anos. E como exportador já somos o maior há muitos anos e tende a permanecer assim”, enfatiza Galvan.

Safra 2021/2022

As safras 2021/2022 de soja e milho devem alcançar 259,8 milhões de toneladas, um crescimento de 15,8% em relação à safra anterior, o que representa 35,4 milhões de toneladas a mais, conforme o 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Protagonista da safra de grãos brasileira, a produção da soja é estimada em 142,79 milhões de toneladas para a temporada 2021/2022, um aumento de 4% em relação à safra 2020/2021. O crescimento da área a ser plantada é 3,7% maior em comparação à safra do ano passado, podendo atingir 40,3 mil hectares. Se confirmada, será um novo recorde.

A projeção de exportação é de 90,6 milhões de toneladas e o estoque final da safra 2021/2022 é projetado em 5,2 milhões de toneladas, motivado principalmente pelas alterações de esmagamento e exportações em 2021.

A segunda maior produção de grãos do país é de milho, que deve registrar um volume aproximado de 117,1 milhões de toneladas, um crescimento de 34,6% em relação ao exercício anterior, reflexo do aumento de área a ser cultivada, projetada em 20,9 mil hectares nas três safras do grão, incremento de 5,1%.

A produtividade das lavouras deve crescer 28,1%, com média de 5,5 mil quilos por hectare. Já para a demanda interna ao longo da safra 2021/2022 é projetado 76,8 milhões de toneladas. Para importação é esperado um volume de 900 mil toneladas ao longo da safra 2021/2022, redução de 67% da internalização futura de milho, que ocorre em virtude da expectativa de disponibilidade do cereal no mercado nacional em 2022.

Diante do aumento da produção da safra 2021/2022 e de uma moeda doméstica desvalorizada, a Conab estima que apenas 36,7 milhões de toneladas de milho serão exportadas. Já o estoque final está previsto em 13,4 milhões de toneladas, o que indica uma recomposição da disponibilidade interna da cultura ao fim deste ano.

Estiagem preocupa e já são estimadas perdas na safra 2021/2022

De acordo com o presidente da Aprosoja Brasil, a maior parte das regiões brasileiras já concluíram o plantio da soja na safra 2021/2022, apenas em alguns pontos do Rio Grande do Sul e do Pará, que tem ainda áreas para fazer a semeadura em razão de que iniciam o plantio mais tarde, mas a proporção a nível de Brasil é pequena que falta plantar e os atrasos são bastante pontuais.

“A seca no Sul do país voltou a nos preocupar, principalmente no Rio Grande do Sul, onde a estiagem está mais grave do que a enfrentada no mesmo período no fim de 2020 e no início do ano passado. Essa situação vem trazendo danos irreversíveis aos produtores. Na região Sul do Mato Grosso do Sul já temos relatos de danos causados pela seca, abaixo de Ponta Porã sentido a Guaíra, no Paraná, mesma situação. Então essa safra está muito mais preocupante do que a anterior, porque a estiagem perdura com força ainda”, alerta Galvan.

Em decorrência da estiagem prolongada, já se estima quebras de mais de 50% na safra dos Estados gaúcho e paranaense. “Se continuar com essa escassez hídrica haverá quebras consideráveis. Isso preocupa bastante o setor. E assim se encontra também o milho da safra de verão 2021/2022, que é plantado nos três Estados do Sul e em algumas regiões de São Paulo, embora em proporção menor, então isso é muito preocupante”, salienta, acrescentando: “Os relatos de perda de produtividade e produção em relação à essa safra é muito maior do que a da safra passada por conta da estiagem que está ocorrendo no Sul do Brasil, pegando algumas regiões já do Mato Grosso do Sul”.

Alta dos insumos e escassez de produtos acende alerta para safra 2022/2023

Galvan demonstra preocupação com a crise no mercado de insumos, revelando que as dificuldades provocadas pela deficiência energética nos principais países produtores e a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados podem comprometer a safra 2022/2023. Atualmente, o país importa em torno de 76% da matéria-prima de seus fertilizantes e agrotóxicos da China, da Rússia e da Índia, nações que enfrentam obstáculos para manter o ritmo de produção.

“O grande dilema do produtor rural está com a safra 2022/2023, porque os custos de produção para a safra 2021/2022 subiram no decorrer do ano passado e como o produtor costuma comprar os insumos com antecedência, normalmente no fim do ano anterior à safra seguinte, não há risco de desabastecimento, além do mais, por terem esse planejamento, já compraram os fertilizantes e agrotóxicos para a safra atual com um custo menor do que os valores praticados neste momento”, expõe Galvan.

De acordo com o presidente da Aprosoja Brasil, alguns agricultores brasileiros já enfrentam dificuldades para garantir o suprimento para o próximo ciclo da produção de grãos. Segundo Galvan, a baixa oferta de fertilizantes e agrotóxicos está gerando alta nos preços, com alguns insumos chegando a mais de 300% de aumento. “Essa é uma preocupação de todos os produtores do mundo, não está restrita apenas ao Brasil. Enquanto a soja subiu em torno de 70% em dólar, os valores dos fertilizantes aumentaram mais de 200% em dólar, e alguns itens de defensivos agrícolas como glifosato e diquat chegaram a subir 300% em dólar, então hoje os custos de insumos estão muito além do que nós tínhamos nas safras passadas, por isso a safra 2022/2023 é a que mais nos preocupa. Para o ciclo 2021/2022 o que está preocupando mais é a estiagem no Sul do país”, afirma, ampliando: “Essa é uma realidade que vamos encarar daqui para frente. Com os atuais preços dos insumos, as lavouras estão praticamente inviabilizadas, quem é arrendatário está com o custo de produção praticamente inviabilizado para a safra 2022/2023”, conclui.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Bovinos / Grãos / Máquinas Em Marechal Cândido Rondon

Palestra sobre avanços e atual cenário do mercado de lácteos encerra programação do Dia Leite

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR), o evento acontece na próxima quarta-feira (1º) no formato híbrido, com participação presencial e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Foto: Ari Dias/AEN

Reflexões sobre o mercado do leite encerra o ciclo de palestras da primeira edição do Dia do Leite, evento que será realizado na próxima quarta-feira (1º) pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, no município de Marechal Cândido Rondon (PR). Promovido no formato híbrido, haverá participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial do Leite, Vicente Nogueira Netto: “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor” – Foto: Berrante Comunicação

A palestra de encerramento inicia às 13h30 e será ministrada pelo engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (CSLEI/Mapa) pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, que vai trazer informações relevantes sobre a cadeia leiteira para estimular a reflexão dos participantes com relação ao atual cenário do mercado de lácteos.

De acordo com Netto, todos os elos da cadeia produtiva acompanham diariamente diversas informações e indicadores para entender o comportamento do mercado de lácteos e assim identificar as melhores oportunidades do setor, tanto para as cooperativas como para seus cooperados. De encontro a isso, vai abordar em sua palestra como ocorreu a evolução nacional da cadeia leiteira, os desafios existentes no setor, os avanços da produção de leite na região Sul do país, especialmente no Paraná, que hoje é segundo maior produtor nacional, a importância socioeconômica da cadeia leiteira para o desenvolvimento da agropecuária, sua capacidade de gerar emprego e renda, além do atual cenário de preços e custos de produção.

“O momento atual certamente é muito desafiador para todas as cadeias produtivas de proteína animal, especialmente para o mercado de leite que é ainda muito dependente do mercado interno. Assim, em um cenário macroeconômico de estagnação, o mercado de lácteos tende a sentir os efeitos da perda do poder de compra do consumidor. Além disso, há ainda o forte aumento do custo de produção ocorrido nos últimos dois anos e que tende a persistir até o final de 2022”, ressalta Netto.

No entanto, mesmo com todos os desafios, a cadeia produtiva de lácteos tem passado por grandes transformações, otimizando processos e buscando se consolidar no mercado com a adoção de tecnologias e melhor aproveitamento dos insumos e uso mais eficiente dos recursos de produção. “A retomada da atividade econômica é ainda a melhor oportunidade para o setor, por isso toda a atenção aos indicadores macroeconômicos é importante para identificar a retomada e, em sequência, a melhora no consumo por conta do fortalecimento do consumidor. Esse é um cenário que pode trazer muitas oportunidades para as cooperativas, na exploração de novas tendências de consumo, adoção de novas tecnologias para atendimento aos cooperados, na união para fortalecer e otimizar operações e no posicionamento de mercado”, analisa Netto.

De acordo com ele, ainda há incertezas quanto a retomada da economia, especialmente por se tratar de um ano de eleições. Mesmo assim a economia está começando a dar sinais de retomada, o que tende a ser a maior oportunidade para o setor. “Além disso, a valorização das commodities lácteas ao redor do mundo, devido ao aumento da demanda, abriu oportunidades para exportações, que também tende a ser uma oportunidade a ser explorada pelas cooperativas”, enfatizou.

Com uma vasta experiência no setor lácteo nacional, Netto foi chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação Pan-Americana de Leite (Fepale), e atualmente é sócio-diretor da Tropical Genética de Embriões.

Ciclo de palestras

A programação engloba três palestras, que vão trazer um panorama geral do cenário atual da bovinocultura leiteira. O credenciamento inicia às 09 horas, em seguida, às 09h30, haverá a abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

O ciclo de palestras inicia às 10 horas, com o secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Norberto Anacleto Ortigara, que vai tratar sobre a “Importância do status sanitário das propriedades leiteiras no Paraná”. Com uma vasta experiência no âmbito da agricultura, Ortigara é técnico agrícola e economista, com especialização em Economia Rural e Segurança Alimentar, e desde 1978 é servidor público da Seab.

Em seguida, às 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Em 1º de junho

Importância do status sanitário do Paraná abre ciclo de palestras do Dia do Leite

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

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Fotos: Divulgação

Segundo maior produtor do país, o Paraná produz por ano cerca de quatro bilhões de litros de leite, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Essa cadeia produtiva engloba 86% dos pequenos agricultores familiares do Estado, mas, nos últimos anos, principalmente em decorrência da paralisação dos negócios pela pandemia da Covid-19, os elevados custos de produção e as intempéries climáticas prejudicaram o desenvolvimento de toda a cadeia leiteira, que não cresceu aos níveis projetados e desejados.

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais”

Porém, mesmo com todas as dificuldades, o Estado mantém vivo o desafio de tornar o leite mais uma cadeia vitoriosa, tanto para abastecer o mercado interno com preços mais acessíveis ao consumidor quanto para abocanhar mais fatias do mercado internacional. “É preciso ousadia no setor comercial para não perder mercados conquistados e para prospectar novos. Não se pode mais ficar dependente apenas do incerto mercado doméstico”, afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara, que será um dos palestrantes do Dia do Leite, evento realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa.

Inédito em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a primeira edição do Dia do Leite acontece em 1º de junho no formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelos canais do O Presente Rural no Facebook e no YouTube.

Sob a temática “A importância do status sanitário das propriedades leiteiras do Paraná”, Ortigara vai abrir o ciclo de palestras às 10 horas, após a abertura do evento com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella. “O cuidado com a sanidade tem uma história de pelo menos 50 anos, período em que todas as forças do Estado se uniram para cumprir as exigências e seguir as regras estipuladas. Isso culminou com a certificação de livre de febre aftosa sem vacinação, concedida pelo OIE em 27 de maio de 2021. Junto com ela, veio o reconhecimento do Paraná como área livre de peste suína clássica independente. Mas o Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados. O mais imediato é manter o status. Para isso, o cadastro de rebanho é fundamental. A campanha termina em 30 de junho”, menciona.

Segundo Ortigara, a cadeia de leite será vitoriosa quando souber mostrar ao mundo a sanidade de excelência e quando refinar ainda mais a visão estratégica para olhar e aproveitar as oportunidades que o mundo oferece. “Poucos ou quase nenhum setor tem a capacidade de mostrar o Brasil competente e competitivo no mundo, que não o agropecuário, que responde por mais de um terço da produção bruta do Paraná. Por isso, abocanhar uma fatia maior do mercado de leite e de alimentos em geral depende de todos e de cada um”, exalta.

Estratégias em conjunto

Secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Norberto Ortigara: “O Estado aprendeu que, ao se vencer um desafio, outros se apresentam, exigindo a mesma força de vontade e a mesma união de todos para serem superados”

De acordo com o gestor da Seab, é necessário estabelecer estratégias em conjunto – produtores e indústria – para que a produção e a renda individuais se mantenham em equilíbrio, ainda que as influências externas tendam a fazer com que penda para um ou outro lado. “E é preciso, também, fortalecer a união para garantir força de pressão quando, por conveniência ou inconveniência, importações inoportunas atrapalharem os negócios. Para isso, o Estado faz valer a expertise e as boas condições de criação, com forragens de qualidade superior, sobretudo nas regiões dos Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. A moderna tecnologia está chegando ao campo e, onde já é aplicada, os produtores conseguem produtividade média comparada à dos grandes produtores mundiais. Onde ainda não chegou, é preciso caminhar rápido, pois o mercado acabará excluindo quem não tiver um mínimo de profissionalismo”, expõe.

Melhores pastagens, medições de temperatura inteligentes, umidade controlada, internet das coisas aplicada ao campo estão no limite entre a sustentabilidade do negócio e a competitividade no mercado ou a paralisação no tempo e o sucateamento. “As técnicas de manejo foram aperfeiçoadas ao longo do tempo e hoje possibilitam, inclusive, que se tenha rastreabilidade total, que vai desde o conhecimento profundo da saúde do animal até a entrega ao consumidor na gôndola do mercado”, ressalta Ortigara.

O secretário estadual diz que, cada vez mais, o conceito de conforto e bem-estar animal tem recebido a atenção dos pecuaristas, o que também proporciona um leite de melhor qualidade. Ele também destaca que investimento em equipamentos mais modernos e que reduzam os custos de produção, como o uso de energia renovável ou um bom sistema de irrigação, além da atualização das normas sanitárias de acordo com os modernos conhecimentos, proporcionando garantia de animais saudáveis e de boa qualidade do produto aos consumidores.

Confiança

A confiabilidade que o Estado transmite é retribuída na forma de investimentos. Um deles, segundo o secretário, é o aporte de R$ 500 milhões em uma moderna indústria de queijo pelas cooperativas Frisia, Capal e Castrolanda nas proximidades de Ponta Grossa. “Nas regiões Oeste e Sudoeste, várias agroindústrias de transformação do leite também estão se instalando ou expandindo, como a maior fábrica de queijos do país em São Jorge D´Oeste, muitas delas com o auxílio fundamental do Estado”, exalta.

Esse cenário propicia aumento de geração de empregos, em mais salários e em mais pessoas em condições de consumidor. “É preciso agregar valor e vender pelo preço justo, que é aquele que cobre os custos e dá margem de investimento e de vida digna a quem produz”, salienta Ortigara.

Ciclo de palestras

O Dia do Leite inicia às 09 horas com o credenciamento. Após, às 09h30, está marcada a solenidade de abertura com o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

A partir das 11 horas, o economista doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Paulo Martins, abordará o tema “Leite 4.0: desafios e oportunidades”. Professor nos cursos de MBA e mestrado em Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Martins se dedica a estudar a competitividade do setor leiteiro e foi idealizador do Ideas For Milk, o primeiro ecossistema de inovação criado no agronegócio brasileiro.

E no período da tarde, a partir das 13h30, o engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, e atual coordenador da Câmara do Leite da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Vicente Nogueira Netto, vai ministrar a palestra “Reflexões sobre o mercado do leite”.

O encerramento da programação do Dia do Leite está previsto para as 15 horas.

Quem faz acontecer

O Dia do Leite é uma realização do Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa. O evento tem patrocínio ouro da Sicredi; prata da Biochem, Imeve e Prado Saúde Animal; e bronze da AB Vista, Anpario e Syntec. E conta ainda com o apoio do Sistema Ocepar, Câmara do Leite, Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e da Associação Brasileira do Produtores de Leite.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Final das águas: a segunda janela de oportunidade para uma safra bovina produtiva

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo

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Foto: Assessoria

Por Lauriston Bertelli

Uma pecuária de corte lucrativa e sustentável é o desejo de todo pecuarista. Para isso, é fundamental criar o conceito de safra bovina, um formato que conduz um plano de trabalho para uma visão do todo, ou seja, com começo, meio e fim.

Considerando o conceito de safra, fica evidente a necessidade de planejar e realizar os processos produtivos respeitando as janelas que compõem o ano pecuário. São quatro momentos distintos e todos com sua devida importância.

Para ficar claro, existem quatro janelas no ciclo pecuário:

 

Janela 1 – período das águas;

Janela 2 – transição 1: saída das águas para o período da seca;

Janela 3 – período da seca;

Janela 4 – transição 2: saída de seca para período das águas.

 

Neste artigo vamos focar na janela 2 ou transição 1, que é o momento onde de fato se consolida ou não a sustentabilidade do ciclo produtivo. Esta é a fase que termina no período chuvoso, o mais produtivo do sistema de produção a pasto, e entra no período da seca, que via de regra é o “fantasma” da pecuária brasileira.

Este período coincide com o inicio do outono, fase de diminuição das chuvas e reduções do fotoperíodo e das temperaturas médias, o que induz a limitação da produtividade das forrageiras, encaminhando para uma fase de crescimento forrageiro praticamente nulo.

Uma característica desta fase é a sementeira dos pastos, indicando o fim do ciclo produtivo. O momento é oportuno para uma avaliação de todos os pastos para verificação do estoque atual de forragens, com o objetivo de enfrentar o período da seca de forma planejada.

Nesta transição, em algumas regiões ainda podem ocorrer chuvas suficientes para algumas práticas zootécnicas, como o pastejo diferido ou até uma possível fertilização nitrogenada, práticas que estendem a produção e a qualidade das pastagens.

Recomenda-se, portanto, a implementação desta rotina em todas as propriedades de produção de bovinos de corte que têm metas produtivas anuais e com o conceito “safra”, com compromisso de efetuar as ações dentro da “janela” correta.

É importante destacar também que neste período existem pastagens que ainda apresentam uma coloração verde e que já estejam sementeadas ou sementeando, nas quais os níveis nutricionais já estão em decréscimo. Este é o momento de virar a chave da suplementação de águas para a suplementação de transição.

Para este período, é possível utilizar três tipos de suplementação, cujos produtos devem ser aditivados preferencialmente com aditivo natural:

 

1- Suplemento na dosagem de 2 a 3 gramas por quilo de peso corporal, contendo 35% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

2- Suplemento na dosagem de 4 a 6 gramas por quilo de peso corporal, contendo 18% de proteína total e bem balanceado com macrominerais e microminerais;

3 – Em caso de animais em pré terminação, pode-se iniciar uma terminação intensiva a pasto (TIP).

 

Esta suplementação vai permitir prolongar a fase de ganho de peso por mais 45 a 60 dias, indo ao encontro do máximo ganho por animal.

Se a avaliação das pastagens for feita adequadamente, as práticas zootécnicas vão sustentar a produção por hectare ou por área.

Estas avaliações podem ser feitas utilizando lombo de mulas, cavalos, quadriciclos, drones ou até mesmo por imagens de satélites. Por isso, não existe razão para não fazê-las onde quer que esteja a propriedade.

A utilização desta metodologia é um caminho fundamental para o sucesso na safra bovina.

 

Lauriston Bertelli Fernandes é criador, zootecnista, ex-presidente da ASBRAM e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix

 

Fonte: Assessoria
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