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Bovinos / Grãos / Máquinas Crise no mercado de fertilizantes

Aprosoja Brasil analisa atual cenário dos grãos e alerta sobre falta de insumos agrícolas para safra 2022/2023

As dificuldades provocadas pela deficiência energética nos principais países produtores e a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados podem comprometer a safra 2022/2023. Atualmente, o país importa em torno de 76% da matéria-prima de seus fertilizantes e agrotóxicos da China, da Rússia e da Índia, nações que enfrentam obstáculos para manter o ritmo de produção.

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Fotos: Arquivo OP Rural

Se nós humanos já sofremos com as altas temperaturas e a secura do ar pela falta de chuva, as plantas no campo são duramente atingidas com esses eventos climáticos adversos, prejudicando seu desenvolvimento, reduzindo sua produtividade e gerando quebra da safra. Isso é o que foi registrado na temporada 2020/2021, em que a soja sofreu com a escassez hídrica, o que atrasou seu plantio e causou a colheita tardia; e com a produção da segunda safra da cultura de milho, severamente afetada, principalmente na região Centro-Sul, onde as precipitações pluviométricas foram abaixo da média e houve ocorrência de geadas.

Apesar dos problemas enfrentados, a produção da oleaginosa foi recorde, estimada em 137,9 milhões de toneladas, aumento de 8,9% em relação à safra 2019/2020, enquanto a do cereal teve uma redução expressiva de produtividade avaliada em 16,4% quando comparada ao ciclo anterior, chegando a meros 85,7 milhões de toneladas. As informações são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

As duas culturas estão entre os produtos com maior contribuição ao Valor Bruto de Produção Agropecuária (VBP), com a soja representando R$ 364,8 bilhões e o milho R$ 124,1 bilhões. Líder nacional na produção de grãos, o Mato Grosso é o principal contribuinte para a formação do índice brasileiro, movimentando R$ 195,2 bilhões no ano passado, sendo responsável por 17,43% do VBP brasileiro. Para 2022, a soja tem faturamento previsto de R$ 356,6 bilhões e o milho de R$ 148,5 bilhões.

Principal produtor de grãos do Brasil, Mato Grosso alcançou 36 milhões de toneladas de soja na safra 2020/2021, um aumento de 1,83% em relação a temporada anterior, atingindo a maior produção da cultura na série histórica. E a produção de milho mato-grossense ficou consolidada em 32,56 milhões de toneladas, queda de 8,14% ante a safra anterior, em virtude da semeadura fora da janela ideal atrelada ao menor volume de chuva.

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antonio Galvan: “Enquanto a soja subiu em torno de 70% em dólar, os valores dos fertilizantes aumentaram mais de 200% em dólar, e alguns itens de defensivos agrícolas como glifosato e diquat chegaram a subir 300% em dólar” – Foto: Divulgação/Aprosoja Brasil

“Quem plantou cedo, principalmente no Paraná, teve perda com a soja, mas quem plantou um pouco mais tarde já conseguiu ter uma boa colheita. A estiagem e a geada que aconteceram danificaram muito o milho na segunda safra, onde faltou chuva e logo depois veio o frio muito intenso, prejudicando muitas lavouras de São Paulo e do Paraná, principalmente por conta da geada. Mas, a estiagem foi geral, com efeito em todas as regiões do país, inclusive no próprio Mato Grosso, Estado que sofreu com a falta de chuva muito cedo na produção de milho, porém não chegou a atingir a produção de soja de forma grave, tanto é que a cultura teve um novo recorde nacional, ultrapassando 137 milhões de toneladas na safra 2020/2021. Contudo, os produtores do Paraná e do Rio Grande do Sul tiveram um prejuízo bastante grande com a soja, mas a nível de Brasil as perdas foram pontuais”, analisa o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Antonio Galvan, em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

Margem de lucro

Por sua vez, Galvan avalia que embora tenha tido desafios, os agricultores que compraram os insumos da lavoura a custo baixo e não fizemos venda futura antecipada conseguiram contabilizar uma boa margem de lucro, mas aqueles que venderam o grão de forma antecipada não conseguiram aproveitar os bons preços da soja na safra passada em relação aos custos de produção, mesmo assim não ficaram no prejuízo. “Em torno de 70% da safra foi vendida antecipadamente, esse produtor teve uma margem de lucro bem menor, mas ainda assim teve lucro, pelo fato de ter fechado o custo da produção, até por isso que o grão foi vendido para garantir o pagamento do custo dessa lavoura, mas quem arriscou e não fez venda futura ou vendeu pouco e deixou para comercializar o grão pós-colheita com certeza auferiu uma margem relativamente boa, podemos dizer que foi um bom ano de um modo geral”, avalia.

Por outro lado, o presidente da Aprosoja pontua que os produtores de milho tiveram um ano bem difícil. “Na segunda safra de milho os produtores do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e até no próprio Mato Grosso amargaram prejuízos enormes, mas para a safra de soja 2020/2021 foi um ano relativamente bom para grande maioria dos produtores brasileiros da safra 2020/2021”, menciona Galvan.

Demanda externa

No acumulado dos 11 primeiros meses do ano passado, o Brasil exportou 83,4 milhões de toneladas de soja em grão, volume que ultrapassa as exportações anuais de toda a série histórica. E no acumulado do ano até fim de novembro, os embarques de milho correspondiam 17,4 milhões de toneladas, ante 33,4 milhões no ano completo de 2020. A projeção de importação manteve-se inalterada em 2,3 milhões de toneladas.

Agricultura intensiva

O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de soja, no entanto, Galvan diz que é possível melhorar a produtividade das lavouras além de fomentar a agricultura intensiva no país, expandindo o cultivo para os espaços aonde estão concentradas as atividades de pecuária. “São áreas que precisam ser corrigidas o solo pelo fato de estarem com pastagens bastante degradadas, então a tendência do Brasil se consolidar como maior produtor de soja do mundo é um fato que dificilmente vai inverter nos próximos anos. E como exportador já somos o maior há muitos anos e tende a permanecer assim”, enfatiza Galvan.

Safra 2021/2022

As safras 2021/2022 de soja e milho devem alcançar 259,8 milhões de toneladas, um crescimento de 15,8% em relação à safra anterior, o que representa 35,4 milhões de toneladas a mais, conforme o 3º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Protagonista da safra de grãos brasileira, a produção da soja é estimada em 142,79 milhões de toneladas para a temporada 2021/2022, um aumento de 4% em relação à safra 2020/2021. O crescimento da área a ser plantada é 3,7% maior em comparação à safra do ano passado, podendo atingir 40,3 mil hectares. Se confirmada, será um novo recorde.

A projeção de exportação é de 90,6 milhões de toneladas e o estoque final da safra 2021/2022 é projetado em 5,2 milhões de toneladas, motivado principalmente pelas alterações de esmagamento e exportações em 2021.

A segunda maior produção de grãos do país é de milho, que deve registrar um volume aproximado de 117,1 milhões de toneladas, um crescimento de 34,6% em relação ao exercício anterior, reflexo do aumento de área a ser cultivada, projetada em 20,9 mil hectares nas três safras do grão, incremento de 5,1%.

A produtividade das lavouras deve crescer 28,1%, com média de 5,5 mil quilos por hectare. Já para a demanda interna ao longo da safra 2021/2022 é projetado 76,8 milhões de toneladas. Para importação é esperado um volume de 900 mil toneladas ao longo da safra 2021/2022, redução de 67% da internalização futura de milho, que ocorre em virtude da expectativa de disponibilidade do cereal no mercado nacional em 2022.

Diante do aumento da produção da safra 2021/2022 e de uma moeda doméstica desvalorizada, a Conab estima que apenas 36,7 milhões de toneladas de milho serão exportadas. Já o estoque final está previsto em 13,4 milhões de toneladas, o que indica uma recomposição da disponibilidade interna da cultura ao fim deste ano.

Estiagem preocupa e já são estimadas perdas na safra 2021/2022

De acordo com o presidente da Aprosoja Brasil, a maior parte das regiões brasileiras já concluíram o plantio da soja na safra 2021/2022, apenas em alguns pontos do Rio Grande do Sul e do Pará, que tem ainda áreas para fazer a semeadura em razão de que iniciam o plantio mais tarde, mas a proporção a nível de Brasil é pequena que falta plantar e os atrasos são bastante pontuais.

“A seca no Sul do país voltou a nos preocupar, principalmente no Rio Grande do Sul, onde a estiagem está mais grave do que a enfrentada no mesmo período no fim de 2020 e no início do ano passado. Essa situação vem trazendo danos irreversíveis aos produtores. Na região Sul do Mato Grosso do Sul já temos relatos de danos causados pela seca, abaixo de Ponta Porã sentido a Guaíra, no Paraná, mesma situação. Então essa safra está muito mais preocupante do que a anterior, porque a estiagem perdura com força ainda”, alerta Galvan.

Em decorrência da estiagem prolongada, já se estima quebras de mais de 50% na safra dos Estados gaúcho e paranaense. “Se continuar com essa escassez hídrica haverá quebras consideráveis. Isso preocupa bastante o setor. E assim se encontra também o milho da safra de verão 2021/2022, que é plantado nos três Estados do Sul e em algumas regiões de São Paulo, embora em proporção menor, então isso é muito preocupante”, salienta, acrescentando: “Os relatos de perda de produtividade e produção em relação à essa safra é muito maior do que a da safra passada por conta da estiagem que está ocorrendo no Sul do Brasil, pegando algumas regiões já do Mato Grosso do Sul”.

Alta dos insumos e escassez de produtos acende alerta para safra 2022/2023

Galvan demonstra preocupação com a crise no mercado de insumos, revelando que as dificuldades provocadas pela deficiência energética nos principais países produtores e a dependência do agronegócio brasileiro de insumos importados podem comprometer a safra 2022/2023. Atualmente, o país importa em torno de 76% da matéria-prima de seus fertilizantes e agrotóxicos da China, da Rússia e da Índia, nações que enfrentam obstáculos para manter o ritmo de produção.

“O grande dilema do produtor rural está com a safra 2022/2023, porque os custos de produção para a safra 2021/2022 subiram no decorrer do ano passado e como o produtor costuma comprar os insumos com antecedência, normalmente no fim do ano anterior à safra seguinte, não há risco de desabastecimento, além do mais, por terem esse planejamento, já compraram os fertilizantes e agrotóxicos para a safra atual com um custo menor do que os valores praticados neste momento”, expõe Galvan.

De acordo com o presidente da Aprosoja Brasil, alguns agricultores brasileiros já enfrentam dificuldades para garantir o suprimento para o próximo ciclo da produção de grãos. Segundo Galvan, a baixa oferta de fertilizantes e agrotóxicos está gerando alta nos preços, com alguns insumos chegando a mais de 300% de aumento. “Essa é uma preocupação de todos os produtores do mundo, não está restrita apenas ao Brasil. Enquanto a soja subiu em torno de 70% em dólar, os valores dos fertilizantes aumentaram mais de 200% em dólar, e alguns itens de defensivos agrícolas como glifosato e diquat chegaram a subir 300% em dólar, então hoje os custos de insumos estão muito além do que nós tínhamos nas safras passadas, por isso a safra 2022/2023 é a que mais nos preocupa. Para o ciclo 2021/2022 o que está preocupando mais é a estiagem no Sul do país”, afirma, ampliando: “Essa é uma realidade que vamos encarar daqui para frente. Com os atuais preços dos insumos, as lavouras estão praticamente inviabilizadas, quem é arrendatário está com o custo de produção praticamente inviabilizado para a safra 2022/2023”, conclui.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná

Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade

Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

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Foto: Coopavel

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.

Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.

Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.

Mais produtividade

Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.

Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025

Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

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Foto: Divulgação/Adapar

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.

Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.

As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso

O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.

Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.

O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.

Antropozoonoses

Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato

brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.

No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.

Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.

Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN

Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.

Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.

Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.

Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação

a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.

O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.

Prevenção

A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.

Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.

Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves

Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.

Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.

Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves

A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.

Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.

A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo

Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.

O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.

Fonte: AEN-PR
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Exportações de carne bovina batem recorde em 2025

Brasil embarca 3,5 milhões de toneladas, amplia receita para US$ 18 bilhões e fortalece presença em mais de 170 mercados, com liderança da China e avanço expressivo em destinos estratégicos.

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Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).

Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).

Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida.

Os resultados de 2025 refletem a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, e para o diálogo permanente e o apoio do Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado, e sempre atento às questões geopolíticas”, conclui Perosa.

Dezembro

No mês de dezembro de 2025, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão. A China liderou as compras no mês, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos (27,2 mil toneladas), Chile (17,0 mil toneladas) e União Europeia(11,9 mil toneladas).

Fonte: Assessoria ABIEC
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