Notícias Safra de inverno
Aprendizados adquiridos na pandemia serão fundamentais para o futuro da cadeia do trigo mundial
Com tema ‘Mudanças Recentes e o Futuro’, Congresso do Trigo virtual debaterá os desafios e as oportunidades do setor

Nas últimas semanas, o mercado repercutiu assuntos que tem o trigo como tema, fator que reforça a importância do grão desde o campo até a mesa dos brasileiros. Buscando reunir toda a cadeia do cereal, no Brasil e no mundo para debater as oportunidades e desafios a Associação Brasileira da Indústria do Trigo – Abitrigo, promove no dia 25 de novembro, das 9h às 12h30, a 27ª edição do Congresso Internacional da Indústria do Trigo, que neste ano, por conta da pandemia, será online e gratuita.
O evento, que tem como principal objetivo contribuir para o fortalecimento e crescimento do setor tem um desafio a mais neste ano: discutir a crise gerada pela pandemia da Covid-19, seus impactos no consumo e as perspectivas do setor para a retomada da economia.
“Neste ano o evento terá como tema central ‘Mudanças Recentes e o Futuro’, pois entendemos que é importante olharmos para os aprendizados conquistados ao longo deste ano e a partir deles traçar os objetivos e estratégias para os desafios que estão por vir”, destaca o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.
A palestra inaugural do Congresso será ministrada pela economista, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, professora da SAIS/John Hopkins University Washington, Monica de Bolle, que apresentará o atual cenário do setor, abordando as perspectivas econômicas mundiais e para o Brasil, no pós-pandemia.
Com o tema central “Panorama Econômico e Tributário”, a palestrante pretende atualizar os participantes sobre a questão da reforma tributária brasileira, bem como os possíveis impactos da geopolítica e o comércio internacional para o Brasil. Outros assuntos como logística, investimentos e questões ambientais também serão abordados pela palestrante.
Seguindo a programação, o jornalista William Waack será o moderador do painel ‘A Dinâmica do Mercado do Trigo’, que contará com um depoimento do presidente honorário da European Flour Millers , Bernard Valluis e a presença dos debatedores: Rogério Trannin de Mello, diretor comercial da Coamo Agroindustrial Cooperativa, representando o mercado nacional; Edson Csipai, executivo do Negócio Trigo na Bunge, que falará sobre mercado internacional e isenções tarifárias e Luiz Henrique Baldez, presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga – ANUT, que abordará os temas logística e infraestrutura.
Ainda sobre a moderação de Waack, o segundo painel do dia abordará ‘A Gestão da Indústria do Trigo’. O CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni fará um depoimento que será seguido pelo debate, com a presença do Global Principal Application Scientist, Enzymes DuPont Health & Bioscience Eduardo Pimentel Junior, que abordará as tendências do mercado de farinhas e derivados; a diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria – CNI, Mônica Messenberg, que falará sobre a interferência do governo na atividade empresarial e por fim, o tema rentabilidade, desempenho e inovação da indústria, que será tratado por José Honório Tofoli, presidente da J. Macedo.
A edição deste ano do Congresso será promovida em três idiomas e poderá ser acompanhada virtualmente por pessoas de todo o mundo. Dentre o público esperado estão executivos e empresários dos principais setores envolvidos na produção, moagem e derivados do grão.
Para mais informações e inscrições para o Congresso do Trigo, acesse: https://www.congressoabitrigo.com.br/


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Programas de milho e sorgo de baixo carbono buscam reduzir emissões na produção agrícola
Projetos da Embrapa vão desenvolver protocolos de certificação para diferenciar e valorizar grãos produzidos com práticas sustentáveis.

O lançamento dos programas Milho de Baixo Carbono (LCC) e Sorgo de Baixo Carbono (LCSg) pela Embrapa representa um marco para o fortalecimento da produção agrícola sustentável no Brasil. As iniciativas oferecem alternativas concretas aos impactos das mudanças climáticas e ampliam as oportunidades para que o milho e o sorgo brasileiros sejam competitivos em mercados cada vez mais exigentes em termos de sustentabilidade.
O objetivo é desenvolver e validar protocolos de certificação para as marcas conceituais de Milho de Baixo Carbono e Sorgo de Baixo Carbono, com base em evidências científicas e em conformidade com as normas internacionais. Os projetos abrangem parâmetros que diferenciam e podem agregar valor ao milho e ao sorgo produzidos utilizando práticas e tecnologias sustentáveis.
O trabalho será essencialmente baseado em critérios técnicos e científicos para medir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEE) por tonelada de grãos produzidos . “O cálculo será possível por meio da validação de diretrizes técnicas para o protocolo de certificação. Após a validação do protocolo pela Embrapa e parceiros, a certificação poderá ocorrer. Essas etapas de certificação serão voluntárias, privadas e realizadas por terceiros, seguindo o sistema MRV (Medição, Relato e Verificação)”, afirma Arystides Resende Silva, pesquisador de Milho e Sorgo da Embrapa.
“Os avisos públicos relativos aos programas de Milho de Baixo Carbono e Sorgo de Baixo Carbono incentivam a adoção de sistemas de produção mais resilientes e promovem a transição para uma economia sustentável”, acrescenta o pesquisador Alexandre Ferreira da Silva .
“Sabemos que enfrentamos um grande desafio global, que é a mudança climática. Nesse cenário, a Embrapa entende que a descarbonização da produção agrícola e pecuária é um dos maiores desafios da agricultura brasileira”, afirma Ferreira.
Ciente dessa necessidade, a Embrapa tem liderado o desenvolvimento de soluções como a criação das marcas conceito Carne Bovina de Baixo Carbono (CB) , Soja de Baixo Carbono (SBC) e Trigo de Baixo Carbono (TBC). Outros avanços incluem a criação de ferramentas e calculadoras para estimar a pegada de carbono por meio da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) de produtos agrícolas em sistemas de produção. As equipes responsáveis por essas iniciativas estão envolvidas no desenvolvimento das marcas Milho de Baixo Carbono (MBC) e Sorgo de Baixo Carbono (SBC), garantindo agilidade, padronização e assertividade nas ações. Além da Embrapa Milho e Sorgo, há pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e da Embrapa Soja.
Desenvolvimento, validação e implementação de selos de certificação.
As ações serão divididas em duas fases. Na fase 1, de desenvolvimento e inovação, o objetivo é desenvolver protocolos de Milho de Baixo Carbono e Sorgo de Baixo Carbono e registrá-los junto à autoridade competente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Para isso, serão elaboradas diretrizes. “O objetivo é identificar quais tipos de milho e sorgo oferecem a maior eficiência de produção por unidade de carbono emitida . Essa distinção servirá de incentivo para a redução das emissões de gases de efeito estufa e não implica em perda de produtividade agrícola”, afirma Resende.
As diretrizes serão validadas durante seu ciclo de produção de três anos em unidades de observação, em locais a serem indicados pelas instituições de apoio. “Cada área gerará informações sobre insumos e operações mecanizadas, bem como sobre o balanço de carbono no solo, a fim de calcular as emissões de gases de efeito estufa para todo o processo produtivo”, relata o pesquisador Ciro Augusto de Souza Magalhães .
Na segunda fase, o selo de certificação será implementado no mercado por meio de certificadoras acreditadas, de acordo com um modelo de exploração comercial a ser definido pela Embrapa.
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Embrapa aponta comportamentos diferentes nos custos de suínos e frangos em fevereiro
Enquanto a suinocultura registrou redução no custo de produção em Santa Catarina, o frango de corte teve variação mínima no Paraná.

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte tiveram comportamentos diferentes em fevereiro conforme os levantamentos mensais da Embrapa Suínos e Aves divulgados por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível clicando aqui.
Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo passou de R$ 6,45 em janeiro para R$ 6,36, queda de 1,39%, com o ICPSuíno recuando para 364,12 pontos. No ano, o índice acumula uma diminuição de 1,77%. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação é de -0,04%. A ração, responsável por 71,92% do custo total de produção em fevereiro, baixou 1,08% no mês e acumula -1,42% no ano.
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte em fevereiro se manteve praticamente estável em relação a janeiro, subindo R$ 0,01, chegando aos R$ 4,72, alta de 0,16%. No ano, o índice acumula alta de1,40%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a variação é negativa: -3,15%. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (18,92% do total), caíram 0,04% em fevereiro, mas têm um aumento acumulado de 18,56% nos últimos 12 meses.
Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte.
Como apoio aos produtores, a Embrapa disponibiliza ferramentas gratuitas de gestão, como o aplicativo Custo Fácil, para dispositivos Android e com download pela Play Store, que gera relatórios personalizados e diferencia despesas com mão de obra familiar, além de uma planilha de custos voltada à gestão de granjas integradas de suínos e frangos de corte, disponível no site da CIAS.
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Fim da escala 6×1 pode gerar impacto bilionário no agro
Ministério do Trabalho estima que setores como proteína suína e avícola podem ter aumento de custos de até R$ 9 bilhões para manter níveis de produção, enquanto deputados e entidades pedem debate técnico e detalhado.

A proposta para pôr fim à escala 6×1, com redução da jornada semanal de trabalho, deve gerar impactos distintos entre os setores da economia. No caso da agropecuária, os efeitos podem ser superiores à média nacional. De acordo com estudo preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego, setores como a agropecuária, a construção e o comércio podem ter um custo adicional que varia entre 7,8% e 8,6%.

Deputado federal Maurício Marcon: “Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”
Os dados foram apresentados na terça-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, durante audiência pública que debateu a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221 de 2019, que trata do tema. A sessão contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que ressaltou que é preciso enfrentar o debate do impacto de custo, embora defenda que esses efeitos não sejam “proibitivos” para a implementação das mudanças.
De acordo com o chefe da pasta, esse estudo do Ministério ainda está sendo elaborado e os setores poderão participar desta mensuração dos impactos. “Nós estamos abertos para sentar com a bancada de empregadores de todos os setores da economia, inclusive, para aprofundar cada setor qual o tamanho do impacto que deve ter”, destacou.
O levantamento foi apresentado pela subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner. Segundo ela, o custo médio da redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas na economia geral é de 4,7% sobre a massa de rendimentos do país. Porém, alguns setores terão impactos distintos:
- Setores de transporte aquaviário e da indústria de alimentos – cerca de 10,5%;
- Setores da agropecuária, da construção e do comércio – custo entre 7,8% e 8,6%;
- Setor de serviços – custo de 1,6%.

Deputada federal Julia Zanatta: O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”
Ela lembrou que esses dados não levam em conta os gastos com a contratação de novos empregados para manter o nível de produção das empresas. O entendimento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) é de que o debate deve ocorrer com uma base técnica mais robusta. Um dos pontos que precisa de mais atenção são as diferentes realidades trabalhistas setoriais e regionais.
No setor de produção de etanol, por exemplo, uma redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas deve gerar um incremento de custo entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões, devido a necessidade de novas contratações para compensar a produtividade. Para o setor de proteína suína e avícola, o impacto pode chegar a R$ 9 bilhões. Nas cooperativas agroindustriais, os gastos a mais com essas novas contratações devem ser de R$ 2,5 bilhões.
Bancada questiona ministro sobre pontos sem definição
A sessão com o ministro também serviu para que deputados da FPA apresentassem dúvidas sobre a forma como o governo pretende implementar a proposta, caso ela seja aprovada. O deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) questionou, por exemplo, o risco de demissões.
“Como é que o governo vai obrigar uma empresa a não demitir um trabalhador para contratar outro pagando menos?”, indagou o parlamentar ao indicar que jornada de trabalho diminuirá a produtividade das empresas e isso deve restringir a manutenção dos empregos.

Deputado federal Luiz Gastão: “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”
A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) classificou como “contrassenso” a posição do governo sobre o tema. Segundo ela, o governo tem elevado impostos para bancar o aumento dos gastos públicos, ao mesmo tempo em que defende a redução da jornada de trabalho. “O povo brasileiro está sendo sufocado, sim, mas é pelo Estado e por aqueles que defenderam o agigantamento do Estado”, afirmou.
Ainda sobre o aspecto tributário, o deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE) destacou que os custos estimados pelos setores são superiores aos apresentados pelo governo e alertou para o risco maior sobre empresas de menor porte. “O que nós temos que discutir é de que forma faremos para que as pequenas e microempresas, ou as empresas de maneira geral, tenham a sua compensação”, disse.
Quem também cobrou uma resposta do governo foi a deputada federal Gisela Simona (União-MT). O questionamento foi sobre a intenção do Executivo de inserir as alterações sobre jornada e escala na Constituição Federal. “Eu gostaria de entender, de forma bem objetiva, a posição do governo com relação àquilo que efetivamente se quer colocar nesse texto constitucional”, perguntou.

Deputada federal Gisela Simona: “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”
Nas respostas, o ministro disse que há estudos que apresentam ganho de produtividade com menos horas de trabalho. “Evidentemente terá impacto [negativo], mas será absorvido pelo impacto positivo na produtividade”, ponderou.
Além disso, Marinho afirmou que a ideia do governo não é enviar um projeto de lei para tratar do tema, mas avançar com PEC ou com outros projetos de lei que também abordam o assunto. Ainda conforme o ministro, essa articulação está sendo feita junto ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).
Novas discussões
A audiência de terça-feira foi a primeira de um ciclo de audiências aprovadas para serem realizadas na CCJC. O requerimento para as audiências foi feito pelo relator da matéria na comissão, deputado federal Paulo Azi (União – BA).
Ao todo serão quatro audiências públicas. As seguintes devem ser:
- com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad;
- com representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
- com representantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Relembre
O tema da redução da jornada de trabalho e modificação da escala 6×1 tomou corpo neste ano. Em movimento liderado pela FPA junto com a Coalizão de Frente Produtivas, parlamentares têm pedido que a discussão ocorra sem precipitação e com a participação dos diferentes setores.
Na semana passada, mais de 100 entidades representativas da economia brasileira emitiram um manifesto no qual defendem o debate da modernização da jornada de trabalho, com diretrizes consideradas essenciais para a discussão.
Uma delas seria a preservação do emprego formal, além de uma atuação com políticas e estratégias para mitigar a informalidade. Outro aspecto trazido pelas entidades é a adoção de medidas para aumentar a produtividade. Além disso, o reconhecimento da heterogeneidade setorial e dos ajustes por meio de negociações coletivas também são apontados como pontos centrais para o debate.



