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Aprenda a garantir a eficácia de defensivos agrícolas

O objetivo é proporcionar uma aplicação consciente, com eficiência no uso dos defensivos

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Artigo escrito por Daniel Petreli, engenheiro agrônomo, especializado em Proteção de Planta e especialista em Tecnologia de Aplicação e Marketing Estratégico da Jacto

Os defensivos agrícolas são produtos eficazes no controle de pragas e doenças que atacam as plantações. No entanto, os resultados não são automáticos. Na verdade, existe muita preocupação sobre os prejuízos que esses químicos podem trazer ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Esse receio pode ser sanado se forem tomados os devidos cuidados no momento da aplicação desses produtos. O objetivo é proporcionar uma aplicação consciente, com eficiência no uso dos defensivos.

Qual o verdadeiro potencial dos defensivos agrícolas? Os defensivos são muito importantes para o desenvolvimento da produção, uma vez que protegem a plantação contra agentes biológicos nocivos. De fato, eles são muito eficientes e seguros.

Para que cheguem ao mercado a fim de serem comercializados, passam por um rigoroso processo de registro, que abrange testes de avaliação toxicológica supervisionado pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, além de avaliação ambiental para averiguar qual seu impacto na atmosfera, no solo e na água. Certas práticas, porém, podem reduzir seu potencial, como veremos a seguir.

O que pode atrapalhar a aplicação?

Apesar de amplamente usados, algumas práticas podem comprometer a eficácia dos defensivos e, com isso, reduzir sua eficiência:

  • Uso excessivo e repetitivo dos mesmos defensivos

A aquisição de um produto para tratar uma praga específica, usando-o várias vezes na mesma safra não é adequada. Os defensivos são desenvolvidos para tratar alguns mecanismos de ação da praga ou doença. O uso indiscriminado faz com que o produto perca a eficiência com o tempo.

A eficácia do químico começa acima dos 90% (chegando a 100% em alguns casos) e, ao longo dos anos, esse índice vai caindo por conta do uso repetitivo. Isso ocorre porque, com a aplicação excessiva e prolongada, inicia-se um processo de resistência em relação a alguns alvos.

É necessário, portanto, que se apliquem métodos de manejo sustentáveis, diversificação de culturas e alternância ou rotação de defensivos que atuam de formas diferenciadas. Isso pode evitar que se desenvolvam pragas ou doenças resistentes na lavoura.

  • Deriva

A deriva ocorre quando os defensivos agrícolas não atingem os locais desejados em razão do deslocamento do produto, seja por causa da ação do vento, que causa evaporação, deslocação ou escorrimento do produto no momento da aplicação.

Esse problema pode ocorrer em resultado do alto volume de defensivo aplicado, produzindo gotas grandes, além do tamanho que as superfícies foliares são capazes de reter. Com isso, as gotículas se juntam e escorrem para o solo.

A deriva pode causar danos ambientais quando os defensivos se deslocam para culturas mais sensíveis, além de ser fonte de desperdício.

  • Mistura

Cerca de 95% dos produtores fazem misturas. Se no momento da combinação de produtos em tanque o produtor não souber como os químicos interagem e reagem entre si, ele pode comprometer a eficácia da aplicação.

Na verdade, se todo o processo de pulverização não for realizado de maneira adequada, a eficiência dos produtos pode ser prejudicada. Desde a compra do produto, o processo de mistura dos defensivos até a pulverização, cada fase gera perdas e, se o agricultor fizer de forma inadequada, os danos serão maiores.

  • Qualidade da água

A água utilizada na pulverização pode não ser capaz de preservar as propriedades químicas dos defensivos, diminuindo sua eficácia. Um dos fatores hídricos que estão envolvidos nisso é o pH, ou seja, sua acidez ou alcalinidade. Por exemplo, tem-se observado que herbicidas do grupo das imidazolinonas são absorvidas pelas folhas mais facilmente quando o pH da água está em torno de 4 ou 4,5.

No entanto, outros fatores relativos à água também podem influenciar, como:

– dureza total: marcado pela presença do carbonato de cálcio (CaCO3), resíduos e matéria orgânica;

– altos teores de argila: reduz a meia-vida do produto;

– quantidade de íons: por exemplo, íons Fe+3 e Al+3 podem reagir com os defensivos e reduzir sua eficiência.

Como garantir a eficácia dos defensivos agrícolas?

Para obter sucesso na aplicação de defensivos agrícolas, é importante seguir boas práticas, como as citadas a seguir:

  • Cuide da segurança da operação

O primeiro passo é proteger o operador contra intoxicações causadas por defensivos. Embora isso não influa na eficácia da aplicação dos produtos em si, seguir as normas relativas ao uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como luvas, avental e botas, garante a segurança total da operação.

Deve dar-se atenção também à segurança ambiental, pois contribui para uma produção mais sustentável e reduz o desperdício no uso de químicos na colheita. Por exemplo, quando o produtor trabalha acima dos limites de vento e temperaturas, ele perde o produto para o ambiente, por deriva.

Assim, é preciso respeitar as normas e limites definidos na bula. Se ele não respeitar as regras, não só reduzirá a eficiência dos defensivos, mas também causará danos aos recursos naturais que o cerca, vitais para a lavoura.

  • Escolha do produto certo

Cada cultura tem necessidades e riscos específicos. Sendo assim, é muito importante que o produtor escolha o produto com cuidado, cuja eficiência seja comprovada de acordo com os objetivos a serem alcançados.

O passo inicial é identificar quais doenças ou pragas poderiam causar danos àquela plantação específica. A partir daí, o produtor deve buscar conhecer os defensivos que sejam mais adequados a cada tipo de cultivo e praga. Além disso, é necessário verificar se o defensivo é registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

  • Dê atenção à pulverização

Esse é um aspecto fundamental, pois está relacionado ao instrumento por meio do qual a aplicação de defensivos é feita. A pulverização inadequada pode gerar custos adicionais ao produtor em virtude de desperdício de produtos, especialmente quando a área a ser coberta é muito grande. Por isso, alguns fatores devem ser levados em conta no momento da pulverização:

– alvo e área de aplicação: qual o objetivo do procedimento e qual a sua posição? Está nas folhas, no solo, no tronco, etc.;

– clima: fatores como temperatura, velocidade do vento e umidade do ar influenciam na eficiência da aplicação;

– cobertura e volume: é necessário definir a correta proporção entre cobertura e volume de produtos aplicado;

– bicos de pulverização: O tipo de bico influencia na área de cobertura, no tamanho da gota e também no alcance da mistura. Por isso, utilizar o bico errado pode gerar desperdício de insumos, além de não garantir o controle das pragas e doenças. Imagine que você faça a pulverização com o bico errado e que a mistura não penetrou corretamente em uma lavoura que apresentava indícios de infecção. Além de ter perdido o dinheiro investido nos produtos utilizados, você corre o risco de ter uma piora da infecção que, em muitos casos, pode levar à deterioração da plantação. Em contrapartida, a escolha correta do bico garante que o produto terá o alcance e a penetração corretos. Além disso, preocupe-se também em dosar corretamente e, sempre que possível, fazer a aplicação em condições climáticas favoráveis.

Um recurso que auxilia o produtor na escolha do bico mais apropriado é um aplicativo para smartphone disponível gratuitamente para download nas plataformas Windows, Android e iOS.

Utilize a tecnologia a seu favor

Diversas tecnologias podem auxiliar o produtor no uso de defensivos, tornando o processo mais eficiente. Uma das tecnologias presentes em pulverizadores é o controle de abertura e fechamento bico a bico.  Quando conectados a sistemas para gestão da pulverização, o operador tem total controle dos bicos de pulverização. É possível visualizar mapas para conferir informações sobre a cobertura da aplicação, entre outros dados. O pulverizador automotriz, por exemplo, conta com acionamento eletrônico dos bicos segundo as características do agroquímico, das condições do clima, da velocidade e do volume da aplicação.

Esse controle eficiente bico a bico contribui para uma aplicação mais uniforme, precisa, adequada à lavoura e com o menor desperdício e impacto ao meio ambiente. Para tamanha precisão, mais uma vez entra em cena o posicionamento por GPS. Por meio dele, o computador mapeia todo o talhão, desligando o bico pulverizador quando a máquina sai da área ou passa por um ponto onde já foi aplicado o produto. O sistema proporciona mais precisão nas aplicações, com economia de produto na ordem de 10% e consequente menor impacto ambiental.

A telemetria é outro recurso que está ligado à uma aplicação consciente. O recurso está dentro de uma tendência conhecida como agricultura de precisão, que engloba um conjunto de técnicas avançadas de manejo. São metodologias que lançam mão de dados vindos de dispositivos eletrônicos, como GPS e sensores. Informações sobre as variações do clima, volumes de produção, perdas da safra e despesas com defensivos agrícolas são reunidas e avaliadas. Os resultados servem para elaborar estratégias e ações para a eliminação de desperdícios e aumentar a produtividade por hectare.

Sistemas de telemetria, por exemplo, são capazes de calcular a dose e volume de produtos aplicados com base em dados retirados do clima — como níveis de temperatura e umidade —, do maquinário e das condições do solo, realizando também um diagnóstico completo da lavoura a fim de otimizar as operações e torná-las mais eficazes. Com isso, a telemetria contribui para o aumento da produtividade e a redução de custos entre de 3% e 15%.

Esse recurso é utilizado pelo Otmis Maps, um software capaz de reduzir as taxas de sobreposição, evitando que o produto seja aplicado diversas vezes no mesmo local, o que poderia causar resistência contra defensivos.

A correta aplicação de defensivos agrícolas depende de muito conhecimento e prática em campo. Por isso, é preciso investir na busca dos melhores produtos e de empresas e universidades que investem em pesquisas e disponibilizam diferentes modelos de equipamentos e cursos de aperfeiçoamento. Não se pode negligenciar também o suporte do agrônomo ao longo de todo o processo.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Nova política chinesa para carne bovina pressiona margens da pecuária brasileira

Excedente fora da cota tende a encarecer o acesso ao principal mercado e desacelerar investimentos em confinamento e expansão do rebanho.

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A partir desse ano, a China passa a adotar cotas anuais para a importação de carne bovina, inaugurando uma nova fase na relação comercial com os grandes exportadores globais. Pelo novo modelo, os volumes dentro da cota seguirão sujeitos à tarifa de 12%, enquanto o excedente será onerado com uma sobretaxa de 55%. A política terá vigência inicial de três anos e atinge diretamente o Brasil, responsável por cerca de metade da receita das exportações chinesas de carne bovina.

O ponto central da medida não está em um bloqueio imediato, mas na mudança estrutural do fluxo de mercado. A cota anunciada cobre aproximadamente 65% do volume atualmente exportado pelo Brasil, criando um excedente relevante que dificilmente encontrará realocação no curto prazo, dada a limitação de absorção de outros destinos. “A China não está interrompendo as compras, mas redesenhando a forma como controla preços, contratos e volumes. A carne bovina deixa de ser um fluxo livre e passa a funcionar como um ativo regulado”, explica a agrônoma Yedda Monteiro.

Instrumento de barganha e ajuste de oferta

Diferentemente de embargos sanitários ou medidas emergenciais, a cota funciona como um mecanismo estrutural de controle, permitindo à China reduzir sua dependência marginal de proteína importada sem comprometer o abastecimento interno. Ao mesmo tempo, o modelo amplia o poder de barganha do país asiático sobre preços e prazos, além de forçar ajustes de oferta nos países exportadores mais eficientes. “Ao estabelecer um teto formal, Pequim ganha flexibilidade para comprar quando quiser e pressionar preços em momentos de excesso de oferta, evitando repasses inflacionários ao consumidor doméstico”, expõe Yedda.

Na prática, o impacto não se manifesta como choque imediato de mercado, mas como mudança de expectativa. A partir de 2026, o setor tende a operar com maior cautela, o que pode desacelerar a expansão do rebanho, reduzir investimentos em confinamento e alargar o ciclo pecuário como forma de diluir o risco.

Efeito indireto sobre milho e soja aparece na margem

É por esse canal que a decisão chinesa ultrapassa a pecuária e alcança os mercados de grãos. Embora o consumo direto de milho pela bovinocultura represente uma fatia menor do total nacional, ele funciona como demanda marginal justamente nos momentos de excesso de oferta, ajudando a equilibrar o mercado.

Nos últimos ciclos, a relação boi × milho foi favorecida pela combinação de preços firmes da carne, sustentados pela China, e milho pressionado por safras elevadas. Esse arranjo estimulou a intensificação da produção e o uso de ração. Com as cotas, essa sustentação deixa de ser estrutural e passa a ser cíclica e oportunista. “O impacto não aparece no embarque, mas na decisão produtiva. Quando a previsibilidade do escoamento diminui, o produtor ajusta a margem, e isso se reflete no consumo de milho e farelo de soja”, ressalta a agrônoma.

 

No curto prazo, o efeito tende a ser limitado, especialmente se o milho seguir pressionado pela oferta. Já no médio prazo, a partir do segundo semestre de 2026, o cenário mais provável é de menor crescimento do consumo de grãos pela pecuária, aumentando a dependência de outros vetores de absorção, como exportações e etanol.

Ajuste fino, não ruptura

A leitura do mercado é de ajuste gradual, não de ruptura. As cotas chinesas não desmontam a dinâmica de exportação da carne brasileira, mas retiram um importante pilar de sustentação permanente da relação entre pecuária e grãos. O impacto ocorre na margem, na estratégia e no ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026. “É um ajuste que pesa mais do que parece, porque acontece justamente quando o mercado precisa de demanda adicional para equilibrar excedentes. O erro seria tratar esse novo cenário como se a sustentação chinesa fosse infinita”, salienta.

Fonte: Assessoria Biond Agro
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Mato Grosso bate recordes e projeta novo salto na pecuária de corte em 2026

Presidente da Acrimat detalha avanços, gargalos e desafios da cadeia em um ano marcado por exportações e expansão da produção.

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Fotos: Shutterstock

O Mato Grosso reafirmou em 2025 sua posição como maior potência pecuária do país, respondendo sozinho por 18,5% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) de bovinos do Brasil. Segundo dados parciais do painel nacional do VBP, divulgado em 21 de novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estado movimentou R$ 37,96 bilhões com a cadeia bovina, se mantendo como o produtor individual mais relevante entre todas as unidades federativas.

No cenário nacional, o VBP dos bovinos somou R$ 205,38 bilhões, consolidando a atividade como uma das mais robustas da agropecuária brasileira. No ranking dos quatro principais produtores figuram ainda São Paulo (R$ 24,82 bilhões), Mato Grosso do Sul (R$ 20,49 bilhões) e Goiás (R$ 20,44 bilhões). Por sua vez, o VBP total do estado alcança R$ 220,43 bilhões, e a atividade bovina representa 15,6%, compondo parcela significativa da produção agropecuária local, ao lado de culturas como soja e milho, que lideram o ranking estadual.

Presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr.: “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Jr., detalhou os avanços, os desafios e a visão estratégica do setor para 2026. “O ano de 2025 foi marcado por recordes de produção, abates e exportação, fortalecendo a posição de Mato Grosso como o principal fornecedor de carne bovina do Brasil para o mercado interno e para mais de 80 nações”, frisa.

O estado encerrou 2025 com cerca de 7,2 milhões de animais abatidos, número nunca antes registrado. Ribeiro Jr. explica que o resultado foi impulsionado tanto pelo bom desempenho dos sistemas a pasto quanto pela intensificação dos modelos de terminação. “Aumentamos em cerca de 4% a área de confinamento”, afirmou.

Ele ressalta que o movimento coincidiu com um período de forte demanda internacional. “A exportação seguiu em alta, com abertura de novos mercados. O Sudeste asiático se tornou um destino em expansão impressionante. Além disso, tivemos a retomada do mercado norte-americano e o crescimento significativo das compras do México”, ressalta.

Padronização da produção

O avanço das áreas de confinamento reforça a busca por maior eficiência e previsibilidade na cadeia produtiva. Para Ribeiro Jr., os ganhos são relevantes, mas o processo ainda está longe de substituir totalmente a pecuária a pasto. “Os frigoríficos atendem diversos mercados e consequentemente diversos tipos de demandas. Uns querem carne sem gordura, outros querem desossada, gerando dificuldades no abate”, explica.

Segundo ele, esse cenário exige regularidade e previsibilidade. “Os frigoríficos precisam padronizar o rendimento de carcaça, precocidade, volume e frequência, e os confinamentos procuram suprir essa necessidade. Porém a demanda é grande e o confinamento é uma solução boa para padronizar, mas ainda não é definitiva. O frigorífico ainda depende do boi a pasto”, pondera.

Mercados internacionais em expansão

O presidente da Acrimat também projeta um ambiente favorável às exportações no próximo ano. A carne mato-grossense deve continuar ocupando espaço em mercados de alto consumo e em nações que vêm ampliando as compras nos últimos meses. “Acredito que o mercado americano ainda seja um mercado que vai demandar muito a nossa carne, pela necessidade histórica que eles têm pelos nossos produtos”, avalia.

Ele destaca que surpresas positivas vieram de mercados que não figuravam entre os principais destinos do estado. “A surpresa boa é como México e Rússia vêm comprando muito a nossa carne, além do Sudeste Asiático – Indonésia, Filipinas, Singapura e Vietnã – que se mostram em franca ascensão e devem continuar desta forma em 2026”, afirma.

Oscilações do mercado

Para o dirigente, o maior desafio do produtor em 2025 e também em 2026 é garantir remuneração adequada. “O maior desafio de hoje é ser mais bem remunerado pelo que se produz. Somos muito vulneráveis pelas oscilações de mercado, guerras e governos, sempre com retrocessos destes preços”, menciona.

Ribeiro Jr. lembra que, no passado, a volatilidade do mercado era compensada em determinados períodos, mas essa dinâmica mudou. “Alguns anos atrás o pecuarista tinha a recuperação desses preços. Hoje essa oscilação positiva está cada vez mais escassa, tirando muita gente do jogo. Hoje não há mais espaço para amadores, principalmente na terminação”, alerta, recomendando que o produtor faça suas contas bem-feitas para se manter no setor.

Processo de adaptação

Com a pressão global por sustentabilidade e rastreabilidade, a pecuária mato-grossense passa por um processo de adaptação. Ribeiro Jr. reconhece que o setor enfrenta um caminho inevitável. “Temos plena consciência de que a rastreabilidade é um caminho sem volta. Mas gostaríamos que fosse gradativa e não obrigatória”, defende.

A maior preocupação recai sobre os pequenos e médios produtores. “Se houver essa obrigatoriedade, que ao menos seja acessível para quem não tem condição de investir em sustentabilidade e rastreabilidade, já que esses processos encarecem a produção e os preços não serão compatíveis com os novos custos”, salienta, afirmando que a Acrimat acompanha de perto as discussões: “Estamos trabalhando junto à Câmara Setorial e ao Mapa nesse projeto de rastreabilidade, e acreditamos que ele deve ser opcional”.

Gargalos persistem

Apesar dos avanços, o estado enfrenta entraves estruturais que limitam seu potencial. O presidente da Acrimat destaca especialmente a logística. “Temos vários gargalos ainda, principalmente em Mato Grosso, que tem uma extensão continental. A maior dificuldade vem da logística, onde grandes regiões produtoras ainda não têm frigoríficos”, aponta.

A consequência recai diretamente sobre o bolso do produtor. “Os animais precisam se deslocar de 400 a 500 quilômetros para chegar ao frigorífico mais próximo, perdendo peso e gerando prejuízo”, relata.

Além disso, a distância dos portos exportadores encarece o frete. Ribeiro Jr. também aponta entraves ambientais e fundiários. “Precisamos de mais agilidade nas liberações ambientais, como o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Não podemos trabalhar com essa insegurança jurídica, preocupados com invasões de terra, desapropriações e incêndios que, na maioria das vezes, transformam o produtor em vítima, mas ainda assim ele é quem recebe o ônus”, afirma.

Dependência do mercado interno

Mesmo com o peso das exportações, o consumo interno permanece como principal destino da produção. “O mercado interno soma 70% da produção”, destaca Ribeiro Jr.

No entanto, fortalecer esse mercado é um desafio que está diretamente ligado ao desempenho da economia nacional. “Como melhorar o mercado interno sem avançar na melhoria das condições econômicas da população? Praticamente não se consegue”, enfatiza, acrescentando: “Vivemos em um país com muita distribuição de benefícios sociais e ajudas, o que dificulta o crescimento da economia, não gerando economia nova e nem movimentação do dinheiro. Precisamos de indústrias, comércios, agricultura e pecuária crescentes, mas temos mercados estagnados”, lamenta.

Pilares da pecuária

A Acrimat acompanha de perto o avanço das tecnologias no campo, e Ribeiro Jr. avalia que o produtor mato-grossense já opera em um patamar elevado de profissionalização. “Já utilizamos bem as ferramentas da pecuária como genética, nutrição, sanidade e manejo, sendo bem-feitos da porteira para dentro”, afirma.

Ele aponta três pilares essenciais para o futuro: oferta e demanda, tecnologia e rastreabilidade. “Já estamos em discussão sobre este último pilar. Temos um programa do Mapa, elaborado junto aos produtores, que vai estar ativo em oito anos, e é isso que vai nos gerar a confiança de que a pecuária do futuro será superior à atual”, projeta.

Riscos para 2026

Embora os riscos sanitários e ambientais sejam naturais da atividade, Ribeiro Jr. pontua outro tipo de ameaça como a mais preocupante. “O maior risco que estamos enfrentando nos últimos anos são as pressões ambientais de outros países. Precisam do nosso produto, mas querem negociar com um preço mais barato, colocando barreiras ambientais que eles não fazem, mas nos cobram”, critica.

Ele reforça que o Brasil já possui um dos códigos ambientais mais rígidos do mundo. “Já temos um código ambiental bastante restrito e amplo, em que seguimos à risca. Não tem por que atender demandas acima do nosso código ambiental sem poder contar com respaldo do governo”, salienta.

Segundo ele, até mesmo durante a COP 30, o país não conseguiu mostrar plenamente seus avanços. “Tivemos a oportunidade de mostrar o que fazemos de bom, mas ficamos presos a estas questões ambientais”, lamenta.

Visão de futuro

Apesar dos desafios, Ribeiro Jr. mantém o otimismo em relação ao futuro da pecuária mato-grossense. “Temos certeza do sucesso da pecuária no futuro, porque conhecemos a fundo nosso setor, nossos produtores e sabemos que o que fazemos em relação à preservação ambiental é extremamente rígido”, diz.

Ele destaca a eficiência produtiva como um dos grandes diferenciais do Brasil. “Ninguém produz tão barato e em quantidade tão grande como o Brasil. Os produtores aprenderam a produzir mais no mesmo espaço, preservando mais áreas verdes, com sustentabilidade. Os dados de exportação mostram que estamos em uma crescente e devemos continuar assim por muitos anos. Temos volume, qualidade e sanidade”, exalta, frisando: “A pecuária do Mato Grosso e de todo o país só tende a crescer, e vamos continuar alimentando o mundo por muitos e muitos anos”.

Anuário do Agronegócio figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil lança selo para fortalecer mercado de carne premium

Iniciativa incentiva o cruzamento entre vacas leiteiras e touros Angus, ampliando a oferta de carne de alto valor e criando nova fonte de renda para produtores de leite.

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Foto: Edu Rocha

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

Foto: Fernando Goss (bovinos Angus)

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

 

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

Foto: Renata Suñe (Holandesas)

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

 

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Fonte: Assessoria Embrapa Pecuária Sul
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