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Após um 2025 instável, mercado da tilápia aposta em melhora em 2026

Com consumo limitado ao longo do ano, setor mira cenário mais favorável no próximo período.

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O setor brasileiro de tilápia enfrentou um ano desafiador em 2025, marcado por pressão sobre preços e retração em alguns indicadores do mercado. Entre os principais fatores que impactaram a atividade estiveram a imposição de sobretaxas pelos Estados Unidos às importações, a liberação da entrada de tilápias do Vietnã no mercado nacional e a elevação do pescado nas espécies exóticas invasoras, conforme apontam dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) no Panorama Pecuário.

O consumo interno mostrou-se limitado ao longo do ano, enquanto os preços reais ao produtor registraram queda. Na região de Grande Lago (SP), o valor médio pago ao produtor foi de R$ 12 por quilo em 2025, recuo de 12% em relação a 2024, segundo dados deflacionados pelo IGP-DI. A pressão sobre as cotações esteve associada, principalmente, à oferta elevada de animais.

Entre os destaques do ano, o Cepea aponta redução de 12% nos preços da tilápia em termos reais na região dos Grandes Lagos. Por outro lado, houve crescimento de 19,2% no volume de alevinos e juvenis comercializados no mercado, indicando movimento de reposição produtiva. Já no segundo semestre, considerado fraco para o setor, as exportações recuaram 1%, impactadas pela taxação dos Estados Unidos.

Outro ponto observado em 2025 foi o aumento de 5,7% na biomassa de tilápia nas regiões acompanhadas pelo Cepea, reflexo direto da maior disponibilidade de peixes no mercado.

No segmento de carne, o preço do filé de tilápia caiu 19% em janeiro de 2025 na comparação com janeiro de 2024, no atacado do estado de São Paulo. Em termos reais, a retração chegou a 20%, refletindo a demanda enfraquecida.

A análise dos preços ao longo dos últimos anos mostra que, em termos reais, as cotações do filé de tilápia vêm operando em patamar mais baixo desde setembro de 2025, cenário atribuído à menor oferta naquele período.

Para 2026, a perspectiva do Cepea indica que o mercado brasileiro de tilápia seguirá influenciado por fatores externos, especialmente as importações de pescado, com destaque para o Vietnã. A expectativa é de maior disponibilidade de tilápia no primeiro semestre, período em que o setor busca atender uma demanda tradicionalmente mais aquecida, impulsionada pela Quaresma. A produção, segundo o Cepea, está preparada para atender possíveis oscilações de consumo ao longo do próximo ano.

Fonte: Assessoria Panorama Pecuário Cepea

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Manifesto propõe ações para fortalecer cadeia produtiva do pescado

Lançado durante o X SIMCOPE, documento reúne prioridades como alimentação escolar, certificação sanitária e valorização da pesca de pequena escala.

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Foto: Divulgação

Realizado entre os dias 20 e 22 de maio de 2026, em Santos (SP), o X Simpósio de Controle de Qualidade do Pescado (SIMCOPE) celebrou sua décima edição reunindo especialistas, pesquisadores e representantes do setor para discutir qualidade, tecnologia e sustentabilidade do pescado. Promovido pelo Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o evento marcou o lançamento do Manifesto Pescado e Alimentação.

O documento foi elaborado a partir dos debates do Workshop sobre Pescado e Alimentação, que reuniu representantes da academia, da gastronomia, da pesca artesanal, da alimentação escolar e da sociedade civil. A proposta é ampliar o consumo de pescado no Brasil e fortalecer a cadeia produtiva por meio da integração entre ciência, políticas públicas, educação alimentar e cadeias de abastecimento sustentáveis.

De acordo com a organizadora do evento e pesquisadora do Instituto de Pesca, Érika Furlan, o manifesto reúne as principais conclusões do workshop e busca orientar políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor.

Entre as prioridades apontadas pelo documento estão a inclusão do pescado na alimentação escolar, a valorização da pesca de pequena escala, a ampliação do acesso à certificação sanitária, o fortalecimento da gastronomia sustentável e a integração entre ciência, gestão pública, setor produtivo e sociedade civil.

Ao final do simpósio, os participantes também assumiram compromissos para fortalecer redes de colaboração entre universidades, governos, escolas e pescadores, incentivar políticas públicas para a merenda escolar e compras governamentais, ampliar ações de educação alimentar sobre os benefícios do pescado e apoiar o desenvolvimento de tecnologias voltadas à rastreabilidade e à segurança dos alimentos.

Fonte: Assessoria Instituto de Pesca
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EUA mantêm filé fresco de tilápia brasileira fora da sobretaxa de 25%

Nova regra preserva a competitividade do principal produto exportado pelo Brasil ao mercado norte-americano.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Os principais produtos de tilápia exportados pelo Brasil para os Estados Unidos ficarão de fora da sobretaxa de 25% prevista na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. A decisão passa a valer em 22 de julho de 2026 e foi recebida positivamente pelo setor da piscicultura brasileira.

De acordo com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a medida preserva a competitividade do filé fresco de tilápia, principal produto da pauta de exportações brasileiras de pescado para o mercado norte-americano.

Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR: “Esta decisão é uma grande vitória para a tilapicultura brasileira. A manutenção do filé fresco fora da sobretaxa preserva a competitividade do produto e reforça o reconhecimento da qualidade da tilápia produzida no Brasil”

Pelas novas regras, permanecerão isentos da sobretaxa o filé fresco de tilápia e a tilápia inteira, tanto na forma congelada quanto resfriada. Já o filé de tilápia congelado não foi incluído na lista de exceções e será tributado em 25%.

Segundo a Peixe BR, embora a taxação do filé congelado represente um impacto para esse segmento, o efeito é reduzido pela manutenção da isenção sobre o filé fresco, que concentra o maior volume e o maior faturamento das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.

Foto: Shutterstock

Para o presidente-executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros, a decisão mantém a competitividade da tilápia brasileira no principal mercado de exportação do produto. “Esta decisão é uma grande vitória para a tilapicultura brasileira. A manutenção do filé fresco fora da sobretaxa preserva a competitividade do produto e reforça o reconhecimento da qualidade da tilápia produzida no Brasil”, afirmou.

A entidade também destaca que a definição das regras traz maior previsibilidade para o setor, permitindo que as empresas planejem contratos de longo prazo com mais segurança jurídica.

Ainda de acordo com a PEIXE BR, a decisão foi resultado de uma articulação entre empresas brasileiras e importadores parceiros nos Estados Unidos, que defenderam a importância da tilápia produzida no Brasil para o abastecimento do varejo e do setor de restaurantes norte-americanos.

Fonte: O Presente Rural
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Pesquisa impulsiona cultivo comercial do lambari no Brasil

Tecnologias desenvolvidas pelo Instituto de Pesca ampliaram a produção, viabilizaram o processamento e abriram novos mercados para a espécie.

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Foto: André Thiago/Sanepar

Poucas espécies de peixes despertam tanta memória afetiva nos brasileiros quanto o lambari. Presente em rios, córregos e lagoas de praticamente todo o território nacional, ele costuma ser lembrado como o primeiro peixe capturado durante a infância, em pescarias realizadas com pais, avós e tios. Além de ocupar um lugar especial na cultura brasileira, a espécie vem ganhando importância econômica, tanto como alimento, tradicionalmente apreciado na forma de petisco, quanto como isca viva na pesca esportiva.

Foto: André Thiago/Sanepar

Durante muitos anos, a produção de lambaris permaneceu baseada quase exclusivamente na captura em ambientes naturais ou na ocorrência dessas espécies como fauna acompanhante em cultivos de peixes de interesse comercial. O termo “lambari” abrange diversas espécies de pequenos caracídeos (vasta família de peixes de água doce) pertencentes a diferentes gêneros. O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desempenhou papel pioneiro na geração de conhecimento científico e tecnológico voltado ao cultivo comercial de diferentes espécies de lambaris, incluindo Astyanax fasciatusAstyanax lacustris e Deuterodon iguape.

De acordo com o pesquisador do IP, Fábio Sussel, “a consolidação da lambaricultura como atividade aquícola exigiu o desenvolvimento de tecnologias específicas capazes de tornar sua produção previsível, eficiente e economicamente viável”.

Pesquisa e inovação para fortalecer a produção

Ao longo das últimas décadas, o IP desenvolveu e aperfeiçoou protocolos envolvendo diferentes etapas do processo produtivo, contribuindo para a consolidação de uma cadeia inexistente até então em escala comercial.

Entre as principais contribuições destacam-se o aperfeiçoamento dos protocolos de reprodução induzida, fundamentais para garantir a produção contínua de alevinos ao longo do ano, bem como o desenvolvimento de técnicas de larvicultura e recria em diferentes sistemas de cultivo, adaptadas às características biológicas das espécies estudadas.

Esses avanços proporcionaram maior regularidade na produção, aumento da sobrevivência dos peixes e melhoria dos índices zootécnicos, oferecendo maior segurança técnica aos produtores. Paralelamente, o Instituto de Pesca ampliou suas linhas de pesquisa para outras áreas estratégicas, desenvolvendo tecnologias para a produção de lambaris destinados ao mercado de iscas vivas para a pesca esportiva, avaliando o potencial dessas espécies em sistemas de aquaponia e utilizando diferentes espécies de lambaris como organismos bioindicadores em estudos de ecotoxicologia, voltados à avaliação dos efeitos de contaminantes ambientais e da qualidade dos ecossistemas aquáticos

Solução tecnológica amplia potencial do lambari para consumo

O lambari também representa um alimento tradicional de elevado valor gastronômico. Apesar dessa vocação, existia um importante gargalo tecnológico para ampliar seu consumo em larga escala: o processamento.

Buscando solucionar esse desafio, o pesquisador do IP, Fábio Sussel, propôs a criação de uma máquina para evisceração de lambaris, tecnologia posteriormente desenvolvida por uma empresa de Santa Catarina, especializada na fabricação de equipamentos para frigoríficos de peixes. O equipamento automatiza uma das etapas mais críticas do processamento, aumentando significativamente a produtividade, reduzindo custos operacionais e agregando valor ao pescado destinado ao consumo humano.

Segundo Sussel, “essa inovação representa um exemplo concreto da pesquisa aplicada desenvolvida pelo Instituto de Pesca, transformando resultados científicos em soluções tecnológicas capazes de atender demandas reais da sociedade e fortalecer cadeias produtivas estratégicas para a aquicultura brasileira”.

Mais do que um peixe presente na memória afetiva dos brasileiros, o lambari tornou-se exemplo de como a pesquisa pública pode transformar conhecimento científico em desenvolvimento econômico, inovação e segurança alimentar.

Fonte: Assessoria Instituto de Pesca
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