Notícias Suínos
Após recorde em setembro, exportação cai em outubro
De janeiro a outubro deste ano, 955,3 mil toneladas de carne suína foram exportadas pelo Brasil

Depois de terem atingido recorde em setembro, as exportações brasileiras de carne suína recuaram em outubro. Pesquisadores do Cepea indicam que, mesmo com a demanda externa aquecida, a crise logística mundial provocada pela escassez de contêineres tem atrasado e limitado os envios brasileiros ao exterior.
De acordo com dados da Secex compilados por pesquisadores do Cepea, em outubro, o Brasil embarcou 97,6 mil toneladas de carne suína, volume 11,9% menor que o de setembro, mas ainda 11,5% acima do de outubro de 2020.
De janeiro a outubro deste ano, 955,3 mil toneladas de carne suína foram exportadas pelo Brasil, volume 13,3% maior que o escoado no mesmo período de 2020 e um recorde para o período.

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Preços dos fertilizantes se estabilizam no início de 2026, aponta Itaú BBA
Nitrogenados ensaiam recuperação, enquanto fosfatados e potássicos seguem praticamente inalterados.

Após as quedas registradas ao longo de 2025, o mercado de fertilizantes iniciou 2026 com preços mais estáveis. A ureia apresentou reação no começo de janeiro, enquanto MAP e KCl permaneceram praticamente inalterados. Os dados de importação indicam avanço do sulfato de amônio, retração do MAP e volumes menores de fosfatados e potássicos, mantendo o abastecimento relativamente ajustado, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.
No segmento de nitrogenados, os preços recuaram em dezembro, com a ureia cotada a cerca de US$ 395 por tonelada. Já no início de janeiro, o produto voltou a subir e alcançou US$ 412 por tonelada. Entre os fosfatados, o MAP seguiu estável em torno de US$ 640 por tonelada, enquanto os potássicos registraram leve alta, com o KCl negociado próximo de US$ 360 por tonelada. Após as quedas do segundo semestre de 2025, o mercado passou a mostrar maior estabilidade, embora o cenário ainda possa sofrer alterações diante de eventos observados no início de 2026.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná
As importações de nitrogenados trouxeram um dado inédito em 2025. O volume de sulfato de amônio importado alcançou 7,8 milhões de toneladas, superando pela primeira vez as importações de ureia, que somaram 7,7 milhões de toneladas. Apesar de o SAM ter preço inferior ao da ureia, sua concentração de nitrogênio também é menor. Considerando as concentrações de 46% de nitrogênio na ureia e 20% no SAM, o volume total importado de nitrogênio chegou a 5,1 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 1,4% em relação ao ano anterior. O resultado afasta a preocupação de redução no volume de nutrientes importados, mesmo com a maior participação de produtos de menor concentração.
No caso dos fosfatados, as importações somaram 8,2 milhões de toneladas em 2025, queda de 4% na comparação anual. Houve aumento nas compras de produtos com menor concentração, como o superfosfato simples, com alta de 22%, e o superfosfato triplo, com avanço de 12%. Em contrapartida, as importações de MAP recuaram 25%. Ao considerar o volume equivalente de fósforo, o total importado caiu 11% no ano. A retração está relacionada, em parte, aos preços elevados dos fosfatados, inclusive quando comparados aos demais nutrientes.
Já as importações de potássicos seguiram concentradas no cloreto de potássio. Em 2025, o volume importado de KCl recuou 2,5%, totalizando 13,7 milhões de toneladas.
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Captação via CPR responde por quase metade do crédito rural no início da safra de grãos
Instrumento soma R$ 121 bilhões entre julho e dezembro de 2025 e ganha espaço diante de retração nas linhas tradicionais.

A captação de recursos por meio das Cédulas de Produto Rural (CPR) consolidou-se como um dos principais pilares do financiamento do agronegócio brasileiro na primeira metade da safra 2025/26. Entre julho e dezembro de 2025, o volume movimentado por esse instrumento alcançou R$ 121,9 bilhões, crescimento de cerca de 30% na comparação com o mesmo período da temporada anterior.
Os dados constam do boletim de desempenho do crédito rural divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, que aponta uma mudança relevante no perfil do financiamento agrícola. No acumulado do semestre, o crédito rural total contratado somou R$ 284,1 bilhões, alta de 3% em relação ao ano anterior, mas com avanço concentrado sobretudo nas operações via mercado de capitais.
A força da CPR ficou evidente na composição do custeio. Somados os recursos tradicionais e os captados por meio do título, o financiamento do custeio agropecuário chegou a R$ 214,4 bilhões, aumento de 6% em um ano. Já as linhas clássicas de custeio bancário, isoladamente, apresentaram retração, refletindo tanto o ambiente de juros elevados quanto a maior seletividade das instituições financeiras.
O boletim também mostra comportamento desigual entre as finalidades do crédito. Enquanto custeio e investimento encolheram nas modalidades tradicionais, os recursos destinados à industrialização registraram crescimento expressivo, com alta de 43% no período, sinalizando maior demanda por capital ao longo da cadeia produtiva.
Apesar do avanço nas contratações, o volume efetivamente concedido – recursos liberados após a formalização dos contratos – somou R$

Foto: Paulo Rossi
270,4 bilhões entre julho e dezembro, queda de aproximadamente 2% na comparação anual. O dado indica um ambiente ainda marcado por cautela, tanto por parte dos agentes financeiros quanto dos produtores.
Outro movimento destacado pelo ministério é a redução no número total de contratos, acompanhada de maior concentração financeira. A leitura é de que produtores com maior capacidade de emissão e acesso ao mercado de capitais ampliaram sua participação na captação, sobretudo por meio da CPR, enquanto pequenos e médios seguem mais dependentes das linhas oficiais.
Para o governo, o desempenho do crédito rural no início da safra confirma a tendência de fortalecimento dos instrumentos privados no financiamento do agro brasileiro. A CPR, criada para antecipar recursos com base na produção futura, tem ganhado protagonismo ao oferecer maior flexibilidade financeira em um cenário de restrição monetária e custos elevados de crédito.
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Acordo Mercosul-UE deve abrir mercado europeu para queijos e produtos da agricultura familiar
Ministro Paulo Teixeira afirma que a iniciativa amplia oportunidades para produtores familiares, com destaque para queijos mineiros, e pode elevar exportações de lácteos ao mercado europeu sem tarifas.

O acordo comercial de livre comércio firmado entre o Mercosul e a União Europeia (UE) beneficiará a agricultura familiar brasileira, com destaque para aqueles que produzem café e frutas, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. Ele acredita que há também potencial para os produtos lácteos, em especial para os queijos de Minas Gerais.
Nas palavras de Paulo Teixeira, “a agricultura familiar vai bombar” com o acordo firmado entre os dois blocos.
O ministro participou nesta terça-feira (20) do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). “A agricultura familiar vai ganhar muito com esse acordo”, ressaltou o ministro ao lembrar que a produção de café no país é predominantemente de agricultores familiares. “Eles, agora, poderão vender o café que tiver já processado sem taxas”, disse o ministro.

Foto: Gilson Abreu
Paulo Teixeira disse que a abertura de novos mercados acabou sendo estimulada pela imposição de tarifas pelos Estados Unidos. “Isso abriu o mercado consumidor europeu, que é um mercado rico. Os europeus são ricos e poderão comprar vários produtos da agricultura familiar”. “Além do café, tem as frutas. O açaí, por exemplo, está bombando no mundo inteiro. Temos também manga, uva, melão. Os agricultores familiares poderão vender os seus produtos na Europa sem taxas. A agricultura familiar vai bombar”, acrescentou o ministro.
Outro produto com grande potencial para conquistar o mercado europeu são os lácteos brasileiros, segundo Paulo Teixeira. “Precisaremos produzir mais lácteos para exportar. Temos um grande mercado de queijo. Inclusive de queijos mineiros, que são muito famosos no mercado interno e que poderão também ser vendidos para o mercado externo”. “Vamos ter de comprar queijo francês, mas poderemos exportar queijo mineiro para a França. Temos de pensar grande nesse novo tempo de acordo entre Mercosul e União Europeia”, disse.
Ele lembrou que a região mineira da Serra da Canastra tem queijos que são vendidos como especiarias no Brasil, com grande potencial para ser consumido também pelos europeus.
O ministro ressaltou que os investimentos do governo federal na agricultura familiar, via Plano Safra, têm batido recordes, o que tem

Foto: Jean Joaquim
resultado, também, no aumento das vendas de máquinas de pequeno porte para os agricultores. “Tenho a honra de dizer que o que puxa hoje a indústria de máquinas no Brasil são as máquinas pequenas dos agricultores familiares. O agricultor familiar está vendendo mais produtos porque melhorou a renda na sociedade brasileira. Com essa melhoria de renda, o primeiro investimento que a família faz é em alimentação”, argumentou Paulo Teixeira.
Segundo o ministro, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) pode ajudar os agricultores familiares na busca pelos novos mercados, inclusive com o auxílio dos adidos agrícolas dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
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O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar antecipou que, em breve, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará políticas públicas voltadas à “transferência de saberes e conhecimentos da Embrapa” para a agricultura familiar, em especial para os jovens que se mantiverem no campo para produzir alimentos para o Brasil e o mundo. “Queremos estimular os jovens que já estão na agricultura a buscarem instituições científicas, como universidades e Embrapa, que cada dia mais disponibilizam seus conhecimentos para a agricultura familiar”, acrescentou o ministro.

Foto: Divulgação
Outra informação antecipada pelo ministro durante o programa é o pacote de desapropriações de terras, previsto para ser anunciado na sexta-feira (23) pelo presidente Lula durante encontro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador. “Teremos uma grande entrega agora na sexta-feira, durante esse encontro. Ali, Lula deve anunciar um grande pacote de desapropriações para a reforma agrária no Brasil. O que nós estamos procurando é a paz no campo, e a reforma agrária é a maneira de se conseguir paz no campo”, adiantou.
Segundo Teixeira, esse pacote inclui, além de terras, crédito, assistência técnica, orientações e a possibilidade de organização por cooperativas. “Terá também acesso aos programas de compras públicas”.



