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Após 15 anos, Mapa apresenta mudanças nas Regras de Análises de Sementes
Propostas foram apresentadas durante o Simpósio Brasileiro de Análise de Sementes; última revisão da RAS ocorreu em 2009.

As novas Regras de Análises de Sementes (RAS) do Ministério da Agricultura e Pecuária, fundamentais para a padronização e garantia da qualidade nas técnicas laboratoriais, foram o ponto alto do I Simpósio Brasileiro de Análise de Sementes. Com o auditório lotado, o evento fechou a programação de simpósios dentro do XXII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes 2024), que terminou na última sexta-feira(13) em Foz do Iguaçu (PR).
Júlio Garcia, representante do Mapa Laso-MG, destacou a nova revisão das RAS, que está em andamento, com mudanças e adições importantes para o setor. A última revisão foi feita em 2009, o que torna essa atualização necessária, especialmente diante das mudanças no setor ao longo dos últimos anos.
“Já havia uma reivindicação do setor, mas como é um processo muito complexo, preferimos fazer um trabalho com um grupo um pouco mais fechado”, disse Garcia.
Segundo ele, o processo envolveu doze auditores atuantes em laboratórios oficiais, que identificaram a necessidade de correções, como a atualização de nomes científicos de sementes e a inclusão de espécies que, em 2009, não tinham relevância econômica no Brasil, como quinoa e chia.
O representante do Mapa também informou que as regras para a produção por análise de misturas de sementes serão mais claras, e o processo de amostragem será revisado. Além disso, um capítulo específico será dedicado às sementes florestais, uma antiga demanda do setor, que antes estava com informações dispersas ao longo do texto. “Sendo destaque a introdução do capítulo sobre análise de mistura, oferecendo maior clareza e suporte técnico para os laboratórios”.
A proposta será apresentada ao setor, com espaço para que as Comissões Estaduais de Sementes e Muda se manifestem sobre o que pode ser alterado. A palavra final será do Mapa, mas Garcia ressaltou que a contribuição da sociedade será levada em conta. “A previsão é que as novas regras sejam publicadas no início do próximo ano, proporcionando maior segurança e clareza ao setor”, resumiu.
De acordo com Francisco Carlos Krzyzanowski, que atuou como moderador no simpósio, as discussões foram extremamente produtivas para sanar dúvidas e ajustes na RAS. “Os ajustes não são muitos, mas trazem uma simplificação em algumas áreas que eram importantes. A contribuição do Ministério da Agricultura foi excelente, para atualizar a indústria brasileira de sementes, aqui representada pelos laboratórios. Houve um melhor entendimento da parte legal e isso ficou claro nas colocações do representante do Ministério”.
“A disponibilidade do Ministério de vir ao Congresso Brasileiro de Sementes e apresentar as mudanças ao Comitê de Análise de Sementes foi uma contribuição muito grande para a sociedade”, concluiu Krzyzanowski.
Nova metodologia
Uma nova metodologia para testar a germinação de sementes tratadas de soja e milho, aprovada recentemente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, foi apresentada durante o simpósio pela engenheira agrônoma Débora Rocha, vice-coordenadora do Comitê de Análise de Sementes. Essa inovação visa melhorar a qualidade das análises e das sementes comerciais em geral.
Os estudos começaram em 2020, sendo um aprovado em 2023 e outro em 2024. “O Ministério da Agricultura analisou o trabalho e emitiu uma portaria que autorizou os laboratórios credenciados a utilizar essa metodologia em suas rotinas”, explicou Débora.
A nova metodologia consiste no chamado rolo de papel + vermiculita, um mineral natural leve e não tóxico, amplamente utilizado em jardinagem, mostrando-se eficiente como substrato por melhorar a drenagem e aeração. Débora explicou que no processo de germinação em papel, a vermiculita age de forma semelhante a um colóide do solo, com sua estrutura em camadas permitindo uma boa retenção de água. “Quando usamos o substrato, os resultados refletem melhor a verdadeira qualidade do lote de sementes”, garantiu.
Desafios
A pesquisadora Fátima Zorato ressaltou que o produtor está mais exigente e que o setor de análise precisa evoluir e adaptar-se. Fátima falou que, estaticamente, 18% dos profissionais que atuam nos laboratórios estão de fato engajados com o setor, sendo que se faz necessário a valorização desse profissional.
Nos laboratórios, por exemplo, é possível expandir os testes tradicionais, integrando novas tecnologias, como as de imagens, que ainda estão restritas às academias. Segundo a assessora, a falta de uso em larga escala se deve, em parte, à necessidade de maior capacitação das equipes, já que implementar essas novas tecnologias em organismos biológicos não é tarefa simples
“A incorporação dos testes de imagem vai nos validar naquilo que nós estamos fazendo, o que o humano está colocando a mão no teste de imagem irá validar”. Ela acrescentou ainda que esse teste de imagem é um complemento das técnicas já utilizadas em laboratório. “Nós não estamos competindo, nós estamos somando, porque o importante é que jamais algum produtor perca pelas nossas mãos”, finalizou.

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Pesquisa brasileira atrai produtores argentinos para troca de conhecimento
Programação abordou desde manejo reprodutivo até sistemas integrados no bioma Pampa.

Durante a quarta-feira (14), a Embrapa Pecuária Sul recebeu uma comitiva da Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (AACREA), formada por 83 produtores rurais e técnicos. O grupo, envolvido em atividades de pecuária, silvicultura e produção de grãos, nas províncias de Corrientes e Missiones, está fazendo um giro técnico no Brasil e a visita à Embrapa foi para conhecer as pesquisas e tecnologias desenvolvidas para o setor primário.
O grupo foi recepcionado pela equipe de gestão na unidade da Embrapa e na sequência participou de palestras sobre diferentes temas que são trabalhados pela pesquisa. Segundo o analista da Embrapa, Marco Antônio Karam, esse tipo de iniciativa é importante para reforçar os laços com os países da região. “Além disso, estamos difundindo conhecimentos e tecnologias disponíveis para que possam ser utilizados lá, visando sistemas produtivos mais sustentáveis”.
Ainda na parte da manhã os pesquisadores Danilo Sant’Anna e Daniel Montardo apresentaram a vitrine de forrageiras, onde estão algumas das cultivares desenvolvidas pela instituição. Outro tema discutido foi o conceito Pasto sobre Pasto, que visa a oferta de forragem de qualidade para animais durante todo o ano.
No início da tarde, a comitiva assistiu a palestra Manejo da reprodução: fisiologia e uso de hormônios, ministrada pelo pesquisador José Carlos Ferrugem. O evento teve prosseguimento tendo como tema o melhoramento genético bovino. Os pesquisadores Fernando Cardoso e Cristina Genro falaram sobre pesquisas e tecnologias na área, como a utilização da genômica para o melhoramento de animais em características como eficiência alimentar e resistência ao carrapato, além dos trabalhos para a adaptação das raças taurinas a regiões tropicais.
A programação foi encerrada com a apresentação sobre o projeto Integra Pampa, feita pelos pesquisadores Naylor Perez e Hélio Tonini. Esse projeto está avaliando os melhores arranjos e desenhos de sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta para o bioma Pampa.
Segundo o coordenador regional da Crea, Mariano Lanz, um dos objetivos do grupo foi conhecer soluções tecnológicas que possam ser implantadas nos sistemas de produção deles. “Somos produtores do nordeste Argentino, região com muitas semelhanças com esta. Estamos procurando ideias e encontramos aqui alternativas muito interessantes, principalmente no melhoramento animal e das pastagens”, afirmou.
A Crea é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 1960 e formada por empresários agropecuários organizados em grupos regionais. Voltada ao desenvolvimento sustentável e à inovação, a entidade promove a troca de experiências e a geração de conhecimento entre produtores, com foco na melhoria da gestão e no crescimento das empresas do setor.
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Mercado externo e estoques apertados elevam cotações do trigo
Clima no Hemisfério Norte e previsão de menor área plantada reforçam alta.

Os preços do trigo avançaram em março no mercado brasileiro, acompanhando o movimento internacional e o período de entressafra. No Paraná, a saca de 60 kg fechou o mês cotada a R$ 63, alta de 3,4% em relação a fevereiro. Já nos primeiros dias de abril, as cotações subiram ainda mais, com média de R$ 66 por saca.
A valorização ocorre em um momento de menor disponibilidade de produto no mercado interno. Com estoques mais ajustados, os preços passaram a seguir mais de perto a paridade de exportação, o que limitou uma reação mais forte da demanda doméstica.

Foto: Fábio Carvalho
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário externo também contribuiu para sustentar as cotações no Brasil. No mercado internacional, o trigo registrou volatilidade ao longo de março. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o primeiro vencimento do trigo soft variou entre 572 e 635 centavos de dólar por bushel, encerrando o mês a 616 centavos, alta de 4% frente a fevereiro.
As oscilações foram influenciadas principalmente pelo clima seco nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, o que elevou as preocupações com a produção. Além disso, o mercado ganhou suporte após relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicar redução da área cultivada, reforçando a expectativa de uma safra menor em 2026/27.
Com isso, o mercado segue atento às condições climáticas e às revisões de oferta, fatores que continuam impactando diretamente a formação dos preços do trigo no Brasil.
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Entidades de imprensa do Sul lançam campanha contra desinformação
Iniciativa inédita reúne associações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná para alertar sobre fake news e conteúdos gerados por inteligência artificial.

As principais associações de imprensa do Sul do Brasil se unem, de forma inédita, para lançar uma campanha conjunta de combate à desinformação. A iniciativa reúne a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), a Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e a Associação Paranaense de Imprensa (API), com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os riscos das fake news especialmente diante do avanço de conteúdos gerados por inteligência artificial e reforçar a importância do jornalismo profissional para escolhas livres e conscientes.
O Brasil se aproxima de mais um processo eleitoral marcado pela polarização. Paralelamente, o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial elevou a desinformação a um novo patamar, com vídeos, áudios e imagens hiper-realistas que dificultam a distinção entre o real e o falso. Esse cenário ultrapassa as fake news tradicionais e ameaça diretamente a democracia, a liberdade de escolha do eleitor e a credibilidade da informação.
Diante desse contexto, a campanha assinada pela agência MOOVE propõe um alerta direto ao público por meio do conceito: “Se é bom demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é estranho demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é forçado demais, duvide. Notícia exige apuração.”
A ideia parte do princípio de que a desinformação raramente circula no meio-termo. Ela se espalha quando provoca reações intensas, seja entusiasmo ou estranhamento levando ao compartilhamento impulsivo, sem verificação.
O papel das entidades e do jornalismo profissional é justamente interromper esse ciclo, oferecendo informação confiável e incentivando a checagem antes do compartilhamento. Como estratégia criativa, a campanha apresenta manchetes verossímeis, construídas para parecerem plausíveis, despertando curiosidade e provocando reações imediatas no público. Os temas foram cuidadosamente selecionados para evitar vieses ou conflitos com grupos e instituições, inclusive no campo político.
Durante o lançamento, jornalistas e comunicadores serão convidados a aderir à iniciativa por meio do uso do selo da campanha, em versões para rádio, TV, portais, jornais e revistas, reforçando a mensagem de que a notícia exige apuração. Segundo o presidente da ARI, José Maria Rodrigues Nunes, a ação representa um passo importante na atualização do papel da imprensa diante dos novos desafios. “Embora hoje todos possam produzir conteúdo, o jornalismo profissional segue sendo o principal filtro contra a desinformação. A campanha dá continuidade a ações anteriores da entidade e atualiza o discurso para o contexto da inteligência artificial e do período eleitoral. Ao concluir essa nova etapa, entendemos que era o momento de ampliar o movimento, convidando as associações do Sul para essa grande mobilização. Esperamos que essa iniciativa inspire outras entidades a se somarem a esse esforço coletivo.”
A presidente da ACI, Déborah Almada, destaca o caráter histórico da união. “Estamos entusiasmados com essa campanha, que faz um alerta fundamental em um momento em que a desinformação tem causado tantos danos à cidadania no mundo todo. A união de três instituições que representam a imprensa no Sul do País é um feito inédito que merece ser celebrado. Fortalecer o jornalismo é uma missão.” Para o presidente da API, Célio Martins, em um ambiente marcado pela velocidade e pelo excesso de informação, a proliferação da desinformação é prejudicial a toda a sociedade e faz com que conteúdos falsos ganhem escala e dificultem a distinção entre o que é fato e o que é mentira. “Nesse contexto, o jornalismo profissional é fundamental como contraponto, ao defender a informação de interesse público, combater fake news com apuração rigorosa, checagem de dados e responsabilidade na divulgação, oferecendo ao público conteúdo confiável e contribuindo para a defesa da democracia”, enfatiza.
Responsável pela campanha, a agência Moove reforça a sua importância: “Em tempos de desinformação acelerada, o papel do jornalismo ético e da comunicação responsável torna-se o principal pilar de sustentação da verdade. Nosso objetivo é despertar a consciência crítica no consumo de informações, reafirmando que a qualidade do debate público depende, acima de tudo, da credibilidade da fonte”, afirma Gabriel Fuscaldo, CEO da Moove.
Para Roberto Schmidt, criativo da Agência Moove, a inteligência artificial é uma realidade e não existe qualquer possibilidade de retrocesso, por isso ações como essa são importantes. A campanha atua na geração de senso crítico sobre o conteúdo que circula nas redes, ajudando a combater fake news antes mesmo do seu compartilhamento.



