Peixes
Aplicativo digital moderniza coleta de dados da pesca artesanal no Brasil
Ferramenta PesqBR permitirá registro direto da produção pelos pescadores e deve subsidiar estatísticas e políticas públicas do setor.

A coleta e a gestão de dados da pesca artesanal no Brasil passam a contar com uma nova ferramenta digital. Em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), a Universidade Federal do Piauí (UFPI) lançou na quinta-feira (2) o protótipo do aplicativo PesqBR, durante evento realizado em Luís Correia, a 349 quilômetro de Teresina.

Foto: Divulgação
A iniciativa tem como objetivo aprimorar a geração de estatísticas sobre a atividade pesqueira no país, com registros feitos diretamente pelos próprios pescadores e pescadoras por meio de dispositivos móveis. A proposta é aproximar os dados oficiais da realidade produtiva das comunidades artesanais e fortalecer a base de informações do setor.
Além do aplicativo em fase de testes, foram disponibilizadas a versão web do sistema, computadores para apoio operacional e prevista a capacitação das colônias de pesca. A estrutura permitirá que os registros também sejam utilizados para automonitoramento e gestão local da atividade.
Durante o lançamento, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, destacou a relevância social da categoria ao afirmar que a produção pesqueira artesanal não pode permanecer invisível, ressaltando o papel dos trabalhadores na oferta de alimentos no país.
De acordo com a secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, o sistema também deve facilitar o acesso a políticas públicas. Os registros realizados no aplicativo poderão ser utilizados como comprovação da atividade no Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP), reduzindo a burocracia e ampliando a autonomia dos profissionais.

Foto: Divulgação/MPA
Ela explica ainda que a versão destinada às colônias de pesca permitirá o uso dos dados para planejamento e negociação com diferentes esferas de governo e instituições financeiras. Com informações mais precisas, as entidades poderão embasar demandas por infraestrutura, equipamentos, crédito e melhorias na cadeia produtiva.
Nesta fase inicial, o PesqBR será testado por 14.932 pescadores e pescadoras profissionais registrados em cinco municípios piauienses: Luís Correia, Esperantina, Ilha Grande, São João do Piauí e Buriti dos Lopes. Luís Correia concentra a maior base de usuários e se destaca por possuir o principal trecho litorâneo do estado.
A expectativa é que o sistema seja ampliado gradualmente para outras regiões do país, com a perspectiva de se tornar uma ferramenta nacional de referência na coleta de dados da pesca artesanal.

Peixes
Pesca artesanal ganha semana nacional de valorização no Brasil
Ação instituída por lei busca ampliar a visibilidade da atividade, além de reconhecer sua importância econômica, social, cultural e ambiental.
Peixes
Captura de tainha ultrapassa 80% da cota da temporada de 2026
Ministério da Pesca informa que atividade será encerrada quando os desembarques atingirem 90% do limite autorizado.

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) informou que a cota de captura da tainha (Mugil liza) na modalidade de emalhe costeiro de superfície ultrapassou 80% do limite estabelecido para a temporada de pesca de 2026.

Foto: Brenda Uliano/MPA
Inicialmente, a cota foi fixada em 2.070 toneladas, conforme a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026. No entanto, em 23 de junho, o limite foi ampliado para 2.394 toneladas por meio da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 64.
Segundo o MPA, a ampliação teve como objetivo permitir a continuidade da pesca em estados onde os cardumes ainda não haviam chegado devido à dinâmica migratória da espécie, conciliando a atividade pesqueira com a gestão sustentável do recurso.

Foto: Divulgação
O monitoramento das capturas é realizado por meio do Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha, disponível no sistema PesqBrasil, Monitoramento, plataforma oficial do Governo Federal.
Conforme estabelece a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51/2026, a pesca nessa modalidade será encerrada quando as capturas atingirem 90% da cota autorizada. O Ministério informou que divulgará novas atualizações de acordo com a evolução dos desembarques registrados.
A medida faz parte da estratégia de gestão da pesca da tainha, que busca equilibrar a atividade econômica com a conservação da espécie e o uso sustentável dos recursos pesqueiros.
Peixes
Nova série do MPA homenageia lideranças da pesca artesanal
Produção apresenta exemplos de atuação no fortalecimento da atividade e estreia com a história de uma pescadora capixaba.

A pesca artesanal passou a contar com uma data nacional em 2026, instituída pelo Governo Federal por meio da Lei nº 15.414, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio deste ano. Como parte das ações para valorizar a atividade, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) lançou a série “Águas que Ouvem”, que apresentará histórias de pescadores e pescadoras das cinco regiões do país.
A primeira personagem da série é Lucila da Rocha Lopes, pescadora artesanal de Itapemirim, no Espírito Santo. Ela atua na atividade desde os 13 anos e atualmente preside a Colônia Z-10 de Itaipava/Itapemirim. Lucila também participou da criação da Associação de Mulheres da Pesca de Itapemirim.
Ao longo da trajetória, ela esteve à frente de iniciativas voltadas ao fortalecimento da pesca artesanal. Entre elas, articulou a criação da Frente Parlamentar da Pesca junto ao Legislativo e foi pioneira no Espírito Santo na busca pela implementação do Projeto Catrapovos (Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos), desenvolvido em parceria com o Ministério Público Federal (MPF). A iniciativa busca ampliar o acesso à alimentação saudável, gerar renda para comunidades tradicionais e reduzir entraves sanitários.
Lucila também estabeleceu parcerias com o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES – Campus Piúma), Petrobras, Incaper, Sebrae e Senar para oferecer cursos de capacitação aos pescadores da região. As formações incluíram processamento de pescado, panificação, confeitaria e produção de salgados, com o objetivo de agregar valor aos produtos da pesca.
Outra conquista atribuída à sua atuação foi a construção da sede da Colônia Z-10 e da fábrica de gelo de Itapemirim. A estrutura contribuiu para melhorar o armazenamento do pescado e beneficia mais de 3.500 pescadores da região.
Além disso, Lucila foi uma das representantes do Espírito Santo na elaboração do documento nacional “20 Demandas das Mulheres Pescadoras Artesanais”, que reuniu lideranças de diferentes estados para apresentar propostas relacionadas à saúde, previdência e reconhecimento profissional das mulheres da pesca ao Governo Federal e ao Congresso Nacional.
Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a história de Lucila representa o trabalho desenvolvido por milhares de mulheres e homens que fazem da pesca artesanal uma atividade econômica ligada à preservação dos saberes tradicionais, da cultura e dos recursos naturais.





