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ApexBrasil aponta 543 janelas de exportação ao mercado europeu com acordo Mercosul-UE
Levantamento da agência mostra potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais e destaca ampliação de acesso em setores industriais, tecnológicos e agropecuários.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) divulgou nesta semana um levantamento detalhado que projeta cenário promissor de exportação para o Brasil caso o Acordo Mercosul-União Europeia, formalizado em 2025, entre em vigor após a ratificação nos parlamentos dos países envolvidos.
De acordo com o estudo, setores brasileiros poderão acessar imediatamente um mercado potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia, com 543 oportunidades de exportação com desgravação tarifária imediata, dispensando barreiras alfandegárias atualmente vigentes.

Foto: Roberto Dziura Jr
O estudo da área de Inteligência de Mercado da ApexBrasil mapeou as frentes de abertura comercial com foco nas demandas do bloco europeu, composto por 27 países e um dos maiores mercados globais de consumo. A análise mostra que essas oportunidades estão distribuídas em todas as grandes regiões do continente, com maior concentração na Europa Ocidental e presença significativa nos mercados Meridional, Oriental e Setentrional.
A coletânea de dados evidencia que o Brasil, tradicional fornecedor de commodities agrícolas e matérias-primas, ainda figura com participação modesta nas compras europeias desses itens específicos. Sobre as 543 oportunidades identificadas, as exportações brasileiras representaram cerca de US$ 1,1 bilhão nos últimos anos, o que corresponde a pouco mais de 2,6% do total importado pelo bloco. A maior parte das frentes comerciais mapeadas hoje engloba produtos com baixo ou nenhum volume exportado atualmente, mas com competitividade reconhecida no exterior.
Produtos com potencial de expansão imediata incluem máquinas e equipamentos de transporte, artigos manufaturados diversos, produtos químicos, materiais em bruto e alimentos, entre outros segmentos que vão além da pauta tradicional brasileira.
A ApexBrasil informa que o acordo terá impacto especialmente em setores que hoje enfrentam barreiras tarifárias elevadas, e que a eliminação ou redução de tarifas nesses segmentos pode impulsionar a diversificação das exportações nacionais.

O levantamento ocorre em um momento em que o Acordo Mercosul-UE, negociado por mais de 25 anos, foi assinado formalmente em janeiro de 2025, criando um mercado integrado com cerca de 720 milhões de habitantes e um PIB agregado de aproximadamente US$ 22 trilhões. Antes mesmo da implementação, a expectativa é de que a eliminação ou redução de tarifas gere condições mais previsíveis e competitivas para empresas brasileiras e atraia novos investimentos, com efeitos diretos sobre estratégias de internacionalização e cadeias de valor produtivas.
Além das oportunidades de mercado identificadas, a ApexBrasil tem intensificado iniciativas para preparar as empresas brasileiras à nova realidade comercial, em coordenação com o governo federal, o Congresso e parceiros internacionais. Enquanto o processo de ratificação segue em tramitação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais do Mercosul, a agência ampliou esforços de comunicação e prospecção junto a setores privados europeus para reforçar a imagem do Brasil como fornecedor competitivo e confiável de bens e serviços.
ApexBrasil destaca que, neste momento, a movimentação política em torno da ratificação e a resposta dos mercados serão determinantes para consolidar o potencial identificado, e que uma eventual entrada em vigor do acordo deverá transformar significativamente o perfil das exportações brasileiras para a União Europeia.
Oportunidades identificadas

Do total de oportunidades identificadas, 244 são classificadas como oportunidades de abertura, casos em que o Brasil ainda não possui participação relevante nas importações da União Europeia, mas apresenta competitividade internacional comprovada na exportação desses produtos. Trata-se, na avaliação da ApexBrasil, de um indicativo claro de que o acordo pode contribuir para a diversificação da pauta exportadora brasileira, reduzindo a concentração em poucos itens tradicionais.
Entre os segmentos analisados, os materiais em bruto, como sementes para semeadura e farinha de soja, registram atualmente 2,7% de participação brasileira nas importações da UE. Já no grupo de óleos animais e vegetais, com destaque para o óleo de milho em bruto, a participação do Brasil é de 4,5%, percentual considerado baixo frente à capacidade produtiva e à competitividade do país nesses mercados.
Agro com combinação de instrumentos
No setor agropecuário, o Acordo Mercosul-União Europeia estabelece um modelo combinado de eliminação tarifária imediata, desgravação gradual e criação de cotas específicas para produtos sensíveis. Entre os principais itens contemplados estão carnes bovina, de aves e suína, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, queijos e cachaça, além da eliminação total de tarifas para frutas, como abacate, limão, lima, melão, melancia, uva de mesa e maçã.

Foto: Shutterstock
No caso da carne bovina, o Brasil exportou ao mundo US$ 11,6 bilhões em 2024, enquanto a União Europeia importou US$ 2,4 bilhões do produto. As vendas brasileiras ao bloco somaram US$ 461,2 milhões, com 19,1% de participação e volume de 59 mil toneladas. Antes do acordo, a Cota Hilton destinada ao Brasil, de 10 mil toneladas, estava sujeita a tarifa de 20%, enquanto as exportações fora da cota enfrentavam uma combinação tarifária que chegava ao equivalente a 41,8%. Com a entrada em vigor do acordo, a tarifa da Cota Hilton será zerada de forma imediata, e, ao longo do tempo, será implementada uma nova cota de 99 mil toneladas em equivalente carcaça, com crescimento linear em cinco anos e tarifa intracota de 7,5%.
Para a carne suína, o potencial de expansão é ainda mais expressivo. Em 2024, o Brasil exportou US$ 2,7 bilhões ao mundo, enquanto a União Europeia importou US$ 79,7 milhões, sendo apenas US$ 1,1 milhão originários do Brasil, o que corresponde a 1,4% de participação e volume de 342 toneladas. Antes do acordo, as tarifas aplicadas pela UE variavam de 46,7 euros a 86,9 euros por 100 quilos. Com o tratado, está prevista a criação de uma cota de 25 mil toneladas, com crescimento linear em cinco anos e tarifa intracota de 83 euros por tonelada, ampliando significativamente a competitividade do produto brasileiro.

Foto: Jonathan Campos
Já nas carnes de aves, o Brasil mantém posição mais consolidada. As exportações brasileiras ao mundo somaram US$ 9,1 bilhões em 2024, enquanto as importações da UE alcançaram US$ 815,1 milhões. O Brasil respondeu por US$ 197,3 milhões, com 24,2% de participação e volume de 72 mil toneladas. Antes do acordo, as tarifas variavam entre 18,7 euros e 102,4 euros por 100 quilos. Pelo novo arranjo, será criada uma cota de 180 mil toneladas em peso carcaça, dividida igualmente entre produtos com osso e desossados, com aumento linear em cinco anos e tarifa intracota zerada.
Na avaliação da ApexBrasil, os números demonstram que o acordo tem potencial para reposicionar o agronegócio brasileiro no mercado europeu, ampliando volumes, reduzindo custos de acesso e fortalecendo a previsibilidade para investimentos e decisões estratégicas. A Agência destaca que o desafio, a partir da ratificação, será transformar o mapeamento técnico em resultados concretos, preparando empresas para atender exigências sanitárias, ambientais e logísticas do mercado europeu, ao mesmo tempo em que amplia a presença brasileira em segmentos de maior valor agregado.

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Brasil e Coreia do Sul criam grupo para destravar acordo comercial com o Mercosul
Países buscam retomar negociações paralisadas desde 2021. Iniciativa pretende identificar pontos de resistência e avançar em um possível tratado entre o bloco sul-americano e a economia asiática.

Brasil e Coreia do Sul criaram um grupo de trabalho para tentar avançar nas negociações de um acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul. A iniciativa busca identificar os principais pontos de divergência entre os lados e encontrar alternativas para retomar as discussões sobre um tratado que começou a ser negociado em 2018, mas não avançou nos últimos anos.

Foto: Caroline de Vita/Mapa
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (27), após uma reunião entre representantes dos dois países em Brasília. Segundo o governo brasileiro, o grupo será coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. “Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Coreia do Sul é uma das principais economias da Ásia e um importante parceiro comercial do Brasil. As negociações com o Mercosul envolvem temas como redução de tarifas, acesso a mercados, regras sanitárias e barreiras técnicas.
Oportunidade
Durante o encontro, o governo sul-coreano defendeu a retomada das tratativas como uma forma de ampliar a

Imagem criada pelo ChatGPT/Emili Schneider/OP Rural
presença de empresas dos dois lados. A avaliação é que um acordo poderia abrir novas oportunidades para companhias coreanas na América do Sul e facilitar a inserção brasileira no mercado asiático. “Em um momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora. Acreditamos que o acordo entre Mercosul e Coreia vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e trazer uma nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, via Coreia”, enfatizou o presidente sul-coreano.
A retomada das negociações ocorre em um período de maior instabilidade no comércio internacional, marcado por disputas tarifárias e mudanças nas relações entre grandes economias.
Minerais críticos entram na agenda bilateral
Além do comércio, Brasil e Coreia do Sul assinaram acordos de cooperação em áreas como defesa, educação, energia, ciência e tecnologia, esporte e exploração espacial.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Brasil
Um dos temas tratados foi a cadeia de minerais críticos, considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia renovável e indústria de alta tecnologia. O governo sul-coreano destacou o potencial brasileiro no fornecimento desses recursos. “Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. E hoje concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida desses minerais, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, ressaltou.
A agenda também incluiu acordos para intercâmbio de políticas educacionais, cooperação entre instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico aplicado à indústria, além de intercâmbio esportivo entre atletas e especialistas.
Comunidade coreana no Brasil
Após a agenda em Brasília, a comitiva sul-coreana segue para São Paulo. A cidade concentra a maior comunidade coreana do país, com mais de 50 mil pessoas.
O Brasil é o principal destino de imigrantes coreanos na América Latina, e a comunidade mantém presença relevante

Foto: Shutterstock
em áreas como comércio, indústria, tecnologia e serviços.
Países defendem cooperação internacional
Durante as declarações após a reunião, os dois governos também destacaram a defesa do diálogo diplomático e da solução pacífica de conflitos. “Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”, afirmou Lula.
O governo sul-coreano reforçou a importância da estabilidade internacional para ampliar a cooperação econômica. “É importante a paz para termos segurança. Sem a necessidade de luta ou guerra”, declarou o presidente sul-coreano.
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China, Paraguai e Palau abrem mercados para produtos agropecuários brasileiros
Novos acordos sanitários ampliam oportunidades para exportação de cálculos biliares bovinos, suínos vivos e carnes de diferentes espécies.

As autoridades sanitárias da China, do Paraguai e de Palau aprovaram novos requisitos que permitem a entrada de produtos agropecuários brasileiros nesses mercados. As medidas envolvem a exportação de cálculos biliares bovinos para o mercado chinês, suínos vivos destinados ao abate para o Paraguai e carnes bovina, ovina, caprina e suína para Palau.

Foto: Shutterstock
Com a China, o Brasil assinou um protocolo sanitário que estabelece as condições para exportação de cálculos biliares bovinos. O produto, utilizado principalmente pela indústria de Medicina Tradicional Chinesa, passa a ter regras definidas para inspeção, certificação e controle das remessas entre os dois países.
O acordo amplia o comércio de um subproduto da cadeia pecuária brasileira e cria uma nova possibilidade de aproveitamento econômico de materiais provenientes da produção bovina. A China é um dos principais destinos das proteínas animais brasileiras e tem papel estratégico para a expansão das exportações do agronegócio nacional.
No Paraguai, as autoridades sanitárias aprovaram o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a exportação de suínos vivos brasileiros destinados ao abate. A medida estabelece o padrão documental necessário para os embarques e abre uma nova alternativa comercial para a cadeia suinícola nacional.
Já Palau aprovou os modelos de CSI para importação de carnes bovina, ovina, caprina e suína produzidas no Brasil.

Foto: Shutterstock
Com a aprovação dos certificados, empresas brasileiras poderão iniciar os procedimentos de habilitação e atender aos requisitos sanitários exigidos pelo país insular.
As aberturas fazem parte da estratégia brasileira de ampliar o acesso a mercados internacionais por meio de acordos sanitários. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), uma abertura de mercado ocorre quando o país importador reconhece que as garantias sanitárias oferecidas pelo Brasil atendem aos seus requisitos para determinado produto.
Impacto para o agro
A ampliação de destinos comerciais reduz a dependência de poucos compradores e aumenta as possibilidades de comercialização para diferentes cadeias produtivas. No caso das carnes, a abertura de novos mercados ocorre em um momento de busca por maior diversificação das exportações brasileiras de proteína animal.
Além dos produtos tradicionais, como carne bovina e suína, o avanço de negociações envolvendo subprodutos de origem animal mostra a tentativa da indústria de ampliar o aproveitamento econômico da produção pecuária brasileira.
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Brasil e China discutem avanço de acordo comercial e cooperação em tecnologia
Negociações para um acordo Mercosul-China entram na agenda bilateral, que também inclui parcerias em inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes.






