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ApexBrasil aponta 543 janelas de exportação ao mercado europeu com acordo Mercosul-UE

Levantamento da agência mostra potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais e destaca ampliação de acesso em setores industriais, tecnológicos e agropecuários.

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Fotos: Claudio Neves

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) divulgou nesta semana um levantamento detalhado que projeta cenário promissor de exportação para o Brasil caso o Acordo Mercosul-União Europeia, formalizado em 2025, entre em vigor após a ratificação nos parlamentos dos países envolvidos.

De acordo com o estudo, setores brasileiros poderão acessar imediatamente um mercado potencial de US$ 43,9 bilhões em importações anuais da União Europeia, com 543 oportunidades de exportação com desgravação tarifária imediata, dispensando barreiras alfandegárias atualmente vigentes.

Foto: Roberto Dziura Jr

O estudo da área de Inteligência de Mercado da ApexBrasil mapeou as frentes de abertura comercial com foco nas demandas do bloco europeu, composto por 27 países e um dos maiores mercados globais de consumo. A análise mostra que essas oportunidades estão distribuídas em todas as grandes regiões do continente, com maior concentração na Europa Ocidental e presença significativa nos mercados Meridional, Oriental e Setentrional.

A coletânea de dados evidencia que o Brasil, tradicional fornecedor de commodities agrícolas e matérias-primas, ainda figura com participação modesta nas compras europeias desses itens específicos. Sobre as 543 oportunidades identificadas, as exportações brasileiras representaram cerca de US$ 1,1 bilhão nos últimos anos, o que corresponde a pouco mais de 2,6% do total importado pelo bloco. A maior parte das frentes comerciais mapeadas hoje engloba produtos com baixo ou nenhum volume exportado atualmente, mas com competitividade reconhecida no exterior.

Produtos com potencial de expansão imediata incluem máquinas e equipamentos de transporte, artigos manufaturados diversos, produtos químicos, materiais em bruto e alimentos, entre outros segmentos que vão além da pauta tradicional brasileira.

A ApexBrasil informa que o acordo terá impacto especialmente em setores que hoje enfrentam barreiras tarifárias elevadas, e que a eliminação ou redução de tarifas nesses segmentos pode impulsionar a diversificação das exportações nacionais.

O levantamento ocorre em um momento em que o Acordo Mercosul-UE, negociado por mais de 25 anos, foi assinado formalmente em janeiro de 2025, criando um mercado integrado com cerca de 720 milhões de habitantes e um PIB agregado de aproximadamente US$ 22 trilhões. Antes mesmo da implementação, a expectativa é de que a eliminação ou redução de tarifas gere condições mais previsíveis e competitivas para empresas brasileiras e atraia novos investimentos, com efeitos diretos sobre estratégias de internacionalização e cadeias de valor produtivas.

Além das oportunidades de mercado identificadas, a ApexBrasil tem intensificado iniciativas para preparar as empresas brasileiras à nova realidade comercial, em coordenação com o governo federal, o Congresso e parceiros internacionais. Enquanto o processo de ratificação segue em tramitação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais do Mercosul, a agência ampliou esforços de comunicação e prospecção junto a setores privados europeus para reforçar a imagem do Brasil como fornecedor competitivo e confiável de bens e serviços.

ApexBrasil destaca que, neste momento, a movimentação política em torno da ratificação e a resposta dos mercados serão determinantes para consolidar o potencial identificado, e que uma eventual entrada em vigor do acordo deverá transformar significativamente o perfil das exportações brasileiras para a União Europeia.

Oportunidades identificadas

Do total de oportunidades identificadas, 244 são classificadas como oportunidades de abertura, casos em que o Brasil ainda não possui participação relevante nas importações da União Europeia, mas apresenta competitividade internacional comprovada na exportação desses produtos. Trata-se, na avaliação da ApexBrasil, de um indicativo claro de que o acordo pode contribuir para a diversificação da pauta exportadora brasileira, reduzindo a concentração em poucos itens tradicionais.

Entre os segmentos analisados, os materiais em bruto, como sementes para semeadura e farinha de soja, registram atualmente 2,7% de participação brasileira nas importações da UE. Já no grupo de óleos animais e vegetais, com destaque para o óleo de milho em bruto, a participação do Brasil é de 4,5%, percentual considerado baixo frente à capacidade produtiva e à competitividade do país nesses mercados.

Agro com combinação de instrumentos

No setor agropecuário, o Acordo Mercosul-União Europeia estabelece um modelo combinado de eliminação tarifária imediata, desgravação gradual e criação de cotas específicas para produtos sensíveis. Entre os principais itens contemplados estão carnes bovina, de aves e suína, açúcar, etanol, arroz, milho, mel, queijos e cachaça, além da eliminação total de tarifas para frutas, como abacate, limão, lima, melão, melancia, uva de mesa e maçã.

Foto: Shutterstock

No caso da carne bovina, o Brasil exportou ao mundo US$ 11,6 bilhões em 2024, enquanto a União Europeia importou US$ 2,4 bilhões do produto. As vendas brasileiras ao bloco somaram US$ 461,2 milhões, com 19,1% de participação e volume de 59 mil toneladas. Antes do acordo, a Cota Hilton destinada ao Brasil, de 10 mil toneladas, estava sujeita a tarifa de 20%, enquanto as exportações fora da cota enfrentavam uma combinação tarifária que chegava ao equivalente a 41,8%. Com a entrada em vigor do acordo, a tarifa da Cota Hilton será zerada de forma imediata, e, ao longo do tempo, será implementada uma nova cota de 99 mil toneladas em equivalente carcaça, com crescimento linear em cinco anos e tarifa intracota de 7,5%.

Para a carne suína, o potencial de expansão é ainda mais expressivo. Em 2024, o Brasil exportou US$ 2,7 bilhões ao mundo, enquanto a União Europeia importou US$ 79,7 milhões, sendo apenas US$ 1,1 milhão originários do Brasil, o que corresponde a 1,4% de participação e volume de 342 toneladas. Antes do acordo, as tarifas aplicadas pela UE variavam de 46,7 euros a 86,9 euros por 100 quilos. Com o tratado, está prevista a criação de uma cota de 25 mil toneladas, com crescimento linear em cinco anos e tarifa intracota de 83 euros por tonelada, ampliando significativamente a competitividade do produto brasileiro.

Foto: Jonathan Campos

Já nas carnes de aves, o Brasil mantém posição mais consolidada. As exportações brasileiras ao mundo somaram US$ 9,1 bilhões em 2024, enquanto as importações da UE alcançaram US$ 815,1 milhões. O Brasil respondeu por US$ 197,3 milhões, com 24,2% de participação e volume de 72 mil toneladas. Antes do acordo, as tarifas variavam entre 18,7 euros e 102,4 euros por 100 quilos. Pelo novo arranjo, será criada uma cota de 180 mil toneladas em peso carcaça, dividida igualmente entre produtos com osso e desossados, com aumento linear em cinco anos e tarifa intracota zerada.

Na avaliação da ApexBrasil, os números demonstram que o acordo tem potencial para reposicionar o agronegócio brasileiro no mercado europeu, ampliando volumes, reduzindo custos de acesso e fortalecendo a previsibilidade para investimentos e decisões estratégicas. A Agência destaca que o desafio, a partir da ratificação, será transformar o mapeamento técnico em resultados concretos, preparando empresas para atender exigências sanitárias, ambientais e logísticas do mercado europeu, ao mesmo tempo em que amplia a presença brasileira em segmentos de maior valor agregado.

Fonte: O Presente Rural

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Sanidade avícola e controle de Gumboro ganham espaço durante o 26º SBSA

Os avanços no controle sanitário das doenças que impactam a produção avícola estarão em pauta no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença, integra o Bloco Sanidade e será ministrada pelo pesquisador Gonzalo Tomás, no dia 9 de abril, às 10h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

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Pesquisador Gonzalo Tomás. Foto: Divulgação

Gonzalo é professor da Secção de Genética Evolutiva da Faculdade de Ciências da Universidade da República, no Uruguai. É licenciado em Ciências Biológicas, mestre em Biotecnologia e doutor em Ciências Biológicas. Sua linha de pesquisa concentra-se no estudo de agentes patogênicos virais que afetam aves comerciais, com ênfase na diversidade genética e na dinâmica evolutiva do vírus de Gumboro. Ao longo de sua trajetória acadêmica, publicou mais de 30 artigos científicos em revistas internacionais arbitradas, contribuindo para o avanço do conhecimento na área de sanidade avícola.

A doença de Gumboro, também conhecida como Doença Infecciosa da Bursa, é considerada uma das principais enfermidades virais que afetam a avicultura mundial. O tema ganha relevância diante da constante evolução dos agentes patogênicos e da necessidade de aprimorar estratégias de prevenção, monitoramento e controle nas granjas comerciais.

Para Gonzalo, compreender a diversidade genética dos vírus é fundamental para aprimorar as estratégias de controle sanitário. “Discutir o controle das doenças na avicultura é fundamental para manter a sustentabilidade sanitária e produtiva do setor. No caso do vírus de Gumboro, a caracterização molecular das cepas permite conhecer quais variantes virais estão circulando em cada região. Essas informações são essenciais para ajustar as estratégias de controle e vacinação à realidade sanitária de cada país ou região”, explica.

De acordo com a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, a sanidade animal é um dos pilares da produção avícola. “O Simpósio traz especialistas que contribuem para o avanço do conhecimento e para o aprimoramento das práticas adotadas no campo. Discutir sanidade e novas estratégias de controle de doenças é essencial para manter a competitividade e a sustentabilidade da avicultura”, destaca.

A presidente da comissão científica do SBSA, Daiane Albuquerque, ressalta que a programação científica contempla temas estratégicos para a cadeia produtiva. “O controle de doenças é um dos principais desafios da produção animal. Trazer especialistas que trabalham diretamente com pesquisa e monitoramento de patógenos contribui para ampliar o conhecimento técnico e fortalecer as estratégias de prevenção adotadas pelo setor”, afirma.

O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura será realizado entre 7 a 9 de abril de 2026 e é considerado um dos principais eventos técnicos da avicultura latino-americana. Paralelamente ao Simpósio ocorre a 17ª Brasil Sul Poultry Fair, feira que reúne empresas nacionais e multinacionais ligadas à cadeia produtiva avícola.

Para acompanhar a palestra e os demais conteúdos da programação científica é necessária inscrição no evento. O segundo lote segue disponível até o dia 26 de março, com investimento de R$ 750,00 para profissionais e R$ 450,00 para estudantes. O acesso à 17ª Brasil Sul Poultry Fair custa R$ 100,00. As inscrições podem ser realizadas no site: https://nucleovet.com.br/simposios/avicultura/inscricao.

 

PROGRAMAÇÃO GERAL

•  26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura  

•  17ª Brasil Sul Poultry Fair

 

DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA

 

13h30 – Abertura da Programação

13h40 – Painel Gestão de Pessoas

            Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.

Palestrantes:

Delair Bolis

Joanita Maestri Karoleski

Vilto Meurer

Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda

15h40 – Intervalo

16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.

Palestrante: Arene Trevisan

 (15 minutos de debate)

17h- Solenidade de Abertura Oficial

17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026

Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC

19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair

 

DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA

 

Bloco Abatedouro

8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.

Palestrante: Darwen de Araujo Rosa

(15 minutos de debate)

9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.

Palestrante: Dianna V. Bourassa

 (15 minutos de debate)

10h – Intervalo

            Bloco Nutrição

10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.

Palestrante: Wilmer Pacheco

(15 minutos de debate)

11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.

Palestrantes: Roselina Angel

 (15 minutos de debate)

12h30 – Intervalo almoço

Eventos Paralelos

         Painel Manejo

14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno

Palestrantes:

Lucas Schneider

Rodrigo Tedesco Guimarães

16h – Intervalo

            Bloco Conexões que Sustentam o Futuro

  16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.

Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo

(15 minutos de debate)

  17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?

Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme

(15 minutos de debate)      

18h30 – Eventos Paralelos

19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair

 

 

DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA

Bloco Sanidade

8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias

Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande

(15 minutos de debate)

9h Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.

Palestrante: Dr. Ricardo Rauber

 (15 minutos de debate)

10h – Intervalo

10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.

Palestrante: Gonzalo Tomás

 (15 minutos de debate)

11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.

Palestrante: Taís Barnasque

(15 minutos de debate)

Sorteios de brindes.

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Abraves-PR debate mercado, comunicação, javalis e inteligência artificial na suinocultura

Encontro começou nesta quarta-feira (11) e segue até quinta (12). O Presente Rural acompanha a programação e traz a cobertura dos principais debates.

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Fotos: O Presente Rural

Profissionais da cadeia suinícola participam nesta semana do encontro promovido pela Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – regional Paraná (Abraves-PR), que começou nesta quarta-feira (11) e segue até quinta-feira (12). A programação reúne especialistas, pesquisadores e profissionais do setor para discutir temas ligados a mercado, comunicação, gestão, sanidade e novas tecnologias aplicadas à produção.

No primeiro dia, a agenda aborda aspectos estratégicos e comportamentais que impactam o ambiente profissional e a gestão dentro das organizações do agro. Entre os destaques estão a palestra “Pensamento crítico na era da (des)informação”, apresentada por Fernando Schüler, e a apresentação “Raízes que movem resultados: a cultura do agro que sustenta a inovação”, com Evandro Damasio.

O cenário econômico da atividade também integra a programação com a palestra “Mercado: o que esperar para 2026 e como preparar-se?”, conduzida por Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea/Esalq-USP. No período da tarde, a programação inclui ainda apresentações de Lucia Barros, que trata de temas relacionados à procrastinação e desempenho, Roberta Leite, com uma abordagem sobre comunicação no agronegócio, e Luciano Pires, com a palestra “Geração T”.

A programação desta quinta-feira concentra discussões diretamente ligadas aos riscos sanitários e aos impactos da fauna invasora sobre a produção animal. O Painel 3 será dedicado ao avanço dos javalis e seus efeitos sobre a sustentabilidade da produção, reunindo Julio Daniel do Vale, Telma Vieira Tucci, Mike Marlow, Virginia Santiago Silva, Lia Coswig, Beatriz Beloni, Eunice Lislaine Chrestenzen de Souza e Rafael Gonçalves Dias.

As apresentações abordam diferentes aspectos do tema, incluindo a importância do controle da espécie para a produção animal, experiências internacionais no manejo populacional, impactos sanitários, legislação brasileira, efeitos econômicos para o Brasil como exportador e os métodos de controle atualmente adotados no país.

No período da tarde de quinta, o evento segue com o Painel 4, dedicado ao uso da inteligência artificial como agente de transformação, com palestra de Ricardo Cavallini. O encerramento da programação está previsto para o fim da tarde.

De acordo com a Abraves, o encontro busca ampliar o debate sobre temas técnicos, econômicos e sanitários relevantes para a cadeia suinícola. O Presente Rural acompanha o evento e realiza a cobertura dos principais conteúdos apresentados ao longo dos dois dias de programação.

Fonte: O Presente Rural
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Eficiência na pecuária de cria começa com planejamento e manejo adequado

Meta de um bezerro por vaca ao ano depende de nutrição equilibrada, estação de monta organizada e gestão eficiente.

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Foto: Divulgação/ANPC

A Pecuária de Cria é mais do que a base da cadeia da carne. É o início de um ciclo que representa o futuro da pecuária brasileira, o nascimento do bezerro que simboliza o resultado de um ano inteiro de trabalho, planejamento e respeito ao ritmo da natureza. Alcançar a meta de um bezerro por vaca ao ano é o objetivo de milhares de produtores e o reflexo da eficiência, da boa gestão e do equilíbrio entre todos os componentes da fazenda.

Atrás desse indicador estão a ciência, sensibilidade e visão de longo prazo. A cria é uma etapa que exige harmonia entre reprodução, manejo e nutrição. Entre a concepção da vaca e a desmama do bezerro, passam-se aproximadamente 530 dias, um ciclo longo, que requer decisões precisas e sustentadas por conhecimento técnico e planejamento rigoroso.

Artigo escrito por João Paulo Barbuio, consultor Nacional de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal.

Organizar a Estação de Monta é um passo essencial nesse processo. Quando o período de acasalamento é planejado e concentrado, toda a produção ganha ritmo e previsibilidade. Os nascimentos ocorrem em janela definida, os manejos tornam-se mais eficientes, os custos são reduzidos e os lotes de bezerros apresentam melhor padronização. Experiências de campo indicam que estações de monta mais curtas, preferencialmente entre 90 e 120 dias, oferecem melhores resultados reprodutivos e econômicos.

A nutrição, por sua vez, é o pilar que sustenta todo o sistema. Em um país de dimensões continentais e clima marcado por períodos alternados de chuvas e secas, o equilíbrio nutricional das matrizes é determinante para o desempenho reprodutivo. Avaliar e monitorar o Escore de Condição Corporal (ECC), mantendo os animais entre 3 e 4, em uma escala de 1 a 5, é essencial para garantir maior taxa de prenhez e retorno produtivo. Um plano nutricional estruturado, capaz de equilibrar oferta e demanda de matéria seca, favorecer a suplementação mineral e respeitar as condições de cada propriedade, fortalece a eficiência e a resiliência do rebanho.

Essa compreensão mais ampla da cria também reflete um compromisso com a sustentabilidade. Sistemas equilibrados e produtivos utilizam os recursos de forma mais racional, preservam a fertilidade do solo, otimizam o uso das pastagens e reduzem desperdícios. Ao promover uma reprodução eficiente e bem planejada, o produtor contribui para uma pecuária mais responsável, lucrativa e adaptada aos desafios do futuro.

O avanço da cria no Brasil depende, cada vez mais, da soma de conhecimento técnico, gestão profissional e inovação no campo. A pecuária do futuro está sendo moldada por produtores que entendem que investir em eficiência reprodutiva é investir em qualidade, sustentabilidade e prosperidade. Cada bezerro nascido de uma vaca bem manejada, saudável e em boa condição corporal é um símbolo do que o setor tem de melhor: a capacidade de evoluir com inteligência, propósito e respeito às raízes que sustentam a produção de carne no país.

Fonte: Artigo escrito por João Paulo Barbuio, consultor Nacional de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal.
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