Suínos
Apesar do crescimento, suinocultura integrada do Paraná ainda enfrenta baixa rentabilidade
Levantamento do Sistema Faep mostra que, apesar dos recordes de produção e exportação, receita cobre apenas os custos variáveis, deixando granjas no vermelho.

A suinocultura paranaense vem batendo recordes de produção e ótimos resultados em exportação. O cenário positivo, no entanto, não tem se refletido em aumento de renda para os produtores integrados. É o que aponta o levantamento dos custos de produção da suinocultura, elaborado pelo Sistema Faep. Este é o tema desta edição do programa de rádio Campo & Cia, com a participação de Nicolle Wilsek, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade.

Foto: Ari Dias
Realizado há mais de 15 anos, o levantamento permite aos suinocultores terem um diagnóstico regionalizado de sua atividade, fornecendo subsídios para negociação com as integradoras. A rodada mais recente abrangeu seis diferentes Comissões de Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs) no Paraná, nas regiões Oeste e Campos Gerais, em diferentes fases produtivas: Unidade de Crechário (UC); Unidade Produtora de Desmamados (UPD) e Unidade de Terminados (UT).
Para crescer com rentabilidade, o produtor precisa conhecer a própria atividade em detalhes e trabalhar a gestão do empreendimento rural. O levantamento realizado pelo Sistema Faep permite, identificar pontos de melhora. Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep.

Técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep, Nicolle Wilsek: “Os produtores estão tendo receita suficiente para pagar apenas os custos variáveis. Isso cria um cenário de ilusão de que está pagando as contas” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Segundo Nicolle, de um modo geral, os suinocultores integrados estão conseguindo, no máximo, cobrir os custos variáveis, ou seja, as despesas referentes à produção de cada lote.
Mas os custos fixo e operacional, que levam em conta também a depreciação dos equipamentos e das instalações, deixam os produtores no vermelho. “Os produtores estão tendo receita suficiente para pagar apenas os custos variáveis. Isso cria um cenário de ilusão de que está pagando as contas. Mas quando se estratifica a atividade, quando vemos o custo fixo e operacional, percebe-se que a receita não é suficiente. O produtor está tendo que tirar dinheiro para sustentar a produção na granja”, expõe Nicolle.

Suínos
Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.
Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.
O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.
Resiliência
Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.
A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.
Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
Suínos
Exportações recordes sustentam mercado do suíno no início de 2026
Em meio à estabilidade das cotações internas, vendas externas de carne suína alcançam volumes e receitas históricas, impulsionadas pela forte demanda internacional.

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira (06), com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.
No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período.
De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024, dados da Secex.
Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025.
No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.
Suínos
Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro
Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.






